CORAÇÃO INDOMAVEL - CAPITULO 46


Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência
Capítulo 46
Bella
Acordei sobressaltada. Sentei no sofá e as folhas do diário caíram no chão. Quanto tempo eu havia dormido? Olhei para o relógio e percebi que dormira quase três horas. Droga! Não podia ter perdido tanto tempo. Muita coisa precisava ser resolvida hoje, e eu não tinha tempo para ficar dormindo. Apesar de precisar. Nas duas últimas noites não tinha dormido quase nada devido à ansiedade.
Levantei e fui à busca de algo para beber. Servi um copo de suco de laranja.
Voltei à sala para retornar a leitura, porém antes disso, a campainha tocou.
Estranhei, pois eu não esperava por ninguém.
Ao abrir a porta, Bryan estava parado parecendo nervoso.
– Bryan... o que está fazendo aqui.... você não iria buscar a Bia...
Não pude terminar, pois ele avançou para mim me pegando, abraçando-me e me beijando.
Permiti-me ser beijada por alguns segundos, pois fui pega de surpresa. Mas logo que tomei consciência do que estava acontecendo tentei me soltar de seus braços, que pareciam garras de aço me prendendo.
– Me solta... - tentei desviar do beijo dele.
Ele estava enlouquecido, e eu não via como me libertar até que consegui chutar sua canela e empurrá-lo saindo de perto dele.
– Mas que porra você está fazendo Bryan?! - gritei.
– Bella... não vou deixar você voltar pra ele depois de tudo. - disse.
Olhei-o incrédula.
– Eu amo você. E não vou suportar vê-la com ele.
Eu devia estar de boca aberta ante a revelação dele. Bryan que sempre pareceu somente interessado em minha amizade em todos estes anos. Ele era casado com uma das pessoas mais legais que conheci nos últimos tempos. Eu não consegui conceber isso.
– Bryan, por favor... - falei mais calma.
– Não Bella. - me interrompeu. - Não pode deixar este homem entrar na sua vida.... na vida da Bia... ele não é bom o suficiente para vocês.
Raiva e irritação tomaram conta de mim.
– Não ouse falar nada do Edward. Ele pagou o que devia a sociedade, e ele é o pai da Bia. Se ela o quiser na vida dela, ela o terá. - falei firme.
– Então é isso? Amanhã você vai correndo para os braços do bad boy? - perguntou sarcástico.
– Minha vida não é da sua conta. - respondo.
– Bia sabe que pai dela é um criminoso?
Aproximei-me dele e o encarei.
– Não faça isso Bryan. Não ameace contar a Bia, ou eu nunca vou perdoá-lo. Eu, somente eu, vou conversar com a minha filha.
Ele ficou serio por um tempo.
– Você ainda o ama. Depois de todos esses anos. - falou.
Não respondi. Fui até a porta e abri.
– Acho melhor você ir embora Bryan. - falei.
Ele se aproximou.
– Bella eu...
– Me admira você. - continuei - Um advogado. Que preza pela lei ser tão... preconceituoso. - explodi indignada. - Como eu disse, o que Edward fez ou deixou de fazer está no passado. Amanhã ele será um homem livre. Não deve nada a ninguém, e o que vai acontecer entre eu e ele é somente da minha conta e da dele. Você não tem nada a ver com isso - suspiro. -Vou tentar relevar o que houve aqui, por conta da nossa amizade de anos. Mas espero que nunca mais faça isso - falei severa. - Sonya não merece. Seus filhos não merecem, e principalmente, eu não mereço ser tratada desta forma. Agora por favor, saia.
Ele me olhou por um tempo saindo logo em seguida.
Quando fechei a porta me encostei-me a ela. Nossa! O que foi isso?!
Olhei para o diário e voltei para o sofá para lê-lo. Eu sabia que ainda tinha muitas coisas a descobrir sobre o verdadeiro Edward.
Edward
Estou sentado em minha cama, no meu quarto destruído, há dois dias. Dois dias que não me mexo do lugar. Dois dias que não como, que não quero ver ninguém, apesar de Urubu constantemente conseguir entrar e falar como uma matraca. Sequer escuto o que ele diz. Só o que vejo é o olhar triste de Isabella. A dor que causei a ela... isso está me matando.
– Você não pode ficar ai. Como uma estátua. Sem banho, sem comida. Já fez a merda agora é bola pra frente. - Urubu fala.
Continuo do mesmo jeito. Olhando para a parede. Aquela parede verde de tantas lembranças.
– Sempre há um jeito de consertar. - diz tentando me animar.
Ele consegue que eu o olhe. Sabe que não há conserto. Nem poderia. Ela precisa estar segura.
– Vou... - minha voz falha - Vou precisar que vá atrás de Irina... e que a traga aqui no subúrbio. Para a próxima festa.
Urubu me olha como se eu fosse um ET.
– Preciso que James e Aro tenham certeza que... Isabella é passado... que já foi. - explico.
– Edward...
– Por favor, faça o que estou mandando. - peço cansado ao extremo dessa merda.
Antes que ele responda ouvimos um barulho. Emmett aparece tropeçando na bagunça que fiz ao destruir o quarto.
Desde minha exibição no aniversario de Isabella, onde ele quase me agrediu, não o vi.
Ele olha para tudo e então encontra meu olhar. Percebo sua surpresa a me ver. Eu sei. Estou um caco.
– Mas o que houve aqui? - ele me olha fixo - O que você tem? Está doente?
Urubu responde por mim.
– Nunca viu um homem com dor de cotovelo? - ele pergunta a um Emmett pasmo. - Bom... está vendo agora.
Emmett parece não entender.
– Eu não entendo...
– Mas você é lerdo mesmo hein Emmett? Não viu que seu irmão está com os quatro pneus arriados pela Bella. Poxa até um cego vê isso! -Urubu diz
Meu irmão me olha, e eu desvio o olhar voltando a olhar para a parede.
– Mas... mas porque fez aquilo então? - pergunta.
– Para segurança dela. - Urubu responde mais uma vez.
– Estavam ameaçando a Bella?! - pergunta incrédulo. - Isso é verdade Edward? - pergunta diretamente a mim.
– É. - respondo.
Não posso dizer nada muito comprometedor a Emmett. Então tenho que me cuidar.
– Mas era necessário fazer aquilo com ela? - Emmett pergunta visivelmente ainda chateado comigo.
Eu levanto da cama e o encaro.
– Eu fiz o que achei melhor para protegê-la ok. Se for certo ou errado não importa. Ela está segura agora. E você vê se para de me encher. - falei ríspido.
Emmett me olha assustado. Nunca tinha sido duro com ele antes.
Sigo para o banheiro e vou tomar banho. Tenho seguir com a vida. O que tinha feito não tinha mais volta.
***
Paro a porta do quarto. Ela lê um livro concentrada, mas percebe minha presença. Levanta os olhos e me vê, vejo um lampejo de sorriso em seu rosto. Mas a preocupação ainda está em seus olhos. E o motivo de sua preocupação sou eu.
– Oi lindo. - diz.
Um sorriso nasce em meus lábios sempre que ela me chama assim.
– Vem aqui. - bate na cama a seu lado.
Meu estado de espírito não me permite recusar um carinho de mãe.
Vou até ela, e me deito a seu lado colocando minha cabeça em seu colo. Ela começa a alisar meus cabelos como fazia quando eu era criança.
– Estou preocupada com você Edward. - diz.
– Novidade mãe. Você sempre está preocupada comigo. - respondo.
Ela respira fundo.
– Agora é mais querido.
Fico em silencio.
– Você quase não come, e está sempre com este olhar perdido - ela fez uma pausa. - Não quero brigar com você... por isso não vou me meter, mas saiba que eu o amo muito e não quero vê-lo assim.
– Eu sei mãe. As coisas vão melhorar. Eu prometo - digo.
– Você não pode levar o mundo nas costas meu filho.
Era assim que eu me sentia às vezes. Como se tudo fosse desabar se eu não cuidasse de tudo.
– Emmett me disse que você e a Bella terminaram... seja lá o que é que vocês tinham. - diz.
A ferida dói ao ouvir o nome dela.
– Sim. Terminou. - respondo simplesmente.
Terminou o que nem começou.
– É uma pena... filho... você gosta dela não é?
– Sim. Eu gosto.
– Não há possibilidade de vocês se acertarem querido? - pergunta.
– Não. Não há, mãe.
– Sinto muito. - diz.
Eu também.
Ela beija meus cabelos, e ali ao lado dela, me sinto um pouco melhor.
Os dias e semanas foram passando, e parecia que tudo se ajeitaria. Eu apareci com Irina algumas vezes na festa no subúrbio. Todos me viram com ela, inclusive Aro.
Não a toquei. Pelo menos não da forma que ela gostaria que isso acontecesse. Eu só a toquei na frente dos outros. Ela era um álibi, e logo não a procurei mais. Não queria colocar a garota em risco também. Com certeza ela não deve ter entendido nada, e foi melhor assim.
O aniversario de Urubu chegara. Ele iria comemorar na festa no subúrbio, como era sempre. Só que este ano eu não poderia participar. Tinha uma reunião com Aro e Alec, e certamente me ocuparia a noite toda. Também não estava a fim de ir, pois Elisa me fuzilava com o olhar cada vez que me via pelo que eu havia feito a Isabella. Eu não a recriminava.
– Então acho que era isso rapazes. Podem ir para a diversão... ainda mais num sábado à noite. - Aro disse.
Todos que estavam no galpão comemoraram. Quando me preparei para sair, ele me chamou.
– Edward... vamos para sua área hoje. - Aro disse.
Eu assenti escondendo meu desgosto. Não gostava de aparecer com eles. Todos ficavam desconfortáveis com a presença deles.
– Quero me divertir hoje. - Alec falou.
Seguimos para o subúrbio. Estava movimentado já na entrada. Era sábado e muitas pessoas se divertiam. Mal entramos e eu congelei. Eu não imaginava que ela voltaria aqui. Isabella.
Meus olhos se fixaram nela. Tão linda. Meu corpo todo pulsou de saudade. Senti a presença de Aro e Alec as minhas costas. Merda o que ela fazia aqui?
Voltei a andar pra não dar bandeira, ainda mais com Alec e Aro na minha cola.
Eu imaginei que ela soubesse que hoje era aniversario do Urubu, mas jamais imaginei que ela viesse aqui.
Percebendo Aro e Alec ocupados com algumas garotas, eu tentei ir até ela avisar que fosse embora. Eu não a queria aqui tão próxima a quem mais poderia fazer mal a ela. Quando tentei me aproximar, sua amiga Alice me encarou, e como eu não podia fazer uma cena eu recuei.
Urubu estava pegando bebidas quando o encontrei sozinho.
– Por que ela está aqui? - perguntei direto.
– Veio para o meu aniversario. - respondeu.
– Sabe que não a quero mais por aqui Urubu - bufei. - Ainda mais com Aro e Alec aqui.
– Desculpa cara. Foi a Elisa que a convidou. E poxa, nós gostamos dela. Eu nem sabia que você viria quem dirá os irmãos metralha ali. - explicou.
– Certo - passei a mão pelos cabelos. - Fique de olho, ok.
Voltei para onde Aro e Alec estavam. Tentando disfarçar eu olhava para Isabella que dançava com Urubu, e foi uma dessas vezes que Alec pegou a direção do meu olhar. Ele deu um sorriso malicioso. Ele sabia quem ela era.
Senti o suor nascer em minha testa. Eu não podia dar bandeira assim.
A festa foi seguindo e percebi que Isabella parecia estar se divertindo, ao contrario de mim. Talvez ela já tivesse superado.
– Não está gostando da festa Edward? - Aro perguntou. - Quem sabe esteja precisando de uma companhia feminina? - acenou para as varias garotas que estavam paradas, próximos a nós, apenas esperando o sinal para se aproximarem.
– Mais tarde quem sabe. - falei.
Percebi que Alec me observava. Levantei-me.
– Eu já volto. Preciso resolver uma coisa. - falei saindo de perto deles. Eu precisava respirar.
O destino mais ama vez interferiu me colocando no caminho de Isabella quando ela ia ao banheiro. Paramos frente a frente. Se eu tinha alguma duvida de que ela ainda estava magoada não precisava mais ter, pois eu vi em seu rosto.
– Oi. - falei sem jeito.
Ela permaneceu muda.
– Você está bem? - perguntei já me preocupando.
– O que você quer Edward? - perguntou ríspida.
Ela falando assim, desta forma dura me pegou de guarda baixa. Mas o que eu esperava?
–Eu... - me atrapalhei ao falar. - Eu só quero saber se está tudo bem... - falei.
– Está tudo ótimo. - respondeu.
– É... eu... - gaguejei de novo.
Então senti alguém atrás de mim, e pelo canto do olho vi Alec com um sorriso cínico.
– Ora Edward não vai apresentar sua amiga? - ele disse devorando Isabella com o olhar.
Minha vontade era de matá-lo. De matá-lo duas vezes, pois eu teria que ferir Isabella novamente.
– Ela não é minha amiga Alec. Ela não é ninguém importante. - falei.
Vi naqueles lindos olhos o quanto a machuquei. A dor dela era minha. Ela saiu rapidamente entrando no banheiro.
– Acho que magoou a garota Edward. - disse irônico.
Travei o maxilar, e fechei minhas mãos em punhos pra não fazer nenhuma besteira.
– Quem se importa? - usei minha melhor cara de desprezo.
– Ouch você é mau. - disse brincando, mas havia algo por trás. - Mas você não me engana, Edward. Posso estar errado, mas acho que esta garota é muito mais importante do que você deixa transparecer.
O olhei firme.
– Está totalmente enganado.
Voltamos para a mesa, onde logo a festa se encerou, e eu pude respirar aliviado em meu quarto. Minha vontade era de quebrar tudo novamente. Entretanto, não havia sobrado muita coisa para quebrar. Resolvi então deitar em minha cama e deixar os pensamentos voltarem para os momentos que passei com ela. Com a minha boneca.
E o tempo foi passando. Por um lado eu estava feliz. Mais 15 dias, e eu estaria fora da gangue para sempre. Eu e Urubu fazíamos planos para o que iríamos fazer. Pensávamos em abrir algo. Uma oficina mecânica, talvez. Ele era bom com carros.
Eu pensava em tentar estudar. Iria ser difícil, pois eu iria precisar me desdobrar em dois, mas não importava. O importante era estar livre.
Essa palavra tinha um peso enorme. Liberdade. A maioria das guerras que aconteceram no mundo foi atrás disso que estavam, liberdade. E logo eu teria isto.
Por outro lado, o tempo passou e me fez sentir que cada vez mais distante eu e Isabella estávamos. Já acreditava que não haveria nunca uma oportunidade, de quem sabe um dia, ficarmos juntos.
Nesses dois meses eu quase não a vi. Eu me forçava a ser forte até para não levantar suspeitas. Mas às vezes eu não conseguia, e espiava ela na faculdade. Tomando o maior cuidado para não ser visto por ninguém. E assim, eu matava um pouco a saudade.
Ela estava seguindo com sua vida. Eu me perguntava se era justo eu aparecer depois de sair da gangue, e dizer a ela o que sentia. Não sabia.
A amiga dela Rose, namorada do meu irmão, quase não falava comigo. Era nítido seu ódio por mim. Eu a entendia. Mas ficava puto às vezes. Ninguém sabia o que eu tinha passado para ficar me julgando.
Hoje seria um dia bem tenso. A primeira transação entre a gangue de Aro e o cartel colombiano estava em processo. Eu não participava por que além de estar de saída da gangue, não era na minha área que isso ocorreria.
Eu e Urubu conversávamos parados perto do meu carro.
– Está todo mundo em alerta hoje por aqui. - ele disse.
– Sim. Enquanto as coisas estão rolando lá no outro lado da cidade, temos que manter as coisas calmas por aqui. Aro não quer confusão com a operação em andamento. - expliquei.
– Ele já decidiu quem vai deixar no seu lugar pra comandar a área?
Eu balancei a cabeça.
– Não. Mas ele deve ter alguém em mente.
A noite seguiu tranquila. Eu fui para meu quarto no deposito e só acordei pela manhã com meu telefone tocando. Nunca imaginei que pudesse ser ela.
– Edward? É a Bella eu... eu preciso da sua ajuda.
Sento desorientado na cama. A aflição e felicidade duelando dentro de mim.
Felicidade por ouvi-la novamente, por matar um pouco da saudade que sinto dela, e aflição por que sei que ela não me ligaria. Somente se algo estivesse errado.
– Isabella? - percebo então que ela está chorando - O que houve? Está chorando?
Um pouco depois ela diz:
– Edward desculpe ligar, mas... eu estou precisando de ajuda aconteceu algo serio.– falou.
Pude sentir o desespero em sua voz.
– Não tem problema Isabella, me fale. O que aconteceu?- perguntei.
– Um homem ligou pra cá, e disse que Kate está tipo sequestrada eu não entendi direito. Edward o namorado dela era amigo do James. O homem disse que Josh e o James estavam mortos.
– James aqui do subúrbio?
Pergunta idiota. É claro que era aqui do subúrbio. Com quem mais o namorado da irmã dela andava? Então... James estava morto... Urubu... foi o meu pensamento.
 Sim. - ela respondeu. - Concentrei-me na voz dela - E... e eu acho que Josh estava metido em algo grande. Juntamente com James.
– Me fale exatamente o que este homem disse a você?- perguntei prático.
Ela me contou tudo o que o homem misterioso havia falado com ela, e a cada palavra sua eu tinha mais certeza de uma coisa.
– E Edward? Ele comentou algo relacionando você e eu.
– Hum...
– O que você acha? Acha que é a gangue do James mesmo que pegou ela? Por que não parecia, pelo modo como o homem se referiu ao James.
Isabella era esperta. Era óbvio que não era a gangue de James. Se James estava mesmo morto a gangue dele já era, não havia ninguém forte com ele
– Sim. Eu acho que é a gangue do James. - menti.
– Mas...
– Bella a gangue do James não tinha um bom relacionamento entre si. - menti ainda mais. Eu não a queria por dentro das coisas que ela não precisava saber.
– Eles disseram que não podemos chamar a policia... - falou nervosa.
– Não. Isabella não chame a policia, nesses casos a policia mais atrapalha do que ajuda.
Enquanto eu falava com ela, eu pensava em como poderia resolver tudo. A desmiolada da irmã dela estava em perigo, mas não somente isso. Isabella estava novamente em perigo. E isso eu não deixaria acontecer.
– Mas... Edward... não temos aquele dinheiro...– choramingou.
Minha vontade era de estar a seu lado, abraçá-la e dizer que tudo iria ficar bem
– Calma. Eu sei. Escute... sei que confiar em mim depois de tudo... é... mas Isabella acredite em mim eu vou fazer de tudo para trazer sua irmã sã e salva. Não. Eu vou trazê-la bem. - prometi. Eu não vou deixar nada acontecer com você também meu amor, pensei.
– Eu... eu não sabia com que falar sobre isso. Então... eu...
Ela tentou se justificar por ligar para mim. Tentou soar fria.
– Tudo bem. Fez certo em me ligar. Fique aí com a sua mãe e eu dou noticias.
 Ok.– disse.
Desliguei o telefone e me vesti as pressas, correndo para a casa do Urubu. Ele mal havia saído da cama. Ele e Elisa agora moravam junto, e em breve seria o casamento deles.
Esperei ele descer a escada da varanda.
– Cara! Ainda é cedo. Vai tirar o pai da forca é? - resmungava enquanto bocejava. - Poxa vida não dormi quase nada.
Então ele olhou para mim, e viu que o negocio era serio.
– O que foi? - perguntou encostando-se ao carro em que eu estava escorado.
– Não temos muito tempo. - eu não sabia como abordar o assunto.
Ele e James não se davam, mas no fim era irmão dele.
– Isabella ligou. - antes que ele achasse que era algo bom completei - Parece que pegaram a irmã dela e mataram o namorado dela e o... James.
Urubu engoliu em seco.
– Você... você acha que é... verdade?- perguntou.
– Não sei..., mas acho que sim.
Ele olhou para longe parecendo pensar.
– Vou ter que avisar minha mãe. - disse.
– Sim. Só que antes temos que achar a irmã da Isabella. - falei.
– Sabe onde ela pode estar? - perguntou surpreso.
Assenti.
– Entra no carro que eu te conto tudo.
Após ele avisar Elisa de sua saída, seguimos para o local onde eu tinha certeza que Kate estaria.
– Vamos ver se entendi. Você acha que Aro matou James e o tal namorado da irmã da Bella, e agora a está mantendo presa?
– Isso mesmo. - falei.
– Mas por quê?
– Olha eu não sei o que aconteceu, mas esta é a minha suspeita.
– E por que estão pedindo dinheiro a Bella? - perguntou.
– Não sei Urubu. Vamos ter que descobrir.
Ficamos em silencio.
– Eu... eu sinto muito pelo James. - falei.
Urubu seu de ombros.
– Até que demorou muito. - disse - Eu sempre imaginei este dia. Em que eu teria que contar para a minha mãe que ele... morreu.
Chegamos ao depósito da área norte do subúrbio. O quartel general de Aro. Após liberarem nossa passagem fomos ao encontro onde eles ficavam. Estranhei que estava tudo muito calmo. O leão de chácara, que guardava a entrada na sala de Aro, me impediu de entrar.
– Eu preciso falar com o Aro, Zeck.
No alto de seus dois metros não moveu um músculo.
– O chefe está ocupado. - respondeu. - Pediu que vocês esperassem na sala dois.
A sala dois era o local, onde Aro levava as pessoas que ele queria torturar. Eu segui para lá e Urubu me seguiu desconfiado.
– Por que temos que ficar nesta sala? - ele perguntou.
Não respondi.
– Não gosto desta sala - resmungou. - Não gosto mesmo. Tem algo errado no ar.
Eu sentia sua tensão, pois ela era a minha. Ouvíamos barulhos de pessoas pra lá e pra cá. A calmaria tinha dado lugar à agitação.
Estávamos há horas ali. E ninguém vinha nos dar uma satisfação.
– Droga Edward! Tem algo errado cara. - Urubu esbravejou.
Eu também já estava de saco cheio, e, além disso, não sabia se Kate estava viva ou morta.
De repente a porta se abre e Zeck nos chama. Aro está nos esperando.
Ao chegar vejo vários homens armados, como é sempre. Alec está ao lado de Aro que ao contrario de outras vezes, não está em seu bom humor irônico de sempre.
Mais ao fundo vejo Kate. Ela está amarrada e amordaçada. Tem alguns machucados, mas parece bem.
– Então Edward. Queria falar comigo? - Aro pergunta.
– Sim. Eu vim buscar a garota. - falei.
Alec ri.
– Veio buscá-la então. E por que a entregaríamos a você?
Eu nunca gostei dele, e ele sabia disso.
– Me deixa explicar uma coisa Edward. - Aro diz. - Ontem a noite foi a primeira transação que fiz com o cartel colombiano. Era para ser tudo perfeito. Foi estrategicamente estudado e planejado. Só que não foi. Sabe por quê? Por que aquele merdinha do James pensou que podia me passar a perna. Quando a mercadoria era trazida para cá ele, aquele riquinho e a piranha loira ali - apontou para Kate. - Armaram uma emboscada para me roubar. - ele ri - Pense nisso? Eles queriam me roubar. - começa a gargalhar.
Eu estava começando a entender.
– Então... - ele continua. - Nosso pessoal reagiu e matou os dois imbecis. Só que com o tiroteio a policia entrou em ação. E eu perdi toda a carga. - disse furioso. - Nosso pessoal conseguiu se safar e trouxeram a piranha. Pela coincidência do destino a piranha loira é irmã de sua amada Isabella.
Fico tenso quando ele menciona o nome dela.
– O que você quer Aro?- perguntei.
Ele foi até Kate pegando seu rosto.
– Eu quero o valor do meu prejuízo. É isso que eu quero. A irmãzinha da gatinha aqui vai ter que conseguir o dinheiro, ou senão vou me vingar na sua irmã e na sua mãe, e só depois que as duas sofrerem muito eu vou matar você. - disse diretamente a Kate.
Ela começou a chorar. E Aro voltou para o lugar onde estava.
Eu não iria o deixar machucar Isabella. Nunca.
– Não há outra opção? Elas não têm dinheiro. - falei tentando ocultar o ódio e desespero em minha voz.
– Estou aberto a negociações Edward. - diz.
O que ele pode querer?
– O que você aceitaria em troca? - ele nada responde por um tempo.
Minha cabeça rodando e pensando em uma saída, e então uma única solução surge.
– O que você tem a oferecer Edward? Eu sou um homem generoso. Sempre aceito trabalho em troca de dívidas.
Bingo. Eu já sabia o que ele queria.
Urubu atrás de mim se aproxima.
– Não faça isso Edward. - diz baixo.
– É a única solução. - respondo.
Volto a olhar para ele que me avalia atentamente.
– Eu quero que você solte a garota, e deixe a irmã dela e a mãe em paz. Nunca se aproximem delas. E em troca...
Aro se senta ereto esperando.
– Em troca? - pergunta ansioso.
– Em troca eu pago a dívida dela... assim como paguei a do meu pai.
Aro abre um sorriso.
– Cinco anos. - ele diz.
– Como? Mas é um milhão de dólares, eu consigo paga isto antes. - digo.
– É pegar ou largar Edward. - Aro disse.
– Não é como se você tivesse opções Edward. - Alec diz sarcástico.
Cinco anos? Mais cinco anos da minha vida nesta gangue. Não era justo. Era um preço alto. Porém não tão alto quando comparado a ter Isabella em segurança.
– Feito. - digo.
– Não Edward. - Urubu resmungou.
– Mas Urubu está fora do trato. Ele pode sair quando quiser.
– Perfeito. - Aro disse satisfeito. - Soltem a garota. - disse. - Não se arrependerá Edward, tenho excelentes planos para você.
Os capangas de Aro soltarem Kate, e ela veio cambaleando até mim.
Saímos do prédio. E seguimos para meu carro.
– Isso foi tudo armado Edward. Que droga! - Urubu falou.
Segurando Kate pelo braço, a coloquei no carro. Lancei um olhar a Urubu, que entendeu se afastando.
– Você está machucada?- perguntei.
Ela balançou a cabeça.
– Não... só um pouco. Ai meu Deus! Eu estou mesmo livre? - perguntou.
– Sim. Está. Você ouviu tudo lá dentro?
Ela assentiu.
– Edward... o que você fez... por mim...
– Por Isabella. Foi por ela. - falei.
– Você a ama. - ela afirmou me olhando.
Eu desviei o olhar, e em seguida voltei a olhá-la.
– O que aconteceu lá dentro... você jamais dirá a ninguém. Entendeu?
– Mas Edward... a Bella tem que saber.
– Você não vai contar a ninguém. Principalmente a ela. Se ela souber poderá se colocar em risco... se vier me procurar. Você não a quer em risco não é? Prometa-me Kate.
Ela assentiu.
– Eu prometo.
– Vou ajudá-la a contar uma historia que se encaixa. Assim não terão suspeitas.
Ela escutava tudo atentamente.
– Quero que convença sua mãe a se mudar daqui. Vocês não tem mais seu pai aqui. Acredito que possam partir para um lugar longe desta loucura. Por mais que Aro tenha dito que ficaria longe de vocês, eu prefiro não arriscar.
– Ok. - ela disse.
– Agora uma última coisa, Kate. Tome juízo garota. Você teve uma nova chance, não desperdice o meu sacrifício. Escute bem o que vou te dizer. Se você se meter em confusão de novo, e colocar a sua irmã em perigo... eu mesmo faço questão de torcer esse seu lindo pescoço, entendeu? - perguntei.
Ela engoliu em seco.
– Nunca mais. Nunca mais mesmo vou me meter em confusão. Eu prometo. Edward... não sei nem o que te dizer... obrigada não parece adequado.
– Faça o que prometeu, e já estarei contente.
– Minha irmã é uma sortuda por ter alguém como você que a ama desta forma... é uma pena que ela não possa saber.
– Kate você prometeu. Quero sua palavra.
– Não concordo, mas tem minha palavra.
– Ótimo. Vou te levar pra casa agora.
Quando chegamos à casa de Isabella. Uma mulher, provavelmente sua mãe, estava na varanda. Logo Isabella apareceu.
Descemos do carro e Kate correu ao encontro de sua família. As três se abraçaram emocionadas. Eu e Urubu apenas olhávamos a cena.
– Eu tive tanto medo mamãe. - Kate disse.
– Minha filha por que fazer isso? Não precisava passar por isto meu amor. - a Sra. Swan falou.
– Nunca mais mamãe. Eu nunca mais vou agir assim. Eu juro. - Kate disse - Bella minha irmã. Foi você que chamou o Edward para me ajudar... - ela dizia entre lágrimas - Se não fosse por você eu não sei o que seria de mim. Perdoa-me.
– Esquece isso Kate agora você está aqui. E está segura. Eu jamais deixaria que algo acontecesse com você minha irmãzinha. - Isabella disse.
A Sra. Swan se aproximou nos observando.
– Quem de vocês é o Edward? - ela perguntou.
Me adiantei.
– Sou eu senhora. - respondi.
Ela veio até mim pegando minhas mãos.
– Meu filho, não posso dizer o quanto agradeço pelo que fez. Saiba que sempre estará em minhas orações. Obrigada. - disse emocionada.
– Não precisa agradecer senhora. Seu marido fez algo muito gentil em relação a minha mãe. Veja isto como apenas uma retribuição. - falei.
Isabella deu grande abraço em Urubu, o que me fez morrer de inveja.
– Obrigada Frank. - agradeceu.
– Não foi nada pequena. Quem fez a maior parte do trabalho foi o Edward. - meu amigo disse, e então ela me olhou.
Dois meses fazia que não nos víamos. Ela pareceu dividida se me agradecia ou não. Vi seus olhos com um brilho, mas depois eles endureceram.
– Obrigado Edward.
– Eu disse que a traria sã e salva não disse?- perguntei olhando-a firme.
– Sim. Você disse. - respondeu sem emoção.
Acho que não tínhamos nada mais para conversar. Voltei minha atenção às outras duas mulheres.
– Acho que devem levar Kate a um hospital. Não acho que tenha nada grave, mas é bom um médico a examinar. - falei.
– É claro, nós iremos fazer isso. - A Sra. Swan falou. - Mas e quanto a quem fez isso? Eles não vão vir atrás de nós? - ela perguntou.
Troquei um olhar com Kate.
– Fique tranquila senhora, eu já cuidei de tudo. Nada nem ninguém irão prejudicar vocês. Poderão seguir com suas vidas em paz. Nunca ninguém voltará a importuná-las - falei e olhei para Isabella.
– Ah que bom. Vocês querem entrar um pouco? Posso fazer um café. -ofereceu.
Foi gentil, mas achei melhor recusar. Era óbvio que Isabella não me queria ali.
– Não é necessário senhora. Acho que tem que verificar os machucados de Kate e nós temos que ir. -respondi.
– Tudo bem. Mas as portas da minha casa estão abertas Edward. E a você também...
– Frank senhora. - Urubu se apresentou.
Elas foram seguindo para casa. E eu me virei para voltar ao carro.
– Espera Edward. - Kate disse e veio correndo me dando um forte abraço. - Edward, nunca vou poder pagar o que fez por mim. - ela me disse olhando em meus olhos. Eu vi emoção neles.
– Por favor, Kate nós já conversamos sobre isso. - falei alertando-a.
– Eu sei. Mas mesmo assim precisava te agradecer de novo. Você foi incrível. Obrigado de verdade. - disse dando um beijo no meu rosto. - Sinto muito por tudo que teve que fazer. - sussurrou em meu ouvido antes de se afastar, e entrar na casa com sua família.
Isabella sequer olhou novamente para mim.
A viagem de volta em direção ao subúrbio foi feita em silencio. Nem eu, e nem urubu tínhamos muito que falar.
Estacionei o carro em frente à casa dele. Ele desceu e eu também.
– Que dia hein. - comentou.
– Sim. E pra você ainda não acabou. - falei - Quando vai falar com sua mãe? - perguntei.
– Hoje ainda. O que vai ser duro pra ela, é que provavelmente não vão achar o corpo.
– O que Alec disse? - perguntei.
– Ele disse que desovaram o corpo dele em um lago, mas não iria me dizer. Dificilmente vão encontrar. Talvez seja melhor. Não sei...
Ficou pensativo.
– Vou entrar que Elisa deve estar querendo meu fígado. - falou.
– Certo. - falei, e quando fui entrar no carro, ele me chamou. - Edward? - disse vindo em minha direção e me surpreendendo em um abraço.
Quando me soltou me segurou pelos ombros.
– Cara eu sinto uma porra de orgulho de ser seu amigo sabia? O que você fez hoje pela irmã... não. Pela Bella. Foi algo... cara sem palavras. - disse.
Suspirei, mas sorri.
– Tudo bem. Agora será que dá para você me soltar? Se a Elisa nos vir assim, vai pensar que temos um caso.
Ele riu. Saí de lá direto para meu quarto. Tomei uma ducha e vesti apenas meu jeans.
Quando consegui parar pra pensar, não sei por que não estava furioso por ter que ficar na gangue. Acho que era por que no fundo eu sempre soube que algo assim poderia acontecer. Que eu nunca conseguiria me livrar dela. Por que eu nunca havia tido esperança de verdade.
Uma batida na porta me pôs em alerta. Quem seria a esta hora? Já era madrugada.
Ao abri aporta e quase caio para trás. É ela. Minha boneca.
– Bone... Isabella? - digo sem esconder minha surpresa.
– O-oi Edward... eu preciso falar com você. Será que posso entrar? - pediu.
Continua...


E ai amores? Gostaram?

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