PARADISE - CAPITULO 4



PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Romance/Drama

Capítulo 4 – A Viagem.
Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Edward.
.



.

.

Harry não fez birra a me ver pronto para viajar, pelo contrário, ficou me dando recomendação como se ele fosse o pai e eu o filho. Carlisle estava se divertindo e incentivando meu menino guardar remédios na minha bolsa e me emprestar sua toalha da sorte para que nenhum tubarão me pegasse no mar ou me perdesse nas enormes florestas do Rio de Janeiro. Todos estavam ansiosos com a minha viagem como se tivessem felizes em me ver pelas costas. Meus pais, Rosalie, Emmett e Harry me levaram ao aeroporto para garantir que iria chegar bem e com certeza, se não teria uma desistência e embarcaria para o Brasil.

A primeira classe me ofereceu um suco de maracujá para me fazer dormir. Na certa eu devo ter irritado as aeromoças reclamando porque estava nervoso. Não era culpa delas. De bonito, devo ter virado o chato da poltrona 5A. Quando pousei, respirei fundo dando graças a Deus por chegar vivo. Eu odiava voar. Aviões me deixavam em pânico desde a primeira turbulência grave que enfrentei aos 12 anos de idade. Pisar em terra firme foi bem refrescante, era de manhã cedo no país, mas já dava para sentir a diferença do clima.

Um cara moreno, magro e alto estava me esperando com uma plaquinha. As instruções da agência era que encontrasse um cara chamado Nahuel. E era justamente ele, com um sotaque estranho e uma risada engraçada que me levou até o Copacabana Palace e me instalou na cobertura de frente a praia. Era o lugar mais lindo que tinha visto na vida. Depois de avisar a minha família que tinha chego bem, aproveitei para tomar café da manhã no restaurante com o grupo de pessoas que Nahuel tinha apresentado como meu grupo de turismo. Tinha um casal Garrett e Irina, ambos eram canadenses. Tinha a assistente dele, chamada Zafrina, uma morena alta e extremamente bela. Um rapaz chamado Stefan, era italiano que falava inglês muito engraçado e tinha mais uma mulher chamada Isabella que ele iria buscar no aeroporto na parte da tarde.

Eles pareciam pessoas legais que me acompanharam a praia logo após o café da manhã das apresentações. O mar era incrível, um pouco gelado, mas estava quente demais para poder reclamar. Era perfeito na temperatura. Nahuel indicou um cara para ensinar Stefan e eu no surf. O cara era meio doido, quase um homicida, mas aceitei depois de muita pilha aprender a surfar naquelas ondas enormes e assustadoras. Pelo menos teria uma história para contar quando voltasse para meu filho. No terceiro caldo que levei da onda e a quantidade de água que bebi acreditei que não fosse voltar mais para casa.

Nosso grupo continuou reunido para o almoço e Nahuel saiu alegando buscar a ultima integrante que nos veríamos a noite no bar do hotel para planejar o dia seguinte. Ele iria nos levar em um ponto turístico pela manhã e organizar horário. Tínhamos a tarde livre para fazermos o que quisesse e depois de me sentir queimado o suficiente, tirei algumas fotos da praia e deitei para tirar um longo cochilo até a noite. Até porque estava aqui para relaxar e deixar minha mente descansar.

Tive sonhos, flashes de memórias com a minha vida com Ângela, o nascimento de Harry, momentos felizes do nosso casamento até o dia que ela pediu a separação e depois tudo mudou para o momento que recebi a ligação da polícia comunicando seu acidente e por consequência, falecimento. Acordei suado e ofegante, olhando para a porta da varanda aberta percebendo estar de noite e a brisa fresca do mar bater com a minha pele me fazendo sentir gelado. Tomei uma ducha rápida e me arrumei para a noite no hotel porque estava quase na hora e desci. A primeira coisa que fiz foi pedir um uísque com gelo e perguntar se podia tocar o piano que estava no canto.

O bom rapaz perguntou gentilmente se sabia tocar e tive que provar com uma música para me deixarem continuar. Aos poucos foram chegando pedidos dos convidados e eu toquei o que sabia, divertindo as pessoas ao meu redor, relembrando como era bom tocar e me relaxando com as melodias. Alguém pediu Yellow de Coldplay e fiz uma careta, pronto para negar, quando ela entrou. Uma mulher com longos cabelos castanhos brilhavam em um tom avermelhado através das luzes amareladas das velas e das próprias lâmpadas baixas, que deixavam seu tom de pele clara parecer cremoso. Tive a sensação que tocar sua pele seria tocar seda pura.

Seu pequeno corpo, dotado de curvas lindas estava coberto com um vestido branco, com flores nas bordas, que abraçavam a cintura fina e empurravam os seios médios e redondos pra cima como duas almofadas. Acredito que todos os homens daquele bar estavam olhando-a porque a mesma ruborizou e encolheu os ombros como se não soubesse o que fazer. Quando nosso olhar se encontrou, percebi estar cantarolando a música e tocando-a pela metade e algumas pessoas ao meu redor curtindo. O sorriso branco e brilhante que abriu me deixou sem fôlego. Ela era absurdamente linda e angelical.

Eu estava hipnotizado.

Nahuel foi ao seu encontro no momento que terminou a música e a encaminhou para mesa com todos no nosso grupo. Eu vi o sorriso que Stefan a recebeu e até mesmo o próprio Garrett sem que sua esposa percebesse. Pedi licença aos que me acompanhavam e fui até eles, rindo do jeito galanteador que Stefan resolveu falar em italiano para seduzi-la.

- Esse é Edward, nosso britânico do grupo. É a primeira vez que temos um grupo tão variado. Edward está é Isabella, a americana.

- Olá Edward. É um prazer conhece-lo. – disse sorridente, apertando minha mão e para provar um ponto para Stefan, beijei os nós dos seus dedos fazendo-a suspirar.

- O prazer é todo meu. – sussurrei com os lábios na sua pele.

- Galanteador... Isso é tão Inglês. – disse com as bochechas coradas e eu realmente achei adorável.

- É um charme. Principalmente com uma mulher tão bonita quando você. – retruquei com um sorriso torto e ela pareceu um pouco perdida – Aceita uma bebida?

- Oh... Sim... Claro. – murmurou sentando-se ao lado de Irina, que tocou sua mão balançando a cabeça com algo que só ela entendeu.

Sentei ao lado de Stefan e peguei uma batida de morango bem fraca no bar. Isabella agradeceu e voltou a conversar com Irina, enquanto Stefan me olhava feio.

- Ingleses. - bufou

- Italianos. – retruquei rindo

- Abusado. – resmungou feito criancinha.

Garrett e eu rimos da sua pequena birra como meu filho de seis anos de idade por conta de um boneco. Durante a noite, nós rimos, brincamos e jantamos. Garrett era advogado como eu e sua esposa uma arquiteta no Canadá. Isabella era publicitária e morava em Miami, de mudança para NY e Stefan era Chef Culinário e ainda mostrou o site do seu restaurante pelo celular. Nahuel disse que éramos o primeiro grupo a nos dar bem de primeira.

No dia seguinte conheceríamos o Cristo Redentor bem cedo. Teríamos que estar reunidos para o café da manhã oito horas da manhã e sairíamos logo em seguida. O bar do hotel liberou a pista de dança, fazendo com que todas as mulheres, inclusive Isabella e Irina tomassem conta. Eu não era um bom dançarino. Tinha dois pés esquerdos e sem sombras de dúvidas o estilo pop eletrônico não fazia meu gênero musical. Mal tinha ideia quem cantava as músicas que tocava e todo resto.

Meu olhar não conseguia desviar dela... Do seu corpo movimentando-se no ritmo da música, na risada, nos cabelos soltos, longos com cachos e as mãos mexendo, passeando, brincando. Ela parecia tão livre e feliz que contagiava todo ambiente. Quando Garrett levantou para dançar com sua esposa, ela saiu de lá rindo de algo que ele falou e pediu ao garçom uma garrafa de cerveja. Aproveitando que a minha estava vazia, ele trouxe duas e nós brindamos e demos o primeiro gole.

- O que trouxe você até aqui?

- A visão da praia, bebidas geladas e morenos sensuais e você?

- Praia, bebidas geladas e morenas. – brinquei rindo da sua resposta inusitada – A promessa de descansar no paraíso.

- Exatamente. Estou muito tempo sem tirar férias... Entre outros planos, minha família quase me obrigou vir.

- Digo o mesmo. Por mim estaria trabalhando... Agora estou feliz em ter vindo.

- Eu também. Parece que serão dias interessantes.

Stefan sentou no banquinho entre nós dois e Isabella riu da sua tentativa de chamar atenção. Nós bebemos até mais duas horas da manhã quando o som abaixou. Irina foi a primeira anunciar ir, Isabella subiu com ela desejando boa noite e fiquei com os rapazes jogando sinuca até quase amanhecer. Deu tempo de tirar um cochilo depois do banho e o telefone do quarto tocou me despertando para o encontro com o grupo.

- Oi você. Bom dia. – Isabella estava saindo do quarto no momento que falei com ela. Era exatamente do lado do meu – Dormiu bem?

- Bom dia. Como um anjo e você? – sorriu ternamente, parecendo estar sonolenta.

- Não como anjo, mas quase isso.

Ela foi andando a minha frente e eu não resisti ao impulso de olhar para sua bundinha redonda, dentro de um short jeans curto. Sua blusa branca era transparente, dando para ver o biquíni azul. Balancei a cabeça expulsando todos os pensamentos sujos que me dominaram com uma força surpreendente. Chamei o elevador e deixei-a entrar primeiro e um casal de senhores nos acompanhou até o restaurante, falando conosco em português e tudo que fizemos foi assentir e sorrir.

- Você entendeu alguma coisa? – perguntou-me rindo deles quando avistamos Irina e Garrett sentados juntos com Stefan e Zafrina.

- Absolutamente nada. – respondi ainda acenando para a senhorinha simpática.

Isabella e eu fomos os últimos a nos servir e terminar de comer antes de embarcamos em uma van com o grupo. Na minha mochila eu estava levando minha câmera, celular, dinheiro, protetor solar e documentos. Já pela bolsa das meninas ambas pareciam carregar boa parte da bagagem só para visitar um ponto turístico. Nahuel contou histórias sobre o Rio de Janeiro que realmente não prestei atenção. Eu estava com saudades do meu filho e planejei mentalmente em trazê-lo para se divertir nas duas férias.

A longuíssima escada que tivemos que subir compensou a linda vista lá de cima. Dava para ver a cidade inteira, outras praias, o grande caos e as favelas. Isabella suspirou quando olhou para o alto e abriu o sorriso mais brilhante que o sol.

- Ai meu Deus! Isso aqui é maravilhoso! – gritou maravilhada olhando para cidade e para o alto.

Realmente a vista da sua bunda empinada porque ela estava ponta do pé para poder tirar foto de algo era espetacular. Foi impossível não olhar.

- Maravilhosa define. – murmurei e ela virou dando-me um olhar confuso e ao mesmo tempo alerta – O que foi? Estou falando da vista!

- Bom... – ponderou virando-se para frente e depois pra mim – Tira uma foto!

Tirei várias fotos dela e depois com ela tanto na sua quanto na minha câmera. Nahuel explicou o que era o Cristo Redentor, quando foi erguido, o que representava para a cidade e porque nós estávamos ali. Isabella estava ignorando tudo ao seu redor tirando fotos e mais fotos como uma alucinada descobrindo o mundo. Ela interrompia a explicação dele com exclamações e pequenos gritinhos de coisas que ela achava "fofo" ou "isso é tão bonitinho".

Nós fomos para uma praia diferente da que ficávamos. Era tão bonita quanto, principalmente quando eu vi a parte de baixo branca do minúsculo biquíni de cortininha que ela estava trajando. Seu corpo era tão bonito ou mais quanto na minha imaginação adolescente. Me senti lisonjeado quando fiquei só de sunga e seu olhar apreciativo. Ela viu que eu vi e ficou envergonhada, virando de lado e colocando fones de ouvido para se bronzear.

Stefan conseguiu uma bola de vôlei, encontramos mais um cara na praia e jogamos em dupla até o sol estar insuportável demais e ter que sair para renovar meu protetor solar ou terminaria o dia como um camarão ou um tomate. Isabella estava curtindo uma conversa com Irina na sombra, ambas me deram um lugar entre elas e uma garrafa de água.

- Quer ajuda no protetor solar? – Isabella perguntou-me de bom coração, pelo seu olhar sabia que era sem má intenção, mas eis que desde que meus olhos bateram nela me vi cheio de malícia. Assenti rapidamente e suas pequenas e quentes mãos tocaram meus ombros e costas com o creme. Foi ridículo me arrepiar por completo e ela rir disso. Fiquei bastante envergonhado.

- Obrigado. – disse baixo deitando na espreguiçadeira – Aproveitando o sol? - perguntei olhando seu bonito biquini.

- Aqui é lindo demais para não aproveitar... É insano a alegria que essas pessoas tem com tudo. – disse sorridente e olhou no relógio, ficou meio distante e depois relaxou – O que foi?

- Eu é que pergunto... O que foi isso?

- Minha mania por controle diz que é hora de almoçar. – disse rindo levemente – Prometi a mim mesma não colocar meus planejamentos. Tudo será por conta do Nahuel e a equipe.

- Uma planejadora? Gostaria de ter esse limite... Não consigo ter hora para nada e meu filho sofre com isso. Foi difícil me adaptar a uma criança pequena não tendo limite para nada.

- Você tem um filho? Qual o nome dele? Quantos anos? – perguntou animada e sorridente com o tópico.

- Tenho um menino lindo chamado Harry, de seis anos de idade e muita inteligência. – respondi sorrindo – Espere, tenho uma foto dele. É lindo. – disse pegando meu celular e mostrando a tela.

- Que gatinho. Um ruivinho como o pai. – suspirou segurando meu celular para ver melhor. – Olha Irina, o filho dele. Lindo.

- Bonitão como o pai, parece muito com você! – Irina disse esticando o pescoço – O filho de Garrett também é a cara dele. Nós quisemos trazê-lo, mas a mãe não deixou.

- A mãe dele era ruiva também. – disse sorrindo para o meu garoto – É uma pena. Eu penso em trazer Harry aqui em algum momento. Ele iria curtir tanto.

- Você pensa em ter filhos? – Isabella perguntou a Irina.

- Não no momento, somos recém-casados e queremos aproveitar, mas estamos planejando para o meio do ano que vem, mas se vier... Garrett é louco para ser pai novamente.

Isabella não falou nada. Ela apenas ficou olhando parecendo perdida em seus pensamentos.

- Também fiquei muito feliz quando fui pai. Planejei muito a vinda de Harry. – disse a Irina que estava olhando para Isabella confusa.

- Você é casado? – Isabella perguntou parecendo perdida.

- Divorciado. Crio Harry sozinho. – respondi ocultando que minha ex-esposa tinha falecido.

- Vida injusta. – murmurou baixinho e tinha certeza que não era para ouvir, então deixei quieto – Quer dar um mergulho? Tenho medo de entrar no mar sozinha.

- Uma moradora de Miami com medo do mar?

- Ah cale-se perfeição inglesa. – resmungou e eu ri do meu apelido – Falei demais.

- Ah falou!

Nós chegamos a beira da água e ela pegou na minha mão, sorrindo timidamente antes de avançar entre as ondas e mergulhar ainda me segurando. Quando submergiu segurou no meu braço pedindo apoio. Quando saímos do mar deitamos na mesma cadeira e ela me pediu para contar sobre meu filho. Passei horas contando minhas lembranças favoritas dele desde o momento do seu nascimento até sua fantasia do Batman. Seu sorriso e gargalhada me deixaram ainda mais maravilhado pela sua beleza. E ela era curiosa. Me enchia de perguntas que me vi sem pudor para responder ou provoca-la.

- Meu irmão mora em Londres. Ele é jornalista do Dayli Mail e trabalha na rede BBC. Você sabe... Jasper Swan do Jornal da Noite.

- Você está brincando que é irmã dele? Sério? Minha mãe é fã dele, não perde o jornal só pelo sorriso que dá quando passa a abertura.

- Ah o sorriso do meu irmão conquistou muitas a vida inteira... Desculpe pelo seu pai.

- Meu pai não se importa porque ele acredita que o sorriso dele é mais bonito. Nada abala o ego de Carlisle Cullen. – brinquei lembrando que meu pai era o homem mais narcisista que conhecia apenas para irritar minha mãe. – E ainda assim, nunca foi a Londres?

- Não tive tempo. Quando ele se mudou foi no momento que fui promovida e meu marido nunca se animou muito em viajar porque ele vivia viajando a trabalho. – disse com um olhar distante – Hoje me arrependo das oportunidades.

- Agora quando for terá mais alguém para visitar e conhecer meu pequeno Harry. – respondi rindo e parei – Espere... Você é casada?

- Era. Fui casada durante dois anos com o meu primeiro namorado. – respondeu sem sorrir, apenas sem expressão nenhuma.

- Eu fui casado com a minha primeira namorada também. – disse para confortá-la e ela sorriu, parecendo estar interessada.

- Sério? Hoje vocês se dão bem?

- Infelizmente Ângela faleceu alguns meses atrás, mas antes tínhamos um bom relacionamento pelo Harry. Ela aparecia regularmente para visita-lo e depois seguia seu caminho com o novo marido pela estrada. Não éramos amigos... Ficamos indiferentes.

Ela ficou indiferente e eu completamente apaixonado.

- Tem certeza que ficaram indiferentes? – perguntou com um sorriso conhecedor e correspondi assentindo.

- Tudo bem... Não tão indiferente, eu esperava que ela fosse voltar, mas isso não aconteceu.

- Eu e James estamos em diferentes momentos da vida. Enquanto eu já cheguei ao topo da minha carreira, ele ainda batalha pelos seus sonhos que não batiam com os meus. – disse com um suspiro cansado – Nosso casamento simplesmente acabou em um piscar de olhos. Não deu nem para assimilar que chegou ao fim.

- Você ainda o ama?

- Não sei. Não sei se o que sinto é falta por tantos anos juntos ou amor... Eu vi meus pais sofrerem a vida inteira por amar um ao outro e eu nem chego perto disso.

A facilidade que ela e eu conseguíamos conversar um com o outro era impressionante. Mesmo depois do almoço e o retorno para o hotel, continuamos na beira da piscina, falando sobre nossas vidas, sonhos, projetos e relacionamentos. Ela tinha o sonho de ser mãe... Confessado com bochechas coradas e um riso sem graça. E seu marido não queria ser pai em hipótese nenhuma. O casamento deles foi consumido divergente ideias e planos.

Exatamente como o meu. James não pode dar o que Isabella queria como eu não pude dar o que Ângela queria. Ambos só soubemos receber e eu tinha certeza absoluta que esse homem iria se arrepender amargamente e que seria tarde demais, como eu. Isabella era incrível, admirável, inteligente e tão carinhosa. Seu jeitinho de se expressar balançando as mãos, mordendo os lábios, mexendo no cabelo ou somente olhando-me profundamente me deixou louco o dia inteiro. Ela mexia comigo, me fazia sorrir de um jeito que não fazia há anos.

No quarto, quando subimos para tomar banho e tirar todo sal do corpo, liguei meu computador para enviar um e-mail para minha irmã e meu sócio.

"Peter, Char e Rose. O Rio de Janeiro é lindo e assustador. Estou adorando a praia e as pessoas do meu grupo. Obrigada por isso. Por favor, mande-me notícias de Harry. Diga que o amo muito e estarei de volta. Mostre todas as fotos que enviar... Não deixem meu garotinho triste. Amo vocês, Edward."

De noite, escolhi uma camiseta branca folgada e uma bermuda jeans para poder descer e fazer alguma coisa. Sentei na varanda olhando o mar quando me senti ser observado. Olhando para o lado Isabella estava tirando fotos e rindo do meu estado pensativo. Foi impossível não sorrir para suas bobeiras.

- O que você vai fazer? – perguntei curioso.

- Pensei em pedir vinho e queijo, ouvir uma música e relaxar. – disse encolhendo os ombros.

- Posso te acompanhar? - perguntei rindo das suas bochechas rosas.

- Tudo bem por mim.

- Aqui ou aí?

- Pode ser aí. - murmurou feito uma garotinha, morrendo de vergonha. Eu queria tranquilizá-la, mas não conseguia parar de rir.

- Tudo bem... Vou pedir o vinho e as coisas. – disse entrando no quarto e falando com a recepção do hotel, puxando meu ipod da bolsa e ligando o adaptador na parede, deixando rolar música clássica bem baixo para não ocultar o som das ondas quebrando no mar. Ela bateu na porta suavemente avisando sua entrada e foi direto para a varanda, sentando em uma das espreguiçadeiras.

- É tão lindo. Impossível não ficar olhando. - suspirou olhando para a imensidão azul a nossa frente.

Seu vestido verde e longo deixava sua pele quase bronzeada bem bonita. Tão linda e sorridente. Iluminada pela luz do sol da tarde, se despedindo no fim do oceano.

- É uma vista maravilhosa – comentei para sua beleza, que ela entendesse como quisesse.

- Acho que nunca mais vou esquecer o Rio de Janeiro. Tudo aqui me faz sorrir como em muito tempo não sorria.

A campainha do quarto tocou e o funcionário do hotel entrou com tudo que pedi e negou minha gorjeta, eles eram tão estranhos nisso. Isabella encolheu as pernas na espreguiçadeira e aceitou minha taça de vinho tinto suave e posicionei o prato com queijos variados entre nós dois, aproveitando o fim da tarde com a música baixa que vinha do quarto sem falar nada.

- Você devia comprar um animal de estimação para Harry. – disse de repente e eu a olhei confuso – Eu li em uma revista que quando a criança perde alguém importante no seu cotidiano, além da atenção redobrada, é importante dar-lhe algo para cuidar.

- Sério? Eu não posso ter um cachorro... Ficamos o dia inteiro fora de casa... Seria mais um carente de atenção e eu nem sei se Harry tem alergia a algum bicho.

- Não tem alergia pelo bicho e sim pelos pêlos dele. – riu repousando sua taça na mesinha – Compra um peixe. Você vai aprender sobre horários de alimentação e ele também, ambos vão criar responsabilidades.

- Nunca deixei Harry morrer de fome.

- Só precisa de limites também... Eu faço listas, meu blackberry apita quando preciso fazer algo e anuncia um compromisso próximo. Você pode fazer isso e não perder nenhum detalhe da vida de Harry se anotar!

Sua animação em me ajudar era tão bonitinha que cheguei a considerar a idéia, mas nunca iria lembrar-me de anotar alguma coisa para poder lembrar depois. Talvez se criasse um painel no corredor de casa com coisas que Harry tinha que fazer, daria para Jéssica e ela me ajudaria a conciliar os horários quando Rosalie fosse embora.

- Prometo tentar... Só não sei se vou conseguir lembrar disso.

- Vai sim... Você vai tentar por Harry.

Isabella tinha razão. Eu tentaria tudo pelo meu Harry.

- E você deveria tentar não planejar... Sério, deixar as coisas acontecerem pode ser uma coisa boa.

- Eu estou aqui, no quarto de hotel com um cara tecnicamente estranho. Jamais teria planejado algo do tipo... Mas eu estou aqui e isso é uma coisa boa.

Nós erguemos nossas taças e brindamos a "coisa boa" que formamos sem nem ao menos saber.




Os dois se completam, vocês não acham?
Encontro vocês aqui amanhã as 18 horas. .

2 comments :

  1. Que angústia, um cap por dia ^^ quero saber o que vai acontecer logo *-* tão lindos.
    São quantos caps?

    ReplyDelete