CORAÇÃO INDOMAVEL - CAPITULO 48


Olá Amantes... vamos a mais um capítulo da saga do nosso Bad Boy.
Avisando que hoje só tem a parte do diário no POV dele, e que está casa vez mais próximo da saída dele da prisão, mas nem tanto kkkkk

Vamos ler o som de Mirrors do Justin Timberlake.

Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência
Capítulo 48
Edward
Estava voltando para meu apartamento. Precisava ir ao supermercado fazer compras, não havia nada na geladeira a não ser cerveja e um queijo velho com cara de mofo.
No entanto com o calor que estava resolvi passar antes em casa para tomar um banho. Já era noite e as ruas já estavam meio vazias. O local onde eu morava não era lugar pra se ficar dando bandas a noite despreocupadamente.
Eu passava por um beco escuro quando ouvi um grito, mais como um gemido.
Pensei em passar reto. Eu sabia que nesta área era local de muitos crimes. Assaltos, estupros e assassinatos, porém não consegui ficar indiferente. Eu estava armado e qualquer coisa poderia resolver.
Entrei devagar no beco e vi uma mulher loira se contorcendo sobre um homem que claramente tentava abusar dela. A raiva me possuiu. Se uma coisa que eu odiava, era homens covardes que se aproveitavam de sua força para assediar mulheres.
– Me solta! - ouvi a mulher dizer.
– Cala boca piranha... - o homem disse ofegante pelo esforço em segurá-la. -
Fica quietinha que eu vou te comer.
Não me contive e arranquei o homem de cima da mulher o jogando longe.
Surpreendi-me ao ver que a mulher, era a moça que fora falar comigo no outro dia. Sharon. Ela estava com o rosto machucado. Não sei pela surpresa de ver quem era eu me descuidei do homem que me agrediu com um soco. Cai para trás com o lábio sangrando. Embolamo-nos entre socos e pontapés.
– A vadia é minha. - ele disse.
Neste momento consegui por os braços em volta de seu pescoço o sufocando até que desmaiasse. Larguei seu corpo imóvel no chão e me levantei tentando recuperar o fôlego.
O homem era um desses vagabundos que andava por ai. Fazia alguns bicos nas gangues, mas devido sua dependência em álcool e drogas sempre era dispensado.
Sharon olhou para mim e parecia um pouco assustada. Não é só por que ela era prostituta que devia ser obrigada fazer o que não queria. Eu aprendi a ter mais respeito pelas mulheres desde criança e muito mais após conhecer Isabella.
– Você está bem? - perguntei a ela.
Ela assentiu. Então focalizou minha boca.
– Você está sangrando... - disse.
Coloquei o a mão sobre o lábio, e porra doeu pra burro. O filho da puta me acertou legal.
– Está tudo bem. - olhei pra ela e vi que junto dela havia uma mochila. - O que aconteceu?
– Esse cara ai veio aqui me incomodar. Eu estava dormindo, e ele nunca teve grana ou quis pagar um programa e acha que tem direito de me estuprar...
– Hei! Espere... você estava dormindo aqui?! - perguntei.
Ela pareceu envergonhada.
– Fui despejada hoje, e não tinha grana pra um hotel. Nem o de quinta da esquina. Então...
Fiquei olhando para ela não acreditando que tivesse que passar por isso. E nem por isso parecia estar triste. Essa mulher parecia ter uma grande força interior.
– Junte suas coisas Sharon. Você vem comigo.
Ela me olhou sem entender.
– Você... você está me levando...
– Para o meu apartamento. Não é grande coisa, mas pelo menos é um teto... até você conseguir se estabilizar.
Ela ficou parada pensando por um tempo.
– Você quer sexo em troca de me dar abrigo? - foi direta.
Eu recuei ante suas palavras.
– Não! Claro que não!- respondi.
– Por que você é o tal Edward Cullen não é? Todas as mulheres por aqui quase jogam as calcinhas na sua cara, e pelo que percebi você não dá bola pra elas, então não seria por falta de mulher que precisaria de uma prostituta.
Eu perdi a paciência.
– Olha só estou querendo ajudar, mas se não quiser...
– Eu quero! - disse rápido - Desculpe se ofendi você. Você está sendo legal e tudo mais... é só que as pessoas não costumam ajudar sem querer algo em troca.
– Você me ajudou aquele dia. Quando falou comigo no bar. E não pediu nada em troca.
– Você estava com uma cara horrível. Só quis te dar um pouco de esperança.
– E você? Tem isso? Esperança?
Olhei em volta com os olhos dando a entender sobre a situação que ela havia passado e parecia calma e tranquila.
– Acho que sim. Olha só... há pouco eu estava dormindo ao relento e quase sendo estuprada, e agora vou para o apartamento do cara mais gostoso do bairro. Acho que sim, pode dizer que tenho esperança.
Eu ri e ela me acompanhou. Pegamos suas coisas e seguimos em silencio. Eu senti que ali poderia se iniciar uma grande amizade.
Foi um ato impensado. Convidar Sharon para ficar em meu apartamento. Era óbvio eu não queria deixá-la na rua. Mas trazê-la para onde eu morava exigia demais de mim. Exigia que eu me abrisse.
Era difícil pra eu deixar alguém entrar aqui. Para deixar alguém ver como eu era em meu íntimo. Entretanto, Sharon sabia me desarmar. Eu poderia estar enganado quanto a esta amizade repentina, mas tinha a impressão que ela seria o que Urubu sempre fora para mim. A pessoa que me via por dentro e por fora.
– Então é aqui que você se esconde?- perguntou olhando ao redor.
– Bom... nos últimos anos, sim. - respondi.
Ela foi até a parede. Todos os desenhos estavam ali expostos. Olhou para todos eles com atenção.
– Nossa... - murmurou. E então olhou para mim. - Esta garota... que está em todos este desenhos... é... é ela a dona do seu coração?- perguntou não escondendo sua admiração.
– Não só do meu coração, mas da minha alma também. - declarei.
Depois de me analisar por um tempo ela voltou a olhar os desenhos.
– Se ela for parecida com os desenhos... ela é muito linda. O que aconteceu? - perguntou me olhando novamente.
Eu cocei a cabeça desconfortável. Não é como seu fosse contar a ela sobre meu coração partido.
– Ah meu Deus!... desculpe... não precisa dizer nada. Como sou inconveniente - pareceu envergonhada.
– Tudo bem Sharon, só que isso... não é algo que eu queria falar agora.
– Desculpe mais uma vez. - pediu sincera.
Como eu previ, Sharon tornou-se importante em minha vida. Ela era minha amiga. Minha confidente. Eu me abri para ela. De todas as formas possíveis. E quando fiquei sabendo de sua historia mais ainda a admirei.
Ela foi mais uma vítima do que as drogas podem fazer com uma pessoa. Com uma família. Sharon foi viciada em cocaína e por conta de seu vicio teve seu grande amor e sua filha assassinados pelas dívidas com os traficantes. Eles mataram a família dela apenas para que ela sofresse. Ela então conseguiu fugir e se tratar, e nunca me disse seu nome verdadeiro. Para ela aquela outra pessoa havia morrido com seu marido e sua filha. Aos 30 anos, sem ter como se sustentar, passou a se prostituir, mas nunca mais se drogou. Ela estava nesta vida há 2 anos.
– Você acredita que eu acreditava em alma gêmea? - perguntei a Sharon.
Era noite. Estávamos na praia deitados lado a lado olhando as estrelas. Ela não disse nada, deixou que eu falasse.
– Aí depois com o que aconteceu... eu ter que ir para a gangue... eu deixei de acreditar. Até conhecer ela...
Respirei fundo.
– Você acredita nisso? - perguntei.
– Sim. - ela respondeu.
– Acha que vai acontecer com você? Que vai encontrar sua alma gêmea?
Ela ficou um pouco em silencio. Quando falou sua voz carregava dor.
– Eu encontrei e a perdi. - disse.
Sharon permaneceu morando comigo e se tornou logo a fofoca do bairro. A mulher do chefe da gangue. Não tínhamos nada sexual. Éramos amigos e por isso resolvi ajudá-la. Não queria ela mais se prostituindo. Que os outros pensassem que ela minha mulher. Não importava. Assim pelo menos ela não era incomodada.
Eu chegava em casa, e ela sempre tinha preparado algo gostoso para comer.
– Vou ficar gordo desse jeito. - falei após um almoço delicioso que ela havia preparado.
– Que nada. Você só vai ficar mais forte. Não tem físico de quem fica gordo. - disse.
– Sharon isso tudo que você faz... cuidar do apartamento... minhas roupas, fazer comida... nada disso é sua obrigação.
– Eu sei. - disse olhando para mim - Mas como eu poderia agradecer tudo o que faz por mim? O lugar pra ficar. Sustentar-me. Isso não é sua obrigação.
– Eu só quero que você possa sair desta vida. - falei - Estou te dando uma chance de se ajudar.
Ela sorriu.
– Você é o príncipe encantado que toda mulher sonha, sabia?
Fiquei tímido de repente.
– Acho que não.
– É sim, e um dia vai ser feliz como merece. - disse e levantou - Vou pegar a sobremesa.
Sharon era a favor de eu procurar por Isabella, após terminar meu tempo na gangue. Mas eu não tinha certeza se devia fazer isso.
– Tenho algumas entrevistas de emprego agendadas. Quem sabe consigo algo? - disse animada.
Sorrimos cúmplices e degustamos a bela torta de nozes que ela havia feito.
***
Naquele dia eu não estava bem. Parecia que tudo dava errado na minha vida. Era um dia desses que você ficava puto com tudo. Com a vida em si. Uma saudade louca de Isabella me assolava, e pra completar ouvi uma musica que eu me lembrava dela. A que dançamos quando seu pai havia falecido.
Entrei no apartamento, e ele estava vazio. Sharon havia ido para uma nova entrevista de emprego. Então eu estava só. Só com minha solidão.
Fui até a geladeira e peguei cerveja. E assim foi a tarde inteira, cerveja atrás de cerveja olhando para aqueles desenhos na parede. Pareciam tão reais. Ás vezes eu achava que ela estava ali.
Sentado no sofá tomei mais um gole de cerveja.
– O que foi? Por que está me olhando? - falei para o desenho inanimado na parede.
Levantei meio trôpego.
– Sabe de uma coisa Isabella... eu não quero mais gostar de você. É. Isso ai! Você acha o que? Que eu vou morrer gostaaando de você? Ahhhh claro que não!
Mais um gole de cerveja e joguei a garrafa no chão. Os barulhos de vidros não me tiraram o foco da foto embaçada a minha frente.
– Você quer ver como você não... não é nada pra mim? Duvida? Olhe só. - então tomado de fúria comecei a arrancar aqueles desenhos da parede e rasgá-los.
– Você não é nada Isabella! Nada! - eu gritava para o nada.
– Edward! - ouvi a voz de Sharon.
Meio tonto me virei e a vi.
– Eu vou me livrar dela Shar...ron. - voltei a arrancar os desenhos.
Senti uma mão me segurando.
– Pare com isso Edward! Você vai se arrepender depois. - tentava segurar minhas mãos.
– Não... eu já falei pra ela... não... não quero mais ela. - as palavras custavam a sair.
– Pare com isso. Você está bêbado. Vem cá. Deite aqui na cama. - ela me puxou e eu tropecei quase derrubando-a. - Ai meu Deus. Você está pesado.
Minha cabeça doía. Eu tinha medo que até abrir os olhos ela iria doer ainda mais.
Senti alguém se mexer na cama. Não me apavorei. Às vezes Sharon dormia na cama. Eu não me importava. Nunca acontecia nada demais. Mas hoje algo estava diferente. Talvez por que eu tenha percebido que estava nu.
Não. Droga! Não poderia ser o que eu estava pensando que era. Abri um olho e espiei para o lado. Sharon dormia de bruços, mas dava pra ver. Ela estava nua.
Fechei os olhos. Merda! Que merda você fez Edward? Tentei levantar sem acordá-la, mas ao me sentar percebi que ela se mexeu.
–Bom dia. - disse com a voz rouca pelo sono.
Eu engoli em seco. Droga!
– Edward? - perguntou.
Senti-a colocar sua mão em meu ombro. Ao me virar vi mais de sua nudez.
Desviei os olhos rapidamente.
– Sharon, por favor... pode se cobrir?
Então ela me surpreendeu e começou a rir.
– Ah Edward então é isso? Para com isso. Não esquenta.
Percebi se movendo para colocar a roupa.
– A propósito você tem uma bunda linda. - disse brincalhona.
– Sharon pare. Eu... eu estou...
Coloquei a calça as pressas e me sentei novamente.
Sharon deu a volta na cama, e se sentou ao meu lado.
– Edward escute. Você se lembra do que aconteceu? - perguntou.
– É... - passei a mão por meus cabelos, nervoso. - Mais ou menos.
Algumas imagens se formavam em minha memória agora que eu estava mais sóbrio.
– Olha só. - ela continuou - Nada precisa mudar entre nós. Ainda somos amigos.
– Sharon você não entende. Eu... eu não queria me aproveitar de você assim. Sabe que eu... eu já tive essa relação baseada em sexo com Isabella, e como você bem sabe não acabou bem.
– Querido - ela acariciou meu rosto. - Eu sei que você ama outra, e não vou me apaixonar por você. Pode ficar tranquilo. O que houve aqui ontem foram duas pessoas que estavam carentes e necessitadas de... sexo, ou carinho humano como você preferir.
Fiquei em silencio.
– Se alguém aqui se aproveitou de alguém essa foi eu. Pois você estava bêbado.
– Não totalmente bêbado. -assumi.
– Eu fico só imaginando se você bêbado foi... imagino sóbrio. - e ela riu. -Você sabe usar o instrumento que tem no meio das pernas, meu bem.
Fez-me ficar vermelho como um adolescente.
– Sharon!
Ela gargalhou.
– Olha só vamos fazer assim. Se você quiser esquecemos isso, mas não me oponho se quando precisarmos, nós possamos cuidar um do outro, como já estamos fazendo. Eu vou agora fazer um super café da manhã, e você não pense em besteiras. Eu estou bem, e sou sua amiga.
Ela foi para a pequena cozinha, e logo senti o cheiro do que ela preparava.
Assim a partir deste dia eu e Sharon tínhamos uma ligação ainda mais forte. Ela era minha amiga e algumas vezes amante. Mas nunca ficou um clima estranho. Ela sabia que tinha um lugar no meu coração e na minha vida, mas que este lugar não era o lugar que Isabella ocupava. Nenhuma outra poderia ocupar.
***
A saudade de minha família estava grande. Resolvi então ir visitá-los, e iria levar Sharon comigo. Eu queria apresentar minha amiga a minha mãe. Liguei para casa em vez do celular, pois minha havia dito que seu aparelho estava estragado. No segundo toque a voz de um homem desconhecido atendeu.
– Alô.
Fiquei confuso. Eu teria ligado para o número errado? Seria algum namorado da minha mãe?
– Alô... e... por favor... é da casa as Esme?
– Não mais. - ele disse.
Senti um nó na garganta.
– Desculpe... como assim não é mais?- perguntei irritado.
– Eu comprei a casa há mais de um mês.
– Não. Não pode ser. Esta casa é da minha mãe. - falei angustiado.
Eu não havia falado com eles em dois meses, mas sabia que estava tudo bem, pois Emmett sempre me mantinha atualizado.
– Desculpe meu jovem. Mas dona Esme Cullen vendeu esta casa para nós há um mês.
Eu já estava desesperado. Ninguém atendia Elisa e Emmett tão pouco. Onde minha família estaria?
Sharon tentava me acalmar.
– Calma Edward. Deve haver alguma explicação, as pessoas não somem assim no vento.
Eu não conseguia assimilar suas palavras. Somente meu coração estava coberto de preocupação. Eu havia feito tanto para protegê-los e será que tudo fora em vão?
Dois dias de angustia e finalmente uma noticia. A noticia que abalaria meu mundo.
– Mãe! Mãe onde você estava? Eu liguei e tinhas outras pessoas em nossa casa e eu quase fui pra lá... e... - falei tudo afobado - Vocês estão bem?- fiz a pergunta que realmente importava.
– Calma querido nós estamos bem sim.
Passei a mão pelo cabelo respirando aliviando.
– Porra mãe! Quase me matou de susto.
– Olha a língua Edward.– mais aliviando fiquei quando ela chamou minha atenção.
– Então vai me explicar o que está acontecendo? Onde vocês estão?
– Estamos na Filadélfia.
– O que?!
Então minha mãe me contara tudo e nada parecia real. Um tio e um avô paternos surgiram do nada. E ainda por cima ricos. Eu estava desconfiado desta historia, e mesmo que fosse a verdade, eles poderiam não ser boas pessoas. Mais admirado fiquei por minha mãe largar tudo e ir com pessoas que nem conhecia, e ainda levara Elisa e Alex.
Não quis saber se eu teria que ficar em San Diego por conta da gangue, dois dias depois eu estava na Filadélfia. Ainda no aeroporto encontrei minha mãe e Emmett.
Ela estava diferente. Estava elegante. Bem vestida, parecia essas madames da sociedade. Mas não foram suas roupas que me chamaram atenção, e sim o quanto ela parecia bem e feliz.
A abracei apertado. Toda a angustia saindo do meu corpo por vê-la bem.
– Mãe... fiquei tão preocupado. - murmurei ainda abraçado a ela.
– Está tudo bem querido.
Abracei Emmett também e seguimos para o estacionamento do aeroporto.
– Por que não me falou nada? - perguntei chateado.
– Edward... foi tudo tão rápido... quando percebi Carlisle já havia me trazido para morar aqui... e...
– Carlisle? - perguntei.
E aconteceram duas coisas ao mesmo tempo. Minha mãe corou e Emmett bufou. Tinha algo ali eu só não sabia do que era... ainda.
Após sermos conduzidos num luxuoso carro com motorista, chegamos a imponente mansão Cullen.
Quando desci tive que rir. Era tudo tão surreal. Meu pai era rico. Sempre soube disso e nunca nos disse nada.
Por puro orgulho? Soberba? Não sei.
Thomas e Seth vieram correndo e quase me derrubaram em um abraço.
– Como vocês estão? - perguntei.
Os dois sorriram.
– Bem Duh... nossa você vai gostar muito daqui, tem piscina, e campo de futebol, de tênis e o tio Carl fez um sala só de games... com os melhores jogos.
Os dois falavam juntos quase atropelando as palavras. Meus irmãos pareciam em êxtase.
– Nossa quanta coisa hein. - falei bagunçando o cabelo de Thomas. - Parecem que estão numa boa.
– Nossa muito mesmo Duh. E o vovô é bem legal... - Seth disse.
Eu não conseguia assimilar bem isso. Um avô.
– E o tio Carl prometeu uma pista de skate pra gente. - Seth disse.
– Apenas se vocês se comprometerem com os estudos.
Ouvi a voz de um homem atrás de mim. Ao me virar dei de cara com um homem tão alto quanto eu. Loiro. Que lembrava as feições do meu pai, mas na verdade se parecia mais comigo. Tinha por volta de 50 anos e me olhava avaliador assim como eu a ele.
– Oi Edward. Sou Carlisle. - disse estendendo a mão para mim.
Eu olhei para sua mão estendida. Mesmo me olhando avaliador sua expressão era amistosa.
Apertei sua mão.
– Seja bem vindo. - falou.
Atrás dele vi Elisa se aproximando com Alex nos braços, e Rose que me cumprimentou com um aceno e logo foi para o lado do marido.
Aproximei-me de Elisa.
– Oi Elisa. - dei um beijo em seu rosto - Como está o garotão? - perguntei já pegando Alex em meus braços. Ele já havia crescido bastante. Estava com 8 meses. E me reconhecia. Isso me fez feliz.
Elisa foi me contando em sobre como Alex estava, porém logo não prestei muito a atenção, pois focalizei minha mãe e Carlisle conversando.
– Eu queria resolver este negocio da escola dos meninos logo Carl. - minha mãe falou.
Para a minha surpresa ele sorriu e colocou a mão em sua cintura para falar com ela, mostrando certa intimidade.
– Vamos resolver amanhã Esme. Eu mesmo vou levá-la nas escolas. - disse todo sedutor.
Eu era homem. Sabia que ele estava arrastando a asa pra ela.
– Você é tão ocupado Carl... eu posso fazer isso com algum empregado. - minha mãe disse corando.
Corando? Desde quando minha mãe corava?
– Eu faço questão de acompanha-la. - ele disse.
Se não havia nada ali, era somente questão de tempo para que houvesse.
Meu olhar cruzou com o de Emmett, e pela sua cara ele estava tão ligado na conversa quanto eu. Em uma conversa silenciosa sabíamos o que iríamos fazer.
O então, meu tio, se aproximou.
– Tem uma pessoa que quer muito conhecê-lo Edward. Seu avô.
Engoli em seco.
– Claro.
– Após isso eu gostaria de conversar com você. - disse calmo.
Assenti.
– Eu e Emmett também gostaríamos de conversar com você. Entende?
Ele pareceu meio desconcertado pelo que eu disse. Ótimo. Se ele pensava que iria se aproveitar da inocência da nossa mãe, estava bem enganado. Eu e Emmett iríamos deixar as coisas bem claras.
Quando entrei na sala que me foi indicada, mais ao fundo havia um senhor de idade. Ele parecia bem de saúde. E ainda ativo apesar da idade.
Caminhei parando no meio da sala que era uma grande biblioteca. O senhor finalmente me olhou e o percebi emocionado. Ele sorriu e foi quase impossível não retribuir.
– Edward... meu neto. - disse.
Era como se tivesse orgulho de mim. Falou comigo como nunca meu pai fez.
Eu não sabia o que dizer. Via-me em uma situação que não sabia como agir, e também estava emocionado. Havia uma conexão entre nós.
Jhonas Cullen se aproximou mais.
– Não esperava que meu filho Antony pudesse me trazer alegrias... e então Carlisle descobre que há toda uma família... não pode imaginar a felicidade que fiquei ao conhecer meus netos e sua mãe... uma mulher adorável. Mas... a alegria não poderia ser completa sem você.
Eu o escutava em silencio.
– Venha cá menino. De um abraço em seu avô.
Eu sentia vontade de fazer o que ele pediu, porém não conseguia.
– Eu...
– Tudo bem. Eu imagino que seja um pouco difícil para você,... mas saiba que sempre sonhei em ter netos. E vocês foram uma dádiva. Não poderia querem netos melhores.
Ele não me conhecia, ou sabia o que eu fazia. Com certeza não pensaria desta forma.
Parecendo ler meus pensamentos disse:
– Não se menospreze Edward. Você é o neto que sempre sonhei... eu e minha adorada Anne sempre falávamos em netos, e ela dizia que queria que um deles se chamasse Edward.
– Eu... estou confuso... sempre... tudo o que faço é para proteger minha família... e agora...
– Eu sei. Eu sei Edward. Após a morte do seu pai sempre teve tudo em suas costas não é filho? Mas não precisa mais ser assim. Nós somos sua família agora.
Minha garganta fechou. Eu estava bem cansado de fazer tudo sozinho.
– Nos deixe ajudar você Edward. Deixe-nos ser a sua família.
Eu assenti.
– Venha cá garoto, e dê um abraço.
Eu finalmente fui, e dali em diante, senti a conexão de sangue entre nós.
Passei bons momentos com eles. Minha família agora ficaria segura, mas eu ainda tinha uma dívida a pagar. Não poderia sair da gangue. Não poderia dar qualquer motivo a Aro e Alec para pensar em fazer mais nada contra minha família ou... aqueles a quem eu amava.
– Agora tudo vai ficar bem meu filho. - minha mãe falou sorridente quando estávamos lanchando na grande varanda apreciando a vista dos jardins da mansão. - Você não precisa mais ficar na vida que estava.
Desviei os olhos dos seus. Eu teria que magoa-la novamente.
– Não mãe. Eu... vou voltar...
– O que?! Por quê? Edward... tudo que eu fiz foi em vão?
Do que ela estava falando?
– Aceitar vir pra esta casa, com pessoas que não conheço apenas para proporcionar a você meu filho a chance de sair desta maldita gangue. Agora você é rico não precisa do dinheiro deles...
– Mãe não se trata de dinheiro. - tentei segurar sua mão, mas ela se afastou.
– Tudo em vão... - murmurou já chorando.
– Não foi em vão. Agora vocês tem segurança. Uma vida com conforto.
– Ora Edward, sabe que nunca pensei em dinheiro. - reclamou.
– Eu sei, mas não pode negar que essa vida será boa pra você e os meninos.
Ela me olhou.
– Sim meu filho, mas e você?
– E fora isso há Carlisle. - falei para desviar o foco da conversa. Deu certo, pois ela ficou vermelha.
– O que... o que quer dizer? - perguntou desconcertada.
– Mãe eu não sou burro. Vi o jeito de vocês dois.
– Não sei do que está falando... mas eu a conhecia.
Mais tarde naquela noite eu e Carlisle fomos para o escritório ter a conversa que ele queria.
– Eu e sua mãe conversamos bastante, e ela me disse sobre a gangue. Sobre tudo.
Tudo o que minha mãe, poderia saber, não era a verdadeira verdade.
Eu assenti e ele continuou.
– Quero ajudá-lo...
– Vocês já estão ajudando... - o interrompi - ... muito. Ajudar minha mãe e irmãos é estar me ajudando. - falei.
– Na verdade Edward eu me expressei mal. Não é ajudar, pois tudo isso aqui... o que temos é seu. E dos seus irmãos.
Apenas escutei.
– Entretanto eu me refiro a ajudá-lo em relação a gangue...
– Olhe eu agradeço, mas tem coisas que somente eu posso resolver.
– Eu posso ajud...
– Não! - falei firme.
Ele poderia ter boas intenções, mas havia coisas que não tinha o que fazer.
– Quero que saiba Edward que desejo ser seu amigo. Somos uma família agora.
– Me desculpe Carlisle, mas isso tudo é um pouco novo pra mim, e vai ser difícil eu me acostumar.
– Eu entendo.
– Bom, agora então agora é a minha vez.
Carlisle pareceu não entender. Fui até a porta abrindo-a e chamando Emmett que estava próximo. Eu já o havia avisado de que conversaríamos com nosso tio.
Emmett entrou e Carlisle olhou para nós dois.
– Algum problema?
– Por enquanto não. - eu falei. - Você é que vai nos dizer se há um.
– Desculpe... não entendi.
– Vamos ser diretos então. - Emmett disse - O que acontece entre você e nossa mãe?
O homem ficou mais branco do que já era.
– Bom... é... eu não entendi bem...
– Você entendeu sim. - foi minha vez de dizer - Percebei os olhares, e minha mãe cora toda vez que você chega perto. Apenas uma coisa, minha mãe não cora perto de ninguém.
– Ela faz isso é? - ele perguntou animado.
Balancei a cabeça. Ficou claro o interesse dele agora.
– Carlisle você é nosso tio, mas ela é a nossa mãe. Uma mulher incrível, e que não pode ser magoada depois de tudo o que já passou e se você... - Emmett disse.
– O que Emmett quer dizer é que se você fizer qualquer coisa de errada eu vou dar um jeito em você, nós dois na verdade. - falei. - Se você não sabe, eu sei atirar, e muito bem.
Ele pareceu surpreso, mas depois se recuperou e disse firme.
– Entendo a preocupação de vocês e a admiro, mas eu jamais faria qualquer coisa para magoa-la, mas sim, faria qualquer coisa para vê-la feliz.
Analisei e ele parecia dizer a verdade.
– Nunca conheci alguém como ela... ela diferente. - disse pensativo.
– Ela é uma mulher maravilhosa. - Emmett completou.
– Sim, é sim.
– Então já está avisado. - falei - Vamos ficar de olho.
Pouco depois de eu retornar a San Diego, minha mãe me avisou de seu namoro com Carlisle. Mesmo com medo de ela sair magoada, eu percebia que ela estava feliz, e eu precisava dar uma chance a Carlisle que parecia gostar dela.
Mais tempo foi passando e quando faltava um ano para eu sair da gangue Carlisle apareceu no meu apartamento. Sharon não estava, havia ido a outra entrevista de emprego. Ela não desistia de tentar um trabalho mesmo com os vários nãos que havia levado.
– Como entrou aqui? - perguntei a Carlisle quando saia do banheiro.
– Sua namorada me deixou entrar.
– Sharon não é minha namorada, é minha amiga. - esclareci - O que você quer Carlisle? - pra ele vir, coisa boa não era. - Aconteceu algo com os meninos? Minha mãe? - perguntei já alarmado.
– Não. Fique tranquilo. Está tudo bem com eles. Eu vim aqui por que quero que venha trabalhar comigo. Quero que saia desta vida... - apontou para o apartamento em que eu vivia - Eu não vou desistir Edward.
– Eu já falei com você...
– Descobri através de Elisa... - me interrompeu - ... que Urubu tinha descoberto algo que poderia fazer você sair da gangue, e que por isso ele morreu. E que você se culpa. Há mais coisas que apenas você ter ido para esta gangue por livre espontânea vontade como sua mãe pensa, não é Edward?
Carlisle era um homem inteligente, e sacou que havia mais do que eu falava.
Sem esperar, quando dei por mim, estava contado tudo a ele. No começo fiquei desconfiado dele, mas depois com o passar do tempo eu sentia que confiava nele, e muito.
Fui esmagado em um abraço. Fiquei sem ação, pois não esperava.
– Você é um grande homem meu sobrinho. Fez tudo isto por usa família...
– Não me arrependo. E por favor, não diga nada a eles... a minha mãe. Este é um segredo meu. Não quero minha mãe se martirizando por tudo.
– Eu sei. E também o que fez por esta garota... Isabella...
– Eu precisava protegê-la.
– Você a ama. - afirmou - Então é por isso que não sai da gangue?
Eu assenti.
– Mas se eles podem ter trapaceado... - disse sugestivo.
– Eu não tenho provas. Não posso faltar com minha palavra.
– Ok. Marque uma reunião com estes chefes de gangue. E eu vou participar.
– O que?! - quase saltei da cadeira - Você está maluco? Eles podem matá-lo.
– Eu sei o que estou fazendo Edward. Esses caras não são de confiança não é? Então o que te garante que eles não vão fazer outra coisa para que você fique ligado a eles novamente?
Eu ainda não estava entendendo o que ele pretendia.
– Eu vou mostrar a eles que agora você tem alguém grande com quem contar. - continuou - Alguém com dinheiro, seguranças e com contatos na policia e justiça. Você pode não ter como deixar a gangue antes do prazo definido, afinal a palavra de um homem tem que ser cumprida. Mesmo com este tipo de gente. Mas eles, sabendo sobre mim, pelo menos o impede de tentar armar mais alguma coisa para que você permaneça nas mãos deles.
A ideia parecia boa.
– Certo. Eu vou marcar.
Uma semana depois eu e Carlisle estávamos cara a cara com Aro e Alec.
Carlisle tomou todas às providencias vindo guarnecido por uma infinidade de seguranças fortemente armados. E expôs suas condições. Que eu fosse liberado para ir trabalhar com ele nas empresas Cullen. Que eu ainda faria certas coisas para gangue quando solicitado. Mas que eu não era muito útil, já que eu andava quase sem ter o que fazer na gangue, em San Diego.
Aro colocou o rabo entre as pernas ao ver a posição firme de Carlisle. Ele não queria bater de frente com ninguém tão importante quanto ele. Ou, e eu esperava que não fosse isso, ele estava armando algo.
Assim uma nova vida se iniciava para mim. Eu ainda tinha o vínculo com a gangue, e isso ainda era como uma espada sobre minha cabeça, no entanto me sentia livre como há muito tempo não acontecia.
Antes de começar esta nova parte de minha vida, pedi a Carlisle que providenciasse um bom apartamento e um emprego para Sharon. Na verdade eu queria que ela fosse comigo, mas ela dissera que seu lugar era na Califórnia.
– Vou sentir sua falta. - ela disse quando nos abraçamos na despedida.
– Eu também, mas vou ter que vir aqui de vez em quando, se lembra? Então vamos nos ver. - falei.
– Sim. Uma pena, você tinha que dar um chute nesses malditos de uma vez. - ela disse.
Eu sorri.
– Gostou do apartamento? - perguntei.
– Amei. Nem sei o que dizer. E começo no emprego na semana que vem. - disse sorridente.
– Não precisa dizer nada. Só quero que se cuide e seja feliz.
Ela me abraçou mais uma vez, e me beijou no rosto.
– E você também. Vá atrás da sua felicidade Edward. - eu sabia do que ela falava.
– Sharon...
– Não. Você precisa ouvir. Você já perdeu tempo demais meu amigo. Se não for atrás de quem você ama irá se arrepender depois.
***
Carlisle me levava a todas as empresas Cullnes, e eu ficava impressionado com tudo. Aprendia tudo o que podia assimilar. Viajávamos durante a semana, e nos finais de semana íamos para a Filadélfia.
Carlisle para ficar com minha mãe, e eu para passar tempo com minha família e Alex.
De tempos em tempos, Aro solicitava para que eu comparecesse e fizesse algumas coisas para a gangue. Coisas simples. Então eu saia da minha posição de empresário aprendiz, de uma das maiores empresas do país, para um bad boy ligado a uma gangue de quinta.
Era uma vida dupla.
Entre todas as viagens e as empresas que conheci, acabei por me estabelecer em Seattle. Gostei da cidade. Gostei da empresa e me senti seguro para desenvolver o trabalho e confiança que Carlisle depositava em mim. Tudo isso se devia ao fato do meu assessor, Paul. De cara fiquei espiado com ele, pois ele era gay. Um preconceito bobo que logo foi superado. Paul me ajudou muito e acreditava em mim. Eu não sentia nele a relutância que sentia muitas vezes em outros funcionários.
Em Seattle me estabeleci. Comprei um volvo. A primeira compra oficial com meu salário da empresa. Eu poderia comprar muitas outras coisas, mas esse carro sempre fez parte dos meus sonhos.
Em seguida comprei um ótimo apartamento. E a vida estava mais ou menos estável. Saí com a filha de um empresário da cidade e nos divertimos por um tempo. Ela queria mais do que eu poderia dar, e acabou indo embora para a Itália. Não adiantava. Meu coração continuava fechado para o amor.
A empresa em Seattle era a segunda em importância, perdendo apenas para a de New York, então muitos negócios eram feitos aqui.
A noite estava agradável e Carlisle me esperava em seu luxuoso carro.
– Tinha que ser logo hoje? Quando os Eagles vão jogar. - perguntei ao entrar no carro dele.
Ele sorriu.
– Então meu pai conseguiu fazer todo vocês torcerem pelo time dele?
– Ele fez uma lavagem cerebral em todos nós. - sorri - E logo hoje, esse empresário que falar de negócios em um evento social?
– Coisas da vida Edward. - murmurou.
Eu não entendo de arte. É estranho não? Até por que eu que gosto de poesia, desenhar e escrever. Eu deveria apreciar melhor, mas eu não entendo, já tentei e não consigo. Por isso me sinto entediado aqui nesta galeria de arte olhando estas telas sem sentido, pelo menos pra mim é sem sentido.
Carlisle tem que encontrar um dos investidores das empresas Cullen, e o milionário é doido por arte, mas especificamente por pinturas. Ele veio a Seattle unicamente para ver esta exposição então meu tio aproveitou e veio encontra-lo aqui, numa galeria de arte.
Sabendo que há um super jogo na televisão, meu animo está pior. O que não daria por uma cerveja e estar no meu apartamento neste momento.
– Não é tão ruim assim. - Carlisle murmura olhando a tela a sua frente. - Esme poderia gostar deste quadro.
Eu olho a tela tentando ver algo a mais que um monte de tinta jogada de forma disforme. Não adianta, não vejo nada.
– Vou dar uma volta, e quem sabe consigo me impressionar com algum quadro. - digo.
Ele ri, e eu caminho entre as colunas e paredes da grande galeria procurando algo que nem mesmo sei o que é.
Ao fundo, visualizo uma mulher. Ela está de costas para mim e olha fixamente um quadro horrível. Ela usa um vestido azul justo. Tem os cabelos compridos e ondulados na cor... chocolate.
Um arrepio passa por meu corpo. Parece uma cena repetida do passado.
– Não pode ser... - murmuro e me aproximo um pouco mais.
Então tenho um vislumbre de seu rosto. E fico completamente sem palavras.
Espelhos
Justin Timberlake
Mas não é que você é algo para admirar?
Porque o seu brilho é algo como um espelho
E eu não posso deixar de reparar
Você reflete neste meu coração
Se você um dia se sentir sozinha e
A luz intensa tornar difícil me encontrar
Saiba apenas que eu estou sempre
Do outro lado, paralelamente
*
Porque com a sua mão na minha mão
E um bolso cheio de alma
Posso dizer, não há lugar aonde não podemos ir
Ponha apenas a sua mão no vidro
Estarei aqui tentando puxar você
Você só tem de ser forte
*
É ela.
Isabella swan.
A garota dos meus sonhos.
A dona do coração.
A minha boneca.
*
Porque eu não quero perder você agora
Estou olhando bem para a minha outra metade
O vazio que se instalou em meu coração
É um espaço que agora você guarda
Mostre-me como lutar pelo momento de agora
E eu vou lhe dizer, baby, foi fácil
Voltar para você uma vez que entendi
Que você estava aqui o tempo todo
É como se você fosse o meu espelho
Meu espelho olhando de volta para mim
Eu não poderia ficar maior
Com mais ninguém ao meu lado
E agora está claro como esta promessa
Que estamos fazendo
Dois reflexos em um
Porque é como se você fosse o meu espelho
Meu espelho olhando de volta para mim
Olhando de volta para mim
*
Sem palavras e com o coração agitado a observo. Ela está mais mulher e maravilhosamente linda.
Devo estar sonhando mais uma vez. Não pode ser real, mas quando um dos garçons da festa se aproxima lhe entregando uma taça champanhe, percebo que é real. Bella Swan está a menos de 10 metros de mim. Após quase cinco anos.
*
Você é especial, uma original
Porque não parece assim tão simples
E eu não posso deixar olhar, porque
Vejo a verdade em algum lugar nos seus olhos
Nunca poderei mudar sem você
Você me reflete, amo isso em você
E, se eu pudesse, eu
Olharia para nós o tempo todo
*
Uma ideia meio maluca vem a minha cabeça, e antes que possa pensar muito estou executando-a.
Pego um bloco que tenho no bolso, e caneta. Escrevo um bilhete.
"Este quadro é muito feio."
Sou generoso com o garçom, dou a ele 100 dólares, pedindo a ele que entregue a ela sem dizer quem foi que lhe mandou o bilhete.
Ao pegar o bilhete ela ri. Olha para os lados e ri novamente. Eu sorrio com ela. Encantado. Apaixonado por seu sorriso.
*
Porque com a sua mão na minha mão
E um bolso cheio de alma
Posso dizer, não há lugar aonde não podemos ir
Ponha apenas a sua mão no vidro
Estarei aqui tentando puxar você
Você só tem de ser forte
*
Fico me deliciando com seu sorriso. Decido mandar outro bilhete.
"Tem certeza que este quadro merece sua atenção? Ele é horrível."
Ela agora se vira procurando quem mandou o bilhete. Escondo-me atrás da coluna e fico observando-a. Ela ainda sorri do que escrevi.
"Você é a obra de arte mais bela que existe nesta galeria."
É o ultimo que mando antes de tomar coragem para ir até ela.
Como um mantra, digo a mim mesmo: Coragem homem! Mas o que direi a ela? Como ela vai me receber? Não importa, achei que nunca mais olharia seu rosto, sentiria seu cheiro doce e não vou deixar esta oportunidade passar.
Antes de fazer o primeiro movimento para me aproximar e me revelar, um homem se aproxima a abraça e a beija nos lábios. Fico chocado e sem reação.
*
Porque eu não quero perder você agora
Estou olhando bem para a minha outra metade
O vazio que se instalou em meu coração
É um espaço que agora você guarda
Mostre-me como lutar pelo momento de agora
E eu vou lhe dizer, baby, foi fácil
Voltar para você uma vez que entendi
Que você estava aqui o tempo todo
É como se você fosse o meu espelho
Meu espelho olhando de volta para mim
Eu não poderia ficar maior
Com mais ninguém ao meu lado
E agora está claro como esta promessa
Que estamos fazendo
Dois reflexos em um
Porque é como se você fosse o meu espelho
Meu espelho olhando de volta para mim
Olhando de volta para mim
Ontem é história
E amanhã é um mistério
Posso ver você olhando de volta para mim
Mantenha seus olhos em mim
Mantenha seus olhos em mim
*
Não sei o pensar ou fazer. Somente olho os dois. O modo como interagem mostra que são íntimos. Eles se voltam para vir para a direção que estou, e eu me escondo atrás da coluna.
Ouço a risada dela quando passam e param bem próximos de mim.
– Se quiser eu posso comprar o quadro já que gostou tanto dele. - diz o homem que está com a mão na cintura dela, e que por isso se tornou meu pior inimigo.
– Não Bryan. - ela diz, e fecho os olhos ao ouvir sua voz após tanto tempo - Eu realmente gostei do quadro, mas ele é absurdamente caro.
– É eu teria que parcelar... - o babaca riu - Em muitas prestações.
Idiota!
Mas obviamente Isabella não acha isso. Pois o abraça rindo.
– Eu não deixaria você fazer isso. - diz.
– Vamos. Nossa reserva nos aguarda. - o energúmeno fala.
Eles começam a sair da galeria e minhas pernas se movem para ir atrás deles até Carlisle se materializar em minha frente.
– Edward? Está tudo bem? Parece que viu um fantasma.
Ainda olhando, os vejo saírem da galeria.
– Eu... eu a vi. - falo em transe.
– Viu? Quem? Quem você viu? - ele pergunta.
– Isabella. Ela estava aqui.
– Aqui? Onde? - Carlisle começa a procurar entre as pessoas.
– Ela já foi. - respondo e saio indo em direção ao quadro que ela estava olhando.
Ela gostou do quadro. Eu iria comprá-lo. A vista. Eu agora podia pagar e não fazer como o babaca que teria que parcelar.
– Eu vou comprar este quadro.
– Certo. - Carlisle diz sem entender.
O resto da noite foi uma merda. Eu não parava de pensar em Isabella. Nela e naquele... cara.
Será que era namorado? Óbvio que era. Ela morava aqui? Ou estava apenas passeando? Mas então lembrei de que a mãe dela tinha parentes em Forks. E Forks era perto de Seattle, então era grande a chance dela morar aqui ou próximo.
Em meu apartamento liguei para minha amiga.
– Então você a viu e não foi falar com ela. - Sharon disse me reprovando.
– Você não ouviu o que eu disse Sharon? Ela estava com outro.
– Ah... poderiam ser amigos.
– Huf amigos? Eu vi a intimidade. Só se fossem amigos que transam. - somente de pensar nela com ele... na cama, eu queria quebrar algo.
 Nós somos amigos e transamos algumas vezes.– ela disse.
– Não é a mesma coisa Sharon! - resmunguei.
– Machista! Ok. Ela está com alguém. O que você queria? Faz quase cinco anos Edward. Ela tinha que seguir a vida.
– Eu sei. Eu sei... foi só... foi a surpresa de vê-la. É claro que quero que ela seja feliz.
– Está tendo um troço por que a viu com outro, mas diz que a quer feliz. Não o entendo Edward. E a sua felicidade? A vida está dando uma chance a você... ela está ai... perto...
– Não Sharon. Não vou entrar na vida dela de novo.
– Arg! Você me irrita Edward. Deixa de ser cabeçudo!– rugiu.
Eu até tive que rir.
– Você me fez lembrar o Urubu agora.
– Pelo jeito eu e ele nos daríamos bem. Agora falando serio. Pense bem Edward.
Respirei fundo.
– Não há o que pensar Sharon. Boa noite.
Fiquei olhando pela janela do meu quarto olhando a vista, pensando em tudo.
Não era justo que eu interferisse na vida dela.
Eu pesquisei e descobri que Isabella era advogada de um conceituado escritório em Seattle. Ela era famosa por ganhar vários cacos. Os mais difíceis. Era durona no tribunal, era o que diziam. Namorava um dos donos do escritório. Ele se chamava Bryan Fronz.
Meses depois o destino novamente brincou comigo ao colocar eu e o namorado de Isabella frente a frente. Era uma reunião/jantar com uns empresários da cidade, e um deles, um alemão, o levara para auxiliá-lo.
Eu consegui me controlar. Fui frio, mas analisei-o atentamente. Com as pesquisas que eu tinha feito, e o conhecendo pessoalmente, parecia que Isabella tinha escolhido o tipo de homem perfeito.
Boa aparência, inteligente, bem nascido, bom caráter e acima de tudo um homem que seu pai ficaria feliz em ter como genro.
Essa era a vida que ela merecia ter, e por mais que em um mês eu fosse ser definitivamente um homem livre, eu não poderia interferir.
O destino já havia feito as escolhas por nós.
Continua...
Esse Bad Boy tão enganado quanto ao destino hummmm

E ai me digam amores, o que acharam?

Beijinhos da JU

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