THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 14

Espero que gostem...
Boa leitura!


The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama




Capítulo 14
Pov. Bella
Respirei fundo e olhei o céu cinzento, fazendo uma careta para as nuvens de chuva.
Eu estava sentada sob as árvores frondosas do jardim da mansão Cullen e não queria que chovesse, pois teria que entrar e enfrentar, mais uma vez, minha estranha realidade.
Edward saíra e, ficar ali sem ele ou Sophie, que estava na escola, não era uma situação agradável.
Eu ainda não me sentia um membro integrante daquela família.
Suspirei e fechei os olhos com força, encostando-me à árvore atrás de mim.
Nunca imaginei que pertencer a uma sociedade fosse tão difícil.
Viver escondida do mundo, abandonada pelos cantos era mais fácil do que se submeter a tantas regras de moral e etiqueta.
Eu estava feliz.
Disso, não tinha a menor dúvida.
Até porque, Edward continuava a ser a criatura mais importante do meu mundo e cuidava de mim como ninguém jamais fizera.
Mas, ser sua esposa implicava em vencer inúmeros desafios diários.
Sua mãe ainda não me aceitava como nora e jamais perdia a oportunidade de me humilhar, me rebaixar ou me ofender.
Lembro-me com pesar do dia em que ela descobrira que eu era analfabeta.
Eu estava na sala brincando de boneca com Sophie, como fazíamos todas as tardes desde que ela viera morar conosco.
Poderia até parecer estranho, por eu ser uma mulher adulta e casada, mas eu adorava nossas tardes de brincadeiras.
Eu nunca tivera a oportunidade de ser criança. Nunca tivera um brinquedo sequer, ao não ser uma pequena boneca feita com sabugo de milho que uma empregada do meu pai me dera e que minha madrasta fizera questão de queimar.
Eu chorara dias por perder meu único brinquedo, mas segundo Renée, eu devia trabalhar para poder comer e não tinha tempo para brincar de boneca.
Todas as oportunidades de brincar, sonhar e ser feliz me foram tiradas da pior forma possível e estar rodeada por bonecas de porcelana, vestidas com lindas roupas e sapatos, jogos de chá e panelinhas, era uma agradável novidade e eu adorava de dividi-la com Sophie, que parecia gostar de minha companhia.
Minha pequena era uma criança solitária, assim como eu fora, e me ter ao seu lado, partilhando brincadeiras normais, era uma realidade que ela parecia apreciar bastante e que fazia bem a nós duas.
Naquela tarde, ouvi a sineta da porta tocando, mas procurei ignorar.
Não queria que nada atrapalhasse meus momentos mágicos com Sophie.
E eu tinha certeza que nenhuma visita seria pra mim, afinal, quase ninguém naquele lugar me conhecia.
Uma das muitas empregadas da casa foi atender a porta, e depois de alguns minutos, me entregou um envelope muito elegante, rodeado por um laço dourado.
Fiquei olhando para o objeto em minhas mãos, sem saber o que fazer. Nele, eu só reconhecia uma palavra: Isabella.
De alguma forma, alguém naquele país sabia quem eu era e me enviara uma carta.
_ O que é isso, Isabella?_ Esme perguntou, vindo da copa e eu pulei de susto, olhando-a amedrontada.
_ Não sei. Deixaram para mim ainda pouco._ Respondi com a voz baixa e ela estreitou os olhos em minha direção.
_ Leia. Só assim saberá do que se trata._ Ela ordenou com a voz ríspida e eu engoli em seco, sentindo minhas mãos frias e úmidas.
Como sairia dessa situação, agora?
Esme não me aprovava e quando soubesse que, além de tudo, eu era analfabeta, certamente me desprezaria ainda mais.
Desviei o olhar de sua figura imponente e encarei novamente o envelope, sentindo meus olhos marejados.
Amaldiçoei minha vida que não me oferecera à oportunidade de aprender a ler e escrever, para que eu pudesse ser pelo menos um pouco adequada para estar ao lado do meu capitão.
_ Mamãe não sabe ler, vovó._ Sophie falou, depois de alguns minutos de um tenso silêncio e Esme arregalou os olhos, me encarando como se eu fosse o pior ser da face da terra.
_ Mas é claro que não sabe. Como não notei isso antes? Alguém como sua “mãe”, tão sem classe e sem berço, só poderia ser analfabeta. Diga-me, Isabella: De que buraco você veio? Por que aceitou casar-se com meu filho, quando sabia que jamais seria digna de estar ao seu lado?_ Ela falou com ironia, destilando desprezo e ódio a cada palavra e eu abaixei o rosto, sentindo-me ainda mais insignificante.
No fundo, eu sabia que ela estava certa.
Jamais deveria ter aceitado o pedido de casamento feito por Edward.
Eu não era adequada para estar ao seu lado e a cada dia isso ficava mais claro.
Mesmo estando mais feliz ao meu lado, não era eu quem devia ter me casado com ele.
Esme aproximou-se de mim com passos decididos e arrancou bruscamente o envelope de minhas mãos, encarregando-se de abri-lo.
Sophie, que observava a tudo calada, deixou a boneca de lado e sentou-se em meu colo, me abraçando e, certamente, tentando me consolar.
Minha pequena era uma criança maravilhosa e a cada momento eu me sentia mais apegada a ela.
Fazia poucas semanas que ela estava com a gente, mas eu não me sentia capaz de me separar dela.
Ouvi-la chamando-me de mamãe era uma das melhores experiências que eu já tivera na vida.
Sorri tristemente para ela, tentando tranquilizá-la e toquei seu rosto.
Não queria que Sophie sofresse por minha causa.
Ela era apenas uma criança e merecia o melhor que eu tivesse para oferecer.
_ Você está sendo convidada para um baile e tem o dever de comparecer. Vão apresentá-la para alta sociedade como esposa de Edward, para que daí, você possa frequentar eventos sociais e cumprir seu papel de dama na sociedade, embora de dama, você não tenha nada._ Dito isso, ela jogou o envelope sobre a mesa de centro e afastou-se, me deixando sozinha com Sophie na sala.
Baile?
Alta sociedade?
Deus, onde eu viera me meter?
_ Mamãe, você é uma dama de verdade. A dama mais linda que eu conheço._ Sophie falou baixinho e eu solucei, abraçando-a com força contra meu corpo e deixando que a angústia, tristeza e desespero tomassem conta de mim.
Se não fosse por minha pequena e por Edward, eu, certamente, já teria ido embora, pois era preferível viver na miséria, passando sede, fome e frio, do que ser humilhada diariamente.
Eu não tivera culpa do que me acontecera.
Jamais pedi para nascer e ter a vida miserável que tive, mas parece, que o preço por respirar o mesmo oxigênio que as pessoas ricas e importantes, seria cobrado para sempre.
Depois desse episódio, minha sogra passara a me ignorar totalmente, o que de certa forma era melhor, pois assim eu não era vítima constante de suas provocações e ofensas.
Não contei a Edward sobre o que acontecera naquele dia, pois não queria ser responsável pela discórdia entre ele e sua mãe, mas meu marido percebia a tensão no ar sempre que estávamos no mesmo ambiente, ficando tenso e irritado, e isto estava me fazendo muito mal.
Quando ele não estava, eu sempre me escondia no jardim, pois era o único lugar que me trazia paz.
Senti um vento gelado sobre a pele, mas ignorei, me encolhendo e escondendo o rosto sob meus joelhos dobrados.
Ainda não queria voltar para casa.
Escutei a voz de Alice vinda de longe e sorri de leve.
Ela devia estar a minha procura, mas até hoje ela ainda não descobrira onde era meu esconderijo.
Apesar de tudo o que estava acontecendo, eu e ela nos tornamos muito próximas.
A irmã caçula de Edward era uma garota incrível, alegre e divertida, embora fosse muito solitária.
Seus pais a mantinham enclausurada, pois ela era noiva desde criança e deveria ser preparada para o casamento, mantendo-se afastada de amigos para que não fosse influenciada.
Ela jamais frequentara a escola, sendo educada por professores particulares que vinham até sua casa. Alice dizia não se importar com isso, mas eu percebia nela uma vontade, ainda que tímida, de libertar-se.
Todos naquela família pareciam ter problemas em se relacionar com outras pessoas e isso era muito estranho.
Eles tinham tudo, mas mesmo assim não pareciam ser completamente felizes.
Os Cullen iam contra minha teoria de que ser rico era bom e satisfatório, pois mesmo estando cercado de luxo e fartura, faltava alguma coisa para aquela família.
Aparentemente, eles eram todos unidos e se amavam, mas não eram tão próximos como uma verdadeira família deveria ser.
Alice era comprometida com o capitão que dissera a Edward para se livrar de mim na guerra e eu, simplesmente, não conseguia confiar nele.
Não que eu fosse dizer isso a Alice, mas sentia pena dela por ter que se entregar a um homem cruel como ele, mesmo parecendo tão apaixonada.
Temia que ela viesse a sofrer em suas mãos, pois ele parecia ser uma pessoa muito fria.
Não o imaginava sendo atencioso e carinhoso com uma mulher e isso era preocupante.
Será que Jasper seria capaz de ser delicado e atencioso como Edward era em nossas noites de amor?
Senti um frio na barriga ao pensar no que acontecia entre nós todas as noites, e como não podia deixar de ser, meu rosto esquentou de vergonha.
Mesmo quando estávamos cansados, não conseguíamos nos manter afastados um do outro. Nossos corpos eram como ímãs e tinham a necessidade de estarem próximos.
Estar em seus braços, sentir seus beijos, seus toques, sua pele contra minha, ouvir sua voz rouca dizendo meu nome nos momentos de prazer era um vício difícil de ser curado. Tratava-se de uma necessidade vital.
Já fazia mais de dois meses que estávamos casados e eu já me sentia a vontade com ele, a ponto de não me importar em ficar nua sob seu olhar.
Edward me respeitava e era meu marido.
Ninguém no mundo tinha mais direito de me ver assim. Ninguém jamais me veria nua, porque eu pertencia somente ele. Somente a Edward. E mesmo que nosso casamento não durasse para sempre, eu não poderia ser de nenhum outro homem, pois apenas a ideia de outro me tocando me causava nojo.
Edward parecia apreciar meu corpo e o fato de dar prazer a ele de alguma forma e saber que eu o satisfazia me trazia uma imensa felicidade. Eu era boa o suficiente para estar ao seu lado, pelo menos nesse aspecto.
Ele sempre parecia disposto a me defender de qualquer mal ou perigo, não permitindo que as pessoas me destratassem.
Quando saíamos, Edward fazia questão de segurar minha mão e me apresentar a todos que conhecia como sua esposa, parecendo sentir-se orgulhoso de me ter ao seu lado.
Ele era meu guardião em todos os momentos e, às vezes, eu me deixava levar pela ideia de que ele me amava, mesmo afirmando que jamais poderia fazer isso.
Edward me olhava e me tratava com tanto carinho e dedicação, que era impossível ele não sentir nada por mim.
Eu esperava ansiosa pelo dia em que poderia me declarar a ele e ouvi-lo dizer que me amava.
Muitas vezes eu tivera que refrear essas palavras para não assustá-lo, pois tinha certeza que se eu me declarasse, ele fugiria de mim.
Eu nunca amara ninguém, mas seria capaz de afirmar que o nobre sentimento que ele me despertara era, sem dúvida nenhuma, amor.
Forte, puro e indestrutível.
Suspirei mais uma vez e abri os olhos lentamente ao sentir uma gota d’água acertando minha bochecha e dei um pulo ao notar que Jacob estava bem a minha frente, me encarando com um sorriso nos lábios.
_ Olá, Sra. Cullen._ Ele falou com a voz alegre e eu sorri, me levantando e passando a mão pelo vestido, para tirar os resquícios de terra e folhas.
_ Olá... Fico feliz em vê-lo, Jacob. Desde que cheguei aqui, você sumiu._ Falei contente e seu sorriso alargou-se.
_ Estive envolvido com assuntos pós-guerra e só agora pude vir para casa._ Ele explicou e eu sorri mais uma vez.
Era muito fácil sentir-me bem ao lado de Jacob.
Ele era alegre e parecia gostar verdadeiramente de mim. Perto dele, eu poderia ser autêntica, sem me preocupar com regras e privações.
Tinha certeza que nós dois poderíamos ser grandes amigos.
_ E então, o que está achando da América?_ Ele perguntou e eu suspirei, desviando os olhos para o céu, cada vez mais cinzento.
_ Eu gostei. Tudo aqui é muito bonito, mas eu ainda prefiro a Inglaterra._ Falei com sinceridade e ele sorriu mais uma vez.
_ Nada melhor do que o lar..._ Ele comentou e eu o encarei, triste.
_ Eu nunca tive um lar, na verdade. Mas, sempre gostei muito da Inglaterra. Espero ter a oportunidade de voltar lá um dia.
_ Tenho certeza que o Capitão Cullen providenciará isso._ Jacob falou e eu sorri._ Você parece preocupada. O que foi?
_ Nada. Estou bem._ Respondi e ele suspirou, certamente não acreditando em mim.
Apesar de termos tido pouco contato, ele me conhecia bem.
Mas, eu não queria preocupá-lo com meus problemas que eram tão insignificantes.
Eu não tinha muitas oportunidades de estar com outras pessoas, que não as da família Cullen, e não iria desperdiçar esse tempo com conversas tristes.
_ Fiquei sabendo que você irá a um baile, hoje._ Ele comentou e eu fiz uma careta.
Não queria pensar nesse baile e nem no fato de que hoje eu seria colocada em uma espécie de vitrine, para que toda sociedade me analisasse e julgasse se eu era, ou não, adequada para ser a esposa de Edward.
_ Se eu pudesse, fugiria correndo desse compromisso, mas parece que não tenho opção._ Falei tristemente e Jacob me olhou com pena.
_ Sei bem como se sente. Mas, fique tranquila. O capitão Cullen parece disposto a protegê-la e tenho certeza que não deixará nada de mal te acontecer.
_ Também tenho certeza disso. É a única coisa que me tranquiliza e me faze ter coragem de enfrentar essa festa._ Falei e ele sorriu.
Andei em direção a casa e Jacob me seguiu a passos lentos.
_ Você conheceu a pequena Sophie, não é?_ Ele perguntou e eu o encarei com curiosidade.
_ Sim. Mas, eu não sabia que você a conhecia._ Comentei e ele sorriu, olhando para o céu.
_ Ela passava todos os finais de ano na mansão e como, antes da guerra, eu sempre estava aqui, acabei conhecendo-a. Sophie é adorável, mas sempre me pareceu muito triste.
_ Sim. Ela era uma criança muito solitária. Mas, agora, eu e Edward estamos cuidando dela com carinho e dedicação e nossa pequena está feliz._ Disse contente e Jacob sorriu, me encarando de lado.
_ Tenho certeza que deve ser muito difícil não ser feliz ao seu lado._ Ele comentou e eu parei de andar, sentindo meu rosto esquentar de vergonha devido ao seu comentário.
_ Jacob, eu..._ Suspirei e ele sorriu tristemente, meneando a cabeça de leve.
_ Desculpe, Bella. Foi só um comentário. Não queria deixá-la sem graça. Mas, sabe... Eu lamento não ter sido eu a salvá-la de James. Hoje, eu estaria bem melhor... Tão feliz quanto o capitão Cullen.
_ Não diga isso. Por favor. Somos amigos... Eu... Eu sou casada com Edward. E sou muito feliz ao seu lado. _ Falei fracamente e ele continuou me encarando.
_ Eu sei. Posso ver o quanto ele lhe fez bem. Mas, eu não posso mudar o que sinto. Tenho inveja de vê-lo bem e feliz e saber que ele a tem todos os dias e que pode chamá-la de sua. No entanto, eu a respeito como esposa do meu capitão e do patrão do meu pai. Jamais lhe faltarei com o devido respeito.
_ Fico feliz em ouvir isso, soldado Black._ Ouvi a voz de Edward e olhei-o assustada, desviando os olhos da expressão triste de Jacob.
De onde ele surgira?
Edward aproximou-se e me segurou firmemente pela cintura, lançando a Jacob um olhar frio que me dava arrepios.
Não estava acostumada com o capitão implacável que existia nele.
_ Bom dia, capitão Cullen._ Jacob falou com a voz firme e estendeu a mão para Edward, que a aceitou em um aperto firme.
_ Bom dia, Jacob. O que faz por aqui?
_ Vim visitar meu pai e encontrei a Sra. Cullen aqui no jardim. Estávamos conversando, pois já fazia algum tempo que não nos víamos._ Jacob explicou e Edward me olhou por um momento e depois voltou a encarar Jacob.
_ Ótimo. Tenho certeza que Billy apreciou sua visita. Apesar de contar com a companhia de suas irmãs, ele sente sua falta._ Edward deslizou a mão sobre minhas costas e segurou firmemente minha mão._ Bem, levarei minha esposa para dentro, pois o almoço será servido em breve. Foi bom te ver, Jacob._ Edward falou e me puxou para a escadaria que ficava em frente à mansão.
Olhei para Jacob e sorri sem graça, fazendo força para esquecer suas últimas palavras e tentando, de alguma forma, tornar esse momento menos tenso e nossa despedida mais agradável.
Apesar de tudo, eu gostava muito dele.
Jacob estivera ao meu lado em um dos piores momentos da minha vida e ganhara de graça minha amizade.
Eu não queria que nossa relação fosse abalada por um sentimento errado ou por maus entendidos.
Ter sua amizade significava muito pra mim.
Passamos pela sala e Alice e Rosalie me olharam preocupadas, certamente notando a carranca de Edward.
Quando chegamos ao quarto, ele soltou minha mão e bateu a porta com força.
Estremeci com o barulho e o encarei muda.
_ Eu não quero você perto do Jacob, Bella. Entendeu?_ Edward gritou e eu o encarei com raiva.
_ Você não vai me dizer com quem eu falo, ou não, Edward. Você é meu marido e não o meu dono e eu não estava fazendo nada de errado._ Falei no mesmo tom e ele me encarou boquiaberto.
Imagino que desafiar o marido não fosse uma das muitas regras de etiqueta e boa conduta que uma dama deveria seguir.
Mas, que se dane!
Ele não gritaria comigo.
_ Eu não gosto de você perto de outros homens. Já fui traído uma vez e não quero que isso se repita._ Ele falou friamente e eu senti um baque no peito.
Quando ele me contara sobre a traição de sua primeira esposa, eu senti uma pena imensa dele e muita raiva de Elizabeth que tivera coragem de enganar um homem tão bom quanto Edward.
Ele fora muito nobre em cuidar de Sophie, mesmo sabendo que ela podia não ser sua filha e esse fato me fizera admirá-lo ainda mais.
Mas, jamais imaginei que ele fosse desconfiar de mim, também.
Nunca dera qualquer motivo para que ele duvidasse de minha fidelidade e suas palavras tiveram o poder de me magoar.
Lágrimas grossas desceram por meu rosto e ele me olhou arrependido, ao notar que eu chorava.
_ Bella...
_ Eu não sou Elizabeth... Jamais lhe dei qualquer motivo para que desconfiasse de minhas atitudes. Jacob é meu amigo. O único que eu já tive. Apenas isso. Você é o meu marido e o respeito como tal._ Falei com a voz rouca, tentando conter os soluços e ele passou as mãos pelos cabelos, nervoso.
_ Ele gosta de você._ Edward gritou e eu suspirei.
_ Eu também gosto dele. Como meu amigo. Apenas isso. Eu sou sua, Edward. Só sua e isso jamais vai mudar. Agora, se você não confia em mim, não há nada que eu possa fazer._ Falei tristemente e ele me olhou desesperado.
_ Eu confio em você. É nele que eu não confio. Tenho medo que alguém a tire de mim. Eu não suportaria perdê-la._ Ele falou com a voz fraca, sentando-se na cama e eu me aproximei dele com passos hesitantes.
Apesar de tudo, eu odiava vê-lo sofrer.
_ Você não vai me perder, Edward. Mas, eu preciso que confie em mim... Por Deus!_ Falei baixinho e ele me abraçou, fazendo-me sentar em seu colo e enterrando o rosto em meus cabelos, me assustando com seu movimento brusco.
Meu coração disparou devido ao susto e a sua proximidade, mas eu procurei me acalmar.
Edward assemelhava-se a um menino, agora e precisava do meu apoio.
_ Desculpe-me por tudo. Eu sou um idiota. Nunca quis compará-la com Elizabeth... Eu juro. Mas, eu tenho medo. Medo de que alguém possa fazê-la mais feliz do que eu e que você acabe me deixando. Medo de que alguém possa amá-la e..._ Ele falava rapidamente e eu coloquei a mão sobre seus lábios, silenciando-o e fazendo com que ele me encarasse.
_ Esquece isso. Está tudo bem. Fique calmo, pois ninguém tem o poder de nos afastar. Edward, você salvou minha vida. Resgatou-me da miséria e da solidão, me protegendo e me dando uma família. Eu tenho um lar graças a você. Tenho uma filha. Tenho você. Aceite isso. Jamais vou deixá-lo, ao não ser que você queira._ Falei emocionada e ele sorriu tristemente, beijando meu rosto com suavidade.
_ Eu nunca vou querer isso. Preciso de você._ Ele falou, beijando meus lábios e eu me entreguei à magia do momento, esquecendo-me de nossa briga e de sua desconfiança.
Ele era inseguro e, de certa forma, eu entendia isso. Meu papel era mostrar a ele o quanto era especial e que eu não tinha motivo nenhum para deixá-lo.
Ficamos assim, enroscados um no outro por bastante tempo, até que Sophie entrou silenciosamente no quarto e nos encarou timidamente.
_ O almoço está pronto. A tia Alice pediu pra chamá-los._ Ela falou com a voz fininha e eu sorri, estendendo minha mão para que ela se aproximasse.
Sophie andou até nós e aceitou nosso abraço.
_ Como foi a aula hoje?_ Perguntei suavemente, acariciando seus cachos loiros e ela sorriu.
_ Foi legal. Hoje tivemos aula de desenho. Gosto muito de desenhar e quero ser pintora quando crescer._ Ela falou e Edward e eu rimos de suas palavras.
_ Você será o que quiser, meu bem. Basta que continue sonhando e acreditando. Eu e o papai sempre estaremos ao seu lado.
Sophie nos olhou por um momento e sorriu feliz.
Eu faria qualquer coisa para conservar esse sorriso em seu rosto e a apoiaria em suas decisões sempre que possível.
Ela seria muito feliz se dependesse de mim.
Descemos para o almoço e, por um momento, me esqueci que essa noite poderia ser o meu pior pesadelo.
Deixei-me levar pelo clima leve e pelos sorrisos sinceros de Sophie, que parecia querer me apoiar de alguma forma.
Alice estava animada, pois me ajudaria com a arrumação para a festa.
Edward me olhou divertido quando fiz uma careta ao descobrir que estaria nas mãos de sua irmã a tarde toda.
Rosalie me olhou com pena e Emmett tirou sarro de minha cara, dizendo que era minha vez de ser cobaia de sua irmã.
Apenas Esme e Carlisle se mantinham em silêncio, observando a todos com suas expressões sérias e severas.
Às vezes, eu me perguntava se um dia eles me tratariam com naturalidade.
Imagino que se passaria bastante tempo até que eu tivesse essa resposta e eu só esperava não ter motivos para desistir de ser aceita por eles.
Eu havia prometido a Edward e a Sophie que estaria sempre com eles e daria minha própria vida para cumprir essa promessa.
Suspirei e me servi de mais batata, tentando não pensar muito no que estava por vir.
Pelo jeito, esse dia atribulado estava apenas começando.
*****
Encarei minha imagem refletida no espelho e olhei para Alice em dúvida.
Não tinha certeza se aquilo era uma boa ideia.
Eu simplesmente não saberia me comportar adequadamente em público.
Nunca havia ido a uma festa.
Jamais.
Edward tentara a todo custo me livrar desse suplício, mas sua mãe havia sido irredutível.
Como sua nora e a nova Sra. Cullen eu tinha o dever de comparecer a esse baile e deixar que todos me conhecessem e me avaliassem.
E eu sabia perfeitamente como isso terminaria.
Ninguém jamais me aceitaria como esposa de Edward porque eu simplesmente não era adequada para o papel.
E eu acabaria cometendo algum erro grave, ridicularizando meu marido e toda sua família.
Quanto mais o tempo passava, mais eu me sentia inadequada ao seu lado.
Suspirei pesadamente, tentando afastar esses pensamentos ruins e olhei mais uma vez para minha imagem no espelho.
_ Você ficou perfeita..._ Alice comentou e eu sorri de leve, virando-me e encarando-a.
_ Acho tudo isso um exagero. Não quero ir a essa festa._ Falei baixinho e ela fez uma careta.
_ Bella, você tem que ir. Minha mãe faz questão de apresentá-la como esposa do meu irmão. Rosalie já passou por isso e agora é sua vez. Não tenha medo, pois Edward não sairá do seu lado. Vamos mostrar para todos o quanto você é linda e perfeita para o capitão Cullen.
Meu corpo estava coberto por um lindo vestido rosa claro, um pouco rodado, que descia como uma cascata até meus pés. Um pequeno bolero rendado cobria meus ombros e minhas mãos estavam envolvidas em luvas de seda branca, que iam até meu cotovelo. Nos pés, um sapato de salto branco completava meu vestuário, embora ele estivesse totalmente coberto pelo vestido. Alice prendera meu cabelo em um coque elegante e fizera uma maquiagem leve, me deixando realmente bonita.
Bonita de um jeito que eu jamais estivera.
De certa forma, essa era a primeira vez que estava apresentável para ser considerada a Sra. Cullen.
_ Meu irmão vai pirar quando vê-la assim._ Alice falou alegre e meu coração deu um salto desesperado.
Respirei fundo e engoli em seco, tentando acalmar as batidas do meu coração.
Será que Edward aprovaria meu visual?
_ Mamãe, você parece uma princesa._ Sophie falou sonhadora e eu sorri para ela.
Minha pequena não iria a festa e ficaria sob os cuidados de Alice, que não poderia ir porque seu noivo não estaria lá.
Segundo Esme, uma moça jamais deveria ser vista em um local público se não estivesse acompanhada pelo homem ao qual pertence.
Eu achava isso um exagero, mas como não entendia de regras, preferia não expressar minha opinião.
_ Bom, está na hora do espetáculo. Meu irmão a está esperando e quero ver a cara dele quando vê-la assim, tão perfeita. Vamos?_ Alice perguntou e eu assenti.
Seguimos pelo imenso corredor, e quando cheguei ao topo da escada, senti meu coração falhar uma batida.
Estava mais nervosa do que no dia do meu casamento.
Desci lentamente os degraus e só olhei para Edward quando já estava com os dois pés firmes no chão da sala.
Ele me encarava sério e parecia perdido em pensamentos.
Edward estava fardado e se parecia com um sonho.
Não conhecia outro homem tão perfeito e lindo como ele.
_ Você ficou muito bonita, Isabella._ Emmett falou e eu sorri sem graça para ele.
Meu cunhado quase nunca me dirigia à palavra, mas eu gostava bastante dele.
Emmett era divertido e alegre e era muito difícil não sentir-se feliz ao seu lado.
Ele gostava de me provocar, mas parecia se conter, tentando não irritar Edward que sempre lhe lançava olhares mortais quando ele desferia suas brincadeiras contra mim.
_ Obrigada, Emmett._ Falei baixinho e ele piscou em minha direção.
Edward segurou minha mão e beijou meu rosto levemente.
_ Tenho que concordar com Emmett. Você está perfeita._ Ele falou e eu corei.
_ Gostaram da minha obra de arte?_ Alice perguntou animada e todos riram.
_ Ela está linda, Alice. Você fez um bom trabalho._ Rosalie falou e eu me senti feliz com suas palavras.
Perto dela, qualquer mulher parecia simples e sem graça e saber que, no momento, ela me considerava bonita, melhorava bastante minha autoestima.
Rosalie era bastante quieta e eu quase não a via.
Ela ficava o dia todo no quarto com sua filha Claire e só aparecia na hora das refeições.
Assim como eu, ela evitava maiores contatos com Esme, que parecia não aprová-la.
Hoje, ela iria conosco à festa, acompanhada de Emmett e eu esperava ter a oportunidade de conhecê-la melhor.
_ Vamos?_ Esme apareceu na sala, acompanhada de Carlisle e eu respirei fundo, sentindo meu corpo trêmulo e meu coração disparado.
Que Deus me ajudasse.
“Vamos lá, Isabella Cullen... À batalha!”
*****
Riqueza. Luxo. Beleza.
Essas três palavras podiam qualificar perfeitamente a festa da alta sociedade de Washington.
O que eu não entendia, era o porquê gastar tanto dinheiro com coisas fúteis como essa, quando existiam tantas pessoas passando fome e o mundo estava parcialmente destruído pela guerra.
Mas, ninguém ali parecia se importar com isso, já que circulavam despreocupadamente pelo salão ricamente decorado, ostentando seus vestidos e ternos caros, suas joias e bebendo champanhe como se não houvesse amanhã.
Sentia minhas mãos úmidas e frias e não conseguia relaxar de forma alguma, pois sabia que todos os olhares dos presentes estavam em mim.
Edward mantinha o braço em minha cintura e sempre que podia, afagava meu braço, tentando me tranquilizar.
Os olhares mais hostis vinham das mulheres, que me encaravam como se eu fosse um animal de circo.
Rosalie olhava para mim com pena e eu tentava me manter firme, me consolando por saber que esta festa não duraria para sempre.
Circulamos um bom tempo pelo ambiente lotado e a dor no pé devido ao sapato de salto já estava me incomodando. Sentia os grampos machucando meu couro cabeludo e minha vontade era sair correndo dali, vestir minhas roupas simples, meu chinelo, soltar meus cabelos e nunca mais ter que lidar com a complicada alta sociedade.
Mas, eu seria capaz de fazer isso por Edward. Só por ele, eu suportaria essa tortura.
Fomos todos conduzidos a uma mesa no centro do salão e Edward me ajudou a sentar, podo-se ao meu lado.
Olhei para a infinidade de copos, pratos e talheres e fechei os olhos por um momento, me lembrando de que eu ainda não adquirira a habilidade de me alimentar usando tantos utensílios.
_ Fique calma... Basta fazer tudo o que eu fizer._ Edward sussurrou no meu ouvido e eu assenti.
Logo serviram a entrada e eu tentava repetir todos os movimentos de Edward, fingindo que eu estava à vontade no meio de tanta gente estranha.
Rosalie e Emmett estavam sentados à minha frente e ela, discretamente, mostrava com gestos quais talheres eu deveria usar, tentando me ajudar, assim como Edward.
Esme me analisava em silêncio, mas até o momento não havia dito nada que pudesse me ofender ou me deixar sem graça.
Carlisle geralmente era mais agradável, mas até o momento, também se manteve calado.
A comida estava gostosa, mas eu sentia um nó no estômago e não conseguia engolir praticamente nada.
Tomei um pouco de água e quando ergui os olhos, encontrei Tânya me encarando friamente.
Imagino que ela nunca fosse me perdoar por ter me casado com Edward.
Desviei o olhar e tentei me concentrar na comida.
Uma música agradável tocava ao fundo, mas meu nervosismo não me permitia concentrar-me em nada.
O tempo passou lentamente e por sorte eu não cometi nenhum erro grave.
Consegui vencer o jantar e agora prestava atenção em uma apresentação de dança que acontecia no palco principal.
Edward segurava minha mão entre as suas e acariciava meus dedos de leve, rodando minha aliança de vez em quando, como para certificar-me que ele era meu marido e que não sairia do meu lado.
Em um dado momento, pedi licença para ir até o banheiro e Rosalie se ofereceu para me acompanhar.
Andei lentamente até lá e me senti aliviada ao me livrar da presença perturbadora de todos os convidados.
_ Já está acabando, Bella. Exigirão apenas que você dance com Edward e aí, poderemos ir embora._ Rosalie falou suavemente e eu a encarei, amedrontada.
_ Dançar? Rosalie, eu não sei dançar._ Falei desesperada e ela sorriu de leve, tentando me acalmar.
_ Fique calma. Tudo dará certo. Edward vai dar um jeito.
Era o que eu esperava.
Nunca havia dançado em minha vida.
Além de nunca ter tido oportunidade, minha coordenação motora falha me impedia de me sentir a vontade fazendo qualquer movimento que não fosse andar normalmente.
E dançar na frente de uma multidão de pessoas ricas e esnobes não estava na minha lista de realizações pessoais.
Respirei fundo e tentei acreditar que tudo daria certo.
Quando terminei de usar o banheiro, lavei as mãos e me virei para sair.
Rosalie me esperava na porta e eu não via a hora de voltar para o lado de Edward, onde me sentia segura e protegida.
Mas, as coisas nunca eram tão fáceis pra mim.
Tânya apareceu de repente e bloqueou a saída, me encarando com raiva e desprezo.
_ Pousando de dama, Isabella? Temo em dizer que seu disfarce não funcionou. Continua sendo a morta de fome que Edward resgatou por pena. Você nunca estará à altura de um homem como ele._ Ela falou e eu respirei fundo, não sabendo o que responder.
Não queria criar confusão.
Esme certamente me mataria se eu fosse protagonista de um escândalo.
Continuei em silêncio e Tânya andou lentamente em minha direção.
_ Não vou descansar até tornar sua vida um inferno. Nunca perdi nada em minha vida e não vou permitir que você fique com Edward. Ele era meu noivo e não tinha o direito de me abandonar para ficar com alguém tão insignificante e sem classe. EU. ODEIO. VOCÊ. E se depender de mim, sua vida será tão miserável quanto a minha está sendo nesse momento.
Ela me encarava com os olhos vidrados e repletos de ódio e, por um momento, eu senti medo.
Não sabia o que ela poderia fazer para me prejudicar, mas tinha certeza que se ela tivesse a oportunidade, ela destruiria minha vida.
Continuei em silêncio e esse fato pareceu enfurecê-la ainda mais.
_ Diga alguma coisa, desgraçada._ Ela gritou e eu dei um pulo, assustada.
_ Não tenho nada pra dizer. Eu não sabia que Edward tinha uma noiva quando ele me pediu em casamento. Se soubesse, jamais teria aceitado. Mas, você é uma moça bonita e tem classe. Tenho certeza que logo encontrará um homem que te ame e que queira casar-se com você._ Falei com a voz baixa e ela riu alto, se aproximando ainda mais de mim e me fazendo dar um passo para trás.
_ Você tem ideia do quanto Edward é desejado nessa cidade? Você sabe o valor de se ter um compromisso com ele? Eu não quero outro homem. Eu quero Edward. Só ele me interessa._ Ela gritou, segurando meu braço e eu dei mais um passo pra trás, tentando soltar-me.
_ Me solta._ Falei e ela apertou meu braço ainda mais.
_ Você vai se arrepender de ter cruzado meu caminho._ Ela falou, me chacoalhando e eu cheguei à conclusão de que estava realmente perdida.
Ao não ser, é claro, que rolasse com ela no chão do banheiro.
Mas aí, minha sogra certamente me mataria.
_ Solte-a, Tânya. Agora._ Edward falou, irrompendo para dentro do banheiro e eu senti um alívio imenso com sua presença.
_ Edward... Filho, isso aqui é um banheiro feminino._ Esme falou, entrando apressadamente e eu fechei os olhos com força, antevendo mais problemas.
_ Tânya, solte minha esposa antes que eu seja obrigado a chamar os seguranças para tirá-la à força desta festa._ Edward falou com a voz severa, ignorando sua mãe e Tânya finalmente soltou meu braço, me empurrando em direção a ele e saindo do banheiro sem dizer mais nada.
Edward me abraçou com força e beijou meus cabelos.
_ Você está bem?_ Ele perguntou suavemente e eu assenti.
_ Não se pode invadir banheiros femininos, Edward. Vamos sair daqui. Agora._ Esme ordenou e ele a olhou, irritado.
_ Não estou nem aí para o fato de que não posso entrar aqui. Minha esposa acaba de ser abordada por uma louca e a única coisa que eu quero é saber se ela está bem._ Ele respondeu e Esme o encarou, incrédula.
_ Eu estou bem, Edward. Vamos sair logo daqui._ Falei com a voz baixa e ele me encarou por um momento, antes de me puxar delicadamente para fora.
Depois disso, a noite passou como um borrão.
Em um dado momento, eu me senti observada.
Eu sabia que todos me olhavam, afinal eu estava ali para ser apresentada a sociedade, mas essa sensação era estranha.
Era como se alguém diferente me olhasse, me transmitindo uma sensação ruim e ao mesmo tempo já conhecida.
Tentei associar esse sentimento com toda a tensão que eu passara no banheiro e fingi que estava tudo bem, mesmo sentindo um frio congelante por dentro.
Aquele não era meu lugar, e quanto mais tempo eu passava ali, mais eu me dava conta deste fato.
Edward e eu dançamos a tal valsa, sob os protestos veementes dele, que não queria me expor ainda mais.
Quando viu que eu não sabia dançar, ele passou delicadamente as mãos pela minha cintura e me posicionou sobre seus pés, me guiando lentamente por toda a extensão da pista de dança.
Eu me sentia uma criança pequena sendo cuidada pelo pai, e aproveitei a sensação de paz momentânea que sua proximidade me trazia para deitar minha cabeça em seu peito e esquecer que todos a minha volta me observavam e analisavam cada piscada que eu dava.
Tinha certeza que todos estavam comentando sobre minha falta de habilidades com a dança, mas eu simplesmente me dei o direito de não me importar.
Eu não era uma dama. Não havia sido criada com luxo e nem tivera uma educação exemplar, mas Edward me escolhera e, nenhuma pessoa naquele salão podia mudar isso.
A imagem de Tânya me veio à mente, mas eu procurei bloqueá-la. Não levaria em conta as palavras que ela me dissera no banheiro. Confiava em Edward para me proteger de toda e qualquer ameaça.
Ao fim da noite, eu estava exausta.
Tanto emocionalmente, quanto fisicamente.
Primeiro Jacob, depois a briga com Edward, em seguida a festa, depois Tânya e por último, a sensação de estar sendo observada por olhares conhecidos.
Temia enlouquecer antes de cruzar os portões da mansão.
Respirei fundo e fechei os olhos, encostando minha cabeça no banco gelado do carro.
Edward beijou minha testa, mas não disse nada, o que eu agradeci.
Não estava com ânimo para manter uma conversa civilizada.
Chegamos em casa, e eu fui para o quarto de Sophie, verificar se estava tudo bem.
Ela dormia tranquilamente e eu senti uma paz imensa ao contemplá-la.
Beijei seu rosto e segui para o quarto de Edward, que me esperava sentado à beira da cama.
Ele estendeu as mãos em minha direção e eu as aceitei, me aconchegando em seu abraço.
Ali, era o único lugar que eu queria estar.
Era o único lugar no qual eu me sentia bem. Segura.
_ Desculpe por fazê-la passar por isso._ Ele falou baixinho e eu o encarei.
Edward parecia triste e eu toquei seu rosto suavemente.
_ Tudo bem. Não foi tão ruim assim. Pelo menos eu não fiz sua família passar vergonha._ Falei, tentando brincar e ele sorriu tristemente.
_ Você foi perfeita. Estava linda o tempo todo e eu senti muito orgulho de ser visto ao seu lado. Você era de longe, a mulher mais linda da festa.
_ Não seja bobo, Edward. Lá estavam as mulheres mais lindas que eu já vi, dotadas de uma educação exemplar e de uma classe que eu jamais irei possuir.
_ Elas podem ter classe, educação e dinheiro, mas a nobreza e a beleza pura e sincera que você possui, elas jamais terão. Hoje, a sociedade americana teve o prazer de conhecer a criatura mais especial que podia ter cruzado o caminho de um homem. Muitos me invejaram por tê-la, mas eu quero que se explodam. Você é minha e jamais abrirei mão do privilégio de possuí-la._ Ele falou suavemente, secando minhas lágrimas, que desciam abundantes pelo meu rosto.
Quando consegui parar de chorar, ele soltou os grampos do meu cabelo e tirou meu vestido lentamente, apreciando e acariciando meu corpo a cada pedaço de pele revelado.
Deixei-me levar pelo momento e logo estávamos rolando pela cama, apaixonados.
Eram nesses momentos que eu tinha certeza que todas as provações e dificuldades de ser sua esposa valiam a pena.
Eu era dele de uma forma completa e irremediável e esse fato jamais mudaria.
Gemi baixinho ao sentir seus lábios em meus seios e ergui meu corpo em sua direção, me dando completamente a ele.
Ele me acariciava por todas as partes e quando finalmente me penetrou, foi impossível conter o grito de prazer.
_ Shii... Vai acordar a casa toda._ Ele falou entre um beijo e outro e eu mordi os lábios, tentando não fazer barulho.
Senti meu corpo estremecer quando alcancei o clímax e cai exausta sobre os travesseiros.
Ele me abraçou e enterrou o rosto em meu pescoço, aspirando meu cheiro e fazendo minha pele arrepiar-se.
Eu estava sonolenta e não percebi quando ele saiu da cama, indo buscar um pano úmido para me limpar.
Pouco tempo depois, ele voltou a deitar-se, me abraçando firmemente e eu me deixei levar pelo sono e pelo cansaço, esquecendo-me de todos os problemas que me rodeavam.
O tormento da festa já havia passado e agora, era esperar que nada viesse atrapalhar minha vida com Edward, pois apesar de conturbada, ela era quase perfeita e seria assim enquanto ele estivesse do meu lado.


Espero que tenham gostado do Capítulo e que deixem muitos comentários.
Saibam que leio todos e que a opinião e participação de vcs é o que mais me inspira para continuar escrevendo.

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