PARADISE - CAPITULO 26




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Capítulo 26 – Desorganizado Nato.
Londres, Inglaterra.
Edward.
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- Filho, vai escovar os dentes, por favor. – pedi retirando seu prato da mesa – Emmett abaixa o volume da televisão! – reclamei com meu cunhado que estava acampado na minha casa porque minha irmã tinha expulsando-o de casa a fim de conseguir arrumar sua mudança sem ele perturbando do lado. – Será que Rosalie conseguiu falar com o dono daquela casa vizinha?
- Seria ótimo sermos vizinhos... Bella com bebê pequeno e Rosalie grávida, ia ser bom.
- Bella se muda no máximo em um mês, o chefe dela conseguiu fazer com que trabalhe em casa durante a gestação e depois ele tem outros planos de mantê-la na posição de direção de arte. – respondi sentando-se ao seu lado.
- Você falou com ela da casa? – Emmett perguntou abaixando o volume da televisão.
- Não. Ela ficou muito ansiosa com essa mudança, fez uma lista de mais de mil itens e ainda por cima descreveu, detalhou tudo que precisa saber e fazer nos próximos dias. – respondi e olhei para o relógio – Harry, hora de dormir! – gritei ouvindo o barulho da sua televisão diminuir – Ele não quer mais que o faça dormir até Bella chegar.
- Sério? Esse garoto tem uma veia revolucionária.
- É teimoso, isso sim.
Emmett e eu conseguimos assistir um filme antes de dormir. Minha cama, meu quarto, tudo continuava muito vazio e estranho sabendo que tenho um relacionamento sério e seria pai em poucos meses. A necessidade dela no meu dia-a-dia era além de ter uma mulher em casa e sim de uma companheira, melhor amiga, que possa me ouvir ou apenas me abraçar quando estou estressado.
De manhã cedo Emmett me deixou sair dizendo que cuidaria de Harry, se não estivesse com o dia tão apertado, recusaria, porque ele só ensinava besteira para meu filho. Um dia sozinho com meu cunhado era perder uma vida inteira de educação. Mandei uma mensagem para minha namorada, desejando um bom dia e que a amava muito. Bella andava sensível pela gravidez, qualquer coisa a deixava muito feliz ou muito triste. Apesar de que, a gravidez toda era pura felicidade, tudo que via era fofo e do jeito que estava gastando, sua mudança só ia ter coisa para o bebê.
Eu estava ansioso para ver o sexo, queria poder escolher os nomes e até mesmo preparar o quarto. Tinha certeza que Bella ia se divertir tanto montando e escolhendo cada detalhe que queria participar disso. A gravidez de Ângela foi tranquila, mas completamente sem ânimo, ela gostou de saber que estava grávida, mas ficou mal humorada e um pouco relaxada consigo mesma. Não que fosse certo comparar, porém, Bella era muito mais cuidadosa e apaixonada. Cada segundo da sua gestação era meticulosamente registrado, anotado e motivo de festa.
Eu estava ansioso para ver a transformação do seu corpo, ela estava linda, já aparentava uma diferença nos seios e no rosto. Seus olhos sempre em constante brilho e um sorriso em tudo. Toda noite, nossas conversas pela webcam, ela estava animada e esperançosa. Era o seu sonho. Sonho este, que eu realizei. Eu era o pai desse bebê tão planejado pela cabeça da mãe louca.
Meu trabalho estava cada vez mais sugando meu tempo. A oposição pediu um resumo completo de todos os gastos do escritório e pessoais dos advogados envolvidos. Conversei com o primeiro ministro e soube que se comprasse a casa dentro de uma renda comprovada antes de começar o caso, não teria problema nenhum. O que foi muito bom.
- Sr. Cullen, sua irmã na linha um. – Jéssica anunciou pelo telefone.
- Oi Rose. Bom dia, minha linda irmã loira.
- Estamos muito bem animados, não estamos? – perguntou brincando sabendo que estava provocando-a um pouco – Consegui falar com o dono, ele está disposto a vender e por isso, tenho os contatos dele. Ainda está interessado?
- Sim. A casa é do mesmo formato que a sua, não é? Bella gostou muito.
- Sim, exatamente igual.
- Perfeito. Vou entrar em contato com ele. Obrigada, irmã.
- E você está cuidando do meu marido?
- Ele está estragando meu filho, pelo amor de Deus.
- Emmett é um brincalhão, tenha paciência com ele. Vejo você no jantar, eu te amo, até mais tarde.
Imediatamente parei o que estava fazendo no trabalho e liguei para o dono da casa, que me passou para um corretor e assim começamos o processo de compra. No meu horário de almoço peguei o carro e fui até a casa. Precisava de uma nova pintura, tinha algumas infiltrações e precisava trocar as portas porque tinha muito tempo que estava fechada. O quintal de trás era grande, com um bom gramado, na frente era fechado, direto para rua, mas como a rua era fechada e tinha poucas casas ali, o acesso seria de morador.
Quatro quartos, três com banheiros, um escritório com estante embutida para livros, três andares, sendo o último, um sótão; sala, cozinha, sala de jantar, banheiro de visitas, dispensa, quarto de empregada e garagem para três carros. Tirei fotos e enviei para Bella, que achou que fosse a casa que Rosalie comprou, mas logo se tocou que era outra e me ligou gritando desesperadamente.
- A casa é linda, amor. Eu amei! Podemos pintar a parede da sala...
- Baby, calma! Vamos com calma.
- Ok. Compra a casa. – disse ofegante – Ah, quanto custa?
- Você não vai saber até que tenha efetuado a compra, eu te amo, vai pensando nas cores, alugue Alice ou Rosalie para te ajudar nisso e depois nos falamos. Beijos.
- Edward!
Desliguei.
- Vou comprar. – disse ao corretor e ele assentiu com um sorriso enorme.
Voltei para o trabalho encontrando o verdadeiro caos, telefone tocando, estagiários de um lado ao outro e claro que era o caso da BBC me esperando chegar para pipocar e acabar com a paz do meu dia. Cada dia estávamos próximos de desvendar a teia de aranha que envolvia os fundadores da companhia de televisão. O governo queria saber quem era o culpado para que pudéssemos punir antes da oposição ter essa informação. Era um risco grande, mas nós íamos conseguir.
- Peter, preciso acertar todos os detalhes da compra da minha casa. – disse batendo na sua porta e Charlotte estava lá – Oi Char, preciso mesmo da sua ajuda.
- O que foi?
- Comprei uma casa, precisa de reforma, você ainda tem o telefone daquela equipe que fez a reforma da sua casa?
- Tenho sim. Qual casa? Onde?
Expliquei para os dois curiosos de plantão o que era e o que precisava. Liguei para Alice, mas Bella já tinha falado com ela e assim que tivesse a chave da casa em mãos era para passar para o seu comando. Charlotte e Alice ficaram com a responsabilidade de resolverem isso com minha exigente namorada para cuidar da reforma e a decoração inicial. Meu trabalho era começar a empacotar tudo.
Harry estava ansioso para me mostrar algo, assim que pisei em casa, ele estava com todas as suas roupas emboladas dentro da mala alegando estar pronto para se mudar. Achei engraçado que ele se lembrou de colocar a comida do peixe.
- Filho, não é tão simples assim. Vamos começar com o cômodo da casa que não acessamos muito. – expliquei bagunçando seu cabelo – Seu tio comprou comida. Vamos jantar e podemos fazer isso depois, ok?
- Se a gente não arrumar tudo, mamãe não vai chegar logo.
Sua lógica infantil e ansiosa tinha um pouco de razão.
- Mamãe vai chegar com ou sem nossas coisas empacotadas, eu prometo.
- Acho bom.
Garoto abusado.
- O que você comprou, imprestável? – passei batendo na nuca de Emmett – Espaguete e lasanha? Certo, pelo menos tem bom gosto.
- Ah, cala sua boca. – resmungou colocando os pratos na mesa – Da próxima vez você cozinha.
- Na próxima, jantamos na casa dos meus pais. – retruquei rindo – Cadê sua esposa? Ela disse que vinha jantar aqui.
- Está chegando, disse que ia parar e comprar algo para beber porque sua geladeira está completamente vazia.
- A dispensa também. – Harry disse sentando no seu lugar.
- Estou sem tempo de ir ao mercado.
- Me deixa contar para Bella que você está dando comidas rápidas ou industrializadas para Harry. – Emmett ameaçou fazendo Harry sorrir.
- Cala a boca, se ninguém contar, ela não vai descobrir.
- Vai me pagar quanto para não contar? – Rosalie entrou na cozinha com duas sacolas – Vinho e suco para o mocinho. – estabeleceu as coisas na mesa – Francamente, Edward! Você está muito relaxado! Vou deixar Harry com a mamãe enquanto você se ajeita. Não é possível!
- Eu não matei e nem vou matar meu filho de fome. Ele tem comido bem, estou me virando, ok? – resmunguei emburrado e sai para cozinha indo buscar taças e um copo – Além do mais, minha adorável namorada logo se muda e vocês não irão estressá-la.
- Realmente não iremos. Essa tarefa é sua e é devido a sua desorganização que a Bella pira. – Rosalie retrucou para continuar me irritando – Vamos comer antes que meu maninho me dê um fora.
- Ainda bem que sabe.
- Ih, crianças! – Emmett rugiu com um tom de voz forte que fez a sala de jantar ficar em silêncio – Sem brigas! – disse sério, todo paternal.
- Nossa, amor! Fiquei excitada! – Rosalie brincou caindo na gargalhada.
- Meu Deus, vamos comer.
- Pai, o que é ficar excitada? – Harry perguntou me fazendo engasgar com o vinho e Rosalie pulverizar o mesmo. – Que foi?
- Você vai descobrir em alguns anos. – Emmett respondeu segurando a risada.
Minha semana foi uma loucura sem limites. O jornalista maldito estava tentando arduamente uma entrevista com qualquer funcionário do escritório, alegando ter uma fonte próxima que me deixava completamente puto e louco de raiva com algumas matérias sensacionalistas. O nome dele era Joakim Tufte. Norueguês, na certa. Não conhecia o trabalho dele e nunca tinha ouvido falar. Peter apostava que era um codinome, mas pouco importava diante da chatice dele.
- Edward? Posso entrar? – Charlotte bateu à porta do escritório – Posso pegar meu afilhado na escola e levá-lo para jantar? Estou precisando de um momento com ele. Comprar umas besteiras e estragá-lo um pouco.
- Sinta-se à vontade, agora, tudo que fizer para estragá-lo, tem uma grávida muito brava que pode brigar com você. – respondi rindo suavemente.
- Ela brigou muito com você ontem? Sinto muito, não sabia que ela não sabia que você tinha esquecido de comprar as tintas. – encolheu os ombros me lançando um olhar de pena.
- Falou muito na minha cabeça, obrigado por isso. – respondi resmungando – Bella quando quer brigar comigo ela não quer saber se estou no meio de uma reunião ou com um cliente. E aí de mim se disser que preciso desligar.
- Ela te tem na palma da mão, só não atrase mais nada da casa, ok?
- Sim senhora.
Era tanta mulher mandando em mim que me deu vontade de rir quando minha mãe mandou uma mensagem autoritária avisando que ia deixar comida pronta pra mim no forno. Bella sempre me ligava na hora do meu almoço, mas hoje, justamente hoje, que tinha uma consulta no médico. Sua gravidez já estava no fim do primeiro trimestre, todos os riscos de um aborto espontâneo diminuiriam e aquela parte chata de enjoo e dor de cabeça que ela quase não reclamava iria passar, mas, sempre ficava preocupado. Sempre mesmo. Com a nossa diferença de fuso horário, tinha que esperar muito para ter notícias, mas mantinha um controle sobre o que estava fazendo através dos seguranças.
Sua demora a me atender era porque estava em um salão de beleza fazendo as unhas e os cabelos, depois não podia mexer na bolsa e foi direto para a consulta e de lá, saiu para comer com Jane e então, pegou no celular para me ligar e contar tudo nos mínimos detalhes. Tirou foto da ultrassom e mandou. Nosso bebê.
- Não quero descobrir o sexo sem você. Alice já encontrou uma ginecologista e obstetra pra mim aí, conversou com ela e topou em fazer meu pré-natal com os exames que enviei por e-mail. – disse tranquilamente – Eu já enviei o formulário para o consulado. Você foi ver pra mim?
- Baby, eu fui abusado o suficiente para pedir um favor para o Primeiro Ministro. Mike, o marido de Jéssica, trabalha com isso. Ele vai me ligar assim que seu formulário chegar e vamos agilizar seus documentos. Vai estar no prazo.
- Ok, não vou me preocupar com isso. Tenho que apresentar uma campanha agora, nós amamos você, até mais tarde. Diga a Charlotte para não estragar meu menino.
- Eu também amo vocês, boa apresentação e não posso prometer nada, ela é uma madrinha dedicada. – respondi encerrando nossa ligação.
- Jéss, cadê o telefone do seu marido que anotei aqui em algum lugar? – perguntei alto para que pudesse ouvir da sua mesa – Não encontro em lugar nenhum.
- É por isso que eu existo. – brincou entrando na sala com um post-it e colou na minha testa – Estou indo levar uns documentos no fórum, volto daqui a pouco. Vai querer algo?
- Chá.
- Ok. Até mais.
Trabalhar estava me deixando louco e quase sem vida. Além dos clientes fixos e casos ocasionais, o escritório crescia muito e visivelmente. Nós já tínhamos um nome na cidade, agora, era no país. Isso era muito bom, uma excelente repercussão. Uma revista de comportamento, conhecida mundialmente, queria uma entrevista com os donos, Peter achava que seria boa coisa, e eu também, mas queria esperar Bella chegar para ver se concordaria participar, abrir nosso relacionamento de uma vez por todas. Nós íamos aparecer como pais, contar nossa história e mostrar que apesar de estar defendendo o governo, a verdade era o que mais nos importava e queríamos. E que somos gente de bem.
- Pai! Você acha que estou gatão?
- Você sempre é gatão, filho. Você é a minha cara!
- Nossa, Edward! Sua modéstia me impressiona! – Rosalie debochou fazendo todos rirem.
Harry estava fazendo um desfile com as roupas que a madrinha dele comprou e eu tinha quase certeza que tinha dedos e pés da minha adorável Isabella nisso. Ela com certeza pediu a Char que desse uma olhadas nas roupas dele e nas minhas, porque também ganhei camisetas novas, calças, sapatos e tudo no número certinho. Não era como se eu andasse extremamente largado. Minhas roupas precisavam ser passadas e minha casa de limpeza, mas, ainda conseguia cuidar de mim mesmo.
Em casa, terminei de empacotar toda biblioteca, escrevi cada item que tinha em cada caixa e fui para os brinquedos que Harry quase não usava mais. Separei alguns para doação e os outros guardei. Comecei a desmontar o quarto de hóspede, deixando o colchão em pé e as partes da cama encostadas no canto, guardei nas caixas os abajur, desmontei móveis de cabeceira e tudo que tinha dentro dele. Pronto.
Só faltava o resto da casa. Harry estava ansioso para desmontar seu quarto, ele até poderia dormir comigo nesse meio tempo, mas não tinha ideia de quando a casa ficaria pronta e se Bella chegaria antes disso. De qualquer forma, tinha planos de em algumas semanas estar me mudando. E ainda tinha que colocar esta casa à venda ou alugar, tinha que pensar neste detalhe. Meu menino adormecido, falou o nome de Bella algumas vezes e abriu alguns sorrisos bonitos. Em breve, filho, em breve estaremos todos juntos.
Nós dois tínhamos um pouco de saudade. Ou talvez toda saudade do mundo. Deitei um pouco mais tarde que o normal tentando lembrar no painel de atividades se era amanhã o médico de Harry ou depois. Fiz uma nota mental de acordar cedo, mas fui acordado pela minha mãe que chegou para buscar meu filho sabendo que iria esquecer que ele tinha pediatra ou que acordaria tarde demais para poder levá-lo a tempo. Não tive coragem de agradecer porque ela começou a brigar comigo como se eu tivesse a idade do meu filho.
Harry amou assistir que alguém ainda podia me dar bronca. Ele manteve um sorriso divertido e um olhar entretido no rosto até me dar tchau com um beijo. Minha mãe ainda abriu a geladeira e ainda descobriu que mal tinha leite. Reclamou que tinha de parar para comer alguma coisa no caminho. Faltou me colocar sobre os joelhos e dar palmadas. Agora, minha única desculpa era que estava de mudança e com muito trabalho.
Ela não engoliu, claro. E então, ligou para Bella.
- Sem comida em casa? – Bella me ligou dois minutos depois – O que você tem comido? O que tem dado para Harry comer? Meu amor, eu não posso acreditar nisso!
Gemi e caí de costas na cama novamente.
- Sabe o que é mais injusto? Você me controla o tempo todo. Até sabe o que comi ou deixei de comer. – murmurou com a voz fina, mostrando que está irritada - Você pensa que me engana, mas eu não sou surda em ouvir os seguranças dizendo o que fiz e isso é quando estou perto, imagine quando não estou? Poxa, eu só te pedi para se cuidar... E tudo que faz é ser negligente consigo mesmo e com o nosso menino. – sussurrou furiosa.
- Baby...
- Resolva isso, Edward Cullen.
- Bella, eu não estou deixando meu filho passar fome, me ofende pensar algo do tipo. – respondi irritado.
- Não estou dizendo isso, mas você é negligente sim, desorganizado e não cuida de si mesmo. Você fez a barba hoje?
- Fiz. Eu cuido de mim.
- Eu realmente espero que sim. – rebateu não cedendo nem por um segundo – Eu te amo, falo com você mais tarde, estou muito atrasada.
- Eu também te amo. – murmurei chateado.
Comecei a empacotar toda sala, guardando porta retratos, abajures, desmontando mesinhas, limpando alguns itens de decoração e enrolando com jornal. Precisava de mais caixas. Fui em um depósito, rapidamente terminei meu serviço de mudança do dia e fui me arrumar para trabalhar algumas horas atrasado. No meio do caminho comprei um hambúrguer com batatas fritas e milk-shake de morango. Bella ia terminar de me matar se visse minha alimentação do dia, mas comer bem exige tempo, este mesmo que não tenho.
Assim que pisei na empresa, meu celular tocou novamente e era Bella.
- Ai amor, desculpa, eu liguei de manhã cedo só para brigar com você. – disse baixinho choramingando – Desculpa.
- Está tudo bem, meu anjo.
- Não... Não está. Sinto muito, a gente está longe, estou ansiosa, triste, nervosa com tudo... Com um pouco de medo. – murmurou chorando e começou a fungar – Eu quero tanto largar tudo e me mudar agora.
- Baby, eu prometo, duas semanas passam rápido e então, você estará aqui.
- Eu não aguento! Eu e o bebê precisamos de você. – disse e provavelmente estava fazendo um beicinho lindo.
- Amor, não me faça pegar um avião agora.
- Vem... Por favor. Estou manhosa e carente, precisando de você. – sussurrou com a voz toda trêmula de choro.
- Bella... Por que faz isso comigo?
- Estou sendo injusta, eu sei. Só quero fazer manha.
- Você faz isso com perfeição, não precisa treinar.
- Amor eu também preciso de sexo, ultimamente tenho sentido falta, sabia?
- É mesmo? Eu também sinto. É normal, principalmente para nós dois, que sempre tivemos um contato sexual intenso.
- Sério. Isso é engraçado, sinto uma vontade normal, mas com um pouco mais de desejo. – respondeu rindo suavemente – Eu te amo, estou contando os dias.
- Eu também te amo, muito. Estou ansioso para vir de uma vez e ser só minha. – disse encerrando nossa ligação, mas sabia que em algum momento do dia iriamos nos falar novamente.
Harry estava bem, sua consulta médica foi tudo bem, estava no peso e na altura correta para idade. Era apenas um encontro de check-up semestral que ele tinha com seu pediatra. Peter e eu nos reunimos para liberar o pagamento dos funcionários, fazer o balanço do financeiro e discutir o relatório de gastos que a contabilidade havia enviado com alguns detalhes. Não queríamos contratar nenhum estagiário enquanto estivéssemos com o caso da BBC. Todos os 10 que tínhamos eram de confiança, assim como os outros 2 advogados juniores.
Eu estava cansando antes mesmo de encerrar o expediente. Comecei a guardar as roupas de Harry em casa, ele me ajudou depois de cuidar dos seus peixes. Nós jantamos uma salada verde com frango porque foi o que o restaurante entregou mais rápido. Guardamos os brinquedos que ele disse que poderia deixar para depois para brincar e as roupas mais pesadas. Estava espirrando muito, podia ser poeira ou sei lá, mas não parava de lacrimejar e espirrar. Guardei todas as minhas roupas de inverno e pensei que talvez a cozinha fosse o melhor lugar para continuar guardando tudo, mas ficaria para o dia seguinte porque estava muito cansado.
Bella e eu conversamos só um pouquinho via Skype. Na vez do Harry, acabei adormecendo e só acordei no dia seguinte, me sentindo bem mal, com um resfriado que não era alergia. Meu corpo inteiro parecia pesado, dolorido, sabia que tinha um pouco de febre. Percebi que não estava bem para dirigir, por isso, arrumei meu filho para escola, preparei seu lanche e fui para sua escola de táxi. Voltei para casa direto para cama. Não ia trabalhar nem que implorassem. Não tinha condições.
Um pouco mais tarde, recebi a ligação de Mike falando que os documentos de Bella estavam prontos, que ela já podia morar legalmente em Londres. Foi uma grande boa notícia para meu estado. De repente, Rosalie estava na minha casa. Não sei como ela simplesmente adivinhou que estava mal e veio ficar comigo, fez sopa, me deu um remédio e milagrosamente me deixou dormindo na maior paz.
- Soube que alguém está dodói? – Bella disse quando puxei a extensão do quarto quando Rosalie avisou que tinha ligação pra mim.
- Já te ligaram para dedurar?
- Não. Sem brigar comigo. – disse rindo suavemente – Ontem você já estava meio doente, sua aparência denunciava e acabei de ligar para o escritório te procurando e você não estava lá.
- Sem condições. Rose me deu um remédio, me sinto melhor um pouquinho, mas ainda na categoria de uma merda.
- Ah... Então, tenho uma notícia que vai te deixar muito feliz!
- É mesmo?
- Já dá pra ver que tenho uma barriguinha durinha aqui. Eu pensei que estar perto dos quatro meses faria minha barriga crescer mais, porém, se usar uma blusa bem justa dá pra saber que estou grávida. – disse e pude imaginar o maior sorriso do mundo.
- Quero uma foto. Uma não, várias. Quero ver você de corpo inteiro, saber como está. – disse animado, tentando imaginar por completo – Tenho uma novidade também.
- E qual é?
- Você já pode se mudar pra cá.
Bella deu um grito que fez meus tímpanos estourarem.
- Quando você pode fazer isso?
- Malas prontas, móveis vendidos, apartamento faltando entregar. Duas apresentações... Acho que domingo. – disse ofegante – Viu bebê, mamãe disse que faltava pouco tempo!
- Coloca o telefone perto da sua barriga. – pedi e ouvi de longe dizer que estava feito – Oi amor do papai, vou conversar muito com você domingo, cuida da mamãe ok? Agora nós seremos uma família. Seu irmão está muito ansioso, assim como eu. Te amo.
- Awnn amor, não me faça chorar. – disse sussurrando. – Vou ligar para Jane e comprar minha passagem. Como faço com os documentos?
- Você deve receber até lá, foi o que Mike disse. Vão te enviar por e-mail e depois passamos no consulado americano, onde deve ter tudo.
- Oh, ok. Estou tão ansiosa agora. Preciso comer alguma coisa gostosa também. O bebê rejeitou o café da manhã de hoje.
- Nós estamos com um problema, temos que nos mudar, a casa inteira tem caixas para todo lado.
- Certo. Domingo resolvemos isso. – disse meio distraída e ouvi uns barulhos – Esses cupcakes são de quê? – a pessoa respondeu e ela ficou em silêncio – Quero dois de cada...
- Bella, dois de cada o quê? Dá quantos?
- Vou levar para agência, distribuir entre eles. Dá ao todo uns cinquenta. – respondeu rindo – E vou para o trabalho. Melhoras, se cuide, eu te amo.
- Se cuida, presta atenção no caminho. Os seguranças estão com você?
- Estão sim.
- Também te amo, meu amor.
Agora era oficial. Bella viria morar comigo. Abri a primeira gaveta da minha cômoda e tirei a caixinha do anel ali. Eu não sabia se ela iria amar ou surtar com meu pedido de casamento, não sabia quando ia pedir, mas sabia que iria e que ela seria minha esposa em algum momento.

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