CORAÇÃO INDOMÁVEL - CAPITULO 55

Amantes...

Último capítulo da parte III

Musica capítulo: 

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IMPORTANTE! LEIAM AS NOTAS FINAIS


Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência


Capítulo 55
Bella
Isabella
Em dois dias estarei livre. Livre de verdade pela primeira vez desde que nos conhecemos.
Estarei livre... Para você, boneca. E se você ainda me quiser prometo recompensar cada lágrima que você derramou.
Eu a amo muito... Muito mesmo.
Quero estar ao seu lado, quero recomeçar...
Contudo se seus sentimentos já não são os mesmos, se após ler tudo o que aqui escrevi você achar que não deve me dar uma chance... Eu vou entender...
Apenas saiba que eu quero a oportunidade de dizer que a amo pessoalmente. Aquilo que devia ter feito há muito tempo.
Isabella... Bella eu te amo e sempre vou amar.
Será que uma mulher poderia ficar mais confusa que eu neste momento?
Ao ver o fim daquelas páginas eu vivia uma miríade de sentimentos. Porém eu não conseguia dizer qual deles era o mais intenso, ou, em qual deles minha decisão para o futuro se basearia.
Ler tudo o que ele escreveu... Sentir suas emoções... Ver nossa historia contada por outro ponto de vista era estranho e intenso...
Era nítido que ele ainda mexia comigo. Nem dez anos foram capazes de me fazer esquecer tudo... Esquecer ele...
No entanto havia muitas coisas entre nós...
Ele decidira tudo sozinho... Sempre. Sem nunca pedir minha opinião. Enganou-me. Me fez acreditar em atitudes pré-arquitetadas. Quase acreditei... Que não era amada... E ao contrario disso era muito amada e ele não me deu chance de saber... De usufruir disso.
Ele foi um idiota...
Ao mesmo tempo, ele foi um homem... Não havia palavras... Era altruísta sempre colocando a felicidade dos outros a frente da sua...
Existia sim magoas. Ele confiou em Kate, e em mim que ele diz amar, não. Agora que sei de tudo ele fala em ficarmos juntos... Recomeçar. Será? Será após todos estes anos ainda teríamos uma chance? E se tudo o que nos separou foi para nosso bem? Por que não era para ser?
Ainda havia outra questão. Esse amor... Poderia ser apenas uma ilusão de dois jovens que no passado não puderam viver tudo de forma completa.
Coloquei minha cabeça entre as mãos. Estou com medo. Apavorada. Pois não sei lidar com este Edward de emoções intensas e claras.
Tenho medo de após nós voltarmos, iniciarmos algo e vermos que o que tínhamos ficou no passado e o que sobrou foi apenas a sombra de um amor. Então minha vida ficara totalmente vazia. Por dez anos me apeguei neste amor... Nesta espera... e agora que o dia chegou não sei o que fazer...
Somente de uma coisa tenho certeza. Proteger Bia. Ela é mais importante que tudo.
Olhei para a janela e percebi que anoiteceu. Eu não tinha muito tempo. Precisava tomar varias decisões até o dia seguinte.
Peguei as páginas que estavam espalhadas pelo sofá. Juntei aquelas que precisava e coloquei na bolsa.
Antes de sair mandei uma mensagem para Rose. A resposta dela foi positiva. A família já estava em Seattle. Peguei o endereço com ela e saí do meu apartamento em direção a casa de Edward.
Pelo que fiquei sabendo Esme havia comprado uma casa imensa em um condomínio para presentear o filho assim que ele saísse da prisão. Ao parar o carro em frente a casa vi que era uma bela construção e que seria o lugar certo para uma família morar. Para se criar os filhos... Afastei rapidamente o pensamento.
Desci do carro e percebi que a casa estava toda iluminada. Pelos barulhos parecia que havia varias pessoas.
Fiquei inibida por um momento. Deveria fazer isso? O certo não seria esperar? Não me meter já que o diário foi destinado a mim. Se ele quisesse ele mesmo contaria a sua família tudo o que passara. Contudo analisando que Edward sempre decidira tudo sozinho eu poderia sim tomar esta decisão por conta própria.
Toquei a campainha e aguardei. Poucos segundos depois a porta se abriu e quase tive um infarte ao olhar para o jovem sorridente parado a soleira da mesma.
Era... Era Edward?
Fiquei sem fala por alguns segundos. Isso era um sonho? Poderia ser, porém a brisa fria me fez entender que era real. No entanto como ele estava aqui? Ele não sairia apenas amanhã?
Então um pouco mais racional olhei para os traços do rapaz que me olhava. Vi que este Edward era muito jovem. Jovem demais para ser o verdadeiro. Além disso, não havia sinal de reconhecimento de sua parte.
O jovem Edward continuava me olhando e sorrindo.
– Oi ele disse.
E foi ao ouvir sua voz que percebi que este não era e nem poderia ser o meu Edward.
– Oi - consegui falar. - Eu...
– Você é a Bella, não é? - ele perguntou.
Eu apenas assenti.
– Eu sou Thomas.
Thomas! Sim é claro. Quando criança ele já era muito parecido com Edward, e agora aos 20 anos, era quase idêntico. Pelo menos idêntico ao Edward que eu lembrava afinal não o via há 10 anos. Assim como eu ele deve ter mudado.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa Rose surgiu atrás do garoto.
– Bella! - ela falou vindo em minha direção e me abraçando.
– Que bom revê-la.
Após abraçar Rose continuei olhando para o garoto. Como poderia ser tão parecido?
– Eu sei - Rose sussurrou. - Ele é idêntico ao Edward - ela falou me puxando para dentro da casa. - Eu também me impressiono. Precisa ver o sucesso que ele faz com as garotas...
Passamos pelo garoto. Dentro da residência me deparei com varias pessoas. Estavam todos pra lá e pra cá.
– Estamos organizando uma pequena comemoração para amanhã - Rose esclareceu enquanto íamos andando pela casa.
Como não era uma visita para passar tempo, e sim com um intuito especifico, Rose me levava em direção a biblioteca onde eu conversaria com Emmett, Carlisle e Esme.
No caminho vi o filho de Rose que eu já conhecia, pois ela o levara para me visitar na França varias vezes. Bia o adorava. Os dois nem sonhavam que eram primos. Mark brincava de bola com outro menino que de cara reconheci ser Alex. Ele tinha traços de Urubu. Ainda vi de longe o avô de Edward conversando uma mulher loira bonita. Não sei por que mais algo me fez olhá-la com mais atenção.
– Rose? Quem é aquela mulher? - perguntei.
Minha amiga se deteve olhando para onde eu indicava.
– Ah é a Sharon! Amiga da família.
Senti um baque no peito. Esta mulher sempre esteve próxima a ele. Ele escreveu sobre ela no diário... E se...
– Eles são apenas amigos Bella - Rose falou de repente parecendo ler meus pensamentos. - E ele falou dela no diário não foi?
Assenti.
– Eu morro de curiosidade para saber o que ele escreveu... E ela disse me olhando esperando que eu falasse algo.
– Rose...
– Ok eu sei. Você vai esperá-lo amanhã?
– Eu não sei... Há muitas coisas... Há Bia...
Ela pegou minha mão mostrando sua compreensão.
Entramos na biblioteca e escritório e não esperei muito para que as pessoas por quem eu aguardava, aparecerem.
Carlisle mais velho, mas ainda um homem bonito. Esme em sua beleza ainda esplêndida mesmo já um pouco envelhecida. E por fim Emmett, que continuava bonito, porém apresentava um leve inicio de calvície que em minha opinião o deixava muito charmoso.
– Que saudade Bella! Quanto tempo - Emmett me abraçou.
– Sim. Faz alguns anos.
Eu e Emmett não havíamos nos visto muito durante esses anos. Eu havia passado mais de 8 anos na França, além disso, eu não queria que ninguém soubesse de Bia.
– Minha querida! - Esme me saudou.
Abraçamo-nos e fiquei constrangida por saber que eu possuía algo precioso que ela não fazia ideia.
– Olá Esme - falei olhando-a.
Cumprimentei Carlisle também. A última vez que havia falado com ele havia sido pelo telefone, quando ele me dispensou e quis me pagar. Lembrava que na época Bryan tomou conta de tudo para mim.
– Rose disse que você queria falar conosco - o homem mais velho disse.
– Sim.
Sentamo-nos todos e percebi que todos me olharam.
– Obviamente você aparecer aqui um dia antes da saída de Edward... Deve significar algo - Emmett falou ponderado.
– É verdade. Não sei se vocês sabem, mas no dia do julgamento Edward prometeu que um dia antes de terminar sua pena... Que ele deixaria um diário...
Destinado a mim.
Olhei para os presentes e todos me fitavam concentrados.
– Hoje eu fui ao presídio e lá estava... O que ele prometeu.
Mexi em minha bolsa e retirei as folhas que eu havia trazido. Apenas a parte que achei importante a família dele saber.
– Há muitas coisas que eu pensei que fosse de uma forma e na verdade é totalmente ao contrario. Acredito que ele nunca disse a vocês o real motivo de ter entrado na gangue.
Esme foi quem falou:
– Não. Ele nunca nos disse.
Estendi os papeis a ela.
– Aqui está o motivo, Esme.
Ela pegou receosa, e em seguida começou a ler. Todos a observávamos. Foi então que ela começou a chorar.
– Ah meu Deus!
– O que foi mãe? - Emmett perguntou. Então foi a vez dele ler tudo o que
Edward havia feito para protegê-los.
Carlisle abraçava a esposa.
– Ele sofreu tanto... Meu Edward...
– Desculpe querida, mas depois que encontrei vocês... Edward me contou tudo - Carlisle confessou o que eu já sabia. - Ele me fez jurar que não falaria nada.
Emmett lia os papeis e percebi o quanto estava emocionado.
– Obrigado Bella. Por nos dar a possibilidade de saber isso. Acredito que se não fosse por este diário... Edward nunca iria nos contar.
– Eu penso da mesma forma.
Levantei-me e peguei os papéis de volta. Minha visita ali já tinha sido encerrada.
– Bella? - Esme falou vindo em minha direção. - Não sei quando vamos nos encontrar... Ou se você vai amanhã... - ela parou constrangida e eu desviei o olhar - Bom... quero que saiba que as portas de nossa casa sempre estarão abertas a você.
Eu assenti.
Logo estava a caminho de Forks. Parada no sinal, com transito terrível a minha frente, eu liguei para casa de minha mãe avisando que iria para lá e que passaria a noite. Ela havia avisado que Bryan ainda não havia trazido Beatriz do passeio e temi meu reencontro com ele após o que ele fizera hoje mais cedo, porém eu ainda precisava conversar com ele e tirar aquela historia a limpo dele ir a prisão falar Edward.
Duas horas depois eu chegava à casa de minha mãe. Mesmo já tendo anoitecido a casa parecia quase vazia.
Eu sabia que minha mãe e nem Phil estavam, pois o carro deles não estava. Ou ainda estaria na floricultura ou passaram no supermercado como era o costume deles antes de vir para casa.
O único carro na garagem era o de Kate. Ela estava em casa. Senti a fúria me dominar. Respirei fundo ao entrar em casa. Tudo estava silencioso. Subi e fui para o quarto onde eu e Bia dividíamos sempre que ficávamos aqui. Estava vazio. Como minha mãe havia avisado Bryan ainda não a trouxera.
Decidida a encontrar Kate sai em direção ao corredor. Agora eu tinha certeza que estávamos sozinhas, pois sabia que Andrew havia viajado com o pai para visitar os avôs em outro estado.
Entrei na cozinha e ela estava arrumando algumas coisas no armário. Não me viu de imediato. Só quando eu estava próxima que ela me olhou.
– Oi Bella... Não sabia que você... 
Eu não pensei, apenas agi.
Ela parou de falar no momento que acertei seu rosto com uma bofetada. Aturdida, se afastou com a mão no rosto vermelho.
– Mas o que... Por que isso? - disse com lágrimas nos olhos.
– Você sabe o porquê Kate. Agora eu me pergunto... Por quê? Por que fez isso Kate?
Ela piscava rápido entendendo sobre o que eu estava falando.
– Bella...
– Você me odeia tanto assim? - perguntei não dando espaço a ela para falar. - Você me viu chorar por ele por anos, e não falou nada... O que eu fiz pra você?
Eu também já chorava.
– Eu... Eu não podia. Eu prometi - ela respondeu.
– A quem você deve lealdade? A mim ou a ele? - perguntei furiosa.
Eu me senti além de furiosa.
– Bella... Desculpe-me - ela pediu chorando, porém suas lágrimas não me comoveram.
– Suas lágrimas não valem de nada Kate, pois eu chorei muito mais e você não fez nada. Nada! - gritei. - Quinze anos Kate, você teve quinze anos para me contar. Minha filha cresceu sem saber do pai, pois eu não sabia se era amada. E você sabendo de tudo não falou nada. Sua egoísta! Vadia! Minha vontade é de te arrebentar!
Me afastei, pois eu estava a um passo de perder o controle.
– Não é minha culpa se ele não quis te contar! - ela tentava se justificar e isso só aumentava meu ódio.
– Cala sua boca!
– Meninas o que isso?! - minha mãe surgiu neste momento, acompanhada de Phill que nos olhava assombrado. Dá pra escutar vocês gritando lá da rua.
Kate me olhou pedindo que eu não dissesse nada. Mas ela esperava demais de mim com o ódio que eu estava.
– Esta sua filha é uma egoísta! Cretina! Ordinária! - gritei descontrolada e agradeci aos céus por Bia não estar em casa.
– Bella! O que é isso? - Renée falou assustada.
– Conte a ela Kate?! Conte a ela o que houve no dia que você foi sequestrada por traficantes e o que aconteceu quando Edward a salvou. Quando ele se colocou no seu lugar assumindo a dívida. Conte a ele que você escondeu isso de mim por todos estes anos. Conte?
Kate apenas chorava em um canto.
– Meninas, por favor! Phill falou e eu me senti envergonhada, porém a razão estava longe de mim naquele momento.
Cheguei perto dela a encarando.
– Nunca vou te perdoar! Esqueça que tem uma irmã, pois é o que vou fazer com você.
– Bella...
– Não vou afastar Andrew e Bia, pois eles se amam, além disso, há nossa mãe e teremos que conviver, mas saiba que eu a desprezo, Kate.
Saí da cozinha ignorando os chamados de minha mãe. Ao chegar ao quarto me despi e fui tomar uma ducha para relaxar. E com a água escorrendo pelo meu corpo eu deixei as emoções do dia me dominar e chorei. Muito.
Não foi um dia fácil e ainda estava longe de acabar. Eu ainda tinha que conversar com Bryan sobre sua visita a Edward na prisão. Precisava tirar tudo a limpo. Fora isso ainda tinha Bia. Eu precisava conversar com minha filha. Prepará-la paras as mudanças que sua vida talvez viesse a sofrer. Eu falo em talvez, pois não sei o que esperar de Edward nunca sei e nunca soube.
E no outro dia eu tinha uma decisão difícil a tomar. A mais importante de minha vida.
***
– Querida? - minha mãe me chamou me fazendo desviar os olhos do chá em minhas mãos que já havia esfriado.
Estávamos na sala a espera de Bryan que a qualquer minuto apareceria com Bia. Kate havia sumido. Parece que estava no quarto. Eu pouco me importava.
– Bella... Não pode ficar guardando este rancor contra sua irmã.
Eu a encarei.
– Não quero mais falar disso. Não quero brigar com você mãe. Ela te disse tudo?
– Sim. Ela me contou... E não vejo tanta culpa assim...
– Ah é claro que você iria defendê-la...
– Ela é minha filha Bella assim como você. Assim como você é mãe da Bia. Não faria tudo para perdoá-la?
– É esse o problema mãe. Todo mundo sempre fez isso. Perdoar Kate e suas burradas. Não é assim. Ela precisa aprender a arcar com as consequências do que fez.
– E quanto ao Edward? Você também o fará arcar com as escolhas que ele fez? - ela perguntou.
Engoli em seco. Essa era um pergunta para qual eu ainda não tinha resposta.
Antes que ela pudesse formular outra pergunta ouvimos o barulho de um carro. Em seguida meu tesouro entrou esbaforida procurando algo com os olhos.
Foi então que ela me viu e veio correndo se jogando em meu colo.
Seu cabelo arruivado, da cor do seu pai, estavam suado e grudado na testa.
– Mamãe! - me abraçou forte. - Eu vi seu carro e disse para o tio Bryan que você estava aqui.
Eu abracei e cheirei o perfume de seu cabelo. Aquele cheiro que só as mães podem sentir perto de seus filhos amados.
– Tudo isso é saudade? Estamos apenas a dois dias longe uma da outra - falei brincando com ela.
– Sempre tenho saudade de você - ela respondeu.
Bia era muito apegada. Eu imaginava que por não ter a presença do pai ela se apegara demais a mim. Não que eu reclamasse.
Bryan entrou em seguida parecendo inseguro.
– Boa noite - cumprimentou a mi e minha mãe.
– Mamãe? Passeamos muito hoje. Tio Bryan nos levou no shopping e nos divertimos nos jogos que tinha lá. Sara comeu dois Sundaes! Acredita?
Eu e minha mãe rimos.
– A vovó não ganha nem um beijinho, não é? Só tem olhos para a mamãe - ela brincou e Bia foi até ela lhe dar um beijo.
– Querida vá tomar um banho. Depois você me conta tudo. Mãe pode ajudá-la? Eu preciso falar com Bryan - expliquei olhando para o amigo que agora eu não parecia conhecer.
Bia foi até ele lhe dando um beijo no rosto.
– Tchau tio Bryan. Eu me diverti muito hoje.
– Que bom princesa! Já sabe que sara e Dave já querem repetir o programa na semana que vem.
Bia sorriu para ele.
– Se a mamãe deixar... - ela me olhou de soslaio.
– Veremos ver isso ainda - falei.
A próxima semana seria bastante atribulada. Talvez fosse bom Bia ficar um pouco longe de toda loucura que eu acreditava que iria acontecer.
As duas saíram da sala e fiquei apenas eu e ele.
– Bella... Eu queria me desculpar por hoje mais cedo - ele falou parecendo envergonhado. - Tudo o que eu disse é verdade. Eu amo você. Sempre amei... Eu apenas me contentei em ser apenas o amigo, mas mesmo assim eu não tinha o direito de ter agido desta forma com você. Você não merece. É uma mulher maravilhosa. Desculpe-me.
Suas palavras me desarmaram. Eu não esperava por um Bryan tão sincero.
– Não sei nem o que dizer...
– Diga que me perdoa - falou se aproximando.
– Se você... Se você sente isso e quanto a Sonya? Ela não merece...
– Eu amo também. Ela é uma mulher incrível. Uma companheira. A mãe dos meus filhos. Eu não poderia querer esposa melhor, mas... Mas não mandamos no coração, não é?
Eu o entendia. Realmente não mandávamos em nossos sentimentos.
– Bryan... Você sabe que li o diário que... Que Edward escreveu.
Ele assentiu.
– Por que não me contou que foi ao presídio? Que falou com ele? Sua intromissão mudou muita coisa. Ele não leu as cartas que mandei.
– Olha Bella! Vou ser sincero com você. Na época eu estava com raiva. Até de você um pouco, apesar de eu nunca ter demonstrado. Você me evitava e o cara estava preso... Eu me senti um lixo. Traído. Sabe que para um homem isso é duro. Então eu quis me vingar... Não fiz nada demais. Eu queria você para mim, e você sabe disso. Lutei com as armas que tinha. Se ele não leu a culpa não é minha a não ser dele mesmo.
– Não sei o que pensar... - falei confusa.
– Por mais que eu não queira que você vá amanhã naquele presídio... Que eu não queria este homem novamente na sua vida, na vida da Bia... Como você mesma disse isso não é da minha conta. Apenas você pode tomar esta decisão.
Olhei para ele e ali vi o amigo sincero que tive por todos estes anos. Esse era o Bryan que eu conhecia.
Ele saiu pouco depois. Jantamos com Bia contando do dia maravilhoso que tivera. Felizmente Kate me poupou de sua presença alegando dor de cabeça.
Era a hora da conversa mais difícil em minha opinião. Após o jantar peguei minha filha pela mão a levando para nosso quarto.
– Quando vamos voltar para casa mamãe? Eu vou com você amanhã? - ela perguntou deitada em sua cama com sua boneca favorita nas mãos.
– Ainda não querida. Amanha você vai ficar aqui.
– Por quê?
– Bom é disso que eu quero falar com você.
Como era difícil falar. Como explicar a sua filha que seu pai vai sair da prisão?
– Meu bem... Chegou à hora... - falei e não precisei me explicar mais. Vi em seus lindos olhos que ela entendeu.
– Meu pai...
– Sim querida.
Ela me olhava atenta.
– Bia... Seu pai... Você sabe que as pessoas cometem muitos erros na vida não sabe? - perguntei e ela assentiu.
Ela assentiu.
– Então... Seu pai errou... Em outras não errou tanto assim, mas a vida é complicada. Bem... Então ele foi condenado por estas coisas erradas e ficou preso meu amor. Por dez anos.
Vi seus olhos se arregalarem.
– Ele é um homem mal?
– Não! Claro que não! Querida nem sempre são apenas as pessoas más que vão para a prisão - tentei explicar. - Bia, não quero que tenha medo dele.
Ela me olhou de forma doce, porém assustada. Na cabecinha dela Edward era o príncipe e agora saber que ele estava preso a deixou desorientada.
– Meu bem... Edward não sabe sobre você. Nesta semana eu vou conversar com ele e...
Eu morria de medo de colocar esperanças nela. E se ele não a quisesse? É claro que era uma possibilidade remota, sabendo do amor que ele tinha por sua família eu tinha quase certeza que ele iria amar Bia, mas... Eu temia por tantas coisas.
– Você quer conhecê-lo querida?
Ela ficou em silencio. Isso me cortou, pois se fosse antes ela pularia de alegria. Mas agora sabendo a verdade ela parecia confusa. Pensei na minha decisão de contar a ela. Eu sabia que era um baque, porém eu não poderia esconder. Ela poderia descobrir de uma forma pior, então eu optei por contar, contudo vendo sua indecisão neste momento me perguntava se fiz a coisa certa.
– Mamãe? Acha que ele vai querer me conhecer? Que vai gostar de mim?
– Meu amor não tem como não gostar de você - eu a abracei, contudo não respondi a sua primeira pergunta. - Não se preocupe. Eu vou falar com ele e depois te conto tudo. Ok? Vai dar tudo certo meu anjo - beijei sua testa.
Desci as escadas e encontrei minha mãe ainda na sala assistindo seu programa favorito.
– Ela já dormiu? - perguntou assim que me viu.
– Sim.
– contou a ela?
– Sim. Por cima, mas disse onde Edward estava. Ela ficou arrasada. Talvez eu devesse ter contado antes ou nunca contado.
– Bella você sempre pensou no que é melhor para ela. Fez o que tinha que ser feito.
– Será que fiz o certo? É tão difícil decidir
Minha mãe me deu um sorriso.
– Bem vinda ao clube filha. Ser mãe não é fácil.
Sorri do seu comentário.
– O que vai fazer Bella? Já decidiu? Sobre amanhã? Vai ou não encontrar Edward na saída da prisão?
Eu a olhei.
– Eu já decidi - falei firme.
Ela ficou me olhando a espera de minha decisão.
– Eu não vou.
– Bella...
– Bia precisa de mim. E não é como se fôssemos conversar... A família dele o espera. Estão preparando uma comemoração... Então...
Minha mãe me olhava com olhar reprovador.
– Esperou por isso por anos e agora vai amarelar...
– Nem vem mãe...
– Olha Bella você é adulta e toma suas próprias decisões, mas se fosse eu no seu lugar, eu jamais deixaria essa oportunidade passar... Vou dormir querida. Boa noite e pense bem.
Ela saiu me deixando sozinha com meus fantasmas. Entretanto eu estava decidida a não ir. É claro que eu o procuraria esta semana e então conversaríamos sobre tudo.
A noite foi terrível. Eu mal consegui dormir. Quase amanhecendo é que realmente apaguei.
Acordei e era quase meio-dia. Bia me olhava.
– Bom dia mamãe.
– Bom dia meu bem.
– Achei que a senhora fosse dormir o dia todo.
– Espertinha... Não posso dormir o dia todo. Tenho que ficar de olho na senhorita - falei indo para cima dela e fazendo cócegas em sua barriga até ela se contorcer e pedir para parar.
– Vou tomar um banho. Já desço.
– A vovó já está colocando o almoço.
– Certo. Eu vou ser rápida.
Quando entrei no banheiro e me olhei no espelho vi ali aquela mulher de 35 anos. Até que bem cuidada, mas que nunca foi feliz no amor. Senti um aperto no peito, um nó na garganta. Lágrimas começaram a escorrer do meu rosto. O que seria da minha vida dali para frente?
Passei dez anos da minha vida colocando tudo em suspenso a espera deste dia e agora me sentia perdida... E iria ser covarde e não enfrentar tudo de cara.
Não!
Eu não era covarde e não começaria agora.
Cheguei à cozinha já vestida com as chaves do carro na mão. Minha mãe me olhou percebendo aonde eu iria. Eu assenti.
– Vai sair mamãe?
– Sim amor. Eu vou. Se comporte e obedeça a vovó - falei beijando seu rosto.
– Tenho um compromisso e já estou atrasada.
Entrei no carro e saí acelerando tentando chegar a tempo a algo que talvez estivesse dez anos atrasado.
Living In A Box
Espaço em seu coração
Está frio e escuro esta noite
Estou andando sozinho
E passo a passo eu fico mais perto
Eu sei que é difícil encontrá-la
Instintivamente eu tento
Seguir a trilha do amor noite adentro
*
Não haveria razão
se você não se importasse
Não haveria razão para o amor
*
A porta está aberta
Tem alguém aí?
Eu sei que este deve ser o quarto no seu coração
Eu realmente não sei porquê
Mas é tão fácil respirar
Eu sei que este deve ser o espaço no seu coração
*
Nenhuma resposta me questiona
Ninguém esteve aqui antes
Eu sou o primeiro a ver a luz na sua porta
*
Se eu pudesse te abraçar agora, eu não iria discordar
Com essas quatro paredes que você está me protegendo
Não haveria razão se você realmente não se importasse
Não haveria razão para o amor
*
A porta está aberta. Tem alguém aí?
Eu sei que este deve ser o quarto no seu coração
Eu realmente não sei porquê
Mas é tão fácil respirar
Eu sei que este deve ser o quarto no seu coração
*
Eu posso sentir, eu posso sentir
Eu posso sentir amor que está me envolvendo
Sair de você, eu posso sentir
*
A porta está aberta. Tem alguém aí?
Eu sei que este deve ser o quarto no seu coração
Eu realmente não sei porquê mas é tão fácil respirar
Eu sei que este deve ser o espaço no seu coração
Eu sei que este deve ser, eu sei que este deve ser
Tem alguém aí?
Continua...
Final da parte III


Ai!Ai!

Já sabem que a Bia não vai ao reencontro e que Bella foi, agora ela chegará a tempo?

SOBRE O PRÓXIMO CAPÍTULO:

Eu pensei neste capítulo um milhão de vezes, é o mais esperado por min e por vocês, então eu preciso de tempo para escrever. Não pode ser de qualquer jeito. Espero vocês na segunda para -lo!

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