FANFIC CORAÇÃO INDOMÁVEL - CAPÍTULO 44

Olá Amantes do Bad Boy.

Hoje o capítulo está bem legal modéstia a parte.

Obrigada pelos comentários e pelas recomendações. Amo tudo o que escrevem. Beijos


Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência


Capítulo 44
Edward
Parei o carro e saltei indo ao encontro de Charlie Swan. O capô do carro estava aberto. Ele estava no celular tentando falar com alguém.
Quando me viu pareceu me reconhecer.
– Senhor swan... eu posso ajudá-lo? - perguntei.
– É... é Edward não é?
– Sim sou eu. Problemas com o motor?
Ele assentiu. Colocou o celular no bolso.
– Eu não entendo, estava tudo bem até de repente parar por completo. Estou tentando solicitar o seguro, mas não consigo. Não atendem a ligação.
– Deve ser o sinal. Aqui não pega bem. -respondi - Está bem longe de casa.
– Sim, eu tinha uma reunião aqui perto.
– Posso dar uma olhada?- pedi apontando para o carro.
– Entende de carros? - perguntou.
– Não sou nenhum especialista, mas consigo me virar. - sorri.
Nós dois nos debruçamos sobre o motor. Alguns minutos depois pedi a ele:
– Tente ligar senhor Swan.
Ele me olhou descrente. Entrou no carro, e logo se ouviu o barulho do motor.
– Funcionou. - disse animado.
– Ótimo. -falei.
– Obrigado. - ele disse - Quanto lhe devo rapaz?
– Não. Não foi nada senhor.
– Por favor, eu insisto. - disse.
– Não senhor Swan, realmente não precisa... - ele estava me deixando constrangido.
– Então, que tal tomar uma cerveja comigo? E parar de me chamar de senhor Swan. Somente Charlie.
– Agora?- perguntei.
– É. Está ocupado? Por que eu tenho tempo e, além disso, gostaria de conversar com você.
Analisei o que suas palavras queriam dizer.
– Certo.
– Ótimo. Tem um bar há umas três quadras daqui.
Fomos para este bar que ele mencionara. Depois que ele pediu duas cervejas, que já degustávamos, ele me olhou avaliador.
– Bom Edward... você deve estar se perguntando o que eu quero com você.
– Sim. Não imagino o que possa querer comigo.
No fundo eu imaginava o que fosse.
– É sobre sua... amizade com minha filha. Bella.
Engoli em seco e aguardei o que ele tinha a dizer.
– Não me leve a mal Edward. Sou apenas um pai preocupado com a filha. - ele fez uma pausa. - Minhas filhas são tudo para mim. E vi o modo como Bella olhou pra você, e como você a olhou.
Ele tomou um gole de sua cerveja, e eu o imitei desconfortável com a conversa.
– Aqui não se trata de um pai com ciúmes da filha encurralando o cara que... como vocês dizem... está a fim da sua filha. Trata-se de proteção. - me olhou firme. - Bella é uma moça maravilhosa, e digo isso não apenas como pai dela. Ela é doce, amorosa, íntegra. Por isso sempre desejei que ela se tornasse advogada. Tenho certeza de que ela sempre irá pelo lado correto.
– Senhor Swan... Charlie... eu não entendo...
– Edward eu me informei sobre você.
Ficamos nos encarando. Cada um a espera do que o outro iria falar.
– Tenho um amigo que mora no subúrbio. Sei que você é membro de uma gangue. Deve imaginar que não é isso que desejo para a minha filha. - disse serio.
Desviei do seu olhar e abaixei a cabeça.
– Olhe Edward... eu percebo em seus olhos que você pode ser um bom rapaz.
Mas isso não anula o que você é agora. Não quero minha filha em perigo.
Olhei firme para ele.
– Eu jamais machucaria Isabella. - declarei.
– Intencionalmente? Eu acredito que não. Mas não é este o problema não é? Você não tem controle sobre tudo... então como pai eu lhe peço que se afaste da Bella.
Olhei para ele que aguardava pelo o que eu diria. Tinha muitas coisas passando pela minha cabeça. Nada que eu pudesse expressar em voz alta.
– Eu entendo senhor Swan a sua preocupação, mas quero saiba que eu gosto... eu... jamais faria algo que pudesse machucar a Isabella. Eu a protegeria com a minha vida se fosse preciso.
Ele assentiu.
– Eu vejo a verdade em seus olhos Edward,... mas isso não muda os fatos.
– Eu sei.
Ficamos tomando nossa cerveja por um tempo. Eu não queria pensar em tudo o que meu coração queria dizer no momento. Que eu estava apaixonado pela filha dele, e que queria ser merecedor e digno dela.
Por mais difícil que fosse eu o entendia.
– Espero que... eu sendo de gangue não afete o trabalho de minha mãe.
– Não! Não se preocupe quanto a isto. - ele disse - Não sei o que fez ir por este caminho Edward, mas acho devia seguir por outro. É apenas um conselho.
Se ele soubesse que isso era o que eu mais queria, pensei.
***
Minha mãe fez uma comemoração dupla em nossa casa. Por sua promoção no emprego e pela recuperação da saúde de Urubu.
Foi um domingo agradável na companhia da minha família e da minha boneca. É claro que as palavras do pai dela não saiam da minha cabeça. Nem precisava. Eu já pensava em tudo o que ele disse muito antes dele me dizer que eu não era o cara certo para Isabella.
Mesmo assim eu não encontrava em mim forças para não vê-la mais. Não poder mais tocar nela. Mas eu sabia que este dia iria acontecer.
Então uma coisa passou pela minha cabeça. Talvez ela enjoasse de mim. Como essas garotas que queriam apenas viver uma aventura com um bad boy. Não que ela fosse promíscua e volúvel, mas o que uma garota com um futuro brilhante pela frente veria em mim? Se isso acontecesse, então eu não precisaria me afastar, Isabella tomaria esta decisão. Poderia... ser mais fácil.
Pouco antes de Isabella ir embora percebi que ela estava preocupada. Ela recebeu uma chamada de casa, e me disse que não poderia ficar. Ela não quis me dizer o que era, e eu não a pressionei.
– Tia Esme esse foi o melhor bolo que a senhora já fez. - Urubu disse me trazendo de volta ao presente - Talvez eu devesse levar um tiro de vez em quando para ser tão mimado assim.
– Credo menino. Não fale isso nem brincando. - minha mãe disse.
Eu e Emmett arrumávamos a bagunça do churrasco enquanto Urubu comia o décimo pedaço de bolo.
Já estava quase tudo organizado, e então percebi minha mãe me rondando. Eu a conhecia ela queria conversar comigo. Quando Urubu foi para a casa com Elisa, e Emmett para seu quarto, eu a intimei:
– Fala mãe. - falei rindo.
– O que?! Uma mãe não pode querer apenas a companhia do filho?- disse brincando.
– Eu a conheço dona Esme.
– Sente aqui meu filho. - apontou a cadeira a seu lado - Eu quero falar com você.
– O que eu fiz dessa vez? - perguntei como um menininho que iria levar bronca.
Ela riu.
– Bom... isso vai depender do que você vai me responder.
Eu aguardei.
– O que você quer saber mãe?
Ela me olhou avaliativa.
– Você... e a amiga do Emmett... a Bella estão... envolvidos?
Eu abri a boca pra negar quando ela interrompeu:
– Não pense que sou burra, Edward. A forma como vocês dois agem, quando estão perto um do outro, entrega que há algo.
– Então por que me pergunta se já deduziu que é verdade? -perguntei.
– Por que por mais que eu fique contente por isso, principalmente por ela ser uma boa moça, eu quero saber quais são as suas intenções com ela? Ela não é uma das vadias que você estava acostumado.
Ela me olhou seria. E agora eu sabia que ela falava muito serio.
– Eu sei que ela não é mãe. - respondi.
– Ótimo. Mas essa relação tem algum futuro?
Baixei a cabeça desviando de seu olhar.
– Eu sei que você gosta dela. - ela declarou.
– Acho que não há futuro mãe. Eu não quero nada serio. Estamos nos divertindo e acredito que nem ela quer algo serio comigo. - expliquei.
– Acho que está errado filho. Tanto quando diz que não quer nada serio com ela, quanto ela não querer nada com você.
Eu peguei a garrafa de cerveja que estava tomando.
– Ela está apaixonada por você.
Quase cuspi todo o líquido que estava em minha boca.
– O-o que?! - ofeguei.
– Por favor, filho como não percebeu?
– Não...
– Esta é uma chance Edward. Uma chance que a vida está lhe dando. Ela é uma moça maravilhosa, você poderia ser muito feliz...
– Mãe! Não dá. Esqueça isso. - a interrompi - Eu sou... não sou o cara certo pra ela. - falei levantando e indo em direção a janela. Olhei para o céu estrelado.
Uma estrela no céu. Era assim que Isabella era para mim. Linda, porém inacessível.
– Então seja o cara certo filho. - minha mãe disse - Saia desta gangue.
A encarei.
– Por favor, mãe este papo de novo não.
– Este papo de novo sim. Por que tem que ficar nesta maldita gangue? Isso vai acabar com sua vida assim como a do seu pai.
– Eu não posso sair ok. Eu já falei isso varias vezes. - falei sem paciência.
– Não pode ou não quer? - perguntou irritada.
– Como assim?
– Você nunca explicou o porquê se envolveu com esta gangue após a morte do seu pai. Só posso imaginar que é o que você quer para sua vida. Está seguindo exatamente os passos do seu pai.
Está enganada mãe. Muito enganada.
– Você é minha mãe. Se não me conhece ou não sente o que estar nesta gangue representa pra mim... então eu não tenho mais esperança mesmo.
– Edward...
Peguei minha jaqueta e saí indo para o deposito. Lá eu podia ficar sozinho com meus pensamentos, sem ser julgado por ninguém.
***
Estávamos novamente de olho na gangue de James, mas por algum motivo eles haviam desaparecido. Fomos aos mesmos lugares que costumávamos vê-los, porém nada deles.
Eu estava particularmente distraído. A conversa que tive com o pai de Isabella e com minha mãe rondando minha cabeça. As decisões que minha mente me mandava tomar. Tudo girava e girava em minha cabeça.
Paramos num ponto do subúrbio, mais especificamente em um bar. David, Shane e Urubu, já restabelecido, queriam beber algo. Estava bem quente aquela noite.
Neste local havia varias pessoas bebendo, escutando musica no carro, consumindo drogas. Fazendo negócios. Não era muito a minha estar por aquelas bandas, mas devido ao sumiço da gangue de James, desde o episódio com Demetri, precisávamos ficar atentos. Por isso eu estava aqui.
Os rapazes conversavam sobre algo, quando meus olhos avistaram um carro diferente dos que costumavam andar por estas bandas. Era um Corolla clássico na cor prata. Mas não foi isso que me chamou a atenção, e sim que eu já conhecia este carro.
Ou eu estava maluco, ou era o pai de Isabella.
Fixei meus olhos para ter certeza do que estava vendo. Eu estava a certa distancia, mas dava pra ver claramente. O carro parou, e dele saiu Charlie Swan. Mas o que ele fazia aqui?
Percebi que ele parecia perdido. Deslocado. Dava claramente para entender que ele procurava alguém. Mas quem?
Levantei-me, e os rapazes me olharam.
– Fiquem aqui. Eu já volto. - falei.
Aproximei-me do Sr. Swan quando ele falava com um cara que estava mais do que chapado, e não entendia o que ele queria.
– É uma menina loira. Com os cabelos mais ou menos por aqui. - ele explicava.
Então ele me viu. De perto percebi que ele não parecia bem. Estava pálido e ofegante.
– Edward. - ele disse quando nos aproximamos.
– O que faz aqui senhor?... este não é um lugar adequado para o senhor.
– Procurando minha filha... Kate. - disse antes que eu pudesse pensar ser Isabella.
– Descobri que minha filha está envolvida com uma gangue... é a sua? - perguntou não escondendo sua raiva. - Quer aliciar minhas duas filhas? - disse alterado.
Calma aí, eu não tinha nada a ver com desmiolada da filha mais nova dele.
– Não! Ela anda com outras pessoas. - falei me defendendo.
Pessoas perigosas eu queria deixar claro a ele, porém acho que ele já sabia disso.
Ele pareceu não acreditar em minhas palavras.
– Muito estranho que percebo seu interesse em minha filha mais velha e logo depois descubro que minha outra filha está metida com gangues, e tudo me leva a acreditar que você esteja envolvido nisso.
Meu sangue ferveu. Eu tinha todos os defeitos do mundo, mas primeiro não aliciava inocentes, e segundo, eu não mentia.
O encarei.
– Não lhe devo satisfações da minha vida, mas acredite em mim eu não tenho nenhum envolvimento com sua filha Kate. - falei firme.
– Tudo bem. Desculpe. Estou nervoso. - disse passando a mão pela testa.
Assenti.
– Você já a viu por aqui? - perguntou.
– Sim... quer dizer não exatamente aqui, neste local, mas aqui pelo subúrbio.
Ele balançou a cabeça.
– Não sei o que fiz de errado. Minhas duas filhas envolvidas neste mundo...
Indiretamente, ele me ofendeu. Deixei passar, pois ele parecia muito nervoso. Mas nem de longe Isabella se comparava a Kate.
– Posso ajudá-lo.
Ele me olhou considerando a opção da minha ajuda.
– Eu conheço tudo por aqui...
– Sabe onde ela pode estar? - perguntou.
– Não de certeza, mas posso procurar. Imagino alguns lugares onde ela possa estar. O senhor pode esperar em outro lugar...
– Me leve até lá. Quero minha filha fora daqui o quanto antes. - disse.
– Não acho uma boa o senhor ir comigo nestes lugares. Não são bons lugares.
– Eu não saio daqui sem minha filha. - ele respirou fundo - Se ela está nestes lugares eu posso muito bem ir lá também.
O olhei firme. Ele era um pai dedicado. Diferente do homem que eu tive como pai.
Olhando atentamente ele não parecia nada bem.
– O senhor está bem? - perguntei.
– Sim... eu só... estou meio cansado. Vamos lá Edward, me mostre onde podemos achar Kate.
– Espere um minuto. - pedi a ele.
Fui até meu pessoal, e os avisei de nossa busca pelo subúrbio.
– Eu vou no carro com ele. E vocês se separem, e procurem por ela. Lembram quem é não é?
Eles assentiram.
– Urubu? Você pega meu carro e segue o carro do senhor Swan.
– Certo. - ele respondeu.
Saímos então em busca da irmã desmiolada de Isabella. Charlie Swan dirigia, e eu lhe dava as coordenadas. Passamos por vários becos, boca de fumo etc.
Paramos o carro na frente de uma casa, onde varias festas regadas a orgias e drogas aconteciam. O local estava movimentado e o cão de guarda do local, que era meu conhecido veio até o carro quando me viu.
– E aí Edward. Quanto tempo. Vai querer entrar? - Garret perguntou.
Charlie Swan escutava tudo com atenção.
– Estou à procura de uma garota, Garret. É uma loira. Não é dessas bandas. Ela geralmente está com o namorado. E eles andam com James. Pode me dizer se ela está aí? Ou se a viu hoje?
– Ah sim. Sei quem é a garota. Está aí sim. James e a gangue dele também. Não acho uma boa você entrar Edward. Sabe como são as regras. Quando tem uma gangue, a outra não entra.
Olhei para Charlie.
– Eu sei sim Garret, só que...
– É minha filha. Será que eu poderia buscá-la?- Charlie perguntou a ele.
Garret fez uma cara de desaprovação.
Eu e Charlie saímos do carro.
– Não posso deixá-lo entrar sozinho, Garret. Não vou criar confusão. Só vamos pegar a filha dele e sair.
– Trabalhando como herói de moças indefesas Edward? - Garret brincou - Ok. Vou deixar vocês entrarem, mas vou ficar de olho. Se houver qualquer inicio de confusão já sabe. - avisou.
– Você mais do que ninguém sabe que não quero confusão.
– Certo. - ele disse liberando nossa passagem.
Olhei para trás vendo Urubu de prontidão, próximo ao carro. Com apenas um olhar nos comunicamos. Ele sabia o que tinha que fazer caso algo desse errado.
Eu e Charlie entramos no longo corredor, que havia antes de chegar à casa principal. Já ouvíamos a musica alta que tocava no local.
– Seu amigo? - Charlie perguntou se referindo a Garret.
– Não diria amigo. Mas vivendo no subúrbio você precisa de aliados.
Ficamos em silencio. Entramos na grande sala. Uma mistura de semi escuridão e fumaça foi o que vimos logo que entramos.
Andamos por entre as pessoas. Alguns casais estavam bem a vontade. Então vi uma loira dançando sozinha na pista de dança. Era Kate. Estava de olhos fechados e dançava suavemente.
– Ali está ela. - mostrei.
Charlie não perdeu tempo e foi ao encontro dela. Eu o segui. Ele a pegou pelo braço fazendo-a abrir os olhos.
– Pai?!
– Vamos para casa Kate. - disse firme.
Ela estava drogada como suspeitei, mas não tanto quanto das outras vezes.
– Não quero ir. - ela disse tentado soltar-se do braço dele.
– Não me irrite Kate. Vamos agora!
Olhei para o lado e percebi James apenas olhando. O namorado dela não estava em parte alguma. Fui até ele.
– Este é o pai da garota. Ele vai levá-la para casa. Avise o namorado dela.
Saí sem esperar resposta. Segui Charlie que arrastava Kate pelo braço. Quando chegamos a rua, com a luz, Kate me olhou e riu.
– Ah... o príncipe encantado da minha irmãzinha. - debochou. - Sabia papai? Que a sua filhinha santinha está tendo um caso com chefe de gangue? - ela riu mais.
– Cala a boca Kate! Entre no carro! Agora! - Charlie abriu a porta traseira do carro a colocando lá. Mal ela entrou, desabou dormindo em seguida.
Charlie virou-se para mim. Ele estava com o aspecto ainda pior. Não parecia estar passando bem
– Obrigado Edward. - estendeu sua mão para mim. - Não posso agradecer o que fez hoje, mas...
Eu segurei sua mão num aperto firme.
– Mas não muda nada não é?
– Sim. Não é isso... - apontou ao redor - que desejo para as minhas filhas.
– Já deixou claro sua posição Charlie. - falei.
– Vou conversar com a Bella sobre essa... relação de vocês. Minha filha deve se afastar de você. - disse.
Eu assenti. E senti meu coração mais pesado.
– Adeus. - falou.
– Adeus senhor Swan.
***
Dentro do deposito eu revisava o motor do meu carro. Ele estava apresentando um cheiro estranho. Não era normal. Fui mexer numa peça, e a graxa saltou em mim me deixando ainda mais sujo que o costume.
Ouvi passos e vi Emmett se aproximando.
– Ainda bem que apareceu. Não estou encontrando o problema deste carro. - falei.
Emmett e Urubu eram bem mais habilidosos que eu em consertar carros.
Estranhei Emmett não fazer nenhuma gracinha sobre minha falta de jeito com os carros. Ao olha-lo percebi que estava muito serio.
– O que foi? - perguntei.
– Não está sabendo?
Estreitei o olhar.
– Sabendo do que? - perguntei já preocupado.
– O pai da Bella... ele sofreu um ataque cardíaco... faleceu hoje de manhã.
Engoli em seco. Não era possível.
– Eu estou indo pra casa dela. Vou encontrar Rose e Alice lá. Eu só vim aqui por que... achei que deveria saber.
Assenti permanecendo mudo. Emmett foi saindo, mas antes ainda disse:
– Bella amava muito o pai. Ela vai precisar de todos que gostem dela. Não se esqueça disso.
"Edward você deve saber o que aconteceu. Bom eu sei que você não quer vi aqui, mas eu preciso de você. Se você puder me ligar. Beijos Bella."
Era a milésima vez que eu olhava a mensagem, que ela havia mandado no dia anterior. Eu queria ir até ela. Segurar sua mão. Beijar seus cabelos e dizer que tudo ficaria bem. Só que eu não tinha certeza se tudo iria ficar bem. Além disso, uma culpa queria me dominar. Eu vi o pai dela na noite anterior a sua morte. Era meio estúpido sentir-se culpado por um ataque cardíaco, mas sei lá, se eu tivesse avisado a ela que seu pai estava meio estranho aquela noite... talvez ele ainda estivesse vivo.
Outra coisa era a raiva que eu sentia pela irmã de Isabella. Aquela garota colocou o último prego no caixão do pai, e iria ter que conviver com isso. Eu não gostava do modo como as coisas poderiam seguir. Esta garota poderia colocar Isabella em perigo.
Eu sentia isso.
Peguei meu celular. Ele atendeu no segundo toque.
– Emmett? Diga-me onde será o enterro.
Todos já haviam partido e somente Isabella estava à frente da lápide, onde seu pai fora sepultado. Ela estava apenas olhando para o nada. Aproximei-me parando um pouco atrás dela. Ela sentiu minha presença e se virou. Assim que me viu ela veio para mim me abraçando, chorando. Eu queria poder retirar toda sua dor.
– Sinto muito boneca.
Ela chorou nos meus braços por um tempo, e então saímos dali. No caminho ela quis para em um bar. Eu fiquei meio preocupado com ela, no entanto ela me garantiu que não queria beber.
Estranhei seu pedido para dançar com ela, porém hoje eu não negaria nada a ela.
Fomos para meu quarto no subúrbio. Eu queria cuidar dela neste momento.
Encontramos Urubu e Elisa que foram solidários. Após ela se alimentar nós deitamos em minha cama. A abracei por trás e alisei seus cabelos.
– Boneca... o que foi?- perguntei quando ela pareceu querer chorar novamente.
– Vou sentir muito a falta dele. Ele era um pai maravilhoso.
– No inicio é mais difícil depois você vai se acostumando com a falta que a pessoa faz.
– Você sentiu muita a falta do seu pai?- perguntou.
Não, seria minha resposta. Mas no fundo acho que às vezes senti sim.
– Eu e meu pai não tínhamos uma boa relação, mas apesar disso eu senti sim quando ele morreu. Você saber que aquela pessoa que tem o dever de prezar por você... que ela já não mais existe é difícil. Mas hoje não penso muito nele.
– Acho que isso de não pensar vai demorar a acontecer comigo. - falou.
– Isabella seu pai era um homem bom. Um pai dedicado é natural que você sofra agora no inicio, mas pense em tudo o que pode fazer para manter as lembranças boas.
Ela deu pequeno sorriso.
– Ele queria muito que eu fosse uma boa advogada.
– Então? Se você também gosta disso, faça isso e o orgulhe. Você vai se sentir bem melhor fazendo isso.
O pai dela certamente, de onde estava, deve ter gostado do que eu disse. Eu sabia que eu não era a escolha dele para sua filha, e o entendia. Se eu pudesse ser alguém diferente...
Acredito que ele não tenha tido tempo de falar com Isabella. De exigir que ela se afastasse de mim. Ela nada comentou. Eu queria perguntar, porém agora não era hora pra isso.
– Edward... - Isabella disse fraquinho. Achei até que ela já estivesse dormindo.
– Hum...
Senti que ela ficou um pouco tensa.
– Nós... eu e você... o que eu quero dizer é que nós começamos com essa relação sendo somente sexo, mas... você sabe que agora já não é mais só isso não sabe? - perguntou. Eu sabia sim. - Pelo menos da minha parte. - acrescentou.
Continuei quieto a espera do que ela queria dizer. Ela respirou fundo.
– Eu me apaixonei por você.
Isso era irreal. Ela... ela estava apaixonada... por mim. Um cara sem nada para oferecer, com problemas dos mais variados tipos. Eu não conseguia realizar isso.
– Isso não precisa mudar nada entre a gente. - continuou - Podemos continuar da mesma forma eu... eu só queria ser honesta com você.
Honestidade. Eu não era honesto com ela. Eu não tinha esta coragem em revelar a ela, que eu sentia o mesmo.
Ela era apaixonada por mim.
– Você... Você não vai falar nada?
Eu até queria dizer algo, mas eu não sabia o que. Deus! Isso era um sonho? Não, era bem real. Eu estava apaixonado por esta doce garota, e agora sabia que meus sentimentos eram correspondidos. Eu já tinha uma decisão tomada.
– Vamos dormir boneca. Você teve um dia difícil hoje. - falei.
Aconcheguei-me mais nela a abraçando, e um meio sorriso apareceu em meu rosto. Logo senti que Isabella dormia. Beijei seu rosto. Afundei meu rosto em seu pescoço sentindo seu cheiro.
Uma esperança se renovando dentro de mim. Era menos de três meses que eu precisava ficar na gangue. Após isso, eu seria um homem livre. Livre para tentar ser um homem digno dela.
Eu não sei o que ela iria querer com um cara sem nenhuma perspectiva de futuro como eu. Eu não sabia fazer nada, e nem havia estudado. Mas se estávamos apaixonados poderíamos dar um jeito.
– Minha boneca. - sussurrei próximo ao seu ouvido. - Em muito pouco tempo irá saber tudo o que sinto por você minha Bella... - fechei os olhos -...vamos ficar juntos. Pra sempre.
Bella
Lágrimas. Eu não as segurava quando lia tudo o que vivemos, só que agora do ponto de vista dele.
Por quê? Por que de tanta coisa.
Eu queria entender, precisava entender. Por que ele não me falou tudo antes?
Se ele me amava, por que não disse nada? Se no diário ele disse que logo falaria. Volto a ler o diário.
Isabella...
Pergunto-me se você vai ler este diário? Está lendo? Onde já está? Será que já chegou à parte em que digo que... é melhor esperar... você precisa saber de tudo, com riqueza de detalhes. Assim você conseguirá entender tudo. Entender que eu nunca quis te magoar... não... eu jamais quis isto.
Quando ele escreve estas partes o sinto tão perto de mim. Como se estivesse quase a meu lado. Lembro-me de outra vez que me senti assim. Há alguns anos atrás.
Dez anos atrás...
– Que vista mais linda! - Renée diz encantada olhando pela janela do apartamento de Alice e Jasper.
Eu sorrio. Estou há alguns meses aqui, e ainda não me acostumo com a beleza desta cidade.
– Sim, é linda. - digo.
Mamãe chegara há poucas horas a Paris. Eu iria dar a luz em 3 dias, e ela veio para ficar comigo por estes dias. Mesmo eu dizendo que não havia necessidade, ela viera e agora a vendo, me sinto muito feliz. A quero perto de mim neste momento.
Ângela também virá. Só que apenas no dia em que a cesariana está marcada. Ela, Alice e Jasper são os padrinhos da minha princesa Beatriz.
– Obrigado por vir mãe.
Ela me olha e sorri. Vem em minha direção e me dá um abraço gostoso, aquele abraço de mãe.
– Que isso filha. É claro que eu viria.
– E Phil? Não ficou chateado? - perguntei.
– É claro que não. Ficou tão chateado que está dando um jeito de vir na semana que vem. Está entusiasmadíssimo em conhecer a cidade luz.
Nós rimos.
– E Kate?- perguntei.
Sentamo-nos no sofá. Minha enorme barriga não me permitia ficar muito tempo em pé.
– Bom... com sua irmã é meio complicado. Ela tem o Andrew, o Danny e a escola. Então...
– E fora isso que ela ficou chocada por minha filha ser filha do... - paro antes de dizer o nome dele.
– Sim. Ela ficou. Todos nós ficamos na verdade.
– Você não ficou tanto assim. - falo.
Na verdade não entendo a reação de Kate. Ela ficara muito estranha quando contei que eu teria uma filha de... de Edward.
Renée me olha por um tempo.
– Você está tão linda filha. - diz.
Sorrio e passo minha mão por minha barriga.
– Filha, você não está passando necessidade por aqui? - pergunta preocupada
– Não mãe, claro que não. Eu tenho minhas economias. Aliás, por falar nisso, logo vou me mudar.
– Por que isso? Não está bem aqui com sua amiga?
– Estou sim. Mas não é justo mãe. Alice e Jasper são um casal. Tem que ter sua privacidade, e logo eu vou ter uma pequenina chorando de madrugada. Não é justo com eles. Já basta que eles me acolhessem por todos estes meses. - expliquei.
– Eu entendo. Mas não gosto de você sozinha em um apartamento com uma criança pequena.
– Não se preocupe mãe. Vou tentar encontrar algo aqui por perto deles. Alice fica brava cada vez que falo que vou sair do apartamento deles. Mas sei que é o melhor.
A porta do apartamento se abre e Alice surge. Elegantemente vestida como é seu costume. Ela sorri a nos ver.
– Olá garotas. Como vai minha princesinha? - pergunta colocando sua pasta em cima do sofá.
– Estamos bem madrinha coruja.
– Sou mesmo. - ela diz sorrindo - Tenho ótimas noticias.
Eu a olho animada, contagiada pela sua felicidade.
– Então conte Alice. Não pode deixar uma grávida curiosa. - digo.
Ela se senta, mas fica quicando no sofá. Está eufórica.
– O vizinho do lado colocou o apartamento para venda e aluguel. Não é ótimo? Assim vocês poderão ficar bem pertinho de mim.
– Nossa! Que ótimo, filha. - minha mãe diz.
– Sim Alice. Tomara que eu consiga alugar.
– Claro que vai conseguir. - ela diz.
– E como é o apartamento Alice? - minha mãe pergunta, e elas começam a discutir sobre a decoração do apartamento.
Eu já não presto atenção no que elas dizem, por que uma dor irracional toma conta de mim. Sinto algo molhado entre minhas coxas e penso não ser possível, mas é.
Respiro fundo tentando manter a calma.
– Então Bella o que acha? - Alice pergunta.
Eu nada digo.
– Filha? Está tudo bem?
– Eu... eu acho que não muito... eu acho que a bolsa estourou... minha filha vai nascer. - falei entre perplexa e feliz.
– Meu Deus! Mas não era só daqui a três dias? - minha mãe pega minhas mãos, e vejo em seu rosto emoção e preocupação.
– Ai! Preciso chamar um táxi. Ai meu Deus que nervoso! - Alice parecia uma barata tonta.
Eu riria se não estivesse com dor.
– Alice... se acalme. Pra que um táxi se você tem carro?
– Ah é. - disse sem graça.
Em 20 minutos eu já estava na sala de parto. Uma das facilidades de morar próxima ao hospital. Meu médico já tinha sido avisado e já estava a minha frente me incentivando a fazer força e trazer minha filha ao mundo.
– Vamos lá Bella. Vamos trazer essa menininha para o mundo. - disse Dr. Didier, meu médico, com um sotaque terrível. Ele se esforçava para se comunicar na minha língua.
Apertei a mão da minha mãe que estava a meu lado, enquanto eu fazia força. Logo após mais dor, eu ouço um choro.
Uma emoção que nunca senti antes se apossa de mim. Cega pelas lágrimas, tento encontrar a dona daquele som. A única dona do meu coração neste momento.
A enfermeira me mostra o pequeno milagre. Ela chora e logo se acalma quando sente meu cheiro.
– Olá meu amor. - digo.
Ela é linda. Tão pequena. Deus! Ela é a cara do Edward. Ele entra nos meus pensamentos, e não sai mais enquanto olho para nossa filha.
"Não entende que há uma atração que nos puxa um na direção do outro? Que isto nunca vai passar. Que é um vicio pra mim. Que somos destinados a sempre nos encontrar, e quando isso acontece nada pode nos deter até estarmos juntos da forma que for."
Agora eu o entendo. Ele está certo.
Continua...


Que lindo né?

Então? Por que será que Edward fez aquilo com a Bella de ficar com a Irina na frente dela, se ele tinha decidido ficar com a Bella e contar que estava apaixonado? Hum... peguem as pistas neste capítulo. No próximo quase tudo se esclarece. 

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