CORAÇÃO INDOMÁVEL - CAPITULO 57

Coração Indomável

Coração Indomável
Ju Beija Flor.

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Personagens: Bella Swan, Edward Cullen
Gêneros: Drama, Hentai, Romance
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência



Capítulo 57

Edward

Em um canto da imensa sala movimentada devido a presença de minha família, eu os observava.
Estavam todos espalhados por todo canto. Mark filho de Emmett tocava ao piano mostrando aos pais sua evolução no instrumento.
Meu avô conversava com Alex que parecia interessado no que o ancião tinha pra lhe dizer.
Minha mãe segurava a pequena filha de Elisa. Com os pais do bebê por perto.
Os outros se divertiam com jogos ou conversas.
Sentia o clima de paz que esta família me transmitia. Porém eu não compartilhava de toda a alegria deles. Eu ficava apenas pensando que havia chegado tarde demais. Tarde demais para muitas coisas, e que talvez não tivesse mais como recuperar o tempo perdido. Se assim fosse eu teria que aceitar.
É óbvio que toda esta melancolia se tratava por eu perceber, que talvez, cheguei tarde demais em declarar meu amor a Isabella.
Quem estava com ela naquele apartamento?
Bryan? Mas ela disse que não estava casada. Em minha cabeça ela seria separada.
Outro homem...
Nem queria pensar...
Senti alguém sentar perto de mim. Era Sharon. Ela sorriu e deitou sua cabeça em meu ombro.
- Você foi bem discreto ao sair. Voltou rapidinho, mas eu notei. E depois que chegou veio mais triste. O que aconteceu? - minha amiga me conhecia como poucos.
- Fui atrás daquilo que mais queria... - respondi reflexivo.
- Queria? Não quer mais? - ela indagou.
- Quero..., mas talvez seja tarde demais - falei desanimado.
- Estamos falando de Isabella não é?
Eu assenti.
- Hum...
Percebi que ela queria dizer algo, pois sentou ereta e pareceu desconfortável.
- O que foi Sharon? - perguntei.
Ela respirou fundo.
- Posso te falar uma coisa? - perguntou me encarando.
- Claro. O que quiser. Sabe disso. É minha melhor amiga - falei.
Ela desviou o olhar.
- Edward... Talvez isso tudo que separou você e Isabella é por que era para ser assim. Olhe só, você fez tudo aquilo por ela, e se ela não reconheceu, agora estando ciente de tudo, é por que ela pode não ser a mulher certa.
- Sharon...
- Pense bem, há 15 anos você vive apenas em função dessa mulher... Nem sequer olha para o lado... Pode haver outra pessoa capaz de fazê-lo feliz – falou.
Será?
Eu nunca tinha pensado nessa possibilidade por que para mim apenas uma mulher existia. E vasculhando lá no fundo do meu coração eu sabia que não havia espaço para mais nenhuma outra. Poderíamos nunca ficar juntos, mas eu jamais amaria outra pessoa.
Quando fui responder a ela, vi Rose ao nosso lado, observando-nos.
- Atrapalho? - minha cunhada perguntou em tom de ironia. Eu só não entendi o porquê.
- Não, Rose - respondi.
- Não estávamos conversando nada demais - Sharon completou.
- Sei... - Rose disse ainda conservando o mesmo tom e olhando de forma estranha para Sharon. - Edward... Bella me ligou há pouco. Pediu para você ligar para ela.
Meu coração ficou alucinado registrando as palavras de Rosálie.
- Pelo que entendi você esteve lá no apartamento dela, e ela estava ocupada com uma amiga. Não pode te atender. Então me ligou e pediu que você ligue para ela. Toma. Pega meu celular - minha cunhada me entregou o aparelho.
Eu quase não consegui esconder a felicidade. Dei um grande sorriso a ela.
- Obrigado, Rose. Vou ligar agora mesmo - falei me levantando e saindo de perto das duas mulheres.
Fui para a varanda. A noite estava um pouco fria, mas nada em demasia.
Fiz a ligação e fiquei esperando que Isabella atendesse. Meu coração muito mais leve por saber que ela estava apenas com uma amiga, e nãoccom um namorado como suspeitei.
Parecia que o destino ainda estava disposto a me dar uma chance.

Bella

Eu ainda sentia os lábios dele nos meus. Mesmo após horas. Aquele frisson em meu corpo novamente.
Lembrei-me do cheiro dele, tão bom. Estava mais magro, era verdade, e mais velho, porém não menos bonito. Aquela barba serrada e o cabelo curto dando aquele aspecto de perigo. Excitante...
Sei que pareci fria, e sim estava confusa, contudo não fiquei imune tudo o que sentia no passado quando ele me tocava. Foi tudo igual e ao mesmo tempo diferente...
Suspirei alto e olhei para o lado dando de cara com Bia que me olhava atenta.
- Você está com uma cara estranha mamãe - ela falou.
- Estou? - perguntei.
Ela assentiu.
- Sim. Parece cara de bobona. Que nem a tia Ângela quando fala do tio Ben.
Tive que rir. Ela não estava muito longe da verdade.
- Parece de ser espertinha! - falei apertando pequeno nariz que ela possuía. - Vamos terminar a lição.
A campainha tocou me fazendo saltar assustada. Ninguém subia sem ser autorizado, a não ser as pessoas conhecidas.
- Eu atendooooo! - Bia disse já correndo.
Eu fui atrás dela desesperada. E se fosse novamente Edward? Seria um choque para minha filha.
Não consegui alcançá-la e quando vi a porta estava escancarada. Prendi a respiração. Entretanto era Ângela que agarrava e beijava Beatriz.
- Oi lambivelzinha - minha amiga agarrava e fazia cócegas na afilhada.
- Tia Ângela eu tenho um monte de desenhos para te mostrar - Bia disse apressada e saiu correndo para ir buscar. Adeus lição! Pensei comigo.
Eu e Ângela nos cumprimentamos e nos acomodamos no sofá.
- Eu estava morta de curiosidade. Segurei-me até agora. Ben queria me amarrar no pé da cama. Conta-me? Como foi? - pediu ansiosa minha amiga.
- Foi... Não sei explicar... - confessei.
- Ele continua lindão? - tive que rir.
- Você só pensa nisso?
- Amiga entenda uma coisa. Existem os homens normais. Assim como Ben que eu amo, mas também existe outro tipo de homem que o lambivel se encaixa, e você minha amiga tem a sorte de ter esse homem.
Eu balancei a cabeça. Ângela era uma figura.
- Certo. Sim, ele continua lindo. Mais maduro. Está com o cabelo bem curto e uma barba serrada... - mordi os lábios.
- Amiga... Acho que me molhei! - disse dando risada.
Eu revirei os olhos.
- Falando serio agora - ela parou de rir. - Vocês conversaram...
- Não. A família dele estava o esperando para uma comemoração. Então eu fui lá e... Para dizer que eu o procuraria esta semana e conversaríamos.
- Hum sei. E você foi lá falou com ele numa boa e só? - Ângela questionou.
Ela era esperta devia estar lendo em meu rosto que havia mais.
- Não foi apenas isso...
- Eu sabia! Conta-me!
- Ele... - eu me arrepiava somente de lembrar. - Ele se declarou. Disse que me amava. Foi lindo... E ele me beijou.
- Ain... Que lindo! E ai?
- Bem, você sabe? Eu não podia me entregar assim. Já fiz isso das outras vezes. Não pensei e quando vi estava na cama com ele...
- Isso seria bom...
- Ângela! Agora não é apenas o meu coração que está em jogo. Temos Bia no meio desta historia. Ela é mais importante que tudo.
- Eu sei... Voce está certa. Só cuide amiga para não se prender a isso por medo.
- Como assim?
- Sei lá. Voce ficar protelando alegando Bia como desculpa. Além da filha, vocês tem uma historia...
- Eu sei... Sinto-me tão perdida - gemi.
- Não se preocupe. Tudo vai dar certo. E quando vai falar com ele?
- Amanhã. Ele virá aqui. Bia estará na escola, e enquanto isso, vamos conversar.
- Você vai promover o encontro pai e filha amanhã?
- Não! Eu preciso de um tempo. Preciso preparar minha filha.
- Certo.
- Quase morri de susto. Ele veio aqui pouco antes de você chegar. Eu não o deixei entrar. Bia estava aqui. Imagina... Depois liguei para Rose e pedindo para ele me ligar. Então marcamos de ele vir aqui amanhã. Mas quando você chegou achei que ele poderia ter vindo novamente sem avisar.
- Uau!
Foi só o que Ângela conseguiu dizer, pois em seguida Bia veio para sala com pilha de seus desenhos, e damos o assunto por encerrado.
Entre os desenhos de minha pequena, haviam muitos de mim, de Ângela, Alice, Jasper entre outros, mas nada superava os que ela fazia do pai. Eram extraordinários.
**
Eu estava uma pilha de nervos. Ele deveria chegar a qualquer momento. Caminhando de um lado para o outro eu devia ter feito um buraco no chão de tão ansiosa.
Fui novamente a frente do espelho e me olhei. Alisei meu vestido verde e ajeitei novamente meu cabelo para um lado do ombro.
O que será que ele via?
Ainda me acharia atraente?
Eu não era feia, e estava bem cuidada, contudo o tempo havia passado. Eu já não tinha o corpo que antes possuía. Envolvida por estas duvidas saltei quando ouvi a campainha.
Respirei fundo e fui até a porta. Ao abrir tive que segurar um suspiro.
Como podia um homem ser tão bonito? E não só de beleza física, era algo mais.
Ele estava com as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans clara bem justa em suas coxas musculosas e uma camisa polo na cor azul escuro. Com quase 40 anos Edward estava em plena beleza.
- Oi - falei após parar de babar nele.
Ele sorriu de um jeito matreiro. Deslizou seu olhar por todo meu corpo e voltou aos meus olhos.
- Olá, boneca.
Tremi ao ouvi-lo dizer aquelas palavras. Chegava a ser cruel após tantos anos.
- Entre - dei a passagem para que ele entrasse.
O cheiro bom dele me atingiu logo que passou por mim entrando. Observei ele olhar para a decoração.
- Está tudo diferente... - comentou.
- Sim. Eu fiz uma reforma há poucos meses - informei.
- Está muito bonito. Continuou todo este tempo morando aqui? - perguntou.
Neguei.
- Não. Eu voltei a morar aqui há um mês. Passei 9 anos em Paris.
Ele não escondeu a surpresa.
- Mas...
- Edward... Temos muitas coisas para conversar. Muitas coisas aconteceram...
- Sim. Eu sei. Por isso estou aqui.
Fomos para os sofás e me sentei no oposto ao que ele ocupou. Não confiava em mim se ficasse próxima.
Ele olhou em volta e pareceu não perceber as muitas fotos de uma garotinha com os cabelos da mesma cor do dele. Contudo em cima da mesa de centro da sala estava o diário. Isso sim, ele notou.
- Você leu o diário - afirmou.
- Sim. Eu li. Tantas coisas escondidas, Edward, por quê?
- Bella...
- Tudo bem, eu vi que você queria proteger sua família. Proteger a mim e isso foi lindo. Edward tudo o que fez foi incrível. Poucas pessoas fariam, mas...
- Mas?
- Você fez tudo isso para proteger, mas não conseguiu que as pessoas envolvidas sofressem. Sua família sofreu por sua decisão de entrar na gangue sem saber os reais motivos. Eu sofri, pois você sempre, para me proteger, nunca revelou o que sentia. E por fim você foi o que mais sofreu com toda esta historia. Sofreu sozinho - falei tudo o que estava em meu coração.
- Se fosse para vocês ficaram em segurança, eu faria tudo novamente - ele disse intenso.
- Eu acredito e é isso que me assusta.
- Como assim? - ele perguntou inquieto.
- Você diz que... Me ama...
- Sim. Eu amo. Amo, muito.
Meu coração acelerou e quase pensei que ele pudesse escutar.
- Como posso esperar algo melhor a respeito da nossa relação se você continua com este pensamento? Se ficarmos juntos e no futuro alguma adversidade acontecer o que me garante que você não fará as mesmas escolhas que fez no passado? Irá tomar a decisão sozinho. Algumas vezes poderá me magoar por querer o melhor para mim... Isso é altruísta, Edward, mas não o tipo de amor e relação que eu quero para minha vida.
Ele ficou em silencio e eu continuei.
- Um casal de verdade além de apaixonados, amantes tem que ser parceiros e amigos. Como acha que me senti quando li que você e minha irmã compartilhavam um segredo pelas minhas costas? Ou quando vi que você confia nessa tal de Sharon muito mais que em mim?
- Não é assim, Bella. Eu fiz tudo isso por que achei que era o mais correto. Eu sempre quis apenas o bem dos que amo.
- Eu sei. Mas teria sido tão mais fácil se você tivesse dividido essas coisas com sua família... Comigo. Haveria muito menos sofrimento. E você não teria perdido tanta coisa que agora não tem volta.
Ele não entendia. Muitas coisas não teriam mais volta. Quando ele soubesse da filha iria perceber o quanto perdera.
- Eu escondi coisas que poderiam te magoar...
- Você se refere ao meu pai ser um criminoso?
- Bella... Isso... Aro poderia estar mentindo. Na época isso não me passou pela cabeça, mas depois quando eu estava preso. Analisando tudo eu acredito que ele pode sim ter mentido. Seu pai já estava morto, não poderia alegar inocência. Ele devia saber que você era meu ponto fraco e só usou isso como uma arma.
- Pode ser - concordei. - Isso não vem mais ao caso. Ele está morto há muitos anos e não é agora que vou deturpar a imagem, que principalmente, minha mãe tem dele. Isso ficará em segredo.
Ele assentiu e em seguida se levantou sentando-se ao meu lado pegando minhas mãos.
- Isabella... Sei que fiz muita besteira. Que talvez não mereça, mas quero que me perdoe. Ainda temos tempo... Podemos recuperar o tempo perdido. Acredito nisso - ele falou tão intenso e tão próximo que eu já não estava conseguindo pensar com coerência.
Levantei-me e me afastei parando próxima a janela.
- Ontem eu perguntei se você me amava - ele continuou. Você não respondeu apenas disse que apenas amor não é suficiente. Eu preciso saber se ainda há alguma esperança...
Eu respirei fundo tomando coragem para entrar no assunto mais delicado, antes de responder sobre se havia alguma esperança para nós.
- Você não leu as minhas cartas - falei em tom saiu magoado.
- Sim. Eu não li. Você sabe porquê... - disse.
- Imaginou que eu fosse te contar sobre meu casamento com Bryan? – indaguei.
Ele assentiu.
- A questão Edward é que não era sobre isso, e apenas para esclarecer eu não me casei com Bryan e nem com ninguém.
- Como? - ele pareceu confuso. - Bryan esteve lá. Ele disse... E depois Emmett...
- Houve uma confusão. Eu realmente pensei em me casar com Bryan, mas não seria pelos motivos certos e terminamos. Ele continua fazendo parte da minha vida, assim como a família dele, mas ele é apenas meu amigo. Porém isso não é importante e sim você não ter lido o que escrevi.
Edward parecia tão chateado quanto eu.
- Eu sinto muito Isabella...
Sem dizer nada fui até onde eu havia deixado às cartas, já preparadas para entregar a ele. Elas estavam do mesmo jeito que eu as recebi dele.
Voltei com elas em mãos e estendi a ele.
- Leia!
Meio ressabiado ele as pegou. Meu coração trovejava no peito quando ele começou a abrir a primeira carta.
O segredo que escondi por 10 anos seria revelado.

Edward

Eu abri a carta que já estivera uma vez em minhas mãos, e por burrice não abri. Agora sob o olhar atento de Isabella percebi que devia ser algo serio. Estava com uma sensação estranha... De que algo iria mudar ao ler o que ela havia escrito há tanto tempo.
Baixei meus olhos para o papel a minha frente e comecei a ler.

Edward...
Eu amo você. Sinto tanto a sua falta. Você não quis me receber, e eu tenho algo tão importante a te dizer.
Não sabia o que fazer da vida logo após sua prisão. Sentia-me tão mal fisicamente e psicologicamente que não percebi o que se passavam comigo. Se não fosse por Ângela me alertar...
Nosso destino parece ter sido escrito em algum lugar por que nada poderá nos separar. Nem mesmo você ficando 10 anos preso meu amor. Recebemos um presente. Algo inesperado que me fará esperá-lo para sempre.
Edward... Eu estou grávida. Sei que isso é inesperado, mas vamos ter um filho, ou filha. Quero tanto poder dividir isso com você. Sei que não queria que eu participasse de sua vida ai na prisão, e eu o atenderia, mas agora, agora temos outro ser que depende de nós.
Por favor, me receba. Deixe-nos participar de sua vida e mesmo meio torto, poderemos sim, ser uma família.
Sempre sua Isabella.

Minhas mãos tremiam quando terminei de ler a primeira carta. Olhei para Isabella que me olhava impassível, com o semblante serio. Abri rapidamente as outras cartas e o teor era o mesmo. Ela me contava estar grávida e implorava para que eu me comunicasse com ela. Porem não foi o que fiz.
Minha garganta se fechou e eu senti um grande bolo no estomago. A olhei novamente, ela poderia ver minha angustia? Por que eu agora pude ver o sofrimento pelo qual ela passara?
Havia uma pergunta em minha mente que chegava a me causar dor. Onde estava a criança?
- Quando você se recusou a me ver ou receber noticia, e por fim, eu aceitei que não faríamos parte de sua vida... Eu estava frágil e resolvi aceitar me casar com Bryan. Ele me amava e sentia-se feliz em assumir um filho que não era dele, no entanto eu não consegui - ela falou com a voz embargada. - Decidi ter minha filha sozinha.
Filha? Então era uma menina? Eu queria tanto perguntar, mas devido às besteiras que fiz tinha até medo de pronunciar qualquer palavra.
- Resolvi que ela seria apenas minha. Eu não contei nada a sua família. Já que você se recusou, a saber, achei que tinha este direito. Contei apenas a Rose que se manteve fiel a mim e não falou nada a ninguém, nem mesmo a Emmett. Mudei-me para a França e passei 9 anos lá.
Eu a escutava sem piscar, com o coração na boca.
- Beatriz ou Bia tem 9 anos e é a minha razão de viver - Isabella disse por fim.
Eu engoli em seco. Minha vontade era de bater a cabeça na parede até que eu pudesse entender e realizar toda merda que fiz. Não seria nada de anormal se Isabella me odiasse. Se a menina me odiasse. Uma filha? Eu tinha uma filha com ela.
- Você não vai dizer nada? - ela perguntou.
Eu queria dizer tantas coisas. Fazer tantas perguntas, mas não me achei no direito.
- Eu... - pigarreei. - Eu mal posso acreditar.
Andei pelo apartamento como se estivesse enjaulado. Em pensar que por 10 anos estive realmente enjaulado e nunca senti uma agonia tão grande. Com certeza o fato de que tomei minhas próprias decisões, e com isso, perdi algo muito precioso tinha um papel importante em meu estado.
Perto de onde eu estava havia uma estante com alguns livros e muitos porta retratos. Senti meu ar faltar quando focalizei a pequena garotinha de cabelos na cor bronze fazendo pose em varias fotos.
Ela era! Beatriz! Minha filha! Deus! Eu não conseguia acreditar. Ela era linda! A pele bem clara, os olhos como os meus, o nariz perfeito como o de Isabella.
Peguei um dos porta-retratos onde ela e Bella riam para a câmera.
- Esta foto tem dois anos - Isabella disse. - Era uma tarde de verão e fomos a um parque no centro de Paris.
- Ela é tão linda... - falei hipnotizado olhando aquela menina que fazia parte de mim. - Eu não sei o que dizer Isabella, a não ser que sinto muito.
Finalmente encarei a mulher que amava e que agora sabia ser a mãe de minha filha. Ela não falou nada.
- Agora você entende quando digo que não se podem tomar decisões sozinhas, Edward. Você perdeu anos da vida da sua filha que não irão mais voltar.
Baixei os olhos envergonhados. Eu não podia me odiar mais do que agora.
- Porém você ainda tem a chance de construir este relacionamento com Bia - Bella disse e eu a olhei.
- Ela sabe sobre mim?- perguntei curioso.
Ela assentiu.
- Sabe? Quando ela tinha cinco anos falei de você pra ela. Ela tem algumas fotografias suas. É apaixonada por você. Há dois dias, porém eu tive que contar o porquê de você estar ausente todos esses anos... Ela ficou abalada, mas sei que o amor que sente por voce não mudou.
Senti meus olhos margearem.
- Eu posso conhecê-la? - pedi.
Mesmo com direitos de pai, que sabia que tinha, eu não tinha o direito de exigir nada, não depois do que fiz.
- É sobre isso que precisamos conversar.
Isabella voltou ao sofá e eu fui com ela, ainda segurando o porta-retratos.
- Dá para perceber que você está abalado. Não pode conhecer ela assim. Além disso, depois que esta surpresa passar, gostaria de saber se você vai querer fazer parte da vida dela?
Surpreendi-me com a pergunta.
- É claro eu vou!
- Bom, eu precisava perguntar... Agora, Edward, eu preciso de um tempo. Preciso preparar Bia para te conhecer. Ela espera por isso há anos e quero ter certeza de que você realmente a quer.
- Por que eu não iria querer?
- Não sei, Edward. As coisas são complicadas...
- Bella, eu quero minha filha. Sim, estou chocado e com ódio de mim mesmo, mas quero-a em minha vida assim como quero você - esclareci.
Ela desviou o olhar fugindo do assunto.
- Vou conversar com minha filha, e assim que eu ver que está tudo certo eu o aviso, e marcamos um encontro. Prometo que será em breve.
Ela voltou a se levantar, parecendo impaciente.
- É melhor você ir agora. Daqui a pouco vou busca-la na escola...
Ela parou de falar quando levantei e parei a sua frente. Coloquei minhas mãos em seus braços fazendo um carinho.
- E quanto a nós? - perguntei.
- Nós? Bem, nós... - balbuciou. - Nós vamos ter que esperar. Bia é mais importante, você não concorda? - perguntou nervosa.
- Sim. Ela é muito importante, mas não vejo por que não podemos acertar as coisas entre nós...
- Edward... Por favor, eu... Eu preciso de tempo...
- Isabella... - peguei seu rosto entre minhas mãos e me aproximei. Louco para beija-la, mas este não era o momento. - Você pode fugir o quanto quiser, mas não irá adiantar. Eu não vou desistir. Percebi que as duas vezes que perguntei você não respondeu se ainda me amava, porém também não negou. E você ainda continua sozinha...
- Estou sozinha por que eu quero. Não esperei por você se é o que pensa - falou irritada. - Namorei bastante, e até cheguei a gostar de alguns deles.
Nitidamente tentava me irritar. Segurei ainda mais firme, minha boca quase colada a sua.
- Não o importa o que você fez - falei seguro. - Sinto que o amor que sentia por mim está aí dentro de você em algum lugar. Talvez você não esteja mais apaixonada por mim, mas vou fazê-la se apaixonar novamente. Enquanto isso eu amo por nós dois - terminei de falar e lhe dei um selinho.
Afastei-me um pouco antes que perdesse o controle.
- Edward...
- Certo. Vou te dar tempo. Você esperou por mim, por 15 anos, agora é a minha vez de esperar por você - após falar isso me aproximei e pousei meus lábios em sua testa. Um beijo casto que demonstrava meu amor e respeito pelas decisões que ela viesse a tomar. - Estou nervoso, chocado, ansioso, mas te prometo que serei um ótimo pai.
Fui em direção à porta.
- Até breve. Boneca.

Continua...


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