FANFIC EU TE DOU MEU CORAÇÃO - CAPITULO 21

Eu Te Dou Meu Coração

Eu te dou meu Coração
Diana Neves.


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Amizade, Drama, Hentai, Romance
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez


Logo após tomarmos um banho, descemos para o restaurante externo do hotel, que ficava ao lado da piscina, com uma linda vista para o mar.

Estávamos sentados, apreciando o lindo por do sol. Estava tudo tão perfeito.

Bella estava linda. Usava os cabelos soltos, uma sandália bem bonita e sexy, que deixava minha baixinha até um pouco alta, e um vestido curto bege com estampas florais, era tomara-que-caia, e porra, isso aflorava minha imaginação. E aposto que a de todos os homens no restaurante.
É, nem tão perfeito assim.

Bufei.

– Diga. – ela bebericou sua batida de frutas vermelhas.

– Dizer o quê? – perguntei distraído. Ela me olhou cética.

– Diz por que você bufou, oras. Eu até posso imaginar o motivo. – disse rindo.

– Não vejo nada de engraçado nisso. – resmunguei. – Bella, esse vestido é muito curto. Olha só. – apontei. – Você está de pernas cruzadas, e dá pra ver toda sua coxa. – Ela ria.

– E o que tem? Eu estou ao seu lado, praticamente coladinha com você aqui na mesa. – chegou mais perto de mim com uma voz manhosa. – E deixe eles olharem pras minhas pernas. Só quem toca é você. – mordiscou minha orelha. – Só quem toca meu corpo todinho é você. – disse com voz sensual. Minha pressão arterial subiu.

– Todinho... – balbuciei.

– Isso, meu corpo todinho, só você quem toca. Ele é seu. – lambeu e deu um gemido baixo ao pé do meu ouvido.

– É, só eu posso tocar. É todo meu. – percebi que o garçom que passava nos olhou de uma forma estranha. Saí do meu transe. – Bella, pare de me distrair assim. – endireitei o corpo. Nem tinha percebido que estava entortando a cabeça para seu lado. Ela riu faceira.

– Você adora quando eu te distraio assim.- piscou. Ah diaba!

– Você fica falando coisas, aqui tão perto de mim, e eu fico meio confuso, e até esqueci do que eu tava falando. Do que estávamos falando mesmo? – sério, esqueci-me totalmente.

– Ah, você disse que ia experimentar essa batida que eu estou tomando. Aliás, é uma delícia. – deu de ombros. Achei estranho. Não me recordava de ter sido isso que estava falando, mas já que ela disse, chamei o garçom e pedi a bebida pra mim.

Assistimos a Lua ganhar forma no céu. Jantamos um prato típico da região, e Bella gostou muito.

Meu peito se enchia de orgulho, só de ver como ela estava feliz por conhecer um lugar que ela julgava que nunca poderia ir. Comigo Bella iria às estrelas, se estivesse ao meu alcance.


[...]


Estávamos deitados na cama. Eu tinha Bella em meus braços após termos feito amor.

Suspirei.

Quando eu imaginei que estaria assim: viajando a sós com minha namorada, curtindo um lugar paradisíaco, enroscados em uma bela cama depois do amor.

Bella mudou minha vida.

É como se eu tivesse nascido no momento em que a conheci. E acho que era bem isso mesmo. Eu nasci pra vida, nasci pro mundo, nasci para o amor.

– Você está tão calado. – me assustei. Pensei que ela já estivesse dormindo.

– Estava só pensando, meu amor. Pensando em você pra variar. – beijei seu ombro. Estávamos de conchinha.

– Pensamentos bons? – perguntou e virou de frente pra mim.

– Sempre. – beijei sua testa. Ficamos alguns segundos em silêncio. – Eu te contei que vou começar a trabalhar? – Bella abriu os olhos rapidamente. Estava surpresa.

– Não, você não me contou. Que ótimo. Onde? – se animou com o assunto.

– Na construtora mesmo. Meu pai quer que eu supervisione o setor de projetos. Sempre fui muito bom com isso, modéstia à parte. Então, assim que o atual supervisor sair, eu me apresento. – Bella sorriu ternamente e acariciou meu rosto.

– Estou muito orgulhosa de você. – seus olhos brilhavam.

– Fique orgulhosa por você. Porque você é minha inspiração, minha alegria. Foi você, inconscientemente, quem me deu forças pra sair dos limites do muro da minha casa. Foi você quem me fez amadurecer, ver que apesar da minha deficiência, eu posso sim levar uma vida normal. E é por você que a cada dia quero superar meus limites. Mais e mais. – ela segurou forte em minha nuca, e me puxou com força para um beijo apaixonado.

Sua língua macia e quente acariciando a minha. Mas logo ela encerrou o beijo, e colou sua testa a minha.

– Por nós dois. Tudo que você fizer, não faça por mim. Faça por nós. – me deu um selinho. Ainda de testas coladas e olhos fechados. – Bella sem Edward não é nada.

– Edward sem Bella não existe. – voltamos a nos beijar. Ternamente, só sentindo o amor um do outro.



[...]



Acordei ainda cedo na manhã de sábado. Bella ainda dormia pesado ao meu lado.

Como chegamos de viagem ontem, jantamos cedo e resolvemos dormir cedo. Quer dizer, ir pra cama cedo. Dormir a gente fez um pouco mais tarde.

O combinado era acordarmos cedo hoje pra poder aproveitar mais o local. Mas Bella parecia estar num sono tão profundo, e ainda era cedo, tive pena de acordá-la.

Me sentei na cama, e passei meu corpo para minha cadeira que estava ao lado.

Fui ao banheiro e com a ajuda das barras nele existente, tirei minha roupa e entrei no Box. Passei meu corpo para a cadeira de banho, e empurrei a minha para fora do Box, para não molhar.

Dois bons motivos para eu ter escolhido esse local para nossa viagem.

Primeiro é porque é um lugar lindo, paradisíaco na verdade. E eu sabia que Bella nunca havia visitado um lugar assim. E segundo, porque é um hotel, aliás, um dos poucos que eu conheço, que tem suítes adaptadas para deficientes, os bares e restaurantes, jardim, e até a área da piscina tem acessibilidade para cadeirantes.

Saí do banho e Bella ainda dormia. Sorri. Coitada, deve estar cansada pela viagem ainda. 

Vesti uma bermuda tactel, sem cueca mesmo, estava bastante calor. Escolhi uma camiseta branca. Queria deixar meus braços de fora. Não é só porque sou deficiente que relaxei com meu corpo. Braço e peito, eu e Emmett sempre demos um jeito de malhar. Com umas certas adaptações, até conseguimos criar uma série de exercícios para abdômen. Não é que eu tivesse um tanquinho, mas não fazia feio também. E Bella gostava, e muito.

Pedi ao serviço de quarto para trazer café da manhã para dois completo.

Enquanto esperava o café chegar e Bella acordar, peguei meu notebook e fui ler as notícias.

O serviço de quarto chegou. O rapaz deixou o café à mesa e após receber uma gorjeta, se foi. E céus, Bella ainda não havia acordado.

Resolvi esperá-la acordar para comermos. Não seria nada cavalheiro se tomasse meu café antes dela.

Estava distraído lendo algumas novidades do mundo da arquitetura e urbanização, meu vício, que nem percebi quando uma linda mulher, apenas enrolada em um lençol branco, apareceu ao meu lado com uma cara nada amiga.

– Céus, Bella. Que susto. – avaliei seu corpo. – Porra amor. Vai por uma roupa, senão não consigo me concentrar em mais nada. – continuei olhando seu corpo. Eu definitivamente me tornei um tarado.

– O que você está vendo na internet? – me olhava insistentemente. Até fingiu não perceber minha inspecionada em seu corpo.

– Como assim o que eu via na internet? Coisas ué. Algumas novidades sobre coisas relacionadas a arquitetura, urbanização, projetos. Essas coisas que eu gosto, você sabe. – dei de ombros.

– Tem certeza que era isso? – olhou atentamente a tela do notebook.

– Bella, que isso meu amor? Ciúmes? – sorri. – Senta aqui. – dei dois tapinhas em minha coxa, sinal para ela se sentar em meu colo.

Ela ficou emburrada, e aquele biquinho sexy logo apareceu.

– Ah Bella, se continuar fazendo essa porra de biquinho, não vai tomar café. Te levo pra essa cama e não te deixo sair tão cedo. – ameacei brincalhão, mas no fundo era a mais pura verdade.

A levaria para a cama, e não sossegaria enquanto não fizesse ela gozar pelo menos 3 vezes. Não me importaria que métodos eu teria que usar.

– Bella, senta aqui. – a puxei, e ela se sentou no meu colo sem muitas dificuldades. Sabia, estava fazendo manha. – Fala pra mim. Qual o motivo desse bico lindo, agora? – mordi seu biquinho, e ela tentou segurar uma risada.

– Você tava só vendo essas coisas de casa e prédio na internet? Jura? – meu Deus, que mulher dengosa. E ciumenta. E gostosa, e sexy, e linda... Ok, melhor me concentrar novamente na conversa.

– Juro, minha linda. – tirei algumas mechas de seu cabelo que estavam atrapalhando-me, e beijei seu pescoço, Pude senti-la tremer. – Por que isso agora com a internet? Eu realmente não entendi. – perguntei carinhoso.

– Ah, sei lá, amor. Você me conheceu pela internet. Tenho medo de você conversar também com outras garotas e bem... elas ficarem insistindo em te conhecer pessoalmente, assim como eu fiz. – falou meio amuada.

Eu tive que rir. Bella pareceu ficar brava com isso, e me deu um tapa no braço. O que há com essa mulher, que ela adora me bater? Será que sente tesão nisso? Bem, ela pode não sentir, mas eu, com certeza sinto. Céus, essa mulher me tem em suas mãos e nem percebe.

– Amor da minha vida. – disse brincando em tom solene. – Eu amo você. Consegue entender? Eu já conversei com muitas garotas na internet, porém isso foi antes de te conhecer. Depois que conheci uma tal de Bella, eu nunca mais quis conversar com ninguém em bate-papo algum. Sabia disso? – ela sorriu timidamente. – Eu ficava o dia todo rezando para as horas passarem logo, só pra um certo alguém ficar online. E depois que conheci esse certo alguém pessoalmente, aí é que nunca mais quis saber de bate-papo em minha vida. – beijei seu pescoço novamente, e dei um leve chupão. Não custava nada deixar minha marca ali. Primitivo e infantil, mas isso é instinto.

A abracei forte.

– Tudo que eu quero, e o que tenho de mais valor em minha vida, está bem aqui. Em meus braços. – sussurrei.

– Desculpa meus ciúmes. Eu sei que é chato. Mas é que... Eu nunca fui tão bem tratada em toda minha vida. Tenho medo de não ter isso pra sempre. – declarou um pouco tímida.

– Você me terá pra sempre. – mordisquei novamente seu pescoço e decidi animar um pouco o clima. – Lembre-me de agradecer seu ex-namorado idiota por ter sido um idiota. Assim posso te encher de carinho e mimos e você nem vai enjoar. – eu ri, e quando olhei para seu rosto, Bella estava séria demais. – O que foi, amor?

– Nada. Nada não. – Levantou rapidamente de meu colo, largou o lençol que estava enrolado em seu corpo pelo caminho, e entrou no banheiro.

Essa eu não entendi. Por que será que Bella ficou assim? Será que foi porque falei no ex-namorado?

Será que ainda sentia algum fiapinho que seja de sentimento por ele?

Balancei a cabeça. Claro que não, Edward. Bella diz e prova constantemente que me ama. Não preciso e nem tenho motivos pra desconfiar de seus sentimentos.


[...]


Após tomarmos café, decidimos descer para conhecer o hotel e dar uma volta na orla da praia.

Bella já estava de bom humor novamente, e eu não quis entrar no assunto mais.

Ela estava linda, com um biquíni pequeno demais, diga-se de passagem, uma canga ou saída de praia, como ela mesma disse, e chinelos. 

Resolvemos parar num quiosque para bebermos algo, afinal o dia estava muito quente.

– Com esses óculos, você está parecendo o Tom Cruise, naquele filme do avião. – Bella comentou empolgada.

– Tom Cruise, Bella? Poxa, muito obrigado. – fingi ofensa. Ela riu.

– Ei, ele era bonitão na época do filme.

– Bonitão, bonitão. – imitei sua voz fina. – Não vejo nada de mais nesse cara. – tomei minha coca.

– Eu vejo. – arqueei as sobrancelhas pra ela. – Mas prefiro meu mimadinho de olhos verdes. – gracejou. Safada, sabe como me enrolar direitinho.

Continuamos conversando no quiosque. Contei a Bella sobre a nova fisioterapeuta, e como sempre, ela ficou emburrada. E não é que eu estava tomando gosto em vê-la ciumenta? Em alguns momentos eu elogiava Dra. Denalli, só para vê-la enfezada.

– O que é, ta gostando de loiras agora? Quer que eu pinte meu cabelo de loiro também? – eu ria muito.

– Céus Bella, claro que não. Eu te amo assim, perfeitinha. Não quero que mude nada. A Dra. Denalli é muito bonita. Mas nunca chegaria aos seus pés. – lhe dei um beijo. – Você é a mulher mais linda do mundo.

– Ah, não exagera também. – fez charme.

– Eu exagero sim. Tudo em mim é exagerado. Meu amor por você é exagerado. Meu carinho, minha admiração, meu respeito. – beijei seu pescoço. – Meu tesão por você é exagerado também. – beijei novamente e pude vê-la se arrepiar.

– Não se esqueça de um lugar em seu corpo que é muito exagerado também. – disse com voz sedutora. Virou seu rosto para mim, e mordeu meu queixo.

– E que lugar seria esse? – eu já estava ficando com tesão. Qual era nosso problema, que não podíamos ficar sozinhos, e já começávamos a nos agarrar?

– Um lugar que amo pegar, beijar, lamber. – mordeu mais forte em meu queixo. – E ter ele todinho dentro de mim. Hummm, só de imaginar, você nem imagina como eu fico. – Rosnei como um animal.

– Bella, não fala essas coisas assim, por favor. – pedi em desespero. – Você me deixa louco. – passei uma mão em suas coxas, e cheguei bem pertinho de sua feminilidade. Estava quente. – Como você está, amor? Está quente aqui. – passei rapidamente um dedo em sua entrada, por cima do pano do biquíni. – Ta molhadinha?

– Hummm. – gemeu. E eu tive que controlar para não gemer também. – Estou sim, amor. E agora, como a gente resolve esse problema? – provocadora!

– Amor, essa mesinha não tem toalha, se eu te tocar, alguém pode ver. – disse torturado. Eu queria muito tocá-la. Mas não tinha como. Eu já estava arriscando demais passando a mão despretensiosamente por entre suas coxas.

– Acho melhor eu entrar no mar então. Pra tentar apagar esse fogo. – sussurrou com a boca quase colada a minha. Bandida, quer me deixar louco, só pode.

Antes que eu pudesse formular uma resposta, ela se levantou, tirou a saída de praia, revelando aquele corpo maravilhoso e suas curvas tentadoras. 

Eu já conhecia seu corpo décor, mas mesmo assim fiquei abobalhado. Secando, literalmente a minha namorada gostosa.

– Espero que a água esteja geladinha, porque eu to tão quente. – piscou e desceu a escadinha que dava acesso a areia. Ah diaba, ela gosta de me provocar.

Enquanto ela andava pela areia, a caminho do mar, vários pescoços se viravam para olhá-la. E isso me deixou nervoso.

– Namorar mulher bonita é assim mesmo. – o simpático garçom, que veio recolher minha lata, comentou.

– Nem me fale. Mulher bonita dá um trabalho. – suspirei. – Me traga mais uma coca, por favor. – ele assentiu. Foi rapidamente dentro do quiosque e voltou.

– E então, há quanto tempo namoram? – puxou papo.

– Vamos fazer dois meses de namoro semana que vem. – ele franziu um pouco a testa. – O que foi?

– Bem, é que eu pensei que vocês já estivessem juntos há um bom tempo. – comentou. – E então, foi acidente? Nasceu assim? Doença? Qual a sua história?

– Acidente aos 17 anos. Farra dentro do carro, eufóricos indo a uma festa, sem cinto de segurança. O resultado foi um amigo morto, coma por um tempo e 10 anos nessa cadeira de rodas. – disse de forma displicente. Hoje em dia esse assunto já não me incomodava mais.

– Minha namorada também é cadeirante. Acidente de moto. Eu saí ileso, já ela... – deixou no ar, e deu um suspiro. Em seu rosto eu ainda podia ver culpa. – A gente namorava desde criança. Eu tinha 22 e ela 19 quando aconteceu tudo.

– Eu sinto muito. – eu disse complacente.

– Eu também sinto. – tomou fôlego. – É difícil levar um namoro assim. Claro que nunca a abandonaria. Mas ás vezes, sei lá, é complicado.

– Como assim? – onde ele queria chegar.

– Não sei cara, só estou aqui onde trabalho nos fins de semana pra levantar uma grana extra, conversando com um cara que tem um relacionamento quase igual ao meu. Mas no seu caso, a pessoa que, bem... – se atrapalhou um pouco pra falar.

– A pessoa que é deficiente. Pode falar. Não é ofensa se você falar com respeito.

– É, no seu caso a pessoa com deficiência é você. E pelas datas, vocês começaram a namorar com você já nesse, ér, estado. – assenti. – Como foi? Tipo, ela realmente se interessou? Ou você teve que, sei lá, correr atrás? Ou já eram amigos? – respirei fundo. Eu entendia onde ele queria chegar.

– A conheci pela internet, passamos dois meses apenas na sala de bate-papo. Eu já estava interessado nela, porém, não sabia que ela também estava por mim. Por ser medroso, não contei a ela sobre minha deficiência. Ela só descobriu quando chegou ao nosso encontro. Mas mesmo assim ela me quis. E eu fico muito grato por isso. Por poder ter o amor de uma mulher, apesar dessa cadeira. Sabe, antes eu não tinha saído com nenhuma garota. Nem me atrevia a sonhar com isso. Bella me ajudou a ver que sou capaz de ter uma vida normal. – ele me olhava concentrado.

Ficamos uns instantes em silêncio. Olhei para o mar, e pude ver minha musa brincando como uma menininha na água. Claro que seu biquíni tirava rapidamente a imagem de menininha, mas ela sorria tão encantadoramente. 

Suspirei. 

Eu sou muito apaixonado por essa mulher.

– Você gosta dela. – o garçom afirmou. Assenti sem tirar os olhos da mulher da minha vida.


– Amo. Muito. – disse apenas. Bella percebeu que eu a olhava e deu um tchauzinho. Sorri como um bobo, e acenei de volta.

– Ela também gosta de você. – ele afirmou novamente.

– Agradeço a Deus todos os dias por isso. – ele sorriu um pouco amargo.

– Espero que não aconteça com vocês o que está acontecendo comigo. – disse sincero.

– O que está acontecendo?

– Bem, todos dizem que o namoro com uma pessoa cadeirante é normal, como os outros. Mas a gente sabe que não é. – isso eu concordava. – As vezes quero ir a praia, e minha namorada não quer. Tem vergonha, diz que seu corpo está flácido, por ela não praticar exercícios. Diz que vai haver muitas mulheres bonitas e perfeitas ao meu redor, e ela vai se sentir inferior. As vezes quero sair pra dançar, e ela não quer ir pra não ficar de lado a noite toda, como ela mesma fala. – suspirou. – Cá entre nós, que somos homens. É complicado também na hora do vamo-ver. – disse em tom conspiratório.

Pensei um pouco se Bella também se sentia incomodada com essas coisas. Realmente no sexo devia ser bem diferente pra ela. Apesar dela sempre me dizer o quanto eu a satisfaço, que nunca sentiu o que eu lhe proporciono com ninguém.

– Como é pra você, ér, estar com ela? Na hora H entende? – eu queria escutar sua versão e tentar entender então um pouco o lado de Bella.

– Cara, eu amo minha namorada. Nós só tivemos um ao outro a vida toda. Eu não conheço nenhuma outra mulher intimamente. No começo a gente se virou bem, sempre inovávamos. Mas com o tempo, as coisas complicam. Sei lá, tem horas que é como se você estivesse fazendo amor com apenas um corpo. Não uma pessoa. Tem horas que é estranho. – coçou sua barba por fazer. – Vou te confessar que sinto vontade de ficar com outra mulher. Não porque não amo a minha namorada. Mas porque sinto saudade de ter em meus braços um corpo que responde, sabe. Apesar de termos inovado e muito no começo, sei lá, as posições são limitadas. Tem horas que, bem você é homem e deve me entender, a gente quer só fazer uma coisa mais carnal, no instinto mesmo. Mas não dá, tem que estimular o psicológico da sua parceira, e bem, isso as vezes é frustrante. – abaixou a cabeça.

– Eu te entendo. – e realmente entendia. Somos homens, as mesmas necessidades que ele sente, eu também sinto. E pra mim é fácil, porque minha namorada é perfeita. Pode fazer qualquer movimento ou posição pra me agradar na cama.

– Acho que você não entende. Se sua namorada quisesse ficar com um outro cara, só pra suprir essa necessidade da qual te falei agora, você aceitaria numa boa? – meu coração doeu só de escutar isso.

– Nunca! Acho que eu afundaria de vez se Bella quisesse outro. Eu demorei muito tempo pra me libertar dos meus traumas e medos. Se algo assim acontecesse, acho que eu não agüentaria. – fui sincero.

– Então você não entende.

– Acho que não. – concordei com ele.

Ele suspirou.

– Cara, me desculpa o desabafo. Eu não quis botar terror nem nada disso no seu namoro. Eu só queria mesmo desabafar, sei lá. E você tem um relacionamento parecido com o que eu tenho.... – tentou se explicar.

– Fica tranqüilo. – ele assentiu. – Só te dou um conselho, amigo. – ele me olhou atentamente. – Em um corpo inerte também bate um coração.

Ele assentiu, e saiu. Foi atender um casal de idosos que se sentavam em uma das mesas.


[...]


Estávamos no quarto novamente. Bella estava radiante. Ela se divertiu bastante na praia, após o almoço entrou na piscina do hotel. Infelizmente eu não podia acompanhá-la. Sempre ficava por perto observando, sorrindo de suas palhaçadas e dos beijos e piscadas de olhos que ela mandava em minha direção.

Fiquei muito feliz por Bella ter conseguido aproveitar o dia. A viagem era pra isso mesmo. Pra ela.

Mas desde a conversa com aquele garçom, fiquei um pouco inquieto.

E o pior é que eu não podia julgá-lo. Eu não estava do outro lado pra saber como é namorar alguém deficiente.

Como será que Bella se sentia? Será que ela um dia iria querer ter experiências novamente com um homem perfeito? Será que nosso relacionamento também ficaria como o daquele cara?

Eu não suportaria pensar na hipótese de Bella ficar com outro cara. Mas sei também que deve ser difícil pra ela. Toda mulher quer um cara ativo. Que, pelo menos na maioria das vezes, assuma o controle do sexo. E eu não posso.

Merda, o mesmo problema que eles passam, eu também passo com Bella. Estávamos hoje na praia, e ela teve que entrar na água sozinha. Se ela quiser sair pra dançar, eu posso até ir, mas com toda certeza vou me sentir mal por ter que ficar no canto enquanto a vejo dançar. E eu não posso privá-la de ter uma vida como qualquer outra pessoa.

Deus, e filho? Nunca teremos um filho só nosso. Ou inseminação, coisa que eu realmente não aceito. Pode ser ignorante e primitivo, mas não aceito isso. Ou por adoção. Claro que amaria a criança, mas com certeza não seria a mesma coisa pra Bella. Toda mulher se sente realizada quando sente seu filho crescendo dentro de sua barriga. E eu tiraria isso de Bella.

As chances de Bella engravidar são tão baixas. Merda de esperma fraco. Por que eu não poderia realizar a mulher da minha vida, assim como ela me realiza?

Nem tento pedir a Deus que nos agracie um dia com a bênção de um filho. Cientificamente, eu sou praticamente estéril.

De acordo com o que o médico me explicou, além da minha paraplegia, a inatividade do meu órgão que produz o sêmen por tanto tempo, prejudicou minha situação.

Eu sei que existem cadeirantes que são pais. Mas a maioria foi por inseminação, e em alguns casos, de forma natural. Mas são poucos.

Suspirei.

A cada passo adiante que eu dou, parece que existe uma força que me joga pra trás.

Estava nesse momento tomando uma dose de um LadyBank*. Estava arrumado para nosso jantar. Hoje eu levaria Bella ao salão nobre do hotel.

Bella estava no banheiro a mais de 1 hora se arrumando. Ela ficou feliz quando eu disse que o traje era esporte fino. Algo haver com algum vestido.

E eu estava pensando seriamente se fazia o que havia programado ou não.

Peguei novamente no bolso de minha calça a caixinha de veludo. Abri, e ali jazia um lindo anel de brilhantes. Um anel de 5 dígitos, belíssimo. Acho que pelo menos nisso acertei. A vendedora me garantiu que qualquer mulher amaria. E minha comparsa, Rosálie, quase chorou quando eu disse o que iria fazer e lhe mostrei o anel.

Mas agora... Será que era o certo a fazer mesmo? Eu amo loucamente Bella, isso não se pode contestar. Mas... Será que estava na hora certa? Não por mim, mas sim por ela.

Será que eu não deveria dar mais tempo a ela. Pra, sei lá, entender melhor como funciona realmente esse relacionamento, que querendo ou não, será limitado pro resto da vida...

... Pra dar tempo dela desistir de mim.

Senti uma pontada, uma dor forte em meu peito só de pensar nisso.

Eu queria ter Bella comigo o tempo todo. Eu não agüentava mais dormir sem ela, conversar só por telefone durante a semana. Queria ela o tempo todo comigo.

Queria ajudá-la também. Bella não tem ninguém por ela. Eu queria amar, mimar e cuidar dela. Ajudar a terminar seus estudos, pagar a faculdade que ela desejar.

Levá-la pra morar numa casa grande e bonita. A queria comigo.

Queria firmar um compromisso forte. Que depois de feito, não teria mais volta. Seríamos um do outro eternamente.

Mas agora, após a conversa com aquele cara. A insegurança me tomou. Eu tinha que pensar em seu lado também.

Continuei olhando pro anel fixamente.

Suspirei.

A decisão estava tomada.






* Um Whisky caríssimo.
e aí gostaram?
pra quem estava perguntando (direto) sobre a Bella contar o passado dela pro Edward: Calma, vai acontecer. Eu já bolei um plano maquiavélico pra isso. Please, não me xinguem!! rsrs


PLease, não dói, não cai o dedo e faz um autor se sentir útil e recompensado!

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