THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 02

Mais um capítulo...
Espero que gostem e indiquem para outras pessoas lerem...
Boa leitura!!!

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama


CAPITULO 02 - ABSOLVIÇÃO

Pov. Edward
Abri a porta e depositei lentamente a garota em minha cama, que se encolheu sobre os lençóis brancos e me encarou amedrontada.
Ela pesava como uma pluma e viera todo o caminho em absoluto silêncio, aninhada em meus braços.
Apesar de suja e esfarrapada, era possível sentir um leve cheiro de morangos em seus cabelos e o fato de eu ter apreciado a fragrância, me deixara perturbado.
A moça estava em choque e eu deveria ajudá-la.
Apenas ajudá-la.
Os alemães, no momento, eram nossos inimigos, mas nossa luta deveria limitar-se aos campos de batalha.
Jamais deveria atingir pessoas inocentes como essa garota que estava deitada em minha cama.
Acendi o lampião que ficava sobre minha escrivaninha e passei as mãos pelos cabelos, sem saber como proceder.
Eu não sabia como cuidar de mulheres.
Ainda mais de uma que estava assustada e toda machucada.
Eu deveria chamar alguma enfermeira, mas estávamos com poucas disponíveis e a base hospitalar ficava longe do meu alojamento.
Não me arriscaria a deixá-la sozinha.
James poderia vir atrás de mim e conseguir causar-lhe o mal que pretendia.
E eu não me perdoaria se isso acontecesse.
Eu tinha que protegê-la.
Respirei fundo e encarei a moça, que continuava imóvel sobre a cama.
_ Moça, eu... Eu sei que está machucada, mas não posso pedir a ajuda de uma enfermeira ou mesmo de um médico no momento. Vou preparar a tina para que tome um banho e deixarei um Kit de primeiro socorros para que cuide dos seus ferimentos. Ficarei o tempo todo na varanda, caso precise de alguma coisa._ Falei apressadamente, torcendo para que ela soubesse falar inglês, caso contrário nossa comunicação seria quase impossível.
Eu conhecia poucas palavras em alemão e estas não eram suficientes para uma comunicação clara e eficiente.
Ela continuou me encarando e não esboçou reação nenhuma.
Fui até o pequeno fogão a lenha e coloquei a água que estava em um caldeirão para aquecer.
Em época de guerra, água tinha o mesmo valor do ouro.
Eu possuía algumas reservas em meu alojamento, suficiente para meus banhos e para minhas principais necessidades, mas não poderia, de forma alguma, desperdiçá-la.
Arrastei a tina para trás de um biombo velho e coloquei sabão, esponja e uma toalha limpa sobre um banco de madeira.
Voltei para perto do fogo e fiquei observando a moça, discretamente, enquanto esperava que a água fosse aquecida.
O ambiente estava fracamente iluminado pela luz do lampião, mas eu consegui distinguir o brilho das lágrimas silenciosas que desciam por sua face suja de poeira.
Eu não saberia dizer se ela era bonita.
Suas roupas sujas e rasgadas, seus cabelos bagunçados, seu rosto arranhado e inchado pelas agressões de James me impediam de apreciar sua verdadeira beleza.
Tudo que eu sabia é que ela tinha os olhos castanhos mais profundos e intensos que eu já vira.
E que esses olhos transmitiam uma agonia e uma amargura sem limites.
Doía-me ver uma mulher sofrendo assim.
Desviei meu olhar do seu rosto e experimentei a água.
Parecia boa o suficiente para um banho revigorante.
Despejei a água na tina e fui em direção à moça.
Parei abruptamente, me lembrando de que ela não teria nada para vestir após o banho.
E eu não poderia fazer nada a esse respeito.
Se estivéssemos nos Estados Unidos, minha irmã, mãe e cunhada certamente providenciariam uma vestimenta para a pobre moça, mas aqui, eu não tinha nenhuma figura feminina a quem recorrer.
Suspirei pesadamente e fui até meu armário improvisado, tirando de lá uma camisa limpa.
Certamente, ficaria imensa para ela, que tinha um corpo pequenino, com curvas suaves e proporcionais, mas teria que servir para o momento.
Amanhã daria um jeito de conseguir-lhe outra roupa.
Pendurei a camisa no biombo e pequei o Kit de primeiro socorros, me dirigindo lentamente até a cama.
Ela parecia adormecida, mas eu sabia que um banho aliviaria a dor dos seus ferimentos e a ajudaria descansar melhor.
_ Moça?_ Chamei baixinho e ela abriu os olhos, me encarando assustada._ Seu banho está pronto. Lave-se e cuide dos seus ferimentos com esse Kit. Deixei uma camisa limpa perto da tina para que vista. Seu vestido está todo destruído e não tem como usá-lo. Lá também tem sabão e esponja. Estarei na varanda, caso precise de alguma coisa.
Ela continuou me encarando, mas não disse nada.
Será que ela não falava inglês?
_ Você entende o que eu falo?_ Perguntei preocupado e ela assentiu lentamente, me fazendo suspirar aliviado.
_ Ótimo. Estarei ali fora._ Falei e me dirigi para a porta.
Esperava, sinceramente, que ela seguisse minhas orientações.
Queria ajudá-la, mas ela precisava permitir-me fazer isso.
Caso contrário, seria bem difícil.
*****
Pov. Bella
Olhei o moço se afastando e suspirei pesadamente.
Eu não tinha medo dele, mas sabia que não devia confiar em homem algum.
Eles são as piores criaturas que Deus colocou na terra.
Já tive muitas provas deste fato.
Levantei-me lentamente da cama onde fui depositada pelas mãos gentis do estranho capitão e não pude conter um gemido de dor.
Não existia uma parte do meu corpo que não estivesse doendo.
Eu estava bastante machucada e talvez um banho fosse realmente uma boa ideia.
Não sabia estimar em números o tempo que eu não tinha contato com água limpa que pudesse matar minha sede e me proporcionar alguma higiene.
Quando a palavra banho saiu dos lábios do gentil capitão, time uma vontade imensa de gritar de alegria.
Andei até a tina e experimentei a água com a mão.
Estava uma delícia.
Despi-me lentamente, pois as dores no corpo me impediam de ser ágil e entrei na tina, mergulhando meu corpo cansado e machucado na água quente.
Não pude evitar uma careta e alguns gemidos quando a água morna entrou em contato com meus ferimentos.
Lavei meus cabelos cuidadosamente, duas vezes, com o sabão que estava pousado sobre um banco e esfreguei meu corpo com a esponja.
Não fazia a menor ideia de onde este homem havia surgido, mas eu lhe seria eternamente grata.
Ele me salvara das mãos daquele soldado nojento e me trouxera para seu alojamento, me ajudando verdadeiramente.
Eu odiava os americanos, mas este bom homem provara que para toda regra existia uma exceção.
Existiam homens bons, mesmo na América.
Já fazia meses que eu vagava pelos campos, sozinha, tentando desesperadamente fugir da guerra sem ser vista pelos soldados.
Eu sabia que se eles me vissem, aconteceria exatamente o que quase acontecera hoje.
Estes homens estavam há muito tempo longe de mulheres, condenados a lutar em uma guerra desumana e sem fim.
Eles eram regidos por extintos assassinos e primitivos.
Para manter-me segura, era necessário estar longe.
Mas não pude fugir por muito tempo.
Eles me encontraram, me machucando e me humilhando além dos limites.
Mais lágrimas desceram por meu rosto e eu as limpei com raiva.
Eu precisava ser forte para enfrentar os problemas que ainda viriam.
Eu estava sozinha agora e chorar não me faria vencer as dificuldades que a vida insistia em colocar no meu caminho.
Terminei meu banho quando a água já estava fria e peguei a toalha que também estava sobre o banco ao lado da tina, para me enxugar.
Passei-a suavemente sobre meus ferimentos e fechei os olhos, tentando conter um gemido de dor.
Peguei a caixinha de medicamentos e coloquei remédio sobre os cortes mais graves, fazendo caretas quando o líquido entrava em contato com minha pele.
Eu era muito clara e mesmo na quase escuridão do ambiente podia distinguir cortes e hematomas cobrindo cada pedacinho do meu corpo.
Foram dias e mais dias me embrenhando pelas matas, dormindo ao relento, subindo morros, tentando fugir das zonas de batalha.
E todo o sacrifício que fiz, perdido, ao me ver nas mãos de um soldado cruel.
Ele me feriria com tapas, apertões e com uma maldita navalha.
Sabia que não deveria alimentar ódio por ninguém, mas eu desejava sinceramente que aquele desgraçado ardesse eternamente no fogo do inferno.
Balancei a cabeça, para afastar esses pensamentos e peguei minha combinação quase arruinada no chão.
Não poderia vestir apenas uma camisa estando em um ambiente com um homem.
Não seria correto.
Meu vestido era um caso perdido, mas eu poderia dar um jeito em minha roupa íntima.
Lavei a combinação na água suja da tina e a sequei na toalha, vestindo-a em seguida.
Puxei a camisa pendurada sobre o velho biombo de madeira e a vesti por cima da combinação úmida.
Penteei meus cabelos com os dedos, tentando ajeitá-los da melhor forma possível, sem a ajuda de um espelho e os sequei mais uma vez com a toalha.
Arrumei tudo que usei no banho, colocando os itens em uma bacia próxima ao fogão a lenha e deixei apenas a água da tina, pois não conseguiria esvaziá-la.
Rumei lentamente até a cama e me deitei sobre o colchão macio.
Há tanto tempo eu não desfrutava do conforto de uma cama.
Na verdade, eu não desfrutava de conforto nenhum em toda minha vida, mas pelo menos, antes da guerra, tinha uma cama quente para dormir.
Agora eu não tinha nada.
Não tinha ninguém.
Respirei fundo, tentando conter o choro que ameaçava me sufocar outra vez, e enterrei meu rosto no travesseiro, sentindo o cheiro amadeirado dele.
Do capitão Cullen, como àquele monstro o chamara.
Apesar do medo que eu estava senti naquele momento, não pude deixar de notar o quanto ele era bonito e o quanto fora corajoso em me tirar das mãos de um de seus soldados.
Ele poderia ter me ignorado e deixado que seus homens se divertissem com meu corpo, mas ele fora honrado e me salvara.
Agira como um homem de verdade e eu não podia fazer nada se não admirar-lhe a coragem.
Escutei um barulho na porta e puxei as cobertas até meu pescoço.
O capitão espiou dentro da casa e quando me viu deitada na cama, entrou lentamente, aproximando-se da cama.
_ Tomou banho?_ Ele perguntou com a voz baixa e eu assenti de leve.
Não conseguia articular as palavras.
Não tinha coragem de falar com ele.
Ele suspirou e andou até o fogão, colocando uma panela sobre o fogo quase extinto.
Em pouco tempo fui capaz de sentir o cheiro bom de comida e ouvi meu estômago roncar.
Estava com tanta fome.
Vi quando ele pegou dois pratos e colocou pão sobre eles, despejando o conteúdo da panela sobre ambos.
Senti minha boca salivar.
Ele pegou uma jarra de barro e dois copos e encheu-os de água fresca.
Veio em direção à cama, trazendo um prato e um copo e eu me ergui suavemente, deixando meu medo de lado e me rendendo a fome.
Ele me estendeu o prato e o copo e eu os peguei rapidamente.
_ Não é nenhum banquete, mas serve para matar a fome._ Ele falou, enquanto me olhava comer.
Estava tão desesperada por comida, que nem me importei que ele ficasse ali assistindo eu me alimentar.
Depois de alguns minutos, ele afastou-se, voltando para perto do fogão e sentando-se à pequena mesa onde se encontrava seu prato.
Comi tudo em silêncio e logo ele estava de volta para buscar o prato vazio.
Bebi a água fresca e entreguei o copo e o prato a ele.
_ Quer mais?_ Ele perguntou educadamente e eu neguei com um meneio de cabeça.
Eu ainda estava com fome, mas temia comer demais e passar mal.
Vi que ele colocou mais água para esquentar e foi esvaziar a tina, certamente preparando seu próprio banho.
Ele arrastou um colchão velho para perto do fogão e o forrou com um lençol aparentemente limpo.
Pegou alguns cobertores que estavam sobre uma cadeira e preparou tudo para dormir.
Despejou a água do caldeirão na tina, pegou a bacia onde estava o sabão e a esponja e se dirigiu para trás do biombo.
Pude escutar o farfalhar dos tecidos enquanto ele tirava a roupa e fechei os olhos com força, escondendo meu rosto sob as cobertas.
Em pouco tempo, o sono já me tomava, mas eu lutei bravamente para permanecer acordada.
Não me sentia segura com um homem nu no mesmo ambiente que eu, mesmo que ele estivesse apenas tomando banho.
Pouco tempo depois, escutei seus passos pela casa, mas permaneci com os olhos fechados.
_ Durma tranquila, moça. Amanhã a levarei para outro lugar, longe dos conflitos. A casa está bem trancada e lhe garanto que ninguém fará mal à senhorita.
Abri os olhos lentamente e afastei as cobertas do meu rosto, vendo-o parado aos pés da cama.
Ele me olhava atentamente e eu senti minhas bochechas esquentando, envergonhada por ter toda aquela atenção ao meu redor.
_ Estarei deitado perto do fogão, caso precise de algo._ Não respondi e ele foi andando até o fogão, mas parou de repente e me olhou outra vez._ Por acaso a senhorita é muda?_ Perguntou intrigado.
Arregalei os olhos diante da pergunta e neguei com a cabeça.
Ele suspirou e me olhou atentamente.
_ Bom... Então, boa noite. Durma bem._ Dito isso, ele virou-se e continuou andando._ A propósito, meu nome é Edward. Capitão Edward Cullen._ Falou enquanto se deitava, certamente esperando que eu seguisse seu exemplo e me apresentasse.
Mas eu ainda não estava pronta para dizer-lhe meu nome.
Ele suspirou novamente diante do meu absoluto silêncio e fechou os olhos.
Eu fiz o mesmo, e me concentrei no calor e no conforto que a cama estreita me proporcionava, esperando que o sono me embalasse.
Amanhã seria outro dia e quem sabe eu não teria a sorte de fugir da guerra e dar um rumo a minha vida.
Graças a Edward Cullen, minha honra estava guardada e eu poderia, pela primeira vez em muito tempo, sonhar com um futuro melhor.
_ Isabella Swan._ Murmurei baixinho o meu nome, enquanto o sono tomava conta de minha mente.
Não sabia se ele havia ouvido, mas sorri de leve.
De alguma forma ele conseguira derrubar algumas barreiras que eu construí para me proteger dos homens e eu pude, depois de tanto tempo, repetir meu nome em voz alta.
É...
Ainda havia esperanças para mim, afinal.


Bom, gente... É isso!
Quero comentários...
Muitos... rsrsrsrsrs
Isso é o combustível para um autor...
Beijos!

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