FANFIC EU TE DOU MEU CORAÇÃO - CAPITULO 24

Notas iniciais do capítulo


Boa noite... e então, animadas para o próximo cap?
Então, eu falei sobre meu horario essa semana, mas felizmente, a hora extra foi cortada. Deixa eu explicar, meu horário é de 7 da manhã até as 17:20, só que eu estava escalada para a hora extra, entao ficaria até as 19:20, porem, meu digníssimo gerente, cortou a hora extra do meu setor todo...
Então, deu pra escrever um capítulo bem legal pra vocês, pelo menos eu espero que esteja legal rs
let's go!

Eu Te Dou Meu Coração

Eu te dou meu Coração
Diana Neves.


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Amizade, Drama, Hentai, Romance
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez


PLease, não dói, não cai o dedo e faz um autor se sentir útil e recompensado!




– Quem é esse rapaz que está com você? – Nossa, meu sogro é direto! E um pouco grosso, devo ressaltar.
Dei um aperto na mão de Bella, e ela respirou fundo antes de falar.
– É meu noivo.
Se não tivesse sido ofensivo, teria sido engraçado o rosto do Sr. Swan quando escutou que eu era noivo de sua filha.
Ele olhou pras nossas mãos unidas, olhou pra minhas pernas e depois olhou bem pro meu rosto.
Tive que engolir a sensação ruim que tive. Passei por cima daquele olhar preconceituoso e incrédulo, e limpando a garganta propositalmente, chamei a atenção dele.
– Muito prazer, Sr. Swan. Sou Edward Cullen, noivo da sua filha. – estendi minha mão direita, e ele meio incerto, veio em minha direção e a apertou. – Viemos até Forks pra comunicarmos nosso noivado a vocês.
Ele continuou com o me encarando meio incrédulo. Já estava começando a me sentir desconfortável.
Ele olhou para Bella, e seu rosto passou de incrédulo para indignação.
– Você. Cozinha. Agora. – essas foram as únicas palavras que ele disse. Um tom seco e cortante.
Bella saiu de perto de mim rapidamente, indo, pra onde eu julguei ser a cozinha.
O Sr. Swan respirou fundo e olhou pra mim de novo.
– Ér... Pode ficar a vontade. – coçou a cabeça. - O controle da televisão está no sofá. – Assenti. Ele ainda parecia desconfortável, e eu mais ainda.
Ele se virou para sair da sala, mas voltou novamente.
– Só por curiosidade, rapaz. Você é Edward Cullen, como os Cullen da construtora? – suspirei. Tudo bem, eu já sei o que ele está pensando.
– Sim, sou da família Masen Cullen, do ramo de engenharia e arquitetura. – declarei um pouco desconfortável.
Ele assoviou.
– Nunca imaginei receber alguém de uma família tão importante em minha casa. Fico honrado. – não sei se ele estava sendo honesto ou zombando.
– Minha família não é importante, apenas temos um negócio que dá lucros. – tentei ser o mais educado possível.
– Claro, claro. Bem, pode ficar a vontade, só não repara, a casa é simples. – disse de forma desdenhosa e se virou para ir para a cozinha.
Coitada da minha Bella!
Iria sofrer um bombardeio, não de sua mãe, que eu pude perceber que é bem quieta, mas de seu pai, que a primeira coisa que reparou foi em meu sobrenome. Com certeza pensando que a filha está enganando um inocente rapaz rico e deficiente.
Bom, até minha mãe pensou isso. Pensou ou pensa, não sei. Ultimamente ela tem pegado leve, até aceitou facilmente a decisão do casamento.
Por facilmente, eu digo, apenas me contestou durante a semana toda, e me disse todas as vantagens que um namoro e um noivado longo têm.
Continuei parado no meio da sala, por enquanto eu não escutava sons vindos da cozinha.
Bom! Pelo menos não estava tendo brigas.
Retirei meu celular do bolso, e escrevi uma mensagem para Emmett.
De: Cérebro
Para: Pinky
Mano, to na casa dos meus sogros. A Sra. Swan até parece ser bem legal, mas o pai da Bella, sei lá, o achei meio mal encarado. Abraços, se cuida. Mando notícias mais tarde.
Apertei a tecla para enviar, e guardei o celular novamente no bolso.
No exato momento em que fiz isso, escutei a voz do pai de Bella. Ele falou alto e não parecia nada amigável.
– Um aleijado, Isabella? Você foi atrás de um aleijado rico pra você se encostar? – Porra, essa doeu! Sua voz era alta, mas não chegava a ser um grito.
Silêncio!
Bella provavelmente estava tentando falar baixo, para não me constranger, caso eu escutasse algo. Mal sabia ela que eu escutei a parte que com certeza me constrangeu.
Comecei a pensar se realmente foi uma boa coisa ter vindo falar com seus pais.
– VOCÊ É BAIXA, GAROTA! – opa! Agora ele gritou com minha Bella! Meu sangue ferveu. Mas ele é o pai, eu não posso simplesmente invadir a cozinha e mandar ele não gritar com a própria filha.
Mas porra, ela é minha noiva. Eu não posso deixar que ela seja humilhada e julgada dentro da casa dos próprios pais.
Havia decidido interceder por Bella. Movi minha cadeira alguns centímetros, e logo escutei sua voz. Aliás, seus gritos.
– VOCÊ É UM PRECONCEITUOSO! EU AMO MEU NOIVO. ESTÁ ESCUTANDO? AMO! E NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ OU QUALQUER OUTRA PESSOA PENSA, ELE, QUE É O MAIS IMPORTANTE NA HISTÓRIA, SABE QUE O AMO MAIS QUE TUDO NESSE MUNDO. – meu peito se inchou de orgulho da minha menina.
Ofeguei emocionado por ela enfrentar seu pai, esclarecendo sempre que me ama, e dando as costas para esse preconceito idiota.
– AMA? VOCÊ O AMA? – O Sr. Swan riu com deboche. – E ELE TE AMA MESMO SABENDO QUE VOCÊ FOI EMBORA DAQUI, GRÁVIDA DE UM BANDIDO, E QUANDO TOMOU UM PÉ NA BUNDA, VOCÊ MATOU SEU FILHO? – como? Eu ainda estava na mesma casa, certo? Era a mesma família discutindo? Porque eu sinceramente me perdi nesse assunto.
– EU NÃO MATEI MEU FILHO! – Bella gritou com desespero em sua voz.
– PRA MIM, ABORTAR É A MESMA COISA QUE MATAR! – acusou o pai.
Houve silêncio na cozinha, e na sala também!
Eu estava estático.
Que filho? Que história é essa de aborto? Bella nunca me falou nada. E que coisa é essa de ela ter ido embora com um bandido?
Seria esse bandido o ex-namorado idiota?
Mas isso não importava.
O que importava era: Que história é essa de filho?
Fui tirado de meus pensamentos, quando Bella saiu da cozinha como um foguete, com sua mãe logo atrás tentando impedi-la.
– Vamos embora, Edward! – ela me chamou por entre os dentes. Segurei seu braço.
– O que foi isso que eu ouvi? – fui direto. Seu rosto passou da raiva para o medo e vergonha.
– Você ouviu tudo? – assenti sério. – Olha, não é isso que você está pensando, eu... eu preciso ir embora daqui. – segurei mais forte em seu braço. – Edward, você está me machucando! – imediatamente soltei seu pulso.
– Me desculpe. – passei uma mão pelo meu cabelo. Eu estava nervoso. Que história é essa de filho? Será que ela podia me explicar essa merda?
– Eu vou conversar com você, mas, por favor, vamos embora. – implorou. Seus olhos me pediam para salvá-la desesperadamente.
– Filha, por favor, seu pai estava nervoso. – Sua mãe, pela primeira vez, se manifestou.
– Nervoso? – Bella riu com escárnio. – Nervoso seria se ele brigasse por eu ficar tanto tempo longe, e ter dado apenas dois telefonemas pra vocês nesses três anos. Nervoso seria se ele dissesse que me colocaria de castigo. – Bella já estava se alterando. – Nervoso seria se ele tirasse o cinto e me batesse. E QUER SABER? – ela começou a gritar. – EU NÃO LIGARIA! MAS ELE ME HUMILHOU. ME ACUSOU DE ESTAR DANDO UM GOLPE NO MEU NOIVO. ME ACUSOU DE APROVEITADORA. ELE FOI PRECONCEITUSO. ELE OFENDEU MEU NOIVO, E ISSO EU NÃO ACEITO.
Senti um aperto em meu peito. Mesmo intrigado com essa história de filho, eu me senti orgulhoso pela mulher que eu tinha. Que sempre visava meus interesses, e me defendia como uma leoa.
– Isabella, pára de gritar. – O Sr. Swan apareceu na sala novamente. – Edward, eu quero conversar com você. – declarou direto.
– Nem pense nisso! – Bella intercedeu. – Você pode falar suas merdas pra mim, mas pra ele não. Com ele você não mexe. Não vou deixar Edward escutar seus desaforos. – disse decidida. E porra, nunca me senti tão amado e protegido antes.
Mesmo ainda com o assunto pendente, eu queria agarrá-la e beijá-la pelo resto da minha vida.
– É uma conversa de homem pra homem, Isabella. – ele manteve a perturbadora calma, que não combinava nada com o momento.
– Eu vou. – levantei minha cabeça e olhei para o rosto de Bella. Ela negava com a cabeça. – Eu vou, fica aqui com sua mãe. Tente se acalmar. Aproveita e liga pro hotel, pede pro Eric vir nos buscar. Prometo que não vou demorar. – ela ia abrir a boca pra falar algo, mas eu movi minha cadeira, e ela se silenciou.
Segui o Sr. Swan até a cozinha, e quando pensei que iríamos parar no local, que parece ser o tribunal da família, ele abriu a porta dos fundos, e deu sinal para que eu o seguisse.
Chegamos a uma garagem pequena, com um Santana 93/94 parado, parecendo não ser usado há muito tempo.
A garagem tinha alguns artigos de pesca, algumas caixas de ferramentas e um gigante e antigo cortador de grama jogado e empoeirado no canto.
– Sr. Swan... – Eu comecei, mas ele logo estendeu a mão em um sinal para eu parar.
– Charlie. – franzi o cenho. – Me chame apenas de Charlie. – assenti. – Edward, eu não sou muito bom com as palavras, eu fui criado assim, meio xucro. – coçou a cabeça, e me olhou meio sem jeito. – Eu não queria ter te chamado por aquele nome, você sabe qual é. Eu sei que você sabe, afinal eu estava gritando.
– Tudo bem, Charlie. Você com certeza não foi o primeiro a me chamar por esse nome. Pode ficar tranqüilo. – usei meu tom neutro.
Ele negou com a cabeça.
– Eu posso ter sido criado meio bronco, mas minha finada mãe nunca me ensinou a desrespeitar e ofender as pessoas. – arqueei uma sobrancelha. – Eu sei que eu posso ter sido duro com Isabella, mas eu sou pai Edward. E quando a minha filha de 18 anos apareceu grávida, e de um aprendiz de bandido, eu fiquei louco. – acho que ele notou que eu não sabia nada sobre o assunto. – Bom, acho que ela deve te falar isso mais tarde.
– Com certeza, ela vai. – disse firme.
Ele assentiu e continuou.
– Eu fiquei louco. Eu disse que não a queria mais debaixo do meu teto, mas foi mais como da boca pra fora. Na hora da raiva. Mas ela levou a sério. E eu fui orgulhoso demais para ir atrás dela. – fez uma careta, o que pareceu na tentativa de conter uma lágrima. – Quando ela ligou pra Renée dizendo que tinha perdido a criança, eu logo deduzi o óbvio: O cara se mandou e ela teve que abortar. – tomei uma longa respiração pra poder continuar escutando sobre esse assunto. – Eu não sei se fiquei com mais raiva dela, por ter se envolvido e engravidado de um cara tão idiota, ou com raiva de mim, por não ter apoiado minha filha única, de 18 anos, que havia cometido seu primeiro erro na vida.
Houve um momento de silêncio, e ele logo continuou.
– Renée só foi me dizer hoje, que Bella havia ligado avisando que viria com o namorado. Até então eu não sabia que era noivo. – sorriu sem graça. – Você já deve saber qual foi a primeira coisa que eu imaginei, certo?
– Que eu sou algo mais aproximado de um ser assexuado, totalmente bobo, e que a primeira mulher que eu vi, eu quis casar, e que ela se aproveitou disso pra tirar o meu dinheiro, em troca de alguns beijos que teria que trocar comigo durante o dia. Estou certo? – perguntei cético. Eu não queria ter usado esse tom, mas foi mais forte que eu. Eu estava cansado das pessoas duvidarem da possibilidade do nosso amor.
Ele pareceu um pouco envergonhado.
– Não com esses detalhes todos. Mas basicamente, foi isso.
– E o que fez o senhor mudar de idéia em menos de cinco minutos? – ele encolheu os ombros.
– Bella nunca me enfrentou. Nem mesmo quando eu dei a entender que a estava expulsando de casa. – respirou fundo. – Eu sei que isso não quer dizer muita coisa, afinal ela amadureceu, virou uma mulher. Mas, o jeito que ela te defendeu, rapaz. Acho que ela não defenderia a mais ninguém nesse mundo assim. Ela... Ela gosta de você. – ele mantinha a cabeça baixa, evitava encontrar meus olhos.
– Ela me ama! E eu a amo muito também. E é por isso que vamos nos casar. Eu quis vir aqui pra oficializar nosso noivado perante vocês, que são os pais de Isabella, e mereciam alguma satisfação, independente de como ela saiu daqui. Ela ainda é filha de vocês, e eu imaginei que vocês gostariam de saber que ela tem alguém que a ama muito, e que vai dedicar tempo integral pra cuidar do bem-estar e felicidade dela.
Ele assentiu, ainda envergonhado.
– Você... ér, você me desculpou mesmo pelo jeito que eu te chamei, certo? – olhou meio de rabo-de-olho pra mim.
Sorri.
– Desculpei sim, Charlie. E eu entendo o susto que você deve ter tomado, quando viu sua única filha após 3 anos longe, e se deparou com seu noivo paraplégico. – ela pôs as mãos no bolso da calça, e sorriu meio sem graça.
– Bom, digamos que é uma situação que eu não esperava. Mas eu simpatizei com você, rapaz. Parece ser uma boa pessoa.
– Bella não reclama. – dei de ombros.
– Ok, não somos amiguinhos. Você não precisa ficar me contando essas coisas com minha filha. – ele falou num tom meio sério, mas percebi que foi uma tentativa falha de fazer piada. Sorri, pra não deixar seu recém bom humor ir embora.
– Claro, claro. – suspirei. – Bom, agora acho melhor eu ir embora. Bella já deve ter chamado o motorista, e eu não quero que ela se aborreça muito. – lhe enviei um olhar acusador. – Ela já está bem magoada, e nós ainda vamos ter uma conversa difícil, pelo que eu pude entender. – Charlie se encolheu um pouco.
– Eu não queria magoá-la. É que eu fiquei nervoso com toda essa situação, e quando eu vi as coisas já tinham saída por essa boca idiota. – deu um tapa no capô do carro velho, e se apoiou ali. – Vocês voltam amanhã? – seus olhos suplicando uma resposta positiva.
– Sinceramente, Charlie, por mim eu voltaria, mas Bella com certeza vai querer ir embora o mais rápido possível. – seus olhos se arregalaram.
– Não, por favor. – fez uma careta de dor. - Não quero perder minha filha de novo.
Ficamos em silêncio por um tempo. Charlie parecia lutar contra lágrimas. A todo momento seu rosto se contorcia em caretas.
– Peça desculpas. – sugeri calmamente. Ele me olhou com seu rosto ainda atordoado.
– Como? – ele parecia mesmo estar disposto a tentar.
– Apenas diga a ela tudo que me disse. Bella precisa saber que você a ama.
– Mas é claro que eu... que eu... – encolheu os ombros. – Amo minha filha. – desviou o olhar. – Como você pode ver, não sou bom com palavras ou sentimentos.
– Vai ter que ser, se quiser ter sua filha de volta. – ele assentiu meio desanimado. Empurrei minha cadeira pra mais perto dele. – Charlie, minha família também briga, nós também temos nossos problemas. Mas a gente sempre volta às boas porque sabemos que nos amamos muito. Porque nós sempre falamos e demonstramos todo o amor que sentimos. Não é vergonha amar alguém. – ele me olhou humildemente. – Acho que vergonha maior é não amar e não ser amado por ninguém. Isso sim deve ser bem ruim.
Ele sorriu fraco.
– Você é danado mesmo, rapaz. – sorri orgulhoso.
– Acredite, eu não era assim antes de ter Bella em minha vida. Ela é um presente que Deus enviou pra mim. Por isso, fazê-la feliz é mais que uma obrigação, é uma necessidade minha.
Charlie apertou levemente meu ombro.
– Fico feliz de Bella ter escolhido alguém tão bom pra ela. Sei que minha filha vai ser bem cuidada. – assenti.
Eu voltei para a sala, Charlie preferiu ficar um pouco mais na garagem, pensando e dando tempo de eu e Bella irmos embora. Não adiantaria nada eles conversarem agora, com o sangue ainda quente.
Cheguei à sala e Bella estava deitada no sofá, com a cabeça no colo de sua mãe.
– Bella, já ligou pro hotel? – ela levantou rapidamente, se desvencilhando com brusquidão do carinho que sua mãe fazia em sua cabeça.
– Já, já sim. Eric já está aqui fora há uns 10 minutos. Vem, vamos embora.
– Ei, calma. – olhei ternamente pra ela. – Sra. Swan, tenha uma boa noite, foi um prazer conhecê-la. – a mãe de Bella corou um pouco e retribui o cumprimento em baixo tom.
Bella me empurrou para fora da casa de seus pais, virando minha cadeira, para eu poder descer de costas o único degrau que havia na varanda.
Chegamos ao carro e Eric me ajudou a entrar. Me ajustei ao lado de Bella enquanto ele guardava minha cadeira de rodas no porta malas.
Bella ameaçou abrir a boca para falar algo, mas eu a interrompi.
– Agora não. No hotel a gente conversa. – fui direto. Ela assentiu um pouco temerosa, e abaixou a cabeça.
Eu não quis ser grosso. Apesar de eu não estar com raiva ou algo do tipo, eu estava um pouco sentido por ela não ter me contado sua real história.
[...]
Chegamos ao nosso quarto ainda em silêncio. Era um pouco antes das 7 da noite. A intenção era ter jantado com os pais de Bella, mas as coisas não saíram como planejamos.
Empurrei minha cadeira até onde deixei minha mala, e comecei a separar uma roupa pra eu poder tomar banho. Peguei minha cadeira dobrável. Me empurrei para o banheiro e a armei logo embaixo da ducha.
Voltei para o quarto, ainda em silêncio. Enquanto pegava uma bermuda e uma camiseta, eu podia vê-la pelo canto do olho. Ela estava sentada no pequeno sofá que havia no quarto. Estava estalando os dedos e mastigando grosseiramente os lábios. Estava nervosa.
Suspirei.
Eu precisava tomar um banho primeiro. Depois nós conversaríamos.
Me virei, e empurrei minha cadeira em direção ao banheiro.
– Vou tomar um banho. Peça o jantar pra nós dois, por favor. Eu vou querer o mesmo que você. – disse enquanto passava perto dela.
– Edward. – ela chamou meu nome de um jeito tão necessitado, que a primeira reação que eu tive foi parar. – Se você quiser, a gente pode ir embora hoje. Eu só te peço pra me dar uma carona, porque eu não sei os horários de ônibus daqui pra Seattle. – Peraí, do que ela está falando?
Me virei para olhá-la, e ela estava em pé, me olhava com a face perturbada.
– Eu peço desculpas pelo que você teve que passar. Eu entendo você, não se preocupe comigo. – Tocou o anel de noivado que lhe dei, e quando começou a deslizá-lo por seu dedo, eu ofeguei em desespero.
– Nem pense em tirar isso do seu dedo! – saiu mais como uma ordem. Minha respiração estava acelerada. Só uma pequena ação como essa, fez todo sangue do meu corpo subir pra minha cabeça e me deixar louco. – Não. Toque. Nesse. Anel. – sibilei de uma forma torturada e desesperada.
Bella estava parada, da forma como a mandei fazer.
– Eu não entendo... Você... Você está todo distante. – abaixou a cabeça. – Eu só quis não ter que te forçar a dizer as palavras. – disse humildemente, e porra, meu coração doeu de vê-la dessa forma. Como ela pode pensar que eu iria terminar por isso? Estava chateado por ela não ter me contado sobre seu passado. Mas terminar? Nunca! Acho que não há nada que Bella faça que vá me levar a terminar com ela.
– Vem cá. – a chamei, e ela logo entendeu o recado e veio para meu colo. Já era até comum ela sempre se sentar comigo em minha cadeira de rodas.
Ela me abraçou apertado.
– As únicas palavras que você me faz dizer são “Eu te amo”, “Você é minha vida” e “Eu quero ficar com você pra sempre”. Está me entendendo, Isabella? – ela murmurou um “u-hum” meio choroso. Sua cabeça afundada na curva do meu pescoço.
– Eu fiquei com medo. – soluçou. Merda, ela estava chorando. Bella nunca chora. – Me desculpa não ter te contado nada sobre meu passado, mas é que dói muito. E eu tenho vergonha. – a abracei forte.
– Amor, não tenha vergonha de mim. Sou eu, seu Edward. Você pode me contar tudo. Eu te amo, e sempre vou estar ao seu lado. – sussurrei enquanto fazia carinho em suas costas. Na tentativa de acalmá-la.
– Eu sei, mas mesmo assim, eu fiquei com vergonha. Me desculpe.
– Claro que desculpo, meu amor. Mas me promete que não vai nunca mais esconder nada de mim, tudo bem?
– Ta. Nunca mais. – eu sorri. Ela parecia uma criancinha quando estava chorosa assim, e me respondia docemente.
Tomei coragem de entrar num assunto delicado.
– Bella, você fez o que seu pai disse? – senti Bella endurecer em meus braços.
Lentamente ela se afastou, e seus olhos vermelhos pelo choro encontraram os meus. Pude ver um pouco de mágoa neles.
Merda, ela ficou sentida por causa da pergunta. Mas eu tinha que saber.
–Eu conheci James quando era nova demais, ele parecia ser um cara legal. Descolado. No meu aniversário de 18 anos ele me levou num motel barato. Eu dei um belo de um presente pra ele. – disse com certa repulsa. – Lhe dei meu corpo. Foi uma merda. Eu só sentia dor, em todas as vezes que fazíamos, mas ele falava que era assim mesmo. Engravidei, como você já sabe. Meu pai não aceitou, e minha mãe por sua vez, não intercedeu por mim. – franzi o cenho. – É Edward, minha mãe é uma mulher totalmente submissa. Minha família foi criada com essa cultura. Ela não enfrentaria meu pai. Nem por mim. – pude sentir a pitada de mágoa e tristeza em sua voz.
– E você foi morar com esse tal James? – perguntei calmamente.
– Fui atrás dele. O safado já estava com as malas prontas. Claro que ele disfarçou e disse que já estava se arrumando pra ir me buscar. Na época fui idiota, e não quis acreditar que ele já estava com tudo pronto pra fugir e me deixar grávida. – cravei minhas unhas na palma da minha mão. Um ódio passou por mim. Como um cara pode fazer isso com a mãe de um filho dele? – Nós fomos pra Seattle, e James me mantinha presa, quase passando fome, dentro de um quarto de um hotel chinfrim. – ela respirou fundo e continuou. – Eu já estava com 4 meses de gestação quando passei mal. Liguei para James, que vivia na rua. Ele geralmente só voltava com o sol nascendo e nunca me dizia onde estava.
– Que canalha! – rosnei. Bella assentiu concordando.
– Ele voltou logo para o hotel, louco de raiva. Eu lhe disse que estava passando mal. Ele tinha os olhos vermelhos, tremia e dizia muitos palavrões. – percebi quando seus olhos se encheram d’água novamente. Eu não estava gostando nenhum pouco do rumo dessa história. – Ele me arrastou até um carro que parecia ser muito caro. Eu nem sabia que James tinha permissão pra dirigir. – ela deu um soluço, e meu coração se apertou só de vê-la assim.
– Eu estava sentindo muitas dores, e quanto mais eu chorava pelas dores, mais James me xingava. E quando estávamos prestes a entrar no carro, eu senti uma pancada na nuca. – prendi a respiração. – Eu não desmaiei, então pude ver dois homens encapuzados espancarem James até a morte. – apertei meus braços em torno dela.
Ela respirou fundo. Mas não deteve mais lágrimas de caírem de seus olhos.
– Quando eles terminaram com James, um deles olhou pra mim, e percebeu que eu estava grávida. Ele veio com aquele olhar diabólico pra cima de mim, e disse algo sobre o ladrãozinho ser papai, e levantou a barra de ferro. Olhou em meus olhos e me bateu com toda força, na altura da minha barriga. – Bella soluçou.
– Shh... Já passou, meu amor. Calma, já passou. Eu nunca mais vou deixar nada de mal te acontecer. Eu dou a minha vida se for preciso. – sussurrei em seu ouvido, tentando acalmá-la, enquanto ela chorava com a cabeça encostada em meu ombro.
– Era um menininho, Edward. – ela chorava descontroladamente. – Uma semana antes, eu fui a uma consulta pelo hospital público. Eu vi naquela tela. Era um menininho. E ele nem chegou a nascer. – Eu não sabia o que fazer para ajudá-la. A abracei forte, e chorei junto com ela.
Deus, eu queria tirar essa dor de Bella.
Uma mulher tão animada e engraçada, tão cheia de vida. Quem imaginaria que teria passado por uma barra tão pesada dessas?
Aos poucos o choro de Bella foi se acalmando, seus soluços cessaram. Respirei fundo pra conter as minhas próprias lágrimas. Me doía demais vê-la tão frágil, e saber que meu anjinho passou por uma barra pesada como essa.
– Me fala algo que eu possa fazer por você, meu amor. – pedi angustiado. Eu queria fazer algo pra amenizar a dor que ela sentia ao tocar nesse assunto.
– Só me abrace. Eu só preciso ter certeza que você está aqui comigo. – a apertei forte em meus braços.
– Nunca sairei do seu lado. – disse de todo meu coração.
[...]
Bella dormia tranqüila ao meu lado. Após a nossa conversa, ainda ficamos um tempo só abraçados. Ela precisava ter esse momento de apenas ser confortada em meus braços.
Pedi massa para jantarmos. Bella é louca por massas. Tomei um banho, e logo Bella tomou o seu na pequena e simples banheira que havia ao lado do Box.
Mal deitamos, e ela dormiu rapidamente. Eu não era nem louco de tentar alguma aproximação com apelo sexual nessa noite.
Bella precisava de carinho e conforto, não de um tarado querendo a qualquer custo entrar em sua calcinha.
Sua respiração estava serena. Depositei um beijo em sua testa, e ela se aconchegou mais a mim.
Tão linda, tão jovem e tão sofrida.
Eu juro que se esse tal de James não houvesse morrido já, eu mesmo o mataria por fazer mal a minha princesa.
Como pode um homem maltratar a mãe de seu filho? Como pôde maltratar uma pessoa tão boa como Bella?
As vezes a vida é tão injusta.
Se fosse possível Bella gerar um filho meu... Nossa... Um sentimento inanimado me invade só de pensar na possibilidade de ter Bella ao meu lado, com sua barriguinha proeminente, eu a alisando e conversando com o bebê, como um pai babão que eu sei que seria.
Eu passaria noites fantasiando sobre quais brincadeiras ensinar ao meu filho ou filha. Com certeza projetaria um quarto só de travessuras em nossa casa. Um quarto onde só teria brinquedos. O chão e as paredes totalmente acarpetados por tecido emborrachado, pro meu bebê não se machucar.
Imagino como meu tesão triplicaria, se é que isso seria possível, quando eu olhasse para Bella nua, com sua barriga evidenciando o fruto do nosso amor.
Tocaria violão e cantaria uma cantiga de ninar pro nosso filho.
Eu acho que seria daqueles pais que viveria vendo desenho animado e comprando cada lançamento de brinquedos, e que curtiria isso junto com o filho.
Senti uma dor forte em meu peito.
Isso nunca aconteceria.
Quer dizer, até poderíamos adotar uma criança, e eu daria todo meu amor de pai para ela. Mas, eu não veria meu filho crescer no ventre da mulher da minha vida. Eu não veria Bella me pedindo as comidas mais exóticas e nojentas, a qualquer hora do dia, por conta de um desejo. Não ficaria ansioso como o inferno, para querer saber o sexo do bebê, enquanto esse, só pra confundir os pais, manteria suas perninhas fechadas durante a ultrassom. Eu não teria que me desdobrar para provar o quanto Bella estaria linda e gostosa, mesmo grávida de 7 meses, enquanto ela estaria com suas emoções como uma montanha-russa e brigaria comigo por qualquer coisa, só para eu bajulá-la para fazermos as pazes. E inferno, como eu desejava passar por cada etapa dessas.
Segurei a respiração pra tentar conter a dor que assolou meu peito.
Mas que merda!
Por que isso tudo tinha que ter acontecido comigo?
Por que eu não poderia ter uma vida perfeita, e sem obstáculos, com Bella?
Espermatozóides fracos. Mas que porra! Por que a merda de um, apenas um, espermatozóide meu não poderia fecundar os óvulos de Bella?
Suspirei!
Praticamente impossível. Aliás, eu já considero impossível, a julgar por Bella já ter tido seu ciclo menstrual duas vezes desde que começamos a namorar.
Nada de anormal, nem mesmo um atrasinho de um dia sequer, para pelo menos manter viva uma esperança de merda dentro de mim.
Tentei espantar esses pensamentos de minha cabeça. Ficar me torturando com isso não adiantaria de nada.
Meu destino é esse, eu tenho que aceitar.
Bella e eu conversaríamos, e se ela concordasse, adotaríamos quantas crianças ela decidir.
Mas nossa única opção é essa. Nunca, ah, mas com certeza, nunca eu aceitaria essa porra de inseminação artificial.
Nenhuma porra de espermatozóide de outro cara vai fecundar minha Bella.
Rosnei só com o pensamento.
Se ela tivesse tido o filhinho que perdeu, eu com certeza o aceitaria como meu próprio filho, lhe daria o meu nome se fosse o caso.
Mas vê-la gerar um filho que não foi feito por mim, eu não aceitaria! Pode parecer algo ruim ou grotesco, mas eu amo demais essa mulher, e céus, morro de ciúmes dela, e não agüentaria algo como isso.
Tentei acalmar a agitação que me assolou, apenas por pensar nessas coisas.
Puxei Bella pra mim, ficando mais o mais agarrado possível a minha noiva.
– Eu te amo. – sussurrei e beijei levemente sua boca.
[...]
Estávamos tomando café da manhã. Bella acordou um pouco mais disposta. Evitou tocar no assunto da discussão de ontem com seu pai. Mas eu teria que tocar. Eu queria que eles ficassem bem. Eu vi que Charlie a ama muito, só não sabe demonstrar, e ficou nervoso com a sua volta, e acabou despejando um montante de besteiras em cima dela.
– Amor, você nem me perguntou sobre o quê eu e seu pai conversamos ontem. – iniciei o assunto.
– Não quero saber. – cortou-me. Respirei fundo e segurei sua mão por cima da mesa.
– Bella, seu pai te ama. Não, me deixe falar. – a interrompi quando ela tentou retrucar. – Ele me pediu desculpas pela forma que me chamou. – seus olhos denunciaram surpresa, mas ela tentou disfarçar. – Ele me disse que ficou tão assustado com a sua volta. Bem, não quero te falar muito, pois acho que ele é quem deve te explicar tudo do ponto de vista dele. Mas me promete que você vai dar uma chance pra ele. – pedi.
– Não, nós vamos embora hoje mesmo. – tentou soar firme, mas consegui captar uma hesitação em sua voz.
– Amor, conversa com ele. Ele tem muito a te falar. Confie em mim, você vai se sentir bem melhor se der essa chance. Eu sei que ele errou muito, mas você é uma pessoa boa, e eu sei que é capaz de perdoar. – joguei pesado, eu sei. Mas ela precisa ter essa conversa com seu pai, para tudo ficar em paz.
Ela ficou um tempo calada, parecia pensar.
Estava mordendo os lábios, sinal de nervosismo.
Respirou fundo e olhou em meus olhos.
– Tudo bem, eu vou. – sorri pra ela.
– Vai escutar tudo, de coração aberto? - revirou os olhos.
– Claro que sim, Edward. Já que eu vou, eu tenho que ir de coração aberto. – trouxe sua mão até meus lábios e depositei um beijo cheio de significados ali.
Minha Bella é tão generosa, tem o coração bom, como poucas pessoas.
– Você é fantástica. – me derreti pra ela.
Espero que pelo menos isso seja resolvido na vida de minha futura esposa.

Notas finais do capítulo

E então, gostaram? Espero que sim...
prestem bem atenção em alguns pensamentos do Edward nesse capítulo, isso vai ser muito importante na fic, daqui há uns, seu lá, dez capítulos... muito importante mes
mo...

1 comment :

  1. Awwwn que fofo o Edward! O James morreu ne? Me diz por favor que ele morreu haha eatou adorando a fic:) beijos!

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