PARADISE - CAPITULO 19




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Capítulo 19 – Talvez Um Dia
Londres, Inglaterra.
Bella.
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Edward ainda estava dormindo. Harry também estava. Os dois pareciam contentes em simplesmente estarem embolados entre as cobertas. Ambos precisariam acordar em breve para seus compromissos rotineiros... E eu, que poderia dormir até "tarde" estava sem sono. Coloquei água na fogo para fazer um chá e colocar meus pensamentos em ordem. Talvez fosse a hora de ir embora para casa. Estava tempo demais aqui, convivendo com eles, aceitando o papel de dona da casa, de mãe e esposa sem realmente ser, colocando meus planos de lado e meus desejos e até mesmo sonhos para viver algo que não era meu. Pelo menos não ainda.
Não queria passar por insana, maluca ou doente. Parece uma obsessão, mas é um desejo real. Um desejo que acabou meu casamento, que me fez conhecer Edward, mas que não tinha acabado. Eu estava decepcionada, porque morando em Nova Iorque sozinha, longe dele, como iria ter um filho? Estava tudo tão longe do meu planejado, isso me assustava. Organizei cada mínimo detalhe da minha vida para me encontrar em um momento onde não faço ideia para que lado corro ou se sento em um canto e choro copiosamente até tudo passar. Parece que estou reclamando de barriga cheia e realmente estou. Eu sei disso.
Tenho um namorado incrível que está apaixonado por mim, quer coisas comigo e seu filho me ama tanto quanto o amo. Minha vontade era jogar tudo para o alto e viver aqui. Mesmo que minhas economias me sustentassem por um tempo, não daria certo ficar em casa porque isso não fazia parte do meu sistema. Amo trabalhar e amo muito meu trabalho, tudo que conquistei na agência não foi fácil, para simplesmente jogar para o alto e viver uma história de amor em Londres. A realidade é outra. Talvez deva dar uma chance a Edward e seus planos de seguir com o relacionamento mesmo a distância. Se tudo der certo, se o nosso amor for mesmo para acontecer fora do nosso paraíso. O medo que estava sentindo estava além do meu entendimento. Ter dois relacionamentos fracassados em tão pouco tempo vai ser minha prova que a culpa é realmente minha.
- Caiu da cama? Ficou sem espaço? – a voz sonolenta de Edward quebrou meus devaneios.
- Muito difícil uma king size não caber três pessoas. – brinquei deitando minha cabeça no seu peito, visto que ele me abraçou por trás. – Perdi o sono. Acho que estou bem descansada e está friozinho, vim fazer um chá.
- Eu perdi o sono sem você na cama.
- Ou foi Harry te chutando?
- É, ele acertou bem nas bolas. – disse baixinho com um riso na voz e acompanhei rindo – Na próxima vez, você dorme no meio, já que está rindo.
- Não tenho bolas, não sofro desse problema.
- Temos algum tempinho, fica ali no sofá comigo.
Quando Edward pedia alguma coisa era muito difícil de negar. Quando Edward pedia alguma coisa sonolento e no modo manhoso era impossível negar. Pulei do banquinho que estava sentada e fui para o sofá com ele, deitamos juntos e ele puxou a colcha cashmere do encosto e nos cobriu. Não fizemos nada além de nos aconchegar um no outro e fechar os olhos. Meia hora mais tarde uma criança com cabelo bagunçado, com cara de sono e emburrado parou perto do sofá de braços cruzados com o bico mais fofo do mundo nos lábios.
- Vocês me deixaram sozinho lá em cima! – acusou com voz de choro.
- Oh meu amor... Você acha que faria isso com você? Seu pai estava carente. – respondi suavemente, puxando-o pra mim.
- Papai sentiu falta da Bella na cama e por isso desci e acabamos deitando aqui. – Edward acariciando o cabelo dele, quando se aconchegou nos meus braços – Vou precisar comprar um sofá maior. – resmungou porque estava apertado e tentei me ajeitar melhor, ficando com minha bunda diretamente em contato com sua virilha. Isso mudou seu humor – Se bem que não posso reclamar mais... Essa posição é bem favorável.
- Sei... Posso tentar me ajudar melhor. – murmurei rebolando um pouquinho, bem de leve.
- Pare. – Edward sussurrou segurando meu quadril – Melhor levantar ou vamos perder a hora. Vou ser legal e fazer o café da manhã enquanto vocês continuam deitados.
- Ah não... – Harry murmurou ganhando um olhar feio do pai e por isso ficamos quietinhos assistindo televisão.
Edward voltou com torradas, geleias, suco, chá e biscoito. Comemos no chão da sala, apoiando as coisas na mesinha de centro. Eles subiram para se arrumar enquanto eu limpava a cozinha e colocava as coisas absurdas que Edward conseguiu tirar do lugar com um café da manhã tão simples. Harry desceu pronto e continuou assistindo televisão e gostou do lanche que tinha escolhido. Sanduíche de manteiga de amendoim com geleia de framboesa e suco de soja.
- Qual gravata escolho? – Edward perguntou quando entrei no quarto e sentei na cama.
- A verde. Combina com seus olhos. – sussurrei um pouco atordoada com a beleza dele, todo arrumado – Hoje tem alguma ocasião especial?
- Tenho um caso no fórum para resolver logo cedo.
- E sempre vai tão bonito assim? – meu ciúme perguntou.
Deus, eu tinha que tentar ser menos ciumenta com Edward ou nosso relacionamento iria para o buraco. Minha mente começou a imaginar várias mulheres lindas e vestidas de forma sexy no fórum podendo seduzi-lo. Antes que pudesse ir muito longe e começar a chorar, Edward falou suavemente, chamando atenção com o tom de voz doce. Sr. Britânico Fala Mansa.
- Eu sempre estou bonito, mas hoje eu pretendo deslumbrar mulheres para deixar minha namorada com ciúmes.
- Eu amo quando você me chama de namorada... – resmunguei ainda atordoada, esquecendo o tópico do ciúme. – Você me deslumbra facilmente. Não precisa disso tudo...
- Devo trocar de roupa? – perguntou apoiando os braços na cama, na lateral do meu corpo, inclinando-se para me beijar.
- Não, vá assim e volte mais cedo para casa... Antes de Harry sair da escola. Quero brincar com você e com essa gravata. – sussurrei segurando sua gravata, brincando com a ponta dela pelo meu decote.
- Assim que sair do fórum, volto para casa. Prometo. Comporte-se até lá... – rosnou me beijando um pouco mais furiosamente que antes e desci com ele para poder me despedir de Harry e voltar correndo para o quarto a fim de dormir mais um pouquinho e me preparar para recebê-lo de diversas formas mais tarde. Depois do cochilo, tomei um banho caprichado e escolhi uma das roupas íntimas que compramos juntos. Sabia que ele iria gostar de tirar. Soltei meus cabelos, deixando os cachos rebeldes e bem leves para ficar com cara de ousada. Estava muito a fim de ter uma tarde interessante.
Edward chegou e veio direto para o quarto, sem tirar a gravata, mas já estava sem terno e abrindo as abotoaduras dos pulsos. Eu estava de sutiã roxo e calcinha do mesmo tom, com lacinhos laterais. Ele parou para me analisar, começando pelos pés, demorando nas coxas, pela cintura e pulando diretamente para meus seios, que ele gostava, mas sabia que meu bumbum era sua parte favorita de tanto que apertava. Dei uma voltinha para dar-lhe uma visão completa e ele assobiou.
- Vem aqui, Isabella. – disse com um tom de voz forte, cortante e totalmente autoritário – Eu vou amarrar você e estará a mercê do meu prazer. Você pode aguentar isso?
Brincar de dom/sub com o namorado em uma tarde de segunda-feira era tudo que eu mais queria. Eu estava lá antes mesmo de compreender sua frase e deixei que usasse sua gravata verde oliva para imobilizar meu pulso nas costas e me colocar de joelhos na cama, posicionando meu quadril para sentar sobre meus calcanhares.
Eu estava consciente que ele estava me olhando, mesmo que não tivesse no meu campo de visão. Um sorriso idiota e excitado decorou meus lábios. Parte de mim estava gritando, querendo esfregar na cara de todas as mulheres fãs de Edward que ele era meu e estava ali comigo, a outra parte estava desfalecida, se abanando, em cima de um sofá só de imaginar o que ele faria comigo. Ele colocou um joelho na cama e beijou a ponta do meu ombro, tirando meu cabelo do caminho e criando uma trilha de beijos.
- Você é muito gostosa. – sussurrou mordendo o lóbulo da minha orelha e beijando bem atrás. – E toda minha.
- Toda sua.
- Eu não entendo seu ciúme... Eu sou seu. Não tenho motivos para querer mais ninguém porque amo você. – sussurrou trocando de lado, repetindo o mesmo processo de beijos. – Deite-se de bruços.
Edward pegou meu pé e massageou um pouco, passando para panturrilha, indo e vindo com movimentos lentos e outros mais fortes, puxando e apertando. Ele fez o mesmo movimento na outra perna, subindo para o joelho e parte de trás da coxa. Edward não demorou muito por lá, pulando logo para minha bunda, massageando minhas bochechas com bastante fome. Eu não disse que ele tinha tara pelo meu bumbum? Ele me deu um tapa, juro. Saltei e ri na cama. Isso não era o que nós dois éramos, mas estava engraçado encarnar a brincadeira.
- Não consigo ir mais longe que isso... Fui educado para nunca bater em uma mulher, mesmo que ela pedisse.
- Você já me amarrou na cama e agora amarrou meus pulsos. – brinquei e ele voltou a massagear meu corpo, tomando seu tempo até meus ombros e massagear meu couro cabeludo.
- Eu não sei se não gosto de você interagindo... – murmurou com um sorriso – Vou precisar experimentar para saber. – disse encolhendo os ombros – Vire-se. Vou amarrar suas mãos acima da cabeça. – ordenou e soltou meus pulsos e quando estava na posição certa, ele amarrou-me novamente, tirou suas roupas e pegou a nossa caixa de pandora.
Edward saiu do quarto e voltou com as velas que viravam óleos na mão e um isqueiro ao lado. Ele tirou minha calcinha e beijou a parte interna da minha coxa, dando uma pequena mordidinha, me fazendo arrepiar. Abriu meu sutiã, mas ele teria que me desamarrar para poder tirar, então, decidiu dobrar o bojo e beijar cada um dos meus seios e acendeu as velas. A tortura começou na minha perna, ele sabia que era sensível nas coxas porque qualquer toque mais profundo fazia minha vagina tremer de antecipação. Ela sabia que era ele quem estava chegando... Lentamente.
Pingando gotinhas quentes e massageando de forma gostosa, foi subindo até a barriga enquanto eu estava me contorcendo na cama, virando uma bagunça brilhante, excitada e com cheiro de morango. O filho da mãe pingou no bico do meu seio e riu quando aquela sensação quente espalhou por todo meu corpo até praticamente explodir lá, bem no meio das minhas pernas. Meu corpo inteiro estava enrijecido e perdido em uma névoa de tortura e prazer.
- Edward... Me toca. – sussurrei desesperada, pedindo uma interação entre minhas pernas – Por favor.
- Eu estou te tocando, querida. – respondeu rindo suavemente, pingando um pouco mais de cera no meu outro seio e massageando lentamente e soprou um pouco de ar quente, me fazendo delirar.
- Mais. – murmurei me contorcendo e ele riu, beijando meus lábios, mas não foi o suficiente. Quando fui aprofundar e ele saiu de perto, beijando minha bochecha.
- Boa coisa vem para que aqueles que esperam.
- Maldito. Vem logo. – resmunguei irritada e ele finalmente levou a mão entre nós dois até meu clitóris e começou a tocar-me lentamente. – Isso... Assim.
- Não tão fácil, querida. Só precisava saber se estava bem pronta. – disse enfiando um dedo dentro de mim e tirando lentamente, na segunda vez, ele empurrou dois e bombeou rapidamente. Doce Jesus, o vizinho ouviu meu grito. Estava tão sensível e necessitada. Era essa áurea sexual.
- Eu estou mais que pronta... Estou quase explodindo.
- Bom... Isso é muito bom. – murmurou sedutoramente, tirando a sua cueca e ficando gloriosamente nu. – Dobre suas pernas e deixe seus joelhos afastados. – ordenou e pisquei confusa, tentando assimilar melhor o que tinha falado – Agora, Isabella. Estou ordenando.
- Oh, desculpe. – resmunguei tentando não rir do seu tom de voz e fiz o que mandou, elevando meu tronco e apoiando sobre os cotovelos para vê-lo melhor – Você é muito lindo.
Edward riu concordando e ajoelhou-se na cama, entre as minhas pernas, e engatinhou sobre meu corpo, penetrando-me lentamente enquanto me beijava. Seu ritmo de estocada não era o mesmo do seu beijo, eu estou louca, confusa e muito excitada e ainda assim lembrei que não estávamos usando camisinha e decidi que não iria lembra-lo disso. Depois era só piscar rapidamente e fingir que minha mente não conseguiu computar esse detalhe a tempo. Isso foi rapidamente esquecido e coloquei meus pulsos amarrados na sua nuca para deixá-lo ainda mais próximo.
- É horrível não poder arranhar sua nuca do jeito que gosto.
- Oh... Bella. – sussurrou perdido, totalmente perdido.
Meu ego amava quando ele simplesmente perdia a fala quando fazia sexo comigo. Seus gemidos e grunhidos eram meu combustível perfeito para continuar me achando sexy e maravilhosa. Eu tinha descoberto meu parceiro sexual de vida. Sexo nunca seria bom com outra pessoa. Tinha que ser para sempre com ele. Homem com pegada tocava meu sino. E Edward tinha de sobra. Cheguei ao meu limite antes dele e isso me deu a oportunidade de vê-lo chegar ao seu ápice... E como era lindo até gozando. Não tinha espaço para ser mais apaixonada.
- Eu te amo tanto. – murmurei abraçando-o com minhas pernas, para não sair de dentro de mim.
- Oh... Deus. Você percebeu como foi forte? – sussurrou beijando meu pescoço – Eu também te amo... Minha linda.
Nós continuamos abraçados na cama até não aguentar mais o óleo no meu corpo e implorar um banho. Pulamos no chuveiro rapidamente e tiramos toda gosma pegajosa de mim e fui para cozinha preparar algo para comer. Assim que terminamos de comer o telefone dele tocou com algo do trabalho. Assisti um filme enquanto ele xingava e esbravejava com quem seja lá quem fosse e ameaçava demitir. Era o caso da BBC e nunca vi Edward tão puto. Isso só me lembrava de que a gente mal se conhecia... Incomodava um pouco, era aquela vozinha da realidade estalando o dedo na minha cara, apontando situações que não estava ligando. Vivi com James e nunca cheguei a conhecê-lo.
- Querida, vamos buscar Harry? – Edward gritou do escritório e respondi que sim, indo direto para o quarto colocar uma roupa – Vou precisar deixar vocês em casa e depois passar no escritório. Estou pensando em trazer comida para o jantar, nada de cozinha para você hoje.
- Tudo bem por mim... Só não demore muito.
Harry ficou contente em ficar em casa comigo e fiz pipoca para assistirmos um filme juntos. Ele perguntou se podia tomar pelo menos um pouquinho de refrigerante. Por que ele tinha de fazer essas perguntas quando o pai dele não estava em casa? Era difícil dizer não. Deixei que tomasse um copo e ele parecia estar aproveitando tanto que dava pequenos goles só para durar mais. No meio do nosso filme, a campainha tocou. Devia ser alguém da família de Edward, só eles poderiam saber que estava em casa, ou meus pais. Se bem que combinamos de fazer mais programas de turistas só amanhã.
Pelo olho mágico vi um casal de senhores, mais ou menos da idade dos meus pais, extremamente arrumados, parecendo ter saído de um museu. Abri a porta meio receosa, mas ia encarar a banda.
- Olá, Edward se encontra? – o Sr. Mausoléu falou educadamente primeiro enquanto a Sra. Múmia me encarava de cima abaixo.
- No momento não... Posso ajudar?
- Somos os avós de Harry. Pais de Ângela... Estávamos por Londres e pensamos que poderíamos ver Harry por um pouco. – A Sra. Múmia decidiu ser grosseira comigo.
- Bella? Quem é? – Harry perguntou da porta e mostrei quem era para que pudesse vê-los – Oh, Vovó e Vovô. – murmurou sem esconder seu não entusiasmo. – Oi.
- Por favor, entrem. Vou ligar para Edward e avisar que os senhores estão aqui.
- Você é a babá? – A Sra. Múmia perguntou diretamente.
- Bella é namorada do papai. – Harry respondeu protetoramente.
- Está tudo bem, garoto. Sua avó ainda não me conhecia. – disse suavemente catando nossos copos e pipocas – Faça companhia a seus avós enquanto ligo para seu pai. – falei com ele tentando saber se ele estava bem com isso e virei-me para eles – Sinto muito pela bagunça, não estávamos esperando visita. – alfinetei tão suavemente quanto pude. A babá também sabia falar.
- Tome seu tempo. – O Sr. Mausoleu falou e virou para Harry – Conte as novidades para o Vovô.
Fui para cozinha e liguei para Edward.
- Oi gostosa. – disse todo sorridente.
- Edward Cullen. – retruquei de forma ameaçadora.
- O que eu fiz?
- Você fez algo? – perguntei continuando meu jogo.
- Não sei. Fiz? – perguntou confuso.
- Você tem dois segundos para explicar porque não me disse que Harry tem parentes maternos. – disse bem séria e ele ficou mudo – Eles estão aqui na sala. Parece que seu filho não está animado com isso e ela foi bem grosseira comigo.
- Desculpe. Eles nunca aparecem, pelo menos não sem avisar. Devem ter visto nossas fotos no jornal.
- Nós saímos no jornal? – minha surpresa falou mais alto.
- Sim, esta manhã. Eu, você e seu irmão ontem. – respondeu suavemente – Estou indo pra casa. Eu posso lidar com eles.
- Eu também posso... Só estou te avisando. Vou nem oferecer nada para que não demorem.
- Isso é rude para os britânicos.
- Bom, para os americanos também, a diferença é que não ligamos. – respondi rindo, esquecendo de fingir que estava chateada com ele. – Posso te perdoar se trouxer comida japonesa para o jantar.
- Comida japonesa do perdão chegando e sexo de reconciliação mais tarde.
- Trato feito. Volte logo. Eu te amo.
- Eu também.
Edward chegou dez minutos depois que os avós estranhos de Harry foram embora de uma visita igualmente estranha. Eles faziam perguntas toscas, Harry respondia com cara de que eles eram muito sem noção – e eram - e me olhava implorando ajuda. Eu não podia fazer muita coisa além de ficar quieta. Se eles eram tão rígidos e loucos assim todo dia não me admira que a filha deles quis largar tudo e conhecer o mundo.
Meu menino lindo deu de ombros quando Edward perguntou das visitas e enfiou um pedaço de salmão cru na boca só para não ter que responder nada. Edward desistiu de perguntá-lo e passamos a jantar e brigar com nossos hashis. Esses momentos em família era o que mais sentiria falta quando fosse embora. Talvez um dia... Isso seja meu de verdade.
Os dias seguintes passei com meus pais na rua e com Edward e Harry em casa. Eu estava acostumada com a rotina e o horário deles. Completamente adaptada ao ritmo da casa, mas louca de saudades do trabalho. De ser alguém e produzir. O dia que me dei conta que tinha de fazer minhas malas me levou as lágrimas compulsivas debaixo do chuveiro. Chorei tanto que precisei dormir um pouco ou minha cabeça iria explodir de tanta dor de cabeça. Colocar peças na mala me doía como arrancar um braço. Parecia que um velório estava acontecendo na sala de tanto que o clima ficou ruim. Harry fez inúmeras birras e chorou durante horas seguidas, fazendo escândalo. Isso só piorava meu estado.
Edward não sabia quem acalmava primeiro. Ele não queria que eu fosse embora, mas sabia que eu tinha que ir. Meu emprego e o emprego de outras pessoas dependiam de mim. Toda minha mudança gerou um custo alto para Aro e não podia simplesmente dar as costas. Harry quis dormir comigo na minha última noite com eles, mas depois que pegou no sono, Edward e eu ficamos acordados, com aquela angustia e sensação de despedida que assombrava nosso relacionamento. Era uma sensação de incerteza e medo do desconhecido que nos assolava. Um relacionamento a distância... De um oceano. Podia ser mais louco?
Como uma mãe desesperada para tudo ficar bem, dei inúmeras recomendações e o lembrei de compromissos e deveres de Harry. Andei de mãos dadas com meu pai até o portão de embarque desmanchando em lágrimas, mas dessa vez, olhei para trás, ele estava lá e mesmo acima de todo medo e incerteza existia a enorme chance de que daríamos certo porque nós nos amávamos e não havia nada no mundo que poderia mudar meu sentimento por aqueles dois homens.
Eu ia voltar.

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