THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 09

Boa leitura, povo...
Espero que gostem...


The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama




Pov. Bella
Casar.
Edward Cullen queria se casar comigo.
Seu pedido rodava em minha mente sem que eu conseguisse compreender seu verdadeiro significado.
Ele estava a minha frente, me olhando com a expressão ansiosa, a espera da minha resposta.
E eu ainda podia sentir na boca o sabor do beijo que ele me dera há pouco.
Um beijo doce, possessivo e desesperado, me levando ao céu por sentir seus lábios sobre os meus, como eu sempre desejara.
Ou melhor, como eu desejara desde que o conhecera, já que antes desse fato, meu corpo e minha mente não eram tomados por tantas sensações e desejos desconhecidos e atordoantes.
Edward me beijara movido por um sentimento de posse, que de certa forma, ele tinha todo o direito de sentir, já que me salvara de um destino tão miserável.
E, agora, ele me pedia para que eu me tornasse sua esposa.
Respirei fundo e olhei em nossas mãos, que só agora eu me dava conta que estavam entrelaçadas, sentindo meus olhos cheios d’água.
Jamais pensei em me tornar esposa de alguém.
Eu era uma bastarda e moças como eu, que não tinham ninguém para apresentá-las a sociedade, simplesmente não se casavam.
Pelo menos não com um capitão do exército americano, lindo, gentil e rico.
Isso era muito surreal para ser verdade.
_ Bella... Diga alguma coisa._ Edward pediu com a voz baixa e eu o encarei.
Ele tinha a expressão de um garotinho abandonado, a espera de um pedaço de pão, me olhando atentamente e avaliando cada sentimento que transpassava em minha face.
Meu coração se expandiu, ao se dar conta do quanto ele era importante para mim.
De um jeito que ninguém jamais fora.
Mas, eu estava confusa e amedrontada, não sabendo se sua proposta seria de fato a solução para os nossos problemas.
_ Eu não sei o que dizer._ Falei simplesmente e ele me soltou, passando as mãos pelos cabelos, exasperado.
_ Diga que sim... Ou diga que não. Basta que responda a minha pergunta.
Ele estava nervoso e eu não conseguia formular frases coerentes em minha mente.
Estava difícil acreditar no que estava acontecendo.
No fundo, eu sabia que era o único jeito dele cumprir sua promessa.
Edward não queria me deixar para trás, mas não sabia como me levar com ele.
Seu exército e ele vieram em guerra e, se algum estrangeiro, tentasse levar um alemão para outro continente, mesmo que esse alemão fosse, no meu caso inglês, estaria muito encrencado.
O currículo de um soldado deveria ser impecável, para que esse se aposentasse com honras.
Edward não poderia ter um seqüestro em sua ficha, mesmo que a refém tivesse de pleno acordo com a fuga.
Suspirei pesadamente e andei lentamente em direção a casa.
Ainda não me sentia segura para ficar tanto tempo fora de minha fortaleza.
Eu sabia que ele me seguiria, embora, no momento, tudo que eu quisesse era ficar sozinha para pensar.
_ Bella..._ Ouvi Edward me chamando, mas ignorei, continuando meu caminho.
Estava confusa e amedrontada, e esperava apenas que ele entendesse meu estado.
Abri a porta lentamente e fui em direção a cama, me sentando em seguida.
Edward entrou na cabana e trancou a porta, indo sentar-se ao meu lado.
_ Bella... Por favor, diga alguma coisa._ Edward murmurou, soando desesperado e eu o encarei por baixo dos cílios.
_ Eu estou muito confusa, Edward. Eu não quero ser um peso em sua vida... Você não tem que se casar comigo apenas para cumprir uma promessa.
No fundo, eu sabia que era isso que me incomodava.
Era esse motivo que me fazia hesitar.
Eu nunca tivera amor.
Nunca tivera nada.
E me casar com alguém, apenas para conseguir uma libertação, não me parecia certo.
Mesmo que esse alguém fosse Edward, a pessoa que mais cuidou de mim durante toda minha vida.
_ Bella, escute... _ Ele segurou minha mão e meu queixo e me fez encará-lo, me tirando dos meus devaneios._ Eu não vou deixá-la. Dane-se a promessa... Eu não QUERO deixá-la... Não posso. Nosso casamento é a única forma de levá-la comigo sem causar problemas a nós dois._ Ele explicou, como se falasse com uma criança e eu fechei os olhos com força.
Deus!
O que fazer?
Jamais poderia prender Edward a mim dessa forma.
Ele dizia que me queria como sua esposa, mas eu não podia ter certeza disso.
Ele também estava confuso e, agir precipitadamente, não era a coisa certa a se fazer.
Matrimônio era um passo muito sério.
Certa vez, eu sonhara com o casamento.
Nos meus sonhos, eu imaginava um cavalheiro maravilhoso, que viria me resgatar da miséria da minha vida e me faria à mulher mais feliz do mundo.
Eu idealizava viver em uma casinha branca, rodeada por cercas pequenas e delicadas, cuidando com carinho dos meus filhos e do meu marido, dando e recebendo amor.
Mas, o que seria o amor?
Eu não fazia idéia que tipo de sentimento era esse, pois nunca tivera nenhuma mostra dele em minha curta existência.
Nem mesmo minha mãe me amara verdadeiramente, já que não lutara pela vida como deveria e me deixara a mercê das maldades de Charlie e Renée.
Mas, era amor que eu queria em meu casamento.
Sem dúvida alguma.
Pois só assim, eu poderia fazer minha existência mais feliz.
Era a única chance que eu teria.
_ Bella... Por favor._ Edward disse com a voz baixa e eu suspirei pesadamente, tentando conter as lágrimas.
De repente, uma lembrança tomou minha mente e eu o encarei, curiosa.
Como me casar com Edward, quando ele poderia ter uma mulher esperando-o na América?
_ Quem é Elizabeth?_ Perguntei com a voz baixa e ele me encarou assustado.
_ Como?_ Edward perguntou confuso e eu continuei encarando-o.
_ Elizabeth. Quem é ela?_ Insisti e ele se levantou da cama, passando as mãos pelos cabelos, em um claro sinal de nervosismo.
_ Como... Como você sabe sobre Elizabeth?_ Ele perguntou visivelmente nervoso e eu senti um baque no peito.
No meu íntimo tinha a esperança que ele, na verdade, não soubesse quem era essa mulher.
Ledo engano!
Ele sabia perfeitamente quem era Elizabeth e levando em conta sua expressão corporal nesse momento, ela era bastante especial em sua vida.
Bem mais especial do que eu jamais poderia sonhar em ser um dia.
_ Você disse o nome dela várias vezes enquanto delirava de febre._ Falei baixinho, respondendo a sua pergunta e Edward me encarou tristemente.
A espera por sua resposta estava me deixando angustiada.
Ele andou lentamente até a janela e ficou encarando o crepúsculo pelos vidros encardidos e eu cheguei a pensar que não responderia minha pergunta.
Mas, depois de alguns instantes, sua voz tomou conta do ambiente e eu ouvi suas palavras como se minha vida dependesse disso.
_ Elizabeth foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida, de certa forma. Eu era um garoto muito solitário e ela chegou, preenchendo muitos vazios que eu tinha. Era muito bom estar ao seu lado. Ela era vivaz, sorridente e sua felicidade constante era contagiante. Eu tinha pouco mais de dezesseis anos quando a conheci e acreditei estar diante do meu grande amor. Minha família aprovava nosso relacionamento, uma vez que ela era filha de um dos homens mais importantes de Washington. Pouco tempo depois, começamos a namorar e minha vida ia muito bem. Estava recebendo o treinamento necessário para me tornar um soldado e tinha um futuro promissor ao lado de uma bela mulher.
Suas palavras entravam em meus ouvidos e chegavam até meu coração, esmagando meu músculo cardíaco sem dó, nem piedade.
Saber que existia uma mulher em sua vida, que ele considerava tão importante era muito doloroso.
Mas, eu jamais deveria esquecer que Edward não me pertencia.
Eu não tinha direito de odiar e invejar essa mulher, pois ele era um homem livre para ficar com quem quisesse.
Mesmo que há poucos minutos tivesse me proposto casamento.
Respirei fundo, tentando conter a dor no peito e continuei encarando-o em silêncio, pois sabia que havia muito mais nessa história.
E eu não me enganara.
_ Quando completei dezoitos anos, fui convocado para servir o exército em uma reserva militar na costa do Caribe. Havia boatos de guerra e os militares precisavam estar preparados para qualquer combate futuro. Eu não queria ir. Mas, não havia outro jeito. Meu dever com o país deveria estar acima de qualquer coisa. Então, eu e Elizabeth nos casamos. Foi uma cerimônia emocionante e o dia mais feliz da minha vida. Finalmente eu havia tornado-a minha. Eu tinha permissão para ficar com ela por um mês, antes de seguir para o Caribe. E foi o que eu fiz... Aproveitei cada momento. Foi um período muito bom. Ficamos morando na casa dos meus pais, pois eu viajaria logo e não poderia deixá-la sozinha quando partisse. O mês passou rápido e a hora da minha partida chegou. E eu fui, mesmo sabendo que deveria ficar. Alguma coisa me dizia que eu jamais a veria de novo se partisse naquele navio.
Senti uma dor ainda mais forte oprimindo meu peito e uma vontade de acariciar seus cabelos acobreados tomou conta de mim ao imaginar seu sofrimento tendo que deixar a esposa. Ele aparentava amava-a verdadeiramente.
Edward parecia tão solitário e indefeso me contando essa história, que eu queria segurá-lo em meus braços, para que toda sua dor passasse.
Não suportava vê-lo sofrer.
_ E eu realmente nunca mais a vi. Fiquei dez meses em treinamento, sem ter retorno das cartas que enviava a ela e quando voltei, minha esposa tinha morrido. Eu me senti péssimo. O pior dos homens. Não tinha tido nem mesmo a oportunidade de despedir-me dela. Eu passei muito tempo perdido em mim mesmo após sua morte. Dediquei-me inteiramente ao exército e como conseqüência, acabei me tornando o capitão mais jovem da história dos Estados Unidos. O exército foi minha única fuga. Eu me isolei do mundo e da minha família. Perdi meus amigos e minha vontade de viver se dissipava pouco a pouco._ Ele respirou fundo e me encarou seriamente._ Elizabeth faz parte do meu passado, Bella. De uma parte muito bonita do meu passado. Mas, já faz seis anos que ela morreu e, embora não possa prometer esquecê-la, uma vez que ela foi meu primeiro amor, eu quero me casar com você. Quero tê-la ao meu lado... Quero que você pertença a alguém. A mim. Cuidar de você vai ser meu maior feito. Protegê-la dos males que ainda virão e fazê-la sorrir todos os dias vai garantir minha felicidade. É o que eu quero. Aceite, por favor.
Senti meu coração afundar no peito e depois, por um milagre, recomeçar a bater loucamente.
Elizabeth morrera.
O nome que atormentara minha mente desde que eu o ouvira, agora tinha um significado.
Essa mulher, tão desconhecida e temida por mim, fora a esposa de Edward e estava morta.
E por mais que o fato dele ter sofrido com isso me deixe triste, a morte de sua esposa fora a responsável por eu tê-lo ao meu lado hoje.
Se ela ainda vivesse, provavelmente ele não estaria aqui hoje.
Elizabeth tivera a sorte de tê-lo um dia e agora, essa sorte, estava sendo oferecida a mim.
Bastava que eu dissesse sim ao seu pedido.
Sua primeira esposa se fora e ele me queria ao seu lado agora, embora não me amasse.
Isso talvez não fosse o melhor para uma garota que sempre sonhara com o amor verdadeiro, mas era a única forma de ficar ao lado da pessoa mais importante que entrara em minha vida.
_ Sabe, Bella... Eu odiava a guerra. Embora tenha vindo para a Alemanha tentando fugir dos meus fantasmas, meu único desejo era que esse tormento acabasse e eu pudesse voltar para a América, esquecendo que esse período existiu. Entretanto, depois que você entrou em minha vida tudo mudou. Eu ainda odeio a guerra e quero ir embora, com certeza, mas se for para deixá-la para trás, prefiro ficar eternamente aqui. Depois que você chegou, eu consigo sorrir, me zangar, me exasperar, ficar alegre ou triste... Eu voltei a viver, a ter sentimentos humanos normais e não quero que isso se perca outra vez. Não pense que fiz esse pedido movido apenas pela força da promessa que lhe fiz, porque não foi só isso. Eu a salvei uma vez, mas você me salva sempre. Todos os dias. Você me resgatou da solidão e da tristeza e eu não posso, não quero e não vou deixá-la pra trás. Nunca.
As lágrimas que eu tentara deter tão bravamente, finalmente escorreram por meu rosto.
Eu me levantei lentamente da cama e fui até ele, me jogando em seus braços.
Depois de tanto tempo sofrendo a única coisa que eu podia fazer era entregar minha vida a ele.
Edward sofrera muito também e se ele me queria ao seu lado, se eu o fazia sentir-se bem e feliz como ele dizia, eu aceitaria seu pedido e me permitiria ser levada ao desconhecido.
E quanto ao amor... Bem... Eu teria tempo para conquistá-lo.
Muito tempo.
_ Bella... Diga que você me aceita... Diga que quer casar-se comigo e ficar ao meu lado... Por favor. Permita que eu cuide de você para sempre..._ Ele sussurrou, respirando em meus cabelos e eu o apertei ainda mais em meus braços.
_ Sim... Eu aceito..._ Sussurrei em seu ouvido e ele me afastou de si, me encarando como se não acreditasse em minhas palavras.
_ Sério? Você vai mesmo se casar comigo?
Sua cara de cachorrinho abandonado me fez sorrir.
Era libertador poder dizer sim a ele.
_ Sim... Eu vou me casar com você._ Respondi simplesmente e ele sorriu largamente, agarrando minha cintura e me girando ao redor da cabana.
Eu ri alegre e ele beijou delicadamente meu rosto.
_ Minha noiva..._ Edward falou baixinho e eu senti meu rosto esquentar diante de seu olhar intenso.
_ Sim... Sua noiva._ Confirmei e ele sorriu.
_ Perfeito. Vamos hoje mesmo falar com o tal juiz. Em breve terei que partir para a América, acompanhando meu exército e não posso, de forma alguma, perder tempo. Tenho que torná-la minha esposa o quanto antes.
Respirei fundo, tentando aplacar meu nervosismo e dentro de poucos minutos estava sendo arrastada por Edward porta fora.
Ele segurava minha mão com firmeza e parecia muito satisfeito em me ter andando ao seu lado.
E, de repente, eu comecei acreditar que tudo ficaria bem.
Quem sabe a bastarda pobre e abandonada não tinha direito a felicidade.
Quem sabe...
*****
Pov. Edward
Eu me sentia nas nuvens.
Bella aceitara tornar-se minha esposa e em breve seria oficialmente minha, me permitindo levá-la para onde eu quisesse.
Andávamos de mãos dadas pelas ruas do pequeno vilarejo, e eu não podia deixar de notar os olhares hostis dos alemães em minha direção.
Eu não podia culpá-los, afinal.
Eu era o inimigo ali.
O capitão que liderava um exército altamente destrutivo que contribuiu grandemente para a ruína deste povo.
Os olhares me incomodavam, principalmente porque estavam sendo dirigidos a Bella também.
E ela não merecia nenhum tipo de hostilidade.
Respirei fundo e ergui a cabeça, perscrutando cada canto da cidade com o olhar atento.
Eu ainda tinha receio que James a visse.
Não podia permitir que ele chegasse perto de Bella.
E sabia que ela temia a mesma coisa, pois manteve os olhos baixos desde que saímos da cabana.
Senti ela apertando firmemente minha mão e a olhei atentamente, recebendo um sorriso encorajador e sorrindo-lhe de volta.
Todas as vezes que ela sorria para mim, eu sentia meu estômago afundar no corpo e meu coração disparava como se quisesse sair correndo do meu peito.
E esse efeito avassalador que ela tinha sobre mim era muito curioso.
Eu me sentia completo ao seu lado.
Esse era um dos motivos, embora egoísta, para querê-la ao meu lado.
Bella me fazia bem e eu não estava pronto para deixar para trás meu sopro de vida.
Chegamos finalmente ao endereço que a Sra. Forbes me dera e nos deparamos com uma casa colonial, construída ao estilo da maioria das casas alemãs.
E eu estava nervoso.
Muito.
Não sabia o que iria encontrar aí dentro e muito menos tinha certeza se esse juiz realmente nos ajudaria.
Mas, independentemente do que acontecesse, Bella iria comigo.
Respirei fundo e toquei a sineta da porta.
Minutos depois um senhor robusto, baixinho e careca abriu a porta, nos encarando com curiosidade.
_ Pois não?_ Falou em um inglês perfeito e eu estendi a mão para cumprimentar-lhe.
_ Sr. Cameron?_ Perguntei e ele assentiu cauteloso._ Eu sou Edward Cullen e essa é minha noiva, Isabella Swan. Viemos tratar do nosso casamento._ Optei por ser direto, já que Bella e eu não tínhamos tempo a perder.
O velho juiz continuou nos olhando e depois escancarou a porta para que entrássemos. Segurei outra vez a mão de Bella e notei, que assim como eu, ela tremia.
_ Fique calma._ Sussurrei em seu ouvido e ela me deu um sorriso contido.
O Sr. Cameron nos conduziu até uma biblioteca espaçosa e nos ofereceu as cadeiras. Sentei e puxei Bella para meu lado.
_ Então vocês querem se casar?_ O velho juiz perguntou e nós assentimos._ Bem... Você é capitão do exército americano, certo?_ Perguntou, dirigindo-se a mim e eu assenti mais uma vez.
_ Sim, senhor. Capitão Edward Cullen, comandante geral do exército americano._ Me apresentei e ele estreitou os olhos em minha direção.
_ E imagino que não tenha trazido sua noiva da América._ Ele falou calmamente e eu engoli em seco.
Bella empertigou-se ao meu lado e eu acariciei as costas de sua mão, tentando acalmá-la.
Não saberia dizer por que, mas esse homem me deixava muito nervoso.
E, aparentemente, a ela também.
“Ele lhe deixa nervoso porque tem seu destino nas mãos.” _ Minha consciência acusou e eu quase sorri com o pensamento.
Era exatamente por isso.
_ Não, senhor. Ela não veio comigo. Eu a conheci aqui._ Respondi sua pergunta e ele deu um sorriso debochado.
_ E por acaso acha que será fácil casar-se com uma alemã, quando toda população desse local lhe odeia?
_ Eu não sou alemã._ Bella falou com a voz tímida, e o juiz a olhou surpreso.
_ Não?_ Ele perguntou em dúvida e ela lhe ofereceu um sorriso irônico.
_ Por acaso me pareço com os moradores deste país? Não tenho olhos azuis e nem tão pouco cabelos claros. É óbvio que não pertenço a esse lugar._ Ela respondeu com firmeza e eu fiquei admirado com sua coragem e ousadia._ Eu sou inglesa. Fui deixada aqui contra minha vontade e nada me faria mais feliz do que ir embora._ Ela completou e eu sorri orgulhoso.
Essa era a minha Bella!
Ousada, decidida e corajosa.
O juiz a encarou por um momento e depois soltou um longo suspiro.
_ Então, a senhorita quer mesmo casar-se com ele?_ Ele dirigiu-se a Bella e ela assentiu com veemência.
_ Sim, senhor. Eu quero me casar com ele._ Bella falou com convicção e o juiz, pela primeira vez, nos ofereceu um sorriso sincero.
_ Bem... Já que ninguém aqui está sendo forçado, que seja feita a vontade de vocês. Vou precisar dos documentos dos dois e de duas testemunhas._ O Sr. Cameron nos disse e eu suspirei aliviado.
Ele iria realizar nosso casamento.
Mas, quando olhei para Bella, meu alívio esmoreceu um pouco.
Ela estava pálida e me encarava assustada.
_ Bella? O que foi?_ Perguntei preocupado, acariciando seu rosto de leve e ela balançou a cabeça, fazendo com que as lágrimas acumuladas em seus olhos se derramassem.
_ Eu não tenho documentos. Meu pai os levou com ele quando partiu._ Ela falou com a voz sumida e eu olhei para o juiz, preocupado.
O velho senhor suspirou e tirou da gaveta um livro grande e preto.
_ Eu não costumo fazer isso, mas como vocês foram sinceros comigo e parecem mesmo dispostos a se unirem em matrimônio, providenciarei uma certidão provisória para que você possa casar-se legalmente. Assim que esta certidão estiver pronta e vocês me trouxerem as testemunhas, eu caso vocês.
Sorri aliviado e beijei a testa de Bella, me deleitando ao vê-la sorrindo feliz e fechando os olhos para receber meu toque.
Nada me impediria de torná-la minha.
Ela seria minha esposa em breve.
Muito em breve.
*****
Pov. Bella
Alguns dias depois.
Eu estava nervosa.
Muito nervosa.
Olhei meu reflexo refletido no pequeno espelho da cabana e respirei fundo três vezes, tentando conter as batidas desenfreadas do meu coração.
Eu me casaria dentro poucas horas.
Deixaria de ser Isabella Swan, para me tornar a Sra. Cullen.
E esse pensamento era ao mesmo tempo maravilhoso e apavorante.
Ajeitei a pequena coroa de flores presa aos meus cabelos e alisei o vestido branco e simples, que se moldara perfeitamente ao meu corpo, me deixando parecida com uma noiva de verdade.
Edward insistira em me conseguir um vestido e pedira ajuda para sua amiga enfermeira, que seria nossa testemunha junto com Jacob.
A Sra. Forbes fora muito gentil comigo desde que me conhecera e hoje me ajudara com os preparativos para o casamento.
Ela fez questão de limpar a cabana e trocar a roupa de cama, preparando-a para minha noite de núpcias.
Providenciara meu vestido, sapatos, arrumara meu cabelo e pela primeira vez na vida eu me sentia bonita de verdade.
Edward ainda não me vira.
Mas, eu esperava que ele ficasse satisfeito com minha aparência.
A Sra. Forbes insistira que ele deveria me ver apenas na hora do casamento, embora esse fato tenha deixado Edward muito contrariado.
Mas ele obedecera.
Segundo Edward, não podia desperdiçar a sorte de velhas tradições.
Os noivos deveriam se ver apenas no momento do casamento.
E então, ele saíra antes que eu acordasse, me deixando nas mãos da Sra. Forbes.
Partiríamos para a América logo pela manhã e esse fato, somado ao pensamento do que poderia acontecer em uma noite de núpcias estava me deixando além do limite do nervosismo.
Eu não fazia nem idéia do que acontecia entre um casal.
Minha experiência resumia-se apenas a um beijo roubado de Edward enquanto ele estivera doente e ao beijo que ele me dera no dia em que pedira em casamento.
Nunca ninguém me dera instruções de como uma esposa devia se portar.
Eu não sabia quais eram todas as aplicações práticas do meu papel de esposa.
Respirei fundo e apertei o pequeno buquê de rosas vermelhas em minhas mãos, tentando me convencer que nada de diferente aconteceria entre Edward e eu. Essa noite seria como todas as outras que dormíamos juntos na pequena cabana.
E quem sabe, se eu continuasse a repetir essas palavras, não passava a acreditar de fato nelas?
_ Tudo bem, Bella?_ A Sra. Forbes me perguntou, certamente notando meu crescente nervosismo e eu sorri para ela.
_ Sim... Acho que sim. Só estou um pouco nervosa com o casamento._ Me justifiquei e ela sorriu compreensiva.
_ E com o depois, não é?_ Ela perguntou e eu senti meu rosto esquentar.
_ Também... Eu não sei bem o que pode acontecer hoje a noite. Nunca fui esposa de ninguém._ Expliquei e ela aproximou-se, tocando meu ombro carinhosamente.
_ Edward é um cavalheiro, querida e gosta muito de você. Ele vai ensinar-lhe tudo que você precisa saber. Basta que confie nele.
_ Eu confio cegamente nele.
_ Ótimo. Então tudo dará certo. Ele moveu céus e terras para que esse dia fosse especial para você. Edward queria lhe oferecer a experiência de um casamento de verdade. Não deixe que seu nervosismo e seu medo de entregar-se a sua nova realidade estrague esse momento.
Suspirei pesadamente e sorri para ela.
Edward jamais me faria algum mal, eu tinha certeza disso.
O fato de estar me casando com ele era a prova mais concreta desse fato.
Não importava minha inexperiência ou os meus traumas.
Juntos, curaríamos todos eles.
*****
E tudo parecia um verdadeiro sonho.
Edward me esperava sorridente ao lado de Jacob, ainda mais lindo em sua farda reluzente e eu não pude deixar de sorrir igual a uma boba enquanto me aproximava.
Tudo foi muito simples.
Mas não menos encantador.
O juiz disse algumas palavras estranhas, que eu não entendia, mas não me importava mesmo e logo oficializou nossa união.
Edward assinou na linha pontilhada e eu carimbei meu dedo, já que não sabia escrever.
O constrangimento de ser reconhecida como analfabeta por todos os presentes foi esquecido no momento em que ele apertou minhas mãos, em um gesto de apoio.
E naquele momento eu tive a certeza que seria muito feliz, pois ele sempre estaria ao meu lado, me protegendo e me apoiando.
As testemunhas assinaram nos lugares indicados e eu me surpreendi quando Edward segurou minha mão e deslizou uma simples, porém linda, aliança de ouro por meu dedo anular esquerdo.
Onde ele conseguia essas coisas?
Era impressionante o poder que ele tinha de me surpreender.
Ele me entregou uma aliança parecida com a que agora estava em meu dedo e eu entendi que deveria colocá-la em seu anular.
Segurei sua mão, e olhando nos seus olhos, deslizei o aro por seu dedo.
Agora era oficial.
Eu, Isabella Swan, estava casada.
Com Edward.
Com o capitão enviado dos céus para me resgatar do inferno.
Ele segurou meu rosto e suavemente tocou meus lábios com o seu.
Durante esses dias de preparação do casamento, Edward, percebendo meu nervosismo e apreensão, me dissera que se eu quisesse, poderia anular o casamento quando chegássemos a América.
_ Não quero pressioná-la. Se for essa sua vontade e lhe darei a liberdade e você poderá ter a vida que quiser, sem estar presa a ninguém._ Ele falou com a voz suave e eu senti um frio tomar conta do meu corpo.
Eu estava apreensiva por ele, como medo que ELE estivesse tomando uma decisão errada e viesse a se arrepender.
_ Não quero estar livre se isso significar não ficar ao seu lado. Já tomei minha decisão e se você ainda me quiser, serei sua esposa. De verdade e para sempre.
Ele apenas sorriu e me abraçou, sabendo que eu dizia a verdade.
Não queria nenhuma liberdade.
E, nesse momento, notando sua felicidade em me segurar ao seu lado, enquanto éramos cumprimentados pelos presentes, eu concluí que ela também não queria ser livre.
Edward não estava ali hoje obrigado por nada.
Ele me desejava ao seu lado.
Com meus erros, imperfeições e com meu passado.
Era simples assim.
_ Cuide dela, capitão. Bella é uma mulher maravilhosa._ Jacob falou e Edward fechou a cara para o jovem soldado, me fazendo encará-lo zangada.
Qual era o problema dele com Jacob, afinal?
Ele era meu amigo e estivera ao meu lado em um dos momentos mais difíceis durante aquela guerra.
Saber que Jacob me ajudara nos cuidados com Edward, evitando que ele morresse vítima daquela gripe maldita, me faria ser eternamente grata a ele.
E, portanto, Edward não deveria olhá-lo de cara feia.
_ Sra. Cullen, para você, soldado Black. E pode ter certeza que ela será bem cuidada. Cuidarei pessoalmente para que isso aconteça._ Ele respondeu com firmeza e Jacob se encolheu um pouco, se afastando em seguida, sem me cumprimentar.
Suspirei pesadamente e balancei a cabeça.
Teria que ter uma séria conversa com Edward a respeito de Jacob.
_ Bom... Missão cumprida. Agora sim, posso voltar para América._ A Sra. Forbes falou e Edward sorriu para ela, abandonando sua expressão carrancuda de momentos atrás.
_ Obrigada, Danna. Você foi ótima. Agradeço muito sua ajuda. E agora, eu exijo que volte o quanto antes para a América. Já ficou tempo demais por aqui.
_ Sim, capitão. Partirei amanhã com vocês. Pelo menos farei companhia a sua esposa durante a viagem._ Ela respondeu e eu sorri para ela.
Era muito bom saber que teria uma mulher comigo durante a viagem.
Só de me imaginar cercada tantos dias por soldados, eu tremia inteira.
Nos despedimos do juiz e Edward segurou minha mão, me conduzindo no caminho de volta a cabana.
Jacob acompanharia a Sra. Forbes e depois voltaria à reserva, para se preparar para a viagem.
O dia estava passando depressa e a noite caía lentamente, me fazendo ficar apreensiva.
Como seria essa noite?
O que Edward faria comigo?
Respirei fundo e tentei manter a calma.
Não adiantaria me desesperar agora.
Bastava que eu confiasse nele.
Chegamos à cabana quando o sol se punha e entramos em completo silêncio.
Coloquei meu buquê sobre a mesa e tratei de tirar os sapatos, que estavam me incomodando demais.
Edward foi até a cama e tirou o blazer da farta, colocando-o sobre o encosto de uma cadeira.
Depois, me encarou por uns momentos e eu pude notar que ele também estava nervoso.
E isso não tinha sentido, afinal, ele já fora casado antes e deveria saber o que fazer.
Não deveria?
_ Enfim sós..._ Ele falou sorrindo e eu sorri de volta.
_ Pois é. Sozinhos... Como todos os dias.
Ele me olhou por longos segundos e depois se aproximou lentamente, deixando meus sentidos todos alertas.
_ Está com fome?_ Ele perguntou suavemente, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e eu assenti de leve.
Embora meu estômago pesasse muito nesse momento, quanto mais tempo perdêssemos em tarefas comuns, menos tempo sobraria para minha aventura pelo desconhecido.
Edward esquentou nosso jantar e comemos em silêncio.
Lavei os pratos, enquanto ele tomava um banho e depois fui até o jarro d’água para escovar os dentes.
Ele saiu de trás do biombo vestido em uma calça preta que eu nunca vira antes e eu procurei não ficar encarando-o.
Fui em direção ao lugar de onde ele saíra e tirei o vestido que eu usava, pendurando-o junto a suas roupas.
Coloquei a camisola que a Sra. Forbes me dera de presente e respirei fundo várias vezes antes de sair de trás do biombo.
Edward estava sentado na cama e quando me viu, ficou me encarando por longos segundos, até que em um gesto mudo, chamou-me para seu lado.
E eu fui, como se um fio invisível me puxasse.
_ Bella... Eu..._ Ele suspirou e me trouxe para mais perto de si, me sentando ao seu lado na cama estreita._ Eu quero você. Quero que esse casamento seja de verdade, mas preciso que você confie em mim e queira a mesma coisa. Quando eu torná-la verdadeiramente minha, não haverá volta... Estaremos irremediavelmente unidos para sempre.
Eu respirei fundo e toquei seu rosto de leve.
_ Eu quero ser sua... De verdade e para sempre... Mas... Mas, você terá que me ensinar, porque eu..._ Suspirei e ele sorriu, apertando minhas mãos.
_ Aprenderemos juntos._ Ele disse simplesmente, me fazendo sorrir, mesmo ainda estando tão nervosa.
Não sabia o que esperar dessa noite, mas se tudo fosse tão maravilhoso como estava sendo desde que eu o conhecera, não tinha dúvidas de que ela seria perfeita.


Próximo capítulo, lua de mel...

No comments :

Post a Comment