ATADA A ELE - CAPITULO 48

Atada a Ele

ATADA A ELE - IZABELLA MANCINI. 

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Amizade, Comédia, Drama, Hentai, Romance
Avisos: Estupro, Sexo

Capitulo 48 FATOS ESTRANHOS

O telefone tocava alto na mesa de Laís. Eram três da tarde, e eu estava atendendo uma de minhas pacientes em gravidez avançada.
Edward: não se esqueça que gravidez de gêmeos depois dos sete meses é uma situação de risco. O mais recomendável para a senhora é ficar no hospital até eles nascerem, principalmente depois de constatarmos esses problemas de pressão alta - a senhora me olhou meio tristonha.
Julia: ah doutor Cullen – choramingou – eu sei que o quê me diz é o correto, mas tenho um filhinho mais velho em casa, e... Seria muito triste deixá-lo – respirou fundo – principalmente agora que ele se sente tão excluído em relação aos novos bebês.
Edward: eu sei bem como é – garanti – mas aos poucos isso vai passando. Com os meus filhos ocorreu o mesmo quando a minha caçula nasceu, mas depois de um tempo isso passa, dona Julia.
Julia: espero que esteja correto – sorriu de lado – e bom, acho que posso dar entrada no hospital até eles nascerem – colocou a mão sobre a barriga – é esse o seu filho? – apontou pra uma foto onde estava Erick mostrando a língua e Carly ao lado dele toda meiguinha. A senhora riu.
Edward: ele mesmo – sorri, assinando o prontuário – e a minha filha do lado.
Julia: são lindos e bem, o garoto se parece muito com você, doutor – meio confuso a olhei. Quando viam a foto, a maioria de minhas pacientes dizia o mesmo: o garoto se parece muito com você!
Edward: é – assenti, e neste momento, a porta se abriu e Laís me olhava como se tivesse visto um fantasma! – Laís? O que houve? – o telefone estava nas mãos dela, e seus olhos maiores do que o rosto.
Laís: com licença doutor, mais ligaram do colégio dos seus filhos e bem... O Erick... O Erick está na diretoria com o Danny e o Andrew – e sorriu amarelo – acho que ele se meteu um confusão, e saiu machucado.
Edward: machucado? – questionei – como assim... Ai meu Deus, Erick – revirei os olhos – sinto muito Julia, mas tenho uns problemas a resolver – e ela riu – Laís vai te instruir com a entrada na internação – peguei a pasta encima da mesa e sai – com licença.
A caminho da escola de Erick, eu pensava em quantas vezes esse garoto já tinha se metido em encrenca, e em quantas vezes eu já tinha estado na direção da escola pra bater um papo com a senhorita diretora. O pior é que sempre eram por motivos nobres, como por exemplo, querer salvar um gato aleijado das garras dos amigos cruéis, ou tirar uma garotinha pequena do meio dos meninos mal intencionados... E também bater boca com os alunos que se metiam a besta com os professores. E por esses motivos, não havia como repreendê-lo.
Estacionei o carro no estacionamento do colégio, e desci reconhecendo o carro de Alice e Emmett. O prédio do colégio era azul marinho e enorme, ocupando quase um quarteirão. Na terceira séria Erick já tinha ido tanto pra diretoria com os primos que eu e Emmett nos encontrávamos mais aqui do que no trabalho. Abri a porta de vidro, e deparei-me com Emmett com o uniforme de médico sentado ao lado de Danny. O garoto de cabelos cacheados em escuros tinha o rosto baixo e tristonho. Alice também estava lá, de braços cruzados ao lado de Andrew. O garoto de cabelo castanho revirava os olhos meio entediado! Erick não estava ali.
Edward: oi gente – falei jogando minha blusa encima de uma poltrona, e indo na direção da secretária – Lis, tudo bem? – a secretária da escola me olhou e deu um sorriso de lado – mandou me chamar?
Lis: sim Edward, a senhorita Iasmim mandou solicitá-lo – confessou – Erick está lá dentro com ela. Eles te esperam.
Edward: ok valeu – desviei antes que ela continuasse o papo, e entrei na sala da diretora. Assim que o fiz, vi Erick sentado na cadeira à frente da diretora – boa tarde, Iasmim.
Erick: oi pai – falou com um sorriso sínico, porém divertido. O garoto usava o uniforme do colégio com algumas alterações: a gravata que deveria estar no peito, estava amarrada em sua cabeça, misturada a seus cabelos loiros e cumpridos, pendurando ao lado do rosto como se fosse à faixa do Rambo, a blusa de botões branca estava suja de um liquido laranja, e no rosto havia uma manchinha de sujeira. Me aliviei ao ver que ele estava bem.
Edward: oi, não é rapazinho? – ironizei, e me sentei na cadeira ao lado.
Iasmim: boa tarde senhor Cullen – cumprimentou a simpática senhora de cabelos ruivos, que era solteirona; por trás dos óculos ela me examinava atentamente – desculpe por ter interrompido seu serviço – disse provavelmente por minha roupa de médico – mas telefonamos a sua esposa e me disseram que ela estava na faculdade e tudo o que me restou foi ligar para seu consultório. Erick arrumou confusão no colégio, e foi necessário comunicá-lo.
Erick: Ah, Iasmim – falou o garoto com voz pidona – nem foi tanto pra você chamar o meu pai, né? Se bem que podia limpar a minha barra dessa... Você sabe que foi um motivo nobre – piscou angelicamente na direção dela, e eu lhe dei um tapinha na perna por baixo da mesa. Ele riu – Au!
Edward: prossiga, por favor, Iasmim – pedi – o que ele fez de tão grave?
Iasmim: alguns garotos estavam enfiados embaixo da mesa do refeitório, perto de uma professora jovem com o objetivo de verem a roupa intima dela – começou a explicar – então Erick, juntamente ao senhor Danny e senhor Andrew se meteram pra puxá-los de lá e acabaram puxando a saia da professora. Ou seja, fizeram uma das funcionárias do colégio ficar de roupa intima em meio a todos os alunos desta escola!
Erick: com licença, minzinha – intrometeu-se – sem querer nós deixamos a professora de calcinha no meio da escola! – corrigiu – pai, eu juro que eu não queria tirar a roupa da professora! Eu juro – jurou me olhando – é sério pai, eu só queria tirar aquelesbabacas aproveitadores de professoras gostosas de lá! É sério!
Edward: professoras gostosas, Erick? – cochichei com ele, que deu de ombros. Virei-me pra diretora que nos observava – Iasmim peço que perdoe Erick. As intenções dele não foram ruins, e bem, aceitaremos qualquer castigo imposto.
Erick: pai, você me ama ou me odeia? – perguntou baixinho, depois se virou pra diretora – agente não aceita nada não, Iasmim.
Edward: Erick! – repreendi quase rindo. Desde quando ele podia chamar a diretora pelo nome? Intimidade com a diretora? A situação pra ele estava mesmo feia – aceitaremos sim.
Iasmim: eu entendo, senhor Cullen, que as intenções de Erick tenham sido as melhores, como todas às vezes em que ele passa por aqui – assentiu – mas essasintenções boas de Erick estão passando do limite. É bom que o senhor tenha uma conversa com ele, assim como aconselhei a sua irmã e a Emmett, sobre o que deve e o que não deve fazer. E em situações como estas, buscar a solução conversando, e não agindo. Entende o que quero dizer?
Edward: perfeitamente, senhora – assenti, dando um cutucão em Erick que estava se revirando na cadeira – imagino que os garotos que causaram isso tenham sido castigados.
Iasmim: seguramente, senhor Cullen – a senhora mirou-me mais a fundo por trás dos óculos baixos – todos foram punidos com suspensão e matéria extra... E imagino que Erick, Danny e Andrew não mereçam uma punição tão severa. Claro, apenas a matéria extra pelo constrangimento causado a professora já está de bom tamanho.
Erick não disse nada. Apenas ficou com carinha triste e de braços cruzados.
Erick: eu juro tia – olhou pra diretora com carinha pidona e bochechas avermelhadas. Fiquei apenas olhando a cena – eu já pedi desculpas pra professora Gabriele, e eu não queria ter deixado ela de calcinha, é sério. O meu pai sempre me ensinou pra respeitar as meninas, e não fazer pra elas o que eu não queria que fizessem pra minha mãe e pra minha irmãzinha. Estou mesmo arrependido...
Iasmim: Oh Erick, querido – tocou na mão dele, e eu cruzei os braços só assistindo o poder que o garoto tinha com as mulheres tendo apenas oito anos – eu entendo! Pensando bem... Acho que não será necessária a matéria extra!
Discutimos mais um pouco a situação, e ao final, quando saímos de lá, Erick tinha livrado sua barra e a dos primos de qualquer castigo apenas com uma carinha fofa. Segurando a mochila dele, abri a porta pra ele passar e demos de cara com os garotos na sala de espera.
Danny: e ai cara? – perguntou o garoto meio triste – o que ela disse pra você?
Erick: ah, agente não vai ficar de castigo não – comemorou botando a mão no bolso.
Andrew: quê? – questionou com o rosto contente – o que você fez pra velhota livrar a gente do castigo, Erick?
Erick: hum, eu contei a verdade ué – deu de ombros – sempre a verdade! – e piscou.
Andrew: ERICK, VOCÊ É O MELHOR CARA! – e pulou do banco na direção de Erick, mas o braço de Alice o segurou no lugar.
Alice: não é porque a diretora não te deixou de castigo que eu não vá te deixar, Andrew – pegou na orelha dele, e o garoto choramingou – vamos pra casa ter uma conversinha com o seu pai! Tchau garotos – despediu-se de nós nervosa, arrastando Andrew pra porta.
Emmett: bom, eu também já vou – declarou apertando minha mão – tenho um parto com a Brenda as seis... Falou garotão – despediu-se de Erick.
Erick: tchau padrinho – murmurou meio envergonhado, parado do meu lado. Logo estava a funcionária da escola trazendo Carly pela mão. Ela correu em minha direção e pulou no meu colo.
Carly: porque agente vai embora mais cedo, pai? – questionou em meu colo, enquanto eu ajeitava sua boina azul marinho do colégio sobre seus cabelos loiríssimos – Ah, já sei! É porque o Erick deixou a professora Gabriele de calcinha no pátio, né? – e riu baixinho com a mão na boca – foi engraçado!
Erick: ah Carly, nem foi culpa minha – prosseguiu caminhando ao lado nosso, meio de cabeça baixa. Entramos no carro. Acomodei Carly no bando de trás e Erick, como já vinha fazendo há um tempo, sentou-se no banco da frente meio triste – desculpa mesmo pai. Eu não queria ter que te fazer vir pra escola tantas vezes... Eu juro que vou ser um bom menino a partir de agora!
Edward: Erick, Erick – dei de ombros – eu não sei mesmo o que eu faço com você – e ri, ligando o carro – não precisa ficar triste, está tudo bem.
Voltando pra casa, agora uma casa mesmo, não mais um apartamento por decisão de Bella, que acreditava que para as crianças era mais seguro morar longe de um apartamento tão alto, Carly e Erick correram na direção da porta, empolgados pra verem Bella. E lá estava ela, sentada no sofá da sala principal usando a roupa da faculdade, com a bolsa e o fichário largados do lado de seu corpo. Tinha a aparência abatida e cansada. Carly pulou no colo da mãe, e Erick se sentou ao lado esticando-se pra dar um beijo longo na bochecha dela, que o envolveu nos braços o apertando contra o peito.
Bella: o que houve? Fiquei preocupada quando liguei pra Laís e ela me disse que você tinha ido com urgência no colégio – falou olhando pra mim diretamente, abraçada aos garotos.
Edward: o senhor Erick Cullen deixou a professora de calcinha na frente da escola toda! – a bochecha de Erick corou quando viu a expressão de horror que adotou o rosto de Bella.
Erick: não foi bem assim, mãe, eu posso explicar! – despedi-me, sabendo que ainda tinha consultas no hospital, mas a noite quando retornei, encontrei Bella abatidíssima em nosso quarto, sentada na beira da cama com o rosto mais branco do que tudo. Com a aparência muito, muito cansada.
Edward: está tudo bem? – questionei me sentando ao lado dela, acariciando seu cabelo levemente. Algo estranho novamente... Bella encostou-se ao meu peito, abraçou-me e começou a chorar. De imediato apavorei-me, porém tentei manter a linha do raciocínio. Meu único dever agora era ouvi-la, e mudar se estivesse fazendo algo errado.
Bella POV
Era uma sensação estranha. Uma sensação perturbadora dentro do meu coração. Eu mal sabia como contar a Edward, como dizer a ele o que eu sentia. Como relatar os pesadelos que não passavam, e a vontade de morrer que se abatia sobre mim às vezes. Agora eram piores, mais dolorosos...
Edward: só me conte o que te perturba – sussurrou em meu ouvido docemente – eu vou estar do seu lado e te ajudar, meu amor - com dedos trêmulos sequei uma de minhas lágrimas levemente e respirei o mais fundo que me era permitido. O abracei mais forte, e lentamente comecei a contar.
Bella: eu já não consigo mais dormir – murmurei – pelos pesadelos. Tenho medo de fechar os olhos e de que eles voltem. É horrível Edward, eu não posso contra eles... E estoutão cansada! Às vezes... Às vezes minha vontade é de morrer e dormir pra sempre, já que não posso fechar os olhos sem reviver tudo de novo! Tudo de novo...
Edward: como eles são? – perguntou numa voz neutra e controlada. Os braços me sujeitando levemente – me conte todos.
Bella: vejo a festa – sussurrei contra o peito dele, meio envergonhada – os convidados, a música. Vejo Hank e Josef. E logo em seguida estou novamente dentro do carro de Hank e depois ele está sobre mim e... – travei-me apertando-me mais a ele – eu não sei por que tudo isso está acontecendo agora – lamentei – eu não penso mais nisso, eu juro – Edward tentou dizer algo, mas o interrompi – e depois vejo coisas como Erick sendo levado de nós. Erick me maltratando por ter escondido tanto tempo a verdade - em minha mente as cenas eram vividas enquanto eu as narrava a Edward. Ele tinha que me ajudar, tinha que ter uma forma de me fazer parar de pensar nessas coisas.
Erick: ô pai – ele surgiu na porta do quarto usando somente a bermuda do pijama azul, pois a camisa estava em suas mãos suja de alguma coisa que me parecia ser suco. Eu me movi saindo do abraço de Edward, e ele fez o mesmo meio desconfortável – ah gente, desculpa – as bochechas de Erick ficaram vermelhinhas – mais pai, eu preciso falar com você. É sério – o garoto coçou a cabeça meio perturbado. O cabelo loiro chacoalhou com aquele movimento, e ele deu um passo entrando no quarto.
Edward: algum problema? – ele parecia preocupado do meu lado, enquanto eu secava as minhas lágrimas. Erick deu de ombros, e entrou no quarto tenso. Veio até a cama, e se sentou do lado de Edward – fala Erick, pode me contar seja o que for. Eu não vou brigar com você – Edward botou a mão no ombro dele compreensivamente, e Erick nos olhou com seus olhos azuis meio apreensivo.
Erick: sabe, é que vem acontecendo umas coisas estranhas – ele torceu o nariz, e coçou o rosto. Uma estranha sensação de que eu não iria gostar do que estava por vi me atravessou o corpo. Apertei o braço de Edward, mas isso não o impediu de se levantar e ficar parado na frente de Erick. Eu tinha certeza que no fundo ele também estava sentindo a mesma coisa que eu – e eu achei que chegou à hora de contar.
Edward: coisas estranhas? – perguntou abaixando na altura que Erick ficava sentado na nossa cama alta. Dei um pulinho na cama e me sentei do lado do meu filho, passando a mão em seu cabelo o incentivando a conta – que coisas, garotão?
Erick: coisas como... – ele mordeu os lábios e olhou diretamente pra Edward – quando eu estou na escola, brincando no pátio com os meus amigos, tenho a impressão de que alguém tá me olhando. E esses dias – ele se deteve, mas continuou – esses dias eu comecei a perceber que tem um cara estranho do outro lado da cerca do pátio – disse sem aflição – ele fica olhando pra minha cara diretamente, sabe? – ele imitou o gesto, olhando fixamente pro rosto e Edward – pode ser impressão, mas ele não olha pro Danny e pro Andrew quinem olha pra mim - não consegui nem respirar quando Edward me olhou com os olhos frios. Tremi dos pés a cabeça já imaginando o pior. Erick estava todo inocente do meu lado, agora segurando minha mão – você acha que eu estou louco, pai?
Edward: não filho – a expressão de Edward era calma, tranqüila. Mas eu sabia que no fundo ele não estava mesmo assim – pode ser que isso seja verdade.
Erick: pode?
Bella: não pode não – ressaltei, apertando meus braços em torno de Erick – fica calmo, bebê. Isso deve ser... Deve ser algo comum – encarei Edward fuzilando-o com os olhos. Ele simplesmente não podia chegar falando essas coisas pro garoto! Ele iria ficar apavorado – está tudo bem, não está, Edward?
Edward: é claro que sim – garantiu passando a mão no cabelo de Erick – não tem nada errado, e você vai ver como eu vou dar um jeito nisso, garotão. Não se preocupa – mesmo assim, Erick ainda parecia meio tenso.
Erick: pai, ainda tem mais – disse torcendo o nariz – apareceu uma carta no meu armário do colégio há três dias – começou – eu e o Danny fomos pegar um livro lá dentro, e quando agente abriu tinha essa carta lá. Eu pensei que fosse das garotas da escola, mas não era. Estava escrito: para Erick sem o meu sobrenome, e não havia assinatura. Eu fiquei com medo, e o Danny disse que deveria ser brincadeira do Andrew. Agente foi falar com ele, e ele jurou que nunca tinha posto essa carta lá.
Bella: e onde está essa carta? – eu já queria gritar, eu já queria entrar em pânico, e percebendo isso, Edward botou a mão sobre minha perna pra me acalmar.
Erick: na hora em que estávamos conversando, um idiota lá da escola jogou água encima de mim porque eu tinha pisado no livro dele, e a água molhou toda a carta. Eu joguei fora... E também não queria ler. Eu tava com medo – deu de ombros. Compreensível – desculpa. Eu não queria preocupar vocês com isso – eu o abraçava tão forte, que ele sussurrou – mãe, se tá me deixando sem ar!
Edward: quem mais tem a sua senha do armário? – perguntou de repente.
Erick: só o Danny, o Andrew e a Carly. Ninguém mais tem – garantiu – é tão idiota que ninguém nunca descobriria – ele corou e deu uma risadinha. Apesar de o momento ser tenso, precisávamos saber de tudo sem preocupá-lo.
Bella: como é sua senha, bebê? – perguntei ainda o comprimindo contra o meu peito, como se ele fosse sumir. Edward me olhava esquisito, como se eu fosse doida. Eu quase ri.
Erick: telefone – eu ri quando ele falou. Que tipo de pessoa colocava a senha do armário da escola de telefone? – ah para de rir, mãe! Eu não sou muito criativo pra essas coisas.
Bella: pelo contrário, amor – apertei-lhe as bochechas – você é!
Edward: Erick, você sabe que não deveria ter jogado a carta fora, não sabe? – disse um tanto sério, como eu nunca vira. Erick assentiu timidamente, me abraçando também – mas não tem problema – Edward chegou perto dele novamente, e sorriu de canto – você não precisa ficar com essa cara, eu vou dar um jeito de saber o que é tudo isso. E enquanto eu não o faço, por favor, tome cuidado.
Erick: eu sempre tomo, pai – ironizou.
Carly: Erick, tá passando aquele clipe da Britney Spears que ela tá quase pelada! Lembra que o Andrew falou? – Carly estava parada na porta do nosso quarto com controle remoto nas mãos, uma carinha de espanto e o cabelo loiríssimo preso numa maria-chiquinha e um pijama cor de rosa com corações brancos – vem vê! Vem vê!
Erick: sério? – ele sorriu do meu lado – er... Eu tenho que ir vem um treco gente. Já volto – o garoto ficou de pé e saiu do quarto – espera ai Carly!
Bella: agente deveria deixar eles assistirem clipes da Britney Spears? – perguntei a Edward tentando descontrair – ai Edward, calma. Eu estou tentando não pirar, não sair berrando e você fica me apavorando mais? – fiquei de pé o observando. Ele olhava pro espelho meio tenso. Não, tenso demais. Passei a mão no cabelo respirando fundo – ok, o que você tá pensando? – botei as mãos nos ombros dele. Ele as segurou, e virou-se pra mim.
Edward: o que você acha que eu estou pensando? – o tom dele não fora irônico, mas sim amedrontado – eu não quero te preocupar, mas também não quero mentir pra você – olhou pras nossas mãos unidas – mas isso tá me cheirando a encrenca. E essa encrenca tem muito a ver com o seu... Passado.
Bella: com o Hank? – perguntei na lata – você tá achando que ele sabe de tudo, e que está atrás do Erick depois de quase nove anos?
Edward: exatamente – confirmou.
Bella: droga – resmunguei quase chorando – desgraçado... – Edward me abraçou contra o corpo – o que agente vai fazer?
Edward: por enquanto mudar o Erick de colégio e investigar se o... Se aquele cara tá mesmo na cadeia. É o principal – garantiu – mas calma Bella. Nada vai acontecer com o Erick, disso você pode ter certeza.

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