PARADISE - CAPITULO 5



PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Romance/Drama

Capítulo 5 – Os Olhares.
Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Isabella.
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"Alice! Esse lugar é maravilhoso! Obrigada por esta oportunidade! Amo você!" 

Minha primeira ação ao chegar na minha suíte cobertura no Copacabana Palace foi mandar 
um e-mail muito animado para minha cunhada e sua ideia maravilhosa de me fazer vir para
 cá. Nahuel era um cara com um inglês muito estranho e riso de te fazer rir da cara dele,
 mesmo sendo um doce e pura simpatia com sua assistente Zafrina. Ambos estavam me
 tratando muito bem. Cheguei ao aeroporto de tarde e já tinha gente lá me esperando para
 me trazer de frente ao paraíso. 

Minha primeira noite tinha sido incrível. Conheci os integrantes do meu grupo e
 instantaneamente fiz amizade com a outra mulher, chamada Irina. Loira, alta e com sotaque
canadense tão forte que ela parecia saída de um filme mal produzido. Seu marido Garrett era
 tão bonito quanto, mas ele parecia mais velho e um pouco rústico de barba. Havia Stefan, um
 italiano que achou interessante falar comigo na sua língua, tudo que fiz foi morrer de
 vergonha e sorrir por não entender absolutamente nada. Depois ele falou em inglês e as 
coisas ficaram mais claras, mesmo que minha mente e corpo ainda tivesse superando o
 embaraçado olhar que o pianista havia dado pra mim. 

Para começar ele era um homem lindo, no piano, tocando Yellow – Coldplay, com uma doce e
 melódica voz, parecia veludo e olhando diretamente pra mim. Isso fez minhas pernas parecer
 Maria-Mole na frigideira. Seus olhos eram verdes, dava para perceber a distância, mesmo 
com a baixa luz do bar, tudo porque eles brilhavam como bolas de gudes no sol. E por fim, a
 feliz coincidência era que ele pertencia ao meu grupo de turismo. Seu nome era Edward, era
 um britânico delicioso e galanteador. Não tinha como ficar mais perfeito. 

A primeira noite foi bem relaxante. Dancei e bebi trocando olhares com o misterioso britânico
 que sempre puxava assunto quando me via. Edward era um fofo falando daquele jeito puxado
, tão limpo e calmo. Era quase a reencarnação perfeita dos cavaleiros antigos, mesmo bebendo
 cerveja e olhando para as bundas mal cobertas que passavam pela nossa mesa. Irina me fez
 beber cerveja e comer Onion Rings e não pensar nas calorias. Sempre mantive a rotina de me
 exercitar na academia e malhar porque James tinha o verdadeiro pavor de mulher gorda e 
eu não queria chegar perto disso ou sair do meu peso ideal. Com o tempo fui gostando de me
manter em forma, mas isso não se tornou um vício e virei adepta de comidas integrais e
 outras coisas saudáveis. Academia dava muito trabalho e ocupava meu tempo já muito 
ocupado. 

Minha noite de sono foi tranquila e eu amei que Nahuel fosse um planejador como eu. 
Tinha horário para tudo. Ninguém sabia como era refrescante encontrar alguém com mania
 de horário e atraso. Melhor ainda era não ter que pensar nisso! O mais engraçado no dia 
seguinte foi que eu acordei atrasada para o café da manhã e Edward também, mas ele tinha 
cara de ter dificuldade de sair da cama. Lindo com uma camiseta verde musgo e bermuda
 cargo, mochila pendurada nos ombros e óculos escuros me vi babando internamente. Se ele
 não tivesse dito que era advogado diria que era modelo e logo iria encaminhar para Alice. 
Essa belezinha ganharia rios de dinheiro só com um sorriso. 

O Cristo Redentor foi o monumento mais bizarro que pisei. E olha que já tinha conhecido a 
Estátua da Liberdade. Só a escada para chegar lá no alto me assustou e quando vi que ele
 era enorme ao ponto de dar torcicolo, suspirei maravilhada com a beleza do céu azul e seus
 braços abertos para o mundo. Me senti tão bem vinda! E a vista ao redor era interessante, 
conhecer a cidade do alto com os brasileiros lá falando em português ou um inglês meio 
estranho foi magnífico. Parecia outro mundo! Edward estava tentando me controlar e me 
ajudou a tirar fotos, claro que aproveitei e tirei foto com ele, quando meu filho nascesse iria 
dizer "mamãe viajou e conheceu um cara lindo". James era um homem charmoso, loiro e de 
olhos azuis, beleza comum com um sorriso carismático. Já Edward era ruivo, só que não ruivo
 laranja, era com fios dourados e vermelhos e os olhos verdes mais claros e sinceros que tinha 
visto na vida. 

A praia do Leblon era muito bonita. Foi a primeira vez que fiquei de biquíni na frente de todos
 eles e foi constrangedor. Garrett desviou o olhar em respeito a sua esposa, Stefan assobiou e
 pediu uma voltinha e logo depois Edward ainda olhando feio para o italiano me deixou
 desconcertada. Como de óculos escuros eu sabia que ele estava olhando diretamente para
 minha bunda desde essa manhã antes de entrar no elevador? 

Tive o meu pagamento quando ele estava de sunga preta, mostrando o físico nem tão definido
 assim, porém lindo demais. Principalmente quando foi jogar vôlei e vi seus músculos 
movimentarem e o seu sorriso em diversas formas. Em um dado momento, enquanto 
conversava bobagens com Irina e sentia inveja do seu casamento perfeito lembrando o
 meu fracasso como esposa, ele voltou para passar protetor solar e me ofereci com uma
 maldade adolescente. Tocá-lo só para sentir sua pele sobre minha mão? Claro que sim. Só 
não o deixei fazer o mesmo. 

Edward tinha trinta anos, um "divorciado viúvo", era pai de um garotinho ruivo lindo 
chamado Harry, de seis anos de idade. Bastou meia conversa e ele tinha se tornado meu
 melhor amigo de toda vida e sabia mais sobre meus planos do que qualquer pessoa. Como 
foi fácil me abrir com um estranho que nunca mais veria na vida. Foi reconfortador usá-lo 
como um psicólogo que nunca teria coragem de ir ou abrir a boca. Edward me entendia ou 
pelo menos me ouvia atentamente, sempre prestando atenção no meu olhar, que por sinal
 parecia nunca mentir. Havia algo tão limpo que seus pensamentos sempre piscavam através
 das suas íris. 

Meu primeiro dia no Brasil se resumiu a um alívio mental, muita paisagem, fotos, conversas e
 pele ardente. Tomei banho e passei creme hidrante e liguei meu computador para mandar
 algumas fotos para meus pais e causar inveja. Eles queriam vir também, mas não puderam 
porque preferiram ajudar na minha mudança com Alice. Fui para a varanda observar o sol se
 por e a paz da praia quando o vi, debruçado na sua mureta, olhando pra frente. Peguei minha
 câmera profissional comprada exclusivamente para essa viagem e tirei várias fotos dele até
 que percebeu minha traquinagem e começou a sorrir fazendo pose. 

Meu lado seguro planejador gritou negando quando ele ofereceu companhia pra minha noite
 de vinho e queijo, mas tinha prometido a mim mesma não me frear em nada. Aceitei
 pensando que seria bom conversar mais um pouco e relaxar, ele era uma ótima companhia,
 um bom amigo e companheiro que só encontrava em Jasper. A distância tinha nos afastado,
 mesmo que meu amor por ele fosse inabalável. Edward era um cara não planejador,
 esquecido e cheio de manias que eu acho que enlouqueceria qualquer santa. Mesmo
 parecendo ser um advogado de sucesso, era uma lesma com sua memória. O filho dele devia
 sofrer. 

Nós dividimos uma garrafa tentando articular planos para que eu fosse menos organizada e
 ele mais planejador. Foi tão divertido e relaxante que sei que a ultima coisa que lembro foi
 bocejar e fechar os olhos. 

Acordei assustada e sentei na cama percebendo que estava de roupa e bem coberta. Edward 
estava dormindo com um lençol no sofá do outro lado do quarto e esse era o seu quarto. 

- Bom dia. – disse quando ele virou e abriu os olhos – Desculpe, eu dormi. – sussurrei 
envergonhada e ele abriu um sorriso sonolento sentando no sofá. 

- Eu fiquei na dúvida se te acordava ou te levava para o quarto, mas pensei que não tinha
 seu cartão chave e não iria mexer em você para procurar. Então te coloquei na cama, fiz 
mais nada, eu juro. 

Eu ri bem alto, chegando a bater palmas pelo seu jeito engraçado e desengonçado de me
 provar um ponto. 

- Está tudo bem... Eu é que devo ficar sem jeito. Dormi na sua cama. 

- Sem problemas... O sofá é confortável. 

Levantei da sua cama e sai do seu quarto morrendo de vergonha e agindo como uma
 criminosa para ninguém me ver no corredor. Nós combinamos de nos encontrar para tomar 
café e ir para a piscina do hotel já que tínhamos o dia livre até a parte da tarde aonde Nahuel
 iria nos levar para sair. Conhecer a noite do Rio de Janeiro na Lapa e depois ir a uma escola 
de samba. Estava muito curiosa para saber como era uma mesmo que não fosse muito fã do 
barulho que elas podiam fazer. 

Escolhi o biquíni vermelho. Alice tinha comprado alguns biquínis quando eu mostrei minhas
 escolhas a ela e bom, as dela me pareciam mais atraentes que as minhas. James não gostava 
que eu usasse biquíni pequeno na rua, somente em casa e para ele. Estava percebendo que 
seria um trabalho árduo me desvencilhar de todas minhas manias de casada e lembrar que 
era uma mulher desimpedida novamente. Esse termo ainda me incomodava. Estar sem 
aliança me fazia sentir nua. Tudo era um pouco estranho e quase indigesto. Não me casei
 para separar, mas sem sombra de duvidas nasci para ser mãe. Sempre há algo na vida que
 devemos sacrificar e dessa vez foi o meu casamento. 

Antes de sair, liguei meu computador para dar uma conferida nos e-mails. 

"Isabella, saia da internet e aproveite o sol! Com amor, Alice. Obs: Quem é o pedaço de 
homem quente com você nas fotos que sua mãe me encaminhou? Sim, nós estamos 
apaixonadas!" 

... 

"Alice, mais um dia começa aqui e espero que esteja tudo bem na mudança. Você não 
mencionou nada... Está tudo bem? Não me faça surtar. O pedaço de homem quente tem 
nome, chama-se Edward, 30 anos, pai solteiro e britânico. Ah, ele toca piano como um 
príncipe! Provavelmente é a pessoa mais incrível que conheci na vida... Ele é diferente de 
muitas formas. Conte-me sobre meu novo apartamento, mande-me fotos!" 

... 

Edward e eu dividimos a mesa com Irina e Garrett no café da manhã, mas eles iriam a praia.
 Não tinha sinal de Stefan e Nahuel disse que ele estava nas aulas de Surf desde o primeiro
 dia porque queria aprender a se equilibrar na prancha a todo custo. A piscina era segura pra
 mim. Minha mãe sempre me disse que mar não tem cabelo e que só morre afogado quem
 sabe nadar. Jasper vivia pregando peças em mim quando criança e por isso não entrava na 
água sozinha nem por um decreto. Eu sei nadar porque fiz natação, mas nunca me aventurei 
em nada. Sair da minha zona de conforto podendo me machucar era algo que nunca ousaria. 

- O que você está pensando? – Edward perguntou enquanto eu passava protetor solar no 
rosto. 

- Está dizendo que eu falo demais? 

- Não... Perguntei o que estava pensando, jamais mencionei que você fala demais. –
 defendeu-se com facilidade. Essa perfeição inglesa de fala mansa. Não é a toa que é 
advogado, ele pensa bem antes de falar. 

- Em nada específico. E você? 

- Que não vou aguentar ficar muito tempo no sol. – disse rindo, olhando para o alto e quis 
que ele estivesse sem óculos escuros para poder ver seus olhos. 

- Tem razão, hoje parece mais quente que ontem. 

- Ainda mais que iremos sair a noite, não quero estar ardendo e não aproveitar nada. 

- Você nunca veio ao Brasil antes? – perguntei acenando levemente para o garçom e pedi 
dois sucos de Abacaxi com Hortelã. 

- Não sou fã de voar, Isabella. Se eu puder viajar de carro ou trem, é melhor pra mim. – 
respondeu deitando e me perdi um pouco nas suas coxas torneadas e sunga azul clara tão...
 Bonita. 

- Avião é um dos transportes mais seguros do mundo. – murmurei desviando o olhar, 
sentindo meu rosto pegar fogo. Eu era uma bobona querendo paquerar um cara que mal
 tinha conhecido. 

- E um dos mais fatais. São raros os acidentes que todos sobrevivem, quando acontece 
sempre é uma tragédia. – argumentou passando a mão no cabelo e reparei nos seus dedos
 longos de pianista. Sua mão era bastante delicada, eu podia imaginá-la macia contra minha
 pele. Opa! Espere aí Isabella, menos. 

- Credo. Quantas viagens você já fez? 

- De avião? Essa é a segunda. A primeira foi aos doze anos de idade quando sofri uma
 turbulência voltando de férias com meus pais. 

- Nem na sua lua-de-mel? 

- Trem Londres-Paris. 

- Nossa! Estou admirada você ter tido coragem de vir de Londres para o Brasil. Por que não
 um navio? 

- Iria demorar muito, mas não é uma má ideia. Só não pensei nisso porque a minha irmã
 praticamente me colocou dentro do avião. 

- Não tenho problema com aviões e desde a nossa conversa ontem com Stefan estou 
pensando em esticar mais uns dias e ir para Itália. Vou conversar com Nahuel e ver se posso 
utilizar os serviços da agência por lá. 

- Itália. Posso conhecer um dia... Mas preciso voltar para o meu Harry. Não sei se aguento
 mais que dez dias longe dele se hoje, no terceiro dia já estou morrendo de saudades. – disse
 pensativo e depois abriu um sorriso melancólico – Estou pensando em ligar, só minha irmã 
responde meus e-mails. 

- Deve ser uma delícia ter alguém assim para amar a vida inteira, sem ter absolutamente 
nada em troca. – suspirei fechando os olhos. 

- É aí que você se engana... Acordar e ver aquele garotinho sorrir pra mim ou fazer uma
 birra me faz amá-lo ainda mais... Uma parte de mim e ao mesmo tão independente. 

- É um sonho... 

- Que você vai realizar. Eu sei que vai. – disse-me apertando minha mão levemente e
 entrelacei nossos dedos tão feliz por ele ser mais uma pessoa me apoiando. 

Quase no fim da tarde, depois de um dia inteiro jogando conversa fora com Irina e Garrett, 
Edward me convenceu a um mergulho no mar. As ondas pareciam maiores que mais cedo e 
ele estava me enchendo muito o saco para entrar na água. Seus argumentos eram de um 
garotinho de seis anos e o beicinho era coisa mais fofa do mundo e por isso disse sim, mas 
agora, estava com medo e a água parecia gelada demais para o meu calor inexistente. 

- Sobe. – disse apontando para suas costas e sem pensar duas vezes pulei e me apoiei 
entrando no mar. – Preparada? Não fica com medo. Não vou deixar nada acontecer com
 você. – disse uma onda estourou na nossa frente, escondi meu rosto no seu ombro e cravei 
minhas unhas no seu braço. Ele riu e apertou minhas coxas levemente. Sua mão na minha 
perna me fez querer mais carinho e cara, mesmo com um cheirinho de protetor solar, ele 
ainda era cheiroso e tão... Mordível. 

- Eu tenho medo! – gritei para outra onda que estourou no seu peito e apertei minhas 
pernas na sua cintura – Não me solta! 

- Nunca! Vai passar... Olha só... Chegamos a tranquilidade. – disse e estávamos após a
 rebentação das ondas. Tinha algumas pessoas no mar, a maior parte casais e onde a água
 estava batendo era fundo. 

- Edward eu não vou te soltar. – disse firme olhando para o mar tentando medir sua
 profundidade. 

- Tudo bem. Prenda a respiração. – disse e afundou, inclinando o corpo para um mergulho de
 verdade, comigo agarrada nas suas costas. Quando submergimos eu gritei e bati no seu 
ombro – Eu disse que ia mergulhar e ainda avisei que era para prender a respiração. 

- Até que foi divertido. 

- Você quase me sufocou. 

- O problema não é meu. – retruquei e ele nos virou em direção ao sol se pondo e inclinou a
 cabeça para trás. Passei minha mão molhada para tirar seu cabelo da testa e olhei para o 
horizonte – Isso é lindo demais. 

- É tudo perfeito. 

- É um paraíso... Meu paraíso. – murmurei perdida nas cores amarelas, laranjas e vermelhas 
que chocavam com a imensidão azul no infinito. 

- Nosso paraíso. 

Nossos olhares se trocaram e trancaram. Tão lindos e limpos, a sua imensidão verde me 
impulsionou para frente, fazendo-me tocar seus lábios levemente. Edward soltou meus 
braços e me virou no corpo tão rápido que mal deu tempo de ofegar e me dar conta que 
estava agora pendurada no seu colo, de frente, com suas mãos na minha bunda e os lábios 
chocados contra os meus. Seu beijo, doce, cálido, quente e desesperado encheu meu corpo 
de energia. Todas as minhas terminações nervosas gritaram e meu interior aplaudiu em
 excitação. 

Seus lábios eram macios, doces e firmes. Fiquei sem ar só de me imaginar beijando-o no 
mar, no meio daquela cena maravilhosa. 

- Agora... Isso sim é o paraíso. – disse beijando meu pescoço e me arrepiei por completo.
 Agradeci por meu sutiã do biquíni ser de bojo ou estaria com um bom motivo para corar. 

- Eu não posso discordar. – resmunguei sentindo a súbita necessidade de beijá-lo novamente. 

E esperava beijar muito mais. 


2 comments :

  1. :O! o primeiro beijo deles!!!uhhh que quente e lindo!!!

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  2. Essa história é uma das melhores no blog! Estou lendo pela QUINTA VEZ ! Amo essa fic!

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