THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 05

Espero que gostem...
Boa leitura!

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama
Capítulo 5
Pov. Bella.
Sorri largamente ao olhar para todos os produtos e roupas que Edward trouxera para mim.
Nunca em minha vida eu havia usado qualquer tipo de creme, xampu ou perfume.
Nem mesmo roupas novas ou sapatos.
Essas regalias não eram privilégios de bastardos.
Pelo menos não em minha família.
Minha vida resumira-se em ficar com os restos usados pelas filhas de Renée e esses restos, não incluíam, de forma alguma, cremes e quaisquer outros produtos para a beleza.
Mas, em meio a uma maldita guerra, eu encontrara um capitão americano excêntrico disposto a me salvar de tantas maneiras, tornando minha vida, até então miserável, um pouco melhor.
Edward era perfeito.
Ele não tinha a menor obrigação em cuidar de mim, mas o fazia com maestria, parecendo comprazer-se do fato.
E eu lhe seria eternamente grata.
Não saberia se um dia seria capaz de retribuir-lhe tanta bondade, mas não hesitaria em tentar.
Ele merecia o melhor de mim.
Fiquei bastante envergonhada em lhe confessar que eu não sabia ler e escrever.
Mas o que ele esperava?
Eu vinha de uma família de classe média que não possuía recursos para estudar todos os filhos.
E segundo meu pai, mulheres não precisavam estudar.
Bastava que arrumassem maridos.
As outras filhas dele estudaram. Renée contratou professores particulares que lhes davam aula de leitura e escrita, literatura, cálculos domésticos e música.
Mas eu não podia aprender.
Eu era a bastarda, e jamais deveria esquecer o meu devido lugar. Não poderia, em hipótese alguma, esquecer que eu vivia de favor com uma família que não me amava e que jamais me aceitara de fato.
Ter o que comer, ainda que pouco, e onde dormir, já eram graças que deveriam ser diariamente agradecidas.
Suspirei pesadamente e me dirigi decidida para trás do biombo.
Não adiantava ficar remoendo meu passado.
Aqueles que me desprezaram a vida toda não estavam mais ao meu lado e eu tinha certeza que jamais voltariam.
Isso era um alívio, em certas partes.
Pelo menos sozinha, eu não seria maltratada.
Tirei a camisa que eu vestia e mergulhei lentamente na água quente.
Lavei meus cabelos com o xampu e passei várias vezes o sabonete pelo meu corpo.
A única vez que tivera acesso a um luxo assim foi quando minha “família” fora embora e eu encontrei um vidro quase vazio contendo um creme pastoso, e o passei no rosto.
Mas, jamais, tivera algo meu. Nunca sentira um cheiro tão forte e bom em mim mesma.
Eu me imaginava mais feminina depois desse banho e me sentia feliz com isso.
Queria me sentir assim para Edward.
É claro, que o motivo de querer ficar bonita e feminina para ele ainda era desconhecido por mim.
Eu odiava homens.
Eles eram criaturas más e cruéis.
Mas, eu devia muito a Edward.
Devia-lhe minha vida e uma nova perspectiva.
Sorri com o pensamento e me enrolei na toalha que estava pendurada sobre o biombo.
Ele era tão atencioso.
Esquentara a água e deixara tudo o que eu precisaria para o banho ao meu alcance, facilitando ainda mais a simples tarefa de banhar-me.
Fui até o saco e escolhi um vestido azul, simples, porém mais bonito do que qualquer um que eu já tenha usado.
Vesti toda a roupa de baixo que também estava no saco, mas antes, passei o creme corporal que Edward me dera sentindo seu cheiro suave de morangos e me sentindo feliz a cada minuto.
Ignorei os sapatos de propósito, pois odiava qualquer coisa que apertasse meus pés.
Eu nunca tivera sapatos, ao não ser quando era criança.
Minha mãe sempre se esforçou para me dar o mínimo necessário para minha sobrevivência e isso incluía sapatos e chinelos de couro curtido.
Mas, depois de sua morte, nem o mínimo eu tivera e não me restara alternativa ao não ser aceitar os fatos e me acostumar com minha nova realidade.
Terminei de me arrumar, guardei todos os meus novos pertences de volta no saco, pendurei a toalha molhada sobre o biombo e me apressei em ir ao seu encontro.
Queria que ele me visse logo vestida com seus presentes e sorrisse para mim.
Pelo pouco tempo que convivíamos, era notável para mim, que ele sorria muito pouco, o que era uma pena, já que possuía um sorriso adorável.
Eu desejava que pelo menos uma vez na vida, alguém me admirasse e visse que, mesmo sendo uma bastarda, eu era uma pessoa com sentimentos. Alguém além de uma casca exterior, que todos viam, mas não enxergavam de fato.
Suspirei e, me dirigi para a varanda.
Abri a porta lentamente e o encontrei sentado nos degraus sujos.
Ele virou-se para me olhar assim que ouviu o barulho da porta e notei que seus olhos brilharam, me deixando ainda mais contente.
Eu não tinha ilusões de que Edward poderia nutrir sentimentos por mim, mas sabia, que depois de todos os cuidados que tivera comigo, que ele pelo menos se importava um pouquinho com meu bem estar.
E isso já me deixava imensamente feliz.
_ Terminei._ Falei baixinho e ele sorriu.
_ Estou vendo. O vestido ficou perfeito em você._ Falou, me olhando de cima abaixo, fazendo com que meu rosto esquentasse de vergonha.
Acho que jamais me acostumaria com olhares masculinos.
Principalmente com aquele olhar.
Notei que ele franziu o cenho a me ver descalça e fiquei um pouco sem graça.
_ Eu trouxe sapatos._ Ele falou, pensando que talvez eu não os tivesse notado e eu assenti.
_ Eu vi. Mas não estou acostumada a usá-los._ Falei timidamente, corando mais uma vez e ele me encarou mais uma vez, surpreso.
Edward ficou me olhando por alguns minutos e eu não disse nada.
Certamente, ele pensava de onde tinha vindo essa criatura que não sabia ler e nem usava sapatos.
E constatar isso me deixou triste.
Eu queria agradá-lo, mas jamais conseguiria fazê-lo.
Pertencíamos a mundos distintos e nada, jamais, mudaria esse fato.
Ele era apenas um capitão que me salvara das mãos de monstros, mas sempre seria apenas isso.
E era bom que eu me conformasse.
Não podia me dar ao luxo de viver de ilusões.
Os sonhos, por mais bonitos e nobres que fossem, às vezes, atrapalhavam a vida real de uma forma irreversível.
Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, como se quisesse desanuviar a mente de pensamentos ruins e se levantou, vindo em minha direção.
_ Vamos entrar, Bella. Trouxe leite e quero que beba._ Ele falou, segurando meu braço delicadamente e eu não pude deixar de arregalar os olhos surpresa.
_ Leite?_ Falei maravilhada.
Eu não sabia precisar qual fora a última vez que tomara leite.
Essas regalias também não faziam parte do mundo que eu vivia e da posição que eu ocupava em minha família.
Ouvi Edward suspirando pesadamente e o encarei curiosa, vendo-o balançar a cabeça afirmativamente, certamente respondendo à minha pergunta surpresa sobre o leite.
Definitivamente, ele deveria me achar à criatura mais bizarra da face da terra.
_ Sim... Leite. Vamos._ Ele falou e nos viramos para a porta.
Confesso que estava ansiosa para provar o sabor delicioso do leite, que eu já nem me lembrava como era.
Mas antes que pudéssemos entrar na casa, que no momento era meu lar, uma voz grave nos deteve.
_ Boa tarde, Capitão Cullen._ Edward e eu nos viramos assustados em direção a voz e minha primeira reação foi esconder-me atrás do seu corpo.
Eu estava trêmula de medo, pois não sabia quem era esse homem, apesar de já tê-lo visto em algum lugar.
Ele poderia, talvez, obrigar Edward a me abandonar e outra vez, eu estaria sozinha em meio a uma guerra e a mercê de soldados nojentos e cruéis.
Edward enlaçou meu corpo com os braços e me empurrou suavemente para trás.
Ele queria que eu entrasse e eu não ousaria desobedecê-lo.
_ Preciso conversar com você, Edward. Um assunto bastante sério._ O desconhecido falou depois de alguns minutos e senti o corpo de Edward retesando-se.
_ Claro, eu..._ Ele virou-se para mim e acariciou meu rosto suavemente. Eu fechei os olhos, tentando inutilmente conter os tremores de medo que tomavam conta de mim. Edward me escondia do homem com seu corpo e eu fiquei bastante grata por não precisar olhá-lo._ Vá para dentro. O leite esta sobre o fogão. Logo eu entro._ Ele falou baixinho e eu não precisei de outro incentivo.
Abri a porta apressadamente, me escondendo, mais uma vez, entre as paredes do meu único refúgio.
Era estranho pensar em um alojamento no meio da guerra como meu refúgio, mas era isso que ele era.
Eu me sentia segura ali.
Ao lado de Edward.
Passei as mãos pelos cabelos e respirei fundo.
Tinha a impressão de que esse homem traria problemas a Edward e eu não queria que isso acontecesse.
Olhei para o fogão e contive a vontade de ir até lá para beber o leite que Edward me oferecera.
Deixaria minhas vontades para mais tarde.
Eu precisava primeiro saber o que estava acontecendo lá fora e por esse motivo, encostei meu ouvido na porta.
Isso não era muito educado, mas eu não me importava.
Se Edward precisasse de minha ajuda, eu estaria a sua disposição.
Quem sabe assim, eu conseguiria sanar, um pouco, a imensa dívida de gratidão que eu tinha com ele.
*****
Pov. Edward
Respirei fundo depois que Bella entrou e encarei Jasper seriamente.
Minha grande vontade era esconder Bella e não permitir que Jasper colocasse os olhos sobre ela.
Não que ele fosse fazer-lhe mal.
Até porque eu não permitiria.
No fundo, eu sabia que ele só queria proteger seu posto e o meu nome como capitão do exército americano.
De qualquer forma, saber que ele tinha o poder de tirá-la de mim, me fazia querer escondê-la a qualquer custo.
O cheiro de morangos que vinha dela ainda estava no ar.
E eu queria poder evitar que Jasper ou qualquer outro homem o sentisse.
Isso poderia até parecer doentio de minha parte, mas por algum motivo, nesse pouco tempo de convivência, eu desenvolvera um sentimento de posse em relação a ela e não queria que outros homens a vissem ou sentissem seu cheiro doce.
_ Preciso conversar com você, Edward. Um assunto bastante sério._ Ele falou, assim que me viu aproximar-se e eu apenas assenti.
Estava ali a trabalho e não poderia fugir das minhas obrigações.
_ Até quando vai continuar brincando de casinha, em plena grande guerra?_ Ele perguntou com ironia e eu fiz de tudo para não respondê-lo de forma atravessada.
_ Até quando for preciso para mantê-la segura._ Falei simplesmente e ele limitou-se a sorrir com sarcasmo.
_ Bom... Não precisará protegê-la por muito tempo mais. Acabo de receber um telegrama vindo de Londres, informando que a Áustria retirou-se da guerra. O exército alemão não possui mais aliados e nossos soldados já ocuparam quase todo o território inimigo. Existem boatos de que o Imperador Guilherme irá abdicar, pois está sendo pressionado pela população. Sendo assim, a Entente vence a guerra e ela se finda aqui._ Jasper explicou e eu o olhei atordoado diante de tantas informações.
Fim?
Vitória da Entente?
Isso significava que eu poderia ir para casa em breve e esquecer o pesadelo de ter estado na guerra... Mas, e ela?
Eu não poderia deixá-la desamparada.
_ Edward?_ Jasper chamou meu nome, certamente preocupado com meu silêncio e eu pisquei algumas vezes, tentando afastar os pensamentos perturbadores.
_ Isso é... Inesperado. Calculava que essas batalhas se estenderiam por bastante tempo._ Falei e ele assentiu compreensivo.
_ Todos pensamos exatamente isso. Mas a saída da Áustria muda tudo. Esse fato enfraqueceu ainda mais o exército alemão e garante a vitória da Entente. Eles tentaram exilar a França, mas o exército americano concentrado naquela região conseguiu impedir e diminuiu drasticamente o número de soldados e armas germânicas.
Eu suspirei e passei as mãos pelos cabelos.
Não sabia como agir, agora.
Anos e anos de treinamento esquecidos e esmagados pela estranha necessidade de proteger uma menina, praticamente desconhecida.
_ Porém, Edward, nem tudo são flores. Precisamos evacuar nosso exército, pois uma praga poderosa está devastando a Europa e pode ser que venha matar mais que a própria guerra._ Ele continuou temeroso e eu o encarei preocupado.
_ Praga?
_ Sim. Uma gripe. Não se sabe a procedência, mas o fato é que se trata de uma doença perigosa. Nossos comandantes não querem comprometer a saúde da exército e nem permitir que a doença vá da Europa para a América através de nós.
Eu respirei fundo e tentei pensar rapidamente em uma estratégia para não permitir que a tal praga afetasse nossos homens.
A guerra por si só já era uma desgraça na vida dos soldados para que estes fossem infectados por uma gripe mortal.
_ Ótimo. Evacuarei as áreas do campo norte e oeste e enviarei os exércitos que estão há mais tempo em guerra para os Estados Unidos. Preciso apenas de uma autorização para o uso dos transportes marítimos e a garantia de que não serão afundados no caminho.
_ Perfeito. Os soldados do sul e oeste serão mantidos para o caso de qualquer reviravolta. Você pode acompanhar os homens. Eles precisam de um capitão acompanhando-os e eu ficarei para garantir que tudo permaneça em ordem.
Respirei fundo e passei as mãos pelos cabelos, agitado.
Ir embora?
Deus!
Eu queria ir. Muito. Mas não podia deixá-la.
A necessidade de protegê-la era mais forte do que eu e do que minha vontade de deixar a guerra.
_ Jasper, já era para você ter isso para casa. Faça isso. Vá. Eu fico e cuido de tudo._ Falei desesperado, tentando manter a sanidade, não deixando transparecer minha necessidade de ficar perto de Bella por mais tempo.
Jasper me olhou atentamente e depois suspirou, meneando a cabeça.
_ Você não pode protegê-la para sempre, Edward. Ela não pertence a você. Essa moça é uma desconhecida que não pode e não deve interferir em suas prioridades. O melhor que tem a fazer é deixá-la seguir seu caminho e se concentrar no seu trabalho como capitão.
Eu o encarei irritado.
_ Não posso simplesmente abandoná-la. Aparentemente ela está sozinha no mundo e não terá futuro em um país que acaba de sair de uma guerra. Quero ajudá-la antes de seguir em frente._ Expliquei alterado e ele voltou a suspirar.
_ Não poderá ajudá-la. Aqui você é o inimigo. O melhor que tem a fazer e deixá-la seguir seu próprio caminho. De qualquer forma, você a salvou. Agora, chega. Seja racional, Edward. Pelo amor de Deus!_ Jasper respondeu furioso e eu praguejei, me apegando em toda minha força de vontade para não mandá-lo para o inferno.
Eu não sabia explicar de onde vinha essa necessidade de protegê-la, mas eu simplesmente não conseguia lutar contra ela.
Desde que a tirara das mãos sujas de James, eu não conseguia imaginá-la sozinha, sem minha proteção.
Bella era muito frágil e eu sabia, ou pelo menos imaginava, o quanto ela já havia sofrido.
De certa forma, a chegada da guerra piorara ainda mais esse sofrimento e eu, ainda que de forma indireta, contribui para isso.
Foram meus homens que tentaram molestá-la. Foram americanos que a feriram e, portanto, era meu dever protegê-la.
_ Quando tiver certeza de que ela ficará bem, eu a deixarei ir. Antes disso, nunca._ Falei decidido e Jasper apenas sacudiu a cabeça, sabendo que não seria capaz de me dissuadir das minhas convicções.
_ Você é quem sabe. Estou com muitas saudades de Alice e quero muito vê-la. Não irei recusar a oportunidade de ir para casa. Os conflitos podem cessar, como é o mais provável, mas podem se estender por tempo indeterminado e caso isso aconteça, ficará confinado aqui por um bom tempo ainda.
_ Eu assumo as consequências, Jasper. Fui treinado para guerra e sei que reviravoltas são normais. Você irá com as tropas e eu fico para esperar o fim do conflito. Mesmo que demore, estarei aqui até o fim._ Respondi com firmeza e ele suspirou, dando-se por vencido.
_ Espero que seu sacrifício valha à pena._ Ele respondeu e virou-se, seguindo em direção ao campo de batalha.
Eu tinha certeza que valeria.
Bella era especial e por mais estranho que parecesse, ao seu lado, eu me sentia bem como há muito tempo não acontecia.
Respirei fundo e caminhei lentamente para o interior do alojamento.
Encontrei-a sentada sobre a cama, com a cabeça baixa e com os cabelos escondendo-lhe o rosto.
_ Bella?_ Chamei suavemente, aproximando-se e ela levantou os olhos em minha direção, que para minha surpresa estavam vermelhos devido a lágrimas recentes._ Ei... O que foi?_ Perguntei, secando-lhe uma nova lágrima que descia por seu rosto e ela balançou a cabeça.
Ela me parecia ainda mais frágil nesse momento e minha grande vontade era tomar-lhe no colo e não soltá-la nunca mais.
_ Ninguém nunca cuidou de mim como você faz. Eu nunca fui importante para ninguém. Mas... Não quero ser um estorvo. Vá para casa. Eu me viro. Você já me ajudou bastante._ Ela sussurrou com a voz chorosa e eu senti meu coração apertar-se.
Ela tinha ouvido cada palavra trocada entre Jasper e eu, e uma culpa muito grande me tomou.
Bella não deveria sofrer mais.
De maneira nenhuma, e eu daria minha própria vida para garantir isso.
_ Eu não vou deixá-la. Não enquanto não tiver a certeza que você ficará bem. Fique calma e não chore. Eu sei o que estou fazendo._ Falei suavemente, acariciando seus cabelos castanhos e ela fungou.
_ Você odeia esse lugar. Eu consigo sentir isso em cada palavra que sai da sua boca. É a hora de você ser livre. Voltar para casa e para sua família. Vá. Eu jamais serei capaz de te esquecer e ignorar tudo o que fez por mim. E, deixando-o livre de qualquer compromisso que acha que tem comigo, é a minha forma de retribuir tudo de bom que me fez.
_ Eu não vou. Ficarei aqui até o fim da guerra e você ficará ao meu lado. Não volto atrás de uma palavra dada. Prometi a mim mesmo que cuidaria de você e assim o farei. Assunto encerrado._ Falei com firmeza e ela apenas me olhou, com aqueles olhos tão lindos e ao mesmo tempo tão tristes.
Ela inclinou-se em minha direção e depositou um beijo suave em meu rosto, fazendo todo meu corpo formigar.
Bella possuía um encanto único e, eu tinha noção de que estava sendo enfeitiçado, mas não podia fugir simplesmente.
Eu não queria fugir.
Pela primeira vez, em muito tempo, eu sentia uma centelha de vida arder em mim.
E isso era muito bom.
_ Obrigada..._ Ela sussurrou e eu apenas assenti. Sentia seu cheiro impregnado em mim e me perguntei em que momento essa fragrância tornou-se a melhor do mundo.
Ela se afastou lentamente e eu me levantei da cama, indo em direção ao fogão.
Peguei duas canecas de alumínio e as servi de leite.
Bella veio atrás de mim e aceitou a caneca sem pestanejar.
Bebeu o leite como se fosse a melhor coisa do mundo, fechando os olhos para apreciar melhor o sabor.
Eu sorri, encantado com a cena.
Ela me olhou por um momento e sorriu de volta, esquecendo-se que sua boca estava envolta por um lindo bigodinho de leite.
E nesse momento, eu gargalhei.
_ O que?_ Ela perguntou confusa e eu avancei em sua direção.
Bella não recuou. Ficou parada no mesmo lugar, enquanto, com muita delicadeza eu limpava sua boca.
_ Está suja de leite..._ Sussurrei, encantado com a maciez e textura de sua pele.
Ela fechou os olhos e suspirou, fazendo com que eu me afastasse dela.
Não podia iludi-la.
Não devia me iludir.
Ela estava se tornando importante demais para mim, e isso não poderia acontecer.
Pessoas especiais morrem e a dor advinda disso é simplesmente insuportável.
Eu respirei fundo e dei um passo atrás.
Ela abriu os olhos e me encarou com tristeza.
E eu me senti o pior dos homens nesse momento.
Não queria que ela interpretasse meu distanciamento de forma errada.
Era apenas uma forma de proteger a nós dois.
_ Quer mais?_ Perguntei, tentando desanuviar o ambiente e ela apenas assentiu.
Enchi novamente sua caneca e, dessa vez, ela se afastou, indo sentar de frente à janela.
_ Esse lugar costumava ser muito bonito._ Ela falou de repente e eu a olhei atentamente._ Mas jamais foi mais bonito que os campos da Inglaterra._ Concluiu tristemente e eu fui tomado por uma curiosidade de saber o porquê ela tinha saído da Inglaterra se parecia gostar bastante daquele lugar.
_ Porque veio para a Alemanha?
_ Fui obrigada pelas circunstâncias. Minha mãe morreu e não tive alternativa ao não ser seguir a família do meu pai.
_ Família do teu pai? Não era sua família também?_ Perguntei, estranhando a forma como ela se referiu à sua família.
_ Não. Eu era apenas uma filha bastarda que por algum motivo o pai sentia obrigação de cuidar._ Falou friamente e eu estremeci com suas palavras.
Bella, aparentemente, era uma pessoa muito doce.
O fato de odiar a família parecia não combinar com ela.
_ Bastarda?_ Perguntei e ela virou-se para me encarar.
_ Sim. Bastarda. Meu pai era um nobre, herdeiro de uma família londrina de classe média, mas que possuía um bom nome e status na sociedade. Seu casamento não era nenhuma perfeição e ele se envolveu com uma serviçal. No caso, minha mãe._ Ela falou com a voz triste e eu senti uma pena infinita dela.
O fato de ela ser uma filha bastarda explicava muita coisa.
_ E onde está o seu pai e os outros membros dessa família?
Ela me olhou por um momento e depois olhou novamente para a paisagem além da janela.
_ Eu não sei. Viemos para a Alemanha porque meu pai assumiu alguns negócios por aqui. Quando soube da guerra, ele simplesmente foi embora com sua família. Imagino que tenham voltado para a Inglaterra. Mas a verdade é que eu realmente não sei.
Como assim foram embora e a deixaram sozinha, em meio a uma guerra, em um país desconhecido?
Eu não os conhecia, mas com certeza, acabaram de entrar para minha lista de pessoas odiadas.
_ E porque você não foi com eles?_ Perguntei, já sabendo a resposta e tentando a todo custo conter a ira.
_ Eles não me convidaram. Numa manhã eu acordei e eles já não estavam mais ali. Deixaram-me aqui e foram para Deus sabe onde._ Ela falou tristemente e eu senti a força do extinto protetor que eu desenvolvera por ela me enlaçar de uma forma ainda mais poderosa.
Eu jamais a deixaria sozinha. Não sabia como iria cumprir essa promessa, mas eu cumpriria de qualquer forma, custe o que custar.
_ Você não está mais sozinha, Bella. De hoje em diante eu estarei sempre ao seu lado.
Ela virou-se lentamente e me encarou por muitos segundos. Depois, aproximou-se da mesa e depositou ali a caneca vazia.
_ Você é um homem bom, Edward. Talvez, o único que eu já tenha conhecido. Mas não me faça promessas. Eu corro risco de acreditar nelas e me machucar ainda mais. Não sei se suportaria mais golpes da vida. Entenda que pertencemos a mundos distintos e jamais poderá me manter ao seu lado. Você tem uma vida na América. Eu tenho uma existência na Europa. E sim... Eu estou sozinha e já me acostumei com esse fato. Acostume-se você também._ Falou com a voz firme, mas era notável que sofria.
_ Bella, eu..._ Eu tentei contradizê-la, mas ela colocou a mão pequena e macia sobre meus lábios.
_ Não pense que eu sou mal agradecida. Jamais poderei esquecer tudo o que fez por mim, mas quando a guerra acabar você vai embora e outra vez eu estarei sozinha. No entanto, você não deve sentir-se mal por não conseguir cumprir sua promessa, porque de um jeito ou de outro sempre estará comigo. Na minha mente e no meu coração._ Dizendo isso, ela tirou a mão suavemente dos meus lábios, e pela segunda vez naquele dia, beijou meu rosto.
Eu a vi se afastar e sentar-se na cama suavemente, encostando-se a cabeceira e fechando os olhos.
Seu sofrimento e angústia eram palpáveis.
Bella foi rejeitada a vida toda e não conseguia confiar plenamente em ninguém.
Mas eu mostraria a ela que em mim ela podia confiar.
Estaria ao seu lado, para garantir-lhe segurança e bem estar.
Para garantir que sua doçura jamais fosse perdida.
Daria minha vida por essa promessa.
Isso era fato!


E então?
Gostaram?
Pessoal, continuem lendo e comentando... As coisas andam meio paradas por aqui... =(
Eu preciso de incentivo dos leitores para continuar escrevendo.
Adoro  ver que tem novos comentários...
Próximo capítulo teremos uma surpresinha super fofa...
Prometo!!!
Beijos!!!

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