PARADISE - CAPITULO 27




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Capítulo 27 – Organizadora Nata.
Isabella.
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- Joga fora ou guarda? – Jane levantou um vaso chinês horroroso que ganhei de Helena, minha ex-sogra. Nós estávamos cavando as caixas que nunca mexi depois da mudança de Miami, não ia me mudar para Londres com aquele monte de bugiganga.
- Lixo! Pelo amor de Deus, nem sei como esse treco ainda está aqui! – gritei fingindo estar apavorada. – Olha isso! James me deu essa camiseta quando me pediu para namorar, foi numa festa de calouros. Nunca entendi como ele pode ter se transformado em outra pessoa depois do casamento, não era mais o apaixonado, intenso, carinhoso... Nós mal nos víamos, mal tínhamos contato... Quando a fase do sexo por tudo ou por nada passou, nós mal nos tocávamos.
- Sério? Essa fase ainda não passou com Félix, mesmo com seis anos de casados. Acho que essa fase meio que demora para passar, sei lá, não temos filho, moramos sozinhos, estamos em casa... Estamos transando.
- Eu sei, sem querer comparar, mas Edward tem Harry e mesmo tendo uma criança em casa, nossa vida sexual sempre foi tão... – suspirei me abanando – Harry dorme, brinca, se distraí e sei lá, nunca foi um empecilho. Sei que com o bebê pequeno talvez demore, mas duvido que um dia a gente deixe de se comer.
- E a blusa, vai jogar fora?
- Não. Foi uma fase da minha vida, eu estava fazendo faculdade, vivendo coisas que nunca imaginei viver, transando loucamente com meu namorado que era romântico, bobo, apaixonado... James e eu fomos felizes durante essa fase despreocupada, mas, nunca percebemos o quão somos diferentes. O casamento foi um choque de realidade, sabe? Ele não era o homem que me apaixonei, mas fui deixando, porque era meu marido e precisava amá-lo e superar as diversidades.
- Eu sei, entendo. Casamento é complicado mesmo.
- Nunca entendi muito. Se ele quisesse esperar, eu esperaria, mas a questão é que ele não queria ter filhos sabendo que era meu maior sonho. Quantos planos fiz e ele me apoiou? Chegamos a ficar quatro meses sem sexo, sem beijo, sem nada porque ele não queria que engravidasse...
- Você estava em uma página diferente dele, não se reprima.
- Parece que sou tinhosa, tudo bem, eu sou, mas ele sugeriu que sofresse um aborto quando já patrocinei inúmeras campanhas contra. – murmurei distraída – Mas ele foi bom, me ensinou muitas coisas. Aprendi a me virar sozinha, a ser mais independente e tudo mais.
- Bella, esse é o seu maior problema com Edward.
- Ugh, eu sei. É que mesmo separada do meu pai, minha mãe dependia dele pra tudo. Meio que cresci com isso... Do homem ser responsável pela casa, manutenção e cuidar da mulher e dos filhos. James não foi criado assim... Helen é quem manda lá, sempre mandou, então, ele não me ajudava em nada. – murmurei sentindo um gosto amargo ao lembrar – Já Edward sufoca porque ele precisa resolver tudo, mas é tão desorganizado que se embola. Gente, esse homem não é normal, ele perde tudo, não é de esquecer, mas não faz coisas com ordem de prioridade.
- Tento imaginar vocês dois morando junto, mas só consigo rir. – brincou tirando umas coisas da caixa. – Nossa, fotos suas criança. Com certeza vai levar!
Jane era uma amiga ótima, não tinha o que reclamar, assim como Alice e Rosalie, se desdobrando com Charlotte para organizar a reforma da minha casa nova e ainda por cima, entender minhas exigências de decoração com todo gasto envolvido. Edward queria pagar, deu o cartão para Alice usar a vontade, mas pedi para moderar um pouco porque o pai do meu filho não poderia ficar falido sem antes dar uma educação descente às nossas crianças. Estava me considerando uma mulher de sorte, com tanta gente boa ao meu redor.
Passamos o dia inteiro limpando, jogando coisas fora, empacotando. No fim, o apartamento estava completamente vazio, só com os móveis. Já era sábado, me mudaria de uma vez por todas para Londres, com os documentos em mãos e tudo pronto. Eu e meu bebê de quase 16 semanas iríamos morar com o papai e o irmão Harry. Minha ansiedade não cabia em mim, era algo surreal e extraordinário. Edward ainda estava doente, seu resfriado, que pra mim, era alergia não tinha passado. Meu voo era de noite, único que consegui encaixar na primeira classe.
Minhas costas merecem conforto durante as horas de voo até lá. Minhas malas, pagando o peso extra, poderiam ir no mesmo avião porque estava vazio até o momento que comprei as passagens, ainda estava rezando por isso. Mesmo que compre mais uma passagem. Como não tinha mais nada para comer, chamei um dos seguranças para poder comer em algum lugar. Estava com vontade de comer bife com batatas fritas, mas queria aquele filé bem passado e suculento. Pouco mais abaixo tinha um bom restaurante que adorava.
Grandão número 2 foi comigo, iria só pedir e voltar para casa. Podia fazer isso pelo telefone ou mandar um deles, mas tinha ficado o dia inteiro em casa, precisava sair um pouco, esticar as pernas e desfilar minha barriga linda na rua. Sentei no bar para esperar meu pedido e pedi um suco, ofereci a JG, meu segurança, mas ele nunca aceitava nada. Também pedi um pedaço de cheesecake. O mais engraçado, era que antes estava tão temorosa e chorosa sobre deixar meu país, morar com um homem que apesar de amar muito, conheço a pouco tempo e que depois da minha desilusão amorosa devia ter todos os pés atrás com homens, eu estava apaixonada por tudo isso.
Da nossa paixão louca, quente e desenfreada, do amor intenso que sentíamos, do amor de mãe que tenho pelo Harry e agora, do filho que ele me deu e está amando comigo. A gravidez me deixava sem limites. Me jogando de cabeça nessa loucura gostosa. Percebi que a vida é muito curta para prós e contras o tempo inteiro. Se hoje não imaginava minha vida sem Edward e então era com ele que iria ficar.
- Oi Bella. – James apareceu do meu lado no bar e dei um aceno breve em reconhecimento – Podemos conversar por um instante?
- Não. – sorri docemente virando de frente ao barman – Será que minha encomenda está pronta? – perguntei e ele saiu para verificar. James ainda estava ali parado me olhando como um cachorro de rua com fome – Seja rápido.
- Bella, eu queria pedir desculpas sobre nosso mal entendido, realmente exagerei, mas acho que não sei lidar com a possibilidade de você ter outro.
- James. Esqueça isso. Olha, eu tenho outra pessoa – disse um pouco séria, confiando no meu segurança bem ao meu lado, faltando quase rosnar – Eu o amo mesmo. Nosso casamento foi lindo, mas acabou. Somos diferentes e queremos coisas diferentes, nunca iriamos dar certo não sabendo ceder no momento certo. – olhei nos seus olhos por um momento e ele parecia que ia chorar, mas era a verdade - Merecemos ser felizes e então, nos divorciamos, foi trágico e desnecessário todos aqueles meses de brigas, mas hoje estou bem com isso. – murmurei limpando minha garganta pronta para jogar a bomba - Estou grávida, de mudança para outro país, tenho um namorado que está com os mesmos planos que eu, além disso, estou feliz. Muito feliz. Esse bebê aqui – apontei para minha barriga e ele arregalou os olhos ao ver o tamanho – É tudo que mais amo na vida. Faça o mesmo, siga em frente. Tudo que vivemos foi válido, porém, acabou.
- Aqui está, Sra. Swan. – o rapaz veio com as sacolas.
- Obrigada. Já está pago, aqui a notinha. – respondi com um sorriso, descendo do banquinho e pegando minha comida – Boa noite, James. Adeus.
Sem remorso ou preocupação com ele, segui direto para casa sentindo meu estômago reclamar. O bebê só podia estar quase me comendo por dentro. Grávidas sentem uma fome elevada sim, mas nada desesperador. Só se demorar muito a comer, mas acho que isso acontece com todo mundo. Sentei no sofá da sala, liguei meu computador para um filme porque já estava sem televisão e jantei tranquilamente. Pensei em tirar um cochilo antes de Jane chegar para me levar ao aeroporto, mas não consegui. Coloquei todas as sete malas grandes na sala, mais minhas duas malas pequenas e fiquei sentada no sofá pensando se ligaria para Edward para bater papo ou... Resolvi ligar para minha mãe e conversar.
Já que essa conta seria desativada e veio extremamente cara, iria colocar logo o pé no pau da barraca. Deitei no sofá e tagarelei sobre nada importante, falei do bebê, das minhas consultas, da ansiedade de saber o sexo e até mesmo de estar recebendo cantadas na rua. Era engraçado os olhares, como se tivesse mais bonita, não sei. Talvez fosse minha bunda apertada nas calças ou meus seios bem mais volumosos que antes.
Jane chegou e era hora de me despedir de Nova Iorque. A realidade de não vê-la mais todos os dias me fez chorar. Eu era uma criança mimada querendo tudo e todos ao mesmo tempo. Félix e Jane estiveram por mim durante todo esse tempo, cuidando e certificando que estava bem. Também me despedi dos meus grandalhões com choro, que apesar de não interagirem comigo, me protegeram e deixaram meu namorado menos louco. Conseguimos despachar as malas e meu voo foi chamado. Edward iria me buscar no aeroporto com Harry, ambos ansiosos com a minha chegada, mas, ainda tinha uma longa noite pela frente.
Dormi minha viagem inteira, acordando uma vez ou outra para beber água ou um suco. Não quis comer nada e logo que estávamos pousando, meu estômago literalmente acordou. Eu tinha que pegar as malas, gentilmente pedi a um funcionário do aeroporto me ajudar porque era muito peso mesmo para empurrar e avisei que meu namorado estaria me esperando do lado de fora. Ser bonita tinha uma grande vantagem.
Edward estava parado ao lado de Alice e Jasper, com Harry ao seu lado olhando ansiosamente dentre as pessoas, do alto podia vê-los, mas eles não podiam me ver. Desci a rampa rapidamente e fui praticamente correndo portão a fora. Harry veio correndo na minha direção, gritando meu nome bem alto. O aeroporto inteiro parou para olhar. Meu menino lindo.
- Você chegou! Mamãe, você chegou!
- Finalmente, não é? Demorou tanto! – sussurrei abraçando-o apertado. Quando ele me chamava de mãe me derretia toda. – Eu senti tanto sua falta.
- Estou feliz que você tá aqui. – sussurrou me abraçando apertado e beijando meu rosto – Nossa casa nova é grandona! Meu quarto tem um closet!
- Jura?
- E banheiro!
- Jura?
- A parede da sala tem azul! – disse animado e assenti sabendo perfeitamente. – Meu quarto é amarelo e preto... Como o menino-batman!
- Jura filho? Você gostou?
- Adorei.
- Agora posso dar um beijo no papai, na Tia Alice e no Tio Jasper? – perguntei levantando e ele assentiu me dando a mão. – Oi meu amor. – sorri deixando Edward me abraçar apertado, me erguendo um pouco do chão e segurando meu rosto com as duas mãos e me beijando carinhosamente – Assim eu derreto.
- É pra derreter mesmo. Vocês chegaram. – sorriu acariciando minha barriga e abaixou para me beijar brevemente no umbigo.
- Oi amiga! – Alice me abraçou e também tocou minha barriga – Oi bebê da tia! Você está tão linda grávida, toda reluzente, feliz...
- Minha irmãzinha! – Jasper me abraçou apertado e beijou minha testa.
- Maninho.
- Quem diria que nós dois estaríamos morando em Londres?
- Culpa da sua mulher que praticamente me obrigou a viajar. – sorri docemente abraçando-o apertado – Agora você não tem desculpas para me deixar com saudades.
Edward me abraçou por trás e beijou meu ombro. Observei Harry subir em cima das minhas malas e Jasper foi brincar de empurrá-lo quando anunciei que estava morrendo de fome e precisava de comida boa. Meu gentil namorado não me levou para comer o horroroso café típico, acho que só de pensar naquele feijão agridoce misturado com salsicha meu estômago embrulharia. Comemos em uma lanchonete agradável no estilo parisiense que servia chá das cinco nos finais de semana. Tomei um chá com leite e mel, pães com pedaços de morango e geleias variadas.
- Mesmo grávida ainda come como um passarinho. – Jasper disse com um sorriso, mas eu estava muito confortável nos braços de Edward com ele acariciando minha barriga sem nenhuma pressa. Era tão gostoso receber seu carinho. – E como vai ser na mudança?
- O caminhão só amanhã à tarde, foi o único horário que consegui, pensei em ir levando umas caixas, mas seria um trabalho à toa. – Edward respondeu e virei um pouco para prestar atenção – Minha casa não tem condições de ficarmos lá, então, minha mãe preparou o quarto para nos receber esta noite ou até quando ficar tudo limpo.
- Você não poderia mesmo ficar na casa com a tinta fresca e essa alergia. – Alice balançou a cabeça – Amanhã de manhã vou cedinho abrir a casa, deixar as portas e janelas abertas para entrar um ar e o cheio sair.
- E é poeira também. Tirei tanto livro penal do lugar que não consigo parar de espirrar. – Edward disse de acordo.
- Por que não compraram tinta inodora? – perguntei entrando na conversa.
- Para as portas do jeito que você queria não tinha. – Alice encolheu os ombros.
- Então, podemos jantar juntos mais tarde? Lá em casa? Encontro quádruplo?
- Seria uma boa ideia, primeiro vou tirar um cochilo que vai durar a tarde inteira. – respondi olhando para Edward para ver se concordava também – Tudo bem? Você fez algum plano?
- Não, só de jantar em casa mesmo, está tudo bem por mim.
- Ótimo! – Alice bateu palminhas. – Não posso acreditar que finalmente minha melhor amiga e eu estamos morando na mesma cidade!
- Você faz de tudo para ficar perto de mim, não é? – perguntei fingindo estar entediada com a presença dela. - No primeiro dia disse que íamos ser melhores amigas para sempre, depois se apaixona pelo meu irmão, rouba da antiga namorada... Não que eu reclame disso, a Marisa era uma vadia. – resmungou fazendo Jasper revirar os olhos, talvez ele ainda lembre o inferno que fiz na vida dele por causa daquela mulher de quinta – E agora, conseguiu dar um jeito de me juntar com um britânico. Não tem limites.
- Desculpe meu amor, essa sou eu! – sorriu me dando língua.
Nós continuamos conversando enquanto eles terminavam de comer. Somente Edward e eu estávamos satisfeitos. Harry comia devagar porque estava brincando com o papel que forrava a mesa e tinha uns desenhos. Encolhi no cantinho sendo segurada por ele, nós trocamos alguns carinhos simples, mas eu estava louca para dar um beijo descente nele. Principalmente pela tortura que começou a praticar com um sorriso no rosto, afagando minha nuca, acariciando minha barriga, apertando minha coxa, brincando com o meu joelho, beijando meu pescoço, meu ombro, passando o nariz pela minha orelha e sussurrando coisas indecentes.
- Espero ansiosamente pelo momento que ficaremos sozinhos...
- Você vai fazer o quê? – perguntei olhando nos seus olhos, sentindo meu corpo inteiro esquentar. Meu rosto estava pegando fogo.
- Te beijar dos pés a cabeça, dando maior atenção a duas partes que eu amo muito. – respondeu beijando atrás da minha orelha – Espere e aguarde.
- Mal posso esperar... – sussurrei beijando seus lábios brevemente e ouvi Jasper pedir a conta – Então nos vemos à noite? – perguntei levantando da mesa e Alice me abraçou apertado confirmando – Vem filho, vamos para casa. – chamei Harry pegando na sua mão e ele olhou pra mim com um sorriso lindo. – Que foi?
- Nada. – encolheu os ombros.
Minhas malas estavam divididas nos dois carros. Jasper foi até a casa de Esme conosco, assim que estacionamos na parte externa da garagem, ela saiu alvoroçada com os braços abertos pedindo para levantar minha blusa. Esme era muito engraçada sendo eufórica. Depois de um abraço apertado e um beijo estalado no rosto, entramos deixando que Carlisle, que só me deu um oi e um beijo rápido, colocasse as malas pra dentro com os meninos. Harry ficou, mesmo que carregasse só minha bolsa de mão, mas já tinha que aprender a ajudar e ser um mocinho educado.
Sentamos na cozinha porque ela tinha feito café da manhã pra mim e fiquei morta de vergonha de rejeitar. Comi só um cookie e enrolei mais com chá, porque não estava com fome, mas a desfeita ia quebrar o coração dela. Esme queria saber o que gosto de comer para preparar o almoço e aproveitei a oportunidade de avisar que jantaríamos na casa de Alice, assim, ela não teria que pensar nisso.
- Obrigada por me acolher esses dias. – disse colocando mais um pouquinho de chá de tanto que ela insistia. Jesus, vou explodir! – Vou tentar agilizar o máximo que puder na casa, na verdade, não faço ideia como as coisas estão.
- Não seja boba, menina. – disse balançando a mão em forma de desdém – Vou adorar ter vocês aqui. Dois netos de uma vez só!
- É pequenininho, mas já faz parte da família. – brinquei e Edward entrou na cozinha abrindo os botões da sua camisa – Tudo guardado?
- Sim. Harry saiu com meu pai, uma programação de avô e neto. – disse beijando meu rosto e depois beijou sua mãe na testa – E aí, comendo de novo?
- Cala sua boca. – disse franzindo os olhos na sua direção – Acho que preciso de um bom banho e dormir um pouquinho.
- Claro, vai lá.
- Vou ajudá-la – Edward disse para mãe dele – Esfregar as costas, essas coisas...
- Edward! – repreendi corando de vergonha e Esme estava rindo, balançando a cabeça.
- O quê? Você está grávida e mesmo que não tivesse, você acha que ela pensa que jogamos xadrez dentro do quarto.
- Ai pelo amor de Deus, fica quieto! – resmunguei saindo disparada da cozinha – Você não fala essas coisas na frente do meu pai.
- Não sou maluco, ele sabe como usar uma arma. – respondeu com uma risadinha. Quando ele resolvia ficar engraçadinho ninguém segurava.
Tirei algumas coisas da mala, uma roupa confortável e meus itens de higiene pessoal. Edward estava tirando a roupa crente que iria tomar banho comigo, mas depois de oito horas dentro de um avião, usando a mesma calcinha e sem dormir direito, preciso de um tempo sozinha de água quente nos ombros, relaxar um pouco, lavar meu cabelo e depois tirar um cochilo. Acho que não tenho muita energia para sexo de aventura no momento não. Entrei no banheiro e antes que ele pudesse se mover, fechei a porta e tranquei rindo do olhar de espanto dele.
Ele falou alguma coisa batendo na porta, me ameaçando ou sei lá, não ouvi porque simplesmente coloquei a lista de reprodução para tocar. Tomei todo meu tempo cuidando de mim mesma, sequei os cabelos, passei creme hidratante, retoquei minhas unhas passando uma base com brilho, limpei minhas sobrancelhas e me senti pronta, relaxada e cheirosa para poder beijá-lo descentemente.
Edward estava deitado na cama com um beicinho, de banho tomado, sem camisa, só com calça de pijama olhando para televisão de forma emburrada. Tirei minha toalha na sua frente e fiz questão de atrapalhar sua luta, para me vestir bem devagar e fingir que não estava percebendo seu olhar faminto na minha direção. Eu gostava que Edward ainda sentisse tesão por mim, sei que é pelos meus peitos enormes e a bunda que aumentou dois números.
Deitei do seu lado, me aconchegando bem e fechei os olhos. Edward ficou cinco minutos bufando, respirando fundo, se mexendo e estalando a língua e antes que caísse na gargalhada com seu comportamento, virei de lado com minha cara de pôquer e sorri docemente.
- Que foi amor?
- Nada.
- Tem certeza, meu bem? – perguntei me esticando para dar um beijinho no seu rosto e ele virou batendo com os lábios nos meus de forma macia, aprofundando o beijo lentamente. Mudei até de posição para deixá-lo a vontade.
- Estou começando a achar que você ia me trocar por dormir. – sussurrou beijando meu pescoço e subindo a barra da minha camisa, passeando com sua mão quente pela minha pele arrepiada – Logo hoje, que quero extravasar toda minha saudade.
- Jura? – ofeguei um pouco derretida. Quando ele estava com os lábios e a língua na minha pele não tinha o que negar.
- Eu disse que ia te beijar todinha e você não deixou. – murmurou mordendo meu seio levemente por cima da minha blusa. Ele não precisava fazer mais nada que já estava perto, sem mais preliminares.
- Baby...
- Posso te beijar, amor?
- Deve.
- Tire sua roupa.
Mandão!
Ansiosa, sacodi minhas pernas para tirar o edredom de cima de mim e tirei toda minha roupa na mesma velocidade da luz que ele. Sorrimos um para o outro e nos perdemos por toda tarde. Sexo de boas vindas foi tão bom que tive a necessidade de um cochilo após o banho juntos. Acabei pulando o almoço porque segundo Edward, estava dormindo pesado demais para acordar, mas Esme não se incomodou com isso e até preparou um prato leve pra mim quando acordei. Ela estava me mimando e adivinha por que? Porque estou grávida!
- Baby, pega um suco pra mim?
- Tem chá gelado...
- Chá então. – respondi dando uma boa mordida no meu sanduíche de queijo que ela preparou para comer com a sopa de tomate – Esme, está delicioso. – elogiei verdadeiramente. – Cadê Carlisle com meu menino? Estão demorando...
- Quando eles saem, sempre demoram. – Esme disse com um sorriso orgulhoso enquanto me via comer – E você vai terça-feira no médico?
- Vou... Quer ir comigo?
- E eu? – Edward reclamou colocando o copo de chá a minha frente – Quero ir.
- É só a primeira consulta, deixa pra ir quando tiver ultra. – respondi porque queria uma companhia feminina para me ajudar a avaliar – Preciso da sua mãe primeiro, já que a minha está em outro país. – murmurei beijando-o levemente – E então, você vai poder ver nosso bebê.
- Tá bom. Só porque você me beijou assim... – sorriu ternamente e ouvimos Harry gritar – Ei filhão! Você demorou muito! – disse pegando-o no colo e ele se inclinou para me beijar na bochecha – Você está fedendo a suor.
- Vovô me levou ao parque. – disse com um sorriso bonito – Eu quero, mãe. – olhou para meu sanduíche de queijo – Quero chá também.
- Alguém está com o estômago a toda. – brinquei afastando meu banquinho para que sentasse entre minhas pernas e parti o sanduíche, pegando um guardanapo para comer – Come um pouquinho de sopa também.
- Só um pouquinho. – negociou com uma careta, mas aceitou uma colherada – Vovô brincou de bola comigo no parquinho, ele fez três gols.
- Jura? Assim que comer vamos tomar um banho e depois tirar um cochilo, ok? Você vai ficar com a vovó esta noite porque eu e seu pai vamos sair.
- Vão chegar muito tarde?
- Não. Você vai dormir no seu horário. Não se esqueça de cuidar dos seus peixes.
O jantar foi maravilhoso, ter todos reunidos ao mesmo tempo foi muito gratificante pra mim, como boas vindas. Peter estava mais calmo, relaxado com a minha presença, ansioso com a gravidez e até tocou minha barriga com carinho desejando felicidades de coração. Eu queria muito que o melhor amigo do meu namorado e padrinho do meu filho do coração gostasse de mim e parece que agora estávamos chegando a um conhecimento sobre isso. Charlotte era incrível, doce, engraçada e companheira, um pouquinho ciumenta com Rosalie comigo, mas Alice também tinha ciúmes de mim com qualquer pessoa e eu tinha ciúmes delas com todo mundo.
Chegamos em casa bem tarde, todos estavam dormindo, seguimos de fininho para o quarto e apagamos. Pelo menos eu apaguei, toda essa maratona me fez ficar bem cansadinha. Em compensação, acordei muito cedo, antes mesmo de o relógio despertar. Para deixar Edward dormindo um pouquinho mais, sai da cama de fininho, desliguei a programação e fui para o quarto que Harry estava e o acordei. Ele demorou um pouquinho, mas parecia aliviado em me ver. Tomou banho e se arrumou para escola sem pestanejar. Descemos em silêncio para seu café e esperava que Esme não ficasse chateada em mexer nas coisas dela. Harry estava com fome. Fiquei surpresa ao encontrá-la na cozinha com a chaleira no fogo e um robe bonito.
- Bom dia, ia acordá-lo. Carlisle me disse que pode levá-lo á escola porque vai para o trabalho mais cedo. – disse com um sorriso ainda sonolento – Caiu da cama?
- Eu meio que senti falta de prepará-lo para escola. – sussurrei corando - Vou fazer o café dele, posso?
- Fique à vontade, querida. A casa também é sua agora. – sorriu pegando saquinhos de chá – Bom que terei companhia, seu sogro não gosta de comer pela manhã. Sempre desce pronto para sair...
Harry comeu banana, maçã, morango e laranja com cereal e mel. Ficou quieto, por ainda estar com sono, prestando atenção na minha conversa com Esme, que também era lenta e baixa. Carlisle desceu e Harry já estava pronto para escola guardando seu lanche na mochila.
- Obrigada mamãe. – sussurrou me abraçando apertado antes de dar a mão a Carlisle e sair. Fiquei emocionada com seu agradecimento verdadeiro, mas disfarcei o choro na frente de Esme. Voltei para o quarto para acordar Edward, que sabia que nem tinha dado conta que estava fora da cama. Ele dormia pesado, com o braço jogado acima da cabeça e outro em cima da barriga. Sentei bem em cima do seu quadril e inclinei meu corpo, beijando sua barriga, peitoral, clavícula, pescoço, bochecha e por mim seus lábios, porém, a essa altura, ele já estava acordado e segurando minha bunda divertidamente.
- Bom dia meu amor. – sorri contra seus lábios – Te deixei dormindo por mais uma hora, você precisa levantar.
- Jura? Obrigado. E Harry?
- Seu pai levou para escola. Nós precisamos sair...
- Você me fala em sair quando está em uma posição bem conveniente.
Não dei confiança para sua voz sensual e pulei fora da cama indo tomar banho, mas o deixei entrar no chuveiro comigo e tivemos um pouco de diversão debaixo da água quentinha. Esme estava pronta me esperando porque resolveu me ajudar na casa com a mudança, então, Edward iria para o trabalho e Esme e eu iriamos para casa antiga ver o que estava lá para colocar no caminhão com a empresa que ele contratou. Eu esperava que o dia rendesse.
A primeira coisa que fiz quando abrir a porta da casa foi espirrar e depois tropeçar em uma caixa que estava bem no meio do caminho. Se existia alguma definição física de desordem, era a casa de Edward. Estava tudo uma completa zona. Claro que ele iria ficar doente assim, tinha tanta poeira que mal dava para respirar... Revirei meus olhos e respirei fundo tentando me acalmar e organizar mentalmente uma forma de colocar as caixas de uma maneira que me encontre na hora de arrumar a casa.
Esme arregaçou as mangas do seu lindo vestido Chanel e tirou os sapatos de marca antes de começar a me ajudar em toda loucura. Quando os homens do caminhão chegaram, foi até rápido, mas eu já estava cansada e com dor nas costas de tanto abaixar e pegar um peso considerável. Tudo isso passou quando vi minha casa. Ela estava linda! Ao vivo e a cores, era a perfeita reencarnação dos romances, com uma fonte bonita na frente, um pequeno jardim e as portas de madeira, as janelas cumpridas, paredes rusticas... E ao mesmo tempo fofas.
Alice caprichou nas cores que pedi, parece que ela literalmente leu meus pensamentos. Ainda faltavam alguns móveis para chegar, mas só de ver os que já tinha ali me deixou completamente emocionada. Fiquei andando ao redor, descobrindo cada canto, cada detalhe minimamente pensado, o que devia ser coisa de Rosalie, ela era muito detalhista. Já os quadros que estavam no chão combinavam muito com tudo, com os móveis, as paredes, os detalhes da porta. O quarto principal me deixou sem fôlego.
Enorme, bem dividido com closet e banheiro. A cama bem no centro, com um canto para o sofá pequeno com duas poltronas, cabeceira em ambos os lados, uma cômoda antiga de tons escuros e o closet com sapateira, araras, gavetas de roupas íntimas, balcão de centro para gravatas e jóias. Tudo separadinho. Charlotte merecia um prêmio por encontrar tudo isso tão rápido. O quintal dos fundos era perfeito, pequeno, mas fofo. Dava para colocar um banco de balanço na varanda. Sempre quis ter um em casa.
A cozinha era enorme, tinha todos os móveis embutidos, só faltava o fogão, forno, geladeira, micro-ondas e todos os outros eletrodomésticos úteis. Edward tinha alguns, mas ia vender todos e comprar os que combinavam melhor com a cozinha.
Rosalie chegou quase na mesma hora que Alice e meia hora mais tarde, Charlotte entrou com um sorriso. Nós esperamos o caminhão dos móveis chegar para começar com as caixas, por isso colocamos todas em um único cômodo e deixamos os homens da montagem trabalharem em paz. O jeito era sentar e esperar um pouco. Rosalie foi em casa buscar chá gelado para todas. Tirei meu casaco um pouquinho para mostrar a minha barriga. Elas queriam ver com calma o tamanho, como era de verdade e afins.
Elas diziam que era menina, Edward disse que era menino, então, encolhi os ombros porque me olhava no espelho e não conseguia encontrar sexo nenhum. Deixamos a aposta de lado e fomos limpar os cômodos. O primeiro quarto a ficar realmente pronto foi de Harry, mas já estava tarde e o cansaço não me permitia fazer mais nada além de tomar banho e dormir, porém, fui com Esme buscar Harry na escola.
- Sra. Cullen? – Uma mulher baixinha e loira chamou por Esme – A professora de Harry gostaria de vê-la por alguns minutos com a diretora.
- Aconteceu alguma coisa? – Esme perguntou o que eu não conseguia. Cheguei a sentir uma palpitação no coração.
- Não. Está tudo bem. Ele está bem.
- Oh, ok. – Esme murmurou e entramos na escola, tentei olhar ao redor para vê-lo, mas não encontrei. Cadê meu menino? – Olá? – Esme bateu à porta e entramos.
Encontramos a professora e a diretora da escola nos aguardando. Será que ele tinha aprontado alguma?
- Olá Sra. Cullen, sinto muito pelo inconveniente, serei breve – A diretora Header falou com um breve sorriso – Harry é um dos nossos melhores alunos, sempre calminho e muito obediente. Nós sabemos que sua mãe faleceu ano passado e estamos preocupadas porque ele não pára de dizer para seus coleguinhas que sua mamãe voltou para casa.
- Oh, isto sou eu. – disse sorrindo e dando um passo a frente – Eu sou Isabella... E bom, a nova mãe do Harry.
- Bella é a esposa do meu filho. – Esme disse tocando meu braço – Edward e ela estão esperando um bebê e desde então, Harry acha que tendo um irmão, ele também pode chamá-la de mãe.
- Não que me importe, nós estamos morando juntos agora, ele sabe que mamãe Ângela está no céu e que eu o amo de qualquer forma. – completei ansiosamente.
- Ah sim. – as duas suspiraram aliviadas – Que ótimo, fico feliz. Ele ficou muito triste ano passado e ele tem demostrado ser outra criança, bem mais alegre e sociável.
- Bella agora é quem virá às reuniões e tudo mais, estou passando a toalha. – Esme brincou e assim, com tudo esclarecido, fomos embora com nosso menino falante para casa.
Minha vontade louca de fazer xixi me fez sair correndo para o quarto. Também precisava de um banho. Sentia minha pele pegajosa de tanta poeira. Liguei para Edward depois que terminei de cuidar de mim e cuidar de Harry. Não nos falamos direito porque ele parecia agitado e um pouco distraído, pedi que viesse pra casa, mas não fui muito bem respondida. Fui conversar com Esme. Lanchamos na cozinha, rimos, brincamos e começamos a preparar o jantar juntas.
- Mãe, papai vem pra casa cedo hoje? – Harry perguntou puxando a barra da minha saia.
- Papai chegou! – Edward entrou na cozinha me deixando surpresa e muito feliz – Eu fugi. – sorriu docemente e me beijou. Nós dois nos perdemos um pouco um no outro até que ouvimos uma risadinha e depois um pigarro.
- Ia dizer que o Vovô chegou também, mas a cena de amor me impediu. – Carlisle brincou abraçando Esme – Algo cheira bem aqui.
- Vovó fez comida com a mamãe.
- Vamos jantar, sentem-se, está pronto. – Esme era pura alegria – Casa cheia! Mal posso acreditar!
E eu não podia acreditar que Edward tinha vindo pra casa mais cedo depois que eu pedi. Eu esperava que fosse assim todos os dias.

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