THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 29

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama


Capítulo 29
Pov. Bella
Terminei de alfinetar a frauda de Kimberlly e sorri para minha filha, que me encarava atentamente, com seus grandes olhos castanhos.
_ Prontinho, minha linda... Está limpa novamente._ Eu falei suavemente e Kim sorriu, fazendo meu coração derreter lentamente diante de tanta fofura.
Minha pequena era sempre muito séria, mas quando sorria, iluminava todo o ambiente ao seu redor.
Só Edward era capaz de fazê-la derreter-se toda, a qualquer momento do dia e vê-la sorrir para o pai era uma das coisas mais encantadoras que eu havia presenciado na vida.
Meu capitão era completamente apaixonado pelos nossos filhos e vê-los juntos era sempre muito bom.
Nossa manhã estava sendo tranquila e, mesmo rodeada de tantas crianças, eu não me vira apurada em nenhum momento.
Ângela chegara cedo para me ajudar e, nesse momento, estava preparando o almoço das crianças, enquanto eu cuidava das fraudas e das brincadeiras.
_ Eu já usei fraudas, mamãe?_ Sophie perguntou, olhando para a irmã que estava deitada no meio da minha cama e agora se divertia com as mãozinhas.
Sophie adorava ficar ao redor dos irmãos, e não perdia a oportunidade de tirar todas as suas dúvidas acerca da vida dos meus pequenos e da sua própria vida enquanto bebê.
_ Claro que sim, Sophie. Todos nós já usamos fraudas algum dia, pois já fomos um bebê, assim com Kimberlly e Joshua._ Respondi, olhando para meu filho que dormia tranquilo no cesto ao lado da minha cama.
Joshua era tão calmo e silencioso que, às vezes, eu ficava preocupada com sua falta de ruídos.
Ele dormia bastante e quase nunca chorava.
No entanto, ele era bem mais sorridente do que a irmã e se derretia por quem resolvesse olhá-lo, falar com ele ou segurá-lo no colo.
Seus grandes olhos verdes e seu cabelo escuro era uma atração à parte para quem se aproximava dele e a beleza dos meus filhos sempre encantava a todos.
E isso não era difícil, já que Kimberlly e Sophie eram Cullen e todo membro dessa família era absurdamente lindo.
Principalmente o pai deles.
Sorri com o pensamento e olhei novamente para Kimberlly, que ainda mordia distraidamente os dedinhos.
Eu agradecia a Deus por ter filhos tão calmos, pois se eles fossem muito agitados, eu teria sérios problemas, já que se tratava de dois bebês da mesma idade e com as mesmas necessidades.
Edward e eu jamais perdemos uma noite inteira de sono para cuidar de nossos filhos.
Era preciso apenas alguns momentos para atendê-los e depois, podíamos voltar para o nosso tão merecido sono ou para os nossos momentos ardentes e apaixonados.
Corei com o pensamento e suspirei.
Eu não devia pensar nesse tipo de coisa enquanto estivesse cuidando de crianças inocentes.
Claire estava sentada no chão, entretida com uma boneca e eu me sentia muito bem por estar rodeada de tantas crianças.
Todas as vezes que Esme, Alice e Rosalie saiam à procura de vestidos, flores e sapatos, eu era designada para cuidar dos pequenos da casa e gostava realmente de fazê-lo.
A molecada não me dava trabalho nenhum e meu dia, ao lado deles, passava rapidamente.
_ Todos nós já fomos bebê um dia?_ Minha pequena perguntou curiosa e eu sorri, assentindo de leve com a cabeça.
_ Sim, minha linda... Todos nós._ Falei distraída, colocando meu indicador entre a mãozinha de Kim, que o agarrou imediatamente.
_ E como são feitos os bebês?_ Sophie perguntou inocentemente, levando embora toda a minha distração, e eu paralisei, olhando-a encabulada e não sabendo o que responder a ela, afinal, nem eu mesma sabia direito a resposta.
Eu imaginava que tivesse haver com o que Edward e eu fazíamos todas as noites no silêncio do nosso quarto, mas não tinha como eu ter certeza e, de qualquer forma, isso não era assunto para criança.
E nesse momento eu me dava conta que Edward nunca respondera minhas dúvidas e, até hoje, eu não sabia como os bebês eram feitos de fato.
_ Querida... Eu... Bem... Quando você for adulta, saberá essas coisas._ Eu falei e Sophie me encarou confusa.
_ Por que eu não posso saber agora?_ Ela insistiu e eu suspirei, me levantando, pegando minha neném e a colocando no cesto.
_ Por que bebês não são assuntos para criança._ Eu respondi e ela cruzou os braços sobre o peito, me encarando desafiadoramente.
_ Por quê?_ Ela insistiu e eu gemi desalentada.
Porque, diabos, crianças tinham que ser tão curiosas?
_ Sophie, querida... Vamos deixar esse assunto pra lá._ Eu pedi e minha pequena continuou me encarando emburrada.
_ Isso não é justo... Eu só queria uma simples resposta. Você estava com um barrigão e, depois, os bebês chegaram. Eu só queria saber como eles entraram na sua barriga._ Ela falou e eu senti meu rosto esquentar.
“Deus, me livre desse interrogatório.”
Pedi mentalmente e encarei minha filha tagarela, que ainda esperava pela resposta.
Eu teria que conversar com Edward a respeito disso.
Suspirei e voltei para a cama, me sentando ao seu lado.
_ Querida, quando for a hora certa, você vai saber. Não se preocupe. Por hora, pense apenas que você, Claire e seus irmãos são presentes lindos que Deus envia para trazer felicidade às famílias._ Eu falei e ela suspirou.
_ Quando vai ser a hora certa?_ Ela perguntou e eu revirei os olhos, exasperada diante de sua insistência.
_ Quando você for uma mocinha e estiver prestes a se casar._ Respondi e ela, graças a Deus, ficou em silêncio, pensando em minha resposta.
Para meu alívio, a porta se abriu de repente e Rosalie apareceu sorridente, estendendo os braços para a filha, que correu para ela imediatamente.
_ Oi, minha lindinha... Se comportou direitinho?_ Minha cunhada perguntou com a voz suave e Claire sorriu, abraçando o pescoço da mãe.
_ Ela foi perfeita como sempre, Rosalie. Não se preocupe. Claire nunca me dá trabalho..._ Eu falei e Rosalie sorriu orgulhosa._ Mas, me diga: como foram as compras?
Rosalie revirou os olhos e veio sentar-se ao meu lado na cama.
_ Alice deixou o pobre do floricultor louquinho. Esme e eu ficamos com pena dele... Mas, no fim deu tudo certo. Os preparativos já estão quase prontos. Em breve, Alice estará casada e vai enlouquecer Jasper com sua eletricidade._ Minha cunhada falou rindo e eu a acompanhei, sabendo que Alice, com certeza, enlouqueceria o marido.
_ Tia Rose, de onde vêm os bebês?_ Sophie perguntou de repente e Rosalie a encarou assustada.
E eu sabia perfeitamente como ela se sentia ao ser abordada pelas dúvidas de Sophie e, portanto, tratei de repreendê-la.
_ Sophie..._ Eu falei em advertência e minha filha me encarou, culpada._ Nós já conversamos sobre isso.
_ Mas, você não me respondeu e eu ainda vou demorar a virar uma mocinha e me casar._ Ela respondeu e Rosalie me olhou desesperada, querendo a todo custo fugir da resposta que teria que dar a sobrinha._ Tia, me fala, por favor..._ Sophie pediu mais uma vez e eu revirei os olhos, sabendo que seria difícil dissuadi-la de sua ideia fixa de saber de onde vinham os bebês.
Só esperava que Rosalie tivesse uma resposta adequada, por que eu,realmente, não tinha.
_ Eu... Sophie... Bem..._ Minha cunhada gaguejava e eu fiquei curiosa para ver o que ela responderia, mas, antes que ela pudesse falar algo, Emma entrou no quarto.
_ Bella, o Sr. Edward pediu para que você descesse até a sala. Você tem visita._ Ela falou, e eu me levantei rapidamente, seguindo em direção à porta e nem me preocupando em saber quem era a visita.
Tudo o que eu queria era fugir da situação inusitada que Sophie e sua curiosidade sem fim criaram.
_ Bella, não me deixa aqui sozinha. O que eu digo para Sophie?_ Rosalie falou um pouco desesperada e eu dei de ombros, olhando-a com pena, mas achando a situação muito divertida.
Ainda bem que eu não era a única vítima de suas perguntas abelhudas.
_ Tenho certeza que você vai pensar em algo._ Falei para Rosalie, seguindo rapidamente pelo corredor e torcendo para que minha cunhada fosse capaz de matar a curiosidade de Sophie, antes que ela deixasse todo mundo louco com suas perguntas indiscretas.
Sorri com o pensamento e me perguntei se minha pequena não era realmente filha de Edward, já que às vezes se parecia tanto com sua tia Alice.
Lembrei-me dos questionários sobre minha vida intima que tive que responder a Alice e cheguei à conclusão que Sophie e a tia formavam uma bela dupla enlouquecidamente curiosa.
Quando cheguei à sala, fiquei agradavelmente surpresa ao ver a Sra. Forbes sentada ao lado de Edward.
Já fazia muito tempo que eu não via a boa senhora e sua presença agradável me fizera muita falta, principalmente durante os momentos difíceis que eu passara nos campos de batalha e em nossa viajem de navio.
Quando estávamos na guerra, ela fora como uma verdadeira mãe para mim e eu sentia um imenso carinho pela senhora que apoiara meu casamento e minha história com Edward.
_ Sra. Forbes... Que prazer em revê-la..._ Eu falei e me apressei pelo amplo cômodo, a fim de abraçá-la.
_ Isabella, querida... Eu também estou muito feliz em rever você._ Ela falou sorrindo e retribuindo meu abraço e eu me senti muito feliz em tê-la por perto.
Depois que nos cumprimentamos, eu me sentei ao lado dela no imenso sofá, sentindo a empolgação tomar conta de mim ao saber que eu poderia dividir com ela os melhores acontecimentos da minha vida desde que eu chegara à Washington.
Ela torcera pelo meu bem estar e eu gostaria que ela soubesse que eu realmente estava bem e feliz ao lado do meu capitão e dos nossos filhos.
Como ela me dissera certa vez, a América, realmente, me fizera muito bem.
Olhei feliz para Edward, quando, de fato, notei sua presença, mas a expressão do seu rosto me deixou um pouco inquieta.
Eu queria dividir com ele a alegria de estar novamente perto de minha velha amiga, mas meu capitão parecia aborrecido, preocupado e zangado.
Eu deduzi que devia ser algo relacionado ao trabalho e não dei muita importância.
Hoje de manhã estava tudo bem.
Apesar de sua culpa permanente com relação à Sophie e à nossa conversa séria sobre isso, Edward estava normal, amoroso e sorridente, como em todos os dias.
Eu não poderia acreditar que algo de tão grave tivesse acontecido para roubar a paz que vivíamos nesse momento tão perfeito de nossas vidas.
Desviei meu olhas de seu rosto e voltei a me concentrar na Sra. Forbes.
No momento, eu queria dar toda a atenção necessária para minha visita.
_ Fiquei sabendo que você teve gêmeos._ A velha enfermeira comentou e eu sorri orgulhosa ao pensar nos meus pequenos.
_ Pois é... Muita coisa aconteceu desde que eu cheguei à América. Mas, a melhor de tudo foi o nascimento dos meus filhos. Eles são tão lindos...
_ Eu não duvido... Tendo pais como vocês, o mínimo que eu espero é que sejam crianças deslumbrantes._ Ela falou sorrindo e eu corei pelo elogio indireto.
Eu não me considerava bonita.
O anormal dessa história era o meu marido, que era tão lindo que chegava ser exagero.
_ Mas, me diga: que bons ventos a trazem?_ Perguntei, tentando esconder meu constrangimento pelo seu elogio e ela sorriu mais uma vez.
_ Eu vim até Washington apenas para vê-los. Como agora sou uma cidadã aposentada, resolvi aproveitar meu tempo para visitar meus amigos. E eu queria muito saber como vocês estavam... E aqui estou eu._ Ela falou e eu sorri, olhando outra vez para meu marido que permanecia em absoluto silêncio.
Edward era sempre tão cordial, que seu silêncio e falta de interesse em nossa conversa estavam começando a me irritar.
O que havia de errado com ele, afinal?
Será que ele se esquecera do que a Sra. Forbes significava para nossa história?
_ Está tudo bem, amor?_ Perguntei baixinho, não conseguindo ignorá-lo como eu gostaria e ele assentiu, me olhando com a expressão vaga.
Em seguida, para meu total espanto, Edward levantou-se e seguiu para o escritório em silêncio, fazendo com que eu me sentisse confusa e frustrada.
Fiquei encarando suas costas, enquanto ele se afastava, sem entender sua atitude.
Olhei para a Sra. Forbes e notei que ela me fitava com um olhar culpado.
_ Temo que eu tenha cometido uma terrível gafe hoje..._ Ela comentou e eu a encarei, curiosa e temerosa.
Será que a tal gafe que ela achava ter cometido tinha haver com a atitude estranha de Edward?
O que de tão grave havia acontecido para ele agir tão friamente comigo?
_ Por que diz que cometeu uma gafe?_ Perguntei suavemente e ela me encarou com a expressão ainda mais culpada.
_ Eu contei a ele que o soldado James é o verdadeiro pai de Sophie. Eu pensei que Edward soubesse, mas, apenas depois que ele reagiu de uma forma inesperada, que eu me dei conta que, na verdade, não sabia de nada._ Ela falou e eu senti meu coração afundar no peito.
Edward sabia sobre James?
Era por isso que ele estava agindo daquela forma estranha?
Senti medo de sua possível reação ao saber que eu já conhecia esse fato e que não quis compartilhá-lo com ele, como uma boa esposa deveria fazer.
Eu temia que Edward passasse a tratar Sophie de forma diferente, mesmo sabendo que isso era improvável.
Ele amava a filha e jamais a destrataria, independentemente do sangue que corresse em suas veias.
Mas, eu não tinha o sangue de Edward em minhas veias, e mesmo não duvidando de seu amor por mim, eu tinha receio que o fato de eu não ter confiado esse segredo a ele colocasse em risco a felicidade e harmonia do nosso casamento.
Nesse momento, eu me arrependi por ter sido fraca e não contado a ele tudo o que eu descobrira através de sua irmã.
Respirei fundo e olhei para a Sra. Forbes, preocupada.
_ Eu sinto muito, querida._ Ela falou, ao notar minha expressão de pânico._ Mas, não se preocupe. Tenho certeza que tudo vai se resolver. James e Edward nunca se toleraram e eu sempre imaginei que ambos soubessem sobre Sophie. Mas, o capitão não sabia sobre a paternidade da menina e eu acabei falando demais.
É... Ele realmente não sabia...
E eu, que conhecera toda a verdade por meio de Alice, lhe escondi esse fato, quando, na verdade, deveria dividir tudo com ele.
Fechei os olhos com força e desejei que Edward entendesse meus motivos, pois não queria que nada atrapalhasse nossa felicidade e nossa harmonia.
_ Tudo bem. Isso, mais cedo ou mais tarde, acabaria acontecendo. Só espero que Edward não me odeie por eu ter lhe escondido isso.
_ Você sabia sobre James e Elizabeth?_ A Sra. Forbes perguntou e eu corei, olhando para minhas mãos pousadas em meu colo e me sentindo extremamente culpada.
Assenti de leve com a cabeça e ouvi o longo suspiro da boa senhora.
_ Quem lhe contou?
_ Alice... Ela era a dama de companhia de Elizabeth e chegou a conhecer James. No natal, tivemos que recebê-lo em nossa casa e minha cunhada o reconheceu e me contou tudo. Sem contar que a semelhança dele com Sophie e assombrosa. E, desde então, eu sei quem é o pai de Sophie... Mas, eu sempre tive medo de contar a verdade a Edward, pois eu sei o quanto ele odeia aquele soldado. Eu só peço a Deus que ele me perdoe e não me odeie, pois eu não posso viver sem meu capitão... É impossível._ Falei, tentando engolir o nó que se formou em minha garganta e não desabar em prantos na frente da Sra. Forbes.
_ Ele não é capaz de lhe odiar, meu bem. Edward te ama... Muito. Dá pra ver isso nos olhos dele. Pode ser que ele se sinta magoado por você ter lhe escondido esse fato, mas tudo vai se resolver. Vocês dois nasceram para ficar juntos... Jamais duvide disso._ A Sra. Forbes falou e eu me senti um pouco mais aliviada, embora ainda estivesse um pouco temerosa sobre a reação de Edward._ Esqueça essa preocupação boba, menina. Tudo vai dar certo. O que acha de me apresentar aos seus filhos? Estou muito curiosa para ver o rostinho deles._ Ela falou e eu sorri, enviando todos os meus receios para o fundo da mente.
Deixaria para lidar com Edward mais tarde.
Nosso amor era forte o suficiente para superar qualquer coisa.
Tudo sempre daria certo no final, pois nós tínhamos nascido para ficarmos juntos.
E disso, eu não tinha a menor dúvida.
*****
Pov. Edward
Eu não devia ser tão rancoroso, pois eu tinha tudo o que quis e coisas que eu nunca imaginei conseguir na vida...
Eu era feliz, tinha uma família maravilhosa, uma esposa perfeita e um cargo, que apesar de não me satisfazer como antes, era uma realização profissional muito satisfatória.
Mas, o fato de terem me escondido que James era o verdadeiro pai de Sophie me deixara extremamente irritado.
Eu sempre quisera saber quem era o pai da menina que eu assumira como filha.
Era um direito meu.
Mas, meus pais, meus irmãos, meus ex-sogros e até mesmo Bella me negaram esse direito.
Eu já fora enganado uma vez e sabia o quanto isso era humilhante e doloroso e não queria, de forma alguma, passar por uma situação parecida.
Respirei fundo e tentei conter a onda de raiva por saber que aquele soldado nojento fora amante de Elizabeth...
Eu a tratara como uma rainha e ela me traíra com um homem cruel e sem escrúpulos, me humilhando frente a uma sociedade que não perdia a oportunidade de rebaixar aqueles que passavam por situações como essa.
Aquele maldito tomara para si a minha esposa e só de pensar nisso, eu sentia um imenso asco por eles.
Malditos!
Esmurrei a mesa do escritório e, quando olhei para a porta, percebi que Alice me olhava assustada, parecendo incerta se entrava ou me deixava sozinho.
Eu tentei não me sentir traído por ela, mas estava sendo muito difícil conter esse sentimento.
Respirei fundo e me recostei na cadeira, olhando-a atentamente.
_ O que você quer?_ Perguntei e ela se encolheu minimamente, ao notar meu tom de voz completamente hostil.
Ela suspirou pesadamente e adentrou no escritório, fechando a porta e vindo se sentar a minha frente.
_ Desculpe..._ Ela sussurrou e eu a encarei surpreso, tentando saber sobre o que exatamente ela se desculpava.
_ Pelo que, exatamente, devo desculpá-la?
_ Eu ouvi a conversa daquela senhora com a Bella... Você descobriu sobre James e eu sinto muito por nunca ter lhe dito nada. Apenas eu e seus ex-sogros sabíamos quem era o amante de Elizabeth... Nem mesmo nossos pais chegaram a conhecê-lo. Eu nunca imaginei que esse homem cruzaria nosso caminho outra vez. Jamais pensei que ele seria um soldado e estaria nas tropas que você comandaria... Nem em meus mais estranhos pesadelos eu pensei que ele passaria um natal conosco e que chegaria perto de Sophie... Sinto muito por ter lhe escondido isso e ter envolvido Bella nesse segredo._ Minha irmã falou chorando e eu respirei fundo, sentindo o sentimento de raiva me abandonando aos poucos.
Alice realmente não conhecia a ligação de James comigo e, portanto, não fizera por mal.
Mas, o fato de ter sido enganado por ela e por minha menina ainda me incomodava.
_ E, porque, quando você descobriu que eu o conhecia, não me contou a verdade?
_ Eu tinha medo que você rejeitasse sua filha. Bella me contou que você a livrou de James na guerra e que o odiava... Eu sei que você ainda tem mágoas pela traição de Elizabeth e eu não queria que deixasse de gostar de Sophie porque ela é filha de um homem que você odeia... Meus atos foram todos para preservar sua filha, que apesar de tão pequena, já sofreu tanto na vida e só agora pode desfrutar da harmonia de uma família de verdade._ Alice falou e eu fiquei sem palavras para respondê-la.
A traição de Elizabeth me machucara muito, pois na época eu realmente acreditava que a amava.
Saber que ela esteve com outro homem e que juntos, conceberam um filho, me atormentara durante muito tempo.
E o pior de toda essa situação era o fato de minha pequenina ser filha de um cara que eu aprendera a desprezar.
Sophie tem o sangue de uma das piores criaturas que habitaram o planeta terra... Um homem abominável, que não sabe respeitar uma mulher ou qualquer outro ser humano que o rodeie.
Fechei os olhos e coloquei os dedos sobre a têmpora, tentando tirar de minha mente esses pensamentos.
Sophie não tinha culpa de nada, até porque ninguém podia escolher os pais que queriam ter e eu jamais a rejeitaria por ser filha de quem é.
Eu a tinha assumido e jamais a abandonaria, pois eu a amava como minha filha e o fato de ela ter o sangue daquele desgraçado correndo nas veias era só um detalhe, que eu faria questão de esquecer.
Respirei fundo e olhei para Alice, que ainda me encarava com os olhos tristes.
_ Eu só lhe peço que nunca mais me esconda algo grave como isso, Alice. Sophie é minha responsabilidade e qualquer coisa relacionada a ela é muito importante para mim._ Eu falei e minha irmã sorriu aliviada.
_ Prometo nunca mais guardar nenhum segredo desta magnetude... Eu sei que errei, mas fiz isso para proteger nossa pequena...
_ Entendo seus motivos, mas volto a repetir: jamais me esconda algo assim. Por favor._ Pedi e ela assentiu, levantando-se e correndo para meu colo.
Sai de perto da mesa e a recebi em meus braços, como fazia quando nós éramos crianças e ela se machucava por algum motivo.
_ Não brigue com a Bella por isso... Fui eu que contei a ela e, juntas, decidimos manter o segredo. Sua esposa também queria preservar Sophie e manter aquele soldado longe de vocês... Bella te ama e não merece ser repreendida por algo que é apenas minha culpa..._ Alice falou, me olhando com aquela expressão de cachorrinha sem dono e tudo o que eu fiz foi suspirar e concordar com seu pedido, até porque eu não queria mesmo brigar com minha menina.
Eu sabia que Bella não fizera nada para me prejudicar, pois ela me amava e amava minha filha...
Qualquer atitude sua era apenas para proteção de nossa família, e de certa forma isso era admirável.
Era a primeira vez que minha menina tinha uma família e ela faria qualquer coisa para preservá-la e se isso incluísse guardar um segredo, ela o preservaria sem pensar duas vezes.
_ Eu não vou brigar com ela... Fique tranquila. Nós vamos apenas conversar._ Eu garanti para minha irmã e ela sorriu largamente, agarrando meu pescoço e enchendo meu rosto de beijos.
Eu ri envergonhado e tentei me desvencilhar de seus braços, mas, apesar de seu tamanho diminuto, Alice era bem forte.
_ Você é o melhor irmão do mundo... Obrigada por não me odiar e por não odiar sua esposa, quando você tem motivos para isso. Obrigada por ser lindo e perfeito... Obrigada._ Ela falou com sua voz fininha e eu gargalhei, conseguindo finalmente tirá-la do meu colo.
_ Tudo bem, Alice... Tudo bem. Agora, vá procurar o que fazer e pare de ficar ouvindo conversas alheias, pois isso não é papel de uma dama._ Eu falei em um tom divertido e ela fez uma careta, revirando os olhos e indo até a porta.
_ Se eu não tivesse ouvido a conversa entre Bella e aquela senhora, eu, certamente, teria meu irmão me odiando ainda. Portanto, às vezes, não ser uma dama é mais vantajoso._ Ela falou e saiu saltitando do escritório.
Eu ri e meneei a cabeça...
Alice seria sempre Alice.
*****
Pov. Bella
Acomodei a Sra. Forbes em um dos muitos quartos de hóspedes e depois de desejar-lhe boa noite, suspirei pesadamente e encostei-me à parede do corredor, sabendo que chegara a hora de eu enfrentar meu capitão.
Meu dia tornara-se uma provação desde o momento em que eu descobrira que Edward já sabia que James era o verdadeiro pai de Sophie.
Ele ficara estranho durante todo o resto do dia, e quase não me dirigira a palavra.
Eu tinha medo que Edward se afastasse de mim, mas Alice me garantira que isso não aconteceria.
Meu marido estivera presente no jantar, mas não me ajudara com os bebês, como fazia quase todos os dias.
Hoje, eu recebi ajuda da Sra. Forbes que ficara encantada com Kimberlly e Joshua e não conseguira se afastar deles por muito tempo, desde que os conhecera.
Sorri com a lembrança de sua emoção ao conhecer meus filhos e fiquei me perguntando de onde nascera o imenso carinho que ela sentia por Edward e por mim.
Esme ficara até um pouco enciumada com a forma como seu filho e eu tratamos a boa senhora e se eu não estivesse tão preocupada com o caso de James, teria achado a situação engraçada.
Andei lentamente até meu quarto, passando antes para verificar Sophie e os gêmeos.
Minha princesinha conseguira, enfim sua resposta sobre a origem dos bebês e quando Rosalie me contara o que disse a ela, eu cai na gargalhada.
Segundo minha cunhada, os bebês eram plantados pelo beijo na barriga das mamães e, portanto, as menininhas deviam beijar só depois que fossem adultas e estivessem casadas.
Sophie achara razoável a explicação da tia e deixara de lado suas especulações, para o alívio das moradoras daquela casa.
Mas, eu sabia que bebês não tinham nada haver com beijos e assim que tivesse uma oportunidade, falaria desse assunto com Edward, pois ele ainda me devia uma resposta.
Entrei, finalmente no nosso quarto e notei que Edward já estava deitado.
Procurei não encará-lo e segui diretamente para o banheiro, a fim de me preparar para dormir.
Diferente das outras noites, eu desejei que Edward já estivesse dormindo quando eu voltasse para o quarto, pois não tinha certeza se queria mesmo enfrentá-lo.
Eu não suportaria ter uma briga com meu capitão, mesmo sabendo que eu estava errada e merecia ser corrigida e até mesmo castigada pela minha falta de confiança nele.
Edward tinha caráter e princípios e jamais rejeitaria Sophie, mesmo sabendo que ela era filha biológica daquele monstro.
E eu, que o conhecia melhor que ninguém, que fui salva por ele de todas as formas possíveis, deveria confiar em sua personalidade e não poderia ter lhe escondido esse segredo.
No entanto, agora era tarde e mesmo não querendo, eu teria que enfrentá-lo.
Fiz uma prece silenciosa e ao fim da minha higiene noturna, segui para o quarto, onde, para o meu desespero, ele me espera recostado sob a cabeceira da cama.
Respirei fundo e fui me sentar ao seu lado, tirando coragem do fundo da minha alma para iniciar essa conversa.
_ Não precisa ter medo... Eu não mordo..._ Ouvi Edward resmungar e fiz uma careta, acendendo a luz do abajur ao meu lado e o encarando timidamente.
_ Não estou com medo... Eu quero apenas evitar uma briga..._ Falei baixinho e ele suspirou, chegando mais perto de mim.
_ Nós não vamos brigar. Eu conheço os motivos que levaram você a me esconder a verdade e os entendo. Eu só peço que jamais faça isso de novo... Por favor. Eu preciso saber o que se passa com meus filhos... Com você. Só assim eu posso protegê-los como se deve... Só assim eu poderei fazer meu papel de homem, de pai e de marido..._ Ele falou suavemente, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e eu sorri, já sentindo as lágrimas de alívio, culpa e amor descerem por meu rosto.
_ Obrigada por ser tão perfeito, Edward e me aceitar mesmo com todas as minhas falhas. Eu escondi isso de você por queria proteger nossa princesinha e preservar o amor que você sente por ela. Eu não queria que quando você soubesse que James era o verdadeiro pai de Sophie, você pudesse desprezá-la, ou mesmo se afastar dela. Nossa filha te ama e não suportaria que você se afastasse dela... Nem eu mesma suportaria isso, pois o homem que eu conheço jamais se prestaria a esse papel... Mas, como sei que você odeia aquele soldado, eu senti medo..._ Eu falei desesperada, em meio as lágrimas e Edward sorriu tristemente, se inclinando e beijando meus olhos suavemente.
_ Shii... Está tudo bem, meu anjo. Vamos esquecer que aquele maldito existe e nos concentrar em nossa felicidade. Sophie é minha filha e ninguém, jamais, vai mudar o amor que eu sinto por ela... O amor que, graças a você, eu recuperei. Ela jamais sairá do nosso lado ou saberá do laço que tem com aquele homem. Sophie é nossa e nada irá mudar esse fato._ Ele falou determinado e eu senti meu amor se expandir no peito, se é que isso era possível.
Na verdade, eu sempre soubera que Edward jamais rejeitaria Sophie.
Eu estava aliviada e feliz por esse segredo não estar mais entre nós, e prometi a mim mesma nunca mais esconder nada dele.
Edward merecia isso, já que se mostrara, sempre, uma pessoa maravilhosa e de caráter inquestionável.
Inclinei-me sobre seu corpo e o beijei suavemente, tentando agradecê-lo por ser tão bom existir na minha vida.
Mas, o que começou calmo, logo incendiou a nós dois e, em poucos minutos, estávamos rolando pela cama, completamente apaixonados e esquecidos de qualquer problema.
Passamos horas perdidos um no outro, até que exaustos, nos preparamos para dormir.
Aconcheguei-me em seus braços e estava quase dormindo quando me lembrei de algo.
_ Obrigada por trazer a Sra. Forbes para me visitar. Eu já estava com saudades dela..._ Falei suavemente e senti que ele sorria contra meus cabelos.
_ Ela fez questão de vir... Danna gosta muito de você, Bella. Acho que a considera como uma filha.
_ Eu também gosto muito dela... E ela ficou completamente apaixonada pelos gêmeos.
Edward riu e me apertou entre seus braços.
_ É fácil se apaixonar por eles. São as crianças mais lindas que eu conheço._ Ele falou orgulhoso e eu me virei para encará-lo.
_ Você é suspeito para dizer essas coisas. É claro que os acha os mais lindos do mundo... Você é o pai deles... Você os fez._ Eu falei e ele sorriu, beijando minha boca de leve.
_ Nós os fizemos... E é graças a sua participação que eles são tão perfeitos._ Edward falou e eu franzi o cenho, me lembrando de um assunto que eu queria tratar com ele.
_ Por falar nisso... Sabe?... Eu estava pensando que o senhor nunca me respondeu uma coisa..._ Eu falei, brincando com os pelos de seu peito e ele me encarou confuso.
_ Que coisa?
_ Como os bebês são feitos?_ Eu perguntei e ele riu, me apertando em seus braços.
_ É sério que você não sabe?_ Ele perguntou e eu revirei os olhos.
_ Claro que é... Se eu soubesse, não estaria perguntando._ Falei inocentemente e ele fez uma careta para minha resposta mal criada.
Ele ficou pensativo por uns minutos e depois suspirou, me encarando seriamente.
_ Bem... É meio estranho conversar sobre isso, mas como eu estou mesmo lhe devendo uma resposta, vou tentar lhe explicar da melhor maneira possível e da forma que me foi ensinada... Os homens produzem a semente e as mulheres tem o lugar onde essas sementes crescem e se desenvolvem, formando os bebês. Quando nós fazemos amor, eu me encaixo em você e deposito minha semente em seu corpo graças aquele líquido que sai do meu membro. Se você estiver preparada, essa semente vai ser plantada e vai crescer, dando origem a um bebê... Basicamente é isso.
Eu fiquei encarando-o por longos segundos, tentando processar as informações que ele me dera.
Aparentemente, todas faziam sentido e então eu resolvi aceitar sua explicação.
Eu sempre desconfiara que tivesse haver com o que fazíamos todas as noites e não me enganara.
Saber disso só me fez considerar nossos momentos juntos ainda mais especiais.
_ Dúvida esclarecida, Sra. Cullen?_ Ele perguntou e eu ri, assentindo com a cabeça de leve.
_ Sim, capitão. Dúvida esclarecida. Obrigada._ Eu falei e beijei seus lábios, me virando novamente em seus braços e me preparando para dormir.
_ Boa noite, amor..._ Ele falou e beijou meu rosto e eu, finalmente, me entreguei ao cansaço, sabendo que tudo estava bem e sempre estaria enquanto Edward estivesse comigo.
*****
4 de julho de 1919
Eu ainda não me sentia muito segura em sair de casa, pois temia que Renée e seus aliados conseguissem fazer mal a mim e a minha família.
Mas, hoje era uma data muito especial para os americanos e eu não podia deixar de participar.
Segundo Edward, todos os anos a prefeitura de Washington realiza uma quermesse para comemorar a data da independência dos Estados Unidos e este evento é um dos mais visitados da região.
São armadas nas ruas barracas de comidas, brinquedos, bebidas e diversas outras coisas e por fim, à noite, tem a famosa queima de fogos, que é muito aguardada pelo público.
Sem contar no grande número de espetáculos que acontece ao longo do dia e da noite, a fim de entreter e divertir o povo, e encher de orgulho os pais que vem assistir os filhos em suas fofas apresentações, tão meticulosamente preparadas pelas escolas, em homenagem ao país.
Esse também era um dos motivos de força maior para me tirar de casa.
Sophie fazia parte de uma peça teatral que Edward e eu fizemos questão de assistir.
Sentamos na primeira fila e estávamos ansiosos para ver o desempenho de nossa princesinha nos palcos.
Se ela fosse tão grande quanto a sua empolgação, tinha certeza que seria um sucesso.
Eu segurava Joshua, Edward estava com Kimberlly adormecida em seus braços e juntos, desfrutávamos da diversão de um dia normal ao lado da nossa família.
Os outros Cullen estavam perdidos em algum lugar do festival, entretidos em suas próprias diversões e, provavelmente, só nos veríamos em casa.
Eu estava apreensiva em estar rodeada por tantas pessoas, mas tentei me acalmar, já que Edward estava comigo e nada de ruim poderia me acontecer.
_ Está demorando muito..._ Edward reclamou pela décima vez e eu sorri, tentando ignorar sua birra.
_ Eles já vão se apresentar, amor. Tenha paciência._ Pedi e ele bufou contrariado.
Poucos minutos depois, nossa menina entrou no palco e, apesar da timidez, fez uma apresentação incrível.
Ao fim do espetáculo, que consistia em uma mistura de encenação, coral e muita música, eu fui até os bastidores para cumprimentá-la e buscá-la, deixando os gêmeos com Edward.
Assim que me viu, Sophie saiu correndo e me abraçou, me perguntando o que eu achei de sua apresentação.
_ Você foi incrível, princesa. A melhor de todas._ Eu falei e ela sorriu orgulhosa.
Esperei até que Sophie se trocasse e se despedisse das professoras para, finalmente, conseguir tirá-la de lá.
Edward queria comer alguma coisa antes de irmos embora, mas tínhamos que nos apressar, pois logo as barracas ficariam cheias.
Avistei meu capitão de longe e fui andando lentamente até ele, prestando atenção à minha volta e apreciando verdadeiramente estar ali, apesar do meu receio.
O ar puro nos fazia muito bem, às vezes.
Mas, quando cheguei perto de Edward, senti o chão ser tirado dos meus pés.
Meu marido conversava com um policial, parecendo estar nervoso e eu não precisava de nenhum poder sobrenatural para saber do que se tratava aquela conversa.
Ao lado do meu capitão só estava o carrinho de Joshua e isso só podia significar uma coisa:
Alguém pegou minha filha...

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