PARADISE - CAPITULO 17




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Gêneros: Romance/Drama

Londres, Inglaterra.
Isabella.
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- E você gosta desse? – perguntei apontando para um aquário diferente. Harry estava fazendo birra querendo um peixe beta. Gentilmente expliquei que ele não poderia ficar com os outros peixes e talvez, devêssemos comprar outro peixe-palhaço e nomeá-lo de Nemo II.
- Por que os betas não ficam com outros peixes? – perguntou-me curiosamente, apertando minha mão.
- Porque eles não são legais e gostam de brigar uns com os outros. Então, aqueles peixes menores que brilham irão morrer. – respondi agachando-me do seu lado – Vamos escolher?
Harry assentiu levemente e passou a olhar os peixes palhaços. Nós estávamos sozinhos. Isso me assustou um pouco, no entanto. Jamais imaginei que Edward ou Esme o deixariam comigo assim tão rápido. Não que fosse fugir com ele porque isso era impossível, mas, normalmente pessoas agem como Rosalie. Ela não queria deixar Harry comigo a todo custo e talvez Esme tenha insistido que ficasse com ele só para contrariá-la.
Nosso dia no spa foi um tanto estranho. Esme sempre amigável conversou comigo e investiu em me conhecer. Não achei isso ruim da sua parte. Ela era mãe e estava querendo saber mais sobre a nova namorada do seu filho e possivelmente tentar uma amizade. Já Rosalie, praticamente impediu Charlotte de conversar comigo, monopolizando-a e sendo por vezes, grosseira com alguns comentários referentes aos americanos. Tentei não ligar para seu não entusiasmo com a minha pessoa, porém, isso estava me afetando mais do que gostaria.
Não foi ruim. Me diverti muito com Esme. O jeito bobo e brincalhão do Edward tinha vindo diretamente da mãe. Tão doce e ao mesmo tempo suave que chegava a ser refrescante. Ela praticamente desmaiou quando Jasper apareceu para me ver na hora do almoço. Ontem, juntos, conversamos muito sobre meu relacionamento e as novas pessoas que estavam chegando à minha vida e ele prometeu confiar no meu julgamento. Como tinha previsto, ele estava com ciúmes. Só isso. E hoje, ele estava no restaurante antes de chegarmos lá. Ele e Alice tinham combinado de almoçar juntos e acabamos todos na mesma mesa porque Esme deu uma de Team Jasper e não o soltou mais. Foi tão engraçado que minhas bochechas ficaram doloridas de rir e Rosalie não parava de pedir desculpas a Alice pela mãe.
Alice, por outro lado, estava se divertindo horrores. Rosalie mal sabia que ela estava se divertindo muito a custas de todos na mesa e depois só eu ouviria seus comentários e apelidos. Alice se deu bem com todas. Me perguntei porque Rosalie foi legal com ela quando claramente não queria ser legal comigo. Fiquei quieta porque tinha prometido tentar e não iria colocar Edward em posição chata entre nós duas. Só não iria aturar certas coisas por muito tempo.
Charlotte foi embora e despediu-se de mim docemente, pedindo desculpas com o olhar. Depois disso fomos buscar Harry na escola e Esme me deixou na loja de animais com ele, dizendo que era só ir para o escritório. Meu dever era comprar um novo peixe. E Harry estava encrencando com isso porque ele achou interessante os betas serem carnívoros. Chegou a fazer contas de quantos quilos de carne o peixe poderia comer. Tive que rir e dizer que não eram tubarões e que deveríamos escolher outro. Nosso samba começou aí e não parou mais.
- Podemos levar um peixe-beta e um peixe-palhaço? – sugeriu olhando para o aquário – Por favor! – pediu com os olhinhos pidões mais lindos do mundo e o beicinho como do pai.
- Tudo bem. Vamos precisar comprar outro aquário.
- Esse pode ficar no meu quarto?
- Vamos perguntar ao seu pai, tá?
Ele era um menino comportado, que não soltou minha mão ou saiu correndo fazendo birra. Mesmo estando emburrado e querendo me enrolar com a história dos peixes, ele foi um bom menino.
Saímos da loja com dois peixes e um novo pequeno aquário em direção ao escritório de Edward. O segurança da portaria reconheceu Harry, mas eu tive que me identificar mesmo assim. Ele me deixou um crachá alegando que estava na lista de convidados do Sr. Cullen e nós subimos até o sexto andar. A recepcionista rapidamente sorriu para o meu menino. Fiquei com ciúmes. Não queria todas essas mulheres paparicando a minha criança.
- Harry! – a loira disse sorridente – Que bom ver você!
- Oi Gianna! Cadê meu pai? E o meu Dindo?
- Eles estão em reunião agora. – respondeu docemente – Quer doces? Escolha um. – incentivou pegando um pote cheio de balas.
- Eu posso? – Harry perguntou-me e ela registrou minha presença pela primeira vez.
- Um só. – respondi olhando-o, tentando ignorar a análise da Gianna.
- Gianna, você já perguntou se a Srta. Swan deseja algo? – Jéssica perguntou assustando nós três.
- Ah... Deseja água? Café ou um chá? – perguntou-me com os lábios em uma linha fina.
- Gi, nós podemos lanchar agora? – Bree, a garota do outro dia chegou na recepção e parou quando me viu, fazendo a mesma cara azeda. Cara, Edward tinha um fã clube mal humorado. – Boa tarde.
- Vem aqui. – chamei por Harry e o segurei – Jéssica existe algum lugar no qual Harry e eu possamos esperar Edward? – perguntei baixinho e ela assentiu rapidamente.
- Claro, você pode esperar na sala dele. – respondeu docemente e olhou para Harry – Como você está? E a sua aula hoje?
- Foi legal. A Bella foi me buscar, nós compramos meus peixes e vamos levar o papai para jantar fora! – disse e depois parou – Era segredo! Não conte para o papai! – sussurrou olhando com olhos bem abertos e depois virou-se pra mim.
- Seu pai não ouviu. – tranquilizei-o rapidamente e entramos no escritório. Sentei no sofá querendo tirar meus sapatos. – Nós iremos em casa primeiro, colocar os peixes no aquário e tomara que seu pai não demore porque eles não podem ficar no saco plástico.
- Eles vão morrer? – gritou assustado, sentando-se no meu colo – Não quero que eles morram! Nós acabamos de comprar!
- Eles não vão morrer agora, mas se a gente demorar... – disse e fui interrompida com ele correndo do meu colo feito um trem bala e gritando o pai dele. Foi então que vi Edward saindo de uma sala com uns homens, ajoelhando-se para receber seu filho de braços abertos. – Pai!
- Que surpresa agradável! – disse sorridente – Pessoal, esse é o meu lindo filho. – apresentou Harry cheio de orgulho.
Observei Edward carregar Harry no colo até o elevador e despedir do grupo. Jéssica falou com ele algumas coisas e ele entrou na sala vindo me beijar ternamente e colocou Harry no meu colo. O movimento rápido o fez ficar tonto e isso o divertiu. Um pequeno toque e eu estava pegando fogo, desejando por muito mais. Edward continuou com os lábios nos meus até que Harry o empurrou para longe.
- Nós precisamos ir antes que meus peixes morram. – disse segurando o rosto do pai para poder ter sua total atenção.
- Peixes?
- Culpada! – disse rapidamente – Ele me olhou daquele jeito... E eu não soube dizer não.
- Você é massinha de modelar nas mãos dele. – Edward disse rindo – Então, temos que ir embora.
- Isso, mas nós vamos te levar para jantar fora. – Harry disse puxando o terno do pai.
- Disse a ele que precisaríamos cuidar dos peixes e depois levaríamos você para rua. – expliquei rapidamente e o sorriso de Edward aumentou de um jeito bem bonito. – Podemos ir agora?
- Claro. Jéssica pode fechar meu escritório.
Edward não demorou muito falando com sua assistente e por isso esperei do lado de fora tentando equilibrar o aquário e os peixes no saquinho com Harry pendurado em cima de mim, querendo olhá-los o tempo inteiro. Peter saiu do seu escritório e juntou-se ao grupo, falando algumas coisas e depois percebeu a minha presença. Educado como todo bom inglês veio me cumprimentar e conversou com Harry animadamente. Afastei-me para deixá-los a vontade e observei o opulento escritório ao meu redor pela primeira vez. Era um andar inteiro e bem espaçoso. Várias salas e um setor com mesas que deviam ser ocupadas pelos estagiários.
Era bem decorado, o que achei que Esme ou Charlotte tivesse mãos e pés ali. Edward conversou com Peter baixinho e ele assentiu com um sorriso e depois ambos estavam vindo na minha direção.
- Depois que a família feliz chegar do jantar, verifique seu e-mail. Pretendo ter terminado as petições até lá. Bom jantar. – Peter disse passando por nós – Vejo você amanhã, Bella. – sorriu docemente e beijou minha mão. Bom, parece que Peter estava relaxando com a minha presença.
- Obrigada. Até amanhã. – respondi sorrindo um pouco melhor. Peter era um tipo de advogado misterioso, frio e distante que me deixava nervosa. Ele devia usar essa técnica para intimidar seus clientes e também adversários. Se não usava, já funcionava comigo.
Foi uma diversão arrumar os aquários com Harry e Edward. Os dois argumentavam como adultos e batiam de frente porque eram exatamente iguais. Sentei no chão do corredor e vi um painel discreto com algumas coisas escritas e pinos. Meu peito se encheu de orgulho quando percebi que Edward estava tentando ser mais organizado e menos esquecido com as coisas do seu filho. Ele tinha ouvido a minha sugestão... Isso foi tão surpreendente que pulei em pé o assaltei com vários beijos. Harry não entendeu nada e fez um som de desgosto, fazendo nós dois rir.
Rapidamente arrumamos nossas roupas e fomos a um restaurante no qual os dois me obrigaram a comer besteiras. Peixe com fritas, do jeitinho britânico e um pedaço de torta enorme. No fim da noite minha barriga estava a ponto de explodir. Levamos Harry para brincar em um parquinho. Edward tinha uma bola de futebol na mala do carro e então, jogamos. Quer dizer, eles jogaram e eu fui a goleira. Não entendi muito a lógica, sei que acabei levando bastante bolada. No fim das contas, roubei a bola e sai correndo pelo gramado com os dois vindo atrás de mim e gritando meu nome.
Harry segurou minhas pernas e nós dois caímos de cara na grama molhada e gelada. Edward não aguentou e caiu sentado no chão de tanto rir. Por um momento achei que minha comida iria voltar de tanto que estávamos rindo. Sujinhos de terra e grama, voltamos para casa antes que Harry pegasse um resfriado. Fui tomar banho enquanto Edward dava banho em Harry. Acabamos praticamente ao mesmo tempo e deitei ao lado da criança mais fofa de todo o mundo e peguei o livro da cabeceira. Ele já estava com sono e por isso, fez algumas perguntas sobre o que estava lendo de Harry Potter e o Cálice de Fogo..
Assim que ele adormeceu, fiquei observando-o dormir pacificamente. Ele era um anjinho tão doce, tão esperto e tão feliz. Eu estava me sentindo tão bem ao lado deles.
- Você vai passar a me trocar pelo meu filho?
- Quando você ficar mais maduro que ele... – provoquei saindo da cama de fininho e cobrindo-o com cuidado. – Como foi seu dia? – perguntei abraçando e beijando seu peito nu.
- Estressante. E o seu? – suspirou enrolando meu cabelo na sua mão e puxando para o lado e liberando o acesso ao meu pescoço.
- Foi tranquilo. Sua mãe é incrível, juro. Nós conversamos tanto! E o mais engraçado foi quando sem querer encontramos com Jasper e Alice. Eu juro que ela deu pulinhos do meu lado! – respondi rindo e ele gemeu, escondendo o rosto na curva do meu pescoço – Ela se comportou bem. Jasper simplesmente se apaixonou por ela.
- Eu imagino o que ele deve estar pensando da minha família.
- Está pensando que conheceu mais uma fã número um depois das mulheres da vida dele. Meu irmão é amoroso por natureza, ele é forte e corajoso. Vocês vão se dar bem quando essa animosidade desaparecer. Ele até perguntou por você e como estava.
- Seu irmão e eu não temos animosidade. Ele está certo em desconfiar de mim e eu preciso provar a ele que sou bom para você. – disse convicto e eu parei para pensar por um momento. Estava entendendo Rosalie de forma errada. Ela era o Jasper da vida de Edward. Seu irmão tinha sofrido por uma mulher e agora estava apaixonado por outra, uma desconhecida.
O estranho era que de longe, ela parecia gostar de mim. Quer dizer, nunca se opôs e falou comigo no Skype antes. Na primeira vez que os vi. Talvez ela tenha estado receosa como meu irmão. E era meu dever provar a ela que estava errada em relação a mim. Ninguém sabia do meu histórico de repulsa familiar, eles não tinham culpa. E parando para analisar, não dei oportunidade a ela por estar automaticamente na defensiva. Minha expressão corporal deve tê-la alertado para se afastar assim como a dela me alertou. Nós duas tínhamos um interferência de comunicação por bobeira.
Deixei esse assunto de lado quando ele me arrastou para o quarto. Nós fizemos amor debaixo das cobertas, com risinhos, sorrisos e pequenas juras apaixonadas. Edward e eu tínhamos uma química sexual. Da foda depravada ao amorzinho debaixo das cobertas. No final das contas, ambos tinham um bom sentimento de paixão e carinho. Nós acordamos mais tarde na sexta-feira. Edward não iria trabalhar porque era aniversário do seu pai. Nós dois levamos Harry na escola e voltamos para casa. E claro, abrimos nossa caixa de pandora prontos para brincarmos.
Não fomos muito longe, a hora parecia voar só porque estávamos nus e sozinhos em casa. O sexo foi tão bom que precisei de um cochilo e não vi Edward sair para buscar Harry. Quando acordei, já estava na hora de me arrumar e podia ouvir as gargalhadas deles no banho. Corri para o chuveiro e me arrumei rapidamente, recebi a ligação de Jasper que meus pais já tinham pousado e que nos encontraríamos de noite. Terminei de arrumar minha criança saltitante para que Edward pudesse se adiantar. Dei a ele um pouco de biscoito com chá para acalmar sua fome e saímos agasalhados para festa de Carlisle.
Não estava tão nervosa assim por estar com a sua família. A minha estaria lá e teria companhia, mesmo que encontrasse com uma pessoa ou outra que não conhecesse. Edward parecia feliz em me levar. Seu sorriso sempre presente no rosto era meu combustível para seguir em frente. A casa estava cheia e Harry logo sumiu na multidão assim que entramos os três de mãos dadas e senti que até a música tinha parado para nossa chegada. Fiquei um pouco envergonhada de ver alguns cochichando discretamente, querendo saber quem era a mulher ao lado do filho do aniversariante.
Edward orgulhosamente me apresentou a algumas pessoas. Os únicos que gravei foram Carmen e Eleazar. Um casal simpático que me receberam muito bem. Charlotte me roubou de Edward e foi me apresentando as mulheres presentes e depois Esme me puxou para outro lado e me apresentou a alguns familiares. Edward tinha duas primas lindas. Kate e Tanya. Ambas solteiras que fizeram uma cara nada agradável quando Esme não estava olhando. Eu encarei de volta. Namorar homem bonito era uma dor de cabeça, pelo visto.
- Não sei se posso comer isso, Tia. Preciso perguntar a Bella. – ouvi Harry dizer ao garçom que estava oferecendo-o alguns canapés. Eu tinha um radar com a voz dele, porque estava do outro lado da sala e aparentemente, falando baixinho.
- Preciso socorrer Harry. – disse baixinho a Esme e ela assentiu, liberando meu braço. Rapidamente cheguei até ele – Precisa da minha ajuda?
- Posso comer isso? – perguntou apontando e logo vi que tinha queijo.
- Esses não. Vamos procurar alguma coisa que seja bom para você, ok? – respondi passando a mão nos seus cabelos – Não coma nada que não conheça. Você fez certo em perguntar. – disse baixinho beijando seu rosto.
Assim que levantei, dei de cara com Rosalie. Ela estava analisando nós dois juntos e depois abriu um sorriso tranquilo que correspondi automaticamente. Harry já estava me puxando para o outro lado e por isso nem tive tempo de terminar de acenar para Emmett. Carlisle me deu uma taça de vinho e disse que poderia ir até a cozinha procurar algo que Harry pudesse comer. Ele escolheu dois bolinhos de batata e pediu um copo de refrigerante. Negociei e consegui um sim para o suco e ainda ganhei um beijo de obrigado.
- Oi Bella, tudo bem? – Rosalie entrou na cozinha me assustando.
- Oi. Tudo e você?
- Ótimo... – murmurou colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha – Nós podemos conversar por um instante?
Não! Eu só quero me divertir!
- Claro. O que você precisa? – respondi me encostando na ilha da cozinha e dei um gole do meu vinho muito bom.
- Pedir desculpas, na verdade. – disse e abri minha boca para falar, mas ela fez sinal com a mão me impedindo – Eu estava animada com a possibilidade do meu irmão estar namorando novamente. Imaginei que ele estivesse apaixonado, mas algo bobo, simples, que ele não sofreria quando tudo terminasse. E então, ele voltou com saudades, todo diferente, vivo e feliz. Ele voltou até mais bonito. – suspirou encostando-se ao meu lado e repousando sua taça ao lado da minha – Quando ele foi até Paris te ver, vibrei de felicidade e ao mesmo tempo de medo. Isso foi uma quebra de paradigma e fiquei me perguntando até onde ele poderia ir por você. E quando soube que você estava vindo, quis desesperadamente te conhecer, porém, quando os vi pela primeira vez eu travei. O sentimento entre vocês é tão forte que dá medo. Não que isso seja ruim, mas até Harry está perdidamente apaixonado por você. E eu vi esses dois sofrerem tanto nos últimos anos... A ausência de Ângela fez Harry ficar sem falar e negar qualquer aproximação nossa e Edward ficou viciado no trabalho, ambos tão tristes... E depois ela morreu, as coisas só pioraram. Você chegou como um sopro de ar puro para ambos, mas meu medo é como eles irão ficar se um dia você for embora para nunca mais voltar.
- Eu acho que posso entender sua posição. – disse depois de um tempo em silêncio – Não posso prometer nada. Isso é tão novo pra mim quanto para ele. Também tenho minha própria carga emocional, defeitos, erros e medos. Edward é diferente pra mim. Estou apaixonada da planta dos meus pés até a ponta dos meus cabelos. E isso inclui Harry. É diferente, não sei explicar, assim como ele, também estou mudando muitas coisas por mim e por eles. Porque nós precisamos. Não posso prometer não partir o coração do seu irmão porque é imprevisível, mas eu posso garantir que vou fazer de tudo para que isso não aconteça.
- Eu não devia ter feito isso, porque não cabe a mim. Edward é um homem de trinta anos e vou confiar no julgamento dele. Espero que possamos continuar daqui em diante. Sinto muito por ser grosseira, na verdade, não foi intencional. Só queria te provocar, não sei. – assumiu envergonhada e eu ri pela primeira vez ao lado dela.
- Está tudo bem. Nós seguiremos em frente. – disse tocando meu ombro no seu – Nós podemos sair para almoçar enquanto estiver por aqui.
- Eu acho uma boa ideia. – sorriu brilhantemente e lembrei-me de Edward na mesma hora. Eles até eram parecidos.
- Aí está você! – Edward entrou na cozinha sorrindo e viu nós duas – Tudo bem? – perguntou e nós duas trocamos um olhar e assentimos – Seus pais chegaram.
Renée e Charlie estavam na sala com Esme e Carlisle. Ambos sorridentes sendo muito bem recebidos. Alice e Jasper encontravam-se logo depois ao lado de Emmett e Charlotte. Peter apareceu com vinho para ambos. Meus pais não bebiam, nem socialmente. Foi parte do acordo de casamento entre eles. Minha mãe teve problemas com bebidas um pouco depois do meu nascimento em sua depressão pós-parto. Isso foi um dos motivos para o divórcio deles.
Me senti uma garotinha com o olhar deles. Meus pais me abraçaram e beijaram como se tivesse doze anos e tinha voltado do acampamento de férias. Foi bonitinho de ver. Charlie e Renée amavam muito um ao outro. Apesar de Jasper e eu termos sido esquecidos em nossa adolescência, hoje, eles tentavam compensar isso da melhor forma. Foi uma fase, o que acredito que toda família não normal como a minha passa. Apresentei Edward a eles como meu namorado e chamei por Harry. Meu pai amava crianças! E obviamente o meu menino Batman o conquistou de primeira.
Ele virou Vovó Charlie em cinco minutos de conversa. Foi tão lindo. Minha mãe gostou de Edward. O seu jeito maluco e sensitivo tinha disso. Ela não gostava de James, mas respeitava, o fato dela sorrir e abraçar Edward logo de primeira significou muito pra mim. Minha família e Edward juntos por um momento pareceu um sonho impossível, mas agora, estavam todos ali e eu quis chorar de emoção.
Carlisle estava fazendo 54 anos. Tinha muitos amigos ao seu redor e várias pessoas da sua família contando histórias engraçadas da sua vida. Nós jantamos com um clima super agradável. Edward e eu tivemos a oportunidade de ficarmos juntos na mesa e Harry sentou ao meu lado, ao lado de Charlie. Kate continuava me encarando. Edward percebeu isso e me deu um beijo um pouco indiscreto. Ninguém percebeu, mas eu amei seu gesto mesmo assim. Se ela tivesse visto e entendido o recado, eu estava bem. Edward estava fora do mercado porque era meu. Tanya tentou, sem nenhum sucesso, chamar atenção de Harry, mas ele não estava muito inclinado a ser legal. Mais tarde Rosalie me explicou que Harry era uma criança totalmente diferente comigo do que era com as pessoas. Depois da morte de Ângela, ele não recebia algumas pessoas muito bem. Só as que ele conhecia por muito tempo como Charlotte, Jéssica e ela. Todas as outras mulheres eram ignoradas.
Tinha como amar mais esse menino?
Edward foi convocado a tocar um pouco com Esme. Depois de duas músicas, um show de talentos de mãe e filho, percebi que eles poderiam gravar um CD juntos. Esme e Edward foram magníficos e tirando pelo olhar de amor e orgulho de Carlisle, ele tinha plena ciência disso. Sentei no banquinho ao seu lado quando os convidados se dispersaram, Harry sentou no meu colo.
- Pai, Bella é sua namorada? - Harry perguntou e fiquei quieta, querendo ouvir sua resposta.
- Não. - respondeu e nós dois olhamos confuso para Edward.
Edward começou a tocar "Brilha Brilha Estrelinha" e Harry gemeu envergonhado e eu ri.
- Pai, pare de tocar isso. Bella vai achar que sou um bebê.
- E você é. É o meu bebê. - Edward respondeu rindo, parando de tocar.
- Já que ela não é sua namorada. Ela é minha. - Harry disse subindo no meu colo e beijou meu rosto. Não aguentei a fofura e o beijei de volta.
- Eu não ganho beijo? - Edward perguntou com um beicinho.
- Não. Meu namorado não deixa. - respondi e nós dois demos língua para ele.
- Desculpe campeão. - Edward disse sentando-se ao meu lado - Ela não é minha namorada, é algo muito mais que isso. Você chegou tarde.
Meu sorriso foi impossível de conter. Beijei Edward, mas Harry nos empurrou, ficando exatamente no meio. Não sabia de quem ele estava com ciúmes, se era do pai dele ou de mim.
- Você está com sono? – perguntei baixinho vendo sua luta para manter os olhos abertos – Quer que eu fique lá em cima com você?
- Até eu dormir?
- Sim... Não teremos historinha hoje.
- Tudo bem... Podemos subir sem falar com ninguém? É muita gente para dar boa noite. – disse olhando ao redor e vi seu cálculo mental com razão. Discretamente, nós saímos da sala de fininho e fomos até o antigo quarto de Edward. Tiramos seus sapatos e casaco, afrouxamos todas as suas roupas e deitamos juntos. – Estou muito feliz que você esteja aqui. Eu e o papai amamos você.
- Eu também amo vocês. – sussurrei com os olhos lacrimejando. Essa criança é tão fofa que tinha roubado meu coração de vez.
De alguma forma, acabei adormecendo com Harry. Algum tempo depois acordei com Edward também adormecido na cama. Nós três, encolhidos embaixo das cobertas. Era isso que eu queria e de repente, não sabia mais o que fazer com meus planos porque meu coração estava correndo na direção contrária deles.



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