PARADISE - CAPITULO 3




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Romance/Drama

Capítulo 3 – A Separação.
Miami, Flórida – USA
Isabella.


James estava sentado a minha frente. Sua mãe estava catando os cacos de vidro da cozinha enquanto a minha mãe fazia um chá para nos acalmar. Não contei a ninguém que não estava grávida de verdade... Porque ele ainda queria que eu tirasse o bebê e chamou reforços para mostrar que era uma loucura termos um filho agora com um casamento recente. Fazia dois anos... Eu estava pronta para completar 26 anos e engravidar do meu marido. Ele estava a quarenta minutos mexendo a boca, mas eu não ouvia nada. Era inútil. Eu poderia ficar estéril com um aborto forçado. Poderia morrer. Era isso que ele queria para nós dois? Aceitar seu próprio filho era tão ruim assim?
- Você não me ama mais? – perguntei debilmente, tirando os olhos dos arranhões no meu tampo de vidro causado pelas suas chaves e o fitei. James ajoelhou-se a minha frente, enchendo meu rosto de beijo – Por que você não me ama mais?
- É claro que eu te amo. Isabella eu te amo, eu não amo o bebê.
Como ele pode não amar algo que seria parte de nós dois? Como ele poderia simplesmente não amar um filho que era nosso? Por que ele estava fazendo esse terrorismo comigo? O que tinha feito para merecer tanta sequidão do meu marido com o meu sonho?
- Você não me ama mais... – sussurrei empurrando-o levemente – Meu marido não me ama mais. – murmurei pra mim mesma como um choque no coração. Sua mãe estava parada a minha frente com os olhos transbordando em lágrimas – Seu filho não me ama mais.
- Querida, você está emocional. – Helena me abraçou pela primeira vez na vida – Esse bebê é muito bem vindo, nós iremos amá-lo e é claro que James te ama, você é uma esposa incrível.
- Vem tomar um chá para se acalmar. – dessa vez foi Renée quem me puxou para cozinha. Eu quis dizer que era mentira, que meu pesadelo era porque meu marido estava me rejeitando.
- Eu estou no auge da minha carreira, escrevendo meu livro, crescendo profissionalmente. Ela não pode esperar? Você acha que um bebê chorando no meio da noite é o que eu quero pra mim? Trocar fralda ou assistir desenhos? Dividir a minha mulher com alguém que na verdade vai tomar todo o tempo e maldita atenção dela de mim? – James estava exaltado falando com sua mãe na sala e cada palavra era como uma facada no meu coração. Minha mãe segurou minhas mãos quando meu pai entrou na cozinha acompanhada do pai dele.
- Não se preocupe, querida. Meu neto estará bem vindo.
- Me deixem sozinho com Bella, nós precisamos conversar. – James entrou na cozinha lançando um olhar irritado a sua mãe.
- Não preciso de você para ter um filho, James. – disse baixo e todos eles pararam de discutir entre si – Posso fazer isso sozinha. Ou arrumar alguém que queira.
- Isabella... – James ameaçou mudar o tom de voz e meu pai coçou a garganta desafiando-o a continuar – Para de falar besteira. Você é a minha mulher.
- Eu quero ser avô do seu filho. – o pai dele queixou-se e eu ri da sua doçura.
- Você pode ser avô do seu meu filho sem que ele seja o pai. – disse levantando da mesa e encarei meu marido muito furioso – Nós estamos nos separando.
- O quê?
- Pega as suas coisas e saia da minha casa. – sussurrei incapaz de segurar o choro – Estou fazendo a mesma escolha que você. Estou pensando em mim e nos meus desejos. Se você não é capaz de ceder por me amar, eu estou cedendo por me amar.
- Você está trocando o nosso casamento por um filho?
- Um filho que seria seu! Não só meu! Eu não fiz sozinha. Eu fiz com você, porque nós somos casados e a gente se ama! Essa é a maldita ordem natural da vida! – gritei com o choro descontrolado.
- Bella... Não faz isso.
- Um relacionamento entre homem e uma mulher não tem nada ver com o relacionamento de mãe e pai. Você foi criado por pessoas incríveis e é incapaz de querer dar o mesmo amor que recebe a outra pessoa que pertence a você.
- Eu não posso fazer isso... – sussurrou se aproximando e fiz sinal que parasse – Não me deixa, por favor.
- Você está me deixando sozinha nessa... Sozinha no meu sonho. Nos meus planos. – murmurei irritada com seu pedido – Vá embora. Estou escolhendo ser mãe já que você não quer ser pai.
Essa era a minha última jogada. Estava rezando que me perder fosse o suficiente para que ele acordasse para a vida, mas meu coração se despedaçou quando ele subiu as escadas com passos pesados e ouvi coisas sendo jogadas no chão e desceu com uma mala na mão e saiu pela porta da frente, arrancando com o carro sem me dizer adeus, uma desculpa, implorar para ficar ou aceitar dar o que eu queria. Eu dava tudo a ele, amor, carinho, atenção, aturava suas manias, engolia sua falta de atenção, sua negligência e seu egoísmo, por que ele não podia me dar um filho?
Meus pais me ampararam a semana inteira, inclusive os pais dele, mas eu entendia que eles estavam em uma posição complicada. James não me procurou. Tive que contar para meus pais que não estava grávida e que a raiz de todo nosso problema conjugal era exatamente esse. Será que eu estava obcecada com essa ideia? Valia a pena desistir do meu sonho para continuar casada com alguém que não se importava com meus planos? A gente ainda se amava como no nosso primeiro ano de relacionamento, nos tempos da universidade?
Meu irmão estava vindo ficar comigo. Ele e Alice moravam em Londres. Jasper era jornalista do Daily Mail e Alice tinha sua própria linha de roupas com parceria com a Gucci. A qualquer momento durante a tarde o avião deles estaria pousando enquanto eu estava no trabalho. Aro Volturi era meu super chefe. Ele era dono de todas as agências, que tinha em vários lugares pelo mundo. Mais de uma vez trabalhei especialmente na de Paris com projetos conjuntos.
- Isabella? Posso entrar? – Aro bateu a minha porta gentilmente e meus olhos encheram-se de lágrimas – Oh querida. Não chore.
- Desculpe estar trazendo meus problemas... Eu estou tão perdida. Desculpa.
- Casamento acabando é complicado, meu anjo. Por favor, separe uns dias. Tire suas férias.
- Férias?
- Na verdade, há tempos venho rondando essa proposta, mas sempre me calei porque você tem uma vida aqui, residência fixa e um marido. Agora, apenas te direi e você é livre para aceitar ou não. Não quero levar em conta seu sofrimento, só quero te dar outra alternativa. – disse sentando-se na minha mesa e esticando uma caixa de lenço.
- E qual seria?
- Nova Iorque precisa de uma nova direção. Marcus sempre trabalhou lá e agora meu irmão está se aposentando. Não confio em ninguém além de você para executar o trabalho que aqui em Miami faz com classe e perfeição. – disse mostrando-me um papel – Tirando um mês de férias, você tem a oportunidade de morar em Nova Iorque. Ao dizer sim, estarei providenciando tudo que precisa para se instalar na cidade e começar a trabalhar lá. É uma chance que se ao se entender com o marido... Seu emprego aqui continuará o mesmo.
- Posso pensar? – murmurei atordoada com a sua proposta inusitada.
Mudar de ares... Se bem que... Boa ideia.
- Deve. Vejo você na semana que vem. Vá para casa... Pense e me ligue. – disse dando-me um beijo na testa e saindo.
Deixar Miami e começar de novo.
Será que James voltaria atrás?
Aro tinha uma viagem para fechar um projeto que tinha criado e por isso me deixou uma semana para pensar sobre tudo isso. Cheguei em casa, sozinha, no total silencio e afoguei minhas mágoas com vinho, esperando que a qualquer momento ele fosse aparecer. Uma semana sem ao menos me ligar para dizer que estava bem, se tinha viajado ou se estava com saudades. Como ele podia me jogar fora com tanta facilidade?
Jasper e Alice chegaram na minha casa pela manhã e ficaram comigo o dia inteiro e pelos dias seguintes, sem me deixar sozinha ou respirar. Meu irmão estava tão extremamente preocupado que me empurrava comida e mandava tomar banho sempre que começava a viajar na maionese, no vazio da minha cama e do closet abandonado. Meu pai trouxe todas as roupinhas de bebê que eu tinha escondido lá, provando que todos eles aprovavam minha ideia de ser mãe com ou sem marido. Esse apoio me deixou tão assustada e feliz que pela primeira vez em tempo abri um sorriso verdadeiro.
Estiquei todas as lindas roupinhas na minha cama e ouvi alguém entrar no quarto.
- Olha só... É tudo tão lindo. – disse para Jasper e quando virei, era James. – Oi. Você apareceu.
- E você fez compras.
- Você consegue imaginar? – perguntei apenas com curiosidade.
- Não consigo suportar. – disse honestamente e fechei meus olhos resignada – Estou indo viajar.
- Boa sorte.
- Bella... Nosso casamento está acabando por uma loucura. Por favor, pensa nisso.
Olhei para as roupinhas na minha frente e lembrei a primeira vez que segurei um bebê no colo e escrevi na minha lista que queria ser mãe. Meu desejo foi quase instantâneo, mas não era louca. Lembrei-me de todas as vezes que fiz Jasper brincar de boneca comigo e me ajudar a criar meus muitos filhos. Lembrei-me da amarga inveja que senti ao ver mulheres grávidas no consultório ou das palavras da minha médica que eu era extremamente saudável para ser mãe de quantos filhos quisesse.
- Estou me mudando para Nova Iorque dentro das próximas semanas, James. – disse quando ele deu as costas – Foi um prazer conhecer você.
- Você está se mudando?
- Recebi uma proposta de trabalho irrecusável de começar minha vida novamente.
- Na cidade onde nós começamos... Eu vou com você.
- Não. Eu vou sozinha. Nosso casamento acaba de terminar... Eu tentei incluir você em todos meus planos, mas você fez questão de dizer não. Me rejeitar. Então acabou. Meu advogado vai entrar em contato com você.
- É essa a sua escolha?
- O mais engraçado que o tempo todo você escolheu. O nosso primeiro apartamento, o nosso carro, o nosso restaurante, o nosso local de casamento... A casa, o emprego, tudo. Como uma planejadora nata deixei você planejar a minha vida ao seu redor, mas agora, a escolha é minha e estou me escolhendo. – disse brincando com as roupinhas do bebê.
- Você está doente.
- Estou.
- Podemos procurar ajuda.
- Não quero ajuda. Eu quero um filho, você vai me dar?
- Não.
James saiu naquela noite e não voltou mais. Não tive coragem de procurar alguém para o divorcio, mas ele teve. Minha surpresa foi quando um advogado me ligou anunciando isso com profissionalismo. Quase cai da cadeira e vomitei todo meu almoço porque em nenhum segundo na minha imaginei como uma mulher divorciada e sem filhos. Sozinha e amarga como a Tia Caroline pelo resto da vida. Disse a ele que iria me mudar apenas para dar um chute de realidade e fazê-lo cair em si. Ele não queria mais e então aceitei o destino, dizendo sim a Aro e sim ao seu divorcio.
- Uma viagem! – Alice gritou no meu ouvido e quase cuspi meu vinho de susto – Um lugar exótico! Tropical!
- Viagem? Baby, ela está de mudança... – Jasper tentou controlar Alice.
- Qual o problema? Eu cuido da mudança com o pessoal da agência. – disse dando os ombros e minha mãe riu – Sogra você ajuda também?
- Se Bella quiser viajar... Claro que sim.
- Uma viagem? – perguntei a mim mesma saboreando meu vinho. – Lugar exótico e tropical?
- Cunhada! Fecha os olhos e se imagine bebendo pina colada, um biquíni branco, mar azul, sol quente, homens morenos e sarados com sotaque sexy te servindo...
Realmente me imaginei despreocupada com a vida, bebericando uma bebida bem gelada, aproveitando o sol e espiando pessoas bonitas através dos meus óculos ray-ban. Foi uma imagem invejável e bastante tentadora. Talvez conseguisse esquecer o buquê de rosas vermelhas e um para sempre te amarei que recebi de James quando assinei o divorcio. O papel oficial nem tinha saído, mas ele já estava livre do encargo de ser marido e pai porque sua mulher frustrada queria.
A maníaca do bebê, era como seus amigos estavam me chamando. Sua mãe ficou arrasada com tudo, ela disse que gostava de implicar comigo porque nunca teve o que realmente reclamar de mim e seu pai estava desolado, pedindo notícias do bebê. Cheguei a conclusão de que inventaria um aborto só para não perder a moral com eles, que não tinha absolutamente nada a ver com a minha separação surpresa. Aprendi que nunca mais mandaria meu marido para fora, ele pode gostar e não voltar mais.
- Em Nova Iorque você pode procurar um bom médico, com referencias... – Renée disse casualmente, referindo-se a uma inseminação artificial. Não era bem assim que queria ter um filho, mas se fosse minha única alternativa, tudo bem.
- Acho que vou aceitar essa viagem... Mesmo sozinha.
- Uma lua-de-mel consigo mesma. – Charlie sugeriu casualmente.
- É isso que precisa. Uma viagem para se preparar para o bebê que iremos ter. – Alice bateu palmas animada.
- Iremos? Não sabia que você e Jasper...
- Não bobinha, seu filho é meu também. – revirou os olhos rindo. – Eu sugiro que vá para o Brasil. O que acha?
- Nosso! – Jasper entrou na briga erguendo sua taça – Um brinde! A Bella, ao Brasil, ao bebê e a nossa família!
- Saúde! – dissemos ao mesmo tempo erguendo nossas taças.
- Ao meu neto! – Charlie gritou animado e eu ri apaixonada pelo seu carinho.
Alice me ajudou com todos os preparativos da viagem quando decidi concordar com o Brasil. Ela entrou em contato com uma agência de viagem e preparou tudo numa facilidade impressionante. Aro mandou um e-mail com a minha transferência oficial e no dia seguinte recebi novos recibos de documentos para atualizar novamente para meu nome de solteira. No cartório deu adeus ao termo Sra. Philiphs e voltei a ser a Srta. Swan. Não soube o que sentir e decidi não pensar nisso porque nem tinha tirado minha aliança de noivado e a de casamento do dedo.
- Tem certeza que quer fazer isso? – Jasper perguntou incerto quando estacionou o carro.
- Preciso vê-lo antes de ir.
- Boa sorte.
Desci do carro e toquei a campainha da casa dos pais de James. Helena atendeu e me convidou para entrar, mas neguei e pedi que o chamasse. Incerto e parecendo sem jeito ele veio, ficou surpreso com meu abraço apertado e a última vez que senti seu perfume, sua pele contra a minha. Tirei as duas alianças e toquei na palma da sua mão, desejando boa sorte na sua caminhada. Ele não falou nada, apenas chorou como eu. Foi o momento que eu percebi que nenhum de nós tínhamos que ceder um pelo outro porque não estávamos na mesma página. E talvez, nunca estaríamos.
Senti paz pela primeira vez em anos com o meu desejo de ser mãe. Senti paz pela primeira vez em meses sobre o meu casamento. Senti paz e quase pronta para seguir em frente. Meu casamento tinha acabado e isso me doía, mas eu ia encontrar um jeito de superar porque felizmente a vida continua.
Jasper me deixou no aeroporto e embarquei no meu avião em direção ao Brasil decidida a não olhar para trás e parar de planejar o que não precisa ser planejado durante essa viagem. Durante dez dias iria esquecer minha mania de perfeição para encontrar a perfeição de estar sozinha novamente, começando em uma cidade não tão desconhecida e quem sabe, em pouco tempo, com meu filho nos braços. Com ou sem pai.




Que loucura!!! Será que no proximo capitulo eles já se conhecerão??? NO Brasil hein???
Encontro com vocês aqui amanhã às 18 horas!

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