SHORT FIC ANONIMO 3.0

Anônimo 3.0 - The Perfect Family




Simon sabe que não poderia ter nascido em um lugar melhor. O garoto da família Pattinson sempre está feliz, porém ultimamente não sabe o que está acontecendo com a união perfeita de papai e mamãe. Porque papai está preocupado? Porque mamãe não quer lhe dizer a verdade? Ele se senta no tapete para brincar com o velho Bear e relaxar... Nunca entendeu muito bem os dois... Tanto que até hoje não sabe por que o chamam de Anônimo.

 

European education, hormones and surprise

 

– É bom que o senhor esteja ouvindo mesmo cada palavra que eu digo, Simon Stewart Pattinson, se não quiser perder todos os dentes da sua linda boca no próximo bimestre! Está entendendo o que quero dizer?

O menino não responde, apenas ergue os olhos profundamente azuis e apertados para sua mãe. Ela parece tão... Brava. Ele sente medo! Nunca viu Kristen assim antes, nunca recebeu uma bronca tão severa ou uma ameaça de perder os dentes em seus seis anos. Porque isso agora? Por causa do colégio idiota e das notas baixas que tirou? Realmente não compreende porque Kristen está assim, mas sabe que se disser alguma coisa estará mais encrencado. Sabe disso a exemplo de seu pai... Sempre que os dois brigam ele fica quieto e abaixa a cabeça. Deve ser o certo a fazer. Apoia as mãos no queixo encima da mesa de vidro da sala de jantar e suspira pesadamente. Não gosta de receber broncas dela... Não gosta mesmo!

– Simon? Entendeu ou não? – Insiste uma Kristen raivosa e transtornada com a expressão do pequeno. Parece tão... Robert. Aquela cara de cachorro abandonado, os olhos idênticos, apertados e azuis... Droga de menino lindo! Droga de coração fraco! Tem que ser forte e punir Simon enquanto pode! Não deve ficar aceitando as notas baixas e as reclamações do colégio assim, sem repreender. Ela não quer que seu filho seja um idiota!

– Eu não gosto de ir para o colégio! Lá é chato, só tem gente boba e... – o menino mal termina! Kristen suspira novamente e o interrompe.

– Não é uma coisa pela qual se cria gosto, Anônimo... É necessário! Se quer ser alguém na vida tem que estudar, ser inteligente e possuir cultura. Você não vê seu pai? Ele sim tem cultura, ele sim estudou e é inteligente... E agora o que dizer de mim, que mal sei somar dois com dois? – o menino ainda tem um biquinho pequeno nos lábios e os olhos tristes. O cabelo loiríssimo está ajeitado, a pequena franja em seu rostinho rosado... Usa uma pequena camisa do Nirvana e suas perninhas balançam no ar sem conseguirem alcançar o chão em baixo da cadeira.

– Você não é burra mamãe – sussurra olhando diretamente para ela. Kristen larga o boletim com notas baixas sobre a mesa e o encara com os olhos derretidos de amor. Porque ele a desarma apenas com uma frase? Apalpa os bolsos do jeans ao sentir uma vibração do celular. No exato momento em que atende, ouve–se a porta da frente da casa sendo aberta. O garotinho salta de seu lugar na cadeira e corre em direção ao recém–chegado – papai! Papai chegou!

Rob abre a porta e se depara com o pequeno garoto loiro a sua imagem e semelhança vindo em sua direção. Usa uma camisa do Nirvana e bermuda Jeans com o pequeno All Star preto. Tem tempo de abrir os braços e pegá–lo com um enorme sorriso.

– E ai garotão do papai... Onde está meu beijo? – equilibra Simon nos braços enquanto fecha a porta e se abaixa sem jeito para fazer carinho em Bear. O pequeno lhe dá um beijo na bochecha e olha com aquela carinha de dó... – Oh–ou. O que aconteceu? Porque esse bico?

– Mamãe está quebrando o pau comigo – Rob ri alto. Kristen está quebrando o pau comigo. É o que ele diz quando fala das brigas dos dois para qualquer pessoa... Simon está imitando–o e isso é... Curioso. O biquinho no rosto do garoto é idêntico ao da mãe... Rob não sabe como ela pode brigar com ele vendo essa carinha. Simon é tão bonzinho, quieto e dócil... Não há motivos para repreendê–lo nunca.

– Bem–vindo ao clube filhão – é o que consegue dizer antes de ver sua mulher entrar na sala com os braços cruzados e um pedaço de papel na mão. Os dois olham para ela ao mesmo tempo e apenas observam–na. Cabelo liso e bem mais longo; olhos cansados, jeans, blusa de Rob e sem sapatos – oi.

– Seu filho já que disse o que andou acontecendo? – apoia–se na parede de maneira desafiadora enquanto Rob olha para Simon de cantinho.

O garoto cora e se move para sair do colo do pai totalmente desconcertado. Rob o põe no chão e os dois assistem o garoto correr para a sala e se senta no sofá do cantinho, escondido. Ok. Rob suspira ao entender o motivo da briga quando caminha em direção a Kristen com os olhos em Simon e ela lhe passa o papel, um boletim. Ambos se encaram significativamente antes dos olhos minuciosos de Rob deslizarem pelo papel criticamente. São, ao todo, cinco notas. O menino tem no primeiro bimestre três notas baixas e no segundo quatro notas baixas.

– Que porra é essa? – sussurra Rob com a testa franzida e os olhos em Kristen. A mesma dá de ombros e aponta para o filho com um aceno de cabeça.

– Eu tentei falar alguma coisa, mas ele não entende porra nenhuma! Sinceramente... Não consigo. Assim não dá... Isso de ser mãe e brigar com ele está... Além de mim – a honestidade naqueles grandes olhos verdes toca o coração de Rob, que passa a mão livre pelo cabelo em total desconsolo – simplesmente não sou boa com palavras nem com bronca. Jules e John nunca ligaram muito para isso de escola, sempre odiei estudar e mandava tudo pra puta que pariu. Não quero que Simon seja um lixo como eu fui um dia e... – Rob toca o rosto dela com calma, tentando demonstrar que está tudo bem. Tentando. Kristen para e o olha... Somente encara. O coração dele se enche de dó quando percebe que existem lágrimas naqueles olhos; os olhos verdes que tanto ama preocupados com o baixinho que domina seu coração e sua vida.

– Eu entendo – sussurra compreensivo. Kristen deita o rosto contra a mão dele e assente positivamente. Vê ali sua força e sua única ajuda potente. Simon escuta Rob; Simon vê em Rob um herói, é a pessoa que mais curte ficar perto tirando ela. A influencia masculina do pai pode ajudar. Ou pelo menos é nisso que ela acredita – irei falar com ele e pode apostar que se não der resultado eu acabo com a vidinha perfeita dele... Não irá ver sorvete por um bom tempo e as viagens para a casa dos meus pais em Londres acontecerão com menos frequência. Sem contar o maldito Xbox. Será uma vaga lembrança a partir de hoje.

Um sorriso pequeno. É tudo o que Rob consegue arrancar de Kristen antes de beijá–la rapidamente e sair na direção de Simon, que o olha com a carinha assustada assim que ultrapassa os limites da sala e desliga a televisão de plasma, ficando frente a frente com o garoto. Ela é fraca. Não aguenta. Dá as costas para a cena e vai até a cozinha beber um pouco de água... Para na geladeira e vê uma Heineken pela metade na porta da mesma. Deve estar choca e horrível, mas bebe mesmo assim. A sensação é boa... Tanto que vai até a pia e para na beira com os braços apoiados na mesma para absorver o gosto.

Droga. Simon só tem seis aninhos, está na primeira série! Não é muito pesado fazer isso com ele? Tirar o videogame e tudo... É o que ele mais ama! Seus olhos se enchem de lágrimas... Não pode ser! Porque, dentre todas as maravilhas que poderia contribuir na genética do garoto, tivera justamente que lhe passar a burrice e suas dificuldades no colégio? Rob era brigão, foi expulso e tudo de colégios... Porém ninguém pode contestar sua inteligência e a impecável educação Europeia. Droga novamente! Seus sogros tem razão ao sugerirem a educação Europeia... É disso que Simon precisa. Uma cultura forte e tradicional. Chora. Sente as lágrimas e se desespera! Está chorando por Simon! Só fez isso uma vez em todos esses seis anos ao lado dele e fora quando seu filhote quebrara o bracinho e ficara três meses com o gesso. Foi horrível vê–lo gritando de dor e chorando tanto... Era como se fosse com ela, como se a dor partisse seu coração também. Em dois segundos Simon estava correndo pelo jardim de Jules com o cachorro e Rob ia atrás com uma caneta para desenhar no gesso dele. Ambos riram e toda a dor passou... Agora se sentia feliz.

O celular tocou novamente... Ela pega curiosa para ver quem era dono do número misterioso que ligara e desligara há poucos minutos. Atende e toma um susto! Sua ginecologista? Sério? A mulher diz que precisa vê–la porque tem os resultados dos exames e marca uma hora no dia seguinte. Kristen aceita ir vê–la, porém sua conversa é interrompida com a entrada de um Rob aliviado e um Simon satisfeito. Ou ao contrário, talvez. Desliga o celular e joga sobre o balcão.

– Você está chorando mamãe? – o menino para logo na entrada e desfaz o sorriso. Kristen cora totalmente e seca as lágrimas de antes, ainda desenhadas em suas bochechas.

– Não querido, não. Entrou algo em meu olho – mente. Desliza os olhos para Rob, que está a encalço do garoto com o boletim nas mãos – e então? Que sorriso é esse?

– Nós vamos comer na casa do tio Tom – comemorou o pivete. Kristen sentiu um alivio continho também ao notar o filho tão contente... Tinha o rosto vermelho, sinal que havia também chorado, mas soava empolgado – Marlowe vai estar lá, nós podemos brincar. Posso levar meu patinete?

– Tom acabou de ligar e dizer que Marlowe está com ele. Vamos dar uma passada por lá? – sugeriu Rob hesitante. Ainda é difícil sair com Simon de casa; mostra–lo é algo difícil, pois no dia seguinte o rostinho lindo está em todas as revistas de sites de fofoca.

– Claro – concorda Kristen esfregando o cabelo de Simon e bagunçando–o – anda moleque, pega seus brinquedos e um casaco. Vai lá. Não esquece de fazer xixi.

 

~~ ~~

 

– Falou com ele? Como foi a conversa?

Tom está na porta pegando as cervejas, refrigerantes e a pizza com o entregador. Sam e Bobby o auxiliam. Simon, usando um casaco jeans e o cabelo arrepiado, brinca no tapete com Marlowe, que já está com oito anos e é bem maior do que ele. É uma linda menina... Tem o cabelo liso, escuro e na altura do ombro; os olhos são claros e chamativos. É doce, porém desligada. Simon não para um minuto e fica tentando encaixar as peças de Lego com mais rapidez. Os olhos de Rob e Kristen não desgrudam do garoto enquanto falam dele.

– Foi... Fácil. Quero dizer, eu disse que você fica muito triste com as notas baixas e ele chorou. Disse que não queria te fazer ficar triste porque te ama muito e prometeu se esforçar mais – o coração de Kristen apertou ao ouvir as palavras de Rob.

– Ele disse isso mesmo? – Rob assentiu positivamente com um pequeno sorriso – Uau... E o que você disse a ele?

– Que é bom mesmo que se esforce, porque além de te deixar triste vai ficar sem videogames e viagens por muito tempo. E ah... Falei também que se ver uma nota vermelho naquele boletim até o final do ano corto as bolas dele – os olhos de Kristen se arregalaram a ele riu – brincadeira. Não falei isso não – então ela riu.

– Mamãe? Papai? Marlowe e eu vamos nos casar! – ouviu–se um barulho forte de vidro quebrando. Marlowe e Simon, parados a frente de Rob e Kristen, se viraram intrigados em direção a Tom, que tinha uma garrafa de Heineken quebrada a seus pés e os olhos arregalados.

– Ai meu Deus... – suspirou Kristen rindo.

– Idiota! Para de desperdiçar cerveja! – gritou Rob. Os pequenos assistiam tudo totalmente confusos.

– Anônimo... Você e Marlowe não podem se casar agora. São muito pequenos! – explica Kristen totalmente compreensiva. Rob se dobrar de rir, mas ergue–se e vai ajudar Tom, que ainda está estático. Recebe um tapa na cabeça por Rob e acorda para a realidade.

– Vou arrancar as bolas do seu filho da próxima vez que ele quiser casar com minha filha... – sussurra baixinho e Rob ri, lhe dando outro tapa.

– Cala boca! São duas crianças seu imbecil... Limpe isso, quero comer – mesmo da cozinha, Rob ainda ouve a explicação de Kristen e os contra argumentos de Simon.

– Mas mamãe! Você e papai não são casados, mas vivem juntos. Vocês vivem de amor não é? Porque eu e Marlowe também não podemos viver de amor? – Rob ri mais alto ainda ao ouvir o suspiro de Tom.

– Porque vocês precisam crescer e ajeitar a vida. Por enquanto serão apenas amigos ok? Melhores amigos – a conversa pareceu estar encerrada por ai. Rob assiste o filho brincando no tapete todo orgulhoso. Ele é tão esperto... Prestou a atenção na conversa dos pais e sabe que Rob e Kristen não se casaram.

– Sam sempre disse que ele ia pegar mais mulher do que você... – comenta Bobby passando por Rob com um sorriso e uma Heineken.

 

~~ ~~

 

– Ai meu Deus! Ai está você! Venha dar um beijo bem gostoso em sua avó! – sua mãe apareceu na porta do nada, pegando Rob totalmente de surpresa! Clare usa um vestido florido e lilás, chapéu de verão e óculos. Richard, ao seu lado direito, também está despojado e em clima de férias. Ambos abrem o maior sorriso do mundo quando um Simon sonolento e de pijama pula no colo deles com alegria.

– Olhe o tamanho desse garoto! O que estão dando a ele? Pensei que iria ficar moreno quando crescesse... Veja Clare. Ele é loiro, se parece com Robert na idade dele – Rob apenas para na porta e observa a cena. Está sem camisa com um pano de prato no ombro e usa apenas uma calça de moletom velha. Seu cabelo está um caos e deve ter calda de chocolate em alguma parte de seu abdômen. Preparar o café de Simon não é missão fácil sem Kristen.

– Nossa, porque estão aqui? – diz Simon olhado os avós. Clare entra na casa com os braços ao redor do neto e pretende não soltar tão cedo. Ambos levam na brincadeira a comentário inocente do garoto.

– Porque estávamos com saudade de nosso único neto – Clare sorri para Simon, que corre para a sala e mostra toda a decoração nova para os avós. É sim uma casa nova, um lugar diferente para fugir dos paparazzi. Não demora muito e Clare está atrás de Rob – onde está Kristen? – questiona enquanto Simon come as panquecas que Rob fez sentado ao sofá e Richard assiste futebol na TV de plasma gigante.

– Foi na ginecologista – sussurra na cozinha com a mãe e totalmente despreocupado.

– Oh! Ela está bem? – apoiada no balcão, Clare tenta entender a cena a sua frente... Rob lava a louça e limpa toda a zona que Simon fez na cozinha. Ela sabe que o filho realmente não precisa fazer isso, mas sabe que a resposta se baseia em sua simplicidade.

– Sim... Eu acho.

Uma longa conversa se estende sobre as tarefas domésticas na casa de Rob, que explica com cuidado que ele e Kristen não gostam de deixar ninguém estranho entrar na casa e que preferem arrumar tudo e manter uma faxineira que os serve há anos duas vezes por semana. Apesar de estar descontraído e feliz pela presença dos pais ali, não deixa de pensar na questão que sua mãe inseriu na conversa... Kristen. Sempre que ia ao médico gostava que Rob a acompanhasse por causa do medo de agulhas, porém desta vez nem sequer insistiu. Apenas comunicou que iria, beijou Simon e sumiu... Ginecologista. Será que é por ser uma consulta mais intima que o repeliu? Rob torce os lábios se lembrando de que a intimidade de Kristen nunca foi escondida dele. Quando estava grávida levava Rob pelos cabelos nas consultas e não se sentir constrangida... Porque isso agora?

– Pai! Olha só que legal o que meu avô me deu! – o menino aparece na cozinha carregando uma blusa de moletom vermelha com a bandeira da Inglaterra na frente. Rob não pode evitar sorrir de canto ao se lembrar do dia do parto.

– Sua mãe estava usando uma blusa destas na noite em que você veio ao mundo – Simon piscou algumas vezes e fez malabarismo para se encaixar no moletom. Rob auxiliou enquanto Clare se preocupava em fazer um doce especial para o neto – o que acha de tomar um banho moleque?

Foi uma proposta tentadora, porém a atenção de Simon se desviou para a chegada de Jules, sua avó materna e Cameron, o tio que Simon é mais apegado. O encontro entre as famílias mesmo não sendo combinado foi de ótima para Simon, que ganhou vários presentes e ficou a tarde toda sentado entre as avós rindo, sendo paparicado e muito bem alimentado. O sol praticamente se punha e nada de Kristen voltar... A preocupação de Rob já passava de limites extremos, obrigando–o a ficar parado na frente da janela grande que dava acesso para o estacionamento desejando vê–la chegar. A chave do carro rodava em seus dedos longos... Suas palmas soam. Resolve subir e dizer que irá atrás dela.

– Pai... Vovó Clare perguntou quando você e mamãe vão me dar um irmão – é a primeira coisa que o moleque diz ao ver Rob, que o pega em seu colo um pouco perdido. Sua mente gira atrás de Kristen e nada faz sentido, muito menos uma pergunta louca dessas.

– Já faz cinco anos que tento convencer sua mãe a ter mais um filho, porém ela fica relutante em sua posição cética de que você é único – os olhos azuis de Simon se estreitam na direção de Rob.

– O que é posição cética? – os outros riem da carinha fofa de Simon. Rob beija seu cabelo loiro e sorri.

– Kristen não quer te dar um irmão. É isso – o biquinho que se forma nos lábios de Simon é fofo, porém nitidamente sentido.

O menino desce do colo de Rob e volta a sentar entre Jules e Clare, que falam animadamente sobre os filhos e a vida incrível que levam. Rob ouve algo como brigam, mas se amam quando se faz um barulho na escada acompanhado por um suspiro forte e choroso. A atenção de todos na sala se vira para uma Kristen de cara vermelha e amassada que sobre as escadas da frente totalmente relutante, como se fosse arrastada. O silêncio toma conta do ambiente e nitidamente a moça não tem ideia de que está sendo observada tão minuciosamente por sua família. Rob gela diante da visão dela. Está mesmo chorando? Quantas vezes a viu chorando desde que Simon ficara doente? Nenhuma! Por quê? É tudo o que ele precisa saber...

Kristen para no topo da escada ao ouvir a chave de Rob cair no chão. O olhar dele é o primeiro que encontra em meio a tantos rostos curiosos... Seus sogros. Seu irmão. Sua mãe. Simon. Todos estão vendo–a chorar igual uma idiota diante de fatos tão dramáticos. Por um segundo deseja não ter saído do carro. Por um segundo deseja ser pequena o suficiente para poder se enfiar no grande casaco de Rob que usa; porque estão aqui justo agora? Rapidamente seca algumas lágrimas ao deslizar os olhos para seu filho, lindamente sentado entre as duas avós usando um moletom com a bandeira da Inglaterra idêntico ao que Rob teve um dia e uma bermuda jeans branca. O moleque tem o cabelo bagunçado e os olhinhos azuis confusos sobre ela. Não demora nem um segundo para saltar do sofá e correr para ela.

– Mamãe! – é tudo o que diz ao se lançar no colo dela e agarrá–la pelo pescoço com força. Kristen o pega e beija seu cabelo loiro com saudades, envolvendo os braços ao redor do filho como se sua vida dependesse disso – porque demorou tanto? Eu estava com saudade... Olha o que o vovô me deu! Não é legal? É a bandeira de onde eu nasci.

Simon mostra a blusa e Kristen se esconde atrás dele para não dar as caras para os convidados. Está tímida por ter demonstrado fragilidade; envergonhada por ter chego chorando na frente de todos, assim, desse jeito. Ninguém vai entender seu drama... Sua novidade. Nem sequer seu compreensivo Simon.

– Nossa, é muito legal Anônimo... – o rostinho dele está voltado para a bandeira que estampa o moletom e Kristen oculta os soluços e as lágrimas com dificuldades – disse obrigado para seu avô pelo lindo presente?

– Sim mamãe, eu disse obrigado – volta a abraça–la pelo pescoço todo dengoso. Kristen sabe que não vai se livrar de Simon tão pronto e tão pouco quer. Tudo o que precisa agora é do carinho dele e, principalmente, ficar ao lado da coisa que mais ama. Falando nisso... Em amor... Rob ainda está pasmo olhando para ela, tão quieto como todos os outros – você trouxe algo para mim? – Simon olha para a sacola pequena que Kristen carrega todo empolgado. Chacoalha as perninhas no ar todo contente.

Kristen vê ali uma oportunidade de fugir desse clima.

– Sim! Mas vamos lá no quarto ver se gosta... É algo muito pessoal – o menino exibi o sorriso idêntico ao da mãe com felicidade dobrada, mostrando as pequenas covinhas que trás na bochecha – com licença – diz a todos os presentes e some no corredor, mas antes disso lança uma olhada longa para Rob, que entende o recado na hora! Tem algo muito sério acontecendo e não deve ser discutido agora. Simples assim.

Antes de entrar ao quarto, ela pode ouvir perfeitamente a voz de sua mãe ecoando no ambiente:

– Vocês brigaram?

– Não – responde Rob prontamente – deve ser coisa dela... É melhor ver o que aconteceu.

Fecha a porta e coloca Simon sobre a cama deles. Tira da sacola dois pacotes quem contem três cuecas no estilo Box em cada um. Simon olha um pouco confuso.

– Cuecas? – ela ri pela primeira vez desde que saiu de casa e se senta de frente ao filho.

– Sim. As grandes são do seu pai – separa e entrega a caixa com cuecas menores para Simon, que avalia minuciosamente – você não disse que queria cuecas iguais as do seu pai? – o pequeno assente positivamente sem olhar para ela – então. Gostou?

– Sim. Obrigado mamãe – o pequeno se estica para frente e desfere um beijo na bochecha de Kristen, que o abraça mais perto ainda e o encaixa em seu colo. Ele fica quieto com as mãos apoiadas no peito dela, que mantem o queixo apoiado na cabeça dele – você está chorando porque está triste mãe?

Oh droga. Ela está chorando mesmo... Respira e tenta se controlar. Não quer de forma alguma deixar o menino preocupado.

– Só um pouco triste – dá de ombros com o sentimento de culpa que a domina. Não deveria estar triste pelo motivo em que está, porém não pode evitar.

– A culpa é minha? É por causa da escola? – Simon se separa dela e a encara de baixo com os olhos azuis e apertados brilhando de lágrimas – por favor, mamãe, não fiquei triste comigo! Eu prometi para o papai que não irei mais tirar nota ruim – ele leva a mão pequena ao rosto dela e Kristen suspira com a sensação.

– Não querido, não é por sua causa. Pode ficar tranquilo, eu acredito em você.

– Então o que é? O papai te chamou de bunduda de novo? – ele ri, porém é interrompida com a porta sendo aberta. É Robert parado na porta do quarto no total silencio, indicando que todos já se foram a essa hora.

– Não chamei ninguém de bunduda... Não hoje – adentrando ao quarto, Rob não sabe bem se deve ir direto ao ponto ou ficar enrolando. Kristen está com a carinha de choro mais apaziguada e Simon segura em suas pequenas mãos um pacote de cuecas. Torce o rosto com a visão diferente de ambos – o que é isso ai Anônimo? Sua mãe lhe deu cuecas de presente? – aproxima–se do filho com um sorriso presunçoso.

– Sim. Cuecas iguais as suas – os dois, sentados lado a lado, olham para o presente – você também ganhou – o pequeno encara o pai como se dissesse algo e Rob logo entende. É para agradecer a Kristen, calada em seu canto.

– É um ótimo presente... Obrigado querida – diz e Simon pisca para ele.

– Por nada – sai da cama se dizer mais nada e tira a roupa no caminho para o banheiro. Os dois ficam sentados sobre a cama olhando uma Kristen vestido apenas com uma calcinha azul clara procurando uma roupa no closet de Rob. E então ela some no banheiro, deixando a porta entreaberta.

– Que tal ir instalando seu Xbox? Nós podemos jogar uma partida juntos... Topa? – Simon assente positivamente nem tão empolgado assim. Rob apenas de olhar saber se tratar de Kristen. Simon está triste porque ela está também... É horrível desconhecer os motivos de ambos. Trás o filho para perto e beija sobre o cabelo dele com força – não fique preocupado. Vai ficar tudo bem. O papai promete.

Simon olha o pai de baixo e torce os lábios numa linha reta e imparcial. O mesmo sorriso que Kristen dá quando não tem tanta certeza de nada... Rob aperta sua bochecha com cuidado e o menino sorri mais, pulando da cama alta de casal com seu presente na mão.

– Vou te esperar na sala pai. Vê se não arrega dessa vez!

– Está me chamando de arregão moleque? Justo eu? Anônimo... Anônimo... – o garoto sai do quarto dos pais e fecha a porta. Rob pode ouvi–lo rindo enquanto sobre as escadas em direção à sala de jogos que ganhou em seu aniversário de seis anos.

Não espera mais. Ao notar que a distancia de Simon é segura vai em direção ao banheiro e tira a camisa, parando na pia de mármore branco em frente ao Box onde Kristen toma banho. Na verdade, devido ao vidro límpido e a pequena fresta que está aberta, pode ver perfeitamente que ela está encostada a parede deixando a água quente cair em seu cabelo ensopado e lavá–lo. Tem os braços cruzados em frente ao corpo e olhos no chão... Está realmente para baixo. Sem ser notado, pensa em alguma coisa para iniciar um assunto e só consegue tirar uma possibilidade de sua brilhante mente para assimilar com o humor de Kristen.

– Quando você viaja? – sussurra parando bem em frente ao Box, afastando um pouco mais o vidro. Os olhos dela se erguem para ele em total confusão e surpresa, mas o momento de baque logo passa... Kristen volta a ficar encostada na parede e finge olhar as unhas.

– Eu... Não vou mais viajar.

Aquilo o pega de surpresa! Ele realmente pensou que ela iria viajar e... Kristen sempre fica para baixo quando tem que gravar longe de casa por um período maior que duas semanas. Nessas condições, dependendo da agenda de ambos, Simon fica com Rob ou com Jules, tendo chego a ir até para a casa de Richard e Clare, em Londres. Quando Rob está é tudo mais fácil, porém quando ele também tem que cumprir compromissos com filmes as coisas realmente bagunçam. O moleque odeia ficar longe de casa e, segundo os avós, fica depressivo até a volta dos pais. Rob até arrisca levar Simon de bicão nas viagens, porém Kristen não tem essa destreza de conciliar o menino com as gravações. Quando está perto do pequeno apenas quer ficar com ele e nada mais. Rob pisca algumas vezes perante a imagem trágica dela ali, sob a água. Se não é a viagem, o que é?

– Como não vai? Mas e o filme? Você estava tão empolgada... – logo é respondido com um corte dramático dela.

– Sim. Você disse bem... Estava – ainda não o olha. Rob se sente desconfortável nessa situação. Kristen nunca foi difícil. Se fosse em dias comuns agora estaria de baixo do chuveiro com ela e os dois estariam ou rindo juntos e se tacando água, ou fazendo amor sem se importar com mais nada. Sente medo do rumo dessa conversa por um minuto.

– Eles te descartaram? – é a única resposta plausível para encaixar esse quebra cabeça. Kristen nega sem olhá–lo.

– Não. Fui eu quem pediu para dar o fora – soluça. Ela... Está chorando! Droga! São tantas lágrimas juntas para um capítulo de sua vida que tudo o que consegue pensar é que a culpa é dele.

Passa a fazer uma recapitulação dos últimos seis anos em sua mente... Foi sempre um companheiro presente, nunca a deixou sozinha e tão pouco foi um chato controlador. Admite–se um pouco possessivo e ciumento, porém nada mais que isso! E sobre o menino... Simon é tão parecido com eles que é quase impossível encontrar defeitos no garoto. É um bom filho, calmo, quieto, respeita os pais e nunca deu trabalho até a porcaria das notas baixas... Será que é isso também? Será que está com raiva por ele não ter tido mais pulso firme antes? Será que ainda a incomoda o fato de Simon ter tudo na mão por parte do pai? São tantas coisas para pensar... A culpa bate forte quando Rob se lembra de que disse a ela, certa vez, que suas viagens longas a trabalho afetavam demasiadamente Simon, que tinha que ficar feito uma marionete de casa em casa e sempre era ele quem tinha que se sacrificar e desistir de coisas pelo garoto.

Rob continua postado de frente a ela, nua e molhada contra a parede, pensando em algo para dizer. Simplesmente arrisca e fala merda.

– Sou eu? É pelo que eu disse sobre Simon? – ela o olha pela primeira vez com confusão no olhar. Seus olhos estão vermelhos ao redor da pupila e o rosto corado de tanto chorar... Ele está tão apavorado que suas mãos tremem – escuta... Você é uma ótima mãe. Ótima mesmo! Eu duvido que Simon te troque por qualquer outra mãe e suas viagens... Ele entende. Ele sabe que é o que você ama... Esse trabalho. Nós vamos te apoiar sempre e tudo o que eu disse era besteira. Esquece isso e me perdoa. Por favor.

– Do que está falando? Não é nada... – ele a interrompe ainda postado no mesmo lugar feito uma estatua.

– Eu sei que é. Desculpe–me por isso Kristen, me desculpe mesmo! Não sei onde estava minha cabeça quando fui falar que você... – ela notou que Rob não iria parar de falar tão cedo; notou que se não tomasse as rédeas e contasse a verdade logo seria uma briga maior ainda, pois, no fundo, ela sabe que Rob está certo. Sabe que suas viagens constantes afetam sim a vida do pequeno Simon. No fundo ela deseja ser como Rob. Ele sim é um pai perfeito. Tentou se controlar, tentou... Mas quando viu já tinha dito e desmoronado tudo.

– Dá para me deixar falar? Eu estou grávida porra! – gritou e ao ouvir sua voz ecoando no ambiente se retesou e fixou o olhar em Rob, que apenas a encarou durante uns bons segundos com a maior cara de taxo do mundo. Cara de nada. Expressão vazia. Após um belo momento de silêncio o medo estampou o rosto bonito de seu companheiro, que em seguida fechou o vidro do Box, deixando–a sozinha no cubículo sob o chuveiro.

Ele a deixou sozinha ali e não disse nada!

Ela sabia que seria um baque grande para ele... Apesar de Rob sempre falar que queria mais um filho ou dois, o assunto caiu no esquecimento depois que Simon cresceu e ficou difícil conciliar carreira e filho. Chegaram até a dizer que o garoto deles seria único e não haveria mais gravidez, então... Aquela bendita médica liga e disse que seus exames recentes para a viagem deram alteração. O que lhe resta agora? Acabou. Não há mais o que fazer. Encostada na parede, tem medo de sair dali e ver no rosto de Rob uma expressão que a decepcione, porém é necessário. Deve encará–lo e saber o que está pensando. A ideia de que ele possa ficar triste com ela a dilacera... O pior é que não tem ideia de quando ou como ficou grávida, já que tomou o remédio periodicamente. A médica disse algo relacionado a organismo acostumado ou sei lá, porém ela apenas se fixou na ideia do bebê. É real. Vai acontecer. Já era!

Puxou a toalha lilás e se enrolou na mesma com o cabelo pingando. Começa a tremer sem saber ao certo porque, batendo até os dentes de tão nervosa. Seu coração bate erraticamente quando afasta o vidro do Box e, surpresa, dá de cara com um Rob parado em frente a pia e com a cabeça enfiada de baixo da torneira aberta. Fica estática atrás dele e acompanha com o olhar o ato dele jogar o cabelo molhado para trás e molhá–la também. Suspira com as mãos na cabeça e não olha para ela... Apenas quando abre os olhos e a vê pelo reflexo parada ali, atrás dele, envolta pela toalha.

Morde os lábios e prende o mesmo entre os dentes. Está tremendo, desfalecendo em direções distintas. Porque ele não fala nada? Ela engole a respiração e encara o chão sem conseguir olhá–lo... É tão difícil essa situação. Rob se vira e dá alguns passos na direção dela. Kristen retesa o corpo e não sabe o que pensar sobre tudo isso, está perdida. Ele toca sua bochecha com a grande mão quente e agradável que tem e seca uma de suas lágrimas delicadamente. Suspirando, ergue o olhar dela para o dele. Os olhos do pequeno Simon não encontram seu sorriso... Ele quer juntar os dois novamente. Quer ela. Delicadamente, deliberadamente, desce a mão por seu pescoço, por seus ombros e braços até roçar a abertura da toalha, que afasta e revela sua pequena e magra barriga. Kristen morde os lábios novamente olhando para a mão que tanto adora e a vê pousar em sua barriga pálida gentilmente. Com amor. Com carinho imensurável.

Seu coração estremece. Seu corpo todo se derrete... Como ele consegue ser tão perfeito? Ambos se encaram novamente e uma lágrima solitária de alivio e felicidade desliza pelo rosto dela... Rob sorri. Não um sorriso qualquer, mas o sorriso que apenas Rob pode desferir. Aquele idiotamente bobo que ela apenas vê em seu rosto quando Simon está por perto. Aquele que viu há seis anos, quando comunicou a ele que teriam um neném chegando. Ele a ama. Ele nunca a deixará.

– Por favor, não fique bravo comigo – suspira e praticamente implora com o coração mais leve. Rob sorri e acaricia a barriga úmida dela com cuidado, olhando como se visse o bebê – eu juro que não planejei isso, foi sem querer.

– Eu sei Kristen, eu sei – acalma–a e sobe novamente a mão para o rosto dela – eu te amo e estou muito feliz com isso. Muito. Confesso que fiquei preocupado com você o dia todo e isso me... Surpreendeu – ela não permite que ele termine. Lança–se para frente e passa os braços ao redor da cintura dele e beija seu peito com fervor. Escora–se ao corpo do homem que ama e se sente protegida como sempre. A mão dele desce por suas costas e a outra acaricia seu cabelo... Ganha um pequeno beijo na testa cheio de adoração – eu te amo mesmo garota. Obrigado por essa surpresa. Por essa vida ótima.

Sorri sem graça e ergue–se na ponta dos pés para beijá–lo.

– Também te amo seu grande bobão – corre a ponta dos dedos pela barba rala que Rob trás no rosto. Ambos sorriem um para o outro e se derretem no olhar apaixonado.

– Tomara que dessa vez seja uma menina... – Kristen ri e concorda, roçando o nariz no dele.

– PAI! VAMOS JOGAR O VIDEO–GAME! PAI! CADÊ VOCÊ? EU SABIA QUE VOCÊ IRIA ARREGAR... – os dois olham para a porta e Kristen gargalha das palavras do filho.

– Aqui no banheiro pivete! – grita sem se separar de Rob. Em segundos Simon está empurrando a porta e entrando no banheiro com Bear ao seu encalço. O cachorro para na porta e fica apenas olhando. Não tão contente como Simon, que encara os pais juntos e felizes como se aquilo fosse a oitava maravilha do mundo.

– Quem é arregão ai? Eu? – zomba Rob, vendo Simon sorrir abertamente.

– Então vocês estão felizes de novo? Não vão mais brigar? – Simon ultrapassa o caminho entre eles e abraça as pernas de Rob e Kristen, que o envolvem também. Os três formam um elo bonito. O garoto pendura a cabeça para trás de modo a encarar os pais. O cabelo loiro cai e fica fofo, deixando–o com franja.

– Nós nunca brigamos – diz uma Kristen compreensiva e totalmente apaixonada por seus dois garotos. Passa a mão no cabelo loiro e liso de Simon com carinho exacerbado – nós nos amamos muito. Você sabe disso. Sabe que também amamos você não sabe?

– Sim, eu sei – garante sorrindo – vocês me amam mais do que tudo! – eles riem do entusiasmo do garoto.

– Exatamente. Amamos você mais do que tudo – garante Rob apertando levemente o nariz dele, que ri.

 

~~ ~~

 

Oito meses depois

 

É melhor você voltar logo para casa! Seu filho arrancou uma corda de sua guitarra favorita e usou como matéria–prima para fazer um anel de noivado igual ao que você me deu para presentear Marlowe. Não preciso dizer que Tom teve um colapso ao ver um anel de corda da guitarra no dedo da filha dele, que dizia incansavelmente que iria se casar com Anônimo no final da quarta série. Estou ficando louca, aliás! O garoto não para de perguntar de você e algo me diz que se você demorar mais um dia nessa maldita divulgação irá perder o parto do Anônimo Segundo. Perdoe–me!

Com beijos apaixonados e muita saudade do nosso sexo,

Kristen.

 

Ela olha pela janela enquanto passa manteiga de amendoim em algumas torradas. Espera impacientemente o ônibus chegar com Simon, que depois daquela conversa com Rob há uns meses atrás resolveu mudar de escola e passar a ser como todos os outros alunos... Isso incluía não mais chamar a atenção por ser filho de pais famosos, ao contrário, se englobar ao todo. Foi difícil para Kristen ver seu filho estudando num colégio onde apenas filhos de pessoas muito famosas frequentavam e, ainda mais, vê–lo fazendo amizade com aquelas crianças mimadas. Porém era apenas ali que ele não era diferente. Apenas na mesma escola que estão os filhos de Brad Pitt e Ben Affleck.

Ela sempre pensou que essa fama louca de Twilight iria acabar um ano depois do final... Mas estava errada. Os fãs ainda são malucos. Rob já se consagrou em muitos de seus papéis e ultimamente está muito requisitado. Ela, por sua vez, ainda se dedica a carreira de atriz, porém sabe que seu lugar já não é mais somente no set atuando; a paixão hereditária que carrega por produção de filmes anda aflorando mais do que nunca e sente que é uma oportunidade ótima de começar. Principalmente agora que está no penúltimo mês de gravidez, prestes a dar a luz seu segundo filho.

O ônibus escuro estaciona no grande jardim. O porteiro da casa vai até lá e recebe Simon das mãos de uma moça vestida com o uniforme da cara instituição escola e trás o menino para dentro. Kristen assiste Simon correndo pelo jardim com seu uniforme azul escuro todo empolgado e tirando a camisa. Por baixo da blusa do colégio usa uma camiseta do Led Zeppelin, que imediatamente recorda se tratar de um presente de seu irmão adotivo Taylor para Simon no ultimo natal. Para perto do balcão e aguarda a chegada do garoto na cozinha com uma das mãos pousada sobre a barriga exageradamente grande. Ligeiramente maior do que esteve na gravidez de Simon.

– Mamãe! – diz em plena empolgação ao adentrar a cozinha e jogar a mochila sobre o balcão. Corre até Kristen, que se abaixa como pode para dar um beijo de boas-vindas no filho. O garoto sorri abertamente antes de beijar sobre a barriga dela com ternura... Ele passou a fazer isso, chegar e beijar também a barriga, depois que assistiu Rob fazer periodicamente. Ela acaricia o cabelo dele com carinho exacerbado – papai voltou?

– Não. Ainda não – o sorriso dele se desfaz quando ouve as palavras dela, que também fica triste – eu sei Anônimo, eu sei que está demorando... Mas ele voltará em breve. Eu prometo!

Simon nada diz, apenas assente positivamente e vai até a sala de jantar sem muito entusiasmo. Kristen o segue de perto e o assiste sentar-se à mesa do almoço com cara de poucos amigos. Para na porta e apenas observa o pequeno mexendo no garfo sem muita vontade... Ela deveria manda-lo tirar o uniforme e subir a mochila para o quarto, mas não o faz. Compreende que seja difícil para ele ficar longe de Rob, apenas não entende o motivo de tanta tristeza e insegurança. Com cuidado se aproxima e se senta na cadeira de frente para ele. Simon come seus legumes com carne sem falar nada.

– Hei... Olhe para mim – pede ela com cuidado. Simon ergue os olhos azuis delicadamente e a olha com hesitação – o Rob vai voltar. Você sabe disso... Logo ele estará aqui e tudo vai ser como antes – Simon nada responde, apenas olha.

– A Marlowe disse que um dia o pai dele disse que ia embora e nunca mais voltou para casa. Ela tem que ficar indo e vindo da casa da mãe e do pai dela todos os dias e nas férias... Eu não quero isso mamãe. Não quero que o papai diga que vai voltar e nunca mais volte – admite o garoto com o rosto apoiado na mão. Kristen engole em seco e segura na pequena mão dele esticada na mesa.

– Simon... – ele olha interessado. É uma das poucas vezes que sua mãe o chama pelo nome, não de Anônimo – seu pai te ama carinha. Ele ama mesmo, entende? E a mim também. E ao seu irmão. Ele é totalmente louco por nós três e não irá embora. Ele sempre voltará para casa e ficará ao nosso lado... Ou acha que Rob iria abrir mão do Xbox?

Simon ri baixinho e suspira com as palavras da mãe. Acredita sim no que ela diz e se sente mais calmo...

- Pode confiar em mim? – o pequeno assente positivamente. Kristen aperta a bochecha dele com carinho – ótimo. Agora coloque a mão aqui no seu irmão... – leva a mão pequena do filho até a barriga – está o sentindo dançando? Está feliz porque você sorriu...

Simon gargalha e fica com a pequena mão sobre a barriga de Kristen.

- Tomara que seja uma menina... – comenta ele surpreendendo Kristen – papai quer uma menina. Será que ele queria que eu fosse uma menina?

- Sim, ele queria – não mente – porém você precisava ver como ele ficou feliz ao ver você nascendo. Rob foi a primeira pessoa que te viu e ele chorou feito um idiota quando te pegou no colo pela primeira vez... – o sorriso vitorioso de Simon é contagiante. Sorriso de sua mãe – o maior sonho dele sempre foi ser pai e você é esse sonho. Ele diz isso até hoje.

- E você mãe? Queria uma menina também? – sua expressão é cética.

- Não – bagunça o cabelo arrumadinho e para cima dele – eu sempre quis um garoto lindo, sexy e de olhos azuis. Um que me dê bastante trabalho com as garotas e seja o gostosão da parada... – Simon sorri envergonhado – não é? Você não vai pegar todas as gatinhas?

- Papai sempre diz que devo tratar as mulheres como princesas, não como pedaços de carne. Diz que devo abrir a porta para elas, pagar a conta e só roubar um beijo se perceber que ela também quer. E ah... Disse-me para ser bom para você, porque todo o menino que é bom para sua mãe também é bom para a esposa – Kristen pisca sem reação diante as palavras de Simon.

Apenas imagina uma cena onde Rob converse com ele e diga tudo isso. Por certo seu nome rolou ali no meio. Quase suspira com a fofura nos olhos dele...

- Seu pai e suas boiolagens... – diz ironicamente, nitidamente brincando.

- Vovô Richard diz a mesma coisa. Diz que o método é infalível! Ele disse que se casou com a vovó sendo cavalheiro e papai conseguiu você do mesmo jeito – Kristen o abraçou contra o peito e beijou seu cabelo.

- Isso mesmo meu cavalheiro Britânico... Seu pai e seu avô tem toda razão. Você deve ouvi-los sempre e está indo muito bem. É um ótimo filho e muito bom para sua mãe aqui - o garoto soa absurdamente orgulhoso, nota ela – o eu acha de sair com a mamãe para resolver um problema?

A tarde deles e movimentada e lotada de conversa. Ela vai até um estúdio resolver algumas coisas sobre seu próximo filme em lançamento e arrasta do garoto com ela, que torce o nariz para o ambiente e se contenta em ficar sentado no canto jogando seu videogame portátil.

 

~~ ~~

 

É madrugada. Ele chega sem avisar e adentra a casa silenciosa quando o relógio bate às três da manhã. Bear dorme perto da lareira da sala com Bernie e ambos não latem, apenas se erguem e vão se esfregar aos pés dele quando notam sua presença. Deliberadamente se abaixa e acaricia a cabeça dos cães, mas logo segue em direção ao quarto azul, o de Simon. Ele mal pode descrever a saudade... Saudade que é prolongada quando se dá conta que seu filho não está no quarto. Para na porta e alcança o celular, que vibra.

Já chegou cafajesteMe liga quando estiver ai.

A mensagem é de Tom, seguida por uma de sua mãe.

Como está Kristen e os meus netosVocês já descobrir o sexo do neném ou vai ser a mesma coisa de Simon? Ligue-me. Eu te amo.

Rob torce os lábios e enfia o celular no bolso. Segue para o quarto dos fundos pensando na resposta e para na porta ao ver um Simon todo jogado e adormecido na cama de casal alta e bagunçada. Vazia, exceto pelo menino loiro e rosado que dorme sobre ela espalhadão. Simon. Um sorriso cresce em seu rosto quando se aproxima e cai de joelhos ao lado dele, beijando seu cabelo bagunçado com muito carinho e afagando sua face. O cheiro de criança limpa misturado ao perfume forte e marcante de Kristen o embriaga. É tudo o que queria sentir! Por um segundo apenas observa o pequeno adormecido e se perde no tempo... É tão difícil ficar longe dele que a sensação é inexplicável. Agora não importa. Acabou mesmo. A próxima viajem será apenas depois do nascimento do bebê, portanto irá demorar.

Falando em bebê... Onde Kristen está?

Ergue-se. Vira-se e dá de cara com ela parada atrás dele, perto da estante de livros, com uma das mãos apoiada na mesma e a outra ao pé da enorme barriga. Usa uma camisa preta e larga com short escuro. Tem o rosto úmido por água e o cabelo levemente molhado de suor. Caramba. A aparência dela o assusta! Fica apenas parado e olhando... Os olhos deles se cruzam através do silêncio. Ela parece... Parece assustada! De repente Rob retrocede no tempo novamente, voltando há seis anos. As diferenças são mínimas; não é Londres, mas sim a casa deles em LA. Não era o mesmo quarto e tão pouco tinha um garoto na cama...

- Kristen... – sussurra dando um passo a frente. Ela faz sinal para que ele pare e suspira pesadamente.

- Pegue ele – diz referindo-se a Simon – estou sangrando.

Os olhos dele crescem no rosto.

- Sangrando?

- É porra, sangrando! Vamos logo para o hospital, estou feliz que esteja aqui... Já estava indo ligar para minha mãe – dá as costas a ele totalmente nervosa e caminha até o closet. Ela não quer perturbação, só espera que dê certo.

 

~~ ~~

 

Os olhos do pequeno percorrem toda a sala de espera do hospital de Los Angeles, onde espera com seus avós maternos, seu tio Cameron, tio Tom e tio Sam. Está perfeitamente aquecido e acomodado no colo de sua avó, porém sente medo. Não consegue desviar os olhos da entrada da emergência, onde sua mãe sumira desde que chegara e papai fora com ela. Não houve mais noticias.

- Está tudo bem meu amor? – sussurra Jules ao ouvido dele, que nada responde. Continua sério e escondido em sua blusa de moletom com a bandeira Britânica e a touca escura que Rob enfiara em sua cabeça - Simon?

- Eu quero minha mãe, vó – sussurra com a voz dengosa, se virando para abraçar a avó de maneira forte.

- Sua mãe está ocupada querido... Daqui a pouco ela estará aqui com você ok? – ele não responde, porém é retirado do colo de Jules quando Clare liga de Londres e ela é obrigada a sair de perto de Simon para falar.

Os pais de Rob não estão aqui porque o parto estava programado para ser dali a duas semanas em Londres, no mesmo lugar onde Simon nascera. Tudo foi às pressas, corrido devido a uma complicação. Ninguém estava sorrindo ou se divertindo como no parto de Simon. O clima de tensão era nítido, ninguém sequer respirava sem desviar os olhos da porta. Jules não queria mencionar perto de Simon as palavras sangramento e risco de vida. Ele balançava suas perninhas pequenas na beira do banco quando seu pai saiu da porta usando uma roupa azul e segurando uma máscara. Está limpo, porém soa mais do que tudo! Os olhos de todo se deslocam para Rob, que é rapidamente agraciado com um aperto de mãos por parte dos amigos que se erguem para cumprimenta-lo.

- Com quem Jules está falando? – questiona Rob para John, sentado ao lado de Simon.

- Com sua mãe. Ela, seu pai e suas irmãs virão para cá assim que possível. Parece que está tendo uma geada horrível na Inglaterra e todos os voos foram cancelados até amanhã – Rob simplesmente assente positivamente e vai até Jules. Ambos se encaram sem dizer muito.

- Eles vão fazer a cirurgia. Pediram-me para vir avisar, mas já tenho que voltar. As coisas estão difíceis – ela assente e coloca uma das mãos no ombro dele em sinal de compreensão – você cuida dele?

- É claro que sim. Vá em paz querido, tudo dará certo – ele assente e vai até o pequeno, que olha para o pai com cara de susto. Rob se abaixa a frente dele e segura seu rosto com cuidado, em seguida beijando a mão pequena de Simon, que tem os olhos azuis mareados por lágrimas.

- Porque você está chorando? – questiona Rob como se tudo estivesse bem ao ver as lágrimas caindo pelo rosto dele.

- Minha mãe vai morrer? – fala quando o pai seca uma de suas lágrimas.

- É claro que não! Você acha que eu vou deixar sua mãe morrer? – sorri de cantinho querendo ter realmente toda essa segurança que transmite para o filho – nós dois precisamos dela. Ela é a rainha do nosso castelo – Simon nada responde, apenas se aproxima do pai e o abraça. Rob o prende em seus braços e respira profundamente... No fundo sente que tudo vai dar certo – o papai promete que vai ficar tudo bem. Eu te amo Anônimo.

 

~~ ~~

 

O garoto esperou o que pareceram ser anos para ver a mãe novamente, porém foi levado para a casa de sua avó sem ter qualquer noticia. Passou o sono que sua avó sugerira em claro pensando no carinho que recebera de Kristen antes de dormir e na tarde maravilhosa que havia passado com ela... Tudo o que ele deseja é poder ficar lá com ela e seu pai. Já era de quando se levantou e foi até a cozinha comer biscoitos e tomar leite sentado no balcão alto. Cameron apareceu na cozinha segurando uma chave todo empolgado.

- E ai moleque do tio? Vamos ao hospital visitar seus pais e sua irmã?

 

~~ ~~

 

Mesmo com suas pernas pequenas ele correu pelo corredor todo destrambelhado até chegar ao quarto de Kristen, onde agora havia uma faixa rosa pendurada. Ficou na ponta dos pés para abrir a fechadura e adentrou ao quarto claro com empolgação, sendo recebido com olhares de surpresa por parte dos pais.

- Ai meu Deus... Meu menino! – choraminga sentada sobre a cama alta com o cabelo preso para cima e enfiada em edredons pesados. Estica os braços na direção de Simon, que corre para perto dela e sobe as escadinhas para se sentar na cama. Os dois se abraçam fortemente e ela beija sobre os cabelos loiros... – eu estava tão preocupada... Você está bem Anônimo?

- Aham – garante feliz ao ver sua mãe – eu pensei que você ia morrer.

- Que ideia Anônimo... Que ideia! – ela o puxa novamente e beija seu cabelo. Rob os observa parado em frente à cama com um embrulho rosa nos braços.

- E ai rapaz? Quer ou não conhecer sua irmã? – diz Rob se aproximando com a criança e passando ela para o colo de Kristen – já aviso que sua opinião irá mudar... Marlowe não será mais a menina mais bonita do mundo depois de sua irmã.

Ele fica debruçado sobre a mãe para poder enxergar o rosto pequeno, pálido e rosado da menina. É tão branca quando ele, porém tem os lábios mais rosados e cheios e os olhos são maiores. Também tem sardas como Kristen e os olhos, novamente, são azuis como os do pai e do próprio Simon. Usa um macacão rosa-claro e tem uma faixa no cabelo loiro forte.

- Papai tem razão. Ela é mais bonita que a Marlowe – gargalha e toca com a ponta do dedo a bochechinha dela – como é o nome da minha irmã?

- Você escolhe... – diz Kristen – Savannah, Isabelle, Violet, Apple, Charlotte...

- Uhm... Charlotte é legal.

- Ok. O nome dela é Charlotte! – Kristen sorri para a pequena menina e se sente finalmente inserida num sonho que devaneou há muitos anos.

Ela e Rob com um filho ou dois juntos e felizes. Porém sabe que tem mais do que isso... Tem amor em sua família, amor verdadeiro. Consegue ver nos olhos apaixonantes de Simon a veneração que tem pela irmã e nos olhos de Rob toda a paixão que tem pelos filhos. E ela ali, com sua simples veneração por um trio de olhos azuis e encantadores. Sua garotinha Charlotte. Seu pequeno Anônimo Simon. Seu cavalheiro Rob. O que mais lhe falta? Nada! Em dois mil e oito ela tomou a decisão certa e não se arrepende disso.

- Charlotte, veja só esse dois garotos ao nosso redor. Seu pai bobão e seu irmão Anônimo. É difícil lidar com eles, mas ao menos estamos protegidas de qualquer ameaça e temos dois cavalheiros Britânicos para intercederem por nós, garotas norte-americanas – brinca Kristen e Simon sorri.

- Posso fazer uma pergunta? – Rob se senta do outro lado de Kristen e fica mexendo no cabelo da menina delicadamente, porém olha quando Simon fala da pergunta. O garoto não é nada bobo e faz umas observações categóricas e originais. Singulares, no mínimo.

- Claro – sussurra Kristen pacientemente.

- Porque vocês me chamam de Anônimo?

Rob e Kristen se entreolham de modo cumplicie e duplamente confusos. Simon nunca fez essa pergunta e isso deve estar acontecendo porque sempre disseram que o chamam assim desde o nascimento e, com a chegada de Charlotte, notou que a irmã não tem apelido. Certo. É hora de tentar explicar um devaneio.

- Bom... – começa Kristen – er...

- Foram os malditos da mídia que começaram com essa palhaçada. Você sabe que nós passamos por uma fase de muito famosos e fomos praticamente à família real daqui e... – Rob é interrompido.

- Vocês ainda são muito famosos – interrompe Simon.

- Ok. Que seja! – sussurra Rob – sua mãe estava grávida e isso era meio que uma obsessão por parte das pessoas e ficaram especulando e especulando ao redor do seu nascimento. Nós dois resolvemos deixar tudo no sigilo para não dar o que aqueles babacas pudessem vender e não ficamos sabendo se você era uma menina ou um menino. Eu achava que era uma garota, por isso coloquei o nome de Catherine, porém Kristen insistia na história de que até a hora do parto não haveria nome. E a partir daí ela começou a te chamar de Anônimo... Anônimo por falta de identidade entende? Você estava lá, mas não sabíamos nada sobre você.

- Maldita mídia! – fala Simon com cara de poucos amigos.

- Aqueles filhos da puta babacas... – completa Kristen.

- Que se fodam todos! – sorri Rob.

Os três se olham e sorriem. A bebê espirra. Simon se sente vitorioso por ter os dois como pais e uma irmã tão bonita como Charlotte. Ele se inclina sobre a irmã mais uma vez e sabe que a partir de agora poderá entender melhor as coisas, afinal, já sabe o porquê de todos os chamarem de Anônimo.

Ele é único e especial. A criança pelo qual o mundo todo esperou. Mas como dizem seus pais...Que se foda a mídia!

 

FIM



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