THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 38

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama






Capítulo 38
Pov. Edward
Eu não sabia precisar quantas horas eu estava acordado.
Tudo o que eu sabia era que minha cabeça e meu corpo doíam intensamente.
Mas, eu simplesmente não podia me desligar do mundo sem antes ter a certeza que Bella ficaria bem.
Minha menina estava entre a vida e a morte, internada no hospital municipal de Washington e ninguém saberia me dizer quando ela voltaria para casa.
Ninguém poderia me dizer “se” ela voltaria.
Limpei mais uma vez as lágrimas que desciam por meu rosto e me perguntei por que minha vida tinha que ser tão complicada.
Por que eu não podia ter uma vida normal ao lado da minha mulher e dos meus filhos, sem a interferência de madrastas más?
Por que eu não podia ser feliz sem a ameaça iminente de perder a mulher da minha vida a todo instante?
Respirei fundo e passei as mãos pelos cabelos, me sentando no banco de madeira que ficava no corredor do hospital e deixando com que toda a dor e a revolta que eu sentia tomassem conta de mim.
Eu não podia perder minha menina.
Como diabos eu viveria sozinho, amando-a daquele jeito doentio?
Como eu cuidaria dos nossos filhos sem a sua presença?
Eu precisava dela.
Muito.
Bella era a minha vida e sem ela, nada faria sentido.
Quando eu a encontrara ferida daquela forma, senti o medo e o desespero tomarem conta de mim.
Ela parecia tão frágil...
O sopro de vida que ardia nela estava se extinguindo e nada parecia surtir efeito para trazê-la novamente pra mim.
E, naquele momento, nem mesmo a briga que acontecia no chão da minha sala foi o suficiente para chamar minha atenção.
Meu foco era ela e eu precisava salvá-la.
Quando eu saíra de casa naquela manhã, tudo estava perfeito, mas eu sentira uma necessidade quase vital de permanecer ao seu lado.
É claro que eu não gostava de deixá-la nem um dia sequer.
Sair para trabalhar era um desafio diário, quando essa atividade tinha que competir com o corpo nu de minha esposa, completamente agarrado ao meu.
Mas, naquele dia a força que me prendia a ela parecia ainda mais intensa, me levando a considerar seriamente a ideia de não ir à base e ficar o dia todo na companhia da minha família.
No entanto, justamente hoje eu receberia a visita de um importante general do exército americano e não podia, de forma alguma, me dar ao luxo de ceder as minhas vontades.
Então, mesmo contrariado, tratei de me vestir e seguir para a base, não sem antes dar um beijo carinhoso em minha menina, para que seu cheiro ficasse impregnado em mim o dia todo e passar pelo quarto das crianças para verificar se estava tudo bem.
A manhã se arrastou lentamente, mas como a visita do general ocupou praticamente todo o meu tempo e minha atenção, eu quase não me lembrara da minha angústia em deixar Bella e as crianças sozinhas.
Logo após o almoço, recebi a visita da minha mãe.
Já fazia bastante tempo que eu não a via e estar em sua presença era sempre reconfortante, principalmente quando eu estava me sentindo tão estranho.
_ Você me abandonou..._ Ela reclamou pela décima vez desde que entrara em meu gabinete e eu sorri, assinando o último documento que estava sobre minha mesa e finalmente encarando-a.
Dona Esme viera até a base com a desculpa de matar a saudade do filho, mas desde que chegara não parava de reclamar e dizer que a mansão estava muito vazia por minha culpa, que insistira em levar minha menina e meus filhos para outra casa.
_ Mãe... Eu jamais irei abandoná-la. Sabe que pode nos visitar quando quiser.
_ Não é a mesma coisa, Edward... E você sabe disso. Além do mais, você fez questão de comprar uma propriedade que fica do outro lado da cidade, dificultando minhas visitas. Acho que estou depressiva... Alice se casou, você foi embora... Minha vida está perdendo o sentido.
_ Não seja dramática, Dona Esme...
_ Não é drama... É a realidade. Nem vou poder ver meus netos crescerem..._ Ela falou emburrada e eu revirei os olhos, me levantando e indo até o gancho que ficava atrás da porta para pegar meu paletó._ Aonde vai?
_ Para casa. E a senhora vai comigo. Espero que assim, eu possa curar sua depressão.
_ Só a sua volta para a mansão terá esse poder..._ Ela falou e eu suspirei.
_ Mãe... Você sabe que isso não é possível. Bella e eu estamos tão felizes em nossa própria casa. Temos a liberdade que não tínhamos na mansão... Isso é saudável para qualquer relação e a senhora sabe disso. Bella nunca teve uma casa só dela... Estou realizando seu sonho... Por favor, entenda.
_ Eu entendo, meu filho... Mas, não me conformo. Embora tenha ajudado você a decorar sua casa e ficado relativamente feliz pela sua conquista, não posso negar que sua presença diária me faz muita falta. A companhia de Bella também me faz falta... O choro e o riso das crianças deixaram saudades... A mansão é muito triste sem vocês...
_ Nós não morremos, mamãe... Vá para a nossa casa, passe o dia com minha menina. Tenho certeza que ela irá adorar. Sempre que der, nós a visitaremos na mansão. Estamos na mesma cidade e somos uma família unida... Nada vai nos afastar..._ Eu falei suavemente e me aproximei para dar-lhe um beijo na testa.
Ela sorriu e se levantou, pondo o chapéu e me seguindo até a porta.
_ É... Acho que você tem razão. Mesmo que sua ausência me faça sofrer, eu terei que aceitar que essa mudança é definitiva. Mas, vamos logo até a sua casa, pois estou morrendo de saudades dos meus netos e da minha nora..._ Minha mãe falou e eu sorri largamente, sabendo que toda sua birra fora esquecida.
Era sempre assim...
Dona Esme fazia manha, mas no fim acabava sempre cedendo.
Seguimos para o meu carro e logo estávamos a caminho da minha casa.
Desde que saí da mansão, eu havia dispensado o motorista e assumido meu carro.
Eu gostava muito de dirigir e não via a necessidade de ter um funcionário para fazer, por mim, algo que eu tinha um imenso prazer em realizar.
Dessa forma, contratei um senhor apenas para cuidar dos jardins e da horta e que seria motorista somente quando minha menina precisasse ir para algum lugar e eu não estivesse por perto.
Sorri levemente ao me lembrar das discussões entre eu e minha menina no momento da contratação dos nossos empregados.
Bella queria cuidar da nossa casa sozinha, mas eu não podia permitir que ela ficasse responsável por um lugar daquele tamanho, tendo ainda que cuidar de três crianças.
Então, mesmo tendo que contrariá-la, contratei Emma para ajudá-la com os serviços domésticos e Ângela para continuar sendo babá de Sophie, Kimberlly e Joshua.
No entanto, embora nossa casa fosse menor que a mansão, Emma estava sendo sobrecarregada com tantos afazeres e, levando em conta sua idade, e eu decidi contratar uma cozinheira para ajudá-la.
Nesse momento, minha menina deveria estar entrevistando a candidata ao cargo e eu só esperava que ela não me colocasse para dormir no sofá depois do que eu fizera.
O pedido de Beatrice, mesmo depois de tantos meses, não saíra da minha cabeça e na intenção de facilitar a aproximação de mãe e filha, eu pedira para que minha sogra fosse até minha casa nesta tarde para se oferecer ao cargo de cozinheira.
Já fazia algum tempo que ela estava trabalhando em um restaurante conhecido na cidade e como havia sido muito elogiada pela clientela, eu achei que essa era uma ótima forma de trazê-la para nossas vidas, já que estávamos realmente precisando de ajuda na cozinha.
Assim, Beatrice estaria perto da filha e dos netos e teria a oportunidade de se redimir pelos seus erros.
Passei por uma floricultura para comprar flores para minha menina, pois adorava contemplar o seu sorriso ao receber meus presentes.
E algo me dizia que depois que Beatrice fosse até nossa casa, eu precisaria de um álibi para não ser estrangulado por minha esposa.
Também fui até a confeitaria e comprei seus doces preferidos, que eram os presentes dos quais ela mais gostava.
_ Isso é um exagero... Quero acreditar que você não leva flores e doces a ela todos os dias._ Minha mãe falou em um tom de reprovação e eu sorri.
_ Não... Mas, eu gostaria de levar. Adoro ver o seu sorriso lindo sempre que eu chego com esses presentes.
_ Você vai acostumá-la mal, filho... Depois, quando os anos passarem e esse romantismo acabar, a lembrança constante desses mimos será o motivo de desavenças entre vocês.
_ Mãe, esse romantismo não vai acabar. Eu amo minha esposa e isso nunca vai mudar.
_ Eu sei que você a ama, Edward... Mas, o tempo desgasta qualquer relação. A convivência é maçante, o comodismo é uma triste conseqüência e o romantismo acaba por se extinguir. Além do mais, chega uma hora na vida onde a beleza e o vigor se acabam e isso, por si só, já rouba todo o romantismo de uma relação._ Minha mãe falou seriamente e eu suspirei, me sentindo incomodado com suas palavras.
Eu odiava quando alguém comparava minha relação com Bella com os outros casamentos da sociedade.
Minha menina e eu dividíamos algo único e nada iria mudar ou atrapalhar nosso amor, nem mesmo o tempo.
Eu prometi fazê-la feliz para sempre e enquanto houvesse vida em mim, essa promessa não cairia por terra.
_ Eu não concordo. Quem ama vê beleza nas rugas, nos cabelos brancos e em todas as demais marcas do tempo. Acho que os casamentos se desgastam justamente pela falta de romantismo. Os casais não devem deixar que o clima de romance se acabe. Por isso, flores, bombons, doces, palavras bonitas, passeios e viagens devem estar presentes em qualquer rotina... São elementos saudáveis para qualquer relação._ Eu pontuei e senti o olhar de minha mãe sobre mim.
Ela ficou em silêncio por longos segundos, até que senti seu toque suave em meu braço e sua voz emocionada.
_ Você fala com tanta sabedoria, Edward... Depois que você se casou com Bella, tornou-se mais sábio, mais firme e mais feliz... Olhando para vocês, eu posso realmente acreditar que esse amor vai sobreviver ao tempo e a qualquer adversidade. E isso é bom...
_ Isso é ótimo, mãe... Não importa o que aconteça, pois eu sempre estarei ao lado de minha menina, lutando contra tudo e contra todos pela nossa felicidade._ Eu falei convicto e, por algum motivo desconhecido, senti um pequeno aperto no peito e uma necessidade ainda mais intensa de estar ao lado da minha esposa.
Em algum lugar em minha mente, eu tinha a certeza de não deveria tê-la deixado sozinha hoje.
E essa sensação estava me deixando muito apreensivo.
Pisei suavemente no acelerador, a fim de não assustar minha mãe e tentei seguir o mais depressa possível para minha casa.
Era como se um fio invisível me puxasse para lá, me trazendo a sensação de que Bella precisava de mim.
E eu tinha certeza que essa sensação não tinha nada haver com o fato de Beatrice ir até a nossa casa hoje.
Bella poderia até ficar zangada com essa visita, mas eu tinha certeza que este fato não nos traria nenhum problema.
Era outra coisa e eu tinha certeza que se tratava de algo grave.
Respirei fundo e me concentrei melhor no movimento das ruas, tentando não provocar nenhum acidente.
Dentro de alguns segundos eu veria a minha menina e eu tinha certeza que essa sensação iria desaparecer. Eu esperava que ela desaparecesse.
De qualquer forma, era natural eu me sentir assim.
Afinal, nada nesse mundo tinha o poder de me deixar mais ansioso do que a expectativa de encontrá-la.
Era como se o tempo não tivesse passado e Bella ainda fosse minha luz em meio à escuridão de uma guerra.
E de certa forma, era exatamente isso que ela era.
Quando chegamos em minha casa, meu coração batia alucinado e eu não fui capaz de ser cavalheiro e esperar por minha mãe, pois eu precisava ver minha menina imediatamente e me certificar que tudo estava perfeito, como estivera pela manhã.
Mas, o fato era que nada estava bem e a cena com a qual eu me deparara ao entrar na sala, me assombraria para sempre.
Bella estava ferida e completamente imóvel nos braços de Sophie, que chorava e chamava desesperadamente pela mãe, enquanto duas mulheres rolavam pelo tapete, brigando pela posse de uma navalha.
Joguei no chão as flores e doces que eu trouxera para Bella e corri até onde ela estava, tirando-a dos braços de Sophie e a pegando no colo.
Sua palidez e a frieza de sua pele me assustaram e eu implorei a Deus que já não fosse tarde demais para socorrê-la.
_ Ela morreu, papai?_ Sophie perguntou chorando e eu a olhei atormentado, não sabendo o que responder e ao mesmo tempo com muito medo de tentar chegar a alguma conclusão.
Minha menina estava tão imóvel... Parecia tão fraca e machucada que era realmente possível que o sopro de vida que a fazia ser aquela pessoa tão maravilhosa e tão perfeita tivesse se extinguido.
Notei que ela estava ferida na barriga e na nuca e a quantidade de sangue que sujava sua roupa e sua pele alva fez com que meu pavor aumentasse.
Era preciso socorrê-la rapidamente, antes que, realmente, fosse tarde demais.
_ Mas, o que aconteceu aqui?_ Ouvi a voz apavorada da minha mãe, me lembrando de que ela estava comigo e poderia me ajudar a salvar a vida da minha menina.
_ Mãe, tire a Sophie daqui e suba para ver se está tudo bem com os gêmeos. Eu vou cuidar da Bella.
_ Primeiro você precisa separar aquelas mulheres, filho... Antes que elas se matem._ Minha mãe falou aflita e eu suspirei, olhando novamente para as duas figuras que ainda rolavam no chão.
Uma dessas mulheres era Renée e como ela estava em evidente desvantagem, ignorei as palavras da minha mãe e fui até o sofá, depositando Bella com cuidado.
Eu não tinha dúvidas de que ela tinha sido a autora dos machucados de minha esposa, e tudo o que eu queria no momento era que a madrasta de Bella pagasse por cada gota do seu sangue que estava sendo derramado.
Renée pagaria com a própria vida por ter ousado machucar minha menina.
_ Amor... Minha princesa... Fale comigo..._ Eu pedi baixinho, passando a mão pelo rosto de minha menina, na intenção de fazê-la responder, mas, só o que eu recebi foi o silêncio.
_ Filho, faça alguma coisa..._ Minha mãe pediu desesperada e eu perdi o pouco da paciência que me restava.
_ Eu não vou fazer nada, mãe... Aquela maldita merece morrer e ninguém melhor do que Beatrice para matá-la. Ou minha sogra faz isso, ou quem fará sou eu... Vou cuidar da minha esposa. Ela sim precisa de mim. Agora, faça o que eu pedi e tire Sophie desse pandemônio._ Eu falei alto e minha mãe se assustou, pegando minha filha pela mão e subindo as escadas rapidamente.
Coloquei a mão na testa de Bella e para meu desespero, sua pele estava cada vez mais gelada.
Tirei meu paletó rapidamente e rasguei a bainha da minha camisa para comprimir o lugar do seu sangramento com o tecido, já que eu não tinha tempo de buscar o quite de primeiro socorros que estava no banheiro.
Desabotoei seu vestido, deixando-a apenas com a combinação a mostra e verifiquei o corte, que era bastante profundo e sangrava bastante.
Enrolei seu corpo pequeno com a bainha da camisa e limpei o ferimento de sua nuca com cuidado, usando água morna que Emma me trouxera.
Corri escada acima e pedi que Ângela deixasse os gêmeos com minha mãe e fosse chamar um médico e buscar a polícia.
Todos estavam muito assustados, mas eu não podia dar assistência a ninguém, pois a única que me preocupava no momento era Bella.
Voltei para o andar de baixo e, deixando Bella sobre os cuidados de Emma, tratei de cuidar daquela maldita.
Renée iria se arrepender por ter machucado minha menina mais uma vez.
Eu não iria matá-la, pois jamais sujaria minhas mãos com o sangue daquela criatura imunda, mas eu a mandaria diretamente para a prisão e cuidaria pessoalmente para que ela nunca mais tivesse liberdade.
Tirei Beatrice de cima do seu corpo e a virei de costas, amarrando suas mãos e seus pés e virando-a mais uma vez para mim.
Seu rosto estava bem machucado e seu nariz estava sangrando, mas apesar de eu não gostar de ver mulheres feridas, cada gota de sangue que aparecia em seu rosto e cada corte visível me fazia exultar de alegria.
_ Me mate, capitão... Não é isso o que você quer? Mas, saiba que eu vou morrer feliz, pois matei a sua menina antes e a mandei diretamente para o inferno, de onde ela nunca deveria ter saído._ Ela falou de forma insolente e eu desferi um tapa em seu rosto.
_ Cala a merda da sua boca... A Bella não vai morrer. Você é que vai. Vai morrer em uma cela suja, esquecida por todo mundo. Nunca mais você vai chegar perto da minha esposa, Renée, ou eu mesmo acabo com sua vida.
_ Você não teria coragem, capitão... Você é certinho demais.
_ Mas, eu não sou, Renée..._ Beatrice falou e antes que eu pudesse contê-la, ela avançou sobre Renée e a feriu na barriga._ Você nunca mais vai tocar na minha filha. Nunca mais irá machucar ninguém, Renée..._ Ela gritou e eu a segurei, impedindo que ela matasse Renée e acabasse presa, antes de se redimir com a filha.
Embora Renée merecesse a morte, não era certo envolver-se em problemas para conseguir tal coisa, já que sendo uma ex-prostituta, Beatrice acabaria presa se fizesse mal a um membro da alta sociedade, por pior que este indivíduo fosse.
_ Você está morta... Você não existe..._ Renée gritou, fechando os olhos e se contorcendo de dor.
_ Era o que você queria, mas eu consegui fugir de sua maldade e sobrevivi. Voltei para vingar todo o mal que você fez a mim e a minha filha e lhe garanto que você não sairá viva daqui. Nunca mais você chegará perto da minha filha. Eu não fiquei ao seu lado para protegê-la contra todas as suas maldades, mas agora eu estou aqui.
_ Você fugiu? Olha só que mãe maravilhosa... Mesmo sabendo que eu odiava sua filha, você foi embora e a deixou sob meu poder. Não pode reclamar da forma como eu a tratei... Eu era a madrasta... Fazer maldades era o meu papel, ainda mais porque aquela garota nasceu para acabar com a minha felicidade.
_ Bella não destruiu sua felicidade, Renée... Ela já estava acabada antes de eu entrar em sua vida. Charlie nunca teria procurado outra mulher se estivesse satisfeito ao seu lado.
_ Isso não é verdade... Nós éramos felizes. Foi apenas quando você entrou em nossas vidas que tudo começou a ruir... Você é uma porca vadia que chegou para acabar com a minha vida.
_ Eu não tenho culpa que o seu marido tenha se cansado da sua cara feia... Eu era jovem e inocente e não sabia o que meu patrão poderia querer comigo além dos meus serviços de empregada. Ele se aproveitou de mim e depois me deixou a mercê das loucuras de sua mulher, mesmo sabendo que eu estava grávida de um filho seu._ Beatrice gritou e Renée ficou encarando-a por longos segundos.
_ Eu era feliz antes de sua chegada. Charlie podia não ser o marido perfeito e duvido que ele não tenha tido alguns casos antes de você, mas pelo menos eu fora poupada de todos eles. No entanto, quando você chegou, com toda sua juventude e beleza, ele mudou. Meu marido fazia questão que eu soubesse que estava em sua cama todas as noites, que era você seu objeto de desejo... Eu não tinha porque ficar satisfeita com essa situação e como não poderia me livrar dele, já que a sociedade jamais veria uma separação com bons olhos, eu decidi me livrar de você. Era a única forma de ter paz outra vez. Mas aí, Isabella nasceu e Charlie ficou encantado com aquele bebê horroroso e eu não podia fazer outra coisa, ao não ser tentar tirá-la do meu caminho e do caminho das minhas filhas, que eram as únicas que deveriam ser amadas por meu marido..._ Renée falou atormentada, enquanto gemia de dor e apertava a barriga e por um momento, eu cheguei a sentir pena do seu sofrimento ao ser traída pelo marido.
Contudo, nada justificava suas maldades contra Bella, pois minha esposa não tinha culpa do envolvimento e dos erros dos pais.
_ Quem sabe, “Sra. Renée Swan”, se você tivesse sido benevolente com minha filha, Charlie não voltasse a ser o marido perfeito que você tanto amava? Quem sabe uma boa conduta não o teria conquistado?... Mas, você optou pela maldade e agora, vai pagar o preço. Charlie não iria amá-la se você matasse minha filha... Ele não ia respeitá-la outra vez por sua crueldade...
_ Ele não ia me amar de forma nenhuma, sua desgraçada, pois desde que você entrou em nossas vidas os sentimentos bons do meu marido foram apenas para você. Pelo menos, minha maldade o conservou ao meu lado. Eu não pude ser feliz, mas garanti que ele também não fosse._ Renée falou, sorrindo sarcasticamente e eu me perguntei como era possível caber tanta maldade em um ser humano.
Mas, essa maldade não seria mais posta em prática, pois mesmo que Renée continuasse viva, a partir de hoje, ela estaria presa e bem longe da minha família.
Ouvi um barulho do lado de fora e corri até a porta, permitindo a entrada do médico, dos enfermeiros e da polícia.
_ Onde está a moça ferida?_ Um dos médicos perguntou e eu o levei até minha menina.
Rapidamente eles a colocaram em uma maca, levando-a para a ambulância.
Eu dei um beijo suave em sua testa e prometi a ela que logo estaria ao seu lado e não sairia do hospital enquanto não pudesse trazê-la para casa comigo.
Beatrice também beijou o rosto da filha e ficou observando em silêncio enquanto os enfermeiros a levavam de nós.
Ela chorava bastante e eu senti o impulso de consolá-la, mas não sabia se meu gesto seria bem vindo, já que nós não tínhamos nenhum tipo de intimidade.
Beatrice estava triste, pois sabia que poderia perder a única chance de se aproximar de Bella, caso ela não se recuperasse do ataque da madrasta.
Enquanto isso, a polícia levava Renée, que também precisaria de atendimento médico, mas teria que ser escoltada durante os procedimentos, já que estava sob condicional e era a responsável pelos ferimentos de minha esposa.
Minha sogra deveria dar depoimento a polícia, mas como Renée não morrera e precisara ser levada para o hospital, isso ficaria para depois.
_ Cadê a mamãe, pai?_ Sophie perguntou, descendo as escadas correndo e se jogando em meus braços.
_ Ela foi levada para o hospital, minha linda... O papai vai até lá e você ficará sob os cuidados da vovó Esme. Peço que se comporte e a ajude a cuidar dos seus irmãos..._ Eu falei, beijando seus cabelos e a colocando no chão.
_ Ela não vai morrer, não é?
_ Claro que não, filha... Fique tranqüila. Logo a mamãe voltará para casa._ Eu falei, sofrendo por não ter tanta certeza, e Sophie assentiu.
Só esperava que minhas palavras tivessem o poder de se tornarem realidade.
Minha mãe e Ângela desceram com os gêmeos nos braços e quando eu olhei para meus filhos, a angústia me tomou mais uma vez.
Se algo acontecesse a minha menina, eu teria que criá-los sozinho e não tinha a menor ideia de como poderia fazer isso.
Bella era necessária para mim e para os nossos filhos e nesse momento tudo o que eu precisava era a garantia que ela não sairia do meu lado.
_ Esses são os meus netos?_ Ouvi a voz de Beatrice e me virei para olhá-la.
Ela observava meus filhos com evidente emoção e parecia fascinada presença e pela beleza de Kimberlly e Joshua.
_ Quem é a senhora?_ Minha mãe perguntou, escondendo Kim do olhar da avó e Beatrice sorriu emocionada, estendendo os braços para a neta que sorriu largamente e se esticou para ir com a avó.
_ Eu sou mãe da Bella e avó dessas crianças... Deixe-me segurá-la._ Beatrice pediu e minha mãe me encarou em dúvida.
Eu assenti, permitindo que a mãe de Bella tivesse o primeiro contato com os netos.
Já estava na hora de acabar com a mágoa entre ela e minha menina.
Beatrice salvara a vida da filha nesta tarde e o mínimo que ela merecia era estar ao lado dos netos.
_ Oi, pequena... Você é igualzinha a sua mãe, sabia? Tão linda quanto minha bebê era..._ Ela falou, beijando o rosto da neta e recebendo um puxão de cabelos em troca.
_ E esse é o seu neto, Beatrice. Joshua se parece comigo, mas é tão lindo quanto a irmã..._ Eu falei, sorrindo um pouco apesar da dor que estava sentindo e minha sogra sorriu, vindo até mim e pegando o neto com o outro braço.
_ Eles são perfeitos, Edward... Tão perfeitos como a mãe, tão perfeitos quanto você e tão perfeitos quanto o amor que você e Bella construíram juntos. Vai dar tudo certo... Minha filha vai voltar para casa e vocês serão muito felizes.
_ É isso mesmo, filho... Acredite que tudo vai ficar bem. Confie em Deus e espere. No final, tudo dará certo._ Minha mãe falou e eu suspirei, querendo ter a certeza que elas tinham.
Mas, o fato era que o estado da Bella era grave e até agora eu não via uma forma de sair com ela viva daquele hospital.
Passei as mãos pelos cabelos mais uma vez e recostei minha cabeça na parede gelada.
Eu queria tanto que esse pesadelo acabasse, mas pelo jeito esse tormento iria perdurar por um longo tempo.
_ Edward?_ Escutei meu nome sendo chamado e olhei em direção a voz, me deparando com Alice no fim do corredor.
Ela veio andando até mim e quando estava sentado ao meu lado, me abraçou forte.
_ Eu só fiquei sabendo do ocorrido agora. Como Bella está?
_ Mal, Alice... Ela perdeu muito sangue, sofreu um aborto e só um milagre irá salvá-la..._ Eu falei chorando, sem a menor vergonha de derramar as lágrimas na frente de minha irmã.
Eu estava perdendo a mulher da minha vida e nada nesse momento seria capaz de me deixar envergonhado.
_ Aborto? Como assim?_ Alice perguntou espantada e eu assenti, deixando que uma nova onda de lágrimas descesse por meu rosto.
A lembrança do médico me contando que não pudera fazer nada para salvar o nosso bebê, não saía da minha mente.
Desde que Kimberlly e Joshua nasceram, eu desejei ter outros filhos com Bella. Saber que estivemos tão próximos de realizar esse desejo e que Renée o interrompera, me enchia de ódio.
_ Isso mesmo, Ali... Minha menina estava grávida e a facada que ela levou na barriga fez com que ela perdesse o bebê...
_ Meu Deus! Aquela maldita merece ir diretamente para o inferno..._ Alice falou comovida e eu suspirei, fechando os olhos mais uma vez.
_ E é pra lá que ela vai, Alice... Vai passar o resto da vida na prisão._ Eu falei baixinho, contendo minha ira e senti a mão pequena da minha irmã entre os meus cabelos bagunçados.
_ Tenho certeza que Bella irá se recuperar, meu irmão... Vocês ainda serão muito felizes. Minha cunhada merece ter uma vida plena e feliz e isso vai acontecer.
_ Tomara, Alice... Tomara.
Ficamos ali por um longo tempo, apenas nos apoiando, até que Jasper veio buscar a esposa e mais uma vez eu fiquei sozinho com os meus pensamentos.
Depois de muito tempo, eu me levantei e fui até o quarto onde Bella estava, entrando silenciosamente e me sentando na cadeira que estava ao lado de sua cama.
Ninguém, além de mim, tinha a permissão de entrar no quarto de minha esposa.
Seu estado de saúde era delicado e a restrição do número de visitas era uma forma de protegê-la contra infecções.
Passei a mão por seus cabelos e fiquei contemplando seu rosto pálido.
_ Oi, minha linda..._ Falei suavemente, acariciando a costa de sua mão._ Quando você irá voltar para mim? Abra esses lindos olhos e me dê a alegria de vê-los outra vez... Ah, Bella... Eu te amo tanto que até dói... Nada na minha vida faz sentido se você não estiver nela... Volta pra mim, minha menina... Volta!_ Eu pedi desesperado, chorando mais uma vez e recebendo apenas o silêncio como resposta.
O único jeito era esperar e confiar no nosso amor, que era forte demais para terminar assim...
*****
Uma semana...
Duas semanas...
Um mês...
_ Vem querida... Só mais um passo..._ Beatrice falou, estendendo os braços para Kimberlly, que correu apressadamente para a avó, dando início a sua nova habilidade: andar e correr por todos os lugares da casa.
Bella ficaria muito orgulhosa se pudesse ver isso.
_ Por que você não tenta também, Joshua?_ Falei suavemente para meu filho que observava a irmã com o olhar atento, mas tudo o que ele fez foi deitar a cabecinha em meu ombro e se encolher, deixando claro seu protesto pela falta constante da mãe.
Suspirei pesadamente e beijei seus cabelos claros, querendo poder fechar meus olhos e me encolher a fim de me esquecer de todos os problemas que me rodeavam.
_ Você não pode deixar que sua irmã lhe vença, meu neto... Nós homens temos que ser mais habilidosos... Sempre..._ Charlie falou, acariciando os cabelos do neto e eu sorri de leve ao ouvir suas palavras.
Desde que Bella fora ferida, meu sogro resolvera se aproximar dos netos e da filha a fim de conseguir seu perdão por tudo que ele a deixara passar.
Eu tinha motivos para tentar impedi-lo, já que ele era em parte culpado pelo que Bella estava passando no momento, mas eu já estava cansado de estar cercado por todo esse ódio.
Além do mais, ele estava tentando se aproximar de Beatrice e, eu não iria atrapalhar essa história de amor, já que eu sabia o bem que esse sentimento poderia fazer a uma pessoa.
Renée havia sido presa depois que se recuperara de seus ferimentos e pelo que tudo indicava iria passar o resto dos seus dias atrás das grades.
Suas filhas foram para a Europa morar com uma tia, já que culpavam o pai pela prisão da mãe e se recusavam a ficar sob seus cuidados.
Dessa forma, Charlie sentira-se livre para viver o amor que ele sempre sentira por Beatrice, mas que tivera que ser interrompido devido a tantas adversidades.
_ Você não vai ao hospital hoje, Edward?_ Beatrice perguntou, e eu assenti, deixando de lado meus pensamentos.
_ Sim... E depois irei buscar Sophie na casa dos meus pais. Você ajuda Ângela com os gêmeos?
_ Claro que sim, querido... Pode ir tranqüilo. Eles ficarão bem._ Eu assenti e entreguei meu pequeno a Charlie, me despedindo de todos.
Rumei para o hospital, me perguntando até quando eu teria que viver esse martírio.
Já fazia um mês que Bella estava internada e inconsciente e eu já não sabia o que fazer para continuar minha vida sem ela.
Segundo os médicos, era pouco provável que ela fosse acordar um dia e só de pensar nisso, meu coração ficava apertado.
Eu não sabia e jamais seria capaz de aprender viver sem ela.
Eu não queria aprender a viver sem ela.
Nossos filhos estavam sofrendo, sentindo sua falta e eu já não era capaz de sorrir.
Nem mesmo lágrimas eu tinha mais.
Era como se tudo o que eu tinha e tudo o que eu era tivesse ido embora com ela.
Entrei no hospital e segui direto para o seu quarto, não me atendo ao chamado das recepcionistas, que me seguiram corredor a fora.
Abri a porta do quarto e quase morri de susto ao ver a cama de Bella vazia.
_ Onde ela está?_ Perguntei a mulher que estava parada às minhas costas, sentindo a boca amarga ao pensar no que sua ausência no quarto significava.
_ Sr. Cullen, nós lhe enviamos um telegrama hoje de manhã avisando o ocorrido. Estamos com uma equipe reduzida e, infelizmente não pudemos enviar ninguém daqui para buscá-lo._ A recepcionista se explicou e eu senti o sangue fugir do meu rosto ao ouvir suas palavras.
_ O que aconteceu?_ Eu falei, segurando o braço da moça com força e querendo desesperadamente obter uma resposta._ Cadê a minha mulher?
_ Sr. Cullen, você está machucando meu braço..._ A boca falou e eu apertei os lábios, querendo na verdade torcer seu braço fino a fim de receber a resposta do paradeiro da minha esposa.
_ Então me diga o que fizeram com Bella... Onde minha esposa está?
_ Estou aqui..._ Ouvi a voz que ultimamente só aparecia nos meus sonhos e senti meu coração falhar uma batida.
Me virei lentamente em direção a voz e ao ver Bella sorrindo, sentada em uma cadeira de rodas, eu achei que tivesse morrido e sido enviado para uma espécie de limbo.
Fui até ela, ajoelhei-me aos seus pés e chorei, enterrando o rosto em seu colo.
Senti suas mãos pequenas em meu cabelo e chorei mais ainda, implorando a Deus para que aquele momento não fizesse parte de um sonho.
Aquele toque precisava ser real.
Minha menina tinha que estar bem.
_ Ei... Não chore. Eu estou aqui... Voltei para você... Voltei para os nossos filhos.
_ Eu choro por que eu não acredito... Eu não acredito...
_ Mas, eu estou aqui, capitão... Firme e forte... Pronta para amá-lo. Pronta para ficar ao seu lado para sempre._ Ela falou suavemente e eu ergui o olhar, pegando suas mãos e beijando-as com fervor.
_ Ah, Bella... Que saudade!_ Eu falei e ela sorriu entre lágrimas.
_ Eu também estou com saudades, meu amor... Muitas. Mas, teremos tempo para recuperar todo o tempo perdido._ Ela disse, acariciando meu rosto e eu me deleitei com sua carícia suave.
Como eu sentira falta do seu toque.
_ Olá, capitão... Vejo que já encontrou sua esposa. Ela nos deu uma bela surpresa hoje, quando abriu os olhos e perguntou pelo senhor e pelos filhos. A Sra. Isabella nos mostrou que milagres existem e eu fico muito feliz por poder dar-lhe a notícia de que em breve ela voltará para a casa._ O médico falou e eu sorri largamente, como há muito tempo eu não fazia.
Sem poder me conter, me inclinei sobre a cadeira onde Bella estava sentada e a beijei nos lábios.
Minha menina ainda tinha o mesmo gosto maravilhoso e eu exultei de alegria por poder senti-lo novamente.
Bella corou com o meu gesto e sorriu sem graça para as enfermeiras e para o médico que nos observavam atentamente.
Sua timidez me dava uma vontade ainda maior de beijá-la, mas eu não faria isso, pois não queria ser repreendido justo no momento em que acabei de recuperá-la.
_ Bem, agora sua esposa irá tomar um banho relaxante, se alimentar e depois de passar por mais alguns exames, irá descansar para recuperar as energias e poder voltar para casa o mais depressa possível..._ O médico explicou e eu assenti, beijando a testa de Bella e a olhando com carinho.
_ Vou esperá-la para poder ficar mais com você, meu amor... Só depois irei dar a notícia a todos..._ Eu falei e ela sorriu assentindo.
Em seguida, as enfermeiras a levaram para o quarto e eu fiquei no corredor esperando até que ela estivesse pronta para me receber.
Depois do que me pareceu uma eternidade, finalmente me deixaram entrar no quarto.
Bella estava deitada confortavelmente sobre os travesseiros e eu fui rapidamente para o seu lado, sentando-me e agarrando suas mãos.
Ela parecia sonolenta e mesmo que eu não quisesse sair do seu lado, não atrapalharia o seu descanso.
Tudo o que eu queria era aproveitar sua companhia doce que me fizera tanta falta, mesmo que eu apenas velasse o seu sono.
Ter a certeza que ela acordaria depois de algumas horas de sono era o suficiente para me fazer o homem mais feliz do mundo, nesse momento.
_ Tudo bem?_ Eu perguntei suavemente e ela assentiu, suspirando e fechando os olhos.
_ Sim... Só não entendo porque eu estou tão cansada depois de passar um mês desacordada.
_ O médico disse que é normal... Logo você estará recuperada e poderá voltar para casa._ Eu falei e ela sorriu.
_ Como estão nossos filhos?_ Ela perguntou com os olhos brilhantes e foi a minha vez de sorrir ao pensar em nossos pequenos.
_ Eles estão bem... Kimberlly começou a andar hoje..._ Eu falei orgulhoso e minha menina riu entre lágrimas, que novamente banhavam o seu rosto lindo._ Joshua está sentindo sua falta e ainda não seguiu o exemplo da irmã. Acho que ele está de greve..._ Eu comentei e nós rimos.
_ E Sophie?
_ Sophie está na casa dos meus pais... Ela pediu para ficar com minha mãe, pois estava muito triste sem sua presença e eu deixei, já que estava muito perturbado com seu estado de saúde._ Eu expliquei e ela assentiu, ficando em silêncio e fechando os olhos.
_ Durma, minha linda... Você está cansada e precisa repousar. Ficarei aqui, velando o seu sono e cuidando de você._ Eu falei suavemente e esperei por longos segundos até escutar sua respiração mais pesada.
Beijei suas mãos e sua testa e me preparei para sair do quarto e ir até minha família dar a grande notícia.
Mas, antes que eu pudesse sair, ouvi sua voz suave e suas palavras fizeram meu coração sangrar mais uma vez.
_ Sinto muito por ter perdido nosso bebê..._ Ela falou e eu virei para olhá-la, me desesperando ao perceber que ela chorava.
_ Ei... Não pense nisso... Nós poderemos ter outros filhos... Vai ver que não era chegada a hora dessa criança, Bella... Vai ver que não era para dar certo...
_ Renée já me fez tanto mal... Mas, eu sou forte e consegui superar... No entanto, ela atingiu nosso filho... Ela conseguiu acabar com a vida de uma criança, Edward.
_ Não pense nisso, Bella... Renée está presa e dessa vez não sairá mais de lá... Ela não voltará a nos fazer mal...
_ Mas, perdemos o nosso bebê...
_ Não pense dessa forma... Eu vou te contar o que o médico me disse e depois disso, tenho certeza que você não vai mais ficar triste ao se lembrar dessa perda..._ Eu falei e ela me olhou com curiosidade._ Bella, se você não tivesse grávida, o golpe de navalha que Renée lhe deu, teria matado-a... Nosso filho foi um ajo que lhe salvou... Ele deu a vida para que a mãe vivesse e continuasse alegrando a todos com sua doçura e beleza..._ Eu falei, acariciando seus cabelos e enxugando suas lágrimas que desciam em abundância por seu rosto.
_ Isso é sério?_ Ela perguntou e eu sorri, beijando seus lábios.
_ Muito sério. Bella, eu sei que essa perda é triste, mas me diga o que eu faria se você tivesse morrido? Como eu iria criar nossos filhos sem você? Acho que esse bebê foi um presente de Deus para salvar a sua vida... Ele cumpriu sua missão e graças a Deus, apesar de toda a angústia que eu e todos passamos a vê-la desacordada por tanto tempo, está tudo bem e você voltou para nós... E no momento isso é tudo o que importa. Nós teremos outros filhos e vamos nos lembrar desse que se foi com carinho e gratidão, pois graças a ele, temos você aqui..._ Eu falei e ela sorriu largamente, acariciando meu rosto.
_ Eu estava desacordada, mas sentia sua presença ao meu lado o tempo todo... Eu sonhava com você todos os dias e foi isso que me deu forças para lutar contra a morte. Eu voltei pra você, Edward e sinto em informá-lo, mas você não vai mais se livrar de mim...
_ Ótimo... Por que eu realmente não quero me livrar de você... Agora, durma... _ Eu falei e ela sorriu, se aconchegando mais aos travesseiros e fechando os olhos.
_ Eu te amo, capitão..._ Ela sussurrou e eu sorri, beijando seu rosto.
_ Eu também te amo, minha menina... Te amo muito!
*****
Pov. Bella
1 semana depois
Eu não via a hora de voltar para a casa.
Parecia fazer uma eternidade desde que eu vira meus filhos pela última vez e a vontade de tê-los nos braços só aumentava a cada segundo que passava.
Olhei para a cidade movimentada através do vidro embaçado do carro e sorri diante da perspectiva de voltar a ter uma vida normal ao lado dos meus amores.
Agora que Renée fora mandada para uma prisão na Europa, eu sabia que teria o meu merecido sossego.
Ela não poderia mais me fazer mal e agora eu dedicaria meus dias a cuidar da minha família e fazer meu capitão imensamente feliz.
Senti seu toque suave em minhas mãos e olhei contente para ele.
_ Não vejo a hora de chegar em casa..._ Comentei e ele sorriu.
_ Todos estão ansiosos pela sua volta...
_ Todos quem?_ Perguntei e ele me olhou divertido.
_ Como assim quem? Nossa família, oras... Meus pais, meus irmãos, nossos filhos, seus..._ Ele se interrompeu de repente e eu o encarei, desconfiada.
Eu tinha certeza que ele me escondia algo e eu descobriria do que se tratava, nem que tivesse que ameaçá-lo de morte.
_ Você ainda não me disse quem ajudou Ângela e Emma com as crianças enquanto eu estive internada..._ Eu falei, cruzando os braços sobre o peito e escutei Edward bufar.
_ Vai continuar insistindo nisso? Você vai descobrir daqui a pouco... Mas, quero que você saiba que eles foram muito bem cuidados.
_ Por quem?_ Insisti e ele me olhou irritado por um momento.
_ Por que você é tão teimosa?
_ Por que eu sei que você está me escondendo alguma coisa e eu quero saber o que é, principalmente por que esse fato envolve os meus filhos.
_ Nossos filhos, Bella... E fique calma, pois como eu disse que eles estão bem..._ Ele falou e eu suspirei, sabendo que ele não me diria nada que não quisesse.
Depois eu que era a teimosa...
Ficamos em silêncio pelo resto do caminho e quando chegamos em nossa casa, eu saltei do carro e segui apressadamente pelo caminho de pedras que levava até a porta principal, não esperando por ele, que tinha que retirar minhas coisas do carro.
Abri a porta e as primeiras pessoas que avistei foram os meus filhos.
Corri até eles e os abrace chorando, sentindo o cheirinho de cada um e tentando aplacar a saudade imensa que eu sentia de cada um.
_ Meus amores... Que saudade!
_ Mama..._ Joshua falou, apontando para mim e eu sorri, beijando seu rosto lindo.
_ Sim, meu amor... É a mamãe...
_ Que bom que você voltou, mamãe... Eu quase morri de tanta saudades._ Sophie falou me abraçando e eu me senti completa naquele momento.
Olhei para Kimberlly que me encarava seriamente e a tomei nos braços, abraçando-a com força e beijando seu rosto.
_ E você, minha boneca, não estava com saudades da mamãe?_ Falei baixinho e ela sorriu, olhando para cima e apontado para algum ponto com o dedinho gordo.
_ Bobó..._ Ela falou e eu sorri, me virando para cumprimentar Esme.
Mas, quando me virei, não era minha sogra que estava atrás de mim, e sim Beatrice.
Fiquei paralisada com a cena e com o fato de minha filha a reconhecer como avó.
Mas, o que mais me deixou perturbada não foi sua presença ali e sim o fato de Charlie estar ao seu lado, abraçando-a.
O que estava acontecendo, afinal?
Olhei para a porta e percebi que Edward me encarava com a expressão preocupada.
Era isso que ele estava escondendo de mim.
Beatrice fora a pessoa que cuidara dos meus filhos enquanto eu estivera no hospital e pelo jeito, Charlie a ajudara.
Respirei fundo e me preparei para a batalha que certamente seria iniciada naquela sala.

Charlie, Beatrice e Edward tinham muito o que me explicar e era bom que eles começassem agora.

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