PARADISE - CAPITULO 29




PARADISE - MARIANA CARDOSO
Dois estranhos. Um encontro no paraíso. Uma vida inteira entrelaçada.


Classificação: +16
Categorias: Saga Crepúsculo - Bellard - Romance/Drama
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen

Capítulo 29 – Cadê o Paraíso?
Londres, Inglaterra.
Isabella.
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Morar em Londres era muito diferente. As pessoas ainda eram um enigma pra mim, elas podiam ser cordiais e simpáticas, me deixando derretida e apaixonada. Era um fascínio observar o sotaque e perceber que no meio da conversa, em algumas palavras, acabava puxando um pouco. Por outro lado, estava sendo uma barra enfrentar essas mudanças. Minha cabeça não estava trabalhando bem com tudo isso, desse jeito bomba relógio que ando ficando. Minha gravidez, na maior parte do tempo, era bem tranquila, só tinha alguns surtos de emoções com filmes românticos e todo meu enjoo, que não era tão forte como antes, se resolvia com sorvete e deitar com meu menino que só sabia me mimar. Harry era um companheiro nessas horas difíceis.
O humor que era o problema. Edward não merecia noventa por cento dos meus ataques, mas ele sofria com todos eles. Depois me batia um arrependimento e uma vontade de chorar que me deixava com vergonha por não saber controlar isso. Minha mãe me acalmava seja por internet ou telefone dizendo que era normal. Esme também me dava um chá e dizia coisas boas. Alice era mais de rir da minha irritação do que ajudar. Rosalie fingia que não estava ouvindo meu piti e Charlotte me analisava como um animal em laboratório. Estou bem farta de amigas.
Cadê Jane? Ela se juntaria a Alice para rir. Não tenho escapatória.
- Mãe! A tevê desligou sozinha! – Harry gritou do seu quarto e ouvi Edward falando com ele.
Domingo era um bom dia, já era o meu quinto aqui e tinha percebido que essa seria nossa rotina de ficar em casa, aproveitando um e o outro. Edward desceu reclamando da tomada pela milésima vez e foi buscar sua caixa de ferramentas para consertar o fio. Não queria trocar a posição do móvel, ou teria pouco espaço na porta, ou seja, aquela tomada precisaria de conserto ou o aquário e a televisão ficaria sem alimentação de energia.
- Tudo bem? – perguntou-me depositando umas ferramentas no balcão da cozinha e assenti terminando de preparar nosso almoço. Torta de queijo. Para o jantar estava planejando algo mais leve como sanduíches.
Toda vez que Edward falava comigo assim, sentia uma pontada diretamente no ventre.
- Estou terminando. Com fome?
- Um pouco. Apenas com sono. – sorriu torto e senti meu rosto arder um pouco. Já que hoje não tínhamos compromisso cedo, fizemos bom uso da fechadura do quarto e passamos a noite acordados. Ao mesmo tempo em que minha emoção estava a flor da pele, meu tesão também.
- Quer alguma salada? – perguntei desviando o assunto. Edward conseguia afogar minha mente na sarjeta com um sorriso.
- Tanto faz. Acho que será bom. – deu os ombros e soltou as ferramentas, me abraçando por trás – Tudo que você faz é realmente muito bom. – sussurrou beijando meu ombro e dei uma cotovelada nele ou queimaria minha mão. – Tudo bem. Já sai daqui, estou indo resolver essa tomada e descemos para almoçar.
- Não demorem e cuidado para não tomar um choque. – respondi beliscando sua bunda por um momento e voltando a mexer no molho da torta.
Dez minutos depois.
Ai! Merda!
- Você levou um choque papai?
- Sim. Afaste-se Harry.
Dez minutos depois a casa inteira ficou sem luz.
- Edward o que você fez? – gritei segurando a risada. Subi as escadas devagar e encontrei Harry sentado na cama olhando pra frente e Edward sentado olhando para tomada enegrecida. – Pegou fogo? Queimou as coisas?
- Obrigado, eu não levei nenhum choque amor, estou perfeitamente bem. – respondeu irônico e gargalhei, mas tive que respirar fundo porque Edward não estava a fim de brincadeira.
- Você está bem? Se machucou? – provoquei e ele me encarou ainda bem mais sério que antes – Ok, parei.
- As coisas estavam desligadas antes. Essa tomada já era, vou mover o móvel da televisão para tapar isso. – disse com um suspiro. – Vou religar o disjuntor. – resmungou passando por mim. Harry e eu nos entreolhamos e sorrimos.
- Vamos mimar o papai, porque ele ficou chateado. – disse pegando sua mão e fomos até a parte de trás da casa quando ele religou toda luz. – Eba! Nosso herói trouxe a luz. – brinquei abraçando-o e fazendo um beicinho, beijou minha testa. – Não fica chateado, essas coisas acontecem. Você pelo menos tentou. Penso que Rosalie está pior do que eu em questões de marido da casa...
- Agora estou me sentindo muito melhor. – respondeu brincalhão. Senti um cutucão exatamente onde Harry estava pressionando.
- Minha irmãzinha mexeu! – Harry gritou eufórico e não podia deixar de lembrar o dia que ele sentiu pela primeira vez e deu um grito maravilhado com sua irmã, sim irmã, movendo dentro da minha barriga.
- Princesinha do papai. – Edward sorriu também colocando a mão no lugar que ela chutava.
Descobrir que estava grávida de uma menina foi uma delícia. Edward meio que pirou alegando que podia abrir falência no momento que a médica anunciou o sexo. Chorei de alegria, porque uma menina fofa pra mimar era tudo e mais um pouco. Ela seria terrivelmente estragada pelos avós e protegida pelo irmão, principalmente pelo pai, que já mostrava sinais de ciúmes. Os chutes dela ainda eram fracos para eles, mas eu sentia uma vibração dentro de mim. Era tão gostoso. Tão real. Toda vez que ela fazia isso conseguia me fazer esquecer que estava sendo uma cadela mal humorada e uma louca por sexo. Tudo se tornava perfeito.
Almoçamos com tranquilidade. Harry comeu seu purê de abóbora com carne todo. Estava realmente muito bom, porém, sua fome era muito grande. A torta de queijo tinha demorado um pouquinho para ficar pronta. Ele dormiu logo em seguida, pilhado de brincar a manhã inteira e ter ido dormir tarde ontem.
- Esse garoto é uma fonte de energia. Precisa recarregar de vez em quando. – Edward balançou a cabeça cobrindo-o.
- Ainda bem ou não sei se minhas costas aguentariam o ritmo dele. – respondi saindo do quarto e indo para o nosso, já tirando a roupa.
- Que isso mulher, já está nua? – Edward brincou estapeando minha bunda. Ele não ajudava no meu humor fazendo isso. Dessa vez acabei rindo e entrei no chuveiro. Edward estava escovando os dentes quando abri o box e espirrei água gelada nele. – Ah, você quer brincar?
- Não. Só queria te molhar. – respondi fechando o box e segurando a trava.
Edward foi mais esperto e puxou toda porta de uma vez, fazendo um estalo enorme. Peguei o chuveirinho e espirrei um jato de água gelada bem forte no rosto dele. Sua surpresa o incapacitou por um momento, mas logo em seguida ele reagiu me imprensando contra parece e dando um ataque de cosquinhas. Isso era maldade.
- Olha! Sente isso! – Sussurrei meio sem fôlego e coloquei a mão dele na minha barriga – Não sei se ela gosta, mas eu não gosto.
- Você me molhou inteiro, não é justo.
- Era só um convite indireto para você vir tomar banho comigo. – murmurei subindo sua camiseta molhada para que tirasse e descendo para a bermuda – Gosto de você nu.
- Ah eu sei que gosta. – brincou terminando de tirar toda sua roupa e abrimos o chuveiro bem quentinho para nós dois – Vou encher a banheira. – disse revertendo o sistema e pulei para banheira e sentei esperando-o. – Então... Estive pensando em Bronwen, significa coração honesto, Carrie, que é feminina e...
- Só não vamos colocar Gale* - interrompi brincando.
*Que significa tempestade.
- E Jeanne, de Joana D'arc*.
*Jeanne é Joana em francês.
Enruguei o nariz porque não gostei de nenhum deles, talvez Joanne, mas podíamos encontrar algo melhor. Edward entendeu que não gostei e continuou listando nomes. Nós estávamos ansiosos para escolher isso, era um passo importante e tão responsável que por mais que gostasse, era o nome que minha princesinha carregaria a vida inteira.
- Gosto de Amy, significa amada e isso ela realmente sempre será por todos nós. – murmurei em concordância. – Kimberly parece nome de garçonete. – brinquei meio que falando a verdade. Edward riu que tremeu meu corpo todo.
- Também não gosto de Kimberly, mas Amy foi Harry quem sugeriu. – disse baixinho.
- Jura? – perguntei emocionada. Isso contava muito – Bom, nesse caso gosto mais ainda de Amy. Um segundo nome?
- Gosto de Abbie. Abigail. – respondeu acariciando minha barriga.
- Amy Abigail Swan Cullen? Acho que soa estranho, ainda mais que a chamaremos de Abbie e ninguém se importará com o Amy. – murmurei torcendo o nariz. Era bonito se fosse primeiro nome, mas agora eu queria Amy.
- Verdade.
- Amy Beatrice Swan Cullen. – disse tendo uma ideia repentina.
- Uhn. Gostei bastante. – sussurrou beijando meu rosto – Podemos considerar esse?
- Sim. Acho que será esse. – respondi virando-me levemente – Gosta mesmo? Será o nome que ela carregará para a vida inteira.
- Gosto muito.
Saímos da banheira e fomos para cama seguir o exemplo da nossa criança e cultivar a preguiça do domingo. Continuamos conversando sobre o nome e o enxoval que queria comprar logo, mas Edward queria ir junto. Sinceramente ele só iria me cansar e irritar, preferia fazer isso mil vezes sozinha ou com uma das meninas. Só não podia e nem devia negar sua participação nisso. Deixei a conversa de compras de lado e me preparei para tirar um cochilo aliviada por finalmente escolher o nome. Tinha dias lendo e pesquisando significados. Essa história é de deixar qualquer um louco.
Acordei sentindo umas perninhas pequenas e quentes se embolando com as minhas e uma mãozinha prender na minha cintura. Ajeitei-me melhor para acolher meu menino em meus braços e beijei seus cabelos. Ele ainda tinha cheirinho de bebê. Meu bebê. Edward estava lendo um livro sobre reformas do direito penal, de óculos e com um marca texto. Edward de óculos era sexy. Parecia um professor de universidade que me fazia ter idéias bem sujas para nosso filho estar entre nós dois. Voltei a dormir para acalmar meus pensamentos.
- Mamãe, papai está na cozinha. – Harry sussurrou tocando meu rosto.
- E o que tem? – perguntei ainda meio sonolenta, procurando o relógio da cabeceira. Já era hora do jantar. Dormi o dia inteiro.
- Até que o cheiro está bom. – disse encolhendo os ombros.
- Vamos descobrir o que ele está fazendo? – perguntei levantando da cama mais dormindo do que acordada. Levantei e sentei. Estava zonza. Isso acontecia sempre que não estava muito acordada. Fechei os olhos por um momento e deitei novamente.
- Você está bem? – Harry perguntou preocupado – Devo chamar o papai?
- Me chamar para quê? – Edward entrou no quarto e me fitou – O que houve? Se sentindo mal?
- Apenas uma vertigem. Nada demais. – respondi bocejando e puxei o edredom – Soube que você foi gentil em nos preparar o jantar. O que fez?
- Peguei uma receita de panqueca na internet e fiz frango. – respondeu com um sorriso bonito – Está pronto, já coloquei a mesa, vamos comer? Você ficou muito tempo sem se alimentar.
- Está tudo bem. – garanti levantando-me devagar.
Edward fez uma panqueca que era crocante. Não sei se foi proposital ou ele errou a mão na massa, porém, estava muito gostosa. O frango desfiado, bem temperado e uma saladinha fresca me deixou bem alimentada e mimada. Comi tão bem que minha barriga parecia estufada. Rosalie e Emmett atravessaram a rua com torta de chocolate meio amargo para sobremesa e resolveram compartilhar comigo. Aproveitamos e anunciamos a escolha do nome da nossa princesa, comemoramos e Harry ficou todo bobo que aceitamos sua sugestão.
- Minha irmã tem o nome que eu escolhi. Amanhã vou contar pra todo mundo na escola. – disse com a boca cheia. Sua sobremesa era diferente da nossa por motivos óbvios. Pêssegos em calda. Ele simplesmente amava.
- Em comemoração, olha o que o titio comprou – Emmett puxou uma sacola rosa e tirou uma bolinha de basquete rosa e um coelho azul com orelhas longas extremamente fofo – Acho que esse será o melhor amigo dela pelos próximos anos.
- Ai meu Deus! É muito lindo, Emmett! – sussurrei emocionada abraçando seus presentes e ele junto – Pena que ainda não tenho um quarto pintado e um enxoval pronto para colocar lá. – alfinetei Edward, que revirou os olhos.
- Nós podemos fazer isso amanhã. Essa semana estou de folga. – Rosalie disse pegando minhas mãos.
- Está? – Emmett inquiriu confuso. Eles trabalhavam juntos.
- Estou. Sou minha chefe. – respondeu desafiando-o a questionar – Podemos sair juntas ou não?
- Claro que sim.
- Claro que não.
- Amor, você pode ir em um desses dias. Eu quero montar o quarto da minha filha! – gritei fazendo Harry saltar – Desculpe.
- Tá bom. Tudo bem. – respondeu levantando as mãos em rendição – Amanhã eu vou e os outros dias vocês vão juntas.
- Nós não iremos demorar, já tenho uma lista de itens e de lojas para visitar e que provavelmente irei comprar.
- Claro que você tem uma lista. – murmurou baixinho e o encarei – Torta gostosa...
- Engraçadinho...
Rosalie e eu tivemos um dia cansativo e extremamente divertido. Edward se comportou e pagou por tudo. Compramos uma tinta e ele quis pintar o quarto, porque queria fazer isso para nossa filha. Escolhi cores clichês, branco e Rosa apenas porque imaginei uma decoração fofa com os itens que fui comprando. Chegamos em casa tarde, mas com tudo comprado. Agora era esperar o próximo final de semana para Edward poder pintar o quarto.
A semana passou de forma rápida, fiquei sozinha com Harry a maior parte do tempo. Trabalhava enquanto ele estava na escola e depois fazia algumas coisas legais juntos, como sair para andar de bicicleta, assistir alguns filmes e cozinhar o jantar. Que acabávamos comendo sozinhos porque Edward chegou todos os dias muito tarde. Ainda não sabia o que sentir e pensar sobre, isso por isso estava no status de tolerar sua ausência, mas isso não duraria muito tempo. Pelo menos os finais de semana eram só nossos e talvez pudesse tolerar todos esses dias tão tarde.
Ele pintou o quarto todo com a ajuda de Emmett e Jasper. Os tios babões também queriam isso registrado. Eu amava que todos eles estivessem tão animados com minha menina, que mexia dentro de mim me deixando suspirando de alegria. Todos eles me paparicavam muito, mas sentia falta e um pouco de culpa por estar longe dos meus pais nesse momento. Enviei duas passagens sem data para que pudessem vir quando quisessem enquanto estivesse grávida. Ambos acompanhavam minha gestação com fotos, porque mandava para todos que estavam longe e postava algumas coisas no facebook.
- Mexe pra vovó! – Esme estava falando com a minha barriga – Por favor, você chuta sua mãe por todo mundo e pra mim nada!
- Esme, deixa de ser boba.
- Filha, mexe pra vovó. – Edward disse e colocou a mão dela na minha barriga e ela chutou.
- Ela mexeu por sua causa... – resmungou, mas estava feliz mesmo assim.
- Minha filha me ama. – Edward murmurou beijando minha barriga – Papai te ama.
De fato Amy só mexia pra quem queria. Harry vivia com a mão na minha barriga, cutucando-a e falando alto e por isso ela reagia aos seus toques, mas, tinha dia que nem pra mim ela queria dar sinal de vida. O tom de voz de Edward era mais grave e talvez fizesse mais barulho ou ela já podia ser considerada a garotinha do papai. Nos livros que andava lendo dizia que era normal o bebê reagir com a voz do pai. Esme teria que aguentar um pouquinho para ter preferência da minha filha.
Somente perto de completar seis meses de gestação que consegui montar todo quarto da minha menina. Era tudo muito fofo que tinha vontade de estar dentro dele o tempo todo. Foi ideia de Edward colocar um pequeno sofá ao invés de uma poltrona. Seria mais confortável em noites insones. Não escolhemos nenhuma cama porque se houver a necessidade, ela dormirá conosco no quarto.
- Está lindo, não está? – sussurrei admirada e Edward me abraçou apertado, satisfeito com seu trabalho de montagem e pintura. Ele realmente fez tudo, quebrou a cabeça com meu irmão e o manual de montagem.
- Tenho uma surpresa pra você. – disse baixinho e virou meu corpo para o cantinho do quarto e mostrou uma linda cadeirinha de balanço. – Essa cadeira meu pai mandou recuperar, pintar... Está toda restaurada.
- Ai meu Deus, é linda!
- Presente dos avós que não tiveram oportunidade de comprar algo mais para a decoração, já que a mamãe resolveu tudo. – provocou beijando meu ombro – Senta. Experimenta.
A cadeira era confortável e tinha um apoio para que pudesse colocar o travesseiro de amamentação ou meu braço ao segurar Amy. Também não era muito instável, ela só balançava com meu impulso, mas também podia sentar sem mexer muito e parecer que iria cair. Olhei para todo o quarto. Um sonho sendo realizado. Edward também estava feliz. Harry estava ansioso com a chegada da sua irmãzinha, ele já tinha planos de contar para todo mundo. Claro que como um menino da sua idade, não teria grandes momentos de paciência, mas já era excelente pra mim o fato dele aceitar que eu e seu pai teremos outro filho.
- Vamos minha barrigudinha, precisamos acordar. – Edward sussurrou acariciando minha barriga de sete meses. O tempo realmente passava rápido na gravidez, era um paradoxo entre minha ansiedade e o bebê chutando a vida fora de mim. Amy seria jogadora de futebol.
- Não. – grunhi irritada. Não tinha conseguido dormir a noite inteira. Fazia semanas que não estava mais confortável durante a noite, passava mais tempo me ajeitando ou me irritando do que realmente dormindo.
- Tudo bem, tire mais um cochilo. Vou adiantar as coisas.
Eu queria acordar e conversar com Edward. Não sei qual seria a vez que iria pedir que tentasse chegar em casa cedo. Todos os dias depois do jantar ou entrando a madrugada. Eu estava de saco cheio de tolerar a ausência dele. Irritada por estar enorme, com Amy chutando todo o tempo, Harry fazendo algumas birras e todo preparativo do aniversário dele. Ele era um menino bom a maior parte do tempo, porém, não era um anjinho. Tinha dias que vinha com seus amiguinhos para casa depois da escola, era legal ouvir suas conversas e saber que ele estava se distraindo. Gastava meu tempo fazendo lanches gostosos e ajudando em exercícios de casa em um intervalo ou outro das coisas do trabalho.
Sabia que Edward bancava a casa e precisava trabalhar para manter nosso estilo de vida, que aqui não era nenhum pouco barato, mas, sentia sua falta e precisava da sua ajuda nas coisas diárias. Me irritava só falar com ele por telefone e sentir sua presença na cama depois que cansei de esperá-lo acordada. Agora ele iria sair após o café da manhã – isso se não estiver atrasado e sair para levar Harry antes que o segundo sinal da escola toque. A escola estava oferecendo cursos recreativos durante as férias de verão que Harry implorou para participar com seus amiguinhos. Ficava sozinha a manhã inteira, até Rosalie buscar Harry e trazê-lo pra mim.
Minhas amigas ainda estão inventando um chá de bebê. Elas estavam tão animadas que não quis cortar o barato delas e dizer que não estava no clima. Jane e minha mãe estavam vindo passar uma semana comigo. Do aniversário de Harry em uma sexta-feira a tarde e meu chá no domingo. E na outra semana tinha o aniversário de Edward.
- Filho, coma tudo. Não dê trabalho para sua mãe, a barriga dela está pesando e ela fica mais cansada, tá? – Edward disse a Harry e parei no corredor para ouvir a conversa – Você pode me ajudar a tomar conta dela?
- Mamãe está triste com você, pai. – Harry disse simplesmente e saiu da cozinha para sala.
- Bom dia. – disse ao entrar na cozinha e pegar um iogurte e uma banana. – Já vai sair sem comer? – perguntei tentando engolir meu tom azedo.
- Harry pode perder a hora do curso de férias. – respondeu percebendo que não estava muito animada com ele hoje. Já tinha duas semanas que realmente não estava.
- Você pode estar em casa, pelo menos, na hora do jantar? Gostaria de estar acordada para conversar sobre a festa de aniversário do Harry. Já está chegando.
- Claro. Vou fazer o possível.
- Faça o impossível. – retruquei sufocando a vontade de chorar.
Será que o problema era eu? Estou gorda? Ele não está me achando suficientemente bonita para vir para casa cedo? Nós não transamos tem duas malditas semanas! Eu me sentia tão bonita grávida, às vezes me irritava por não caber em uma roupa ou não conseguir ajeitar minha unha dos pés sozinha, mas sempre que Amy mostrava que brincava de trampolim dentro de mim, ficava suspirando. Ela era saudável, perfeita, do tamanho certo. Eu também sou saudável e não engordei mais que sete quilos até o momento. Qual era o maldito problema de Edward?
- Que carinha é essa? – Esme assustou-me ao perguntar. – Chamei na porta, ninguém respondeu. Vim deixar umas roupas de Harry que estavam lá em casa. – disse suavemente, chegando perto de mim e secando minhas lágrimas com seus polegares macios – O que houve, meu anjo? Dia ruim?
- Não ando me sentindo bem. – respondi com um sorriso frouxo.
- Algo sério?
- Não comigo e com Amy, estamos bem. Edward e eu que estamos... Distantes. – sussurrei envergonhada por me abrir com a mãe dele.
- Como assim?
- Ele tem trabalhado muito.
Esme suspirou e estava desapontada com as coisas que fui contando. Não queria colocar a mãe dele contra ele, mas queria muito conversar com alguém. Desabafei um pouco e ela me fez companhia para o almoço. Não estava me sentindo melhor, porque Esme contou que Edward sempre teve essa ansiedade de trabalhar demais e guardar os problemas pra si. Ele é um excelente ouvinte, mas não consegue falar sobre seus sentimentos. Isso me deixava ainda mais pra baixo, porque tinha liberdade com ele para contar meus problemas e ele não conseguia fazer o mesmo comigo. Sou a mulher que dorme na porra da cama dele. Se não fizer isso comigo, vai fazer com quem?
- Mãe, por que você está chorando de novo? – Harry perguntou quando estava ajudando-o a secar o cabelo. Precisava levá-lo para cortar antes do aniversário, já batia nos olhos. Daqui a pouco começaria a sentir dor de cabeça de ter os cabelos batendo nos cílios.
- Eu não estou chorando. – respondi confusa. Eu tinha chorado. Não estava chorando mais.
- Você chorou?
- Grávidas choram por tudo. Vi um filme. – respondi dando um beijo no seu rosto – Obrigada por ser preocupar. Vamos fazer seu exercício de casa e depois assistir um filme com pipoca e refrigerante?
- Eba!
Harry era inteligente como o pai. Normalmente fazia todo seu dever sem muitas perguntas e tinha uma capacidade de resolver o problema bem rapidinho. Nós terminamos e deitamos no meu quarto para assistir "O Bicho Vai Pegar 3". Amy também parecia gostar dos barulhos vindo da tevê porque ficou quieta. No dia que levei Harry ao cinema com os amiguinhos, ela chutou tanto, irritada, que fiquei rezando para se acalmar. Na saída do filme ela parou, mas a essa altura já tinha passado mal.
A hora do jantar se aproximava cada vez e nada de Edward. Nem ligação. Hoje fiz questão de não ligar, mandar mensagem ou sequer dizer que estava viva. Fiz lasanha de carne. Também lavei a salada e deixei pronta na geladeira. Estava pronta para chamar Harry, irritada por esperar quando ouvi a porta abrir e Edward entrar em casa cheio de pasta de papel nas mãos.
- Boa noite. – disse secamente. Oh, alguém estava puto. Isso fazia de nós, dois.
- Boa noite. Foi impossível sair cedo do trabalho hoje? Poderemos fazer isso uma rotina? – perguntei sem resistir a vontade de provocá-lo.
- Qual o seu problema comigo?
- Meu problema com você? – retruquei incrédula – Qual o seu problema com a sua casa, sua família ou comigo? Tem alguma coisa aqui que te incomoda? Que te faz correr para longe e chegar tarde todo maldito dia? – gritei furiosa.
- Eu estou trabalhando, Isabella! Não estou na rua passeando ou em algum bar enchendo a cara. Estou no trabalho! – gritou de volta, afrouxando a gravata e jogando as coisas de qualquer jeito no sofá.
- Não me interessa onde você está, me interessa que você não está em casa comigo e com seus filhos!
- Bella, pelo amor de Deus, você está sendo obtusa! Eu tenho trabalho redobrado, o escritório está passando por uma fase difícil. São muitos processos!
- E por que você não me conta o que está acontecendo na sua vida? – perguntei deixando as lágrimas raivosas escorrerem – Nós não temos uma vida juntos. Algo conjugal. Você tem os seus problemas, seu trabalho e uma casa quente confortável para dormir. E eu tenho uma vida, um novo país, uma gravidez e uma criança de seis anos que depende de mim. Cadê nós dois?
- Bella...
- Você quer se separar Edward? Eu disse a você que a gravidez não te dava a responsabilidade de ficar comigo. Que você podia simplesmente ser pai sem ser meu namorado.
- Para de jogar essa porra na minha cara! Você está falando besteira!
- Você quer se separar, Edward? – perguntei segurando a respiração. Não queria ouvir a resposta. Queria entender que diabos estava passando na mente dele – Você quer sair de casa?
- Bella...
- Bella nada! Se for sair, seja homem caramba! Pare de mandar sinais confusos! Larguei tudo pra ficar com você e você não fica comigo! Estou me sentindo sozinha!
- Bella, para com isso... Baby, não é assim.
- Escolhe o trabalho ou eu e as crianças. – disse me afastando.
- MÃE! – Harry desceu as escadas correndo – Papai não vai embora, nem você tá? – disse nervoso e rapidamente procurei me acalmar. – Pai, diz que você vai ficar.
- Desculpa filhão. – Edward disse desviando o olhar do meu. Ele ainda estava furioso – Preciso conversar com sua mãe por uns minutos. Sozinho.
Harry subiu relutante, olhando para nós dois antes de desaparecer no corredor.
- Então, coloco o jantar ou faço suas malas?
- Eu vou sair. Sem hora para voltar. – disse dando as costas e batendo a porta com força.
Amy escolheu esse momento para me chutar e dizer que estava ouvindo a conversa inteira. Sentei no degrau da escada e senti um corpinho escorregar do lado do meu. Não era para Edward ter saído assim... Ele tinha que ter ficado em casa e resolvido isso. Eu também estava alterada demais, não deixei que falasse por duas vezes. Merda. Agora me sentia culpada por Harry ter presenciado a briga.
Dei comida a Harry e o coloquei para dormir.
- Eu te amo, tá? – Harry sussurrou segurando meu rosto – Não fica triste.
- Mamãe promete que vai tentar. – respondi beijando sua testa – Agora descanse, qualquer coisa só me chamar.
Deitei na cama nervosa. Já era tarde. Não queria dar o braço a torcer e ligar. Em pouco tempo percebi que estava passando mal, sem ar, sentindo ansiedade e minha pressão poderia estar elevada também. Ouvi uns passinhos no corredor, mas era Harry. Ele acendeu a luz principal, mas não virei para ver o que tinha acontecido. Continuei deitada sussurrando palavras boas em uma oração. Edward ia voltar em algum momento.
- Bella? – Edward estava me tocando – Respira fundo. Senta e respira fundo. – instruiu calmamente, segurando meu rosto – Por favor, respire fundo. Estou aqui, fica calma.
- Você foi...
- Eu estava sentado na varanda. Era só ter aberto a porta. – respondeu calmamente me abraçando - Sinto muito. Sinto muito mesmo. Por favor, me perdoa.
- Eu também sinto muito, Edward. Acho que cheguei ao meu limite. Você foi um tremendo idiota saindo assim.
- Eu vou te contar tudo, mas só se prometer ficar calma. – disse beijando meus lábios repetidas vezes – Eu te amo muito, Bella. Muito mesmo. Eu errei com você.
Edward deitou comigo e durante a maior parte da noite contou seus motivos, preocupações, problemas e processos. Em parte me senti aliviada porque estávamos bem, por outra, estava terrivelmente preocupada com tudo que me contou. Ele estava me excluindo de informações para me preservar, porém, não queria que escondesse coisas de mim e por isso podia aguentar, mesmo que por dentro estivesse tremendo de nervosismo. Ele prometeu nunca mais esconder de mim e se afastar dessa maneira e que poderíamos nos organizar no seu horário de trabalho para estar em casa.
Era nessas horas que tinha saudade do Brasil. Nosso Paraíso.

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