THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 22

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama




Capítulo 22
Pov. Narrador
Alguns anos atrás.
Era um dia típico na grande capital dos Estados Unidos da América.
O céu estava nublado e o vento frio movimentava as folhas das árvores.
Era possível escutar o canto dos pássaros e até mesmo sentir o cheiro suave de algumas flores, que sobreviviam ao rigoroso outono.
Homens e mulheres andavam distraídos pelas ruas, sem prestar atenção aos bonitos detalhes ao seu redor.
Muitos iam à busca do seu sustento, deixando-se envolver pela carga pesada do dia a dia, e outros andavam sem rumo, na tentativa de se distrair de uma vida completamente monótona.
Mas, o fato era que ninguém prestava muita atenção às pessoas à sua e aos acontecimentos ao redor.
E isso era bom.
Não ser notado pelas pessoas era conveniente quando se estava fazendo algo que não era considerado correto.
Pelo menos, não correto para os padrões da sociedade, pois para ele nunca nada parecera tão certo.
James andou lentamente até o grande hotel e entrou sem ser notado, seguindo silenciosamente até o quarto onde sabia que Elizabeth Cullen o esperava.
Quando abriu a porta, seus olhos brilharam diante de tanta beleza.
Como ela era linda!
Sua pele macia, contrastando com seus cabelos negros e com seus grandes olhos verdes formavam um conjunto belo e quase impossível de resistir.
A linda mulher sorriu contente ao vê-lo e ele aproximou-se, feliz por poder finalmente estar com ela.
_ Senti saudades..._ Ele falou e a bela morena sorriu, beijando seus lábios de leve.
_ Eu também. Sinto saudades todos os dias. Mas, está cada vez mais difícil sair da mansão. Eu acho que minha sogra desconfia de alguma coisa. Hoje ela insistiu muito para que eu trouxesse minha cunhada comigo._ Elizabeth falou triste e James sentiu um ódio cego por aqueles que estavam tentando impedi-lo de estar com a mulher de sua vida.
Era ele que deveria ter se casado com ela.
Mas, é claro que sendo pobre e tendo um sobrenome de tão pouca influência, não tivera chances, já que havia um Cullen na disputa.
Edward Cullen.
O soldado talentoso que possuía uma carreira promissora no exército americano, tendo promessas de tornar-se capitão um dia, havia ficado com sua garota.
Não bastava ser rico, ter boa influência na sociedade ou ser o homem mais desejado de Washington. Ele precisava, também, ficar com Elizabeth.
James a amara desde sempre.
Seus pais trabalhavam na propriedade da família de Elizabeth e ele sempre se sentira encantado com a beleza e graça daquela garota.
Quando se tornaram adolescentes, ele não pôde evitar apaixonar-se por ela. E ainda não podia refrear esse sentimento intenso, mesmo depois que ela se casara com Edward Cullen.
No auge de sua solidão e desespero, temendo perdê-la para sempre, James propusera a jovem que eles se tornassem amantes e Elizabeth aceitara, para sua felicidade.
Então, eles encontravam-se quase todos os dias em um hotel afastado da cidade e mesmo ela pertencendo a outro homem também, os momentos que passavam juntos eram os melhores de todos.
Seus encontros eram facilitados pelo fato de que Edward estava no Caribe, recebendo treinamento para uma possível guerra.
James também era soldado, mas abdicara de sua carreira para poder estar ao lado de Elizabeth.
Ele beijou os lábios da mulher a sua frente e em pouco tempo, eles estavam na cama, entregues a toda a paixão que sentiam.
Não havia nada melhor do que estar nos braços um do outro.
_ Acho prudene não nos vermos mais... Pelo menos por enquanto._ Elizabeth falou, enquanto descansava nos braços do amante e James a olhou perturbado.
Não era a primeira vez que ela dizia essas palavras e James já estava começando a ficar desesperado com uma possível separação.
O que seria de sua vida sem Elizabeth?
Como continuar sobrevivendo sem sua presença, seu amor, seu cheiro e seu sorriso?
_ Por quê? Eu não posso viver sem você, Elizabeth. Não vou deixá-la. Nós nos amamos e precisamos estar juntos. Quero que seu marido e toda a família dele vão para o inferno._ O Jovem soldado falou com raiva e Elizabeth suspirou, desejando ardentemente que ele entendesse seus motivos.
_ Eu não posso destruir minha reputação e nem a imagem de Edward. Apesar de tudo, ele sempre foi bom pra mim. Ele me ama e não é justo ser humilhado por culpa dos meus erros._ A moça falou, levantando-se e James ficou encarando-a, sentindo raiva e frustração.
_ Eu não me importo com seu marido. Problema dele se a ama. Você é minha e sempre foi. Era comigo que devia ter se casado. Eu o odeio por saber que ele tem mais direitos sobre você do que eu... Isso é ridículo._ Ele gritou e Elizabeth começou a vestir-se.
_ Não foi culpa dele. Nosso casamento foi um arranjo entre nossas famílias e nenhum de nós teve escolha quanto a isso. Mas, eu tenho escolha agora, James, e escolho não trair mais o meu marido. Ele está longe, preparando-se para enfrentar uma possível guerra e o mínimo que eu posso fazer é respeitá-lo. Eu também amo você, mas nosso caso tem que acabar aqui._ Elizabeth foi enfática em suas palavras e James levantou-se da cama, indo até ela e a segurando pelos ombros, com força.
_ É isso mesmo que você quer? Pois bem, Elizabeth. Se você me deixar, eu farei questão de ir para a reserva, tornar-me um soldado, ir para a guerra, para morrer no primeiro conflito que eu participar. Você sabe que eu tenho essa escolha e caso queira terminar nosso relacionamento, terá que arcar com a culpa da minha morte.
Elizabeth começou a chorar e acariciou o rosto de James, olhando-o com todo o amor que sentia por ele.
_ Não faça isso com a gente, James. Eu te amo, mas para o nosso próprio bem, não podemos continuar a nos encontrar. Não vá para a guerra... Não morra. Deus nos dará um presente lindo e eu preciso que você viva para poder conhecê-lo._ A moça falou e o soldado tirou suas mãos bruscamente de seu rosto, olhando-a com mágoa.
_ Se você me amasse, não iria querer ficar longe de mim. Você está fazendo sua escolha e, a partir do momento em que sair por essa porta, eu não quero mais vê-la. Não quero saber de presente nenhum... O entregue ao seu querido marido. Eu vou para a reserva, me tornarei soldado combatente e irei para a guerra. Não quero vê-la nunca mais, Elizabeth. Fique com seu marido, pois vocês se merecem._ James gritou e pôs-se a vestir suas roupas, preparando-se para ir embora e cumprir cada promessa que fizera a Elizabeth.
Ele realmente desejava morrer na guerra, pois a vida sem ela não teria o menor sentido.
Elizabeth, por outro lado, sentia o coração despedaçar-se ao se dar conta do sofrimento do jovem soldado.
Ela o amava, mas precisava proteger aos dois, pois se os Cullen descobrissem sua traição, estaria arruinada e o filho que carregava no ventre não teria nem sequer uma chance.
A menina dos olhos verdes não sabia dizer se o bebê que esperava era do marido ou do amante, embora desconfiasse que o pai fosse James. E por isso, ela precisava garantir que, se por acaso ela não pudesse ficar junto com o amor de sua vida, pelo menos o filho deles teria uma vida digna, ainda que não fosse ao lado do verdadeiro pai.
_ James... Por favor, me entenda..._ Ela implorou, aproximando-se do rapaz, mas ele a empurrou.
_ CALE A BOCA! VOCÊ NÃO ME AMA, POIS EU NÃO TENHO A PORRA DO DINHEIRO QUE VOCÊ PRECISA PARA MANTER SEUS LUXOS E SUA VIDA ELITISTA..._ Ele gritou e a cada palavra, Elizabeth sentia seu coração morrer um pouquinho._ Fique com seu marido... Ele certamente tem mais futuro que eu, já que é rico e de boa família. Eu ficarei bem, pois já estou acostumado com decepções. Minha ruína começou no dia em que você aceitou casar-se com aquele maldito. Mas, tenha em mente uma coisa: eu farei questão de tornar a vida do seu marido um inferno. Aquele desgraçado irá me pagar por tê-la tirado de mim. Pode escrever._ O jovem rapaz falou e saiu apressadamente do quarto, deixando Elizabeth aos prantos, sentindo uma dor que jamais sentira em toda sua vida.
Ela jamais voltaria a vê-lo e essa certeza estava matando-a.
Levantou-se lentamente da cama depois de algum tempo e dirigiu-se para a recepção, onde para seu desespero, seus pais a esperavam.
Sua mãe lhe recebeu com um sonoro tapa no rosto e seu pai a olhou com nojo.
_ Você é uma vagabunda, Elizabeth e eu tenho nojo de ser seu pai. Como pôde fazer isso com seu marido? Como pôde trair o homem que te ama e que lhe deu o seu nome?_ Seu pai perguntou e Elizabeth nada respondeu.
Ela realmente sentia-se envergonhada e suja pelo que tinha feito, mesmo amando James da forma como amava.
Edward não merecia sua traição, pois como ela dissera, ele sempre a tratara como uma princesa.
Ela só entregara-se a James porque não podia lidar com o sofrimento e a agonia de ficar longe do rapaz, mas o tempo todo soubera que estava cometendo um grande erro.
_ Você vai voltar para a mansão dos Cullen e eu não quero mais que veja James. Ele nunca serviu para você._ Sua mãe falou e a menina assentiu, deixando-se levar pelos pais até a casa onde ela vivia com a família do marido.
Elizabeth tinha certeza que seus sogros sabiam sobre sua traição, mas eles jamais tocaram no assunto.
A bela morena recebia cartas semanais do seu marido, mas fazia questão de não responder a nenhuma, pois não saberia o que dizer a ele.
Edward sempre reafirmava seu amor por ela, e não podendo corresponder a esse sentimento como ele merecia, ela preferia manter-se em silêncio, morrendo aos poucos com seu sofrimento e com a angustiante saudade que sentia de James.
Elizabeth teve a confirmação de sua gravidez algumas semanas depois de seu último encontro com James, e por suas contas sabia que Edward não era o pai de sua filha, que nasceu meses depois.
O estado de depressão e tristeza da linda mulher de olhos verdes só veio agravar o estado delicado de sua gestação e ela não resistiu ao parto, morrendo e deixando sua única lembrança do homem que amou, para que seu marido tomasse conta.
Ela sabia que Edward seria um bom pai e por isso não se importou em morrer.
Elizabeth queria um fim, pois qualquer coisa era melhor do que sofrer de saudades de uma pessoa que ela jamais poderia ter ao seu lado.
James soubera da morte de Elizabeth dias depois do enterro, pois foi quando voltara da reserva militar, depois de meses fora.
Uma dor intensa o atingiu e ele lamentou o fato de que o grande amor de sua vida morreu, pensando que ele a odiava. E agora, ele não podia ir nem ao cemitério para despedir-se de Elizabeth, pois sua sepultura ficava em um lugar restrito e a visitação era permitida apenas a familiares e amigos mais próximos.
Ele nunca mais a veria sorrir, sentiria seu cheiro doce, beijaria seus lábios ou tocaria sua pele.
Elizabeth se fora e levara com ele sua alegria e vontade de viver.
E tudo isso, para dar um herdeiro para seu marido de merda.
Sua paixão morrera no parto e ele sabia bem de quem era a culpa.
James amaria Elizabeth para sempre, mas, em contra partida, faria questão de odiar a maldita criança que fora responsável por sua morte e seu marido, que a tirara dele, sem dar-lhe a chance de lutar pela mulher de sua vida.
A partir de hoje, ele viveria para sua profissão e para a tentativa de tornar a vida de Edward Cullen tão miserável quanto a sua.
*****
Pov. Bella.
Passei as mãos pelo rosto, molhando-o um pouco para tentar diminuir a temperatura da minha pele e me olhei no espelho atentamente.
Toda a tensão pela qual eu estava passando no momento, não estava me fazendo bem.
Pousei a mão sobre meu ventre e pedi calma ao meu bebê, ou bebês, silenciosamente, desculpando-me por estar tão nervosa.
E eu que esperara tanto pelo natal... Tudo para vê-lo arruinado com a asquerosa presença de James.
Fechei a tampa da privada e me sentei sobre ela, esperando que o enjoo passasse.
No momento, tudo que eu queria era fugir do clima pesado que se instalara na sala desde a chegada do soldado.
Eu precisava de um pouco de paz para colocar os pensamentos em ordem.
Respirei fundo e encostei minha cabeça na parede atrás de mim.
Eu ainda não tivera a oportunidade de conversar com Alice sobre minhas desconfianças, mas eu tinha certeza que James era o pai de Sophie.
Isso explicaria tanto ódio que aquele soldado sentia por meu capitão e o fato da menina parecer-se tanto com ele.
Mas, porque ele nunca reclamara a filha?
Será que James não sabia sobre Sophie?
Será que ele e Elizabeth se amavam? Ou será que fora apenas uma aventura?
Suspirei, tentando afugentar esses pensamentos, já que eu não encontraria explicações, sozinha, e dei um pulo assustada, quando alguém abriu a porta do banheiro que eu esquecera-me de trancar.
Encarei Edward por alguns segundos, que a me ver sentada na privada, pálida e provavelmente descabelada, veio até mim e ajoelhou-se a minha frente.
_ Está tudo bem?_ Ele perguntou suavemente, acariciando meu rosto e eu assenti.
_ Sim. Foi apenas um enjoo._ Eu respondi, tentando tranquilizá-lo e ele suspirou, descansando o rosto em meu colo.
_ Sinto muito por isso. Eu não queria trazê-lo aqui, pois sabia que ele despertaria em você lembranças ruins que não lhe fariam bem, mas eu não pude evitar que ele viesse._ Edward lamentou-se e eu comecei a acariciar seus cabelos acobreados, adorando tê-lo tão próximo a mim, mesmo que fosse dentro do banheiro social de sua casa.
_ Tudo bem, Edward. Eu não me importo, pois sei que estou protegida. Sem contar que, no fundo, tenho pena dele... Imagine passar o natal sozinho, trancado em uma base militar?_ Falei suavemente e ele levantou o rosto, me encarando com um sorriso debochado.
_ Pena, Bella? Aquele homem é um monstro, que merece viver sozinho, sem precisar da piedade de ninguém._ Edward resmungou e eu sorri de leve, segurando seu rosto e beijando seus lábios.
_ Não sabemos por tudo o que ele passou para se tornar um homem tão frio e cruel. Sei lá... Talvez, ele só precise de uma chance para tornar-se alguém melhor.
_ Não diga bobagens, Bella. Eu quero esse homem bem longe da minha família e não desejo dar-lhe chances para nada. Não me importo pelas coisas que ele passou... Minha vida nem sempre foi fácil e eu não me tornei um estuprador de garotas inocentes... A sua vida foi um tormento e nem por isso você se transformou em alguém cruel e sem escrúpulos. Nós temos escolhas e ele decidiu ser um crápula. Seu destino é terminar sozinho e eu não me importo com isso._ Edward falou com raiva e eu respirei fundo, abaixando-me e beijando seu rosto, tentando acalma-lo.
Eu sabia que ele estava certo.
Não era correto descontar os problemas e agonias pelos quais passávamos em ninguém, pois as pessoas não tinham culpa do nosso sofrimento.
Mas, algo me dizia que James nem sempre fora assim e, talvez, toda sua amargura estivesse relacionada ao seu envolvimento com a falecida esposa de Edward.
Se James amara Elizabeth de alguma forma, ele devia ter sofrido muito com sua morte e talvez creditasse a culpa deste fato a Edward.
Eu sabia o que era amar alguém desesperadamente e tinha certeza que, se por algum motivo, eu perdesse Edward, minha vida se tornaria mais miserável do que antes de conhecê-lo.
É claro que eu não tentaria me vingar de ninguém se algo acontecesse ao meu capitão, mas nem todos reagiam da mesma forma às fatalidades da vida.
Eu não poderia perder Edward, mas se isso acontecesse, eu simplesmente me fecharia em meu mundo e me deixaria dominar pela dor, sem prejudicar ninguém.
Edward, pela forma como agia na presença de James, não sabia do possível envolvimento do soldado com seu passado e eu temia sua reação quando esse fato viesse à tona.
Só esperava que ele não rejeitasse a filha quando soubesse quem era, na verdade, o seu verdadeiro pai.
_ Desculpe por deixá-lo irritado, Edward... Eu só... Bem, eu sei bem como é sentir-se sozinha. Mas, esquece isso. É o nosso primeiro natal juntos e eu quero que ele seja perfeito._ Falei, beijando seu rosto e me levantando.
Edward ficou de pé e segurando minha mão, me conduziu para fora do banheiro.
Ele não disse mais nada sobre o assunto, o que eu agradeci silenciosamente.
Não queria deixá-lo mais irritado no momento, pois sabia que esse convívio forçado entre meu marido e James poderia não acabar bem.
Procurei ignorar o olhar malicioso que Emmett nos lançara quando nos vira saindo do banheiro e fui à procura de Sophie.
Meu cunhado, desde que soubera de minha gravidez, não parava de se referir a mim e a Edward como coelhos, mesmo tendo sido repreendido por Esme e ameaçado de morte por Rosalie.
Eu não entendia a comparação estranha, mas levando em conta seu sorriso malicioso sempre que falava tal coisa e a reação das pessoas a nossa volta, eu preferia, realmente, não saber.
Emmett era uma pessoa extremamente bem humorada, mas, às vezes, ser alvo de suas piadas era algo completamente constrangedor.
Encontrei Sophie perto da árvore de natal, sendo vigiada de perto por Esme. Minha pequena ainda brincava com Allison e eu respirei aliviada ao perceber que ela estava alheia a toda tensão do ambiente.
Edward não saia do meu lado nem por um segundo sequer, o que eu agradecia, pois por mais que me sentisse segura estando cercada por tantas pessoas, James ainda podia tentar me fazer algum mal.
Olhei discretamente ao redor e o vi conversando animadamente com Jasper.
Alice estava ao lado do noivo e olhava para James assustada.
Quando seu olhar encontrou-se com o meu, eu pude constatar todo o seu desespero.
Fiz um gesto discreto com a cabeça e segui em direção à cozinha, dizendo a Edward que iria tomar água e torcendo silenciosamente para que Alice me seguisse.
Cheguei ao cômodo aquecido, graças ao preparo de tantos pratos e depois de alguns instantes, Alice surgiu, me olhando desesperada.
_ Alice, você está bem?_ Perguntei preocupada, tentando não chamar a atenção de Emma, que nos encarava desconfiada.
_ É ele, Bella... Aquele soldado era o amante de Elizabeth e deve ser o verdadeiro pai de Sophie._ Ela declarou e eu senti meu estômago chegar aos pés, ao me dar conta de que eu estava certa.
Deus!
_ Como sabe disso?
_ Eu os vi juntos várias vezes. Eles se encontravam em um hotel na cidade, e sempre que saíamos juntas, Elizabeth achava um jeito de vê-lo. Minha mãe fazia questão que eu a acompanhasse em seus passeios, pois não achava correto que uma mulher casada andasse sozinha pelas ruas da cidade. E eu ia. Muitas vezes, minha cunhada me deixava sozinha na confeitaria e saia, demorando muito tempo para voltar. Na época, eu não sabia o que podia estar acontecendo, mas hoje eu sei. Eu só não dizia nada a ninguém, pois gostava muito de Elizabeth e não queria que ela tivesse problemas com meus pais e com Edward. Certa vez, ela o apresentou a mim como seu amigo de infância, mas nesse mesmo dia eu os vi se beijando. Eu tenho certeza que ele é o pai de Sophie, até porque nossa pequena se parece com ele._ Alice falou e eu fiquei encarando-a, sem saber o que responder.
Toda essa situação estava fugindo do controle.
Como era possível que o mesmo soldado que tentara me estuprar fosse o pai da filha do meu marido, que me salvara de suas mãos asquerosas?
Respirei fundo e puxei uma cadeira, fazendo com Alice se sentasse, pois ela realmente estava muito pálida e perturbada.
_ Porque ele veio passar o natal conosco? De onde Edward o conhece?_ Alice perguntou, me encarando e eu me sentei a sua frente e segurei suas mãos geladas.
_ James foi um soldado combatente na guerra, que conflitou com os homens que Edward comandava._ Expliquei e ela assentiu.
_ Mas, porque ele está aqui hoje?
_ Ele está passando por um período de punição e Edward precisa monitorá-lo. Seu irmão recebeu instruções para trazê-lo aqui na noite de natal e não pode fugir dessa obrigação._ Eu falei e ela suspirou, recostando-se na cadeira e fechando os olhos.
_ Eu nunca pensei que esse homem fosse aparecer em nossas vidas outra vez. Desde que Elizabeth ficou grávida, eu nunca mais o vi. Quando eu o reconheci, quase caí morta no chão. Meu irmão não parecia nada feliz em vê-lo e tenho certeza que a situação ficaria ainda pior se ele soubesse quem é esse soldado, na verdade.
Eu respirei fundo e encarei Alice seriamente.
Certa vez, eu contara a ela como Edward e eu nos conhecemos e estava na hora de ela saber que, além de ter tido um romance com Elizabeth, James era o soldado que tentara me estuprar nos campos de batalha da Alemanha.
Alice precisava entender a gravidade dessa situação e me ajudar a manter a história da paternidade de Sophie em segredo.
_ James é o homem do qual o seu irmão me salvou, Alice. Foi esse soldado que tentou me estuprar. Ele odeia seu irmão e só agora eu entendo o porquê. Ele devia ser apaixonado por Elizabeth e nunca aceitou o fato de ela ter se casado com Edward. Talvez, James até culpe seu irmão pela morte dela... _ Eu disse e ela assentiu, concordando com minhas suposições._ Alice, eu quero te pedir uma coisa: Não conte a Edward sobre James. Pelo menos não por enquanto. Ele já está muito sobrecarregado com outras preocupações e eu quero evitar que ele sofra. James nunca reclamou a filha e eu tenho certeza que ele nunca o fará. Portanto, vamos deixar esse assunto de lado. Sophie é filha de Edward, mesmo que não seja o sangue dele que corre nas veias dela e, o amor que ele tem por nossa pequena jamais vai mudar. Sophie é nossa e é apenas essa verdade que Edward e todos os demais precisam conhecer. _ Falei, tentando não parecer tão desesperada e Alice assentiu.
_ Tudo bem. Eu não quero que Edward sofra com isso, também. Vamos deixar essa história de lado. De qualquer forma, Elizabeth está morta e eu não acredito que esse soldado possa fazer mal a algum de nós, pois Edward jamais permitiria. Mas, você tem razão... O ódio que esse tal James sente por meu irmão é antigo e está totalmente vinculado ao romance que ele teve com minha cunhada. Imagino que tudo o que ele fez depois disso, foi movido por um sentimento intenso de vingança e ódio.
Eu respirei fundo e concordei silenciosamente com as palavras de Alice.
James era uma criatura amargurada e vingativa e todas as suas atitudes grotescas se justificavam na ligação que ele tinha com o passado de Edward.
Deus, como esse mundo era pequeno!
Suspirei pesadamente e olhei para a porta, avistando Edward que entrava apressado.
_ Pensei que tivesse se afogado no copo de água..._ Ele falou brincando e eu sorri, aceitando a mão que ele me estendia._ Por que demorou?
_ Eu estava conversando com Alice._ Respondi simplesmente e ele nos olhou, desconfiado.
_ Sobre o que?
_ Assuntos femininos, Edward. Não seja curioso. Vamos voltar para a sala e esperar que sirvam a ceia, pois eu estou faminta._ Alice falou, dirigindo-se à porta e Edward revirou os olhos, seguindo-a e me fazendo acompanhá-los.
Quando cheguei à sala decorada, meu primeiro impulso foi procurar Sophie e eu quase desmaiei quando vi com quem ela conversava.
James.
Eu arfei e Edward me olhou preocupado.
_ Bella? O que foi, meu anjo? Não está se sentindo bem?_ Ele perguntou afobado, mas eu simplesmente não podia desgrudar meus olhos da cena a minha frente.
James estava sentado no chão, conversando animadamente com Sophie, que não parava de sorrir para o soldado.
Imagino que fosse o primeiro contato entre pai e filha, mas ao invés de me deixar encantada, a cena estava me apavorando.
Ele poderia não saber que a menina era sua, e considerando-a filha de Edward, poderia querer fazer-lhe algum mal, e isso eu jamais permitiria.
Ninguém tocaria em um fio de cabelo da minha filha.
Soltei-me da mão de Edward, e ignorando seus protestos, marchei até Sophie.
Quando cheguei próxima aos dois, James ergueu o olhar e a me ver, esboçou um sorriso debochado.
Eu respirei fundo e segurei o pequeno braço de Sophie com delicadeza, levantando-a do chão e trazendo-a para perto do meu corpo. Encarai James com os olhos faiscantes, desafiando-o a fazer qualquer coisa a minha pequena comigo ao seu lado.
Podia parecer estupidez enfrentar um homem daquele tamanho, mas não se tinha muita noção de perigo quando se precisava defender um filho.
Edward parou ao meu lado e senti sua mão trêmula pousar em minha cintura.
Meu marido estava se controlando para não explodir e, antes que algo desse errado, eu me virei e conduzi Sophie para longe de James.
Quando estávamos a uma distância segura dele, eu me abaixei na frente de minha menina e encarei seus lindos olhos azuis.
_ O que você estava conversando com aquele moço, Sophie?_ Perguntei calmamente e ela abaixou o olhar, encarando os próprios pés.
_ Nada, mamãe. Ele estava me dizendo que eu era uma menina muito bonita e eu estava apresentando minha boneca para ele._ Ela falou baixinho, com medo de levar uma bronca e eu respirei aliviada, passando a mão por seus cabelos dourados.
_ Querida, não se deve falar com estranhos se a mamãe e o papai não estiverem por perto, certo? Vá brincar com Allison, meu anjo. Logo serviremos a ceia e a mamãe vai subir com você, para colocá-la na cama._ Eu falei e ela sorriu, indo a procura da amiguinha.
Eu me levantei e encarei Edward, que me olhava com a expressão preocupada.
_ Se esse imbecil fizer alguma coisa contra Sophie, eu sou capaz de matá-lo._ Ele falou com ódio e eu me aproximei, beijando seu rosto e tentando acalmá-lo.
_ Esquece isso, Edward. Ele só estava conversando com ela. Duvido que James faria mal a alguém, estando rodeado por tantas pessoas. Deixe essa raiva de lado, pois isso não lhe faz bem. Você é bom Edward... Esse papel de mal não combina com você.
_ Eu sou bom até que alguém tente fazer mal à minhas garotas. Ninguém mexe com você ou com Sophie, Bella... Qualquer um que tentar, vai conhecer meu lado mal, que eu posso lhe garantir que é implacável._ Ele garantiu e eu estremeci.
Não que eu tivesse medo de Edward, mas eu temia que ele se metesse em problemas devido a esse forte instinto de proteção relacionado a mim e a Sophie.
Eu adorava me sentir segura e protegida ao seu lado, mas jamais gostaria que ele se arriscasse por minha culpa.
Isso não seria justo, depois de tudo o que ele fez para garantir minha felicidade.
_ Vamos jantar, Edward. James não fará nada com nenhuma de nós._ Falei suavemente, puxando-o em direção à sala de jantar, onde a ceia estava começando a ser servida.
Acomodei Sophie ao meu lado e ajudei-a com a refeição, sentindo-me incomodada com os olhares de James que não se desviavam de nossos rostos.
Edward sentara-se ao meu lado, como todos os dias e eu tinha certeza que ele estava irritado com o olhar insistente do soldado, já que o ouvi bufar várias vezes.
_ Gostaria de fazer um brinde à minha família._ Carlisle falou, de repente, ganhando a atenção de todos os presentes._ Esse ano foi bastante conturbado, mas apesar de todos os contratempos, continuamos unidos e felizes. Eu ganhei uma nora adorável, que vai me presentear com um neto em breve e minha linda garotinha Sophie, veio viver entre nós, enchendo nossos dias de alegria. Meu filho voltou da guerra vivo e minha linda netinha, Claire nasceu, aumentando minha alegria de “novo velho”._ Ele falou e todos riram, acompanhando-o no brinde._ Então, esse pai, esposo, sogro e avô deseja a todos um feliz natal!
Era difícil usar o adjetivo velho para Carlisle, pois apesar de seus quase cinquenta anos, ele era muito jovem e atraente, não merecendo nem mesmo ser chamado de avô.
Todos se desejaram feliz natal e a felicidade e paz que se instalara ao redor era contagiante.
_ Feliz natal, minha linda... Obrigado por me aceitar ao seu lado e tornar minha vida tão bela..._ Edward falou, suavemente, beijando minha mão e eu senti meus olhos marejados.
_ Feliz natal, Edward. Obrigada a você, por me aceitar da forma como eu sou e me ajudar a enfrentar todos os problemas que me perseguem. Obrigada por me dar uma família, por me conceder a graça e gerar um filho seu... Obrigada por me fazer sua..._ Eu sussurrei baixinho e ele sorriu, limpando minhas lágrimas com beijos suaves e fazendo meu coração derreter um pouquinho mais, devido ao grande amor que eu sentia por ele.
_ Feliz natal, mamãe, papai e irmãozinho..._ Sophie falou ao nosso lado e Edward e eu nos viramos para ela, sorrindo e desejando-lhe feliz natal em uníssono._ E meu presente?_ Ela perguntou inocentemente, nos fazendo sorrir.
_ Amanhã, Sophie... Amanhã._ Edward prometeu e ela suspirou, voltando a atenção para a carne em seu prato.
Eu sorri feliz para Edward e me concentrei em meu prato, ignorando qualquer outra coisa ao meu redor.
Afinal, tudo que eu precisava estava comigo... Edward, Sophie, meu bebê e uma mesa farta.
Podia parecer insensibilidade da minha parte me referir a comida como algo importante, mas eu realmente sentia muita fome ultimamente e portanto, comida era um item de grande importância em minha vida.
_ Eu também gostaria de fazer um brinde ao meu capitão, Edward Cullen. Pois, sem ele minha vida não seria nem de perto o que é hoje._ James falou, levantando-se com uma taça nas mãos e eu senti todo o sangue fugir do meu rosto. Até o momento, desde que viemos para a sala de jantar, eu fiz questão ignorar sua presença, mas, pelo visto ele não nos deixaria esquecer que ele estava ali. Olhei para Alice e ela me encarava apavorada. Nesse momento, só nos restava torcer que James não falasse nada sobre Elizabeth._ Desde muito moço, esse senhor atravessou meu caminho e tirou das minhas mãos as coisas que eu mais desejei na vida. Ele tornou-se um famoso capitão e pelo pouco que vi hoje, tem uma família linda... Invejável, para dizer o mínimo... Mas, aposto que ele não conhece os prejuízos que sua felicidade e satisfação causaram as pessoas._ Ele falou com ódio e eu olhei para Edward, que o encarava com uma expressão confusa.
_ Soldado James, peço que se sente e continue seu jantar, antes que eu seja obrigado a colocá-lo para fora._ Jasper falou e James o encarou por longos segundos, antes de obedecer suas ordens e eu nunca fui tão grata ao meu futuro cunhado.
Ele, sem saber, impedira que James dissesse coisas que poderiam destruir de vez o natal da família Cullen.
Eu respirei fundo e tentei continuar comendo, mas toda a tensão que se instalara na sala de jantar, não permitia que eu engolisse nada.
Edward também parara de comer e eu cheguei à óbvia conclusão que nosso natal havia chegado ao fim.
E eu lamentava profundamente esse fato, pois desde criança considerava essa data muito especial, mas nunca tivera a oportunidade de vivê-la como eu gostaria.
Quando minha mãe ainda era viva, ela sempre me dava um presente, mesmo sendo apenas um bombom ou um novo chinelo de couro curtido.
Nossas ceias não eram tão fartas como essa a minha frente, mas eu sempre tinha algo de diferente e gostoso para comer, pois minha mãe economizava o ano todo para dar-nos um natal decente.
Eu sempre soube que ela não me quisera, pois sabia que sua vida se tornaria um inferno depois do meu nascimento.
Renée jamais a deixara em paz e nem mesmo permitira sua partida, mantendo-a reclusa em sua mansão para poder humilhá-la e me maltratar.
Mas, mesmo sofrendo tudo isso por minha causa, minha mãe cuidou de mim com o pouco que tinha e eu a amaria sempre por isso.
Suspirei pesadamente e olhei para Sophie, que estava quase dormindo, sentada na cadeira, mais uma vez alheia a tudo a sua volta.
Levantei-me e a segurei delicadamente pelos braços, despertando-a e fazendo com que ela seguisse para a escada.
Eu queria tirá-la dali e dar à minha pequena o sossego e a proteção que ela merecia.
Não olhei para os lados, pois temia perder o controle e dizer algumas verdades àquele homem horrível, com quem eu tivera o desprazer de dividir a mesa de natal.
Edward veio atrás de mim e segurou Sophie nos braços, seguindo em direção aos quartos.
Quando chegamos lá, eu tirei o vestido de veludo vermelho de Sophie, destrancei seus cabelos, colocando-lhe um pijama confortável e a acomodando entre os edredons pesados.
Dei um beijo suave em sua testa e Edward fez o mesmo.
Deixamos o abajur ligado e seguimos em direção ao corredor, onde Edward me abraçou com força e beijou meus cabelos.
_ Eu odeio aquele homem... _ Edward declarou e eu suspirei, encarando-o._ Não entendi o que ele quis dizer com aquelas palavras. Que prejuízos eu posso ter causado a ele? Eu nem o conhecia antes daquela maldita guerra. Nunca o tinha visto, nem mesmo nos treinamentos.
Eu respirei fundo e beijei o pescoço do meu capitão, querendo acalmá-lo.
_ Esqueça isso, Edward. Aquele homem é louco. Concentre-se em outras coisas e tente deixá-lo de lado. Logo ele vai embora e se tornará apenas, uma inconveniente lembrança.
_ Eu não sei... Ele falou como se me conhecesse há muito tempo... Como se de alguma forma ele estivesse relacionado com alguma parte do meu passado.
Eu engoli em seco e tentei ignorar as batidas frenéticas do meu coração.
Será que eu devia contar a ele o que Alice me contara?
Eu não devia ter nenhum segredo com ele, mas sabia que se eu contasse sobre James, Edward poderia descer aquelas escadas e cometer alguma loucura.
Por isso, achei melhor me manter calada.
_ Eu não quero mais descer, Edward. O que acha de comemorarmos o natal a sós, no nosso quarto?_ Propus, falando com a voz suave e ele sorriu.
_ Eu acho que essa é uma ótima ideia, meu anjo. Vá para o quarto, que eu só vou até a cozinha e logo te encontro lá._ Ele falou e eu franzi o cenho.
_ Eu não quero que você vá até lá e encontre James outra vez..._ Declarei e ele sorriu.
_ Prometo que não vou atacá-lo. Mas, eu vi que você não comeu nada durante o jantar e preciso providenciar seu sustento. Vá para o quarto que eu logo vou atrás de você._ Ele falou e eu suspirei, beijando seus lábios suavemente e indo para o quarto.
Quando cheguei ao aposento, rumei para o banheiro e tirei o vestido, desprendendo meus cabelos e removendo a fraca camada de pó que Alice passara em meu rosto.
Voltei para o quarto, vesti a camisola e preparei a cama, colocando sobre elas muitos edredons para nos proteger da noite fria.
Pouco tempo depois, Edward apareceu com uma grande bandeja e a depositou sobre a mesa em frente à janela, me chamando para comer.
E eu fui, porque me dava conta que estava realmente com fome.
Ele não falou mais nada sobre James e eu imaginava que o soldado já devia ter ido embora a essas alturas, me permitindo relaxar ao lado do meu marido, sabendo que todos estavam devidamente seguros.
Terminamos de comer e eu me dirigi novamente ao banheiro para escovar os dentes.
Edward também se preparou para dormir e em pouco tempo, estávamos deitados, aproveitando a companhia um do outro.
_ Você está bem, meu anjo?_ Ele perguntou suavemente, acariciando meus cabelos e eu o olhei atentamente, antes de responder a sua pergunta.
_ Estou... Mas, porque está me perguntando isso?
_ Eu sei que passou por muita tensão essa noite e eu quero garantir que nada de mal venha acontecer a você e ao bebê._ Ele falou suavemente e eu sorri, me aconchegando um pouco mais em seus braços.
_ Não se preocupe, Edward. Eu estou bem. Nós estamos bem, aliás. Seu filho será uma criança forte e saudável e eu não quero que você fique se preocupando com isso. Caso eu me senta mal, você será o primeiro a saber.
Eu o ouvi suspirar, e mais uma vez ficamos em silêncio.
_ Apesar de tudo, esse foi o melhor natal da minha vida._ Eu sussurrei e Edward apertou os braços ao meu redor.
_ O meu também, minha menina... O meu também. Uma pena que James tenha vindo para atrapalhar nossos momentos de felicidade. Eu ainda não consigo entender porque ele me odeia tanto._ Edward comentou e eu senti um frio na barriga e uma culpa imensa por estar escondendo-lhe a verdade.
_ Edward, você não o conhecia antes da guerra?_ Perguntei, tentando investigá-lo.
_ Não. Eu nunca tinha visto James em toda minha vida. Ele não foi treinado no Caribe, como eu e, portanto, eu só o encontrei na guerra, quando fui designado como capitão e fui para Alemanha comandar as tropas, das quais ele fazia parte. James foi para a guerra muito antes de mim, mas, no momento em que eu cheguei lá, ele me causou problemas, fazendo questão de não seguir meus comandos e ainda colocar muitos soldados contra mim. Ele sempre me olhara com ódio e pra falar a verdade eu nunca entendi porque. Às vezes, eu imaginava que fosse inveja do meu posto como capitão, mas hoje eu acho que é outra coisa. As coisas que ele disse durante a ceia me fazem pensar que eu lhe fiz alguma coisa. Eu só não consigo saber o que foi..._ Edward falou frustrado e eu me mexi inquieta em seus braços.
Deus!
O que ele faria quando descobrisse a verdadeira ligação de James com seu passado?
_ Deve ser apenas impressão sua... Se você não o conhece, não tem porque ele estar relacionado com seu passado._ Eu falei, tentando distraí-lo, mas eu sabia que Edward não era idiota.
Mais cedo ou mais tarde ele ligaria as coisas e acabaria descobrindo toda a verdade sobre James.
_ Estive olhando a ficha dele e descobri que ele viveu aqui em Washington há alguns anos atrás, com sua família. Talvez, seja dessa época que ele me conheça. Eu só não sei por que ele não gosta de mim. Isso é algo que eu nunca irei entender.
_ Esquece isso, Edward. E daí que ele lhe odeia? Tenho certeza que esse sentimento faz mal a ele mesmo. Você tem muitas pessoas que o amam e é isso que importa na vida. Deixe James de lado e vamos aproveitar nossos momentos. Você nem me deu um feliz natal direito..._ Falei, fazendo manha e ele riu, beijando o canto dos meus lábios.
_ Certo, senhora Cullen. Realmente, uma cama contendo uma linda mulher como você, não é lugar para falar de um soldado asqueroso como aquele. Então, eu vou seguir seu conselho e aproveitar sua companhia. Vou amá-la pelo resto da noite e não quero ouvir reclamações. Vamos fazer cada minuto desse natal valer a pena._ Ele falou e eu sorri contente, já me sentindo quente com suas palavras.
Ser amada por ele era tudo o que eu queria no momento.
Apenas suas mãos e seus lábios eram capazes de me fazer esquecer o mundo maluco que me rodeava, cheio de problemas e pessoas querendo nos fazer mal.
Nesse momento, eu precisava de Edward como meu amante. Eu precisava que ele me fizesse sua, como todas as noites.
Beijei seus lábios com todo o louco amor que eu sentia por ele e em pouco tempo rolávamos nus pela cama, entregues a uma paixão intensa, capaz de incendiar nossas mentes e nossos corações, nos livrando de qualquer preocupação ou qualquer problema.
Eu gemi ao sentir seus carinhos e beijos por todo o meu corpo, fazendo-o gemer também todas as vezes que eu retribuía suas carícias deliciosas.
E assim, Edward cumpriu sua promessa, me amando pelo resto da noite e me fazendo esquecer-me de qualquer coisa.
Tudo que eu precisava saber naquele momento era que eu pertencia a ele, de uma forma que jamais pertenceria a nenhum outro homem e que o amaria para sempre, agradecendo-o eternamente por me dar razões para continuar vivendo.
*****
Pov. Edward
Olhei para Sophie entretida com seu novo joguinho de chá e sorri feliz por ter acertado na escolha do presente.
Eu não saberia como agradar minha filha, mas graças à dica de Bella eu parecia ter feito à escolha certa.
Depois de toda tensão passada na noite de natal, devido à presença de James, tudo parecia estar se encaminhando bem e nosso dia de natal estava sendo bastante agradável.
Os parentes de minha mãe já haviam ido embora, embora Nessie quisesse ficar a todo custo para conhecer Jacob melhor.
Eu não saberia dizer o que de tão interessante que ela vira no jovem soldado, mas eu ficara feliz por ele.
Jacob Black merecia ser feliz e Vanessa saberia realizá-lo de uma maneira que nenhuma outra mulher seria capaz.
Sua personalidade forte e sua determinação eram impressionantes e seriam de grande valia ao lado do homem certo.
Eu ainda estava um pouco sonolento, pois havia passado praticamente a noite toda acordado, dedicando toda minha atenção para satisfazer Bella, que parecia muito mais bem disposta do que eu.
Eu sabia que ela não ligava para presentes, mas eu fizera questão de dar-lhe um colar de ouro, contendo dois pingentes, representando nossos filhos.
Ela adorara a joia e não cansava de admirá-la em seu pescoço, me lançando um imenso sorriso cada vez que o fazia.
Eu havia ganhado de presente um suéter feito pelas mãos de minha esposa. Ele não estava muito bonito e alinhado, devido a tantos pontos feitos errados, mas eu adorara a tentativa de ela fazer algo para mim, mesmo tendo tão pouca habilidade com as agulhas.
Bella parecia envergonhada em me entregar seu presente, mas depois de afirmar várias vezes que eu adorara o suéter e fazer questão de vesti-lo, ela ficara contente e orgulhosa do seu trabalho.
Além do colar, eu dera a ela uma imensa caixa de doces que a fizera me dar muitos beijos no rosto e sorrir feito uma criança.
Eu ri de sua reação, assim como todos que presenciaram a cena e eu fiz uma nota mental de dar-lhe doces sempre.
E para o nosso bebê eu mandei fazer um berço.
Bella olhara encantada para o móvel de madeira branca e eu fiquei comovido com suas lágrimas e com o olhar de gratidão que ela me lançara.
_ Obrigada... É lindo._ Ela falou, passando a mão delicadamente pelas grades do berço
Eu sorri e me aproximei, beijando seu rosto.
_ De nada, minha linda. Eu não sabia o que dar a ele, mas achei um berço bem apropriado. Agora, precisamos desocupar o quarto ao lado do nosso e decorá-lo para o bebê. Afinal, não faltam muitos meses para ele nascer._ Eu falei e ela sorriu, acariciando o ventre dilatado.
A cada dia que passava, Bella ficava mais linda.
Eu sabia que ela temia que eu desenvolvesse algum tipo de aversão às suas formas desproporcionais durante a gravidez, mas por mais estranho que parecesse, quanto maior ela ficava, mais atraído eu me sentia por ela.
Minha menina ficava mais encantadora a cada dia que passava e eu não conseguia mais resistir aos sentimentos que me invadiam todas as vezes que eu apenas olhava para ela.
Eu não tinha mais a menor dúvida que eu a amava. Eu estava completamente apaixonado por ela e não havia nada que pudesse fazer a esse respeito.
E o mais estranho era que eu não queria fugir dos meus sentimentos, pois eles me faziam muito bem.
O amor que eu sentia por ela dava significado aos meus dias, tornando-os mais belos.
E mesmo tendo que enfrentar o mundo para estar ao seu lado, cada sorriso seu, cada palavra, e cada beijo faziam com que qualquer sacrifício valesse a pena.
Eu ainda tinha medo de me declarar para ela, pois sabia que a partir do momento em que essas palavras saíssem da minha boca, não teria mais volta e eu estaria completamente a mercê do fascínio que minha menina exercia sobre mim e, se algo acontecesse a ela, eu sofreria muito mais.
Bem, de qualquer maneira eu sofreria, pois desde que eu a encontrara suja, esfarrapada e machucada, sendo maltratada por James, Bella tornara-se minha vida e ficar sem ela não era uma opção, pois não havia como um ser humano sobreviver sem ter vida.
Eu precisava superar o medo de perdê-la, mas tinha certeza que aos poucos isso seria possível, já que Bella parecia bastante saudável.
Em breve, nós teríamos nosso filho conosco e tudo seguiria tranquilo.
Nossa vida seria regada de muito amor e eu, finalmente, me sentiria um homem completo.
Graças ao bom Deus, Renée e sua gangue maldita nunca mais deram notícias.
Eu sabia que eles estavam planejando algo grande, mas ter um pouco de paz era tudo o que eu precisava para colocar as ideias em ordem e saber como proceder para garantir a segurança de Bella.
Meu advogado estava cuidando de tudo e em breve eu poderia legalizar sua situação como cidadã americana, anulando assim, qualquer plano daqueles malditos e evitando que eles pudessem tirá-la de mim.
E quanto a James... Bem, eu ainda descobriria o significado de suas palavras, mas por enquanto, tudo o que eu queria era mantê-lo longe da minha família.
Principalmente de Bella e Sophie, pois eu notei a maneira estranha que ele olhara para elas ontem, durante a ceia de natal.
Aquele desgraçado jamais faria mal a minhas meninas e eu garantiria isso, nem que precisasse dar minha vida para tal feito.
Mas, por hora eu deixaria de pensar sobre isso e desfrutaria da companhia maravilhosa da minha família.
Almoçamos as sobras da ceia e durante a tarde, nos sentamos ao redor da lareira para conversarmos, enquanto as mulheres tricotavam mais roupinhas para o meu bebê.
Eu tentei ajudar Bella com as agulhas, pois embora ela tenha melhorado bastante suas habilidades, ainda tinha bastante dificuldade em acertar os pontos.
Mas, como eu também era um desastre em prendas domésticas, acabamos os dois rindo, enrolados com as linhas e levando uma bronca de minha mãe, por parecermos crianças e estarmos brincando com coisa séria.
Emma nos preparou um delicioso chocolate quente, que bebemos juntos com um bolo de baunilha maravilhoso, conversando sobre os possíveis nomes do meu filho.
O engraçado era que a cada nome de menino sugerido, Bella fazia questão de escolher um de menina, fazendo um bico adorável toda vez que alguém lhe dizia que o bebê que ela esperava era um menino e que suas sugestões eram dispensáveis.
_ Eu não acho. Ninguém sabe o que vai ser o meu bebê e eu sinto que é importante escolhermos nomes para meninas, também. Eu sou a mãe e sei do que estou falando.
_ Ah, Bella... Chega de tantas meninas nessa casa. Primeiro Sophie, depois Claire... Você precisa nos presentear com um menino. Por favor._ Minha mãe falou e Bella revirou os olhos, bufando contrariada.
Eu ri de sua atitude e beijei seu rosto, tentando acalmá-la.
_ Gente, vamos escolher o nome para menino e para menina. Quando nascer, vemos qual será usado. E depois, com o tempo suficiente, eu posso providenciar os dois._ Falei e Bella beliscou minha barriga, ficando vermelha na hora.
_ Edward!_ Ela me repreendeu e todos os presentes riram de sua reação, inclusive eu.
_ Desculpe, amor. Não queria deixá-la constrangida. Mas, o que eu disse é uma realidade. Tenho certeza que teremos mais filhos... E só questão de tempo._ Eu expliquei e ela ficou me olhando, como se algo muito importante tivesse acabado de ser dito.
_ Do jeito que são coelhos, eu não duvido disso._ Emmett declarou e eu o olhei com cara feia.
Não aguentava mais meu irmão nos chamando de coelhos.
Com coisa que ele e Rosalie eram diferentes.
_ Emmett, tenha modos. Há crianças à mesa._ Minha mãe falou, repreendendo-o e ele suspirou, voltando a concentrar-se em seu bolo.
_ Porque a mamãe e o papai são coelhos, tio Emmett?_ Sophie perguntou, mostrando que estava prestando bastante atenção em nossa conversa e eu engasguei com o chocolate quente, lançando para meu irmão um olhar mortal.
Queria ver como ele sairia dessa situação agora.
_ Querida, esquece isso. Seu tio é um idiota que não sabe o que diz._ Rosalie falou, batendo na cabeça de Emmett e Sophie, graças aos céus, resolveu deixar o assunto de lado.
Olhei outra vez para Bella, que estava completamente imóvel ao meu lado e comecei a me preocupar com seu estado.
Até agora ela estava bem, o que será que acontecera para ela ficar tão quieta?
_ Bella? Está tudo bem, minha linda?_ Perguntei suavemente e ela me olhou, antes de levantar-se apressada e correr em direção às escadas.
_ Edward, o que você fez?_ Minha mãe perguntou irritada e eu dei de ombros, completamente confuso com a relação de Bella.
_ Eu não fiz nada, mãe. Ela estava bem até agora... Não sei o que houve._ Falei e minha mãe revirou os olhos, não acreditando em mim.
_ Deve ser culpa de Emmett e de suas brincadeiras._ Meu pai declarou e meu irmão o encarou, indignado.
_ Minha? Claro que não. Eu sempre fiz essa brincadeira e Bella nunca ligou._ Ele defendeu-se e eu concordei, pois Emmett tinha razão.
Bella gostava dele e apesar de sentir-se um pouco constrangida com suas brincadeiras, jamais reagira assim a nenhuma.
_ Não deve ser isso... Mas, eu não entendo... Estava tudo bem..._ Eu murmurei e respirei fundo, tentando entender a atitude estranha de Bella.
_ Então, eu sugiro que você levante o traseiro dessa cadeira e vá verificar qual o problema com sua esposa._ Alice falou e eu me levantei imediatamente, seguindo em direção aos quartos.
Quando cheguei ao nosso quarto, encontrei Bella de pé, em frente à janela, encarando a paisagem nevada com o olhar perdido.
_ Bella... O que foi, meu anjo?_ Perguntei suavemente, beijando seu pescoço e a abraçando por trás.
Ela respirou fundo e continuou parada, ignorando completamente minha presença.
_ Foi a brincadeira de Emmett?_ Perguntei e ela negou com um gesto de cabeça, continuando em silêncio.
_ Bella, fala comigo. Por favor._ Pedi desesperado e ela finalmente virou-se para me encarar._ O que houve? Você estava bem e de repente ficou estranha. O que aconteceu?
Ela me olhou com uma expressão compenetrada e eu me desesperei quando vi lágrimas grossas descendo por seu rosto.
_ Bella? Pelo amor de Deus, não chora... O que foi, minha linda? Fala pra mim. Você está sentindo dor?
_ Estou. Dói muito._ Ela falou com a voz fraca, pousando as mãos fechas em punho na região do coração, me deixando a cada segundo mais apavorado.
_ O que dói? Eu vou chamar o médico._ Falei decidido, levando-a até a cama e colocando-a entre os edredons macios e já me dirigindo para a porta.
_ Eu não preciso de médico. Eu preciso de você. Preciso que me diga uma coisa._ Ela gritou, me assustando e eu me virei para olhá-la._ Você disse uma coisa lá em baixo e eu preciso que você confirme, antes que eu enlouqueça procurando significados para isso.
Aproximei-me da cama novamente e me sentei a sua frente, tirando alguns fios de cabelos de seu rosto e olhando-a com atenção.
Ela estava nervosa com alguma coisa que eu havia dito.
Certo.
Mas, o problema era que eu simplesmente não me lembrava do que se tratava.
_ O que eu disse?_ Perguntei suavemente e ela respirou fundo, me olhando atentamente.
_ Você me chamou de amor._ Ela falou e eu paralisei, escutando até mesmo o sangue correr em minhas veias._ É isso que eu sou, Edward? O seu amor? Eu sei que você gosta de mim, me deseja e eu não estou reclamando. Serei eternamente grata a você por ter me feito sua e transformado minha vida. Mas, eu preciso saber... Você me ama?
Ela precisava da resposta e me olhava com tanta intensidade que eu não era capaz de resistir ao seu olhar.
Eu entregaria tudo a ela, mas ainda não estava pronto para dizer-lhe o que eu sentia.
Estava claro como água que eu a amava, mas, como o covarde que era, tinha medo de me declarar.
Deus!
O que eu diria a ela agora?
Respirei fundo e fechei os olhos.
Essa seria a conversa mais difícil da minha vida.
Sem a menor sombra de dúvida.
E eu tinha certeza que ela mudaria muita coisa.
Só esperava que as mudanças fossem boas, pois eu não suportaria mais problemas.



E aí, meninas lindas... O que nosso capitão faz agora?
Gente, eu não gostei muito desse capítulo, mas essa foi a melhor forma de conduzir os acontecimentos.
Espero que tenha ficado do agrado de todos.

1 comment :

  1. Ai ai, mas afinal a Bella esta gravida de gemeos ou nao? Tomara haha bjs!

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