Saturday, May 24, 2014

PIPOCA MODERNA: ROBERT PATTINSON QUER CRESCER EM CANNES.


CANNES O ator inglês Robert Pattinson (“Cosmópolis”) marcou presença no Festival de Cannes deste ano para lançar não apenas um, mas dois filmes, “Map to the Stars” e “The Rover”. Durante a divulgação do segundo, ele expressou que tudo o que mais quer é construir uma carreira respeita, e para isso precisa de distância da saga “Crepúsculo”, que lhe rendeu sucesso, fãs, milhões de dólares, além de tê-lo tirado do anonimato.

“Isto é literalmente e exatamente o que eu quero”, disse o ator na entrevista coletiva do thriller “The Rover”, afirmando que não sente saudades do vampiro romântico Edward Cullen. “É estranho. Sinto um desapego agora. Na verdade, sempre tive esse desapego… Nunca entendi a multidão de fãs aos gritos. Isto é apenas o meu trabalho”.

Em “The Rover”, Robert aparece maltrapilho e sujo e isso o ajuda a tentar se desvencilhar da imagem de galã que carrega desde o início da saga “Crepúsculo” em 2008. “Eu estou tentando eliminar qualquer ponta de vaidade. Quero evitar qualquer oportunidade de posar para a câmera porque se tenho a oportunidade de posar, provavelmente terei uma recaída”.

A mudança no perfil de seus personagens e dos filmes em que atua também o leva a questionar se realmente tem fãs no universo cinematográfico ou se são apenas fãs de “Crepúsculo” que o acompanham devido à saga. “Eu realmente não sei quem é o meu público. Eu não sei se tenho um público… além do de ‘Crepúsculo’”, ponderou.

Pattinson encara a oportunidade de aparecer em um festival como Cannes como uma forma de entrar em contato com cinéfilos de verdade, além de lhe permitir conhecer diretores com quem gostaria de trabalhar e conquistar o reconhecimento que persegue. “Decidi que quero lançar todos os meus filmes em Cannes. É um objetivo, focado 100%. É o melhor lugar para promover filmes e este festival tem esse reconhecimento”, disse.

Um dos diretores da lista de Pattinson era justamente o australiano David Michôd, que fez um trabalho surpreendente em “Reino Animal” (2010). Por isso, ele pulou diante da oportunidade de trabalhar com ele em “The Rover”. “Esse filme apareceu do nada, mas sentia que esse personagem se parecia comigo. Eu me aproximei desse personagem como as mulheres espancadas que apanham, mas depois perdoam tudo e voltam para os maridos. Ele é como um cachorro que toma um chute e volta para pedir carinho.”

Na trama de “The Rover”, Pattinson vive um ladrão de carros em maus lençóis. A trama se passa em um futuro próximo, em que um homem (Guy Pearce, de “Homem de Ferro 3”) tem seu carro roubado, mas consegue deter um integrante do bando (Pattinson), usando-o para rastrear os criminosos numa jornada violenta.

Pattinson enxerga paralelos entre sua vida e a situação do personagem. Não que ele seja um ladrão de carros ou exista num futuro indeterminado. “Eu me identifico com a necessidade quase irracional de aprovação”, explica. “É um pouco o efeito do meu complexo de ator ou de todos os atores. Somos obrigados a ter um grande ego pra fazer o que fazemos, mas temos ao mesmo tempo essa outra parte que é pura insegurança”.

O roteirista e diretor do thriller contou em Cannes que Pattinson lhe ensinou uma lição importante durante a produção de “The Rover”: “Não dispensar atores baseados em preconceitos”. “Robert era um exemplo clássico”, declarou. De fato, as críticas destacaram que o melhor – senão, a única coisa boa – de “The Rover” é a interpretação do ex-vampiro.

Até Michôd ficou impressionado com o trabalho de Robert, após superar seu preconceito inicial. “Ele me convenceu em testes impressionantes, cheios de vida, nunca forçados ou artificiais. É emocionante ter a oportunidade de mostrar ao mundo que um astro subestimado e reduzido a uma determinada imagem, na verdade, tem uma riqueza de talento inexplorada. Eu descobri rapidamente que Robert é um grande ator e estou ansioso para que todos possam perceber o mesmo.”

O cineasta também é só elogios para Guy Pierce, com quem já tinha trabalhado em “Reino Animal”. “Guy é um ser humano lindo e envolvente, mas há algo escondido, misterioso sobre ele como ator. Ele é um mestre em pegar coisas mínimas e simplesmente preenchê-las com detalhes.”

A trama de “The Rover” também é minimalista, repleta de traços indeterminados. “Não queria fazer um filme pós-apocalíptico sobre uma catástrofe imprevisível para ser assistido enquanto se come pipoca”, contou o diretor. “Comecei o roteiro com nada mais do que um homem num carro no deserto. Eu sempre começo com algo genérico e isso vai se tornando em algo fora do comum, detalhado, específico. Tento fazer algo que você não tenha visto antes”, descreveu, sem mencionar a óbvia referência, já vista antes, de “Mad Max” (1979).

Segundo o diretor, o futuro em que se passa o filme não deveria ser reduzido a “total anarquia”. “Queria uma infraestrutura básica, como em um país do Terceiro Mundo rico em recursos, em que os interesses financeiros são protegidos, enquanto o povo é deixado à própria sorte. Eu queria um mundo possível, tenso e ameaçador, devido à sua plausibilidade palpável.”

Para criar esse mundo desolado, Michôd filmou “The Rover” no deserto australiano, o que deixou Robert bastante feliz, pois lhe permitiu a dedicação total na composição do personagem, o que não acontece, segundo ele, em sets mais acessíveis para os paparazzi. Além disso, as filmagens lhe permitiram isolamento durante um dos períodos mais conturbados de sua vida pessoal, quando se separou da namorada Kristen Stewart (também da saga “Crepúsculo”).

“Ficamos em uma cidade de 50 pessoas, onde não havia nenhum idiota tentando tirar uma foto minha”, ele contou. “Isso transformou completamente a minha forma de trabalhar, me permitindo imergir no personagem. Foi bom.

Papéis como os de “The Rover” e “Map to the Stars” aos poucos vão moldando um novo Robert Pattinson, que busca se tornar mais conhecido pelo trabalho e não pela idolatria gerada pela indústria de celebridades.

“Pretendo deixar de aparecer nas revistas de fofocas estúpidas”, ele declara. “Acho que a melhor maneira de fazer isso é nunca mais ser fotografado à toa, nunca”, revelou Robert. “À medida que envelheço, fico mais e mais autoconsciente sobre ser fotografado. Eu não sei o porquê. Já fiz isso muitas vezes e agora eu me sinto como todos pudessem ver através de mim”, confidenciou o ator inglês.

Só tem um problema nessa fantasia: quem pretende lançar seus filmes no Festival de Cannes, tem de encarar os flashes de frente e sorridente.

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