THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 16

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama







Capítulo 16
Pov. Edward
Passei a mão lentamente pela cama, em busca do corpo quente de Bella e abri os olhos procurando-a, quando não a encontrei ao meu lado.
Geralmente era eu quem acordava primeiro.
Eu gostava de mimá-la muito todas as manhãs, despertando-a com beijos e carícias e sendo presenteado com o sorriso mais belo do meu dia.
Às vezes, eu lhe trazia café na cama, mesmo sendo repreendido por minha mãe, que insistia em dizer que eu a estava acostumando mal. Eu não me importava de fato com isso. Bella já havia sofrido muito na vida e eu queria recompensá-la por tudo e por ela me fazer tão bem.
Meu cuidado com ela, ultimamente, estava sendo redobrado, pois eu não queria que a tal Renée se aproximasse de minha pequena, uma vez que eu tinha certeza que ela era a madrasta má que tornara a vida de Bella um inferno.
A tal senhora me abordara outras vezes na rua e àquela sensação estranha de desconforto que eu sentira da primeira vez que falara com ela não me abandonara um segundo sequer
Eu pedira para que um soldado a investigasse e estava esperando seu parecer.
Eu tinha quase certeza de quem ela era e por isso era essencial mantê-la afastada de Bella.
Ouvi um ruído estranho e me apoiei nos cotovelos, olhando na direção do banheiro.
Nenhuma empregada entrava no quarto antes que Bella e eu o desocupássemos, portanto eu tinha certeza de quem fazia o barulho.
Saí da cama, vesti minha calça esquecida no chão e segui em direção ao barulho.
Encontrei Bella debruçada sobre o vaso sanitário, vomitando violentamente.
Fiquei paralisado por uns instantes, tentando entender o que acontecia e me convencendo de que nada grave estava acontecendo com ela.
Devia ser um mal estar qualquer, provocado por algum problema de digestão.
Eu me recusava a pensar que Bella poderia estar doente.
Mas, mesmo tentando ser otimista, senti um medo terrível ao vê-la tão fraca e abalada e me apressei em apoiá-la.
Passei meu braço sobre sua barriga e segurei sua testa, deixando que ela jogasse todo seu peso em meus braços e evitando que ela acabasse com um corte na cabeça devido aos movimentos violentos provocados pela ânsia.
Bella estava ofegante e me olhou assustada quando eu a toquei.
Ela vomitou mais algumas vezes e depois se sentou no chão, exausta, encaixando-se nos meus braços e soluçando.
_ Não aguento mais isso..._ Ela falou com a voz fraca e eu a apertei contra mim.
_ Desde quando você tem passado mal?_ Perguntei temeroso e ela deu de ombros.
_ Há algumas semanas. Mas, antes era só uma dor de estômago. Foi só há alguns dias que eu comecei a vomitar.
Fechei os olhos com força e espirei o cheiro suave do seu cabelo.
Deus, o que estava acontecendo com minha menina?
_ E porque não me contou?_ Perguntei, tentando conter a raiva por não ter sido informado que minha esposa estava doente.
Tudo o que acontecia com Bella me interessava e eu não gostava de ser mantido no escuro.
Eu precisava ser informado de tudo, para protegê-la como eu deveria.
_ Eu não quis preocupá-lo. Pensei que logo fosse passar. Mas, acho que me enganei._ Ela falou, limpando algumas lágrimas e eu suspirei, ajudando-a a se levantar.
_ Bella... Princesa... Eu não quero que esconda as coisas de mim. Preciso saber de tudo o que se passa no seu dia, para poder ajudá-la e cuidar de você._ Expliquei, beijando seu rosto e ela se desvencilhou dos meus braços, indo até a pia e pegando sua escova de dente.
Observei-a em silêncio enquanto ela fazia sua higiene matinal e resolvi prepara-lhe um banho.
Caso ela sentisse algum desconforto físico, como dores no corpo, um banho certamente o aliviaria.
Enchi a banheira e me virei para ela, ajudando-a a despir-se.
Bella entrou na banheira segurando minha mão e eu notei o quanto ela estava fraca e zonza, me preocupando ainda mais.
Esperei que ela estivesse completamente submersa, para então ir até a cozinha e preparar-lhe um café leve, não sem antes dar-lhe um beijo na testa e prometer que eu não demoraria.
Bella me encarou com a expressão culpada, mas não me disse nada.
Saí do banheiro, levando comigo sua expressão triste e melancólica.
Cheguei à cozinha e pedi para que a cozinheira preparasse uma bandeja com frutas, chá e torradas.
Enquanto isso, eu fui até a sala de jantar, onde todos estavam reunidos para o café da manhã e perguntei a minha mãe que tipo de remédio era bom para o estômago.
_ Boldo, talvez. Mas, não tenho certeza. Não se sente bem, filho?_ Minha mãe perguntou, preocupada e eu neguei com a cabeça.
_ Bella acordou indisposta e eu queria cuidar dela antes de ir para a base._ Expliquei e ela assentiu.
_ Vou pedir para Emma preparar-lhe um chá de boldo. Não deve ser nada grave._ Minha mãe falou e eu agradeci, me virando para ir até a cozinha, verificar se a bandeja que eu pedi já estava pronta.
_ Não vai tomar café, Edward?_ Ouvi a voz do meu pai e me virei para responder.
_ Vou tomar café no quarto com Bella._ Falei e ele assentiu compreensivo.
Quando cheguei à cozinha, o café da manhã que eu solicitei já estava preparado.
Peguei a bandeja e subi lentamente as escadas, tomando cuidado para não derrubar nada.
Quando cheguei ao quarto, encontrei Bella deitada na cama, embrulhada em uma toalha e com os olhos fechados.
Fechei a porta com o pé e depositei a bandeja sobre a mesa redonda que ficava em frente à janela.
Andei até a cama e encarei minha esposa, que estava mortalmente pálida.
Sentei-me na beirada e beijei seus lábios suavemente, fazendo com que ela abrisse os olhos e me encarasse.
_ Trouxe seu café..._ Falei baixinho, próximo ao seu rosto e ela ergueu a mão, acariciando meu queixo.
_ Desculpe por lhe dar trabalho. Por isso eu não lhe disse nada. Não queria preocupá-lo e nem fazê-lo perder tempo comigo. Você trabalha demais._ Ela falou com a voz fraca e eu revirei os olhos, beijando sua mão.
_ Pare de bobagens. Cuidar de você é o que me dá mais prazer nesse mundo. É muito mais que uma obrigação de marido. Seu bem estar é a prioridade de todos os meus afazeres. Sempre que sentir alguma coisa estranha eu peço que me conte. Por favor. Preocupa-me muito mais saber que você esconde as coisas de mim.
Ela respirou fundo e sorriu.
_ Ok, capitão. Prometo lhe contar sobre todos os meus próximos enjoos.
_ Eu vou cobrar essa promessa, senhora Cullen e vou ficar de olho para ter a certeza de que não estou sendo enganado._ Falei, beijando seu nariz e ela riu.
_ Não confia em mim?_ Bella perguntou, fazendo um biquinho adorável e foi minha vez de rir.
_ Claro que confio. Mas, como conheço essa sua cabeça absurda, e sei que você se considera um fardo para mim, ficarei de olho. Farei qualquer coisa para vê-la feliz e saudável. Sempre._ Respondi, olhando dentro dos seus olhos e vi quando uma lágrima solitária molhou sua face._ Por que está chorando?
_ Por que você é lindo. Estar com você é lindo. Ser sua esposa é maravilhoso e eu não me canso de agradecer à minha sorte por ela ter me dado você. Todo o sofrimento pelo qual eu passei valeu a pena, pois eu tive você como recompensa. E ouvi-lo dizendo que cuidará de mim para sempre me emociona, pois eu sei que está sendo sincero e sei que posso confiar em você, como jamais confiei em ninguém,_ Ela falou, me abraçando e eu senti um nó na garganta.
Ver Bella tão frágil estava mexendo com minhas emoções.
Não que eu estivesse deixando de ser o homem de sempre, mas minha vontade era chorar e gritar para quem quisesse ouvir que eu não podia viver sem ela e que eu ultrapassaria qualquer barreira e venceria qualquer dificuldade para tê-la comigo.
_ Vista-se, pequena e venha tomar café. Tenho certeza que você se sentirá melhor quando tiver alguma coisa no estômago._ Falei suavemente, ajudando-a a se levantar e ela suspirou, dirigindo-se até o armário.
Tomamos café em silêncio e eu notei que ela procurou comer o mínimo possível, certamente preocupando-se em passar mal depois.
Arrumei-me para o trabalho e ela desceu junto comigo, despedindo-se de mim na porta, com um beijo delicioso.
Fui para a base, sentindo seu gosto em meus lábios e não deixando de me preocupar com seu mal estar.
Pedi para Sophie e Alice ficarem de olho nela, avisando-me sobre qualquer mal estar que ela viesse ter. Elas ficaram bastante preocupadas com uma possível doença e eu me senti mal por envolvê-las nisso. Mas, como teria que trabalhar, o único jeito de saber se Bella ficaria realmente bem era perguntando a quem estaria com ela o dia todo.
Suspirei pesadamente e passei as mãos pelos cabelos, nervoso.
O que será que ela tinha?
Bella era uma mulher saudável e nem mesmo a praga dos campos de batalha a havia atingido.
Saber que ela estava doente, passando mal há várias semanas, era inquietante.
Poderia ser qualquer coisa e, essa coisa poderia ser responsável por tirá-la de mim e se isso acontecesse, eu certamente morreria.
Eu sabia que Bella não era imortal, mas enquanto eu vivesse, ela teria que estar ao meu lado.
Suspirei pesadamente e entrei no consultório médico, decidido a pedir que o Dr. Willy fosse visitá-la.
Trataríamos de qualquer doença e em breve, ela estaria bem outra vez.
Esse médico era novo na cidade, mas parecia ser bastante responsável.
Ele e sua secretária pareceram surpresos em me verem, mas eu procurei ignorar.
Qual era o problema de ser um Cullen, afinal?
Bestava que eu dissesse meu nome para que todos me olhassem ou me tratassem diferente.
O médico prometeu visitar minha esposa nas primeiras horas da tarde e eu enviei um recado à minha família, avisando-os da ida do médico até lá e qual seria o propósito de sua visita.
Fui para a base militar e mergulhei no trabalho, tentando esquecer-me da face pálida da minha esposa, vomitando no banheiro.
Eu não queria pensar nisso, mas era inevitável.
Minha preocupação com ela estava atingindo níveis extremos e eu só esperava que não fosse nada grave.
Era tudo o que eu queria.
*****
Cheguei em casa quando o sol já havia se posto.
O dia havia sido difícil, pois o estado de saúde de Bella não me saia da cabeça.
Quase mandei um general ir à merda apenas para conseguir sair mais cedo e verificar como minha menina estava.
Mas, envolvido com muitos papéis e problemas, eu só conseguira sair da base no final do dia.
Entrei na grande sala e fechei a porta rapidamente para me livrar do frio do fim de tarde.
Tirei o casaco, pendurando-o e busquei minha pequena com o olhar, já que todos os dias ela me esperava na sala. Mas, eu não a encontrei.
Respirei fundo e tentei não preocupar-me.
Será que ela passara mal de novo?
Será que estava de repouso, por recomendação médica?
Segui em direção ao andar de cima, mas quando cheguei ao pé da escada, ouvi risos conhecidos vindos da cozinha e fui até lá verificar.
Bella, Sophie, Alice e minha mãe estavam fazendo Deus sabe o que, cobertas de farinha da cabeça aos pés.
Minha pequena tinha o rosto corado e ria abertamente, enquanto ajudava Sophie a cilindrar uma massa. Alice enrolava tudo em pequenas bolinhas e minha mãe tentava, sem sucesso, conter e limpar a bagunça.
Tossi de leve para chamar-lhes a atenção e todas juntas viraram-se para me olhar.
_ Tudo bem por aqui?_ Perguntei divertido e elas se entreolharam, me encarando em seguida.
_ Sim. Tudo ótimo._ Alice respondeu e minha mãe revirou os olhos, claramente irritada.
_ Está tudo perfeito! Sua irmã e sua filha inventaram bolinhos de coco e olha só o que virou minha cozinha: farinha e massa para toda a parte._ Minha mãe respondeu indignada e eu ri de sua irritação.
Mas, eu tinha que concordar: a cozinha estava mesmo um caos.
_ E os bolinhos?_ Perguntei, adentrando o aposento e tentando não pisar nas melecas grudadas no chão.
_ Ainda não fritamos, papai. A mamãe não sabia como fazer bolinhos e eu e a tia Alice resolvemos ensiná-la. Mas, aí, eu derrubei um pouco de farinha no chão. Por isso, atrasou._ Sophie explicou solenemente e eu ri, estendendo os braços para pegá-la no colo.
_ Um pouco de farinha, Sophie Cullen? O que aconteceu nessa cozinha pode ser considerado uma tragédia._ Minha mãe falou, erguendo os braços pra cima e eu ri mais ainda, escondendo meu rosto nos cachos loiros de Sophia.
Há tempos eu não me divertia tanto.
Apesar de não cozinhar com frequência, a cozinha era o lugar preferido da minha mãe e ela tinha um ciúme absurdo de seus utensílios. Sem contar, que Dona Esme era meio obsecada por limpeza, o que significava que a cena de agora não estava deixando-a nada contente.
_ Mamãe, não seja dramática. Fazer bagunça é saudável._ Alice respondeu, terminando de colocar as bolinhas em uma vasilha, e minha mãe revirou os olhos mais uma vez.
_ Depois limpamos tudo, Dona Esme._ Bella falou baixinho e eu a olhei atentamente.
Ela não encarava minha mãe, mas parecia não ter mais tanto medo em dirigir-lhe a palavra.
Minha esposa parecia mais tranquila na presença de minha mãe e isso acontecera desde que eu dissera a Dona Esme sobre como Bella cuidara de mim na guerra.
Minha mãe ainda não havia dito nada a nenhum de nós e nem pedido perdão pela forma grosseira como tratara Bella, mas pelo menos não há destratava mais.
Pelo visto, as duas já eram capazes de conviver em um mesmo aposento pacificamente e isso me aliviava bastante.
Bella era uma mulher maravilhosa, assim como minha mãe e se elas se dessem uma chance, acabariam por tornarem-se grandes amigas.
_ Não precisa limpar nada. Terminem esses bolinhos de uma vez e deixem que Emma limpe. Mas, pelo amor de Deus, mantenham-se longe da minha cozinha._ Ela pediu e eu ri.
Bella assentiu e continuou mexendo na massa, de frente pra mim, mas sem me encarar.
Tudo o que eu queria saber no momento era como ela estava e se o mal estar da manhã havia voltado, mas teria que deixar meu interrogatório para depois.
_ Bom, vou esperar ansioso por esses bolinhos, mas, enquanto isso, vou tomar um banho._ Falei, deixando Sophie no chão e beijando a testa de Bella.
Minha menina ficou vermelha e manteve os olhos baixos.
Certa vez, Bella me pedira para não beijá-la em público e eu tentava não fazê-lo. Mas, às vezes, era simplesmente impossível não demonstrar o carinho que eu sentia por ela.
E um beijo na testa não fazia mal a ninguém, embora todas as vezes que eu fazia isso, minha mãe, Alice e Rosalie me olhavam de uma forma estranha.
_ Quando descer, estarão prontos._ Sophie anunciou, referindo-se aos bolinhos e eu assenti, deixando de lado meus devaneios e saindo da cozinha.
*****
Os bolinhos estavam uma delícia e todos gostaram, deixando o trio de bagunceiras muito orgulhosas.
Bella sorria o tempo todo e sua aparência saudável estava me deixando aliviado.
Antes do jantar, ajudei Sophie com a lição de casa e ouvimos Bella ler seu primeiro texto.
Era um poema simples, mas significavam um grande avanço para minha menina.
Bella já conseguia escrever muitas palavras, juntando as letras com perfeição e lia quase sem nenhum erro.
Ela parecia feliz e satisfeita com seu aprendizado, o que me deixava imensamente feliz também.
Alice e Sophie estudavam com ela quase todas as tardes e até Rosalie a ajudava com a lição, estabelecendo um laço de amizade entre elas que me agradava bastante.
Jantamos em meio a uma harmonia jamais vivida naquela casa e eu me dei conta de que ter Bella, Sophie e toda minha família a minha volta me fazia muito bem.
Antes de conhecer minha Bella, eu era uma pessoa amarga e solitária, que não permitia a aproximação de ninguém, nem mesmo dos meus pais e irmãos. Mas, agora, estar cercado das pessoas que eu amava me fazia feliz.
Eu conseguia sorrir com mais facilidade e quase nunca me lembrava dos horrores da guerra ou da morte de Elizabeth.
Um alarme soou em minha mente ao perceber que eu amava minha família.
Sempre me considerei incapaz de amar, mas talvez não fosse bem assim. Afinal, eu amara Elizabeth. Muito. Apenas a dor de sua perda e de sua traição me fez fechar-me para qualquer sentimento.
Olhei para minha menina que ajudava Sophie com a carne e pensei no quanto ela era importante pra mim e no quanto eu me preocupava com ela.
Será que isso era amor?
Será, que nesse tempo convivendo com ela, enfrentando tantos altos e baixos, eu havia me apaixonado por Bella?
Eu não queria que isso acontecesse, pois se eu chegasse a perdê-la, a dor acabaria me matando.
Nessa manhã ela me pareceu tão doente e a imagem dela fraca e pálida não me saia da cabeça.
Deus!
Eu poderia amá-la e me entregar a esse amor, talvez, fosse a coisa mais certa que eu faria na vida. Mas, antes, eu precisava da garantia de que não ia perdê-la.
Só assim eu poderia me declarar e seguir minha vida, feliz com Bella e Sophie sempre ao meu lado.
Fiquei em silêncio pelo resto do jantar, apenas observando todos a minha volta.
Sempre que Bella me pegava encarando-a, ela me olhava e sorria timidamente, fazendo com que as batidas do meu coração se acelerassem.
Como ela era linda!
Jamais me cansaria de admirar sua beleza, que se tornava ainda mais intensa devido a sua generosidade e bondade.
Após o jantar, colocamos Sophie na cama e nos dirigimos ao nosso quarto.
Finalmente eu poderia ficar a sós com minha esposa e saber o que se passava com ela e porque ela sentira-se mal pela manhã.
Ela prometera não esconder mais nada de mim, e, portanto, eu tinha certeza que ela me contaria o que o médico havia lhe dito.
_ Edward, me leva a um lugar?_ Ela perguntou de repente, antes que alcançássemos a porta do nosso quarto e eu a olhei, curioso.
_ Claro. Onde você quer ir?_ Perguntei, imaginando que ela quisesse passear, já que há muito tempo não saia para lugar algum.
Antes, eu deixava que ela fosse às compras com Alice e buscar Sophie na escola, mas desde que a tal Renée me abordara na rua, eu pedira para que ela não saísse, ao não ser comigo, e Bella me obedecia.
Fato que me deixava bastante aliviado, pois saber que ela andava pelas ruas correndo perigo não me deixaria concentrar em mais nada, e eu tinha trabalho a fazer.
_ Vem comigo._ Ela pediu, me tirando dos meus devaneios, dirigindo-se ao andar de baixo e eu apenas a segui.
Passamos pela sala, já silenciosa, uma vez que todos já deviam estar em seus quartos e paramos em frente a uma porta que há muito tempo permanecia trancada.
_ Aqui. Eu quero que você me leve aqui._ Bella falou com a voz suave, me encarando atentamente e eu suspirei.
Já havia até mesmo me esquecido desse lugar.
Abri a porta lentamente e deixei que ela entrasse, seguindo-a.
Olhei ao redor e tentei conter as lembranças que me invadiram.
Aquela sala fora construída quando eu me casara com Elizabeth.
Minha primeira esposa era pianista e exigiu que aquele lugar fosse construído, para que ela pudesse praticar e compor suas músicas.
Eu preparara tudo com o maior prazer, pois adorava ouvi-la tocar. Uma pena que eu desfrutara tão pouco daquele prazer, já que tivera que deixá-la para seguir para o treinamento de guerra.
Na época, eu daria minha vida por Elizabeth. Uma pena que ela não tenha sabido valorizar o meu amor.
Depois de sua morte, ordenei que ninguém mais entrasse naquela sala e minha vontade fora atendida. Até agora.
Não existia nada no mundo que Bella me pedisse e eu lhe negasse.
Ouvi o som um pouco desafinado das teclas do piano e me virei assustado na direção do piano.
Bella estava sentada em frente ao instrumento e tocava timidamente uma canção, me deixando boquiaberto. Ela finalizou a música e me olhou por um momento, estendendo os braços para que eu me aproximasse.
_ Porque essa sala fica trancada?_ Ela perguntou, e eu me sentei ao seu lado, encarando-a.
_ Eu fiz essa sala para Elizabeth. Ela era pianista e gostava de tocar e compor. Quando ela morreu, eu pedi que a sala fosse trancada e, desde então, ninguém entra aqui.
Bella suspirou e passou os dedos sobre as teclas.
_ Eu sempre quis ter um piano. O som que sai das teclas é mágico e eu adoro.
_ Você toca?_ Perguntei suavemente, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e ela sorriu tristemente.
_ Sim... Mas, não toco muito bem, pois não tinha muitas oportunidades de praticar.
_ Quem lhe ensinou?_ Perguntei, cada vez mais curioso sobre sua habilidade, até então desconhecida por mim.
_ Meu pai._ Ela respondeu depois de uns minutos e eu a olhei, assustado.
_ Seu pai? O mesmo que lhe abandonou em meio a uma guerra?_ Perguntei indignado e ela assentiu.
_ Sim. Meu pai me ensinou a tocar piano._ Bella respondeu calmamente e eu respirei fundo, tentando conter a raiva borbulhante que tomava conta de mim.
Aquele homem horrível, que fez minha menina sofrer, poderia ter constituído uma orquestra pra ela e mesmo assim, não deixaria de ser um monstro.
_ Como um homem tão mal possuía a sensibilidade de um pianista?
_ Charlie não era mal._ Bella respondeu depois de uns minutos e eu suspirei._ Ele era influenciável. Sua esposa ditava todas as regras e ele as obedecia. E uma de suas regras principais era me tratar mal ou me ignorar e era assim que ele agia em sua presença.
Esperei que ela continuasse sua história, mas eu sabia que seria difícil não sentir ódio daquele homem que deixara minha menina abandonada em meio a uma guerra, que lhe negara conforto, educação e cuidados, mesmo tendo ele dedicado um pouco do seu tempo para ensiná-la tocar piano.
_ Quando minha mãe morreu e ele assumiu os cuidados comigo, eu sofri muito, pois Charlie nunca ficava em casa e eu era obrigada a ficar com Renée. Ela me odiava, uma vez que eu era a prova do fracasso do seu casamento e da traição do seu marido. Renée sempre me agredia, gritava comigo e me colocava de castigo por nada. Às vezes, graças a Deus, minha madrasta viajava com as filhas e nessas ocasiões, Charlie costumava ser legal comigo. Deixava que eu dormisse dentro de casa, me oferecia refeições completas e me ensinava a tocar piano._ Ela falou sonhadora e eu a abracei pela cintura, beijando seu rosto._ Eu costumava escutá-lo pelos cantos da casa e achava as melodias que ele tocava as mais bonitas de todo o mundo. Uma delas, a que eu acabei de tocar, era a canção de ninar que minha mãe cantava pra mim. Charlie me disse que foi ele que a ensinou para ela. Certa vez ele me viu olhando-o e me convidou para sentar-me ao lado dele. Eu fui timidamente, pois tinha medo de me aproximar e acabar sendo maltratada. Mas eu fui, pois tinha muita vontade de receber ao menos um pouquinho de carinho do meu pai. E desse dia em diante, ele dedicou um pouquinho do seu tempo para me ensinar a tocar. Renée ficou por meses fora e, por esse motivo, eu aprendi tocar relativamente bem. E sempre que ela viajava, eu aproveitava a oportunidade para praticar. Meu pai nunca me deu nada, além da vida. Nem roupas, nem sapatos, nem brinquedos ou educação, mas me ensinou algo que eu jamais esquecerei: o dom da música. E eu agradeço a ele todos os dias.
Abracei seu corpo, trazendo-a para perto de mim e beijei seus cabelos.
Todas as vezes que eu ficava sabendo de mais um pedaço de sua história, uma tristeza imensa tomava conta de mim, ao me dar conta do quanto minha menina sofrera.
_ Hoje à tarde, antes de Sophie e Alice me chamarem para fazer bolinhos, eu descobri essa sala, mas não tive coragem de pedir a ninguém para vir aqui. Algo me dizia que só você poderia me dar essa permissão._ Ela falou com a voz suave e eu sorri.
_ Eu lhe dou essa permissão, princesa. Pode usar esse piano quando quiser, mas antes tenho que mandar afiná-lo. Ou quem sabe trocá-lo.
_ É um piano muito bonito, Edward. Não tem necessidade de trocá-lo. Ao não ser que você não queira que ninguém além de Elizabeth o toque._ Bella falou, baixando o olhar e eu respirei fundo.
_ Claro que não é isso, Bella. Eu fiz essa sala para Elizabeth, mas faço questão que você use. Você é minha esposa e tudo o que é meu, é seu. Nunca se esqueça disso._ Falei, beijando seus lábios e ela sorriu.
_ Ok. Vou acreditar em você. Obrigada por me deixar usar esse piano. Você não sabe o quanto isso significa pra mim.
_ De nada. Agora, para retribuir essa concessão, quero que você toque algo pra mim._ Pedi com a voz suave, beijando sua orelha e ela arrepiou-se, rindo baixinho.
_ Certo... Mas, mantenha suas mãos e sua boca longe de mim, se não eu me perco nas notas.
Afastei-me de seu corpo a contra gosto e fiquei observando-a tocar.
Bella tinha uma graciosidade única e tocava com uma propriedade inacreditável, não errando nem uma nota sequer.
A canção era triste, mas muito bonita e uma paz incrível tomou conta de mim.
Ela ficou muito tempo perdida nas notas musicais e eu não me cansava de observá-la.
Depois de um tempo, ela finalizou a canção e me olhou sorridente.
_ Prontinho, senhor... Gostou de sua canção?_ Ela perguntou, levantando-se do banco e aproximando-se de mim.
_ Obrigada, bela senhora. Gostei de cada nota. Foi lindamente tocada._ Respondi, puxando-a para meus braços e beijando-a profundamente.
Bella correspondeu ao meu beijo, gemendo baixinho quando eu afundei minha língua em seus lábios. Ela agarrou os cabelos da minha nuca e eu a apertei contra meu corpo, já excitado.
Toda a tensão do dia, sendo canalizada em forma de desejo por ela.
Um desejo imenso e delicioso.
Subi as mãos por suas pernas, erguendo seu vestido e escutando-a gemer mais uma vez.
Que Deus me perdoasse, mas eu faria amor com Bella naquela sala.
Agora.
Andei lentamente, até encostá-la na parede e desci meus lábios por seu pescoço, abrindo os botões do seu vestido para alcançar seus seios.
_ Edward, por Deus... Vamos para o quarto._ Ela pediu com a voz rouca e eu meneei a cabeça.
_ Não. Eu quero fazer amor com você agora. Não dá tempo de chegarmos a lugar nenhum._ Respondi, descendo seu vestido por seus ombros e tirando minha própria camisa.
Beijei seus lábios mais uma vez e em pouco tempo estávamos nus, deitados no tapete próximo ao piano e perdidos um no outro, da forma como só nós conseguíamos.
Bella não se opôs mais ao fato de estarmos fazendo amor ali e nem poderia, já que estava perdida nas sensações do seu próprio clímax.
Eu adorava vê-la no auge do prazer. Minha pequena se entregava as sensações e parecia estar tão livre e tão satisfeita. Nesse momento, ela estava com os braços arqueados sobre a cabeça, formando uma curva perfeita com o corpo, mantendo os olhos fechados e um sorriso satisfeito no rosto.
Era nesse momento que eu me dava conta que minha pequena havia se tornado uma linda mulher, tendo sido guiada para o mundo adulto através das minhas mãos.
Meu clímax chegava sempre depois do dela, sendo induzido pelas contrações naturais do seu próprio corpo e eu adorava a sensação de explodir com ela.
Esperei que nossas respirações se acalmassem e beijei seu rosto.
_ Sala inaugurada. Agora, esse lugar é oficialmente nosso._ Falei sorrindo e Bella revirou os olhos.
_ Não seja pervertido, Edward. Mais um pecado para nossa grande lista.
_ Esqueça essa coisa de pecado. Se o que fazemos juntos é pecado, eu quero ir para o inferno.
_ Edward! Não diga uma coisa dessas! Por Deus..._ Bella falou indignada, levantando-se e pegando seu vestido no chão.
Eu ri e me sentei, alcançando minha calça e vestindo-a.
Mas, antes que eu pudesse terminar de abotoá-la, minha mãe abre a porta de repente e grita ao nos ver praticamente nus.
E pela primeira vez na vida, senti meu rosto ferver de vergonha.
_ Pai amado da misericórdia, o que vocês estão fazendo aqui?_ Minha mãe perguntou indignada e Bella escondeu-se atrás de mim para tentar terminar de abotoar o vestido.
_ Nós... É... Mamãe, eu...
_ Pare de gaguejar, Edward Antony Cullen e me diga o que vocês estão fazendo aqui? Já passa da meia noite, pelo amor de Deus. Vocês deveriam estar dormindo e não sem roupas na sala de música de sua falecida esposa.
_ Bella e eu somos casados, mamãe. Podemos ficar sem roupas em qualquer lugar, desde que estejamos sozinhos, o que era o caso até a senhora entrar aqui sem ser convidada._ Falei, vestindo minha camisa e ajudando Bella a vestir-se.
_ Por Deus, meu filho. Existem regras de condutas de um casal, descritas pela bíblia e pregadas na igreja que devem ser seguidas. Fazer essas... Essas coisas em qualquer lugar é inadmissível.
_ Dona Esme, desculpe. Eu pedi para que Edward me trouxesse aqui, pois queria usar o piano._ Bella falou com a voz baixa e minha mãe estreitou os olhos em sua direção.
_ E você toca o piano sem vestido?
_ Mamãe!_ Falei indignado, quando percebi que Bella ficou vermelha e mortalmente envergonhada.
_ Mamãe uma ova! Eu não quero esse tipo de safadeza dentro da minha casa. Marquem uma hora, como qualquer casal normal e, pelo amor de Deus, mantenham-se vestidos.
Mas que merda era essa de todos tentarem impor regras em minha vida íntima?
Ninguém iria dizer como tratar minha esposa.
Nem mesmo minha mãe.
_ O que acontece na nossa intimidade não diz respeito a ninguém, mamãe. Vamos para o quarto, agora e eu não quero nenhum comentário sobre o que viu aqui, hoje. Boa noite._ Falei, puxando Bella pela mão e levando-a para o andar de cima. Quando chegamos ao quarto, ela sentou-se sobre a cama e me fuzilou com o olhar.
_ Eu disse para virmos para o quarto. E agora? Sua mãe vai pensar que eu sou uma vadia por deixar que você tome certas liberdades comigo.
_ Você é minha esposa e eu posso tomar a liberdade que quiser com você. Nós já tivemos essa conversa e eu não vou mudar de opinião. Desculpe por lhe colocar em uma situação constrangedora, quando você me pediu para sairmos de lá, mas é que eu não resisto a você._ Falei me aproximando e ela cruzou os braços sobre o peito.
_ Você não resiste a mim? Que ótimo, pois vai ter que aprender. Por causa de essa sua sangria desatada, ficaremos uma semana sem fazer amor._ Ela falou decidida e eu a encarei, incrédulo.
_ O que?_ Perguntei indignado e ela me encarou, com um sorriso triunfante.
_ Isso mesmo. Estou em greve até segunda ordem. Agora eu vou me preparar para dormir. E o senhor, capitão Cullen, use esse tempo para aprender a resistir a mim, pois a cada flagrante como esse, entro em paralisação por sete dias._ Dito isso, ela segurou meu rosto e deu um beijo suave em meus lábios, dirigindo-se em seguida para o banheiro.
Eu fiquei ali, sentado igual a um idiota, me xingando mentalmente por ser um imbecil descuidado.
Como diabos eu ficaria uma semana sem tocar nela?
Minha menina foi sempre tão boa e paciente. O que será que estava acontecendo com ela para transformá-la em alguém tão cruel?
Bella voltou para o quarto, deitou-se na cama e me ignorou completamente.
_ Bella, vamos conversar..._ Pedi baixinho, beijando seu rosto e ela se esquivou do meu toque.
_ Não temos mais nada para falar, Edward. Boa noite._ Ela respondeu e fechou os olhos com força, certamente tentando adormecer rapidamente.
Respirei fundo, indo para o banheiro e me preparando para dormir.
Pelo jeito, ela se manteria firme nessa ideia absurda de greve.
Isso não era justo. Tenho certeza que ela gostara de cada momento vivido naquela sala.
Porque eu deveria ser castigado por proporcionar-lhe prazer?
“Mulheres”!_ Pensei exasperado e revirei os olhos, chegando à óbvia conclusão de que eu jamais as entenderia.
Escovei os dentes e vesti o pijama, me dirigindo de volta para o quarto.
Minha semana seria muito longa e o melhor que eu tinha a fazer era dormir.
Amaldiçoei-me mentalmente até pegar no sono e esquecer a merda que eu tinha feito.
Tinha vezes na vida que eu simplesmente odiava ser eu.
*****
Acordei com a claridade invadindo o quarto e olhei para meu lado, apenas para constatar que Bella já havia se levantado.
Escutei um barulho e fui verificar o banheiro, vendo que ela vomitava mais uma vez.
E nesse momento, eu me lembrei de que não havia perguntado a ela sobre a visita do médico e me amaldiçoei por ser tão esquecido.
A saúde de minha esposa deveria vir sempre em primeiro lugar.
_ Bella..._ Chamei suavemente, segurando seus cabelos e ajudando a levantar e ela me encarou com os olhos tristes e culpados.
_ Sinto muito. Tenho certeza que isso vai passar logo._ Ela falou, dirigindo-se até a pia, para escovar os dentes.
_ Ontem eu pedi que um médico viesse consultá-la. Espero que ele tenha vindo e quero saber o que foi que ele disse._ Exigi e ela continuou escovando os dentes em silêncio._ Bella?
Ela terminou a tarefa, guardou a escova e se virou, olhando-me atentamente.
_ Eu não quis ser consultada._ Ela soltou e eu arregalei os olhos.
_ Como é?
_ Isso mesmo. Não quero ter certeza de nada. Não quero trazer-lhe problemas e preocupações.
Passei as mãos pelo cabelo, frustrado.
_ O que me preocupa é não saber o que está causando esses maus estares. Eu prometi cuidar de você e vou fazer isso até o último minuto da minha vida. E você vai ser consultada por um médico querendo ou não. Vista-se imediatamente, pois você irá comigo até o posto médico._ Falei rispidamente, segurando-a pelo braço e levando-a até o quarto.
Ela me olhava assustada, mas não discutiu quando eu peguei um vestido qualquer e lhe entreguei.
Arrumei-me rapidamente e fiquei esperando por ela.
Segurei sua mão quando ela terminou de se arrumar e a conduzi até a sala de jantar, onde tomamos café em silêncio.
A todo o momento minha mãe nos olhava com reprovação, mas eu procurei ignorar sua atitude.
Mesmo sendo minha mãe, dona Esme não tinha o direito de se meter em minha vida conjugal.
Terminamos de comer, demos um beijo em Sophie e seguimos pelas ruas geladas, rumo ao posto médico.
Não dirigi a palavra a minha esposa, pois temia ser grosseiro, uma vez que estava explodindo de raiva.
Como ela ousava ser tão descuidada com sua saúde?
Será que ela não percebia o quanto era importante pra mim?
Chegamos ao lugar e assim que disse meu nome, o médico nos atendeu imediatamente.
_ Fui até sua casa ontem, como me pediu, mas sua esposa não quis ser atendida._ O médico me explicou e eu assenti.
_ Tudo bem. Ela me contou. Mas, aqui estou eu, trazendo-a para que o senhor a consulte e me diga o que vem lhe causando tantos maus estares.
_ Certo. Bem, me sigam até meu consultório._ O médico falou, seguindo para dentro do consultório e eu guiei Bella até lá.
Sentamos em frente a mesa do médico e ele pegou um bloquinho de anotações, nos observando com curiosidade.
_ Quando pediu que eu fosse visitar sua esposa, pensei que se referia a Tânya Denali. Eu cheguei a Washington quando o senhor já havia seguido para a guerra e na época, ela era sua noiva._ O médico explicou com simpatia e eu o encarei, sério.
_ Ela era minha noiva sim, mas não me casei com ela, como pode notar. E isso, não lhe diz respeito, doutor. Minha esposa é Isabella e é a ela que o senhor deve consultar, não se deixando levar por fofocas, como se fosse uma velha mexeriqueira._ Falei com a voz ríspida e dei um pulo quando Bella beliscou meu braço, me olhando com cara feia.
_ Desculpe, Senhor Cullen. Eu não queria ser indelicado. Bem, vamos à consulta. Senhora Cullen, o que tem sentido ultimamente?
Bella me olhou por um momento e depois respirou fundo, virando-se para o médico.
_ Bem, eu... Eu tenho sentido enjoos, náuseas, fortes dores de estômago. Sem contar que às vezes me sinto irritada, triste ou alegre sem motivo algum._ Ela falou com a voz baixa e eu fiquei observando-a.
Suas mudanças de humor eram mesmo irritantes, tanto que, uma delas, me fizera ficar sem fazer amor por uma semana.
_ E suas regras? Estão certas? Você as recebe todos os meses?_ O médico perguntou de repente e, quando eu já estava a ponto de xingá-lo por querer saber de algo tão íntimo, escutei Bella arfar ao meu lado e a encarei assustado.
_ Não..._ Ela sussurrou e olhou amedrontada para o médico._ Eu não recebo minhas regras desde... Desde... Eu nem me lembro.
Sim. Ela tinha razão. A última vez que ela recebera as regras foi logo quando chegamos da Alemanha. Depois disso, ela não se negara a mim nenhum dia sequer, com a desculpa de ter problemas femininos.
Mas, será que a falta de regras era algo grave?
_ Ok. Bem, deite-se naquela maca, pois quero verificar uma coisa._ O médico pediu e Bella obedeceu imediatamente.
Ele apalpou seu ventre, a região dos seus seios, axilas e pescoço.
Eu observava a cena em cólicas, morto de vontade de arrancar as mãos atrevidas daquele médico.
Depois do que pareceu uma eternidade, o médico ajudou-a a levantar-se e se dirigiu novamente até sua mesa.
_ E então doutor, é muito grave?_ Perguntei ansioso e ele sorriu, meneando a cabeça.
_ Não, Capitão. Sua esposa não tem nada grave._ Ela falou e eu respirei, aliviado.
_ Mas, e a falta de regras? E os enjoos? As mudanças de humor?_ Bella perguntou preocupada e eu olhei novamente para o médico.
_ Não é nada._ O médico falou novamente, ostentando um sorriso e eu já estava a ponto de gritar, exigindo explicações mais claras quando ele voltou a falar._ Nada que não passe daqui a mais ou menos sete meses.
_ O que?_ Falei por falar, pois já sabia o que viria a seguir.
_ Sua esposa está grávida, Capitão Cullen. Parabéns, vocês serão papais._ O médico falou, mas eu não estava mais ouvindo.
Grávida.
Bella estava grávida.
É claro que eu sabia que isso podia acontecer.
Ela era minha esposa e nós fazíamos amor todas as noites, sem tomarmos nenhuma precaução.
Mas, e agora?
Se ela estava grávida, mais cedo ou mais tarde um parto teria que acontecer.
Elizabeth morrera no parto. E se Bella morresse também?
E se minha menina me fosse tirada da pior forma possível, deixando comigo um bebê, que seria a única lembrança do que talvez fosse meu sonho mais lindo de amor?
Deus!
Olhei para Bella e ela encarava um ponto qualquer a sua frente, mantendo as mãos no ventre ainda liso e parecendo maravilhada com a notícia.
Minha menina sempre quis ser mãe. Sempre desejou gerar uma criança e isso ficava claro quando ela segurava a pequena filha do meu irmão nos braços.
Mas, e o parto?
E se ela não resistisse e morresse?
O médico nos dispensou, dizendo que visitaria Bella todos os meses para acompanhar sua gestação.
Eu permanecia em completo silêncio e Bella também estava perdida nos próprios pensamentos.
Seguimos em direção à mansão e eu segurei a mão de minha menina, apenas para me certificar que nada de mal lhe aconteceria.
Mas, eu não podia protegê-la de tudo.
De repente, sem aviso, ela estacou no lugar e encarou alguém, com os olhos arregalados.
E quando eu olhei na direção de seu olhar, não tive a menor dúvida do porque havia tanto medo em sua expressão.
Renée nos observava de longe e, junto com ela estavam, quem eu imaginava serem suas filhas e seu marido, que pareciam tão assustados quanto Bella.
Abracei o corpo trêmulo de minha esposa e notei que ela chorava silenciosamente.
_ Tudo bem, Bella?_ Perguntei suavemente e ela me olhou, negando com a cabeça.
_ Eles me encontraram._ Ela sussurrou e eu respirei fundo.
_ Ninguém vai lhe fazer mal. Tenha certeza. Agora, vamos para casa, pois você precisa descansar._ Falei, conduzindo-a pela rua, desviando nosso caminho da família bizarra a nossa frente.
Agora eu tinha certeza.
Renée era mesmo a madrasta de Bella e àquela era a família de monstros que fez tanto mal à minha menina.
Eles podiam ter encontrado-a, mas jamais lhe fariam mal.
Minha menina e agora, meu bebê, estariam seguros.
De qualquer mal, para sempre.


E aí... O que acharam?
Tem bebezinho novo na área, como não podia deixar de ser.
Eu adoro crianças e, sinceramente acredito que uma família só é completa na presença dos filhos.
Bem... Mas, agora as coisas ficarão um pouco estranhas.
Os medos de Edward vão se manifestar, os vilões vão tornar a aparecer e a vida tranquila que eles levam será um pouco abalada.

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