PARADISE - CAPITULO 21




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Capítulo 21 – Surpresas.
Nova Iorque – EUA
Isabella.
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Eu não lembrava que viver em Nova Iorque era tão... Louco. Meu sono estava atrasado e eu sentia que estava ao ponto de abaixar a cabeça e dormir no trabalho. Tudo aqui era barulhento. O trânsito, as pessoas... A única coisa boa era que podia pedir comida as três horas da manhã e continuar trabalhando com o estômago sem reclamar e sem precisar interromper minha linha de pensamento para ficar em pé na cozinha. Meu apartamento era enorme. Uma vista estupidamente linda. Me sentia mal vivendo ali, era o típico apartamento de mulher solteira. Bem decorado e vazio.
Duas semanas em Londres me estragou para vida. Não conseguia beber mais café, sempre escolhendo o chá, o clima gostoso de lá era o céu diante do tempo seco e estranho de Nova Iorque. E ah, eu não conseguia dirigir nesse trânsito. Estava optando pelo táxi. Até que mudei de ideia e fiquei com o metrô. Isso me rendeu um quase assalto. Voltei a ir dirigindo para o trabalho como uma babaca medrosa desconfiando até da sombra.
No trabalho, demorei a me acostumar com minha nova assistente e os demais funcionários. Eles também estavam se adaptando a minha presença sempre exigente e meu jeito organizado detalhista. No fundo, todos eles se perguntavam quem eu era. A última vez que vim aqui, passei despercebida por ter sido muito rápido. Eu era a única diretora nessa filial, ou seja, tudo passava pela minha mesa e estourava na minha cabeça. Marcus tinha feito um bom trabalho, eles eram eficientes e sabiam responder rápido sobre pressão. Lauren era minha assistente legal. Ela me trazia comida e lembrava de coisas que deixava escapar nos momentos mais apertados, porém, eu ainda sentia muitas saudades da Maria.
- Srta. Swan? – Lauren bateu à minha porta com um copo do Starbucks na mão – Achei que fosse gostar de um pouco de Camomila com limão. Pouco açúcar.
- Obrigada, Lauren. Muito gentil da sua parte. – murmurei atordoada com sua gentileza – Você conseguiu organizar os briefing que os estagiários fizeram dos últimos clientes?
- Sim. Já arquivei todos em ordem de chegada e urgência, mandei para seu e-mail.
- Imprima todos e distribua entre eles. Quero saber se vão saber trabalhar com o briefing do outro sem brigar. Sexta a tarde tenho a agenda livre?
- Você tem médico.
- Cancele e marque uma reunião com eles para as primeiras ideias.
A saudade de Edward era uma coisa absurda. Tão absurda que pensei em procurar um psicólogo porque não deve ser normal. Era como se tivesse andando por aí sem um braço. Ou sem a metade do meu coração. Eu estava incompleta do café-da-manhã até a hora de dormir. De uma maneira trágica, parecendo mórbida, mas para medir a intensidade, era como se respirar longe dele fosse difícil. Meu sopro de ar puro e felicidade era ele. E Harry. Como um garotinho tinha roubado meu coração dessa forma? Eu queria ser mãe dele. Queria amá-lo e cuidar do seu dia-a-dia com carinho e zelo para sempre.
Todo santo dia eu acordava ansiando vê-los, falar com eles. Me sentia triste e inútil sabendo que a vida de Edward estava um inferno. Muitas coisas para fazer e se preocupar que o deixava completamente ansioso, nervoso e muito estressado. Harry não ajudava fazendo birras e sendo uma criança difícil que tinha perdido a mãe em menos de um ano e agora tinha me perdido para a distância. Assim como eu, ele sofria com a minha falta. Em algum momento eu sabia que iria abrir mão da minha carreira, de tudo que construí para ficar com eles. O amor era mais forte que todo meu apego pela profissão.
Minha vida tinha estado uma correria sem limites. Eu mal tinha tempo pra mim mesma. Quando me vi com as pernas para depilar, entre outras partes, dei um grito percebendo minha unha sem lixar e com cutículas e meu cabelo implorava uma hidratação. Sai correndo do trabalho direto para um salão de beleza e só saí de lá me sentindo renovada.
A alimentação ruim era um problema. Comer muito yakisoba me deixou enjoada para a vida. Sentir cheiro de qualquer comida de rua – que eu estava comendo muito – me fazia querer vomitar. Passei a organizar melhor meu tempo e atrasar coisas para poder comer melhor ou pedir algo descente em restaurantes.
- Oi querida! Posso entrar? – Aro bateu à porta.
- Aro! Claro que sim! – respondi animada. Ele tinha chocolates na mão – Sempre me mimando.
- Gosto de manter meus funcionários felizes. – brincou sentando-se à minha frente – Como vai o processo de adaptação?
Nós passamos horas conversando sobre o trabalho. Esse era o jeitinho de Aro ter suas reuniões, bem do nada e de um jeito descontraído, alegre. Ele sabia falar sério com um sorriso nos lábios sem ser grosseiro ou intimidador. Sua maneira de ser respeitado era adorável. Talvez por isso que amasse muito trabalhar com ele.
Cheguei em casa relativamente cedo e uma surpresa um tanto estranha no meu andar me fez repensar na segurança do meu prédio. James estava sentado na porta do meu apartamento com um buquê de flores na mão.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei o inevitável.
- Eu vim levar minha mulher de volta para casa. – respondeu ficando de pé e esticando as flores – Eu sinto muito pelo bebê, minha mãe falou que você perdeu e eu penso que talvez isso seja a nossa chance de começar de novo.
- O quê? Você bebeu? – perguntei confusa. – James, vai embora.
- Bella, nós precisamos conversar. Eu sei que você quer voltar... Você nem mudou seu status de casado no facebook, não apagou suas fotos e nem sequer contou aos nossos amigos.
- Facebook? Você acha que sequer lembrei que tinha um facebook? James! Nós não temos nada para conversar... Eu estou morrendo de sono, preciso desesperadamente comer alguma coisa e dormir.
- Me dá uma chance de conversar...
- Não posso, James. Eu não amo mais você.
- Tem outra pessoa?
- Não importa se tem ou não, você está me assustando. Reaparecer depois de meses... Só porque ficou sabendo que eu supostamente não estou mais grávida. Isso é doentio de muitos níveis. Nós somos divorciados, estou seguindo a minha vida. Faça o mesmo. – sussurrei destrancando a porta do meu apartamento e aproveitando que ele tinha se afastado, fechei a porta e tranquei com todos os trincos e ainda coloquei uma cadeira na maçaneta. De alguma forma, meus sentidos estavam gritando alerta vermelho.
Resolvi que não devia contar isso a Edward. Primeiro que ele estava de bom humor, isso era raro. Não queria preocupá-lo com meu ex-marido tendo um surto psicótico do nada. James ia cair em si e desaparecer novamente. Além do mais, tinha coisas mais interessantes para falar com Edward do que discutir que meu ex aparecendo e ficando feliz com o fato da minha suposta gravidez não existir mais. Fala sério.
Abri meu facebook e fiquei chocada que tinha esquecido completamente dele. Demorou horas, mas consegui apagar todas as fotos que tinha James. Mudei meu status de relacionamento, atualizei minha foto do perfil e coloquei uma foto que estou posando com o por de sol ao fundo, na praia em frente ao hotel no Brasil. Edward que tinha tirado. Coloquei fotos do Brasil, quase todas, inclusive não ocultei nenhuma com ele. Coloquei as fotos da Itália e depois coloquei as de Paris e Londres. Só não expus muito Harry, mas minha única foto com ele coloquei uma pequena declaração de amor, que valia para os dois.
Vi que tinha adições pendentes. Irina, Garrett, Nahuel, Stefan, Rosalie, Emmett e até mesmo Edward. Caramba, ainda bem que meu perfil era todo bloqueado a minha foto do perfil era sozinha. Vi que no perfil de Edward tinha muitas fotos nossas juntos, relacionamento sério também. E uma das legendas era um pequeno trecho da música Yellow – Coldplay. Resolvi que deveria colocar que estava em um relacionamento sério também. Depois de conversar com Irina por muito tempo, atualizar todas as fofocas e rir bastante, fui para o perfil de Edward e olhei todos seus amigos, quantas mulheres tinham, quais eram bonitas. Ele quase nem entrava ou atualizava sua linha do tempo.
"Estou fuxicando seu facebook. Tem muita mulher. Vamos ver isso aí. Com amor, B"
Uma sms simples o fez ficar online no facebook quinze minutos depois. Nós conversamos por ali mesmo. Exclui e bloqueei James porque não queria que ele ficasse fuxicando minhas fotos. E também tirei várias pessoas que eram só amigos dele. Deixei os meus da faculdade que não via a tempos, escrevi uma mensagem no grupo pedindo desculpas pelo sumiço e que iria tentar ficar mais online, entrei em outro grupo do colegial e escrevi a mesma mensagem.
Essa história de ficar online me fez dormir tarde, mas estranhamente feliz porque de alguma forma, conseguia estar conectada com todas as pessoas que gosto.
As semanas passaram de forma estranha. Eu tinha a sensação de estar sendo seguida o tempo todo. Meus cabelos da nuca viviam em constante estado de alerta como se eu fosse um gato a espreita do perigo. Disse pra mim mesma que era neurose da minha cabeça devido ao fato que James tinha aparecido mais duas vezes do nada e acabei chamando a polícia quando ele não foi embora em uma delas. Meu pai me ligou na mesma noite, porque teve um sentimento ruim e menti dizendo que estava tudo bem porque enquanto pudesse lidar com isso, não iria envolvê-los.
- Vamos jantar hoje? – perguntei batendo à porta da sala de Jane – Farei lasanha especial da Vovó Swan.
- E isso é pra ser gostoso? – perguntou brincando – Claro que sim. Félix vai direto pra lá depois que sair do trabalho. Me espere em mais meia hora.
- Tudo bem, estou na minha sala. – sorri puxando meu telefone para ligar para Edward enquanto isso. Nossas contas de telefone estavam vindo altíssima, mas não estava me importando, enquanto pudesse pagar. Se ficasse mais alta que meu orçamento, ia mandar a conta diretamente pra ele. Edward tem dinheiro para não se preocupar.
Jane, filha de Aro era a pessoa mais próxima de uma amiga que eu tinha ali em Nova Iorque. Ela e seu marido, Félix, eram meus companheiros. Fomos ao cinema juntos e jantamos algumas vezes. Eles eram muito legais e recentes na cidade como eu. E amei a ideia de que Félix fosse britânico, eles se conheceram em uma viagem dela até Liverpool, se apaixonaram e ele mudou-se de continente para casar com ela. Inicialmente eles moraram no Canadá, porque ela era correspondente da filial de lá e agora estava fazendo um trabalho temporário aqui. Eu não queria pensar no dia que eles fossem embora...
O medo ainda estava me dominando, no entanto. Edward me perguntava se estava tudo bem. Até mesmo Rosalie em suas breves ligações durante a semana. Eu era uma péssima mentirosa, gaguejava e tudo. Podia só ser meu pânico de estar vivendo completamente sozinha em uma cidade enorme, longe dos meus amores. Só de pensar nisso, entrava em um colapso de lágrimas. Minha depressão chegou ao ponto de atacar potes de sorvete Ben & Jerry, comia quase dois por noite assistindo um filme romântico depressivo e chorando. E depois dormia como uma princesa, porque sono não estava me faltando.
Toda essa confusão me levou a um enjoo insuportável e matinal que só depois que a minha menstruação atrasou que comecei a ficar gelada e em pânico. Enrolei dias considerando a possibilidade. Podia ser tudo e podia ser unicamente uma coisa que só de pensar que estava realizando, meus olhos se enchiam de lágrimas. Quando as corridas ao banheiro de manhã começaram a ficar preocupantes, fui trabalhar decidida que não passaria daquele dia. Era só encarar um resultado, que se fosse negativo, iria me levar a uma tristeza enorme.
Na hora do almoço, depois de acalmar um incêndio na casa de Edward e suspirar de saudade, ele percebeu que estava ausente porque minha mente gritava comigo mandando contar minha dúvida. Liguei para Jane, que estava na rua comprando nosso almoço, que trouxesse um teste de gravidez urgente. Ela ficou tão nervosa que esqueceu a comida e voltou correndo para agência com dois pacotes.
- Você não pode jogar uma bomba dessas e esperar que me lembre de trazer comida! – resmungou quando briguei com ela por ter deixado minha comida na rua. Caramba, eu não tinha tomado café da manhã e meu estômago tinha resolvido que iria reclamar por isso.
- E eu estou com fome! – rebati puxando os pacotes da sua mão – E nervosa! Sabe quantos xixis em palitinhos já fiz em toda minha vida? Muitos ! E se esse der negativo, é melhor você ter um pote de sorvete para me ajudar a superar.
- Espera! Vai fazer xixi nisso aí que vou mandar alguém trazer seu almoço. E o seu sorvete.
No banheiro, segui as instruções de olhos fechados, sentindo minhas pernas tremerem. Cinco minutos nunca foram tão longos em toda a minha vida. Quando o relógio apitou, meu mundo parou, ficou em preto e branco e sem som. Só duas fitinhas rosas coloriam e uma carinha com sorriso enfeitavam meu universo. Tinha dado positivo. Escorreguei para o chão, com novas lágrimas lavando meu rosto. Jane entrou no banheiro achando que tinha dado negativo, ficou me consolando com lindas palavras, mas depois de ver que tinha dado positivo e que eu estava chorando e rindo ao mesmo tempo.
- E o que você vai fazer agora?
- Continuar chorando? – perguntei confusa e rindo.
- Com Edward!
- Ah, contar quando ele vier. Se ele souber por telefone vai atravessar o oceano a nado. – respondi ainda bêbada de felicidade.
- E como você vai fazer isso?
- Ele prometeu a Harry que viria, ou seja, em algum momento vai estar aqui. E além do mais, ele é curioso como uma criança. Se eu disser que tenho uma surpresa.
- E se ele não quiser o bebê?
- Eu ficaria preocupada se fosse antes, mas Edward não é assim. Sei que não planejamos, mas ele sabe que isso é muito importante pra mim, que era meu sonho antes de conhecê-lo e além do mais, ele ama ser pai e sei que amaria ser pai novamente. – respondi com completa certeza – Mas eu sei que ele vai brigar comigo sobre outras coisas.
- Bella, você não contou a ele sobre as aparições de James? E nem que sente que está sendo seguida? – balancei a cabeça de forma negativa – Como você quer confiança em um relacionamento se está mentindo sobre algo sério?
- Omitindo. E não briga comigo... Eu estou grávida. – murmurei desviando meu olhar, sem esconder o enorme sorriso.
- Você não tem limites. – Jane revirou os olhos rindo – Vem, vamos alimentar você e esse bebê. Fazer um exame de sangue e marcar uma consulta médica urgente.
- Obrigada Jane.
- Me agradeça quando ficar grávida e você fizer o mesmo por mim.
- Combinado.
Em casa, me peguei dançando com a vassoura e desenterrei todas as roupinhas de bebê e coloquei para lavar. Jesus, eu nem sabia o sexo e quanto tempo estava. Quando Edward me ligou, sendo de madrugada pra ele, eu disse que tinha uma surpresa enorme e Edward virou criança perguntando o que era, tentando adivinhar, inventando ideias e simplesmente implorando. Ele teria um ataque cardíaco quando descobrisse que seria pai novamente, mas, eu não estava me importando muito por dois motivos.
Edward era um coração mole. Ele nunca negaria um filho, mesmo sendo não planejado. E segundo, eu estava grávida de verdade dessa vez e não havia felicidade maior que descobrir isso, era um gostinho completamente diferente. Era novo. Uma sensação de plenitude e alegria que me dava vontade de ter asas e voar. Querendo ou não, teria este bebê sozinha ou acompanhada.
Minha vontade era contar para todo mundo, principalmente depois da consulta médica. Seis semanas! Eu fiz meu bebê até mesmo quando estava tomando remédio. Edward tinha um tiro certeiro, caramba, era para acontecer mesmo. Meu mundo estava florido. Colorido. Mágico e musical. Exceto enjoar de manhã e sentir dor de cabeça, mas toda vez que ouvia a voz de Edward me derretia por ele ter me dado esse presente tão alucinante.
Na quarta-feira de manhã, resolvi que precisava de frutas para comer no café. Liguei para Jane avisando que chegaria atrasada porque passaria no mercado de frutas e depois iria para o trabalho. Na rua, caminhei sentindo minha orelha queimar exatamente quando alguém está falando mal de você e aquela sensação quente na nuca de que estava sendo seguida não me deixou em paz. Cheguei a parar em uma barraca de queijo de cabra para poder ficar olhando ao redor procurando por algo, mas não encontrei nada. Resolvi que poderia comprar meus alimentos e ir embora para casa sem nenhuma parada.
Meu andar estava vazio e silencioso. Já tinha reclamado com o sindico sobre a portaria sempre aberta e o fato de estar sem segurança me incomodava muito. Estava até pesquisando algumas empresas de alarmes de segurança... Edward se sonhasse que dormia com a porta só trancada eu estava com problemas sérios. Ele ia falar tanto na minha cabeça que sou capaz de instalar um alarme sozinha. Entrei em casa depositando as coisas no balcão e vi um vulto. O grito morreu na minha garganta porque uma pancada dolorosa na minha cabeça fez tudo ficar escuro.
- Bella? Bella? – Jane estava me sacodindo, mas só conseguia ver tudo embaçado. Tinha outras vozes – Aqui! No quarto! – gritou para alguém – Bella, me escuta! Acorda! O que aconteceu? A cabeça dela tá sangrando! Faz alguma coisa e rápido, ela está grávida.
- Senhora, afaste-se. Vamos cuidar disso.
Fiquei indo e voltando, ouvindo algumas vozes, algumas coisas incoerentes. Sabia que estava em um hospital e que tinha alguém fazendo minha dor de cabeça passar. Eu estava com sono e sem nenhuma vontade de abrir os olhos sem chorar. Jane estava do meu lado o tempo inteiro, ela estava falando com meus pais e de alguma forma, eles conseguiram um voo para Nova Iorque, só que na classe executiva. Eles queriam mesmo estar aqui comigo e eu só queria o conforto e o calor dos braços dele.
- Me dá o meu celular. – sussurrei para Jane, com as lágrimas escorrendo. Se alguma coisa pior tivesse acontecido comigo... Logo agora com o bebê. – Eu preciso dele aqui. Meu bebê está bem?
- Está tudo bem com você, foi uma pancada forte na cabeça. Eu tive a sensação de ir até lá, porque também me atrasei para sair de casa e pensei que poderíamos chegar juntas, ai chego no seu apartamento, ele estava aberto, com as compras em cima da mesa e você no quarto, deitada e com sangue no rosto! – Jane falou freneticamente andando de um lado ao outro. Ela estava bem vermelha e alterada. – Liguei para seus pais. Você precisa ficar de observação, mas está tudo bem.
- Eu quero Edward. Isso é castigo por mentir para ele. – murmurei fungando e ela me estendeu o celular, deixando que falasse com ele da minha forma. Claro que não pensei que Edward ia pirar. Ele literalmente pirou e começou a gritar comigo, me fazendo chorar mais ainda. Jane pegou o telefone e explicou corretamente o que tinha acontecido, no final das contas, eu estava egoistamente satisfeita por ele estar vindo ficar comigo.
Fechei os olhos deixando-me descansar e fazer a dor diminuir. Em algum momento, acabei dormindo de verdade por efeito dos remédios e só acordei horas depois com meus pais ao meu lado. Eles tinham acabado de chegar e estavam bombardeando os médicos e Jane de perguntas. Ela deu com a língua nos dentes e contou tudo sobre James e as perseguções. Exceto a gravidez... Fingi que estava dormindo novamente porque o olhar que Charlie me deu...
No início da noite, os médicos me liberaram com a condição de repouso absoluto e se a dor de cabeça continuasse, era para retornar. Eu sentia a pressão da pancada, mas não estava latejando como antes. A ansiedade de que Edward chegaria a qualquer momento estava tirando qualquer dor. Minha mãe, conhecendo bem meu apartamento, se ocupou na cozinha enquanto meu pai foi para o aeroporto buscá-los, o que demorou uma eternidade. Não dava mais para ficar na cama e eu queria contar a minha mãe que estava grávida. Jane tinha deixado o maior detalhe de todos de fora e estranhamente os médicos não mencionaram isso ou tinha certeza que eles iriam falar alguma coisa, mesmo que estivessem chateados comigo – ou teriam esquecido a chateação para me paparicar. Assim esperava, pelo menos.
Nunca dava a hora. Minha mãe resolveu começar a brigar comigo. Cara, parecia que eu era uma criança e foi então, que a versão mirim do amor da minha vida invadiu o apartamento gritando meu nome. Era tanta alegria que não podia conter meu desejo de apertá-lo até a vida sumir do seu corpo. Não sabia que ele vinha, pra mim só Edward estaria chegando por conta de todo não tempo de preparo.
- Eu estou tão feliz em te ver... Meu amorzinho. – sussurrei.
A chegada de Edward me deixou tão completa, leve e feliz que queria sair dançando pela casa, chorar de alegria e gritar repetidas vezes que ele seria pai. Rosalie também estava aqui, tinha vindo me ver e ficar comigo. O jantar foi tranquilo, comi pensando que a qualquer momento alguém ia empurrar algumas verdades na minha cara ou começar a fazer perguntas que não estava nenhum pouco a fim de responder.
Harry quis dormir comigo e então consegui convencê-lo a dormir no meu quarto, junto com o pai dele, mas na poltrona confortável. Se eu me sentia super bem ali, ele iria adorar. Depois de conversar bastante e dedurar o pai dele em um monte de coisa que teria que brigar depois, isso se ainda tivesse moral depois de contar tudo nos mínimos detalhes.
Dormir nos braços de Edward era o meu paraíso. Minha paz. Meu conforto. Meu sonho. Acho que nunca dormi tão bem no último mês como esta noite. Levantei antes de todo mundo, para correr para o banheiro e esvaziar meu estômago e também perceber que estava com fome e com vontade de comer ovos fritos com bacon e torradas bem durinhas. Fiz café, chá, espremi umas laranjas, bati morango ao leite de soja para Harry, fritei alguns ovos e bacon, preparei torradas e separei geleias. Quando estava terminando de arrumar a mesa, Rosalie saiu do quarto, parecendo feliz e renovada.
- O que uma boa noite de sono não faz. – provoquei e ela riu bocejando.
- Digo o mesmo para você. – respondeu roubando uns biscoitos do pote – Então, de quanto tempo você está grávida?
- O quê? – gritei e olhei para o corredor para ver se tinha acordado alguém – Como você sabe?
- Não sabia, joguei verde e acabei de colher maduro. – deu os ombros rindo e corei envergonhada – Ah, vem cá! Eu vou ser tia!
- Fala baixo que ninguém sabe. – resmunguei, mas estava sorrindo no seu abraço – E estou com seis semanas. Tenho uma ultra! Não vi foi nada, mas tudo bem.
- Edward vai pirar de felicidade. – sussurrou com um sorriso e depois ficou séria – Como vocês vão fazer? Não dá para criar um filho com o oceano no meio.
- Ei, menos. Preciso pensar em como dar a notícia para o pai, depois você me pira com esse detalhe, tá?
- Podemos sair para comprar roupinhas de bebê?
- Eu já tenho algumas, estão guardadas no fundo do meu armário.
- O que as mocinhas estão cochichando? – Renée entrou na cozinha com Charlie – Bom, café na mesa.
- Estive pensando em fazer o primeiro passeio de turista com Harry... Pelo menos levá-lo ao Central Park. Renée e Charlie, vocês vem comigo? – Rosalie disse, tomando um assento à mesa, ao meu lado.
- Claro, precisamos deixar o apartamento vazio para Edward e Bella conversarem. Ela tem muito que contar a ele e depois, todos nós conversaremos. – Charlie concordou, me lançando um olhar cortante de pai. Encolhi-me no cantinho e fingi que não era comigo.
- Soa perfeito pra mim. – Rosalie concordou balançando a cabeça e me lançando um olhar de pena. Tá gente, eu sei que estou com problemas.
- Bom dia. – Harry entrou na cozinha bocejando – Tentei acordar o papai, mas ele mal se mexeu.
- Não tem problema, seu pai precisa estar bem descansado. – respondi puxando uma cadeira para que ele sentasse ao meu lado – Fiz morango ao leite para você comer com torradas e geleias. Tem ovos e bacon também.
- Eba! A fome me acordou. – respondeu timidamente fazendo Rosalie sorrir.
- Eu imaginei que ela acordaria. – retruquei beijando seu rosto e servindo um copo de batida logo em seguida. – Coma tudo. Você vai sair com sua tia Rosalie e meus pais.
- Conhecer Nova Iorque! Posso comprar um boné "Eu amo Nova Iorque"?
- Pode sim, amanhã vamos ver outra programação legal, ok?
Uma hora depois, todos eles saíram felizes com seus passeios de turista e fui para o quarto verificar meu namorado praticamente morto. Eu sabia que ele devia estar a semana inteira sem dormir direito, mais a viagem e todo estresse.
- Amor, acorda. – resmunguei batendo na sua testa – Estamos sozinhos em casa.
- Não.
- Não quer acordar ou não de estar duvidando que estamos sozinhos?
- Não.
- Tá, vou levar isso como um não de não quero acordar, mas saiba que estarei nua no banheiro, debaixo de uma ducha bem quente... Sabe, eu molhadinha... Amor? Acorda. – bufei irritada com seu ronco – Tá bom. Depois não diga que avisei. – murmurei saindo da cama – E o bebê nem nasceu.
Edward só foi acordar quase duas horas depois. Já estava quase terminando o livro que estava lendo quando o cara de pau abriu os olhos verdes, limpos e abriu um sorriso enorme e sonolento de bom dia. Tão lindo e gostoso se espreguiçando de peito nu e calça de pijama e flanela.
- Resolveu acordar?
- Eu dormi feito um morto, não é?
- Morto me assusta, mas diria que um urso em hibernação é bem páreo. – respondi rindo e me inclinando para beijá-lo – Tem café pronto e nós estamos sozinhos para poder conversar com calma.
- Vou comer rapidinho e volto pra cá. – sorriu levantando da cama rapidamente e pulei da cama nervosa, sem saber o que fazer ou por onde começar. Edward voltou e eu não tinha uma palavra para dizer – Eu começo ou você...
- Senta aí. – pedi e ele obedeceu rapidamente – Bom, eu meio que omiti umas coisas para você e isso pode ter resultado o ataque de ontem.
- Prossiga.
- Uhn... James meio que apareceu umas vezes e uma delas ele me assustou a ponto de chamar a polícia e sinto que estou sendo vigiada ou seguida vinte quatro horas ao dia. – falei rapidamente e ele fez sinal para que parasse – Parei.
- Repete devagar.
Ai merda. Quando ele falava devagar... De repente, senti vontade que ele gritasse.
- James, sabe, meu ex-marido? – perguntei retoricamente evitando o olhar gelado que ele estava me dando – Então, lembra-se do e-mail que mandei para mãe dele dizendo que não tinha mais bebê nenhum daquela história, enfim... Ele voltou achando que poderíamos reatar. Então ele ficou voltando, voltando e voltando até que a sensação de estar sendo seguida foi aumentando. Uma das vezes eu chamei a polícia.
- E por que nesse mundo você não me contou isso? – perguntou lentamente. Ai caramba, grita Edward!
- Eu achei desnecessário... Preocupar você àtoa. – murmurei inutilmente.
- Porra Bella! Me preocupar de forma desnecessária? Você está no caralho de uma cidade enorme, foi assaltada quando voltou a trabalhar, seu ex-marido é doente e está te perseguindo e você simplesmente tem a sensação de que está sendo seguida sem fazer absolutamente nada? Caramba!
Edward conseguiu falar isso tudo sem estar gritando. Era tão mais assustador.
- Amor... Não briga comigo. – resmunguei apelando para o beicinho, mas não deu certo – Olha, eu sei que eu errei, ok.
- Como posso confiar na sua segurança aqui se você não me fala nada? Bella, eu estou em um caso perigoso... Se eu soubesse disso, tinha enviado segurança e guarda costa aqui. – falou irritado, levantando-se – As pessoas sabem que você é minha namorada, fomos vistos no jornal juntos e Charlotte sofreu um atentado, uma tentativa de sequestro no mesmo dia que você foi atacada?
- Eu não sabia disso... – disse atordoada. – Sinto muito. Achei que fosse bobeira. Me mudar pra cá foi tão confuso, tão estranho que achei que fosse minha imaginação e que James não seria um problema.
- Caralho... Só piora. – murmurou irritado.
- Meu bem... Desculpa.
- Não precisa pedir desculpas, apesar de estar errada. – resmungou abraçando-me apertado. – Sinto muito colocá-la em risco.
- Não tem problema se você me perdoar.
- Eu te perdoo só porque você está bem e é um colírio aos meus olhos. – murmurou beijando minha testa e o empurrei para sentar de novo. – Que foi?
- Não acabou. – sussurrei trêmula – Fica aí. Não se mexe. Nem pisca.
- Ah... É a surpresa? Pensei que teríamos sexo de reconciliação!
- Veremos!
No quarto de hóspedes, peguei um dos sapatinhos de crochê branco e coloquei dentro de uma caixa de presente, arranquei uma folha do bloquinho e escrevi "Bebê Swan-Cullen para o papai". Improvisado e sentimental. Voltei para o quarto e coloquei a caixa no seu colo. Ele me olhou confuso, abriu a caixa e abriu a boca completamente sem fala.
- Eu estou grávida.

3 comments :

  1. Estava eu na minha aula de ingles lendo esse capitulo e me forçando a nao dar aqueles sorrisinhos bobos de quando se le uma perfeição, quando o capitulo acaba justo quando ela conta que ta gravida!! Eu quase tenho um infarto lá, e minha fessora quase viu q eu tava mexendo no celular.
    Mas tirando isso o capitulo foi totalmente PERFEITOO
    Ansiosa pra amanha :3

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  2. ai gente que meigo!!!! quando eu tiver gravida eu vou fazer do mesmo jeito!!!

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  3. mas que Porra! vcs tão querendo me matar de ansiedade com esse final ae?! rsrsrsrsrsrsr....(vai tempo passa mais rápido) ansiosíssima pra le o que Edward irá dizer pra Bella! P.S: Tomara que seje uma menina!

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