THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 04

Outro capítulo prontinho.
Espero que gostem.
Boa leitura.

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama




CAPITULO 04 - CUIDADOS.


Pov. Bella
Olhei distraidamente para as paredes encardidas a minha frente e soltei um longo suspiro.
Era muito chato ficar o dia todo presa em uma casa.
Sozinha.
Mesmo que já estivesse acostumada à solidão.
O capitão Cullen saíra bem cedo para tratar de assuntos da guerra e me dera ordens expressas para não sair de dentro do alojamento.
Imagino que ninguém me procuraria ali
Não ousariam desobedecê-lo.
Ele era um capitão, afinal, e enquanto estivesse ao meu lado, eu estaria segura.
Sorri de leve com o pensamento.
Há muito tempo eu não me sentia assim.
Segura.
Protegida.
Na verdade, acho que jamais me sentira dessa forma.
Nunca em meus dezoito anos.
E a sensação era reconfortante.
Edward fora um verdadeiro cavalheiro ao me proteger, se indispondo com outros capitães apenas para me manter segura.
Não queria causar-lhe problemas.
Ele não merecia nenhum tipo de dor de cabeça depois de tornar-se meu anjo da guarda.
Eu ouvira boa parte de sua discussão com outro homem na noite passada e sentia calafrios ao pensar se tivesse sido qualquer outro a me encontrar.
Não teriam me salvado.
Eu seria uma forma dos soldados aliviarem as tensões e se prepararem para mais uma infinidade de batalhas.
Numa guerra, as mulheres eram vistas dessa forma: um nada.
Na verdade, elas eram vistas assim em qualquer circunstância.
Muitas vezes desejei ter nascido homem.
Minha vida teria sido tão mais fácil.
Mas talvez, se meu desejo tivesse sido atendido, hoje eu estaria afundada em uma trincheira, lutando para defender meu país por motivos que eu desconhecia.
Jamais seria capaz de entender o porquê das guerras.
Não conseguiria, por mais que me esforçasse, compreender os motivos que levavam homens a destruírem suas vidas em um campo de batalha.
Acompanhei desde o início o conflito entre a Alemanha e os outros países.
Não que eu, uma simples camponesa, tivesse acesso a qualquer tipo de informação.
Sabia apenas, de ouvir falar, que o país no qual eu fui obrigada a viver estava bem nos conflitos e já cantava a tão sonhada vitória.
Mas de repente, os Estados Unidos entraram na guerra e tudo pareceu perdido.
Cheguei a odiar mortalmente os americanos.
Foram eles que destruíram o pouco que eu ainda tinha.
Alimentei uma raiva imensa por eles.
Até agora.
Até o momento em que um americano tornara-se meu anjo da guarda e me salvara das mãos de um maníaco.
Depois disso, eu não conseguia manter esse ódio.
Esse ressentimento.
Seria ingratidão de minha parte e a vida me ensinara a agradecer às raríssimas pessoas que lhe ofereciam auxilio.
Levantei-me lentamente da cama, sentindo meu corpo ainda fraco e dolorido e fiz uma careta para as dores.
Depois de tanto tempo passando fome, sede e dormindo ao relento, era natural que meu corpo demorasse bastante tempo para se recuperar.
Estava toda arranhada, cheia de hematomas e feridas e apenas a camisa e a combinação não eram capazes de cobrir todas as marcas.
Não poderia me vestir assim para sempre, mas não sabia onde encontrar outras roupas, já que o pouco que eu tinha fora destruído pelo fogo.
Suspirei pesadamente e balancei a cabeça de leve, para afugentar as lembranças.
Lamentar-me pelos dramas da vida não me faria resolvê-los.
Fui até o jarro de água, localizado próximo ao fogão e lavei meu rosto, tentando apagar os resquícios de sono.
Vi um creme dental encostado na bacia e resolvi que não faria mal algum o capitão dividi-lo comigo.
Já fazia muito tempo que eu não tinha acesso a esse tipo de regalias e gostava bastante de cuidar de mim.
Não que eu fosse uma mulher vaidosa.
A vaidade perde muito o sentido quando precisa competir com a fome e com a necessidade de um teto.
Escovei os dentes com o dedo e tentei organizar meu cabelo da melhor forma possível, já que contava apenas com a ajuda das mãos e eles estavam bastante ressecados.
Endireitei meu corpo e olhei ao redor, sendo atraída pela grande panela pousada sobre o fogão.
O cheiro que vinha dela fazia meu estômago se agitar.
Eu ainda estava com muita fome.
O capitão me dera comida ontem e imagino que não teria problema comê-la hoje também.
Servi-me de um prato de sopa e alguns pedaços de pão e após terminar a refeição lavei todos os utensílios sujos que estavam esquecidos na pia pequena.
Organizei o pequeno alojamento como foi possível e me sentei em uma cadeira próxima à janela para observar o dia através do vidro encardido.
A Alemanha era um país muito bonito.
Antes da guerra, é claro.
A força dos canhões e das armas destruíra muito da beleza do lugar.
Eu nunca o vira como meu verdadeiro lar, mas isso não diminuía seu encanto.
Os campos sempre muito verdes, os pomares repletos de frutas, as construções elegantes e imponentes...
Era, definitivamente, um belo país.
Mas eu nunca quisera morar aqui.
Tentei de todas as formas permanecer na Inglaterra.
Mas minha vontade nunca fora levada em conta.
Jamais me consideraram como alguém importante.
Eu era a filha bastarda, afinal.
Alguém que viera de um pecado e não merecia o menor respeito.
Senti lágrimas queimando meus olhos e engoli bravamente o choro preso na garganta.
Eu não choraria por eles.
Nunca mais.
Respirei fundo e andei em direção à cama outra vez.
Meu corpo ainda estava muito cansado e depois da refeição não conseguiria ficar por muito tempo acordada.
Ao passar pelo canto mais afastado da cabana, um artefato chamou minha atenção.
Notei que sobre a mesa, repleta de papéis e mapas havia um porta-retratos.
Peguei o objeto nas mãos e me concentrei no rosto das pessoas da foto.
Um homem muito elegante estava no centro da imagem e ao seu lado uma mulher delicada, com o rosto no formato de um coração sorria para a foto. Ao lado esquerdo do casal, havia uma moça sorridente e de feições suaves que parecia extremamente simpática e agradável. Senti paz ao contemplar sua imagem. Do lado direito, um rapaz grandalhão, segurando pela cintura uma bela moça, aparentemente loira, piscava de forma engraçada. Ele deveria ser uma pessoa extremamente alegre. Pelo menos era o que sua imagem passava. E no centro da foto, logo abaixo do casal central estava ele.
Capitão Cullen.
Tinha certeza que aquelas pessoas compunham sua família, mas mesmo ao lado delas, Edward mostrava uma expressão triste.
Sofrida.
E isso me angustiou.
Alguém, com tamanha bondade, merecia ser imensamente feliz.
Eu nunca tivera uma família.
Nunca, em minha vida, alguém foi feliz pelo fato de eu existir.
E isso já fora o motivo de muita tristeza.
Alguém que possuía o bem precioso de ter e ser amado por uma família deveria ser feliz.
Muito feliz.
Coloquei novamente o objeto sobre a mesa e fui em direção a cama, onde me deitei lentamente sob os lençóis e fechei os olhos.
Dormir era melhor que lembrar.
Qualquer coisa seria melhor que se lembrar de uma vida tão miserável quanto a minha.
*****
Pov. Edward
Entrei apressadamente no posto médico, após realizar meus afazeres do dia e fui em direção à sala da diretoria.
Ignorei os gemidos e protesto de dor dos soldados feridos e tentei a todo custo não olhar para os lados.
Era muito doloroso contemplar tanto sofrimento.
Sofrimento que eu ajudara a causar.
_ Capitão Cullen, a que devo a honra de sua visita?_ A enfermeira chefe disse sorridente quando me viu.
Sempre seria um mistério para mim o fato dela sorrir em meio a tantos feridos.
_ Olá, senhora Forbes. Gostaria de pedir-lhe algo._ Falei sem rodeios e ela sorriu mais ainda.
_ É só dizer. Se eu puder atendê-lo, certamente o ajudarei._ Respondeu solicita.
_ Gostaria que a senhora me arrumasse roupas e acessórios femininos. Tudo o que for necessário para a vestimenta e para os cuidados com a higiene feminina.
Ela me encarou por um momento, surpresa pelo meu pedido estranho.
E eu a entendia.
Não eram todos os dias que um capitão aparecia lhe pedindo roupas e acessórios para mulheres.
_ Bom... _ Ela falou depois de alguns segundos._ Eu não disponho de muitos artigos femininos, mas posso oferecer-lhe o pouco que tenho. Como tratamos apenas de homens feridos não recebemos muitos recursos destinados a mulheres._ Ela explicou, dirigindo-se a uma sala, onde certamente encontrava-se o depósito e eu a segui.
Quanto mais cedo alcançasse meu objetivo naquele lugar, mais cedo eu sairia daquele circo de horrores que eu tanto odiava.
A sala era espaçosa e contava com uma infinidade de prateleiras, repletas de roupas de cama, vestimentas e medicamentos.
_ Tenho certeza de que para quem não possui nada, o pouco que tem a oferecer será o suficiente._ Disse seriamente, respondendo ao seu comentário anterior, e ela parou de mexer nas prateleiras e me encarou ternamente.
_ Quem será essa mulher sortuda merecedora de seus cuidados, capitão?_ Perguntou sorridente e eu apenas sorri de volta.
Ela virou-se e continuou a mexer nas prateleiras, sem esperar pela minha resposta.
Não queria dividir minha menina com ninguém.
Bella deveria ser poupada de todas as maneiras possíveis.
Quanto menos pessoas soubessem de sua existência, melhor.
Seria mais fácil mantê-la protegida.
_ Tenho algumas roupas, mas não estão de acordo com a última moda._ Ela riu da própria piada e fez uma careta para as peças que tinha nas mãos._ Mas está tudo aqui: vestidos, anáguas, combinações, calções, meias e sapatos.
Eu assenti silenciosamente, enquanto ela colocava uma boa quantidade de roupas em um saco de papel. A senhora Forbes pegou também dois pequenos casacos e os colocou no saco.
Fiquei bastante satisfeito com a quantidade de roupas que a boa enfermeira disponibilizou.
Bella poderia vestir-se decentemente a partir de agora.
A base dos Estados Unidos enviava roupas e acessórios diversos para os campos de batalha.
Muitas mulheres trabalhavam nas bases hospitalares, cuidando dos homens feridos. Dessa forma, apesar de se precisar muito mais de artigos masculinos, existiam acessórios femininos para eventuais emergências e para atender a ala da enfermagem.
Eu vistoriava todas as mercadorias que chegavam ao campo inimigo.
Era necessário, para manter o perigo distante.
E por isso, sabia onde recorrer para ajudar Bella a vestir-se.
No momento, só a enfermaria poderia me ajudar.
_ Precisa de outras coisas, além de roupas?_ Ela perguntou, me entregando o saco.
_ Artigos de higiene. Sei lá... Coisas para o cabelo, pele e dentes... Parafernálias de mulher._ Expliquei sem saber como me referir aos itens da beleza feminina.
Ela sorriu e dirigiu-se para o fundo da sala.
Fiquei parado no mesmo lugar esperando até que a boa senhora voltasse com os itens necessários para cuidar da beleza infinita de Bella.
_ Tem preferência por algum cheiro, capitão?_ Ouvi a voz da enfermeira abafada e me aproximei para ver o que ela fazia.
A pequena senhora estava ajoelhada sobre uma caixa de ferro escondida debaixo da última prateleira.
_ Contrabandos, senhora Forbes?_ Perguntei sorrindo e ela gargalhou, abraçando a caixa.
_ Pois é, Capitão. Nós, mulheres, precisamos de muitos itens de beleza. Seriamos punidas se algum capitão descobrisse essa caixa escondida aqui, mas como o senhor solicitou alguns itens e no momento precisa dela tanto quanto eu, penso que não terei problemas devido ao meu pequeno segredo.
Ela piscou em minha direção e eu alarguei o sorriso.
_ Será nosso segredo, a partir de agora.
Eu já sabia da existência dessa caixa.
Ela respirou fundo, teatralmente, e continuou a vasculhar a caixa.
Mas deixei passar, pois em meio a tantas dores era decentemente humano permitir que as enfermeiras, que tratavam meus soldados com tanto carinho, tivessem o mínimo de mimos.
_ E então... Qual cheiro prefere?_ Ela perguntou novamente e eu pensei no cheiro suave de morangos que senti nos cabelos de Bella na noite em que a salvei de James.
Apesar da sujeira em que ela estava, por certamente ficar durante muito tempo sob o relento, foi possível detectar àquela fragrância que eu jamais seria capaz de esquecer.
_ Morangos._ Falei sério e ela logo me entregou alguns frascos.
_ Bom... Eu tenho xampus, creme para a pele e rosto e creme dental. Desses, apenas o creme dental não é de morango. O sabonete está escasso e, portanto, posso oferecer-lhe apenas um. Terá que pedir para que ela economize.
_ Sem problemas, senhora Forbes. Ela ficará muito contente com tudo que tem para oferecer-lhe. Tenho certeza. E saberá usar com sabedoria.
Ela sorriu com doçura, fechou a caixa, escondendo-a novamente e foi em direção a porta da saída, me obrigando a segui-la.
Depois que trancou o depósito, ela me acompanhou até a saída do posto e mais uma vez eu evitei olhar para os lados.
_ Bom... Eu espero que a moça que usará essas roupas mereça todo seu esforço, capitão. E que você não se meta em problemas por manter uma alemã com você. Mesmo que seja para protegê-la._ Ela falou suavemente e eu suspirei.
_ Como sabe que eu a estou protegendo?
_ O senhor não tem cara de homem que mantém alguém em cativeiro para aproveita-se, capitão. Se existe uma moça vivendo com o senhor é porque a está protegendo de algo. Tenho certeza disso. Mas saiba que pode ter problemas com isso. Seus homens e seu exército seriam seriamente prejudicados se houvesse uma denúncia de cárcere privado contra qualquer cidadão alemão._ Falou sabiamente e eu apenas assenti.
Danna Forbes era uma mãe para todos os combatentes do exército americano.
Era uma das melhores enfermeiras da base hospitalar e estava sempre pronta para oferecer uma palavra de consolo. Foi por isso que resolvi procurá-la. Sabia que ela me ajudaria e não ficaria me rondando para saber quem era a mulher que eu ajudava.
_ Está tudo bem, Sra. Forbes. Ela não é alemã. E de qualquer forma, eu enfrentaria qualquer problema para protegê-la.
A doce senhora me olhou por um longo momento e depois abriu um largo sorriso.
_“Sie sparen sie jetzt und sparen Sie für immer”…_ Ela falou em alemão e apertou meu braço de leve, dirigindo-se novamente para a base, enquanto eu ouvia uma enfermeira chamá-la.
Eu não entendia nada de alemão e não saberia dizer os significados daquelas palavras proferidas tão suavemente.
Mas eu sabia que existia uma grande verdade nelas.
Eu podia sentir isso.
_ O que essa frase significa, Sra. Forbes?_ Perguntei em voz alta e ela virou-se para me encarar, detendo sua entrada.
_ Um dia, muito em breve você irá entendê-la, capitão. Eu garanto._ Respondeu sorridente e entrou no posto.
Eu fiquei parado no meio da rua, olhando para o nada e pensando em suas palavras.
Um dia eu entenderia...
Dei de ombros e segui o caminho que me levaria de volta para o alojamento.
De volta para Bella.
O dia, de repente, ficou mais bonito apenas com o pensamento de vê-la, novamente.
*****
Depositei suavemente as coisas que trouxera para Bella em cima da mesa e a observei dormindo.
Ela parecia tão tranqüila deitada sobre os lençóis, que em nada lembrava àquela menina assustada que eu abriguei no alojamento há muitas horas.
Desviei meu olhar de sua doce figura e fui até o pequeno fogão à lenha, despejando o leite conseguido no vilarejo em um caldeirão e o colocando para ferver.
Imaginava há quanto tempo Bella não tomava leite.
Há quanto ela não desfrutava de conforto algum, e isso me incomodava grandemente.
Minha vida foi sempre tão abastada que eu não conseguia me imaginar passando necessidades.
É claro, que em tempos de guerra, tudo era muito escasso, mas nós, capitães, não chegávamos a passar penúrias.
Conseguíamos tudo que precisávamos apenas dando ordens.
Eu, geralmente, evitava esse tipo de prática ditadora, mas nas atuais circunstâncias não via problema em dar ordens para oferecer cuidados a uma pequena menina ferida.
Sentia-me bem cuidando dela.
Como há muito tempo eu não me sentia.
_ Você voltou..._ Ouvi um sussurro rouco e me virei para olhá-la.
Bella estava parcialmente sentada na cama e me encarava com os olhos inchados, enquanto tentava, com uma das mãos, ajeitar os cabelos revoltos.
_ Voltei. E trouxe presentes._ Falei animado e ela arregalou os olhos, encarando os sacos pousados sobre a mesa.
_ Presentes?_ Ela perguntou surpresa e se levantou lentamente da cama, vindo em minha direção e a visão dela, vestida em apenas uma de minhas camisas me fez estremecer.
De desejo.
Fechei os olhos por um momento e respirei fundo, tentando afugentar esses pensamentos pecaminosos de minha mente.
Ela era apenas uma menina.
A menina que eu me dispus a ajudar e que não deveria, de forma alguma, de aproveitar.
Por mais que a visão dela nesse momento fosse tentadora.
Eu deveria ser forte.
_ Sim... Trouxe roupas, sapatos e alguns produtos para que possa se cuidar. Coisas de mulheres._ Dei de ombros e lhe passei o saco.
Ela o abriu e tirou dele alguns itens.
Ficou algum tempo imóvel, segurando um vestido nas mãos e depois me encarou com os olhos marejados.
_ Roupas? Meu deus! Muito obrigada!_ Ela sussurrou e me abraçou timidamente.
Eu não estava acostumado com demonstrações de afeto, principalmente vindo de mulheres.
Mantinha-me longe desse tipo de carinho desde que Elizabeth morrera, mas ter Bella entre meus braços era uma das melhores sensações que já experimentei.
Segurei-a com cuidado, pois sabia que ela ainda estava com o corpo bastante machucado e ficamos algum tempo assim: juntos.
Depois de alguns minutos, ela se afastou e continuou a olhar no saco.
Quando ela descobriu os cremes e o sabonete seus olhos brilharam.
_ O que é isso?_ Perguntou baixinho, me mostrando o vidro de xampu.
Estranhei o fato dela não saber do que se tratava.
Bastava apenas que lesse.
_ É xampu para os cabelos. Tem alguns cremes que deixaram sua pele mais macia e ajudarão na cura dos ferimentos. Estão todos aí. Tem creme dental e sabonete. Tudo o que precisa para ficar ainda mais bonita.
Ela ficou rubra com meu elogio e desviou o olhar para os pés.
Ouvi um suspiro trêmulo e percebi que ela chorava.
_ Bella? Tudo bem?_ Perguntei preocupado, tocando-a no rosto.
_ Sim... É que eu nunca usei essas coisas. Ninguém nunca me deu nada, e..._ Ela murmurava e eu senti meu coração se apertar.
_ Não precisa chorar. Eu trouxe essas coisas para deixá-la feliz. Vou preparar-lhe um banho e quero que use tudo o que eu lhe dei. Não se preocupe. Eu a ajudarei caso não saiba como usá-los.
Ela sorriu timidamente e assentiu.
_ Todos os nomes estão nos vidros. Basta que leia._ Falei simplesmente e ela desviou o olhar, envergonhada, fazendo com que uma desconfiança tomasse minha mente.
_ Bella..._ Chamei suavemente e ela me encarou outra vez._ Você sabe ler?
Ela engoliu em seco e respirou fundo.
_ Não._ Murmurou baixinho e eu fechei os olhos, sentindo uma tristeza mórbida tomar meu corpo.
Bella fazia parte da população feminina que sofria com o machismo.
Segundo algumas pessoas, mulheres não deveriam estudar.
Gostaria de dar um murro na boca do imbecil que afirmou isso um dia, infringindo sofrimentos a criaturas tão doces quanto ela.
Toquei seu braço em um gesto solidário e me afastei em silêncio, não fazendo nenhum comentário sobre o fato.
Não queria constrangê-la.
Enquanto ela olhava todas as roupas trazidas por mim, eu enchi a tina com água quente e coloquei uma toalha para ela sobre o biombo.
Tirei o leite do fogo e a encarei.
_ Pode ir. Esse é o xampu. Use-o nos cabelos. Esse aqui é o sabonete. E esse é o creme que deve usar na pele. _ Falei mostrando todos os itens e ela parecia muito interessada._ Esperarei lá fora. Quando terminar, use as roupas que eu trouxe. Escolha o que quiser.
Ela concordou com um aceno de cabeça e eu me afastei.
Fui para fora e me sentei na varanda encardida.
Bella não sabia ler.
Ela não sabia usar produtos de beleza.
Como isso era possível?
Não imaginava minha mãe, irmã ou cunhada sem esses vidros cheios de coisas cheirosas.
Pensei que fizesse parte da essência da mulher.
Mas Bella era pobre.
Algo me dizia que ela já havia sofrido muito na vida e nunca teve acesso a essas coisas.
Tentaria, pelos menos no tempo em que estivesse ao seu lado, tornar-lhe a vida mais fácil.
Ainda que estivéssemos em meio a uma guerra e ela fosse, aos olhos de todos, minha inimiga.
Poderia até mesmo ensiná-la a ler e a escrever.
Tenho certeza que ela ficaria muito feliz em aprender.
Ela parecia esperta e ensiná-la não seria difícil.
Era eu quem ajudava Alice em suas lições, mesmo ela sendo mais velha.
Teria o maior prazer em ensinar Bella também.
Escutei a porta ranger e olhei para trás.
Lá estava ela.
Com os cabelos úmidos do banho, pele corada, olhos brilhantes e vestida com um vestido azul que a deixou ainda mais bonita, se é que isso era possível. O cheiro suave de morango a envolvia e eu aspirei aquela fragrância como se pudesse encontrar mais vida nela.
_ Terminei._ Ela falou com a voz suave e eu sorri.
_ Estou vendo. O vestido ficou perfeito em você._ Olhei-a de cima em baixo e franzi o cenho ao vê-la descalça.
_ Eu trouxe sapatos._ Esclareci, para o caso dela não tê-los visto no saco.
_ Eu vi. Mas não estou acostumada a usá-los._ Falou timidamente, corando em seguida e eu a encarei surpreso.
Como assim não estava acostumada a usar sapatos?
Todos usam sapatos.
Não tem como vagar pelas ruas, descalço.
Balancei a cabeça e me levantei.
Era melhor não pensar nos motivos que fizeram com que essa doce menina não usasse sapatos e nem produtos de beleza.
Não quando eu não poderia castigar o culpado por fazê-la sofrer.
_ Vamos entrar, Bella. Trouxe leite e quero que beba._ Expliquei e ela arregalou os olhos em minha direção.
_ Leite?_ Falou maravilhada.
Eu suspirei diante de sua surpresa e assenti.
Acho que leite também não fazia parte de sua dieta diária.
_ Sim... Leite. Vamos.
Viramo-nos juntos para a porta, mas não chegamos a entrar.
Uma voz grave nos deteve.
_ Boa tarde, Capitão Cullen._ Jasper falou e eu e Bella nos viramos em sua direção.
Ela escondeu-se trêmula atrás do meu corpo e eu senti o instinto protetor que eu desenvolvera em relação a ela me envolver.
Senti muita raiva ao vê-lo.
Não queria que Jasper pousasse os olhos sobre minha menina.
Não depois de tudo que me dissera na madrugada.
Mas ele não faria mal a ela.
De jeito nenhum.
E nem a tiraria de mim.
Jamais.
A protegeria com minha vida se fosse preciso.


E então?
Estão gostando da história?
Espero que sim, pois eu estou adorando escrevê-la.
Mas preciso que comentem muito por aqui...
Quero motivação...
E vamos combinar: Edward é fofo.
Merece muitos comentários.
;)
Beijos e até o próximo!

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