THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 33

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama



Capítulo 33
Pov. Bella
Londres, 1905
Eu adorava o sol, embora quase nunca pudesse vê-lo.
Em Londres sempre chovia e fazia frio e quando o sol finalmente aparecia, minha madrasta me prendia no quartinho das vassouras para que eu não a perturbasse.
Eu não gostava daquele quartinho.
Ele era escuro e fedido e me dava muito medo, pois eu tinha certeza que aquelas sombras eram almas penadas que vinham para me devorar.
Bem... Pelo menos era o que Lauren, minha meia-irmã mais velha, sempre me dizia.
Minha mãe falou que ela só queria me assustar, mas as sombras realmente existiam e se mexiam.
De qualquer forma, se elas não tinham me devorado ainda, acho que não fariam mais isso.
Vai ver, me acharam pouco apetitosa, já que eu era muito branca e magrela.
Fiz uma careta com o pensamento e entrei saltitando pela cozinha, sabendo que eu só podia fazer isso porque Renée havia saído.
Se ela me visse correndo dentro de casa, me arrancaria as orelhas fora.
Eu não gostava da minha madrasta, pois ela era má e vivia me batendo, mas minha mãe dizia que logo nós iríamos embora e que eu tinha que ter paciência, pois só teria que aturá-la por mais algum tempo...
Então, fazer o que?
Mamãe e eu não tínhamos para onde ir e se quiséssemos uma casa, teríamos que ficar ali, mesmo sabendo que Renée nos odiava.
Acho que o motivo de ela não gostar de mim era porque eu era filha do papai Charlie.
Eu não entendia como ele podia ser meu pai e pai da Lauren e da Jéssica ao mesmo tempo, já que tínhamos mamães diferentes, mas ele era e isso deixava minha madrasta muito irritada.
Ela não gostava nem de mim e nem da mamãe.
Minha mãe era tão linda e nunca deixava Renée me bater.
Se ela estivesse por perto, nada de ruim me acontecia.
Ás vezes, eu achava que minha mãe não gostava muito de mim, pois ela sempre chorava a noite, quando nós duas deitávamos no chão pra dormir e não gostava que eu lhe abraçasse ou a beijasse.
Mas, quando era possível, ela me dava banho e penteava meus cabelos... Eu gostava muito quando a mamãe fazia isso, pois ela ficava bem pertinho de mim e eu podia sentir seu cheirinho gostoso de flores.
Às vezes, ela ficava me olhando por um tempão e sempre dizia que eu era uma garotinha muito linda, o que me deixava muito feliz, já que Renée e minhas irmãs sempre diziam que eu era horrorosa.
Nessa noite, eu dormira sozinha no quartinho, pois minha mãe estava doente e ficara na cozinha para que as outras empregadas cuidassem dela.
Eu queria que ela tivesse melhorado, pois já que estava sol, nós poderíamos ir ao pomar comer maças e brincar no balanço que ela fizera na mangueira e escondera da Renée e do papai.
Eu não tinha brinquedos, pois minha mãe não podia comprá-los, mas eu gostava muito de brincar no balanço, pois era algo que ela tinha feito só pra mim e quando eu estava lá, me sentia muito próxima a ela.
Suspirei e olhei para todos os lados da cozinha, procurando por minha mãe e quando vi a cozinheira chorando, senti um frio na barriga.
Por que ela chorava?
_ Tia Irene, por que você está triste? Cadê a mamãe?_ Perguntei, me aproximando da cozinheira e ela chorou ainda mais quando me viu.
Minha mãe sempre estava por ali, lavando louça ou descascando legumes... Mas, hoje ela não estava e eu não entedia o porquê.
_ Oi, meu anjinho... Senta aqui._ Ela pediu, dirigindo-se até o banco da cozinha e indicando o lugar ao seu lado com as mãos gordas.
A tia Irene era a mais legal daquela casa.
Ela sempre me dava comida quando ninguém estava vendo e, às vezes, me escondia da Renée quando ela estava muito brava e queria me bater.
_ Onde está minha mãe?_ Perguntei mais uma vez e ela me abraçou de lado, apoiando o rosto sobre meus cabelos.
_ Sua mãe se foi, meu bem..._ Ela falou baixinho e eu senti uma dor bem profunda.
Para onde minha mãe tinha ido?
Por que ela não me levara com ela?
_ Foi pra onde? Por que ela não me levou?_ Perguntei aflita.
Ela tinha prometido que iríamos embora juntas...
E agora?
Quem iria me proteger quando Renée quisesse me bater?
_ Beatrice morreu, Bella... Ela não pôde levá-la..._ Tia Irene falou e eu senti uma lágrima escorrer por meu rosto.
Minha mamãe morrera?
Nunca mais eu poderia vê-la ou sentir seu cheirinho gostoso?
Morrer era ruim...
As mamães não deviam morrer nunca.
_ Mas, ela me pediu que cuidasse de você, minha pequena e, quando for a hora certa, vocês irão se encontrar de novo._ A velha senhora falou e eu me recostei em seu colo macio, chorando por saber que minha mamãe nunca mais estaria comigo.
Eles não me deixaram ver o corpo da minha mãe e eu nunca pude me despedir dela.
Renée sorrira ao me ver chorando, sentada no canto da cozinha e eu sabia que dali em diante ela me bateria todos os dias.
Tia Irene tentou me proteger, mas depois de ser ameaçada, preferiu me deixar de lado.
Papai estava muito perturbado e quase não se aproximava de mim.
Nossos únicos momentos juntos eram aqueles passados em frente ao piano. Mas, quando a música terminava, ele se tornava outra vez um homem frio e distante.
Eu não tinha roupas, brinquedos ou sapatos e até mesmo a comida me era negada.
Eu continuava a dormir no quartinho das vassouras, não tendo nem mesmo um travesseiro para apoiar a cabeça.
Minha madrasta me maltratava... Minhas irmãs me humilhavam e meu pai não se lembrava de mim.
Mamãe, porque você não me levou para o céu também?
Desde sua morte, tudo se transformara em um inferno ainda maior e eu não sabia quanto tempo mais agüentaria aquela tortura.
Talvez, minha mãe estivesse certa e logo, logo nos encontraríamos de novo.
Balancei a cabeça de leve, tentando afastar as lembranças tristes da minha infância e olhei novamente para a mulher parada a minha frente.
Aquela era Beatrice...
Minha mãe.
E só Deus sabia o que ela estava fazendo ali, já que para mim, ela estava morta.
Acho que as almas penadas do quartinho das vassouras vieram atrás de mim, finalmente.
_ Bella..._ Ela balbuciou, estendendo a mão em minha direção e eu dei um passo para trás, me chocando com o corpo quente de Edward, a quem eu nem vira se aproximar.
_ Você está morta..._ Eu falei baixinho, ainda perturbada por estar vendo-a em minha frente e ela fechou os olhos, deixando a mão cair ao lado do corpo.
Em sua expressão era possível detectar uma tristeza profunda.
_ Quem é essa mulher, Bella?_ Edward perguntou e eu meneei a cabeça, não tendo coragem para lhe dizer que a criatura que estava a nossa frente era minha mãe.
A mãe que deveria estar morta, mas que por algum motivo desconhecido, estava parada bem a minha frente.
_ Essa mulher é a mãe dela, capitão..._ Meu pai falou com a voz arrastada, carregada de bebida e eu senti o corpo de Edward ficar tenso.
_ A mãe da Bella, morreu, Sr. Swan._ Edward falou e eu estremeci, me virando e enterrando o rosto em seu peito.
A visão daquela mulher não estava me fazendo bem.
Ela não devia estar ali...
Edward tinha razão... Minha mãe havia morrido.
_ Era o que todos pensavam, meu rapaz... Mas, a verdade é que essa vadia não morreu. Ela estava bem viva... _ Charlie falou e eu me virei novamente, encarando a expressão culpada da minha mãe e sentindo meu ódio e meu ressentimento crescerem.
_ Ou eu fugia ou sua mulher me matava de verdade..._ Minha mãe sussurrou, dirigindo suas palavras a Charlie e uma dor imensa oprimiu meu coração, me fazendo encará-la friamente.
_ Você me abandonou..._ Eu sussurrei e mais uma vez ela tentou se aproximar de mim.
_ Eu fugi para proteger você, Bella. Renée planejava nos matar e eu sabia que se eu fosse embora, sua raiva iria diminuir um pouco. Ela jamais mataria você, pois Charlie não permitiria... Separadas nós tínhamos mais chances._ Beatrice falou e eu continuei encarando-a.
_ Ela me torturou durante toda a minha vida... Você não faz idéia de tudo o que sofri em suas mãos. Eu sinceramente preferia que ela tivesse me matado..._ Falei baixinho e Edward me virou bruscamente em sua direção.
_ Não repita isso, Bella. Jamais diga que preferia ter morrido, pois você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida e só a idéia de tê-la morta me aterroriza..._ Edward sussurrou, de modo que só eu ouvisse e eu suspirei, abraçando-o com força.
A sala ficou em silêncio por um momento, até que eu ouvi a voz melodiosa de Beatrice, que fez tanta falta durante toda minha vida.
_ De certa forma eu lhe fiz um favor, Bella. Se eu não tivesse ido embora, talvez você jamais houvesse conhecido esse rapaz e hoje não estaria tão feliz._ Beatrice comentou e eu continuei aconchegada nos braços do meu capitão.
_ Se a senhora é mesmo a mãe dela, deveria ter ficado ao lado de sua filha para protegê-la. Bella sofreu muito nas mãos da madrasta e tenho certeza que se tivesse a proteção da mãe, muito desse sofrimento poderia ter sido evitado._ Edward falou e eu escutei o suspiro profundo de Beatrice.
_ Quando Bella nasceu, eu tinha apenas dezesseis anos e não tinha ninguém para me ajudar. Eu errei em me envolver com meu patrão e fui alvo da vingança descabida de sua esposa. Eu não me alimentava direito, não pude me resguardar após o parto e quase todos os dias levava uma surra de um dos capangas contratados exclusivamente para isso. Eu fazia de tudo para proteger minha filha, mas nem sempre isso era possível, já que eu estava fraca e debilitada. Conforme Bella foi crescendo, as torturas e agressões que eu sofria naquela casa iam aumentando. Graças aos céus, outra empregada também ficou doente e como, por algum motivo que eu desconheço, ela se parecia muito comigo, na noite que ela morreu eu tive a oportunidade de fugir. Os Swan tinham tantas empregadas que nem sabiam a quantidade e jamais se dariam conta de que não era eu quem tinha morrido. O rosto daquela pobre coitada estava desfigurado por causa da doença e tudo o que eu precisei fazer foi esperar a oportunidade certa para ir embora. Mas, entenda... Eu não podia levar Bella comigo, pois se eu fizesse isso, Renée e Charlie nos caçariam até no inferno..._ Minha mãe falou e eu senti uma angústia muito grande me tomando.
Eu sabia que a vida de Beatrice nunca tinha sido fácil, mas na época eu não me dera conta de que ela sofrera tantas agressões. Minha mãe realmente estava sempre fraca e machucada e por isso fora tão fácil acreditar em sua morte.
Mas, eu nunca seria capaz de perdoá-la por ter me abandonado.
De certa forma, ela era a minha proteção e seu afastamento me fizera sofrer ainda mais.
Eu tinha só seis anos quando ela fora embora e depois disso, ficara completamente a mercê das maldades de Renée.
_ Bella... Olhe pra mim..._ Beatrice pediu e eu ergui a cabeça, encarando meu capitão.
Eu buscava nele a força necessária para enfrentar essa parte do meu passado que eu julgava morta, mas que voltou para me assombrar.
_ Olhe pra ela... Encare isso com a coragem e determinação que eu tanto admiro em você... _ Ele falou, beijando minha testa e eu me virei para encarar minha mãe.
A essas alturas, Charlie já estava esparramado no sofá e nos encarava com o olhar atormentado.
_ Me perdoe, filha... Eu juro que fiz isso para o seu bem. Irene me ajudou e prometeu cuidar de você. Quando eu saí da mansão, fiquei dias vagando pelas ruas. Depois de um tempo, consegui emprego em um restaurante e comecei a refazer minha vida. Eu planejava te buscar, mas sabia que teria que fazer isso em segredo. Quando finalmente eu consegui dinheiro suficiente para lhe dar uma vida digna, eu voltei à mansão para buscá-la. Eu enfrentaria Charlie e Renée se fosse preciso, mas eles levaram você para a Alemanha e eu não podia ir procurá-la. Você poderia estar em qualquer parte daquele país. Eu fiquei arrasada, mas torci para que você ficasse bem. Depois de uns meses, eu conheci um senhor que me prometeu ajudar-me a encontrá-la. Mas, ele apenas me enganou. Me trouxe para América e me obrigou a me prostituir. E é assim que eu vivi até hoje... Eu estou em Washington há alguns meses e nessa madrugada seu pai me encontrou... E quando ele me disse que você estava aqui, eu quis vê-la... Eu planejei encontrá-la e explicar-lhe tudo. O problema é que Charlie bebeu demais e me arrastou até aqui... Eu sinto muito que você tenha sofrido. Eu só fugi para tentar garantir a sua segurança... Eu sou sua mãe e amo você... De um jeito estranho, mas eu amo você. Sinto muito pelo nosso reencontro se dar nessa situação, mas fico feliz em ver que você está bem e se tornou essa mulher tão adorável e linda._ Beatrice falou chorando e eu também senti as lágrimas molharem meu rosto.
Ouvi o choro de Joshua e esse som me deu as forças necessárias para enfrentar meu passado e por pra fora tudo o que eu precisava para me libertar finalmente dele.
_ Você diz me amar, mas não fez nada para demonstrar isso. Desde criança eu me sentia um fardo para você... Você era minha mãe, mas não deixava que eu me aproximasse... Você nunca me deu nem um beijo... Uma mãe que ama seu filho verdadeiramente faz qualquer coisa para protegê-lo... Uma mãe de verdade dá a vida pelo seu filho. Hoje eu sei isso... Eu sou mãe e suportaria qualquer sofrimento para manter meus filhos seguros... Não me importaria com a tortura imposta por uma maluca se esse fosse o preço para manter meus filhos longe do perigo... Eu sempre fui um fardo para vocês... Tanto para você quanto para Charlie. Mas, acabou. Hoje, eu não preciso mais de vocês e quero que saiam da minha casa e não voltem. Nunca mais. Eu nunca tive pais e não preciso mais deles..._ Falei e vi Beatrice se encolher.
_ Bella, eu..._ Ela falou, mas eu fechei os olhos e neguei com um gesto de cabeça.
Eu não queria ouvi-la.
_ Por favor, senhora, saia..._ Edward pediu e Beatrice suspirou, seguindo cabisbaixa em direção a porta.
Era triste vê-la se afastar, pois eu tinha em minhas mãos a oportunidade de ter uma mãe, mas eu não podia perdoá-la.
Então, era melhor que ela se afastasse, pois eu já tinha me habituado a sua ausência constante.
_ A culpa é minha... Eu fui um miserável, filho da mãe... Eu me envolvi uma menina em minha vida patética e acabei com ela... Eu jamais devia ter traído Renée... Meu casamento não ia bem, mas eu lhe devia respeito. E eu sabia o quanto ela poderia ser vingativa... Mas, eu não me arrependo de nada. Eu amei Beatrice e amei ainda mais o fruto do nosso amor... Uma pena que minha fraqueza e minha covardia não me deixaram provar isso. Sinto muito, Bella... Eu achei que trazendo sua mãe até aqui você iria ficar feliz... Mas, vejo que foi um erro... Eu me escondi na bebida e não percebi que Renée lhe fazia tão mal... Perdoe-me... Seu sofrimento é minha culpa e nem mesmo a prisão perpétua ou a morte podem me absolver..._ Charlie falou com a voz arrastada e seguiu cambaleante em direção a porta.
E em poucos segundos, maus pais se foram, deixando para trás um rastro de dor, tristeza, amargura e sofrimento.
Quando a porta se fechou e a figura deles tornou-se apenas uma lembrança, eu desabei em um choro convulsivo e só não caí porque Edward me amparou e me levou até o sofá, me abraçando com força.
_ Ei... Fique calma, amor... Acabou. Eles já foram embora..._ Edward falou baixinho, afagando meus cabelos e me abraçando e eu fiquei ali, deixando toda a dor e toda a mágoa que eu sentia fossem libertas.
Aos poucos, eu fui tendo noção do que estava acontecendo ao meu redor e vi que Esme, Alice e Rosalie me encaravam com pena e eu lamentei que elas tivessem presenciado esse triste confronto.
Eu respirei fundo e me levantei.
No momento, tudo o que eu queria era ficar sozinha.
_ Vá descansar, querida... Vou pedir para que Emma limpe essa bagunça... Vá para o seu quarto e não se preocupe com nada. Alice, Rosalie e eu ajudaremos Ângela com as crianças..._ Esme falou e eu assenti, seguindo para as escadas, me sentindo grata pelo fato de elas não me perguntarem nada e nem comentarem a lastimável visita dos meus pais.
Depois, eu conversaria com a família Cullen sobre essa visita inusitada e responderia o que eles quisessem saber.
Mas, agora, eu precisava de paz.
Segui para o quarto que eu dividia com Edward e me joguei na cama, enterrando meu rosto nos travesseiros.
Pouco tempo depois, escutei um barulho na porta e senti Edward deitando-se ao meu lado.
Eu sabia que ele não me deixaria sozinha nesse momento, mas eu não me importava.
Sua presença me fazia bem.
_ Eu odeio ver você sofrendo..._ Ele sussurrou e eu funguei, me arrastando na cama e me deitando sobre seu peito.
_ Eu não agüento mais esses golpes da vida. Eu já sofri tudo o que eu poderia suportar..._ Eu falei baixinho e ele me abraçou com força.
_ Talvez esse fosse o último assunto que precisasse ser resolvido, Bella... Os dois me pareceram arrependidos...
_ Eu não sei se posso perdoá-los, Edward. Eu sofri muito quando minha mãe morreu. Depois disso, as agressões da Renée tornaram-se piores e minha vida se transformou em um horrível pesadelo.
_ Mas, ela fez isso pra proteger você, amor... Sua mãe era muito jovem e ela tinha certeza que separadas vocês teriam mais chances de sobreviver... Eu entendo o que ela fez. Se Renée não a deixou em paz nem estando casada comigo, imagina se ela faria isso quando soubesse que sua mãe fugiu com você para protegê-la... A resposta é não, amor... Ela iria atrás de vocês e o desfecho dessa história poderia ter sido muito pior..._ Edward falou e eu suspirei, pensando em suas palavras.
_ Eu era uma criança e amava minha mãe... Amava muito, mas ela me abandonou e mesmo que isso tenha sido o melhor, me fez sofrer demais. Eu orava para que Deus cuidasse dela e dissesse a ela que eu a amava, quando na verdade ela sempre esteve viva. Ela estava viva, Edward... Esse tempo todo... Eu não era uma bastarda órfã... Meus pais apenas não me quiseram..._ Eu falei chorando e tudo que Edward fez foi me embalar como se eu fosse um bebê.
_ Não pense que eles não amam você, pois é impossível não amá-la... É impossível._ Edward sussurrou e pela primeira vez, desde a visita de Charlie e Beatrice, eu sorri.
Ficamos ali por horas, até que o cansaço dos últimos acontecimentos e da noite intensa que eu tive ao lado de Edward me tomou e eu finalmente dormi.
*****
Pov. Edward
Deixei Bella dormindo e fui até o quarto dos gêmeos para verificar se estava tudo bem.
Minha mãe estava lá ajudando Ângela e me olhou, preocupada.
_ Como Bella está?_ Ela perguntou e eu suspirei.
_ Ela está triste e confusa... E eu odeio vê-la sofrer..._ Falei e me aproximei para pegar Kimberlly, que se esticava toda dentro do berço, querendo desesperadamente meu colo.
_ Eu pensei que a mãe dela houvesse morrido..._ Minha mãe comentou e eu torci os lábios ao me lembrar da visita inesperada.
_ A Bella também pensava, mãe. Mas, ao que parece, minha sogra enganou a todos para fugir das mãos de Renée e abandonou a própria filha a mercê das maldades daquela maluca.
_ Bella não me parece disposta a perdoá-la._ Minha mãe comentou e eu suspirei.
_ E ela não está... Minha menina sofreu muito com a ausência da mãe e não consegue entender o motivo de ter sido abandonada. Bella é uma mãe dedicada e esperava que sua mãe fosse da mesma forma... Mas, eu entendo os motivos de Beatrice. Ela quis proteger a filha e dar-lhe uma chance de sobrevivência, pois sabia que Charlie, de certa forma, ia protegê-la. Separadas, elas tinham mais chances de se manterem vivas.
_ Mas, eu concordo com Bella quando ela diz que uma mãe deve proteger seus filhos... Essa mulher foi egoísta, Edward. Mesmo que ela tenha pensado no melhor para Bella, ela não devia ter abandonado a filha... Agora, será difícil perdoá-la...
_ Eu só espero que isso não faça minha menina sofrer ainda mais, mãe... Bella precisa de paz... Ela necessita curtir nosso casamento, nossa família e nossa felicidade. Chega de tanto drama, de tantos golpes... Eu odeio vê-la sofrer e me sentir impossibilitado em ajudá-la._ Falei frustrado e minha mãe colocou a mão sobre meu ombro, tentando me acalmar.
_ Concordo quando você diz que Bella precisa de um pouco de paz, Edward... Essa menina precisa se divertir, sorrir e espairecer. Sabe?... Eu estava pensando... Porque vocês dois não fazem uma viagem?_ Minha mãe perguntou e eu a olhei com interesse.
_ Viagem?
_ Sim, querido. Uma viagem de lua de mel. Sugiro um lugar tranqüilo, romântico e que ela possa descansar e relaxar, esquecendo-se de todos os problemas que a cerca..._ Minha mãe falou e eu sorri satisfeito com a idéia.
Uma viagem.
Era exatamente do que minha menina precisava.
Eu tinha vontade de lhe mostrar tantos lugares e tantas coisas legais e sabia que, nesse momento, Bella precisava relaxar.
E os momentos a sós com minha menina eram sempre perfeitos.
_ Eu acho uma excelente idéia, mãe... _ Comentei e minha mãe sorriu, dando um beijo suave nos cabelos claros de Joshua, enquanto meu filho mordia com vontade um brinquedo de borracha.
_ Eu garanto que as crianças ficarão bem, meu filho. Rosalie, Ângela e eu cuidaremos deles com todo o amor, já que Alice, provavelmente, já estará casada._ Minha mãe falou e eu suspirei, me lembrando que minha irmã caçula se casaria em breve.
Era triste saber que logo minha irmã não estaria mais morando com a gente, mas eu tinha certeza que ela seria feliz ao lado de Jasper, e era isso que importava.
_ Está tudo pronto para o grande dia?_ Perguntei e minha mãe revirou os olhos, sorrindo ironicamente.
_ Praticamente... Faltam apenas alguns detalhes. Mas, sua irmã é desesperada e vai nos enlouquecer até o dia do casamento._ Minha mãe falou e eu ri, dando graças a Deus por não precisar me envolver nesses preparativos.
Alice sabia ser irritante quando queria...
_ Vou sentir falta dela... _ Comentei e minha mãe sorriu tristemente.
_ Sua irmã vai casar, meu bem e não morrer... Confesso que essa casa não será a mesma sem ela, mas Alice está contente e eu tenho certeza que ela será muito feliz ao lado de Jasper. É o destino de toda mulher... Casar-se e tornar-se mãe... Ter uma família é um presente divino, meu amor... Olhe pra você... Desde que Bella apareceu em sua vida, você está bem mais feliz e eu tenho certeza que você é completamente apaixonado por sua família... E assim será com Alice. Mas, ela não morará longe. Sempre que sentirmos saudades, basta irmos até a casa dela e tudo estará resolvido..._ Minha mãe falou e eu sorri, sabendo que ela estava certa.
Ter uma família era realmente uma benção e eu jamais abriria mão da felicidade de estar ao lado da minha esposa e dos meus filhos.
Eles eram o que existia de mais importante em minha vida e eu sempre estaria com eles para garantir-lhes proteção e felicidade.
Fiquei bastante tempo no quarto com os gêmeos, imaginando o roteiro da viagem que, em breve, eu faria com minha menina.
Bastava que o casamento de Alice se realizasse e nós dois sairíamos em lua de mel, a fim de esquecer todos os problemas que nos rodeavam e viver nosso amor de uma forma ainda mais intensa.
Quando o almoço estava pronto, pedi para que Emma preparasse uma bandeja para dois e fui para o quarto, a fim de realizar a refeição ao lado de minha esposa, que eu sabia estar em jejum até àquela hora.
Bella ainda estava dormindo e acordou um pouco atordoada, mas logo estava sentada a minha frente, devorando o prato de comida a sua frente.
Evitei tocar no assunto dos seus pais e o almoço transcorreu sem incidentes.
_ Fico feliz que não tenha perdido o apetite..._ Falei divertido, vendo-a terminar a sobremesa e Bella fez uma careta adorável, recostando-se na cadeira e me encarando.
_ Eu não comi nada hoje... Dei apenas algumas mordidas em uma maça... Sou uma mulher que ainda amamenta e preciso me alimentar..._ Ela falou emburrada e eu sorri, levantando-me e indo em sua direção.
Puxei-a pela mão e me sentei em sua cadeira, acomodando-a em meu colo, em seguida.
_ Sente-se melhor?_ Perguntei e ela suspirou, relaxando contra meu corpo.
_ Sinto-me como se uma locomotiva houvesse me atropelado. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo... Mas, eu tenho certeza que ficarei bem._ Ela falou e eu beijei seus cabelos, apertando-a contra mim.
_ Depois do casamento da Alice, nós vamos viajar. Só eu e você. Quero que esqueça todos os seus problemas e faremos isso longe daqui._ Eu falei e ela virou-se para me olhar.
_ E nossos filhos, capitão? Não podemos deixá-los.
_ Minha mãe já se ofereceu para ficar com eles. E será por pouco tempo, amor. Quero levá-la para conhecer lugares novos. Quero aproveitar sua companhia e fazê-la esquecer-se de todos os problemas pelos quais passamos. Tenho certeza que depois disso, você será outra mulher e eu ficarei muito satisfeito em vê-la feliz.
Ela suspirou e beijou meus lábios de leve, recostando-se mais uma vez em meu peito.
_ Sabe... Eu tenho muita vontade de voltar a Londres... Gostaria de conhecer e apreciar tudo o que não foi possível na época em que eu vivia lá..._ Bella falou com a voz baixa e eu fique feliz em saber que ela aceitara minha idéia.
_ Se é isso que você quer, é isso que faremos. Vamos visitar toda a Europa... Só teremos cuidado para não passar pela Alemanha, pois não quero trazer-lhe lembranças ruins...
Mais uma vez ela se virou no meu colo, mas agora, colocou uma perna de cada lado, enquanto segurava meu rosto firmemente e me obrigava a encará-la.
_ Eu não tenho apenas lembranças ruins da Alemanha. Eu confesso que minha vida foi bem difícil lá, mas jamais se esqueça que foi lá que a melhor fase da minha vida começou. Foi lá que eu conheci você... Lá, eu vivi uma guerra, mas encontrei o amor e passaria por tudo outra vez se meu capitão fosse a recompensa final..._ Ela falou de maneira suave e eu sorri, me inclinando e tomando seus lábios nos meus, sentindo seu gosto único, que eu tanto amava.
Eu tinha tudo para ter apenas lembranças ruins da Alemanha, mas como minha menina havia cruzado meu caminho durante a guerra, tudo o que eu podia fazer era agradecer ao destino que me fez capitão e me enviou a fim de defender meu país e salvar minha menina de todo o mal e perigo, amando-a de uma forma única e sem fim.
Nos beijamos por longos minutos, até que tivemos que nos separar em busca de ar.
_ Então... Passaremos pela Alemanha, também... Afinal, quem sabe eu consigo relembrar a melhor noite da minha vida... A noite em que eu lhe fiz mulher, tornando-a completamente minha..._ Eu falei, acariciando seu rosto, que ficou completamente vermelho.
_ Edward..._ Ela falou, em tom de repreensão e eu ri, beijando sua bochecha.
_ Sua timidez me fascina. Acho incrível você ser mãe dos meus filhos, dormir comigo todas as noites e ficar com vergonha quando eu me refiro aos nossos momentos íntimos... Por que você tem tanta vergonha?_ Perguntei interessado e ela bufou, escondendo o rosto na curva do meu pescoço.
_ Sei lá... Acho estranho. O que acontece entre a gente é especial e... Eu já lhe disse isso. Não sei se é certo... Eu tenho vergonha de gostar tanto de estar com você daquela forma e de não conseguir me negar jamais a você... Sinto-me culpada por não conseguir dormir direito nas noites em que você não me toca. Eu... E você fala essas coisas... Elogia meu corpo, gosta de me ver nua..._ Ela falou, com a voz abafada contra meu pescoço e tudo o que eu pude fazer foi rir..._ Não ria, Edward... Isso é sério..._ Ela resmungou, me dando uma tapa no ombro e eu a apertei ainda mais contra mim, beijando seus cabelos.
Ouvi-la dizer que ansiava por mim, que me desejava e que gostava que eu a apreciasse me deixava extremamente satisfeito.
Bella sentia-se a vontade comigo e eu sabia que isso tinha haver com o fato de estarmos mais apaixonados a cada dia.
_ Minha bobinha, linda... Eu já cansei de dizer a você para não se preocupar com isso, pois o que acontece na intimidade do nosso quarto não tem nada haver com ninguém... Isso é certo, Bella. Certo e bom. E eu me sinto lisonjeado em saber que você anseia pelos meus toques, meus beijos e pelas nossas noites de amor... Eu amo cada pedaço seu... Cada pequeno detalhe que lhe faz ser você... Amo sua pele, seu cheiro, seu cabelo... Amo você. Amo fazer amor com você. E isso jamais irá mudar. Mesmo quando você for velhinha e estiver cheias de rugas._ Eu falei e ela sorriu, beijando meus lábios outra vez.
_ Não sei se acredito nisso... Homens não gostam de mulheres velhas..._ Ela falou, fazendo um biquinho, que eu fiz questão de beijar.
_ Homens que trocam suas esposas por mulheres mais novas são uns canalhas e imbecis... E mulheres que se envolvem com homens casados não merecem nenhum respeito. _ Eu falei e quando vi um sinal de dor transparecer em seus lindos olhos castanhos, eu me dei conta da bobagem que tinha feito.
Seu pai havia trocado a esposa por uma mulher mais nova e sua mãe, a quem eu acabara de conhecer, havia se envolvido com um homem casado.
Como eu era estúpido!
_ Me desculpe, amor... Eu falei sem pensar..._ Eu tentei me desculpar, mas ela meneou a cabeça, saindo do meu colo e indo até a janela.
E eu me amaldiçoei por ser tão burro.
_ Bella... Eu...
_ Tudo bem, Edward. Eles são meus pais, mas isso não muda o fato de que eles erraram. Eles vivem em uma sociedade que condena o comportamento deles e não há nada que se possa fazer contra isso.
_ Mas, eu não tenho que dizer essas coisas... Não posso julgá-los. Afinal, seu pai é casado com a Renée... Se fosse eu no lugar dele, acho que também procuraria por outra mulher..._ Eu falei, de novo sem pensar, mas dessa vez, Bella riu.
_ Tá certo, Edward... Por que não mudamos de assunto?_ Ela falou e eu suspirei.
_ Você sabe que não vai poder fugir desse assunto para sempre, não é? Sua mãe voltou e mais cedo ou mais tarde você vai ter que lidar com isso..._ Eu alertei e ela revirou os olhos, vindo em minha direção e enlaçando meu pescoço.
_ Eu sei. Mas, não quero pensar nisso agora. Nesse momento eu me dou o direito de ser infantil e não querer lidar com meus problemas... Tudo o que eu quero é curtir meu marido e meus filhos... Minha mãe estava morta e, por enquanto, é assim que eu quero pensar nela..._ Bella falou e em seguida, deu um beijo em meu rosto e eu não pude fazer nada, ao não ser respeitá-la.
Se era assim que ela queria, era assim que seria e eu estaria ao seu lado em cada passo que minha menina desse, apoiando-a...
Para sempre.
*****
Alguns dias depois...
Assinei o último documento que estava sobre minha mesa e suspirei aliviado, levantando-me para ir embora.
Desde a volta de Beatrice, as coisas na mansão estavam tensas.
Por mais que Bella não quisesse demonstrar, ela estava nervosa e apreensiva, esperando que, a qualquer momento, sua mãe voltasse a mansão querendo seu perdão, que ela ainda não estava pronta para oferecer.
Infelizmente, eu não podia ficar o tempo todo com ela como eu gostaria, pois desde a prisão de James, as coisas na base se complicaram.
Recebemos a visita do General do exército americano, que iniciou uma investigação a respeito do envolvimento do soldado no sequestro de Kimberlly e em outras falcatruas e, portanto, eu tinha que acompanhá-lo em todas essas investigações, o que me afastava cada vez mais de Bella.
O casamento de Alice estava se aproximando e nos únicos momentos que eu tinha para ficar em casa, minha irmã nos enchia com suas loucuras, envolvendo a todos nos preparativos para o grande dia.
Suspirei, sabendo que mesmo sendo tão irritante, Alice faria muita falta quando se casasse e fosse morar na casa da família do marido.
Pensar nisso me fez ficar ansioso para verificar a surpresa que eu estava preparando para Bella.
Eu queria que tudo ficasse pronto até setembro, para que no dia de seu aniversário eu possa lhe dar o melhor presente de todos.
Sorri com o pensamento e voltei até a gaveta de minha mesa, tirando de lá as duas passagens de navio e nosso roteiro de viagem, onde estava descrito todos os lugares aos quais iríamos visitar na Europa.
Eu tinha certeza que Bella iria adorar essa viagem, assim como eu.
Sorri com o pensamento e guardei as passagens novamente, trancando as gavetas e me preparando para sair.
Mas, antes que eu chegasse a porta, Jasper apareceu, me encarando preocupado e eu sabia que o que ele me diria não seria, nem de longe uma boa notícia.
_ O que foi, agora?_ Perguntei com um suspiro e meu cunhado sorriu ironicamente.
_ Eu tenho duas notícias. Uma boa e outra ruim. Qual você quer primeiro?_ Ele perguntou e eu revirei os olhos diante da brincadeira.
_ A boa..._ Falei, sentando-me novamente e ele sorriu, vindo se acomodar a minha frente.
_ James foi condenado pelos júris do exército. Ele será expulso e destituído do seu cargo. Além disso, permanecerá preso até seu julgamento._ Jasper falou e eu sorri, considerando aquela notícia maravilhosa.
James preso significava paz...
Mas, ainda tinha a notícia ruim e se ela tivesse algo haver com James, poderia anular completamente o efeito da boa notícia.
_ E qual é a notícia ruim?_ Perguntei e Jasper fez uma careta, tirando seu cape e coçando a cabeça.
Mau sinal.
_ Como sabe, ele contou a todos que Sophie é filha dele e de sua falecida esposa e que ele só seqüestrou sua filha para que você sentisse na pele o que era outro homem criando algo que é seu por direito... Bem... Então, ele pediu para ver Sophie e passar um dia com ela antes do julgamento e... O juiz concedeu._ Jasper falou e eu senti o chão me faltar.
_ O QUE?_ Gritei e Jasper se encolheu na cadeira.
_ É isso mesmo. James ganhou o direito de passar um dia com Sophie e acho que, infelizmente, você não pode fazer nada quanto a isso, pois apesar de não fazer mais parte do exército americano, seu pedido recebeu todo o apoio do general..._ Jasper falou e meu ódio aumentou.
Maldito desgraçado...
Só essa que me faltava agora...













Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado...
E para quem está achando a história muito dramática, aviso que os dramas já estão no fim.
Logo, será só felicidade.
Mas, de qualquer forma, a fic está no fim e não irá mais "cansar" ninguém com seu drama.
Não falo isso para as leitoras que sempre me apoiaram, mas para aquelas que nunca 

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