ATADA A ELE - CAPITULO 45

Atada a Ele

ATADA A ELE - IZABELLA MANCINI. 

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Amizade, Comédia, Drama, Hentai, Romance
Avisos: Estupro, Sexo

Capitulo 45 SUPERAÇÕES.

O tempo podia mesmo estar passando assim? Quando eu vi, já estava pra casar! Edward queria que tudo acontecesse no mais rápido possível, e de fato, o mais rápido possível chegou de pressa. Um mês passou diante de nós voando! Entre provas de vestido, escolha de enxoval, lugar pra lua de mel e ensaios na igreja, mal percebi como Erick estava ficando grande. O garoto já tinha nove meses todinhos, e quanto eu olhava pra trás me perguntava onde estava o bebê pequenino que havia saído de mim um dia.
Bella: você vai ficar bem – falei no ouvido dele baixinho – a mamãe só precisa sair umas horas, mais de noite eu venho te pegar, ta bom meu amor? – beijei sua bochecha rosada, mais ele me agarrou pela camiseta. Esme logo apareceu toda contente. Hoje era o dia da minha bendita prova final, e pra ir fazê-la eu ia precisar deixar o bebê com Esme, já que Edward estava no meio de uma cirurgia de sei lá Deus o quê! Erick foi pro colo da avó resmungando, e sai de lá mais uma vez, com o coração super apertado. Corri pra chegar na hora da prova, fui, e fiz!
Bella: não é que tenha sido difícil – eu falava no meu da rua ao celular – é que a interpretação era complicada. Uma linguagem meio... Formal demais!
Edward: eu tenho certeza que você passou – me respondeu – não precisa se preocupar com isso.
Bella: Deus te ouça – murmurei apontando pra um táxi.
Edward: já peguei Erick e logo to em casa – garantiu.
Segui pra casa, e quando cheguei, Edward já estava lá. Erick estava tomado banho, sentado no colo de Edward assistindo TV.
Bella: você chegou cedo – falei rindo, e fechando a porta.
Edward: pois é – deu de ombros, e Erick olhou pra ele. Joguei a bolsa no sofá e me abaixei na frente de Erick pra lhe dar um beijo. A pestinha me ignorou totalmente, se virou e abraçou Edward ficando de pé no colo dele.
Bella: o que foi que eu fiz agora? – perguntei meio ofendida.
Edward: sei lá – deu de ombros – ele está meio... Ciumento com você.
Bella: ciumento comigo? – me sentei ao lado de Edward com cara emburrada – eu faço tudo o que ele quer! – Edward riu, e Erick deitou a cabeça no peito dele e enfiou o dedão na boca, me olhando enquanto o sugava. Os olhos azuis mais atentos do que nunca.
Edward: desde que Alice disse que está grávida ele está assim – Edward me lançou um sugestivo olhar – acho que tá com ciúmes do primo. Erick? – ele ergueu os olhos azuis pra Edward rapidamente, como se seu chamado fosse uma ordem – o que você tem?
Erick: Dadi – Erick o abraçou mais forte, envolvendo os braçinhos brancos no pescoço de Edward que o abraçou também.
Bella: ele me odeia! – choraminguei – meu próprio bebê me odeia!
Edward: odeia nada...
Erick: Dadi! – falou novamente.
Edward: é papai! – repreendeu rindo. Erick ficou quieto, e Edward pegou na minha mão – e falando em papai... Eu... Bom, preciso te falar uma coisa.
Bella: fala – dei de ombros, olhando pra TV meio triste por Erick estar com ciúmes de mim, pensando seriamente que Edward iria falar algo do nosso casamento que aconteceria dali a duas semanas.
Edward: lembra daquele tratamento pra ter filhos? – de repente algo dentro de mim deu um solavanco. Olhei pra ele lentamente.
Bella: claro – respondi séria – o que tem?
Edward: bom, eu... O Mauro, meu amigo medico que me atende me disse que eu já posso tentar. Talvez seja muito precipitado, mas ele afirmou que a partir de agora já pode funcionar – troquei um olhar com Edward meio... Perdido.
Bella: isso é ótimo, mas... – foi tudo que eu pude dizer enquanto olhada dele pra Erick.
Edward: mas...? – MAS EU ACABEI DE TER UM FILHO!
Minha mente trabalhou sozinha, porém busquei novamente o foco. Erick tinha só nove meses. Ok, eu já estava novamente fértil, mas não me sentia apta e outra gravidez. Talvez somente isso não bastasse... O meu verdadeiro medo era outro. Erick ainda estava todo agarrado a Edward, como um gatinho. Observei como, apesar de não terem parentesco algum, os dois eram parecidos. Observei todo o carinho e veneração de um para com o outro e talvez se eu tivesse outro bebê agora... Isso fosse mudar. Não se fosse uma menina. Porém desde quando isso é premeditado?
Bella: Edward, eu acabei de ter um bebê! – lembrei a ele, buscando um jeito de mentir mais fácil.
Edward: eu sei – ele riu – eu não to dizendo pra termos outro. Só dando uma noticia Bella.
Bella: eu sei – murmurei meio sem jeito - eu quero outro bebê, mas acho que ainda é muito cedo.
Edward: também acho – garantiu – não tenho pressa pra ser pai outra vez... – ele deu um sorriso bonito, e eu também. Aproximei-me, ele me deu um beijo calmo e Erick enfiou a mão entre nós. Separamos-nos.
Bella: hei! – falei olhando pro bebê – você tá que tá hein? Vem cá! – o peguei do colo de Edward num movimento, e ele começou a berrar, chorar, espernear! – ERICK!
Erick: papai, papai! – o bebê esticou os braçinhos na direção de Edward. Parei de me mover, e entreguei Erick pra Edward. Ele o envolveu com a cara de espanto mais assombrosa do mundo. Erick se calou quando Edward o pegou, e eu e ele nos olhamos.
Edward: ele disse papai? – seus olhos percorreram o rosto de Erick. Eu sorri.
Bella: acho que sim – fiquei parada uns instantes. Erick nunca havia falado uma palavra toda! Era mesmo inédito. Ou talvez... Era mais do que isso. Era a primeira palavra! E não tinha sido mamãe...
Edward: Erick – Erick o olhou atentamente – o que foi que você disse? – Erick me olhou e colocou o dedo na boca.
Erick: papai – e sorriu com sua boca rosada e com poucos dentes. Edward me olhou e deu uma longa risada. Minha cara deveria ser mesmo muito cômica naquele momento! Eu olhava de um pro outro meio desacreditada! O meu bebê tinha dito papai e não mamãeem sua primeira palavra – papaiê!
Edward: isso garotão – Edward, claro, todo orgulho, deu um beijão na bochecha de Erick e lhe abraçou contra o peito muito ternamente – papai.
Bella: você é um traidorzinho, garoto! – lancei pra Erick a minha maior cara de malvada – eu te carreguei nove meses todinhos dentro de mim pra você falar papai? – Erick riu da minha doidera, e abraçou mais forte Edward.
Erick: PAPAI! – falou mais alto, como se caçoasse de mim – papai, papai, papai!
Bella: vem aqui que você me paga! – voei pra cima de Edward e Erick e comecei a fazer cócegas nele em todo seu corpinho minúsculo. Ela ria alto tentando se desviar de mim.
Ok, não era sempre que tudo ocorre como queremos...
Semanas depois
Alice: olha aqui garota, hoje é o grande dia! – ao meu lado, Alice dizia coisas meio incompreensíveis, já que ela mastigava o salgadinho no qual o pacote ela sustentava em suas mãos – eu quero você linda e arrasante!
Respirei fundo e me olhei no espelho. Finalmente Edward e eu nos casaríamos pra valer. O vestido de noiva branco (obvio) era longo, sem alças, e com umas pedrinhas brilhantes de sei lá o que presas na barra dando um ar de jóias. Era brilhante, cheio de frescura e muito... Noiva.
Bella: tenho que admitir – quase não dava pra me reconhecer atrás de toda aquela produção de um dia. Maquiagem perfeita, cabelo perfeito, vestido perfeito, pele perfeita – você é um gênio, Alice.
Ela sorriu ao meu lado, também aparecendo no espelho. Trajando um belíssimo vestido de madrinha, Alice estava bastante bonita e peculiar. Grávida de quatro meses ela exibia uma barriguinha toda fofa embaixo do tecido rosa - claro do vestido. De fato, quando me disse que estava suspeitando estar grávida há quase dois meses no casamento de Rose, ela não estava enganava. Quando descobriu já estava com dois meses e meio de gestação e agora Erick sabia que iria ganhar um priminho muito em breve, e que o nome dele seria Andrew.
Por falar em Erick... No momento ele estava lá fora com Rose e Emmett, talvez também com Carlisle e Esme. Deveria com certeza estar repetindo o nome de todo mundo diversas vezes, já que as palavras pra ele agora – com onze meses de idade – eram algo novo e esplêndido! Tão novo e esplendido como seu tamanho. Estava cada vez maior, com seu corpinho magricelo e branquelo cheio de sardinhas... O cabelo agora loiro que eu buscava jamais deixar curto demais, sempre na atura do pescoço. E claro, o motivo de sucesso onde ele passava: os olhos azuis.
Alice: eu sei – murmurou ao meu lado – e você está um arraso. Ai meu Deus Andrew – ela tocou em sua barriguinha – a sua madrinha é a noiva mais linda que eu já vi! – falou em tom emocionado – ai meu Deus, meus hormônios de grávida estão aflorando! Preciso de chocolate! – de repente ela estava mesmo emocionada – Bella... Eu posso avisar seu pai que você está descendo? – perguntou toda emocionada.
Bella: é claro – garanti meio tremula – Oh Deus! Eu vou me casar...
Edward POV
Erick: papai – mesmo nervoso, largar Erick agora me parecia algo impensado. Ele me distraia com suas bagunças – mamãe! – em meu colo ele olhava de um lado pro outro em busca de Bella.
Edward: ela já vem garotão – respirei fundo – e você vai ver como ela vai estar linda – Erick me olhou – me deseja sorte, tá bom? – dei um beijo em sua bochecha rosada, e ele passou a mão no cabelo loiro que estava em seu rosto antes de me dar um beijo na bochecha também.
Logo Rose veio pra me desejar boa sorte ao lado de Emmett. Eles levaram Erick pro colo de Esme, enquanto fiquei lá esperando tudo começar e acabar logo. O mais rápido possível eu queria me casar e estar pra sempre ao lado da minha família.
Não demorou muito. Desde que Bella e Charlie apareceram na porta da igreja, tudo o que eu era capaz de enxergar era ela. Tão linda como nunca vi... Em minha direção. Pra casar comigo.
Horas depois
Bella: o Erick vai ficar mesmo bem? – a festa de casamento tinha durado até o amanhecer. Erick praticamente adormecera no colo de minha mãe, que garantira que ele iria ficar bem com ela enquanto Bella e eu íamos pra nossa lua de mel de rápidos cinco dias graças ao nosso bebê que não queríamos deixar nenhuma segundo a mais sozinho.
Edward: mais é claro que vai – garanti de mãos dadas com ela. Estava escuro. Havíamos passado quase o dia todo no avião rumo ao Japão, lugar de nossa lua de mel – vai ficar tudo bem – o lugar era lindo. O sol se punha a nossa frente enquanto observávamos tudo da sacada do hotel. Era um lugar litorâneo, apelidado realmente de terra do sol nascente – você não disse que me amava até o sol? – olhei pra ela e ela continuou olhando pro sol – pois agora ele está bem pertinho.
Bella: então era isso? – ela sorriu iluminada pelos últimos raios de sol – esse era o segredo do Japão? A terra do sol nascente?
Ao proferir essas palavras ela veio pro meu lado e me abraçou, ainda olhando em meus olhos.
Edward: tinha que ser especial – garanti meio nervoso com a proximidade. Meio bobo, talvez pensar assim depois de tantas vezes em que havíamos ficado juntos... Mas só de imaginar a ocasião especial que era nossa lua de mel me deixava na expectativa – tinha que ser perfeito.
Bella: mais do que já é? – perguntou com um belo sorriso.
Edward: muito mais – assenti.
Bella: ainda não acabou não é? – e riu meio maliciosa.
Edward: ainda nem começou, amor.
Bella POV
O ambiente iluminado a luz de velas, sem qualquer tipo de energia elétrica à noite me permitia enxergar tudo ou qualquer detalhe presente na casa onde estávamos hospedados no Japão. Porém nada importava agora. Não me importava se as luzes estavam ou não apagadas, não me importava se talvez eu fosse lembrar um passado tão distante como a minha casa estava de mim agora.
O único que fazia sentido próprio a mim eram os lábios de Edward movimentando-se sobre os meus carinhosamente. As mãos dele passeando pelo meu corpo sem restrições e reservas. Não importava se tínhamos acabado de entrar em casa, e se estávamos na cozinha mesmo. O empurrei pra me sentar sobre o balcão da cozinha e o puxar de volta a mim.
Sentada sobre o balcão, senti as mãos habilidosas de Edward debaixo de minha saia tocando minhas coxas e deslizando minha calcinha por meu quadril. Estremeci diante do beijo, seus lábios se impondo sobre os meus. Deslizei os dedos por sua camisa e a desabotoei lentamente. Em alguns segundos estávamos quase nus. Acariciei seu peito enquanto suas mãos puxavam minha camiseta e desabotoavam meu sutiã o afastando de minha pele. Seus lábios percorreram cada centímetro do meu corpo, causando-me sensações intensas e indescritíveis. O puxei mais ao meu encontro, buscando um maior contanto entre nós... E então ele me envolveu em seus braços ao passos em que me preenchia. Agarrei-me a seus ombros sentindo nossos corpos se unirem o mais fundo e intenso possível. Meus sentidos reagindo a sensações jamais imaginadas. A luz nos permitia olhar o ambiente. Contemplarmos um ao outro enquanto nos uníamos. Os olhos dele estavam presos aos meus, numa transformação de verde brilhante e verde prazer. Assim como a expressão de seu rosto ao ver-me derreter de prazer em seus braços. Fazer amos assim transmitia-nos outro sabor, misturado a novas descobertas. Foram-se minutos de intensidade, até nos saciarmos completamente, ou pelo menos chegarmos perto disso. E ao final, senti que de tudo isso algo novo aconteceu.
Seria talvez, o inicio de uma nova vida. Sem medos, sem receios, sem passado, apenas visando o presente e todos os bons fluidos e promessas que ele trazia pra nós. Ao lado do amor da minha vida e do meu filhinho não tinha como ser infeliz. Não.
Um ano depois
Era um jardim. Um jardim lindo, florido, colorido. Estatuas de anjos circulavam todo o lugar, e ao centro uma fonte onde jorrava água de dentro de uma pétala de rosa. Era basicamente o lugar mais lindo que eu já tinha visto... E eu estava ali... Sozinha, sentada em um banco. Observei tudo. Fechei os olhos pra ouvir o canto dos pássaros, ouvir o barulho da água da fonte caindo e as folhas das árvores batendo contra o vento. Até que em meio a isso tudo... De longe, um choro de criança muito familiar aos meus ouvidos se propagava ao longe. Abri os olhos e fiquei de pé, assustada no mesmo instante.
Bella: Erick?
Chamei olhando em volta pra ver se o encontrava. Era o choro dele. Era ele! Eu só não podia vê-lo. Eu só não podia enxergá-lo. Corri em direção as arvores, passei por vários caminhos até vê-lo. Erick estava sentado no chão, ao lado de uma estatua de anjo de perninhas de índio chorando muito, com o rosto inundando em lágrimas.
E ele me olhou quando parei dois passos em frente a ele, meio estática pela visão do meu filhinho tão triste.
Erick: sai daqui – me disse enquanto seus olhos muito azuis, quase na cor do céu, me contemplavam com a maior tristeza do mundo empregada ali – eu não quero você. Eu odeio você!
As mãozinhas estavam agora rodeando os dois joelhos, onde ele escondia a cabeça pra chorar. Só seu cabelo loiro cortado em forma de tigela era visto por mim. E ele ainda chorava.
Bella: Erick – me ajoelhei diante dele, tentando chegar perto. Mas... Eu não podia tocá-lo. Era como se uma barreira invisível me impedisse de tocar meu próprio filho – filho, o que você tem? O que foi que eu fiz? – de repente eu também estava chorando. Uma dor física intensa se abatia sobre mim. Vinha direto do meu coração cortando minha alma profundamente.
Erick: eu odeio você – disse novamente. Parecia um homenzinho, tendo apenas dois aninhos. Ele ergueu o rosto em minha direção. A pele muito clara avermelhada, a boca apertada numa linha fina e lágrimas diversas espalhadas por sua bochecha e transbordando de seus olhos azuis.
Bella: o que foi que eu fiz? – tentei novamente chegar perto dele, mais a barreira invisível ainda me impedia e ele parecia não fazer nada pra me alcançar – o que foi que eu fiz? – gritei em meio às lágrimas, sentindo ainda dor no meu coração.
De repente ele desviou os olhos do meu corpo e contemplou o meu ventre. Tremi ao seguir seu olhar e ver que... Embaixo do vestido branco e esvoaçante que eu usava havia uma redonda e perfeita barriga de grávida. Sem ação fiquei de pé e toquei a barriga totalmente desacreditada! Sim, sim. Eu estava grávida. Bem grávida!
Mais lágrimas caiam dos meus olhos, e agora Erick também estava de pé. Ele se sentou em algum lugar na estatua de anjo, e deitou a cabeça nos braços do anjo botando o dedo na boca e começando a sugar. Fez exatamente como fazia quando estava prestes a dormir.
Erick: você me esqueceu, mamãe – sussurrou pra mim, com lágrimas silenciosas descendo pelo rosto – você trouxe outro bebê, e agora o papai o ama mais. O papai não me ama. E nem você. Me trocaram por ele. Vocês esqueceram de mim, mamãe.
E então ele fechou os olhos azuis, como se estivesse dormindo. O escudo invisível ainda nos separava. Agora eu gritava mais do que tudo querendo chegar perto dele.
Bella: Erick – aos poucos a respiração dele ia ficando mais e mais lenta – Erick! – eu berrava tentando passar pelo escudo que só me empurrava pra trás – não Erick, eu ainda te amo! Eu ainda te amo muito e vou te amar pra sempre! Não faz isso comigo, fica comigo, fica comigo! Erick!
Meus gritos eram em vão. Era tudo em vão! Ajoelhei-me ao chão quase sem forças de tanto gritar, e fechei os olhos. Uma troca de imagens aconteceu, e quando tudo se focalizou, eu ainda estava ajoelhada no chão com as mãos no rosto.
Daniel: mamãe... - uma delicada mãozinha tocou meu ombro no momento em que a voz infantil sussurrou chamando por mim.
Bella: Erick! – me virei, e deparei-me com uma criança linda, porém não era Erick. Era um garoto de olhos verdes e intensos, cabelos dourados e rosto de anjo. Quase tão lindo quanto Erick. Tão doce o quanto. Era muito parecido com... Com Edward. Observei meu ventre, e eu já não estava mais grávida.
Pelo que me parecia o bebê que eu carregava havia nascido, e era o menino que conversava comigo agora. O pequeno Edward.
Daniel: não sou o Erick, mamãe – sussurrou o menininho botando a mão no meu rosto – sou o Daniel – meu coração disparou. Fiquei de pé, e quase nem pude respirar – o Erick está lá – ele apontou pra frente, e lá estava Erick.
Ainda sentado na estatua de anjo, com os olhos fechados e o corpo inerte.
Bella: nós temos que pegar ele Daniel – falei pro garotinho, que não me mexeu, continuou parado ao meu lado com os olhos fixos em Erick.
Daniel: não quero pegar ele – murmurou com a voz meio macabra – ele não é meu irmão de verdade. Você sabe disso. Você sabe que ele não é da nossa família. Ele pertence a outro – o garoto era pequeno demais pra estar falando assim, mas eu só via Erick. Eu só queria salvá-lo – ele é o fruto do ódio. Eu sou o fruto do amor!
De repente um homem começou a se aproximar. Olhei, pensando ser Edward.
Bella: Edward! – gritei quase desesperada – me ajuda... Me... – a voz morreu em minha garganta. O homem nem sequer me olhou, apenas ultrapassou o escudo com a maior facilidade do mundo e tomou Erick nos braços – LARGA ELE! LARGA ELE HANK!
Era ele. Hank. O estuprador. O monstro. O pai biológico de Erick. Hank estava vestido como na noite em que me estuprara. Todo de preto, com o cabelo loiro devidamente penteado, e os olhos escuros cintilando maldade. Ele caminhou até Erick na estatua de anjo, e o tomou nos braços.
Erick se moldou a ele com facilidade, e grudou o rostinho no ombro de Hank. Começou a chover de repente, e um sorriso cresceu na face de Hank enquanto ele observava Erick dormindo em seu colo.
Hank: vai ficar tudo bem, filho – murmurou pro menino, que se mexeu – você está com o papai agora. Nada mais vai te fazer mal...
Erick, em meio ao sono agarrou a blusa de Hank com toda segurança do mundo.
Erick: Edward – falou tranqüilo, de olhos fechados – Edward. Eu te amo, papai.
Bella: larga ele! – e gritava do outro lado – larga o meu filho! ELE NÃO É SEU, ELE NÃO É SEU! ELE É SÓ ME! SÓ MEU E DE EDWARD! LARGA ELE!
Hank: você já teve o que queria – ele se referia ao menino com cara de anjo ao meu lado – você fez Erick sofrer... E você sabia que um dia eu viria buscá-lo – murmurou com a voz carregada de ódio – Erick agora é meu. E através dele vou fazer com que você pague por todo o tempo que eu fiquei em coma e na cadeia. Você me paga, Bella. Você me paga!
E dizendo isso, ele me deu as costas com Erick no colo começou a andar em meio às arvores. Ajoelhei-me no chão, desesperada. Erick acordou, e por cima do ombro de Hank estendeu as mãozinhas na minha direção.
Erick: me solta, eu quero a minha mãe – gritava – você não é meu pai, você não é o Edward! Mamãe, não foi minha culpa, não foi minha culpa!
E ele sumiu, sem me deixar fazer nada. Sem me dar chances de salvar o meu bebê!
Em meio aos pingos de chuva, senti a mão pequena de Daniel tocar minhas costas.
Daniel: está tudo bem mamãe – murmurou – o Erick já foi embora. Agora nós somos uma família de verdade...
Abri os olhos, sentindo meu corpo mais do que nunca. Desesperada, me sentei na cama e percebi que... Que eu estava acordando. Que tudo fora um sonho. Era o meu quarto e de Edward. A TV estava ligada. A chuva caia lá fora em ritmo acelerado, e ao meu lado na cama, estava Erick. Olhei pra ele, e ele olhou pra mim.
Erick: que foi? – perguntou com um sorriso brincalhão nos lábios. Sem pensar, me atirei pra cima dele o apertando muito forte contra o peito. Beijei seu cabelo loiro, sua testa, sua franja, suas bochechas – mãe – falou – eu tô sem respilá! – ele riu, e eu também.
Bella: você está bem meu amor? – olhei nos olhinhos azuis, e ele sorriu quando assentiu. A mamadeira transparente e azul estava na mão dele que a sugava lentamente, ainda vestido com um pijama azul com letrinhas brancas e uma pantufinha de elefante – está mesmo?
Erick: tô, mãe – resmungou, e se sentou no meu colo olhando pra TV – que foi? Você tava glitando.
Bella: eu estava gritando? – perguntei meio confusa. Ele fez que sim com a cabeça me olhando agora – eu tive um pesadelo, só isso – sorri tentando descontrair, e ele sorriu também – o que você tá assistindo?
Erick: o bob esponja – me deitei na cama e encaixei Erick pertinho do meu corpo como se ele fosse um gatinho. Ele me abraçou forte e ficou tomando seu leite e vendo o desenho na TV do quarto – o papai mandou um beijo – disse do nada.
Bella: mandou, é? – beijei a testa dele – você o viu de manhã? – ele me olhou e eu afastei o cabelo dele do rosto.
Erick: vi – murmurou – ele fez Tetê pra mim – me mostrou a mamadeira. Eu sorri – ele foi trabalhá.
Ficamos na cama uma meia hora vendo o desenho. Enquanto Erick ria com as coisas que Bob Esponja fazia, eu tentava me concentrar no sonho. Fora basicamente a coisa mais horrível que eu já tinha sonhado. Terrível, entre muitos pesadelos onde eu via minha mãe e minha irmã morrendo. Neste fora diferente. Eu havia sentindo. Sentindo meu coração se quebrar em milhões de pedaços quando levaram o meu filho de mim. Sentindo a dor de Erick quando dizia que eu havia me esquecido dele pela nova criança, um filho biológico meu e de Edward.
Respirei fundo, e do nada, senti meu estomago doendo. Uma pontada aguda se propagando dentro de mim. Era como se eu quisesse vomitar. Fiquei de pé com Erick no colo, e o botei sentado na pia enquanto eu lavava meu rosto. Fiquei parada uns instantes. Erick me olhando atentamente. Sim, não adiantava ficar poluindo minha mente com especulações. Um arrepio percorreu o meu corpo quando lembrei a presença de Hank no sonho. Quando me lembrei dele com o meu filhinho nos braços. Erick desacordado, pensando estar no colo de Edward. O telefone tocou. Peguei Erick no colo novamente e voltei pro quarto pra atendê-lo.
Alice: Bella são quase onze horas e você nem chegou ainda, mulher! – era a voz de Alice em tom brincalhão. Eu podia ouvir o choro agudo de Andrew, o bebê de sete meses ao fundo da linha – você não vai vir almoçar comigo hoje?
Bella: Ah, claro que eu vou – olhei pra Erick que ainda tomava o leite que estava quase na metade – é que acordei tarde. Estou me sentindo meio mal...
Alice: meio mal? Sei... – e riu – anda longo. Agente precisa ir comprar o presente do bebê da Rose! Nasce amanhã, você lembra, não é?
Bella: claro que sim – este, talvez fosse o fato que eu ainda lembrava.
Alice: Ah, e você não sabe! Finalmente o Emmett contou o sexo do bebê! Mais eu só te conto quando você chegar – e riu brincalhona – Ah não, o Andrew tá chorando. Tenho que desligar. Manda um beijo pro meu loirinho lindo, ok? Até depois.
Bella: até depois – e desliguei o fone. Ainda chovia forte e trovejava. Erick parou de mamar e me olhou – sua madrinha te mandou um beijão – ele sorriu.
Erick: agente vai sai? – perguntou quando o levei pro quarto dele e comecei a tirar a roupa dele. Eu nem ia dar banho. Toda vez que ele ia pra casa de Alice sempre voltava de lá mais sujo do que tudo de ficar brincando com o cachorrinho novo dela.
Bella: vamos – peguei no guarda roupa uma roupinha pra ele – vamos almoçar na sua madrinha.
Erick: o papai vai também? – a voz dele continha um quê de excitação.
Bella: não, o seu pai tá no hospital, amor – Erick só ficou falando do cachorrinho de Alice, e que queria muito ter igual.
Enquanto ele tagarelava, eu pensava sozinha sobre o sonho. Há mais de um ano, desde quando eu estava grávida, não ouvia nada sobre Hank. Nada sobre a saúde dele, nem sobre a possível morte ou recuperação. Não que eu reclamasse... Porém talvez isso devesse me interessar.
Senti mais uma vez uma longa tontura ao pensar em que o sonho poderia ser um aviso. E se de verdade fosse? E se Hank estivesse vivo, foragido, e atrás de mim? Ou pior... E se ele estivesse atrás de Erick?

1 comment :

  1. OMG!!! estou curiosa para saber o que vai acontecer!!!!

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