ATADA A ELE - CAPITULO 49

Atada a Ele

ATADA A ELE - IZABELLA MANCINI. 

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Amizade, Comédia, Drama, Hentai, Romance
Avisos: Estupro, Sexo

Capitulo 49 DESPEDAÇADA

Carly: mãe, segura o meu chapéu! – foi tudo o que ela disse antes de me dar as costas e sair correndo em direção a Erick, que se pendurava em um balanço no parque ao lado de Andrew. Alice havia ido lá em casa, e Andrew tinha pedido pra dormir lá. Claro, eu já estava acostumada com Andrew e Danny sempre enfornados na minha casa. Era como ter quatro filhos. Sentada num dos bancos de madeira do parque, eu observava Andrew, Carly e Erick brincando juntos enquanto de relance lia um livro de auto-ajuda. Cruzei as pernas e o acomodei sobre elas enquanto o folheava. Perdi o foco uns instantes, pensando nos fatos recentes... Eu deveria mesmo estar tão tranqüila quando fatos estranhos estavam acontecendo com o meu filho? Eu deveria estar mesmo num local publico? Chacoalhei a cabeça, mandando todas as lembranças ruins embora, apenas focando no fato de ser uma bela tarde de sábado onde Edward estava trabalhando e eu estava com as crianças. O meu celular tocou. Enfiei a mão no bolso do meu jeans e o vasculhei até puxar o celular vermelho dele. Observei o visor, e o nome de Edward cintilava e piscava.
Bella: Edward? – perguntei com o celular no ouvido – tudo bem?
Edward: onde você está? – quis saber em tom mais ou menos exasperado. Ele nunca fazia isso.
Bella: estou com as crianças num parque... Por quê? – questionei em tom confuso pelo seu nervosismo – algum problema?
Edward: Bella, eu acabei de sair do trabalho e estou indo pra casa falar com você. Acabei de receber uma ligação do meu advogado, e advinha só... O Hank não está mais na cadeia – senti um espasmo enorme percorrer o meu corpo. Fechei o livro no meu colo, o enfiei na bolsa e fiquei de pé com o aparelho ainda no ouvido – Bella?
Bella: como é que... Edward eu... – eu nem sabia o que falar. Então era verdade! Eu estava certa! – Ele... Ai meu Deus! – botei a mão na cabeça, e olhei em direção as crianças – estou indo pra casa, até mais – desliguei o celular rapidamente, vendo apenas o cabelo muito loiro de Carly ir de um lado pro outro no gira-gira, e Andrew sentado sozinho num balanço. O meu mundo pareceu girar em trezentos e sessenta graus- Erick? – perguntei a mim mesma olhando em volta. Meu coração corria dentro do peito.
Erick: o que? – ouvi sua voz do meu lado. Ele estava sentado bebendo um pouco de suco que pegara dentro da minha bolsa, a mesma que eu segurava. Respirei fundo – mãe, você está bem? – franziu a testa dando um sorriso bonito.
Bella: ah filho – me sentei novamente no banco – é... Chama a Carly e o seu primo. Vocês vão dormir na vovó hoje...
Erick: por quê?
Bella: sem perguntar, apenas faça o que eu to dizendo – ele riu, e ficou de pé assentindo e caminhando na direção da irmã e do primo. Era o certo a fazer! Eu não queria que Erick ou Carly ouvissem algo que os pudesse amedrontar, e sendo eu mãe dos dois, sabia como podiam ser xeretas e enxeridos quando queriam. Enfiei os três no carro e segui em direção a casa de Esme. Chegando lá me fizeram ligar pra Rose e imploraram pra ela trazer Danny pra ficar com eles. Segui o caminho de volta pra casa, e quando entrei, vi Edward andando de um lado pro outro com uma expressão realmente perturbadora – me conta direitinho essa história! – falei jogando a bolsa no sofá, e indo pra perto dele. Seus olhos me buscaram e ele respirou meio tenso.
Edward: ele já não está preso há quatro meses – me disse segurando em meus ombros – ele fugiu da cadeia sem saberem como. Provavelmente obteve ajuda... – deu de ombros – estão atrás dele.
Bella: ah meu Deus, isso não é bom – me sentei no sofá e afundei os dedos entre os cabelos.
Edward: isso não quer dizer que ele esteja atrás de você – se sentou ao meu lado.
Bella: não? Junte à fuga dele com as coisas estranhas que estão acontecendo com o Erick! – falei como se jogasse na cara dele – VOCÊ NÃO ACHA MESMO QUE ELE ESTEJA ATRÁS DE MIM?
Edward: você vai mesmo deixar ele nos fazer brigar? – perguntou se ajoelhando a minha frente, e tocando no meu cabelo escondido entre minhas mãos – vai? – ergui os olhos na direção dele.
Bella: não – murmurei quase chorando, ficando de joelho e me jogando nos braços de Edward – eu só estou com medo...
Edward: eu sei – falou acariciando delicadamente meu cabelo enquanto me abraçava – é por isso que vamos mudar de país – abri os olhos em surpresa, e me separei do abraço olhando pra ele – pelo menos por uns três anos, sem dizer a ninguém sem ser a família. Só assim vamos ter certeza que ele não vai saber onde estamos. O que você acha?
Bella: mais pra onde? – murmurei meio sem voz.
Edward: Austrália ou Londres – deu de ombros – você escolhe.
Bella: e deixarmos tudo aqui? – ao mesmo tempo que eu concordava, eu discordava. Tirar as crianças dos amigos, da família, dos primos que tanto gostavam. Edward deixar a clinica. A minha faculdade... Meu pai, os pais de Edward. E por outro lado, tínhamos certa segurança indo embora.
Edward: se é o único jeito de você ficar tranqüila é isso mesmo – nos olhamos por um momento, e tudo o que pude fazer foi abraçá-lo forte, fechando os olhos. Era terrível e ao mesmo tempo reconfortante.
Eu queria que tudo desse certo. E nos dias seguintes, enquanto ainda revíamos algumas coisas pra realmente mudarmos de país. Erick vivia dizendo que eu estava estranha. Ele queria que eu estivesse como? Nada eu podia dizer. Tinha que ficar quieta.
Bella: eles não se odeiam, está vendo? – minha voz soava engraçada, irônica, rebaixando a quem se dirigia. Meus olhos encontraram os dele. Castanhos e quase negros de ódio. Eu sabia do que ele estava falando. De Erick e Carly bem do nosso lado, conversando juntos sem nos olharem – eles são irmãos de verdade.
Hank: não, eles não são – murmurou olhando na direção deles fixamente – o Erick ainda vai te odiar. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são. Não, eles não são.
Droga. Sentei-me no sofá, tirando o livro que eu lia de cima da minha barriga. Um leve tremorzinho me percorreu dos pés a cabeça, fazendo-me se afogar em algo como uma prisão interna. Encolhei-me sobre o sofá, e vi que era noite. Madrugada. Porque eu estava na sala... Tentei me lembrar. Claro, Edward estava de plantão no hospital, e sem ele em casa eu não conseguia dormir. Lembrei-me de quando desci as escadas em direção a sala com o livro na mão depois de por Carly na cama e mandar Erick desligar o vídeo game. Ele desceu e me deu um beijo, e depois foi dormir. Respirei fundo, e olhei em volta.
Estava chovendo lá fora. Muito. A porta da sala principal estava fechada, mas mesmo assim uma sensação estranha de frio me dominava. Estava escuro, apenas com uma iluminação pequena vindo do como seguinte. Botei os pés pra fora do sofá, e calcei o meu chinelo. Fiquei de pé, e não consegui me lembrar de ter acendido a luz da cozinha. Talvez Erick o tivesse feito. O barulho da chuva era ensurdecedor, mas mesmo assim segui caminhando pelo corredor escuro. Subi as escadas principais, e lá estava o corredor dos quartos totalmente deserto. Olhei em direção ao quarto das crianças, e vi a porta do quarto de Carly devidamente fechada, já a do quarto de Erick levemente aberta. Sem qualquer motivo pra pirar, pensei ter ouvido um barulhinho vindo do outro corredor, onde levava ao escritório de Edward e o jardim de inverno superior, assim como a varanda central. Desviei minha rota, e comecei a caminhar em direção ao escritório. Eu detestava ser do tipo de pessoa que ouvia um barulho e não descansava até ver do que se tratava!
Deixa de ser tonta Bella! É só algo de sua cabeça. Não é nada!
Dei de ombros, e sem medo de ser feliz fui decidida até o escritório. Não olhei pra nada antes de tatear a parede e acender a luz. Meu coração parou por incontáveis minutos.
Não, é um sonho! NÃO, É UM SONHO! NÃO!
A sensação foi de perder todos os movimentos do corpo, de não saber falar, se mexer ou respirar. Viver era algo banal comparado ao meu que senti quando o vi. Algo em meu cérebro, trabalhando quietinho, teve a certeza de que se visse a figura da morte cara a cara jamais iria sentir algo como aquilo. Não era possível. Atrás da mesa de madeira, sentado na cadeira de Edward havia um homem. Um homem que me olhava tranqüilo e eu sabia bem que era.
Hank: olá Bella – eu me lembrava desse som. Todo o meu corpo se arrepiou de medo, e percebi que não era medo por mim, e sim pelos meus filhos que dormiam bem ao lado. Arrependi-me de imediato de não ter ido ver se eles estavam bem! A idéia me fez piscar, e uma lágrima deslizou por minha bochecha nesse momento – feliz em me ver? – minha mão estava completamente congelada na maçaneta da porta, e meus olhos pasmos fixos nele. Eu podia vê-lo através das lágrimas que se formavam no meu olho. O cabelo dele... O cabelo dele era exatamente como o de Erick. Do mesmo tom. Do mesmo jeito. Com o mesmo corte. Em minha mente vi os olhos de Erick, eles se erguiam pra mim cheios de felicidade. Apenas seu rosto, dentro da minha cabeça. E de repente ele sorria. Lindamente... Tranquilamente – você se lembra de mim, não é? – estreitou o olhar em minha direção, parecendo calmo.
Bella: e... – eu queria perguntar algo pra ele. Mas o meu corpo não me respondia. Eu tinha medo de correr e ele me seguir, e isso levá-lo aos meus filhos.
Hank: mais é claro que se lembra, meu amor – disse dando um sorriso belo – passamos momentos inesquecíveis juntos, não é querida? – tremi – eu me lembro de você. Exatamente de como você é... Cada pedaçinho do seu corpo. E pelo jeito – me percorreu dos pés a cabeça – você não mudou nada! – no momento seguinte eu pensei que iria perder a consciência.
Ele ficou de pé bruscamente, e quando o fez, abaixou um porta retrato com um foto de Erick fazendo-a bater na mesa com força. Um barulho alto se fez. Tão alto, que meu corpo de moveu.
Bella: o que você... O que é que... – eu ia me afastando dele, saindo do escritório, mas eu queria atraí-lo pro andar de baixo – como entrou aqui?
Hank: há várias formas, minha cara. Ou você pensa que só porque está cercada por muros enormes está protegida? Algum tempo na cadeia nos torna experiente, Bella. E ah... O que eu quero com você? – perguntou sínico – boa pergunta, querida... Naquela noite eu disse que te mataria se você contasse a alguém sobre o nosso momento juntos. Você deu com a língua nos dentes, não foi? Logo fez um escarcéu e seu papaizinho me mandou pra aquele hospital e pra cadeia... Tcs... – ele deu de ombros – as coisas poderiam ser diferentes, amor. Mas você não soube guardar só pra você aquele momento intenso entre nós – e riu. Eu recuei desesperada, até chegar à escada e descer correndo. O ouvi descer correndo atrás de mim, e segui correndo até chegar à sala. Não sei o que eu pretendia, mas o levei o mais longe possível dos meus filhos. Não precisei pensar muito, e logo ele tinha chegado até mim e me agarrado pelos pulsos firmemente – você poderia ter evitado Bella...
Bella: eu não contei nada – falei finalmente, sentindo a voz vir – eu juro que eles descobriram sozinhos! Eu não contei nada! – não era mentira. Eu não tinha mesmo falado.
Hank: você contou sim – ele estava tomado pelo ódio, e naquele momento eu pensei que eu não sairia dessa viva. Ele era mais forte do que eu, e a simples presença dele me fazia enfraquecer em todos os sentidos, seja física ou psicologicamente – e vai me pagar, Bella.
Bella: não, por favor, eu juro pela vida dos meus filhos! – e nisso ele riu ironicamente.
Hank: seus filhos não é? – gritou no meu ouvido e eu estremeci – porque diabos você foi ter aquela criança? VOCÊ É LOUCA? O que você estava pensando, garota? Que iria dar uma de vitima se tivesse um filho meu? Hein? Ou você só queria me afundar mais?
Bella: o bebê não tem nada a ver com você ser um monstro! – berrei – eu o amo! Ele é meu filho, e graças a Deus não tem nada a ver com o demônio que você é! – ele me apertou mais contra a parede, e eu senti dor.
Hank: você é uma maldita, isso é o que você é! – berrou perto do meu rosto – você pensa que eu não sei que você se casou com um doutorzinho e que ele registrou a criança? – riu ironicamente – com certeza você usou o menino pra dar o golpe no baú nele, não é? Como é o nome do nosso filho, hein amor? – senti uma repulsa enorme percorrer meu corpo todo, e tentei empurrá-lo, mas ele pareceu nem se mover – eu sei querida. Não se estresse! O nome do nosso filho é Erick. Porque ele é nosso, ou vai negar que ele se parece comigo? – e riu.
O meu estomago de contorceu. Era verdade, Erick tinha algo a ver com ele. Mas eu sabia que por dentro o meu menino era totalmente igual ao outro pai, e isso não podia ser mudado.
Bella: vai então, seu maldito, me mata! – desafiei. Eu precisava urgentemente que Edward chegasse, mas eu sabia que isso não iria acontecer tão cedo. O meu plano era exatamente este: ele podia me matar, contanto que deixasse Erick e Carly em paz – mas vamos ver se você tem coragem de atirar no seu filho – eu quis vomitar quando disse aquilo.
Por favor, Edward, me perdoa! Por favor!
Perdoe-me por dizer isso, e por morrer. Mais foi feito o que era certo.
Hank: eu não desceria tão baixo – disse irônico – mas eu não to aqui pra matar ele nem a remelenta que você teve com o doutorzinho. Só quero acertar minhas contas com você, e depois eu me entendo com o meu filho. Agora fecha os olhos, e tente se lembrar de como fomos felizes naquela noite onde concebemos o Erick... – não, não, não. De repente tudo girou, e ele tinha tirado a minha blusa!
Bella: me larga! Você não vai fazer isso de novo! ME SOLTA! – eu o empurrava, mas era como se eu não o fizesse. O meu coração estava na boca, e as lembranças transcorrendo em minha memória.
Hank: como é que você vai me impedir? Quer que eu chame os seus filhinhos pra nos assistir? Ah claro, o Erick tem que aprender logo como se faz... Quem sabe eu poderia ensiná-lo usando você de cobaia? – e riu. Travei-me com a sensação que me atingiu de repente. Era pânico misturado a tudo. Eu nem sequer podia imaginar a cena de Erick ou Carly vendo uma coisa dessas... E eu tentei bater nele ou alcançar qualquer coisa que eu pudesse para agredi-lo – vai Bella, sofre. É isso o que você merece... – e de repente, um estalo enorme, pra ser mais exata, o disparo de uma arma. Houve um grito estridente de criança. Fechei os olhos.
O silêncio predominou. Apenas voltei à realidade quando senti o corpo de Hank deslizando sobre o meu, que estava de pé, até cair ao chão nos meus pés. O choque me dominou, o que estava acontecendo ali? O ombro de Hank estava perfurado na parte de trás, e muito sangue saia da ferida. Observei seus olhos escuros tomados pela dor, e ele mal conseguia se mexer no chão. Lá, só de sutiã e calça do pijama, eu estava encostada na parede parada no lugar sem me mover.
Carly: ele morreu? – foi ai que cai em mim. Pelo choque e pelo alivio que se abateram sobre mim eu nem me dei ao trabalho de ver de onde viera o tiro. Olhei na direção da escada, e quase desmaiei com a visão que tive. Senti uma lágrima descer pelo meu rosto quando contemplei a expressão super amedrontada de Carly ao lado de Erick. Erick, que tinha lágrimas pelo rosto arrasado. Erick, que segurava em suas mãos uma arma de fogo prateada que eu sabia muito bem ser de Edward. Eu tremi.
Bella: Erick... – eu não sabia o que dizer. Estava em pânico, em transe, pela primeira vez na vida sem mesmo saber como agir. Não era como uma real surpresa, porém a visão de Erick segurando a arma e Hank no chão me chocara de tal modo que eu poderia cair no chão sem palavras e ficar lá por muito tempo – Erick... – eu me movi finalmente, tirando força não sei de onde.
O próximo que vi foi Erick largar a arma no chão e sair correndo pelo corredor escuro. Carly começou a chorar, e esticou os braços pra mim. Meu primeiro reflexo ao ouvir Hank gritar no chão foi pegar Carly no colo, arrancar o telefone do gancho, e pegar a arma do chão. Fechei a porta da sala e passei a chave com as mãos tremulas. Sem pensar, corri o mais longe que eu pude da sala e ainda tremendo e chorando disquei o número da policia. Assim que o fiz, corri até o quarto de Erick e bati na porta milhões de vezes. Ele ignorou tudo, e o que me restou foi sentar na porta com Carly abraçada totalmente ao meu corpo e esperar o pesadelo acabar... E só realmente acabou quinze minutos depois, quando a policia chegava à minha casa juntamente com Edward, algo que aconteceu por acaso, mas que veio em boa hora. Meu estado de choque não me permitia falar nada, apenas Carly é quem desceu do meu colo correndo e se atirou nos braços de Edward ao vê-lo.
Edward POV
O que se deve pensar quando se chega do trabalho a noite e encontra um homem - o mesmo que estuprara sua esposa a oito anos - baleado no carpete da sua sala, sua filha chorando no colo de sua esposa semi-nua refugiadas na porta do quarto do seu filho? Você deve entrar em pânico, claro. Mas não era isso o que eu deveria fazer no momento.
Carly pulou no meu colo quando me viu, me abraçando muito forte e ainda chorando. O pavor era enorme, e o meu coração batia tão alto que eu jurava que todos ali podiam ouvi-lo.
Carly: foi horrível papai, foi horrível – dizia entre soluços e lágrimas – aquele homem feio entrou aqui em casa e queria fazer mal pra mamãe... – eu olhei pra Bella, e cheguei mais perto. Definitivamente, ela estava me apavorando daquele jeito. Toda encolhida sentada no chão, com o rosto molhado, porém com o olhar vago.
Edward: tá tudo bem, Carly – tentei acalmá-la esfregando seus cabelos loiros – os policiais já estão cuidando dele, vai ficar tudo bem.
Carly: e ele nunca mais vai voltar? – perguntou do mesmo jeito.
Edward: não – me abaixei na frente de Bella com Carly enterrada no meu peito – Bella? Bella, olha pra mim... Cadê o Erick? – ela me olhou, e deixou mais lágrimas silenciosas caírem – o que houve com você? – passei a mão pela testa dela que suava frio, e a senti tremendo. Botei Carly no chão, e me aproximei mais de Bella. Ela estava mal... Talvez uma queda de pressão e ela iria... No momento em que pensei, ela desmaiou no meu colo. Carly gritou, mais eu a acalmei. Peguei Bella no meu colo e desci as escadas indo me juntar aos policiais.
Enquanto investigações rolavam soltas na sala, botei Bella deitada sobre o balcão da cozinha com Carly ao lado. Minhas mãos tremiam enquanto eu tentava procurar algo pra dar a ela.
Edward: cadê seu irmão... O que tá acontecendo aqui? – perguntei a Carly, e nesse momento um policial entrou na cozinha e me disse algumas coisas enquanto eu cuidava de Bella. Disse que assim que ela acordasse necessitaria dar um depoimento, mas no momento pedia minha autorização pra fazer algumas perguntas a Carly. Eu disse que não, é claro! Ela podia falar depois, deveria estar abalada, mas Carly foi logo abrindo a boca, ignorando o que eu tinha falado.
Carly: eu tava nanando quando ouvi os gritos lá em baixo, moço – falou inocente, chacoalhando as perninhas, sentada no balcão ao lado do corpo inerte de Bella – era a minha mãe gritando, e quando eu fui acordar o meu irmão eu vi que ele estava na porta do quarto dele também muito assustado. Ele me olhou, e mandou eu ficar quieta e voltar pro quarto. Eu fiz o que ele mandou, mas fiquei na porta do meu quarto olhando. Ele foi à direção do quarto onde o papai não deixa agente entrar, e saiu de lá depois com uma coisa na mão – contava em tom de excitação – ele desceu a escada, e eu fui atrás. Quando agente chegou lá, o cara feio estava abraçando a mamãe e falando umas coisas pra ela... Ela tava gritando muito, dizendo que ele “não ia fazer de novo”. Ai eu gritei pro Erick, e ele ergueu aquilo na mão. O cara tava virando pra mamãe, e o Erick... O Erick o machucou com aquilo. Mas não fica bravo com o Erick, pai! – se virou pra mim - porque se ele não tivesse machucado o cara, ele teria feito mal pra mamãe!
Eu e o policial trocamos um olhar desacreditado. A minha pressão tinha caído agora, tanto que fui incapaz de suportar o peso do corpo e tive que me sentar num dos bancos do balcão. Fechei os olhos e passei a mão pelo cabelo nervosamente. Isso era um pesadelo! Ouvi o policial perguntar a Carly sobre Erick, e o meu primeiro reflexo foi ir atrás dele. Chegamos ao quarto do garoto, e o policial bateu pedindo pra ele abrir. Não houve respostar. Ele pediu muito, dizendo até que era da policia, mas nada. O medo tomou conta. E se ele tivesse feito uma besteira? Pensando nisso, empurrei o policial e bati com força na porta do quarto.
Edward: Erick, eu to mandando você abrir essa porta agora – não demorou nem três segundos, e a porta foi aberta. Eu e o policial entramos, e ele recuou indo se sentar na cadeira que estava na frente de seu notebook fechado encima de uma mesa de vidro azul. Sua expressão era dura, e seus olhos azuis traziam algo estranho – Erick... – eu não sabia o que dizer.
Não sabia se andava até ele e o abraçava, ou se ficava no lugar e dava espaço pra ele falar. O policial logo se adiantou e começou a fazer perguntas e mais perguntas. Não foram respondidas, o garoto se manteve calado. Passei a mão no cabelo e abri a boca pra falar algo, mas não durou muito. Carly estava na porta do quarto.
Carly: pai, a mãe acordou! – simplesmente disse. Olhei na direção de Erick, e ele se virou de costas pra nós com um giro na cadeira. Respirei fundo, e sai do quarto meio irado! Eu não sabia quem socorrer! Erick, Carly, Bella! Quem seria o mais afetado daquela história?
Bella POV
Enquanto uma estava agarrada a minha cintura como se fosse morrer se me soltasse, o outro estava no quarto, preso, sem falar absolutamente nada. Eu tentava de todas as formas não chorar, e só consegui fazê-lo quando Carly adormeceu do meu lado, com o rosto enfiado no meu pescoço e os braçinhos pequeninos rodeando o meu peito. Estava quase amanhecendo, por isso coloquei Carly deitada na cama adormecida, e sai do quarto tentando localizar Edward.
Bella: Edward? – chamei, mas logo nos encontramos. Ele estava sentado nos primeiros degraus da escada, pensativo, com uma expressão longínqua. Toquei em seu ombro vagarosamente antes de me sentar, e então ele me abraçou de lado delicadamente, envolvendo minha cintura com os braços e me beijou na testa.
Edward: você está melhor? – quis saber num sussurro.
Bella: na medida do possível sim – respondi respirando fundo. Eu podia muito tem fechar os olhos e imaginar que tinha sido um pesadelo, mas um deles – pelo menos está tudo bem agora, não é? Ninguém se feriu.
Edward: graças ao Erick – fiquei calada – eu nem consigo acreditar nisso. Ele... Deu um tiro no próprio... – o interrompi.
Bella: não diga o que vai dizer – meu tom de nojo foi evidente – por favor, não fala isso.
Edward: mas você sabe do que eu to falando! – Edward parecia tão perdido e tão tristonho. Isso me deixava muito mal – ele... Meu Deus, eu nunca pensei que... Considerei várias hipóteses. Menos essa. E eu não estou assim porque o Erick atirou naquele cara. Eu estou assim porque o Erick tirou num cara. Você imagina como deve estar à cabeça dele agora? Ele tem oito anos!
Bella: eu não quero nem pensar – ofeguei – ele já abriu a porta do quarto?
Edward: não – respondeu abalado – que droga, eu queria dizer tantas coisas pra ele...
Bella: Edward... – tinha algo me assombrando mais que o fato do tiro – e se ele... E se ele ouviu alguma coisa?
Edward: que tipo de coisa? – franziu a testa.
Bella: o Hank repetiu mil vezes que era o... O pai dele – Edward soltou uma exclamação nervosa – e se ele ouviu isso? – ele não me respondeu de imediato, ficou calado, me abraçando, e respirou fundo.
Edward: é pior do que eu pensava.

1 comment :

  1. funck tudo!!!! OMG! eu esperava muita coisa mais isso NUNCA!!! ta muuuuito boa a Fanfic!!!! so que eu to com medo do que pode acontecer!!!!!

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