THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 06

Espero que gostem.
Boa leitura!

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama
Capítulo 6
Pov. Edward
Semanas depois.
A vida passava e a guerra continuava.
Olhei para o céu cinzento e soltei um suspiro cansado.
Jasper se fora a algum tempo, levando consigo parte do exército americano e eu ficara para comandar os soldados remanescentes.
E, embora devesse pensar nisso como uma tortura, já que odiava a guerra, não era assim que eu me sentia.
Eu estava feliz.
Pela primeira vez, em muito tempo, eu sentia uma satisfação quase infantil em voltar para casa.
Minha cabana em meio a uma guerra, que apesar de não ter nenhum luxo, estava se tornando o melhor lugar do mundo para mim.
Tudo isso porque Bella estava lá a minha espera todos os dias com seu sorriso que insistia em me iluminar.
Depois da partida de Jasper, eu assumira todos os cuidados com o exército restante em batalha.
Não podíamos descuidar, pois apesar da guerra já estar praticamente vencida, tudo podia mudar, e uma situação favorável podia facilmente transformar-se outra vez em um tormento.
E o fato de ter que supervisionar tudo de perto, me fazia ficar o dia todo longe da cabana.
Longe dela.
Da minha menina.
Antes, eu era responsável pelas estratégias e comandos, mas assistia tudo de longe. Meu trabalho era controlar os soldados, traçar táticas inteligentes e eficientes, receber e repassar telegramas importantes da base e garantir que os ataques e combates fossem bem sucedidos.
Era Jasper quem cuidava de tudo na zona de guerra.
Ele seguia meus comandos e repassava minhas ordens para os militantes, já que sempre se dera melhor com os homens do que eu.
Eu ficava a maior parte do tempo trancado na cabana, escondido daquela realidade grotesca que tanto me incomodava.
E agora, que ela estava lá, eu era obrigado a permanecer afastado.
E eu me preocupava muito com Bella. Tinha medo que alguém se aproveitasse de minha ausência para fazer-lhe mal.
Dera instruções precisas para que ela jamais saísse sozinha ou destrancasse a porta para quem quer que fosse.
E ela me obedecia.
Por mais estranho que isso parecesse, ela fazia questão de acatar todos os meus pedidos, como se apreciasse minha preocupação e meus cuidados.
E eu adorava cuidar dela.
Vê-la sorrir era a melhor parte do meu dia.
Eu não devia torná-la tão importante. Tão especial.
Em minha vida não existia espaço para sentimentos nobres que não envolvessem única e exclusivamente minha família, composta por meus pais e irmãos.
Bella era apenas uma menina que eu deveria ajudar e nada mais.
Mas não era isso que eu sentia quando chegava em casa e a encontrava sorridente e saudosa, perguntando-me como foi o meu dia e cuidando das minhas roupas e refeições.
Ela estava sempre muito cheirosa. Sua pele fresca e seus cabelos castanhos, emoldurando seu rosto corado despertavam em mim pensamentos e sensações proibidas.
Mas, por enquanto, eu não me importava muito com isso.
Bella era minha salvação em meio a tanta amargura e dor e continuaria ao meu lado enquanto eu estivesse ali.
Eu não a deixaria desamparada quando fosse embora, é claro.
Não a estava usando.
Cuidaria para que ela tivesse um futuro digno, seja ali ou em qualquer lugar do mundo.
Mas, por enquanto, eu precisava dela ao meu lado.
Não estava pronto para abrir mão da sua companhia.
Ainda não.
E talvez, nunca estaria.
E esse fato, traria muitas complicações para minha vida, mas deixaria para pensar nisso depois.
Estava tarde e eu deveria voltar para o alojamento, pois não gostava de deixá-la sozinha à noite, mas antes precisava verificar se estava tudo certo no campo de combate.
Muitos homens ainda estavam entre as trincheiras, preparados para qualquer eventual batalha e eu não poderia deixá-los desamparados.
_ Olá, capitão._ Ouço a voz de um soldado e me viro em sua direção.
_ Olá, Jacob. Como vai?_ Perguntei educado e ele suspirou, coçando o rosto com as mãos encardidas.
_ Bem, dentro do possível em uma situação como essa._ Falou sorrindo, passando as mãos pelos cabelos curtos._ Recebemos ordens para combater em Verdun, mas estamos esperando por seu aval._ Ele explicou e eu assenti.
_ Recebi esse ofício há pouco tempo. São ordens e terão que ser obedecidas. Mas manterei alguns dos homens aqui. Não devemos deixar este campo abandonado. Os generais já foram avisados e acompanharão os combatentes até lá. Eu ficarei para tomar conta dos soldados restantes e para receber quaisquer notícias._ Expliquei e Jacob assentiu.
_ Sim, senhor capitão. Com licença._ Falou, enquanto se afastava e eu fiquei olhando-o._ Ah... Antes que eu me esqueça... Mais homens morreram. Penso que foi àquela praga maldita. Os generais pediram para que os jogássemos no rio. E foi o que fizemos. Parece que quanto mais contato com os corpos, mais pessoas ficam doentes.
Fechei os olhos com força e suspirei pesadamente.
Estávamos perdendo muitos homens vítimas dessa gripe e eu simplesmente não sabia como controlar isso.
Qualquer estratégia tornava-se falha diante da ameaça desta praga maldita.
_ Fiquem longe dos corpos, mas tentem não jogá-los no rio. A população da cidade usa desta água para beber. Não quero que nosso exército seja responsável pela morte em massa de toda uma população, por mais que no momento o povo em questão seja nosso inimigo. Cavem buracos e os enterrem dignamente. É a melhor coisa a se fazer._ Falei com a voz firme e Jacob apenas assentiu.
_ Sim, senhor capitão. Eles serão enterrados e suas medalhas enviadas as suas famílias. É muito triste ver tantos homens morrendo. Creio que será uma experiência difícil de esquecer._ Ele comentou e eu apenas assenti, vendo-o se afastar com passos decididos.
_ Se você tiver oportunidade de lembrar, rapaz..._ Murmurei e senti um aperto no peito em pensar que este poderia ser a última vez que o via com vida.
E isso se chamava guerra.
Essa incerteza, essa ilusão... Esse pesadelo sem fim.
Mesmo acabada ela deixava estragos, dores e seqüelas.
Jamais seria esquecida por quem tivesse a oportunidade de lembrá-la.
Jacob fora treinado nas mesmas condições que eu, pois seu pai, Billy Black, trabalhava para minha família há anos e sempre tivera o sonho de ver o filho sendo soldado no exército americano.
Eu não queria que ele viesse para guerra, pois apesar de bom soldado ele ainda era muito novo para arriscar a vida em batalha. Mas, ele quisera vir e eu nada pudera fazer para impedir.
Agora, era torcer para que nada de ruim lhe acontecesse.
Para que ele tivesse a oportunidade de viver muitas experiências e não tivesse o mesmo destino dos homens que ajudara a jogar no rio.
Olhei outra vez para o céu cinzento e suspirei.
Certamente teríamos chuva esta noite e isso não era bom.
Os campos ficavam molhados e mais soldados ficavam doentes.
E quanto mais homens nós perdíamos, mais eu odiava essa guerra inútil.
Dei algumas ordens, encaminhei alguns homens para a base hospitalar e fui para a cabana.
Os primeiros pingos de chuva já caiam, quando eu finalmente cheguei ao meu ‘lar”.
Sorri alegre com o pensamento.
Mesmo tendo uma aparência deprimente e estando localizado em um campo praticamente destruído pela guerra, aquele lugar era o melhor lar que eu já estivera.
Destranquei a porta no exato instante que um relâmpago e um trovão cortaram o céu.
Ouvi um grito agudo e me assustei quando um corpo quente e pequeno se chocou contra o meu.
_ Que bom que você chegou. Eu odeio tempestades._ Bella sussurrou amedrontada contra meu pescoço e eu abracei seu corpo trêmulo contra o meu, fechando a porta.
_ Calma. Já estou aqui. E você está segura aqui na cabana. Não precisa ter medo._ Falei com carinho, acariciando seus cabelos e sentindo àquele cheiro de morangos que eu tanto amava.
Ela levantou os olhos depois de um tempo e sorriu timidamente, se afastando.
_ Desculpa. Mas, eu tenho medo de tempestades desde que era criança. Eu até gosto de chuva, mas odeio os ruídos que vêm com ela._ Ela se justificou e eu sorri.
_ Tudo bem. Todos nós temos nossos medos._ Falei simplesmente, retirando meu casaco e andando até a mesa.
_ Não imagino um capitão do exército tendo medo de alguma coisa._ Bella falou sorrindo, aproximando-se de mim e se sentando no banco ao meu lado.
Ela sorria com mais ferquência agora e essa camaradagem que desenvolvemos estava tornando-se cada vez melhor.
Já nos sentíamos a vontade perto um do outro e ela parecia apreciar minha companhia, assim como eu adorava sua presença.
_ Nós, capitães, somos humanos, Bella. Temos muitos medos também. Ouso dizer que temos mais medos que vocês, pois precisamos enfrentar situações terríveis em tempos de guerra. Temos que lidar com o medo de vir para um campo de batalha e podermos jamais voltar para casa. Somos obrigados a arcar com o pavor de perdermos amigos e companheiros a todo o momento e nos sentir culpados depois, porque não pudemos salvá-los._ Falei com a voz baixa e ela me olhou por um longo momento.
Depois de um tempo, ela sorriu tristemente e acariciou minha mão que estava pousada sobre a mesa.
_ Sinto muito por isso, Edward. Não acho que você deveria estar nessa guerra. Não acho que eu merecia estar aqui e passar por tudo que passei. Mas ninguém pode nos substituir em nossas próprias guerras e tomar conta do nosso destino. Você é bom, generoso e tem princípios. Essa situação lhe faz mal. Estar aqui aumenta seus medos e impede que suas feridas se curem. Você deveria ter ido embora. Deve ir embora. Logo. Só assim poderá ser feliz. Só assim conseguirá superar seus medos.
Fiquei olhando-a por um tempo e me senti tocado por sua preocupação.
Quando ela tinha se tornado tão sábia?
Quando minha menina começara a dar conselhos e me encantar cada vez mais?
Apertei suas mãos entre as minhas e ela me encarou com os olhos brilhando.
_ A guerra faz mal a qualquer um, fez, Bella. Mas, esse é o meu trabalho e eu não posso fazer nada se não cumpri-lo. Quando puder ir embora, não tenha dúvidas que eu irei. Mas no momento, meu lugar é aqui. Em meio à guerra. Com você.
Ela sorriu fracamente e eu capturei com o indicador a lágrima solitária que rolava pelo seu rosto.
_ Obrigada por cuidar de mim..._ Ela sussurrou e eu sorri.
_ Às ordens...
Um trovão se fez ouvir e Bella deu um pulo, arregalando os olhos e se jogando em meu colo.
_ Desculpe-me, mas eu realmente tenho pavor a tempestades._ Ela falou contra meu peito e eu não pude fazer nada, ao não ser sorrir e apertar-lhe contra meu corpo.
_ Tudo bem. Estarei com você até que a tempestade passe._ Falei baixinho e ela suspirou.
_ Eu sei.
O dia, finalmente, tornava-se belo.
*****
Encarei Bella adormecida ao meu lado e não consegui conter um sorriso.
Ela insistira para que eu dormisse com ela na cama, pois estava com medo da tempestade furiosa que caia lá fora e eu, é claro, não me neguei.
Minha pequena parecia tão frágil deitada sobre os lençóis alvos que eu senti que meu instinto protetor com relação a ela aumentava cada vez mais.
A batalha de Verdun seria decisiva para a guerra e talvez, depois disso, eu pudesse finalmente ir embora.
Mas, não conseguiria fazer isso sem olhar para trás.
Não poderia deixar Bella sozinha e desamparada.
Ela suspirou em seu sono e se aconchegou em meu corpo.
Rodeei seu tronco com meus braços e beijei seus cabelos.
Senti-la assim tão perto causava em mim sensações difíceis de explicar.
Ela era doce, linda e perfeita e me completava de uma forma que nenhuma outra mulher conseguira.
Nem mesmo Elizabeth.
E eu sentia uma necessidade tremenda de protegê-la.
Ela já tinha sofrido muito na vida e isso era evidente em seu olhar melancólico, nos medos absurdos que ela tinha e nas marcas e cicatrizes que ela tinha pelo corpo.
Olhei atentamente para suas pernas que a luz do lampião deixava evidente e fiz uma careta para as muitas imperfeições que, com certeza, eram claros sinais de maus tratos.
Um filho bastardo era, na grande maioria das vezes, um fardo não aceito pelas famílias e quando algum membro tomava os cuidados desse filho para si, a pobre criança era sempre maltratada pelos demais.
Bella era analfabeta, não estava acostumada a nenhum tipo de luxo e parecia estar sempre com medo de passar por alguma privação.
Ela fazia de tudo para economizar os poucos recursos que tínhamos no momento e parecia indignada quando eu resolvia desperdiçar qualquer coisa.
Certa vez, eu quisera jogar fora um resto de carne seca que já estava esquecido em uma panela há dias e ela surtara.
_ Não!_ Bella disse em um tom seco e decidido, tomando a panela das minhas mãos.
_ O que?_ Perguntei assustado, não entendendo realmente o que se passava e a vi guardar novamente a carne, me deixando ainda mais confuso._ Bella, isso já está aí há dias. Nem deve prestar mais para comer.
_ Eu posso fazer uma sopa com esta carne. Não vou deixar que a jogue fora. Isso é pecado._ Ela falou desesperada e eu até acharia adorável sua coragem em me enfrentar, caso não estivesse tão aturdido com sua reação.
_ Tem carne fresca para a sopa. Essa não presta mais._ Respondi um pouco exaltado, já perdendo a paciência e joguei a carne velha pela janela.
Bella me olhou chocada por longos segundos e me desesperei ao ver duas grossas lágrimas rolarem por seu rosto.
_ Porque está chorando? Tem muita carne aqui, Bella. Fique calma._ Tentei acalmá-la, controlando meu tom de voz. Aproximei-me lentamente e a abracei de lado, mas ela desvencilhou-se, indo até a janela e virando as costas para mim.
Eu me senti um monstro.
Odiava vê-la sofrendo.
_ Você já sentiu fome, Edward?_ Ela perguntou com a voz suave e eu demorei alguns segundos para responder.
_ Não._ Falei simplesmente, depois de um suspiro longo e ela me encarou com um sorriso triste.
_ Então você não sabe o que é sentir a barriga contorcer-se de dor e não ter nem mesmo água para beber. Você não tem idéia do que é ficar dias sem comer, torcendo para que alguém lhe ofereça qualquer coisa, até mesmo restos de comida. A fome machuca, capitão. Muitos dizem que a pior dor que alguém pode sentir é a dor da morte, mas estão errados. A dor da fome é muito pior. Ela mata lentamente e a agonia que causa é intensa, desumana e sem fim. Muitas vezes eu me alimentei de sobras... Sobras de pratos, restos descartados nos lixos da minha própria casa, por que lá eu não tinha direito de me alimentar dignamente. E, portanto, eu lhe digo: a carne que acaba de jogar pela janela poderia matar a fome de alguém. Poderia deixar uma criança satisfeita para dormir tranqüila a noite toda, sem ser incomodada pelo barulho de vazio da própria barriga. A carne podia não ser de qualidade ou estar velha, mas serviria para satisfazer alguém, nem que fosse com a simples ilusão de mastigar algo.
Ficamos em silêncio por um longo momento e eu não conseguia parar de imaginar uma pobre garotinha faminta, implorando comida dentro da própria casa e tendo que se satisfazer com os restos das pessoas que deveriam, se não amá-la, pelo menos respeitá-la como um ser humano.
Eu não tinha moral para criticar alguém, pois minhas próprias mãos estavam sujas do sangue de muita gente, mas eu jamais trataria alguém assim.
Bella não pedira para nascer e tenho certeza que não implorara para que a família do pai a colhesse.
Se eles fizeram isso, deveriam pelo menos dar-lhe uma vida digna.
Eu não os conhecia, mas, definitivamente, eram as pessoas que eu mais odiava no planeta.
_ Sinto muito, Bella. Eu nunca parei para pensar nisso. De verdade. Presenciei muito sofrimento nesses campos de batalha, mas jamais pensei no que a fome causa em alguém. Prometo não desperdiçar mais nada, se isso a faz sentir-se melhor, mas não me odeie por isso.
Ela sorriu fracamente e se aproximou, tocando meu rosto com suavidade.
_ A guerra é cruel, Edward. Mas, existem batalhas impostas pela vida que são ainda piores. Creio que já enfrentei a maioria delas. Sou grata a Deus por ter sobrevivido a todas. E espero continuar vencendo os desafios. Não precisa se desculpar e nem me prometer nada. Sou eu quem pede desculpas. É o seu modo de vida e não deve mudá-lo porque uma louca apareceu dizendo que desperdiçar comida é pecado. Esquece o que aconteceu. Eu não deveria contestá-lo de forma alguma, pois graças a você estou viva e segura.
Ela beijou meu rosto suavemente e se afastou, indo deitar-se encolhida na cama.
E eu não discuti, pois simplesmente estava sem palavras.
A sabedoria presente em tudo que ela dissera me deixara impressionado.
Bella era única e apesar de não ter instrução alguma, era mais inteligente e sábia do que qualquer um que eu tenha conhecido.
Um raio cortou o céu novamente e ela se encolheu nos meus braços, me trazendo de volta para a realidade de tê-la tão perto.
Eu não gostava de imaginar o porquê ela tinha tanto medo de tempestades.
A cada detalhe de sua vida que me era revelado, eu ficava mais assombrado com seu sofrimento.
Quando segredos ela ainda escondia nas profundezas marrons de seus olhos?
Quantos sofrimentos mais a fizeram adquirir tamanha sabedoria?
Como ela conseguia ser tão doce depois de tudo o que vivera?
Eram respostas que só o tempo me daria.
E eu esperava ter o bastante para desvendar todos os segredos da mulher que eu passei a admirar mais do que qualquer coisa.
*****
Pov. Bella
Algumas semanas depois.
O pesadelo estava acabando.
Pelo pouco que eu entendia de guerra, parecia que a Alemanha tinha finalmente se rendido e tudo estava chegando ao fim.
Era um alívio saber que não haveria mais mortes, mas ter ciência que Edward sairia da minha vida em breve me fazia muito mal.
Em toda minha vida, Edward fora a única pessoa que cuidara verdadeiramente de mim.
Mas, eu sabia que teria que deixá-lo.
Mais cedo ou mais tarde.
Ele voltaria para os Estados Unidos e eu continuaria na Alemanha, sozinha.
Sua lembrança sempre estaria comigo, mas sua presença me faria muita falta.
Suspirei pesadamente e continuei dobrando suas roupas recém lavadas.
Eu sentia um prazer imenso em cuidar das suas roupas e das suas refeições, e nunca, em toda minha vida, estivera tão feliz.
Edward era um cavalheiro e me tratava como uma perfeita dama, mesmo que eu não merecesse tal tratamento.
Ele estava muito estranho nesses últimos dias.
Estava pensativo e parecia preocupado.
Sem contar que reclamava todos os dias de dores nas costas, no peito e na cabeça.
Ele estava mais magro e não parecia bem.
Tentava me manter afastada quando ele chegava assim, mas eu sentia falta das nossas conversas.
Eu queria cuidar dele, mas não podia deixá-lo me ver como uma garota intrometida.
Desde a tempestade, ele dormia todos os dias ao meu lado.
Nunca achara justo ele ter deixado sua cama para mim e me sentia muito melhor tendo-o ao meu lado.
Não sabia se isso era certo, já que não éramos casados, mas sinceramente não me importava.
Porque deveria respeitar as regras de uma sociedade que nunca me respeitara?
Não tinha porque me preocupar com minha reputação, já que ninguém aqui me conhecia.
Guardei as roupas de Edward no baú e fui verificar a carne.
Eu não cozinhava muito bem, porque nunca tivera a oportunidade de aprender, mas Edward elogiava todos os dias as coisas que eu preparava e isso me enchia de orgulho.
Estar ao seu lado me fazia muito bem.
Não gostava muito de pensar nos sentimentos que eu começava a nutrir por Edward.
Eu não deveria me apegar a ele e gostar tanto assim da sua companhia.
Não deveria me apaixonar.
Ao fim de tudo, eu acabaria só e destruída, e isso me faria sofrer ainda mais.
Mas como resistir a Edward?
Não conhecia muitas mulheres, mas tinha certeza que nenhuma seria capaz de resistir aos encantos do capitão Cullen.
Sorri com o pensamento e tirei a panela do fogo.
Logo ele estaria de volta e a comida deveria estar pronta.
Ele precisava alimentar-se para se fortalecer e ficar imune às doenças do campo de batalha, que eram tão ou mais intensas que a própria guerra.
Ouvi um barulho na porta e me virei sorridente para recebê-lo como todos os dias.
Mas, ao olhar para seu rosto, senti um medo frio tomando conta do meu corpo.
Edward não estava bem.
Ele andou lentamente até a cama e se jogou sobre o colchão, soltando um gemido cansado e fechando os olhos com força.
_ Edward?_ Chamei suavemente, enquanto me aproximava e tocava seu rosto suado.
Ele estava ardendo em febre.
_ Edward? Fala comigo._ Pedi, já um pouco desesperada, mas ele não se mexeu.
Tirei suas botas sujas de lama e o virei na cama, deitando sua cabeça contra os travesseiros.
Ele estava mortalmente pálido.
Lembrei-me de suas dores e fiz uma prece silenciosa para que não fosse nada grave.
Eu creditava tudo ao cansaço da guerra, mas a verdade é que não queria pensar na possibilidade de vê-lo doente.
Não queria que ele sofresse com àquela praga que ele tanto odiava.
Eu não saberia lidar com a possibilidade de perdê-lo para a morte.
Deus!
Engoli o choro preso na garganta e respirei fundo.
Ele ficaria bem.
Eu faria até o impossível para garantir que ele permanecesse vivo.
_ Bella..._ Ele balbuciou, e eu me aproximei mais, tocando seu rosto com meus lábios.
_ Estou aqui..._ Sussurrei baixinho e ele sorriu fracamente._ O que você sente, Edward?
_ Tudo dói._ Ele respondeu e eu respirei fundo._ Acho que a praga me pegou.
_ Não. Tenho certeza que não é nada grave. Você vai ficar bem._ Falei, tentando soar firme, mas a verdade é eu queria convencer a mim mesma.
_ Eu não posso morrer... Não quero deixá-la sozinha... Eu prometi._ Ele sussurrou, abrindo os olhos febris e me encarando, com certo desespero.
_ Você não vai morrer, Edward. Vou cuidar de você. Eu prometo._ Falei baixinho, enquanto uma lágrima solitária descia pelo meu rosto.
Era hora de eu retribuir tudo que ele fizera por mim.
Daria minha própria vida para salvá-lo.
Ele ficaria bem.
Eu tinha certeza.
Deus não seria tão cruel a ponto de me tirar, de forma tão trágica, a pessoa mais especial que passou por minha vida.
Edward não deveria ter ficado.
Ele tivera a oportunidade de voltar para os Estados Unidos, mas ficara. Por mim.
E se ele morresse, vítima dessa gripe maldita, eu seria a única culpada.
Faria qualquer coisa para vê-lo saudável outra vez.
Qualquer coisa.
E depois de ter saído do inferno que era minha vida, eu teria forças para lutar pela sobrevivência do meu anjo.
Nunca sentira um medo tão grande.
Já passara por muitas adversidades, mas nenhuma me preparara para a perda de alguém tão especial.
Mas eu lutaria contra tudo.
Edward voltaria para sua família vivo e bem.
Era assim que tinha que ser.
Mesmo que, depois de salvá-lo, eu viesse a perdê-lo, era melhor saber que ele estava vivo e feliz em algum lugar longe de mim, do que carregar a culpa de ter causado sua morte.
Levantei-me e fui até a tina.
Aqueceria água e começaria a cuidar dele.
E que Deus me ajudasse, porque mais uma vez minha luta contra a morte iria começar.


E aí, pessoal... O que acharam?
Muitos me perguntaram se a história se passaria inteiramente na guerra e eu respondo: não.
Tudo está prestes a mudar.
E logo todos saberão do que eu estou falando.
Chegou a hora da Bella mostrar sua força e perseverança...
Ela vai cuidar dele, mas será que conseguirá salvá-lo?
Isso é um drama, galera.
Sempre quis escrever uma fic de época.
Sinto muito se a fic parece enrolada, mas tds os detalhes são necessários para uma boa história e continuação.
E... Quero comentários, galera.
Essa fic está muito parada.
rsrsrsrs
E sem comentários e recomendações, a autora fica desmotivada.
Vamos lá meu povo...
Vamos interagir...
Beijos e até o próximo.

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