CORAÇÃO INDOMÁVEL - CAPITULO 37


Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência



Capítulo 37
Bella
São tantas emoções dentro de mim ao ler o que ele sentiu. Como sua vida foi.
Quero entende-lo. Quero saber o porquê de suas ações. Este Edward que ele descreve não se parece em nada com o bad boy que conheci.
Sei que só vou saber a verdade ao final deste diário, e isso só faz a ansiedade maior.
Seus desabafos em meios a sua narrativa me consomem.
Isabella... eu sei que eu disse que eu a odeio, na última vez que eu escrevi, mas não é toda verdade. Eu a odeio por não me permitir esquecê-la... como está fazendo em relação a mim.
Sei que está casada e feliz, e isso foi o que eu quis pra você, mas ao mesmo tempo isso... me destrói.
Casada? Eu? De onde ele tirou isso?
Edward
Entramos no deposito. A mão do meu pai no meu ombro me incomoda. Ele parecia o pai exemplar, levando seu filho para algo digno e honesto. Não é assim. Primeiro ele não é um pai exemplar, e segundo ele não está me levando para algo que eu poderia me orgulhar.
Ele está me lavando para ser apresentado a gangue, como futuro membro dela, já que em duas semanas eu terei 18 anos.
No bolso do meu jeans surrado sinto o papel que ali está, e que poderia mudar a minha vida. A carta de aceitação de uma das melhores faculdades do país.
Não sei por que me inscrevi para universidades. Na verdade sei sim. Eu sempre quis estudar. Ser alguém que pudesse me orgulhar, e que pudesse dar uma vida melhor para minha mãe e tirá-la da vida que nunca quis para si.
Infelizmente isso não será assim. Não sei como ir para a faculdade... abandonar tudo e deixar minha mãe e meus irmãos sob o domínio dele.
Minha vontade é de ir, de sumir e não ter mais que viver com ele. Mas não consegui emprego para que eu possa sustentar minha mãe e meus irmãos e que ainda pudesse estudar. Eu fazia alguns bicos de pintor. Eu gostava de pintar residências, de deixa-las bonitas, mas não é como se fazendo isso eu pudesse ser responsável por uma família.
Há Emmett também. Tenho medo que se eu seguir meu caminho, que meu pai o obrigue a ir para gangue. E se ele for não conseguirá ser forte o suficiente. Mas eu sou.
Então não me restam muitas opções a não ser seguir o que é estabelecido por meu pai. Terei de deixar meus sonhos para quem sabe... um dia.
A faculdade é aqui na cidade onde moro, tão perto, e ao mesmo tão distante.
Quando focalizo meus olhos no presente há vários homens fortemente armados me olhando.
Dois deles sentados em uma mesa me olham com interesse. Eu já os vi antes. Eles e meu pai se encontravam com frequência. Eu via pela janela de nossa casa quando meu pai descia do carro preto, e que estes homens sempre estavam com ele.
– Alec. Aro. Este é o meu filho Edward. – meu pai diz com um orgulho que jamais senti em sua voz.
Os homens me olham. Analisam.
– Seu pai tem uma grande confiança de que você Edward, poderá ajudar muito a nossa causa. - o homem de cabelos escuros, Aro, disse.
Causa? Eu era um garoto ainda, mas sabia que não havia nada de idealismo nas ações da gangue.
– Você se sente capaz Edward? – o loiro com cara de poucos amigos me pergunta.
De repente uma onda de segurança se apossou de mim. Ou eu demonstrava segurança, e que ninguém poderia pisar em mim, ou eu sofreria nas mãos desses homens.
– Eu posso fazer qualquer coisa. – digo firme.
E não estou me referindo a gangue.
Os dois sorriem e percebo ao meu lado meu pai também sorrindo.
– Você tem razão Antony, seu filho tem comando. Leva jeito pra coisa. – Aro diz. – Quando ele completar 18 anos, o queremos ao nosso lado. Precisamos de pessoas como ele.
Eu permaneço serio.
– Pode ir Edward. – meu pai diz – Temos negócios para resolver agora.
Começo a me afastar e quando estou no meio do caminho Aro fala novamente.
– Aproveite seus últimos 15 dias de liberdade. Após isso será nosso, garoto.
Eles riem e eu aperto minhas mãos em punhos. Ainda antes de sair escuto:
– A operação de hoje não pode falhar Antony. Confiamos em você. – Alec diz.
– Será fácil. Eu garanto. – meu pai diz.
Nunca imaginei que seria a última vez que o veria e ouviria a voz dele.
***
Eu estava no meu quarto olhando aquele desenho estranho. Aquela garota que eu havia desenhado. O desenho ainda não estava completo. Ela ainda não tinha um rosto completo. Eram apenas alguns esboços. Pensei em rasgar aquele desenho, mas eu não conseguia. Não sei o porquê. Talvez um dia eu soubesse.
– Quem é você? –perguntei olhando para o desenho. Sorrio. To parecendo um maluco falando sozinho. – Parece uma boneca. – Sorrio novamente – Oi boneca. – digo.
Eu não era de desenhar pessoas, muito menos garotas. Peitos de garotas, sim. Qual é o adolescente que nunca fez isso? Tanto antes como depois de começar a transar.
Eu já tinha transado com varias garotas. Elas eram muito fáceis. Principalmente na escola, e ainda mais com a minha fama. De que logo eu seria o chefe da gangue do local. Isso fazia as garotas se atirarem em mim e bom eu não era de ferro. Mas nunca nenhuma delas me fez pensar que pudessem ser a minha alma gêmea, ou a garota do desenho. A boneca, como agora eu passara a chamar secretamente a garota do desenho.
Fechei meu caderno, relaxei na cama.
– Oi lindo. – minha mãe apareceu na porta sorrindo.
Acho que não tinha uma mulher que eu achasse mais bonita que ela. E eu amava a forma como ela me chamava. Lindo. Minha mãe era minha única paixão.
– Oi mãe. Como está se sentindo? – perguntei olhando sua barriga de sete meses de gravidez.
– Bem querido. Seu irmão está comportado hoje. – ela vem até minha cama e senta-se na beirada.
Fica me olhando querendo dizer algo.
– Você saiu com Tony hoje... aonde foram? – perguntou desconfiada. Não era algo que meu pai faria, sair com os filhos.
– Hum... ver umas coisas do carro. Está dando pane novamente. – menti.
Ela não suportava a possibilidade de eu ir pra gangue. E eu não queria preocupá-la.
Senti que ela não acreditou.
– Eu queria tanto poder fazer sua vida diferente meu filho. – disse triste.
– Mãe... por favor, não pense assim. – não tinha muito que eu pudesse dizer.
– Eu sei que ele vai obriga-lo a entrar naquela maldita gangue. – disse desiludida.
Não falei nada.
– Onde ele foi? – perguntei.
Eu o havia escutado se despedindo dela há pouco tempo.
– Disse que eu não o esperasse hoje. Que iria resolver alguns assuntos... – ela suspirou -... como se eu não soubesse que é sobre a gangue.
Não dissemos nada por um tempo. Cada um preso em seus pensamentos. Então ela se apoiou em seus braços e beijou minha testa.
– Vou fazer a mamadeira do Seth. – disse saindo do quarto.
Pouco depois Urubu entrou. Ele deitou na cama do Emmett.
– E ai? Como foi lá? – perguntou.
Ele era o único que sabia sobre onde eu havia ido. Dei de ombros. Não era algo que eu quisesse falar.
– Você vai entrar não é? Vai ser da gangue?- insistiu.
– Não é como se eu tivesse escolha. – respondi.
– Se você entrar... eu vou com você.- disse me fazendo olhá-lo.
– O quê?!
– Ah qual é? Você acha que vai pegar todas as garotas sendo o bad boy, e eu vou ficar chupando o dedo? Até parece. – disse rindo.
Eu ri. Ele não levava nada a serio.
– Estou falando serio Edward. – disse.
– Não viaja urubu, eu não vou deixar você...
– Não viaja você Edward... você sabe que vai precisar de mim. Quem vai salvar sua bunda quando precisar? – disse tentando fazer graça. Eu não achei engraçado. – Você sabe que sofro com o James... com a gangue dele sempre me perseguindo. Quero dar um fim nisso.
– Entrar pra gangue não é brincadeira Frank. – falo.
– Eu sei Edward. Mas você é meu amigo. Não vou te abandonar.
Eu sabia disso.
***
Foi na manhã seguinte que achei que minha vida seguiria por um rumo diferente.
– Ah meu Deus! – ouvi o grito da minha mãe.
Desesperado, saí da cama de cueca mesmo e desci as escadas aos saltos. A encontrei sentada no sofá chorando. Um homem estava à porta. Na verdade não era um homem. Era David. Ele devia ter a minha idade e já estava na gangue há um tempo. Os rumores era que ele não tinha família e tudo que lhe sobrara foi a gangue.
– O que houve? – pergunto – Mãe?
– Me desculpe Edward eu só vim avisar sobre o seu pai... – ele disse.
– Edward... – a voz fraca da minha mãe me chamou. – Seu pai... morreu...
Sentei-me ao seu lado.
– Como? Como foi... o que aconteceu? – perguntei desconcertado.
Aninhei minha mãe em meus braços.
– Foi numa disputa entre gangues. – David disse. – Eu... eu só vim avisar.- falou saindo.
Nos próximos dias passamos pelo martírio de um velório simples e um enterro rápido, pelo menos isso. Quando eu olhava o corpo do meu pai dentro do caixão eu nada sentia. Eu até tentava, mas não conseguia.
– Eu nunca o entendi. – falei para minha mãe naquela noite durante o jantar.
Ela me olhou e sentou-se a minha frente.
– Filho... seu pai era um homem... complicado. – disse suspirando. – Ele me dizia que a família dele era rica, mas não sei se isso é verdade ou se ele apenas inventava isso pra me impressionar.
– Mas nunca vimos nenhum de seus parentes. – comentei.
– É verdade. Acho que ele não tinha ninguém, por isso se fechou desta forma.
– Você o amava? –perguntei.
– No começo sim... eu o amava muito. Depois... as coisas não foram como eu esperava... talvez a culpa tenha sido minha também. – ela disse.
– Não mãe. Você não tem culpa de nada. É uma mãe maravilhosa e foi um a boa esposa. Ele que não deu valor.
Dias depois eu pensava em que eu poderia fazer. Eu precisava arrumar um emprego ou dois no caso. Minha família precisava de mim, e apesar de todos os problemas algo me deixava aliviado. Com a morte do meu pai eu não precisava mais entrar pra gangue.
Meu pai deixou um dinheiro guardado em casa o que por algumas semanas daria para nos mantermos. Eu saia de manhã, para ir a busca de um emprego e voltava a noite sem nada conseguir. Com certeza minhas roupas simples e o local onde eu morava, no subúrbio, era um dos motivos que faziam com que minhas chances de conseguir um emprego descente fossem quase nulas. Eu ainda continuava pintando algumas casas, mas o dinheiro era pouco e não daria pra muita coisa.
Assim os dias se passaram, e o dia do meu aniversario de 18 anos chegou.
Não houve uma comemoração especial, minha mãe fez seu bolo especial para aniversario, o que já estava ótimo já que eu amava quando ela o fazia. Urubu conseguiu um vídeo game de última geração, emprestado e passamos a tarde eu, ele e Emmett, jogando.
Mas o destino que estava traçado para mim, foi a minha procura.
Ainda concentrados no jogo não prestei atenção quando bateram a porta da minha casa, e tão pouco prestei atenção, somente quando minha mãe apareceu, lívida fui perceber os dois homens que estavam no meio da sala da minha casa.
Levantei do sofá os encarando. Aro e Alec Volturi.
– Precisamos conversar meu jovem. – Aro disse.
Eu não sabia o que queriam comigo, mas algo de errado estava ocorrendo.
– Certo. Vamos sair daqui. – falei.
Minha mãe veio em minha direção.
– O que está acontecendo filho? Por que estes homens querem falar com voce?
Tentei acalma-la.
– Fica tranquila mãe. Não é nada demais.
Eu e os chefões da gangue seguimos para o deposito, onde era o ponto de encontros e reuniões deles.
Eu estava nervoso apesar de disfarçar bem meus sentimentos.
Como no dia que estive aqui, havia vários homens. Eles me levaram há uma sala reservada onde ficamos apenas nós três.
– Gostaria de dizer que sinto muito pela morte de seu pai. - Aro disse.
Eu assenti.
– Não aparecemos no velório e enterro por motivos óbvios. – Alec completou.
– Antony foi nosso amigo e companheiro por muitos anos. Nossa gangue não seria a mesma se não fosse por ele. Ele era um ótimo estrategista. Tinha liderança e comando. – Aro disse. – Foi uma pena, o que aconteceu...
Eu apenas escutava. Onde é que eles queriam chegar?
– Infelizmente ele não era muito bom com as finanças...
– Como assim?-perguntei.
– A operação que tínhamos programado não deu certo, e seu pai acabou morto. Com o que aconteceu a gangue teve um grande prejuízo. – Aro explicou.
– Antony é que estava cuidando desta operação. – Alec completou. – Era uma operação complicada, mas seu pai nos garantiu que nada daria errado, não foi bem assim.
Meu pai e sua soberba. Este era um dos defeitos que eu mais detestava nele.
– A gangue Edward, funciona a base de regras que não podem ser quebradas para que não vire uma bagunça. Você entende não é? – Aro perguntou.
– Estou entendendo. Só não entendo o que isso tem a ver comigo. – falei sincero.
– Bom... seu pai nos garantiu que a operação daria certo, mas caso não desse que ele assumia a divida por qualquer coisa que desse errado.
Comecei a entender. Meu pai devia dinheiro a eles.
– Então meu pai deve dinheiro a vocês. – completei.
– Não a nós, mas sim a gangue. Ao projeto que temos. – explicou Alec.
– E vocês querem que eu pague. – afirmei.
Eles assentiram.
O suor se formou em minha testa.
– Olha... eu e minha família não temos dinheiro. Bom... meu pai deixou um dinheiro em casa que era para nosso sustento, mas eu posso trazer ele pra vocês. – falei.
Aro negou de cabeça.
– Aquele dinheiro é do seu pai... agora de vocês... ele trabalhou e mereceu aquilo.
– Não entendo...
– Este dinheiro a que me refiro, é diferente. Foi um prejuízo algo que deu errado e que seu pai assumiu que pagaria se desse errado. Não queremos pegar o dinheiro que sua família usa pra comer. – Aro disse.
– De quanto estamos falando... esse prejuízo... de quanto foi?
– Quatro milhões.
Quase não pude manter minha expressão neutra.
– Não... não pode ser.
– Vamos ser francos com você Edward. – Alec disse – Para manter a gangue sobre controle, nós seguimos as regras, e as regras dizem que se um membro der um prejuízo a gangue terá que pagar da forma que seja. Em dinheiro... em trabalho... não importa. Senão pagar, nós temos direito de nos vingarmos na família daquele que deu o prejuízo.
Engoli em seco.
– Por isso o chamamos aqui. – Aro se manifestou – Queremos saber se você quer ficar no lugar do seu pai na gangue? Se sim, você irá trabalhar conosco. Terá os benefícios que seu pai tinha e vamos descontando o prejuízo em pequenas partes até você pagar tudo. Se você não quiser... Você pode pagar todo o valor do prejuízo e seguir sua vida.
Respirei com dificuldade. Eles sabiam que eu não tinha este dinheiro. Era entrar pra gangue ou provavelmente decretar a morte da minha família. Não tinha muita escolha.
– Quando... quando eu pagar toda a divida... se eu quiser eu posso sair... da gangue?- perguntei nervoso.
Os dois sorriram.
– É claro. Mas você não vai querer sair. – Aro sorriu – Se você for um pouco parecido com seu pai não irá querer sair, pois terá poder e domínio e isso é muito bom Edward, e sinceramente vejo futuro em você. Vejo você melhor que seu pai.
Não havia o que decidir. Minha família estava em primeiro lugar.
– Estou dentro.
E foi assim que me tornei um membro de gangue.
Urubu me seguiu assim como prometeu, e se tornou meu braço direito. Em dois meses na gangue eu ganhei o respeito e admiração dos membros. Aro e Alec me promoveram a líder da área enquanto eles se ocupavam de outra área da cidade. A gangue a qual eu pertencia, era maior da cidade, e dominava as menores, que tentavam nos desafiar.
Não foi somente a minha vida que mudou ao entrar na gangue. Eu mudei. Não havia mais o Edward sonhador e romântico. Não havia mais tempo para poesias e para sonhar com almas gêmeas.
E o tempo passou... e já fazia dois anos que eu era o bad boy do subúrbio.
Eu e Emmett estávamos no meu quarto, que ficava no deposito. Assistíamos futebol na TV enorme que eu tinha ali, e tomávamos cerveja. Emmett estava quieto. Ele estava bravo. Eu o conhecia.
– Mais uma cerveja? – ofereci em forma de paz.
– Ainda não terminei a que estou tomando. – disse ríspido.
É. Ele estava bravo. Ele estava no último ano da escola e logo iria pra faculdade. Eu cuidaria para que isso acontecesse. Ele não teria o mesmo destino que eu.
– E a escola? Tudo tranquilo? – perguntei.
– Tudo. – respondeu.
Perdi a paciência.
– Qual o seu problema comigo afinal?- perguntei.
Ele finalmente me olhou desde que chegou.
– Você tem que foder todas as garotas que são minhas amigas?- disse.
Ah! Esse assunto de novo.
Eu sorrio debochado.
– Não tenho culpa se elas são todas umas vadias. – digo.
– A Nora é legal. Não é uma vadia. E é minha amiga, pelo menos era, por que agora ela não quer ver a minha cara. – ele diz chateado.
– Você queria comer ela? Desculpe-me, eu não sabia...
– Não seja idiota Edward! Não é nada disso. Ela era minha amiga e você ferrou tudo. – disse.
Olhamo-nos por um tempo até eu desviar e olhar para a TV.
– O que aconteceu com você? – perguntou.
– Como assim? – foi minha vez de perguntar.
– Você não era assim Edward. Não trataria uma mulher assim. Você era romântico, eu até achava isso cafona... Escrevia poesias... não o vejo mais fazer isso. Só vejo você ser um idiota.
Não olhei pra ele, e travei o maxilar.
– As coisas mudam... Eu mudei. – tive que mudar queria dizer, mas não podia.
– Sim. Mudou. Pra pior. – ele disse. – A mamãe está triste com você.
Eu sabia. Não disse nada.
Minha família não sabia sobre nada da minha participação na gangue. Eles não poderiam saber. Se minha mãe soubesse era capaz de se sacrificar no meu lugar. Só de pensar o que eles tentaram propor a um tempo atrás, como forma de pagamento, fazia meu estômago embrulhar.
Minha mãe era uma mulher bonita. Sempre foi admirada quando era casada com meu pai. E quando eu tive um desentendimento na gangue, e pensei em largar tudo, um dos membros disse que minha mãe poderia ficar no meu lugar pagando a dívida com favores sexuais. Eu nunca tinha matado alguém, mas me vi apontado a arma pra cabeça daquele desgraçado. Eles não tocaram mais no assunto, e eu me conformei com o meu destino.
Não. Minha família não podia saber. Deixa-os pensarem que simplesmente me tornei um garoto problema. Podia alegar que a morte no meu pai me abalou mais que o esperado, não importava. Importava é que eles estavam seguros.
– Como estão as coisas em casa? – perguntei.
Fazia um tempo que eu não aparecia na minha casa. Minha relação com minha mãe não foi mais a mesma desde que entrei pra gangue. Ela não se conformava, e quando eu ia pra casa, e nós discutíamos, eu dava um tempo. Até a saudade apertar e eu voltar. Às vezes conseguíamos passar um tempo juntos como era antigamente, mas era apenas por alguns dias. Quando as coisas se complicavam eu voltava para meu quarto no deposito.
– Está tudo bem. Os meninos sentem sua falta. Todos nós sentimos. – ele disse.
Eu sentia muito a falta deles também.
– Estão precisando de dinheiro?- perguntei - Não minta pra mim Emmett. – avisei.
Orientado por minha mãe, que não queria o meu dinheiro, pois vinha da gangue, Emmett às vezes mentia.
Minha mãe arranjou emprego de camareira num hotel chique, no centro da cidade. Mesmo eu dizendo a ela que não era preciso. A grana que eu recebia da gangue era muito boa. Eu poderia sustenta-los.
Emmett permaneceu em silencio.
– Um pouco... você sabe, mas eu vou arrumar um emprego. – disse.
– Vai porra alguma! – falei duro. – Você vai estudar. Entendeu? – levantei indo até o armário, onde eu guardava a grana.
Entreguei a ele.
– Pega. Deve ser suficiente para o mês. – falei.
Ele pegou meio a contragosto.
– Apareça em casa Edward. A mamãe sente sua falta. – Emmett disse. – Eu... também.
Droga! Eu não podia ser a porra de um cara emotivo, mas eu sentia muito a falta deles também.
– Certo. Eu vou aparecer. – digo frio. Meu novo jeito de ser agora. – E não vou mais ficar com as suas amigas. Eu prometo.
***
– Fale mais filho. – minha mãe pede a Emmett empolgada.
Sorrio de sua empolgação. Todo sacrifício é valido para vê-la feliz assim. Sua empolgação é pelo elogio que Emmett recebeu do professor na faculdade.
Emmett já estuda há quase oito meses. Faz direito em Princenton, e é o orgulho da minha mãe. Assim como o meu.
– Ele disse que eu levo muito a serio os estudos, e que sou um dos melhores alunos da classe. Junto com a Bella. – diz também empolgado.
– Bella? – minha mãe pergunta. – Isso é um elogio a moça ou o nome dela?
Emmett ri.
– É o nome dela mãe. É uma colega nova que conheci neste semestre. Isabella. Ela gosta de ser chamada de Bella. Ela é muito inteligente... e legal também. – Emmett responde.
Eu e Emmett fomos para o nosso quarto na minha casa. Eu e minha mãe estávamos em trégua, então eu passava meu tempo com a minha família.
– Então? Continuam te tratando bem na faculdade? – pergunto deitado na minha cama.
Olho para meus livros na estante. Há quanto tempo não leio? Acho que desde que entrei para a gangue. Há também o meu caderno, que contem minhas poesias. E o desenho... já não sinto interesse em ler ou escrever.
– Ah... você sabe tem alguns metidinhos a besta, mas o pessoal que eu ando é bem legal. Tem uma nova garota... a que eu falei antes, a Bella. Ela é muita bacana, além de linda.
Sorri pra ele malicioso.
– Nem vem Edward... – ele riu - Ela tem namorado. E gosto dela só como amigo mesmo.
– Dela é como amigo, mas há outra não é? – ele me olhou surpreso. – Eu te conheço meu irmão. Quem é a garota?
Ele suspirou parecendo uma donzela virginal.
– Rose... ela é linda. Mas não está na minha. – disse desanimado.
– Como sabe que não? Voce já disse a ela... já chegou junto?- perguntei.
Emmett era mais reservado, e isto costumava afastar as garotas.
– Não. Ela nem sonha que eu gosto dela.
– Então diga. – falei o obvio. – Só tome cuidado. Por mais que estes seus amigos sejam legais... essas garotas não são como a gente... não são como as garotas que estamos acostumados.
– Eu sei.
Dias depois eu e Urubu esperávamos Emmett na saída da faculdade. Eu teria que fazer uma pequena viagem, de dois dias, e queria deixar dinheiro pra ele, para qualquer eventualidade que minha família precisasse.
Estávamos do lado de fora da faculdade, escorados no meu carro. Urubu quase não podia segurar seus olhos através das garotas que passavam a todo o momento por nós.
– Cara! Quanta mulher gostosa! – disse embasbacado.
Eu ri.
– Elas são diferentes...
– São ricas Urubu. É isso que elas são. – murmurei.
– Não... não é isso. Elas são cheirosas e tão... branquinhas. – disse quase quebrando o pescoço quando uma loira, muito gostosa, passou por nós e direcionou um sorriso a mim.
Eu o entendia. Já havia pegado algumas dessas universitárias. Elas queriam se aventurar com um bad boy, e eu queria uma carne fresca por assim dizer. Mas não valia a pena o risco. Essas garotas na maioria eram chave de cadeia. Filhas de políticos, empresários etc. O melhor era manter distancia.
– E eu que achei que você arrastava um bonde pela ruivinha lá do subúrbio... como é o nome dela mesmo?... – eu sabia muito bem quem ela era, porém queria ver a cara do meu amigo, deu certo, Urubu fico todo estranho. Como era sempre quando mencionávamos a garota.
– Ah... acho que é Elisa. – falei olhando de lado pra ele. – Ela é bem bonita.
Meu amigo bufou, e eu ri.
Ficamos mais um tempo ali até Urubu dizer:
– O Emmett está vindo. – disse.
Eu olhei e vi meu irmão que sorria acompanhado de alguns colegas que não prestei a atenção.
– Olha só... tem uma garota que é bem parecida com aquela do desenho que você fez uma vez. – Urubu disse.
Olhei para onde ele disse, e ao lado de Emmett, estava ela. A garota do meu desenho. A boneca.
Continua...
Gostaram flores? Quero comentários para poder publicar o próximo capítulo.Beijos

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Spoiler

Nos meses seguintes consegui quase não pensar muito na garota. Quase. Pois ora ou outra eu me lembrava dela, e agindo como um maricas, não rasguei aquele maldito desenho.
Também a vi algumas vezes na faculdade. Eu tentava evitar, mas quando dava por mim estava embasbacado olhando-a dos pés a cabeça. Por sorte ninguém percebia a não ser por uma pessoa. Urubu.
Como de costume, eu esperava por Emmett na saída da faculdade. Ele ainda não havia saído. Porem vários alunos sim e entre eles estava ela. Meu tormento pessoal.
Isabella conversava com umas garotas. Desde que comecei a observa-la notei vários de seus trejeitos. O modo como colocava o cabelo atrás da orelha, ou a forma como mordia o lábio. E quando corava? Era linda. Ela era sexy e parecia nem se dar conta disso. Mas como? Se ela era o tipo de garota que ficava com todos.
- Edward! urubu grita no meu ouvido. Eu olho para ele de cara feia.
- Está maluco? Por que está gritando?- pergunto.
- Simples. Eu estou aqui falando e você está aí, hipnotizado olhando para aquela colega do Emmett. diz.
- Eu? Olhando... pra quem? Você está é doido.
- O que?! Acha que sou burro? Está quase escorregando baba ai no seu queixo. brinca, mas não gosto de sua brincadeira.
Essa foi um das vezes que urubu me pegou olhando para ela. Não foi a única vez. Ele me conhecia bem, e sabia que eu ficava diferente quando íamos a faculdade.

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