CORAÇÃO INDOMAVEL - CAPITULO 47


Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência
Capítulo 47
Edward
Tento criar um pensamento coerente. Ela está aqui. Isso é a única coisa que minha mente registra.
– Desculpa se você está com alguém eu posso... Droga! Foi idiotice. - disse ao se afastar.
Eu reagi.
– Eu estou sozinho. Entre. -falei.
Ela passou por mim ao entrar. E só de sentir seu cheiro quase me descontrolei.
– O que está fazendo aqui Isabella? - perguntei soando mais rude do que gostaria.
Ela ficou em silencio.
– Eu... eu vim aqui por que...
– Você veio sozinha até aqui?! - não a deixei terminar.
Era madrugada. Ela veio sozinha ao subúrbio? A raiva tomando conta de mim. Essa... desmiolada! Depois de tudo o que estou fazendo para mantê-la em segurança faz isso?!
– Sim, eu vim.
– Droga Isabela! Sabe que é perigoso vir aqui sozinha, ainda mais neste horário.
Ela empinou aquele narizinho lindo.
– Olha aqui você não manda em mim.
Minha raiva deu ligar a outras sensações. Vê-la me enfrentar assim me deixava pra lá de excitado.
– Eu... eu vim aqui por que fui muito rude da minha parte em não agradecê-lo direito pelo que fez pela minha irmã hoje. - falou quase atropelando as palavras.
– Não precisa agradecer. Sua mãe já me agradeceu e sua irmã também. - falei.
Vi os olhos dela se tornarem intensos.
– Ah claro... eu percebi. Pareciam bem íntimos hoje. - ela disse.
A olhei firme. Era impressão ou minha ou ela estava...
– Você está com ciúmes. - afirmei.
Ela riu desviando seu olhar do meu.
– Ah vai sonhando. -falou sarcástica. - Por que eu teria ciúmes de você? Não tivemos nada serio. Não foi isso que disse quando apareceu com aquela vadia na boate no dia do meu aniversario?
Eu não escutava o que ela dizia. Queria somente mais uma dose. Uma dose do meu vicio. Somente mais uma vez.
– Eu senti sua falta boneca. - soltei sem eu mesmo esperar por estas palavras.
Eu estava vidrado em seus olhos e nos lábios que eu tanto precisava provar apenas mais uma vez.
– Não... não me chame assim. -falou. Mas senti sua insegurança.
Não era justo eu me aproveitar assim, mas que se dane! Eu estava pouco ligando.
– Eu... eu tenho que ir embora. - ela disse, no entanto não se mexeu.
Aproximei-me mais.
– Não vá. - falei com meu rosto colado ao seu já sentindo seu hálito. Quase sentindo o sabor que eu tanto amava.
Coloquei minha mão em sua nuca. Estremeci ao contato de sua pele.
Isso tudo era tão errado. Só mais uma dose... só mais uma. Eu repetia.
– Eu quero tanto você Isabella. - falei e tomei sua boca no beijo que eu tanto queria.
Agarrei seu corpo delicioso a suspendendo. Isabella rendida rodeou meu quadril com suas pernas.
Eu a beijava sem parar. Não queria que ela tivesse tempo para pensar. Tomado pelo desejo pressionei meu quadril ao dela para que ela sentisse o quanto a queria.
Consegui entre beijos levá-la até a cama. Deixei sua boca e passei a beijar seu pescoço, ombros cada parte que eu consegui tocar em sua pele descoberta.
Isabella respirava com dificuldade quando eu recuei e comecei a despi-la, abrindo os botões de sua blusa. Eu a contemplava embevecido por sua beleza.
– Você é tão linda. - falei, olhando-a. - Eu amo seus olhos. Seu nariz... - beijei seu nariz - ...seu sorriso. Amo cada parte sua.
Eu queria dizer que a amava, mas sabia que isso não nos era permitido.
Mesmo enlouquecido de desejo e saudade eu fui calmo. A amei como nunca fiz antes. Deliciei-me com cada parte do corpo dela. Eu queria gravar cada imagem, cada toque, cada suspiro de Isabella, pois eu sabia ser a última vez que ficaríamos juntos.
– Edward... - ela gemeu tomada pelo prazer que eu estava proporcionando a ela.
– Bella... - sussurrei quando senti o prazer e o amor que eu sentia por ela ambos se misturando em meu corpo. Ela não notou como a chamei. Estava em seu próprio mundo de prazer.
Quando ela dormiu, exausta eu a segurei em meus braços e aproveitem os últimos momentos que tínhamos.
Eu a amava.
Eu a queria comigo.
Porém o destino não foi camarada conosco. Nos fez nos encontrar sem a possibilidade de podermos ter um futuro juntos.
Não adiantava se lamuriar. Isabella precisava seguir sua vida e eu a minha seja ela do jeito que for.
*
Richard Marx
Right Here Waiting
Esperando Bem Aqui
*
Oceanos de distância dia após dia
E lentamente vou enlouquecendo
Ouço sua voz no telefone
Mas isso não acaba com a dor
*
Se vejo você como uma impossibilidade
Como podemos dizer que é para sempre?
*
Aonde quer que você vá,
O que quer que você faça
Estarei bem aqui esperando por você
Seja lá o que for necessário
Ou como meu coração fique partido
Estarei bem aqui esperando por você
*
Eu dava como certas todas as vezes
Que pensei que duraria de alguma forma
Ouço a risada, sinto o gosto das lágrimas
Mas não posso me aproximar de você agora
*
Você não consegue ver isso, baby?
Você está me levando à loucura
*
Aonde quer que você vá,
O que quer que você faça
Estarei bem aqui esperando por você
Seja lá o que for necessário
Ou como meu coração fique partido
Estarei bem aqui esperando por você
*
Passei a noite toda a olhando. Velando seu sono. Quando amanheceu ela acordou e sentou-se assustada na cama. Parecia não recordar que estava aqui comigo.
Segurando o lençol para se cobrir, ela me olhou.
– Bom dia.
– Bom dia. - falou timidamente.
– Eu trouxe café. Está quentinho. - eu não sabia o que dizer.
– Ah... é... eu vou me trocar. - disse indo para o banheiro.
Sentando na soleira da janela olhei para o céu azul. Precisava ter força.
Ela saiu meio encabulada.
– Eu comprei algumas coisas... não sabia o que você iria querer comer...- falei meio envergonhado.
Havia ido ao mercadinho próximo e comprado varias coisas. Nem sabia por que havia feito isso. Eu queria agrada-la.
– Não vou comer. Só o café está bom. - respondeu.
Tomamos o café cada com um com seus pensamentos, mas eu era o homem da relação porra! Tinha que dizer algo.
– Sobre ontem... - fiz uma pausa - Nós temos que conversar...
– Foi um erro... - ela disse rápido.
Não consegui olhar para ela e focalizei meus pés.
– Eu queria dizer ao contrario disso, mas acho que você tem razão.
– É claro, por que esperar algo diferente vindo de você? - disse ácida.
Eu não esperava estas palavras e isso desencadeou uma ira dentro de mim. Não por ela. Por tudo.
Ela foi pegar sua bolsa, e eu fui atrás a segurando pelo braço.
– O que você esperava Isabella? - perguntei.
– Nada. Eu nunca posso esperar nada de você Edward. - rebateu.
– É claro que não pode. Esperar algo de um marginal? Um cara de gangue? A princesinha rica e o bad boy? Isso só da certo em livros. - falei com raiva.
– Solta o meu braço. Deixa-me ir embora. - pediu.
Não a soltei. A encostei a parede e coloquei meus braços ao lado de seu rosto.
Resolvi quase entregar meu coração.
– Isabella... eu queria ser diferente. Mas não sou. Sou este cara imperfeito e... um burro. Um nada. - falei amargurado. - Você merece mais que isso e saiba que eu queria ser este alguém.
– Não precisa fingir que sente alguma coisa... - começou a falar.
– Acha que eu não sinto? - perguntei.
– Acho que não. O que você fez no meu aniversario só provou isso. - respondeu.
Eu sorri. Um sorriso que destruía meu coração.
– Você não enxerga muito bem as coisas. - falei. - Eu a desejo mais do que eu deveria, gosto de você mais do que deveria e eu a..., - engoli em seco pra não revelar o que sentia. Não adiantaria de nada. Não ficaríamos juntos e isso só a machucaria mais - ...mas nunca vamos poder ficar juntos. Entendeu? - perguntei.
– Sim. Eu entendi Edward. Já entendi há bastante tempo. Agora me deixa ir embora. - falou magoada.
Ela não conseguia entender.
– Adeus. - falou.
– Adeus Isabella. - respondi.
Não havia muito que fazer. Apenas deixa-la ir.
*
Me pergunto como podemos sobreviver à
Este romance
Mas se, no final, estiver com você
Eu aceitarei a chance
*
Você não consegue ver isso, baby?
Você está me levando à loucura
Aonde quer que você vá,
O que quer que você faça
Estarei bem aqui esperando por você
Seja lá o que for necessário
Ou como meu coração fique partido
Estarei bem aqui esperando por você
Esperando por você
***
Aro esperava minha resposta. Como seu eu tivesse opção de escolha.
– Você entendeu tudo o que eu disse? - ele perguntou quando eu permaneci em silencio.
– Sim. Eu entendi. Mas você sabe que eu não gostei.
– Você não tem que gostar Edward, e sim fazer o que mandamos. - foi Alec a dizer.
Segurei minha língua, e a vontade de socá-lo.
– Não quero ir para o outro lado do país e deixar minha família aqui. - falei tentando soar mais calmo.
– Eu disse a você que tinha planos para você Edward. Meu irmão Marcus está começando a gangue em San Diego. Lá é um lugar prospero. Quero a gangue por todo o país. Isto é o meu objetivo. - disse eloquente.
Ele estava louco.
– E você lá com sua mente inteligente poderá ajudar muito. Quanto a sua família, seu amigo Urubu poderá cuidar deles aqui. E, em cinco anos você estará livre para ficar com eles.
– Isso se não acontecer algo que faça com que eu fique novamente não é?-perguntei.
– É só você não se envolver com pessoas que possam levá-lo a fazer besteiras Edward. - outra vez Alec se manifestou.
– E quanto a elas? Serão deixadas em paz não é?
Aro me observou. Ele sabia sobre quem eu falava.
– Eu lhe dei minha palavra. Além disso, não preciso delas, pois você está ao meu lado Edward.
Saindo dali, fui arrumar minhas coisas. Eu precisava estar em San Diego o mais rápido possível, e havia coisas que eu precisava resolver antes de partir.
Já estava com algumas coisas dentro da mochila. Não era muita coisa. Eu não tinha muito que levar mesmo.
Urubu chegou me surpreendendo.
– Mas... o que... aonde está indo Edward? - ele perguntou.
Respirei fundo.
– Vou precisar de mais um favor meu amigo. Preciso que você cuide da minha família.
– Edward... o que está rolando? - perguntou olhando as roupas em cima da cama.
– Vou precisar partir. Aro me quer ajudando a gangue que ele e o irmão Marcus estão montando em San Diego. - expliquei.
– E por que querem você lá? Não faz sentindo...
– Não sei Urubu... só sei que eles querem, e eu não posso discutir já que não tenho opção.
Urubu me olhou sem saber o que dizer.
– Você não precisa continuar na gangue...
– E fazer o quê? - perguntou me interrompendo.
– Não sei Urubu. Fazer outra coisa. - respondi evasivo.
– Vou continuar enquanto você continuar. E vou cuidar da sua família quando estiver fora.
Assenti.
– Você é o melhor amigo que existe. - falei colocando minha mão em seu ombro.
– Quando você vai? - ele perguntou.
– Amanhã. Hoje vou ficar com minha família. Eles ainda não sabem.
***
À noite, após o jantar, eu contei a Emmett e a minha mãe sobre minha viagem.
– Por que isso meu filho? Eu não aceito... você tem que ficar aqui...
– Mãe... eu não posso.
– Você nunca pode Edward. Sempre esta maldita gangue!- ela disse brava.
– Mãe eu não quero brigar.
– Para onde vai Edward? - perguntou - Eu não tenho o direito de saber onde meu filho estará.
– Eu não posso falar mãe.
Eu a entendia e concordava com ela, mas não adiantava falarmos disso.
Emmett apenas observava.
– Já falou para os seus irmãos? - minha mãe perguntou visivelmente chateada.
– Não. Eu vou conversar com eles.
Mais tarde Thomas e Seth escutavam quando eu falava que iria ter que viajar por um tempo.
– Quem vai brincar com a gente? - Thomas perguntou.
– Ou nos levar ao parque? O Emmett não sabe fazer as brincadeiras que você faz. - reclamou Seth.
Suspirei. Afastar-me deles era bem difícil.
– Você vai embora que nem o papai? - Thomas me olhou com lágrimas nos olhos
– Nunca mais vai voltar Duh?
– Não! - o peguei e o coloquei no meu colo. Seth se sentou ao meu lado e coloquei meu braço em seu ombro. - Eu não vou sumir. Eu prometo. É uma coisa do trabalho e vou voltar sempre que der pra vê-los.
– Você promete? - Seth perguntou.
– Eu prometo. Não vou abandonar vocês.
***
Abracei meus dois irmãos menores.
– Cuidem um do outro e cuidem da mamãe até eu voltar. -falei beijando a cabeça de cada um deles.
– Pode deixa Duh. Eu sou grande. - Thomas disse me fazendo rir.
Fui até Emmett que me abraçou apertado. Não andávamos de bem desde o aniversario de Isabella, por isso foi uma surpresa sua reação.
– Eu não queria deixar essa responsabilidade sobre seus ombros. Você tem que se dedicar a faculdade, mas... eu preciso ir.- falei.
– Tudo bem Edward. Eu posso dar conta. -ele disse. - Não vai nos dizer pra onde vai?
– Por enquanto não. - respondi.
Peguei meu celular e coloquei em sua mão.
– Quero que dê este telefone para a mamãe. Eu vou fazer contato em breve. Vou continuar mandando dinheiro para vocês. Já deixei uma boa reserva.
Ele balançou a cabeça, desgostoso.
– Eu sei Edward. Não estamos preocupados com isso, mas sim...
– Emmett, por favor. Tudo o que tenho feito tem um motivo - respirei fundo. - Se precisarem de mais dinheiro fale com o Urubu.
Abraçamo-nos novamente, e olhei para a porta a espera de minha mãe. Ela estava trancada no quarto, magoada por minha decisão de ir embora.
– Não fique triste com ela - Emmett disse. - Ela está arrasada por sua partida.
– Eu sei. Eu entendo, mas não posso esperar mais. Tenho que ir. Cuide dela Emmett. - olhei meus irmãos. - Cuide de todos.
Sentei na moto, e me dirigi para um último destino antes de ir embora. Sem ter noção do que o futuro me reservava.
Eu estava sendo imprudente. Por que querer uma despedida? Já tínhamos nos despedido.
Estacionado com minha moto em frente a casa dela, eu me debatia entre a vontade de vê-la mais uma vez e a certeza de que não devia fazer isso.
O cd em minhas mãos era mais uma tolice que eu pensava em fazer. O que eu estava pretendendo afinal? Deixá-la com esperanças? Sendo que não havia nenhuma.
Na verdade, eu queria que ela soubesse como me sentia. Eu não podia dizer com todas as letras, mas queria dar a ela a oportunidade de sentir que ela era especial. Que não foi qualquer garota, mas sim a garota dos meus sonhos. E que por ela eu gostaria de poder ter mudado quem eu era.
Finalmente desci da moto e fui até a porta da casa de Isabella. Após uma leve batida a senhora Swan abriu a porta e me reconheceu.
– Edward...
– Como vai senhora Swan?
– Tudo bem. Você veio falar com a Kate... ou com a Bella?- perguntou dando ênfase ao nome da segunda filha.
Eu sorri de sua astúcia.
– Com a Bella. Ela está? - perguntei inseguro, porém tentando disfarçar.
– Está sim. Eu vou chamá-la. Quer entrar? - perguntou simpática.
Neguei.
– Não será preciso senhora Swan. É rápido o que preciso falar com Isabella.
– Tudo bem... e Edward pode me chamar de Renée. - falou sorrindo. - Vou chamá-la.
Ela saiu, e eu fiquei esperando. Ansioso e nervoso. Nem sabia o que diria a ela.
Antes que eu terminasse o pensamento a mãe de Isabella desceu, e eu já sabia. Ela não falaria comigo. Apesar da decepção, no fim acho que era melhor assim.
– Desculpe Edward ela estudou muito para as provas e caiu no sono. - a senhora Swan disse tentando disfarçar.
Era óbvio. Ela não queria falar comigo. E eu poderia culpá-la? É claro que não.
– Ah... bem... então tudo bem dona Renée. A senhora podia entregar isto aqui a ela? - me ouvi dizendo.
Se for o certo ou não, eu não estava em condições de decidir no momento.
A mãe de Isabella pegou o pequeno pacote olhando curiosa.
– É claro querido. Eu entrego sim. - disse.
– Obrigado. Até mais senhora Swan.
– Até Edward.
Eu saí e voltei para a moto. Ajeitei minha jaqueta de couro e coloquei os ósculos. Olhei para a casa tendo a esperança de ter um vislumbre dela, porém não aconteceu.
***
A vida em San Diego era diferente da que eu vivia em Princeton. A cidade era maior. O sol da Califórnia sempre presente. Eu teria curtido muito se não fosse os motivos que me levaram a vir pra cá. A gangue.
Aqui as coisas eram diferentes. Havia muitas gangues. Quase uma ao lado da outra. Isso era um problema. A proximidade com o México era atraente, por isso tantas gangues se instalavam por aqui.
A gangue de Aro, sendo comandada por Marcus aqui, ainda estava se iniciando, tomando posse de seu território o que fazia com que tivéssemos muito trabalho.
Eu estava há seis meses aqui e ainda não havia me acostumado.
– Então está tudo bem por ai? - perguntei.
– Tudo Edward.– Urubu respondeu. - Você virá para a formatura do Emmett?
– Não... vai dar...
– Se for por conta da Bella. Não se preocupe. Ela dispensou a formatura e viajou... parece que logo vão embora daqui.
Engoli em seco.
– Não é por causa disso. - falei.
Mas era um pouco sim.
– As coisas aqui não estão muito legais Urubu. Aqui eu não sou chefe... tenho obrigações...
 Não entendo por que te mandaram para aí. Aro não dizia que tinha grandes planos para você? Então?
Ele tinha razão. Eu também não entendia. Pensava que talvez fosse um castigo para mim. Por ter pensando em sair da gangue. Eu não estava sendo de muita utilidade por aqui, por isso a dificuldade de entender o que Aro pretendia.
O tempo foi passando, e eu fui levando a vida. Comecei a ser respeitado na gangue. E Marcus assim como Aro fez me deu um cargo, se é que se podia dizer isso, de maior responsabilidade dentro da gangue.
Uma vez por mês eu ligava e falava com minha mãe e meus irmãos. Demorou até eu fazer a primeira ligação. Tinha medo de a saudade falar mais alto e eu não aguentar. Depois fomos nos acostumando, e minha mãe sempre se recriminava por não ter se despedido de mim quando parti.
Ela sempre pedia que eu voltasse. Infelizmente, eu não podia atender seu pedido.
Urubu continuava sendo meus olhos e ouvidos. Ele sempre me relatava tudo o que se passava lá. Ele e Elisa se casaram numa cerimônia apenas religiosa, e poucos meses depois recebi a grande noticia.
– Eu vou ser pai!– Urubu gritou no telefone quase me deixando surdo.
Eu abri um sorriso. Meu amigo merecia esta felicidade.
– Parabéns meu amigo. - falei sinceramente feliz por ele.
– Nem pense em não comparecer quando meu garotão nascer.
– Já sabe o sexo?- perguntei.
– Não. É meio cedo, mas é claro que será um garotão. E você será o padrinho.
Sorri do seu entusiasmo.
– Você está feliz. - afirmei.
– Cara você não tem noção. É um sentimento que não dá pra explicar. Você vai saber quando for com você.
Fiquei pensando nisso. Será que algum dia isso aconteceria comigo? Sinceramente eu duvidava.
Voltávamos de uma ação da gangue. Eu e mais 4 caras. Estacionamos a frente do prédio onde eu morava. Não era grande coisa, um quarto com banheiro, mas era decente perto dos outros por estas bandas. Ao descer do carro vi a mulher que não era desconhecida. Ela estava sempre na área. Era uma prostituta e se chamava Sharon. Ela fumava e parecia alheia aos nossos olhares. Não que eu quisesse algo com ela nesse sentindo. Mas algo despertava em mim quando eu a olhava. Parecia que éramos duas almas perdidas.
Eu devia estar ficando maluco. Ao entrar no apartamento dei de cara com ela. Isabella. Todos os desenhos que fiz dela estava espalhados por meu quarto.
Sentei em minha cama e peguei papel e lápis. Mais um desenho dela se formava em minha mente.
Seu rosto foi se ficando nítido no papel em branco.
*
3 Doors Down
Aqui Sem Você
*
Cem dias me fizeram mais velho
Desde a última vez que vi seu rosto lindo
Milhares de mentiras me fizeram mais frio
E eu não creio que possa te olhar do mesmo jeito
Mas todas as milhas que nos separam
Elas desaparecem agora, quando estou sonhando com seu rosto
*
Estou aqui sem você amor
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você amor
E sonho com você o tempo todo
Estou aqui sem você
Mas você ainda está comigo nos meus sonhos
E esta noite, é só você e eu
*
A distância só continua aumentando
São as pessoas deixando de se falar
Ouvi que esta vida é superestimada
Mas espero que isso melhore com o passar do tempo
*
Estou aqui sem você amor
Mas você continua em minha mente solitária
Eu penso em você amor
E sonho com você o tempo todo
Estou aqui sem você
Mas você continua comigo nos meus sonhos
E esta noite garota, somos só você e eu
*
Tudo que eu sei, e qualquer lugar aonde eu vá
Isso se torna difícil, mas não vai tirar o meu amor
E quando o último cair, e quando tudo estiver dito e feito
Isso se tornará mais difícil, mas não vai tirar o meu amor
*
Estou aqui sem você amor
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você amor
E sonho com você o tempo todo
Estou aqui sem você
Mas você ainda está comigo nos meus sonhos
E esta noite garota, somos só você e eu.
*
– Gostando de New York? - perguntei a Emmett.
Havia meses que não nos falávamos. Desde quando ele dissera que iria para lá e eu fiquei puto. Não queria minha mãe sozinha com duas crianças.
Ele e Rose haviam se casado e tinham que começar uma nova vida. Apenas eles. E foi em New York que uma grande chance profissional surgiu para Emmett.
Minha mãe me deu um esporro, e disse que assim como eu não permitia que interferissem em minhas escolhas, que eu também não podia interferir nas escolhas deles.
 Sim. A cidade é uma loucura, mas estou me adaptando.– meu irmão respondeu.
– E a sua mulher? Ainda me odeia?- perguntei debochando.
– Quando ela pensa na Bella sim, ainda te odeia.
Só a menção do nome dela fazia algo se contorcer em meu peito.
Eu era o motivo de Rose ter perdido o contato com Isabella. Eles não faziam ideia de onde ela estava assim como eu. Mas pelo que eu soube, quando Urubu certa vez comentou, através de Alice todos sabiam que ela estava bem.
Bem e segura. Era o que importava a mim.
– Até quando vai ter sua vida amarrada a esta gangue Edward?– Emmett perguntou. - Eu sou advogado agora. Seja o que for que o prenda ela, eu posso dar um jeito meu irmão. - disse.
Emmett era advogado na área tributaria, e mesmo que fosse criminal, ele nada podia fazer por mim.
***
Mais tempo se passou e foi em uma tarde de abril, após a ligação de Urubu que as coisas se complicaram.
– Edward... eu escutei uma coisa estranha... outro dia.– Urubu comentou.
Senti a tensão através de sua voz.
– O que foi? -perguntei preocupado.
 O cara que ficou no seu lugar aqui... ele é... ou era bem chegado ao Aro. Outro dia ele estava meio bêbado e fez um comentário. Ele disse que Aro conseguia tudo o que queria. Que enrolava até o mais esperto... e que naquela situação das drogas... da morte do James... que ele lucrou muito, pois ficou com a carga, e, além disso, conseguiu que você ficasse em dívida com ele.
Engoli em seco.
– Se isso for verdade Edward... então a irmã de Bella não deu o tal prejuízo a eles porra nenhuma. Foi tudo uma armação. Pois ele devia saber que para proteger a Bella você se sacrificaria.
Sentei-me na cama para poder pensar direito.
– Urubu... você tem certeza que ouviu isso? - a raiva já consumindo meus pensamentos.
– Cara não tenho certeza. - Urubu disse - Estávamos em farra. Ele estava bêbado, mas não sei Edward pode ser verdade. Eu sempre desconfiei daquela historia...
Eu não sabia o que pensar. Sempre soube que Aro não queria que eu saísse da gangue. Que eu não saísse de seu controle, mas não imaginei que pudesse jogar tão sujo.
– Urubu... preciso que você descubra isso pra mim...
– Mas é claro. Nem precisa pedir.
– Por favor, se cuide. Sua mulher está grávida... isso pode ser perigoso...
– Não esquenta cara. Eu sei me cuidar.– disse.
Não imaginei que pedir aquilo colocaria a vida do meu melhor amigo em risco.
Dias depois recebi a mensagem dele:
Edward. Consegui! Gravei uma conversa do Aro com Alec. Depois te explico melhor, mas cara você está livre deles. Não posso falar agora, tenho um negocio pra resolver na gangue. Te ligo a noite.
Mais tarde naquela noite, quando meu telefone tocou atendi ansioso, porém não foi Urubu que ligava, e sim Elisa.
 Edward...– disse com a voz fraca.
Eu já senti mesmo antes de ela falar.
– Edward... Urubu ele... foi baleado numa ação da gangue hoje e... ele não resistiu.– ela começou a chorar.
Em choque eu não sabia o que dizer. Meu melhor amigo havia morrido. Ia ser pai e nem poderia conhecer o filho. E tudo por minha culpa. Eu tinha certeza.
– Elisa eu... eu não sei...
– Ele gostava muito de você Edward. Era como um irmão pra ele.
Minha garganta fechou e deixei lágrimas saírem dos meus olhos. Homem não chora, porém chora sim quando se perde um amigo, um irmão.
– Elisa... me conta como tudo aconteceu.- funguei.
Poucas horas depois eu estava de volta a minha cidade. Não me importei com o que Marcus, Aro iriam pensar, somente que precisava saber a verdade sobre a morte do meu amigo. E precisava me despedir.
Segui direto para a casa da minha mãe e após quase três anos a vi novamente.
Fui recebido com um abraço apertado e um afago no cabelo.
Confortei-me nos braços dela.
– Meu filho que saudade. -me abraçou mais. - Uma pena que teve que acontecer isso... para você voltar pra casa.
Eu não havia voltado, no entanto não disse nada.
– Senti sua falta mãe. - falei.
De repente me senti abraçado por outros pares de braços. Meus irmãos.
Matei a saudade que estava deles e vi como cresceram. Mas eu estava agoniado.
Queria saber direito tudo o que houvera. Já ia saindo para ir a casa de Elisa quando minha mãe me impediu.
– Querido... Elisa não se sentiu bem com tudo o que houve e entrou em trabalho de parto. Ela foi para o hospital pouco antes de você chegar.
Fiquei preocupado.
– Mas já estava no tempo do bebê nascer? - perguntei.
– Faltavam algumas semanas...
– Qual hospital? - falei já quase na porta.
Voei para lá. Na recepção não queriam me dar informação ou me deixar ver Elisa. Por sorte a mãe dela apareceu e como me conhecia autorizou minha entrada.
Ao entrar no quarto vi Elisa com um pequeno embrulho nos braços. Ela chorou a me ver.
– Edward...
Esticou sua mão e a peguei.
– Elisa... como você está? - perguntei.
– É uma confusão de sentimentos... estou feliz por ter meu filho aqui em meus braços e... triste por Frank... por ele não poder participar disso. - suspirou - Enquanto uns nascem outros morrem. É a lei da vida não é? - disse com lágrimas em seus olhos.
– É, parece que é.
Olhei fixo para o bebê em seus braços. Elisa viu meu olhar.
– Chegue mais perto Edward. - Elisa chamou. E eu fui e o vi. - Este é o filho do Frank. Ele queria que se chamasse Alex.
Eu olhei o pequeno bebê, e o amor e amizade que sentia por meu amigo se transferiu automaticamente para ele.
Sorri olhando para ele.
– Vou cuidar de você Alex.
A partir dali minha vida tomava um novo sentido. Cuidar da família do meu amigo como se fosse minha.
– Acho que Frank viu minha dor e resolveu me mandar este presente para que eu conseguisse superar. - Elisa disse.
E concordei. Urubu sempre pensava nos outros, antes de si.
– O que eu disse Elisa se refere a você também. Você e Alex passam a ser minha responsabilidade.
Ao sair do hospital fui direto ao depósito. Eu queria saber de fato o que houve com Urubu e não desancaria enquanto não esclarecesse esta historia. Ao chegar lá me deparei com Aro e seus capangas.
Ele sorriu a me ver, mas eu já o conhecia e sabia que este sorriso não era verdadeiro.
– Edward! Que surpresa. - disse.
– Não sei o porquê surpresa. Meu melhor amigo morreu era óbvio que eu viria. - falei duro. - O que aconteceu?
O cínico sorriso de Aro desapareceu.
– Quem o vê falando assim pensa que poderia estar nos acusando.
– Eu teria motivos para acusá-los? - usei o mesmo tom dele.
O sorriso dele voltou.
– É claro que não. Foi uma disputa entre gangues, sabe que quando ocorre isso sempre há riscos. Infelizmente isso aconteceu com Urubu... uma pena.
Não acreditei em uma palavra do que ele disse.
Olhei para David que me olhava de forma estranha. Parecia tenso.
Minha vontade era confrontá-lo por tudo, mas do que adiantaria? Se fora ele que fizera isso com Urubu, isso era mais um motivo pra me manter calado, pois havia outras pessoas a quem ele poderia atingir. Se fosse somente eu a historia seria diferente.
Dois dias depois foi o funeral do meu amigo. Não havia muitas pessoas. Foi uma cerimônia simples. Abracei longamente a mãe dele que já havia perdido também outro filho. James. A vida era injusta às vezes com as pessoas boas como ela.
Chegou o dia de eu voltar para San Diego. Eu não podia ficar por mais que quisesse.
Tudo ficou resolvido. Elisa iria morar com minha mãe. Eu daria toda a assistência possível. Aproveitei todos os momentos que pude com Alex e meus irmãos. Eu sabia que não podia nunca substituir Urubu na vida dele, mas faria o possível para fazê-lo feliz e um homem digno, assim como pretendia fazer com meus irmãos.
Antes de ir, tinha algo que não saia da minha cabeça. A tal gravação que Urubu mencionara ter feito. Perguntei a Elisa sem dizer o motivo, onde estava o celular dele, e ela dissera que não fora encontrado. Cada vez ficava mais claro que Urubu fora morto por Aro ou alguém a mando dele. E isso me deixava insano e doente de culpa.
Em San Diego, recebi a confirmação de minhas suspeitas, alguns dias depois em uma ligação anônima.
– Alô.
Nada. Silencio.
– Alô. Tem alguém ai? - tentei novamente.
 Você estava certo.– a voz de um homem disse.
A voz não era estranha.
– Aro armou tudo. Matou Urubu. Eu vi. E estou com a gravação que Urubu fez Edward.
– Quem está falando? David? David é você?- perguntei ansioso.
 Eu só queria que você soubesse que estava certo.
– David escute. Eu preciso desta gravação... David? Alô? - mas ele já havia desligado.
Em seguida soube que ele havia sumido. Com certeza por medo do que acontecera a Urubu.
Eu estava com raiva, triste e abalado por todas as coisas que tinham acontecido.
Estava sentando em um bar em bebendo mais do que já bebi na vida. Ninguém ousava vir falar comigo. Eu não era uma boa companhia.
De repente uma mulher loira se senta a minha frente. Foco meus olhos meio turvos pela bebida nela. É a tal prostituta que anda pela área.
– Pode dar o fora. Não estou a fim de trepar. - falei grosso quem sabe assim ela se mandava.
Ela me olhou seria.
– Eu sei que não quer. - ela disse - Só vim aqui pra te dizer uma coisa. Levante a cabeça e siga a vida. Nenhuma dificuldade pode ser tão terrível a ponto de se curvar diante dela.
Ela ganhou minha atenção.
– Por que está dizendo isso?
– Não sei... Eu só achei que devia te dizer isso. - levantou e se afastou saindo do bar.
Mulher estranha. Não imaginei que dias depois ela entraria em minha vida. Que ela seria tão importante em me manter lutando pelas coisas no qual acreditava.
Bella
Isabella... a morte do Urubu me desestabilizou demais. Nunca antes, pensei em fazer tantas besteiras como logo após sua morte. Eu tinha raiva, culpa e desejo de sangue, mas tinha pessoas que dependiam de mim. Minha família e agora havia Alex. Eu não poderia agir impensadamente, mas estava fora de mim... e foi aí que Sharon surgiu. Ela foi a força que precisei quando não tinha mais esperanças.
Eu não imaginava tudo isso quando comecei a leitura deste diário. Kate... minha irmã sabia de tudo. Viu o quanto sofri e ficou calada. Eu estava além de furiosa com ela, mas não era isso que me atormentava neste momento. Parecia até ridículo, mas o que me incomodava era esta nova mulher... essa Sharon. Quem era ela? E o que significava para Edward?
Lembranças de Bella... Alguns anos antes...
Terminando de guardar as compras no meu apartamento penso em como a vida está corrida. O escritório tem um grande processo. E a audiência será em dois dias. Meu cargo no escritório desde que aceitei a trabalhar novamente com Bryan é auxiliar os advogados do escritório, mas na verdade eu administrava o escritório e não advogava. A barreira da língua muitas vezes fazia a interpretação das leis ser difícil para mim, mesmo eu tendo estudado Francês na escola e já morando há algum tempo aqui. Por isso fiquei mais na administração do escritório e auxiliando os advogados contratados quando necessário.
Como este processo é bem importante Bryan virá de Seattle. Desde que voltei a trabalhar, ele costuma vir a Paris duas vezes no mês. Ele é o chefe e precisa ver se está tudo certo, mas ao mesmo tempo não pode se afastar de sua esposa e filhos. Temos uma boa relação. De amizade e camaradagem. Ele é um ótimo amigo e ama minha filha. E eu adoro sua esposa e os gêmeos Dave e Sara. Bia é louca pelas crianças.
Com essa correria em trabalhar, cuidar de casa e de Bia. Pedi a Alice que buscasse minha filha na escola. Ouço o barulho na porta e sei que são elas. Vou para a sala, pois estou morrendo de saudade da minha pequena.
Ao chegar vejo Bia indo para o quarto sem ao menos me olhar.
– Bia? - a chamo. - Beatriz? - nada, sem resposta. Só ouço a porta do quarto dela bater.
Geniosa essa minha filha.
– O que aconteceu? - perguntou a Alice.
Ela coloca a mochila de Bia no sofá e se senta.
– Ela está chateada. As amiguinhas dela da escola parece que fizeram piadinhas por ela não ter... um pai. - Alice explicou.
Meu coração doeu por ela.
– As crianças podem ser cruéis às vezes. - disse.
Joguei-me no sofá a seu lado.
– Eu sou uma péssima mãe. - me lamuriei.
– Claro que não! - Alice falou - Você é a melhor mãe que eu já vi. Faz tudo por ela. Nem vida pessoal tem.
Não concordo com isso. Talvez tenha errado em não deixar Bia próxima a família do pai, e agora tinha que pagar o preço.
– Só acho que você podia dar mais informações a ela. - Alice continua - Ela tem quase 6 anos e não sabe quase nada do pai. Só que tem um por ai. Fale com ela Bella. Explique... não tudo é óbvio, mas dê a ela um... pai.
Eu me levanto.
– Vou falar com ela. - digo e saio em direção ao quarto de Bia.
A porta não está trancada, entro vendo ela deitada ao lado de suas bonecas.
– Oi docinho. - sento a seu lado na cama. Dou beijinho em seu rosto. - Como foi na escola hoje?
Ela continua em silencio.
– Está brava com a mamãe amor? - pergunto.
Ela faz um beicinho.
– A Ingrid disse que eu não tenho papai. Que você me buscou na loja de bebês - diz.
– Loja de bebês? - pergunto sem entender.
– É... vai lá e o médico põe a sementinha do bebê na sua barriga, mamãe. Ai o bebê não tem papai.
Deus! Como as crianças eram precoces, já falavam até em inseminação artificial.
– Foi assim comigo mamãe? - perguntou angustiada.
– Não meu amor não foi. Você tem um papai sim. Vem cá. - a peguei pela mão.
A levei até meu quarto, e busquei a caixa que eu tinha no fundo do armário.
Retirei a foto que Rose tinha me dado há alguns anos atrás.
– Bia... este aqui é o seu pai amor. A mamãe só não mostrou a foto antes por que você era muito pequeninha.
Entreguei a foto a ela. Ela olhou para a foto parecendo analisar cada detalhe da imagem de Edward.
Então ela sorriu igual ao pai.
– Ele é tão bonito mamãe. Como é o nome dele? - perguntou curiosa.
– É Edward.
Ela arregalou seus belos olhos verdes.
– Como o príncipe da encantada mamãe?! - diz com os olhos brilhando.
– Sim amor. Com o príncipe.
– E quando ele vai voltar para casar com você? - perguntou - O príncipe tem que casar com a princesa mamãe, e você é a princesa. A princesa Bella.
– Hum... bom... - eu não sabia o que dizer a ela - Vai demorar um pouquinho ainda... pra ele vir...
Ela levantou e saiu correndo.
– Bia...
Saí atrás dela pela casa.
– Tia Lice. Tia Lice olha só meu papai é um príncipe. - mostrou a foto a Alice.
– Veja só. - Alice piscou para mim - Não é que é mesmo.
Bia olhava a foto enfeitiçada.
– É lindo meu papai. - suspirou colocando a foto sobre o coração e fechando os olhos.
E num francês perfeito disse às palavras que deixaram, eu e Alice, com lágrimas nos olhos.
– J'aime mon papa.*
*Eu amo meu papai.
***
– Mamãe?
Bia falou com a voz rouca. Ela já estava com sono. Aconcheguei-me mais nela na cama. Senti seu cheirinho doce.
– O que foi baby?-perguntei.
– Hoje na escola uma menina estava chorando por que o papai dela morreu. E muitas vezes eu vi você chorando com saudade do seu papai.
– Sim. Isso acontece. Às vezes a saudade é grande demais que parece querer transbordar do seu coração, e então chorar faz bem. - expliquei a ela.
– Mamãe? Meu papai morreu também? E você não quer me contar? - perguntou e senti a aflição dela.
– Não querida! É claro que não! -a abracei tentando passar toda a segurança que eu podia.
– Bia por que pensa isso? - perguntei.
– Às vezes eu penso isso... que você não diz onde ele está por que ele morreu.
Ela tirou a foto de Edward que ficava em baixo de seu travesseiro. Já estava meio amassado por ela dormir todas as noites com ela. Eu penava se havia feito certo em dar esta foto a ela. Pensava se devia ou não revelar onde Edward estava. Era tão difícil decidir o que era melhor pra ela.
– Meu amor ele não morreu. Eu jamais mentiria pra você sobre isso. -ela assentiu e se concentrou em olhar a foto.
– Maman, je voudrais qu'il fût ici.*(1) - disse nos seu adorável e impecável francês.
– Moi aussi. *(2)- respondi
– Il est mignon. J'aime mon papa. Je t'aime maman. Bonne nuit.*(3)
– Je t'aime princesse. Bonne nuit. Faites de beaux rêves.*(4) - beijei sua testa enquanto ela fechava os olhos e entrava no mundo dos sonhos, agarrada a foto de seu pai.
(1)Mamãe, eu queria que ele estivesse aqui.
(2) Eu também.
(3)Ele é bonito. Eu amo o meu papai. Eu te amo mamãe. Boa noite
(4)Eu amo você princesa. Boa noite. Sonhe com os anjos.
***
– Oi minha lambivelzinha. - Ângela disse dando beijinhos no pescoço de Bia.
Bia se contorcia em cócegas.
– Tia a Ang por que a senhora me chama de lambilvelzinha? - perguntou curiosa.
– Ora por que o seu pai é o senhor lambivel. - explicou.
Bia não entendeu.
– A senhora queria lamber o meu papai?
Eu ri.
– Não só lamber... outras coisas mais...
– Ângela...
A alertei, mas ainda rindo.
– Desculpe Bella. Mas não pode me culpar por cobiçar aquele homem seduzente.
Ângela não tinha jeito mesmo.
Às vezes ela vinha e ficava conosco por um tempo. Ela sempre fora uma amiga leal e amava demais Bia.
***
Parei perto da porta de entrada do prédio. Filipe estava próximo a mim. Talvez esperando um encorajamento.
Vir-me-ei rápido dando um beijo em seu rosto, para que ele não tivesse tempo de tomar a iniciativa.
– Adorei a noite Filipe. - falei.
Ele sorriu, mas percebi que tinha ficado decepcionado.
– Vamos repetir outra noite então. - falou em tom esperançoso.
Eu não sabia se iria sair com ele novamente. Já entrando desviei meus olhos dos seus.
– Claro. - falei sem jeito. - Tchau.
– Tchau Bella.
Passei pela portaria cumprimento os porteiros e me dirigi para o elevador. Era quase meia noite e estava vazio àquela hora. Encostei minha cabeça contra a porta, logo que elas se fecharam. Droga! Será que nunca eu conseguiria seguir em frente?
Mais um encontro que não iria dar em nada. Eu sabia.
Abri a porta e vi Alice sentada no meu sofá enquanto Bia estava deitada no chão com seus papeis e lápis de colorir. Ela amava desenhar. E era boa. Eu não podia imaginar de quem ela puxara este dom, pois eu não desenhava e nem ninguém da minha família. Edward... muito menos.
– Mamãe! - ela gritou e veio em minha direção. A abracei com a metade do corpo, pois eu estava retirando o casaco quando ela me abraçou.
– Docinho não era hora de você estar na cama? - perguntei.
– Ahh mamãe, amanhã é domingo, e eu queria desenhar mais um pouquinho.
Fiz uma cara de brava, mas logo amoleci ao vê-la sorrir para mim.
– Tudo bem. Mas daqui pouco é cama viu.
– A tia Ângela está fazendo chocolate quente. Depois eu vou pra cama. Prometo.
– Certo. - falei.
Fui até o sofá ao lado de Alice. Ela me olhou em expectativa.
Ângela então chegou trazendo canecas com um cheirinho delicioso de chocolate.
– Obaaa! - Bia disse.
– Bella já chegou é? Hum pelo jeito o encontro foi chato. - Ângela disse.
Alice revirou os olhos.
– Filipe é muito legal. Não tem nada de chato. - Alice falou em defesa do amigo.
Ângela deu de ombros entregando a caneca a Bia.
– Cuidado lambivelzinha que está quente.
Bia sorriu como sempre quando Ângela a chamava assim.
Quando Bia voltou a se concentrar em seus desenhos Ângela e Alice me inquiriram.
– Fala mulher. Como foi?- Alice perguntou.
Suspirei.
– Foi... legal.
– Ah, por favor, só isso. - Alice reclamou.
– Foi apenas um encontro Alice. Não fomos fazer sexo. - sussurrei.
Ângela somente me olhava.
– O que foi? Desembucha. - perguntei a ela.
– Você sabe minha opinião. - ela disse.
– Não vem com este papo de novo Ângela. - Alice disse. - Bella tem que seguir em frente. Vai ficar esperando a vida toda por um homem?
– Não é qualquer homem Alice. É aquele homem.
– Você e está sua tara pelo Edward. Tudo bem ele é lindo e tal, mas o que você quer? Que a Bella fique esperando por ele pra sempre? - Alice perguntou.
– Não pra sempre, mas até que ele saia da... de onde sabemos que ele está. -disse.
– Vocês duas querem parar de falar da minha vida como se eu não estivesse aqui. - falei brava.
Elas ficaram quietas.
– Eu saí com o Filipe. Mas não vai rolar mais nada não, quem dirá namoro.
Não havia percebido, mas Bia estava de olho em mim. Ela estava atenta ao que conversávamos.
Ela veio se esgueirando e sentou em meu colo.
– Mamãe você não vai namorar de novo não é? - perguntou.
Eu havia namorado Pierre, um advogado inglês com quem trabalhei por alguns meses, no ano anterior. Obviamente não dera certo.
– Não amor. Não vou namorar. - falei aconchegando ela em meus braços.
– Por que Bia? - Alice perguntou - Você não quer que sua mãe namore?
Ela fez que não com a cabeça.
– Mamãe tem que esperar meu papai voltar. O príncipe e a princesa têm que ficar juntos.
Alice me olhou seria. Ela era contra a eu deixar Bia pensar assim. Ter ilusões sobre eu e Edward.
***
Percebi Bia quietinha no canto da sala olhando os presentes de natal. Ela havia ganhado vários. Bonecas, roupas etc...
Em seu olhar, no entanto ela não parecia contente com todos aqueles presentes.
Sentei ao lado dela próxima a árvore de natal.
– Oi docinho. Quanto presente hein! - brinquei.
Ela sorriu e mostrou suas bonecas Barbie que havia ganhado.
– Tio Bryan e tia Sonya me mandaram estas. - disse.
– São lindas. Mas parece que você não ficou tão contente... o que foi? - perguntei.
Ela me olhou com seus lindos olhos. O que me fazia lembrar tanto de... do seu pai.
– Eu... eu queria ter um presente do meu pai, mamãe. Eu queria ter algo dele.
Desviei os olhos dos dela.
– Hum... eu acho que tenho algo que você vai gostar. Espera aqui um pouco meu bem.
Fui até o quarto pegando aquilo que já tinha pensado varias vezes em dar a ela.
Ao me sentar novamente a seu lado Bia me olhava em expectativa. Coloquei a corrente em sua mão.
– Ed... Edward me deu isso no meu aniversario. Acho que pode ficar com ele. É algo dele que fará você feliz.
É claro, que não iria comentar o que havia acontecido após ele me dar este presente. Isso não vinha ao caso. E só de ver o olhar apaixonado de Bia ao contemplar a joia, já valeu a pena.
– É lindo mamãe. Eu vou usar sempre assim quando eu o encontrar, ele vai saber quem eu sou e que eu sempre esperei por ele.
Assim como eu Bia. Assim como eu.
Continua...

Capítulo Grandão pra compensar a demora... Gostaram? Me digam então?

No comments :

Post a Comment