THE WAR OF BROKEN HEARTS - CAPITULO 39

The war of broken hearts...

THE WAR OF BROKEN HEARTS
Bruna Diniz Cullen


Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Drama





Capítulo 39
Pov. Bella
Nunca, nem eu meus sonhos mais loucos, eu imaginei a cena que se desenrolava na minha frente nesse instante.
Meus pais, Charlie e Beatrice, juntos e dentro da minha casa.
Primeiro, porque eu nunca achei que eu fosse ter uma casa para chamar de minha.
Segundo, porque, para mim, minha mãe havia morrido há muito tempo.
E terceiro, porque Charlie era marido de Renée e eu sabia o poder que ela exercia sobre meu pai e, portanto, eu sempre imaginei que ele jamais fosse se libertar de suas garras.
Mas, eles estavam a minha frente, juntos, abraçados e me olhavam de uma forma tão intensa que eu não soube como agir.
Senti uma raiva estranha por tê-los ali agora que eu não precisava mais deles...
Agora que eu tinha um marido que me amava e que cuidava muito bem de mim.
Mas, aí eu me lembrei que este mesmo marido estava ao lado deles, apoiando essa aproximação forçada e a raiva estranha que eu sentia se transformou em fúria... Viva e borbulhante.
Ele não tinha o direito de fazer isso...
Edward sabia que eu não queria que Beatrice se aproximasse de mim.
Eu não era capaz de perdoá-la pelo seu abandono e não queria, de forma alguma, sofrer mais com essa história.
Meu capitão sabia o quanto a rejeição do meu pai me machucara e não devia tê-lo trazido para perto dos nossos filhos.
Senti um toque em meu ombro e me virei, olhando diretamente para Edward que me encarava com a expressão preocupada.
Ele estava encrencado e sabia perfeitamente disso.
_ Tudo bem, amor?_ Ele perguntou e eu respirei fundo, negando com um gesto de cabeça e apertando Kimberlly em meus braços, olhando-o seriamente.
Eu dera muitas oportunidades pra ele me contar o que acontecera enquanto eu estivera desacordada, mas ele preferira me esconder.
E eu considerava isso uma traição, ainda mais sabendo que fora Beatrice que cuidara dos meus filhos.
Ela não tinha esse direito.
Beatrice me abandonara e tudo o que eu queria era ser deixada em paz, para viver a minha vida ao lado da minha família.
E quanto a Charlie, eu não o queria perto dos meus filhos, pois sabia quanto os seus sentimentos poderiam ser inconstante e quanto esta instabilidade feriam aqueles que estavam próximos a ele.
E era exatamente isso que eu deixaria claro nesse momento.
_ Ângela, leve meus filhos para o andar de cima..._ Eu pedi a minha babá e amiga e ela me atendeu imediatamente, pegando os gêmeos com a ajuda de Esme e os conduzindo, juntos com Sophie, para o segundo andar da casa.
Aos poucos, todos que se reuniram para a minha recepção foram saindo, sabendo que uma batalha seria iniciada, e só ficamos nós quatro na sala.
Eu olhei seriamente para o meu marido, deixando-o saber o quanto eu estava chateada com ele.
_ Bella, eu...
_ Você não tinha o direito de deixá-los perto dos nossos filhos sabendo como eu me sinto em relação aos pais que me abandonaram..._ Eu falei brava e todos ficaram em silêncio, apenas me encarando.
_ Bella, filha..._ Beatrice começou a falar, mas eu a calei com um gesto de mão.
_ Não me chame de filha... Você não se lembrou do nosso parentesco quando decidiu me abandonar a mercê de uma madrasta que me odiava mais do que qualquer coisa. Eu tenho direito de não querê-la perto de mim...
_ Bella, amor, sua mãe salvou a sua vida... E ela ama os nossos filhos. Assim como o seu pai, que foi de grande ajuda enquanto você esteve internada._ Edward falou e eu sorri de maneira triste, me lembrando do dia em que Renée me feriu.
Sim... Beatrice me salvara, mas isso não mudava o fato de que ela havia me abandonado quando eu mais precisava dela.
Seu ato nobre não apagava tantos anos de solidão e sofrimento, imaginando que ninguém me amava ou me queria por perto.
Eu queria não guardar esse rancor, mas era simplesmente impossível ignorar a dor que eu sentira por tanto tempo, me lamentando por não ter a minha mãe perto de mim.
_ Eu agradeço por ela ter me salvado, mas este fato não muda minha decisão de querê-la longe de mim. Agora eu não preciso mais dela... Hoje, eu não acordo depois pesadelos perturbadores, gritando, e, não tendo ninguém para me consolar... Hoje, eu não passo mais fome, eu não sou agredida diariamente pela minha madrasta... Eu não sofro abusos do irmão adotivo do meu pai... Eu não preciso mais dos meus pais e não os quero por perto... Ela dizia que me amava e me abandonou. Eu não quero que meus filhos passem pela mesma coisa. Saia daqui e não volte. Se vocês querem realmente me ver feliz, me deixem em paz... Vocês dois! _ Eu gritei, expondo todo o rancor que eu tinha guardado e corri para o andar de cima, ignorando a dor no corte recente e os chamados de Edward.
Entrei no quarto e me joguei na cama, deixando que todo o choro que estava preso em minha garganta explodisse em lágrimas.
Por que eles tinham que voltar para a minha vida justo agora?
Por que eles não me amaram e cuidaram de mim quando eu realmente precisava deles?
Por que Edward os trouxera para minha vida?
Escutei o barulho da porta e me preparei para brigar mais uma vez com Edward, mas quem apareceu no meu campo de visão foi Sophie.
Quando eu olhei para minha filha, senti uma angústia ainda maior e por mais que eu tentasse, não conseguia parar de chorar.
Minha pequena se sentou ao meu lado e passou a acariciar levemente meus cabelos enquanto me olhava com atenção.
_ Pode chorar, mamãe... A vovó falou que isso faz bem quando estamos tristes..._ Ela murmurou e eu funguei, tentando sorrir de alguma forma ao ouvir suas palavras.
_ Obrigada, querida..._ Eu sussurrei e ela sorriu docemente.
_ De nada, mamãe... Você já me consolou muitas vezes... Chegou a minha vez... Eu sei que está triste por causa da vovó Beatrice, mas sabe? Ela é muito legal e cuidou direitinho da gente enquanto você estava doente. A Kim gosta muito dela e todas as vezes que ela ia nos colocar para dormir, ficava olhando para a minha irmã e chorando.
Eu franzi o cenho e encarei Sophie com atenção.
Por que Beatrice chorava ao olhar para minha bebê?
_ E por que ela chorava, meu anjo?
_ Uma vez eu tive coragem de perguntar e ela me disse que era porque Kim a fazia lembrar-se de você quando era bebê..._ Ela explicou e eu senti um aperto no peito.
_ Ela disse isso?_ Eu perguntei em um sussurro e ela assentiu.
_ Sim... Eu ficava com pena dela... Mas, a vovó Beatrice sempre contava histórias de quando você era criança e eu gostava de ouvir. Você era bem travessa, mamãe... Mais do que eu..._ Ela afirmou e eu ri, me sentando e enxugando as lágrimas.
_ É... Eu era bem travessa... Fiz muitas artes enquanto minha mãe estava por perto...
_ Ela não ficou sempre por perto?
_ Não, meu bem... Minha mãe foi embora quando eu era menina... Ela só voltou para a minha vida agora, depois que eu me casei..._ Expliquei e ela ficou me olhando atentamente.
_ Mamãe, pelo menos ela voltou para a sua vida... Eu amo você... Você é a minha mamãe. Mas, eu sei que tive outra e queria tê-la conhecido... Eu queria que ela voltasse, como a vovó Beatrice voltou para você..._ Ela falou e mais uma vez e senti uma imensa vontade de chorar.
Minha pequena, com sua pouca idade, estava me fazendo enxergar coisas que o meu rancor estava me impedindo de ver.
_ O abandono dela ainda dói em mim, Sophie..._ Eu confessei e uma grossa lágrima rolou pelo meu rosto.
Minha pequena se aproximou rapidamente e me abraçou, e tudo o que eu fiz foi chorar mais uma vez, agarrada ao seu corpo pequeno.
Nossos papéis de mãe e filha estavam invertidos ali naquele momento, mas eu não conseguia realmente me importar.
O apoio e as palavras da minha pequena estavam me fazendo bem e tudo o que eu podia fazer era agradecer a Deus por ter lhe dado tanta sabedoria e um coração tão bondoso.
_ Sabe, mamãe... Acho que você deve esquecer isso... Já passou. A vovó Beatrice está aqui agora... Aproveite. Ela é bem legal e eu sei que ela te ama... Assim como o vovô Charlie._ Minha pequena falou cheia de sabedoria e eu sorri, beijando seu rostinho lindo.
Era até fácil olhar para meus problemas com Beatrice e Charlie sob a perspectiva de Sophie e eu sabia que podia, sim, perdoar meus pais por terem me abandonado.
Mas, era tão difícil superar a rejeição e o sofrimento pelo qual eu passara.
Eu não conseguia simplesmente esquecer-me das maldades de Renée e da crueldade a qual eu fui submetida depois da partida de Beatrice.
Eu não era capaz de me esquecer, tão pouco, que meu pai jamais me protegera das maldades de sua esposa, preferindo viver bêbado a ter que enfrentar seus problemas.
No entanto, Sophie tinha razão.
Eu tinha a chance de ter minha mãe e meu pai por perto e não podia desperdiçá-la, já que se Beatrice tivesse realmente morrido, eu jamais poderia desfrutar do amor que ela dizia sentir por mim.
_ Você tem razão, princesa..._ Eu murmurei e Sophie sorriu, me encarando com os olhinhos brilhantes.
_ Você vai ser legal com a vovó Beatrice, mamãe? Vai deixar que ela fique por perto?_ Minha pequena perguntou e eu suspirei, assentindo e me levantando da cama._ E quanto ao vovô?
_ Vou fazer o possível, Sophie... Vou aceitar que meus pais fiquem por perto e tentar dar-lhes o meu perdão. Mas, você terá que me ajudar. _ Eu falei e ela sorriu, pulando da cama e correndo até a porta.
_ Eu vou sempre querer lhe ajudar, mamãe, por que eu te amo muito, muito, muito... Você é a melhor mãe do mundo._ Ela falou, me abraçando pelo pescoço e eu, mais uma vez, tive que lutar contra as lágrimas._ Vou avisá-los... Tenho certeza que você não vai se arrepender por ouvi-los, mamãe..._ Ela declarou e antes que eu pudesse impedi-la, saiu correndo pelo corredor, em direção às escadas.
Eu me sentei pesadamente na cama e fiquei a espera das consequências da explosão momentânea de Sophie.
Pouco tempo depois, Edward entrou no quarto me olhando de maneira desconfiada e se aproximando lentamente de mim.
_ Sophie disse que você aceitou conversar com os seus pais._ Ele comentou e eu respirei fundo, me levantando da cama e indo até a janela.
_ Aceitei... Ela me convenceu._ Eu falei seca e ele suspirou, se aproximando de mim e me segurando pelos ombros com carinho.
Mas, eu ainda estava chateada com sua atitude e me afastei do seu toque, mesmo querendo desesperadamente me acolher em seus braços em busca do apoio que só ele sabia me dar.
_ Bella, eu quero me desculpar por tê-los trazido para nossa casa sem a sua permissão... Mas, entenda... Você estava ferida e desacordada e eu precisava de ajuda com as crianças. Beatrice é ótima com os gêmeos e foi de grande ajuda para Emma e Ângela. E Charlie ajudava em casa quando eu não podia estar por perto..._ Edward explicou e eu o encarei por longos segundos.
_ Isso não foi certo, Edward, e eu fico muito feliz que você reconheça seu erro. Mas, não estou a fim de brigar com você agora. Primeiro eu converso com eles... Depois decido o que fazer com você._ Falei decidida e sai do quarto, indo para a sala onde Charlie e Beatrice me esperavam.
Meus pais me encaram de forma receosa a me ver descendo as escadas e eu respirei fundo, me aproximando de onde eles estavam e me sentando no sofá a sua frente.
_ Que bom que resolveu nos ouvir e nos dar uma chance de explicar por que agimos dessa forma com você..._ Charlie falou feliz e eu fiquei em silêncio, esperando que eles continuassem._ Eu sinto muito por todo o tempo em que eu fui omisso como pai... Eu sei que nada justifica o meu comportamento, mas quando eu me dei conta que Beatrice estava morta, eu fiquei meio louco e me vi incapaz de cuidar do presente mais lindo que ela me deixara, que era você._ Meu pai explicou e eu engoli em seco, tentando conter as lágrimas traiçoeiras que mais uma vez tentavam rolar por meu rosto.
Eu não queria ser fraca na frente deles, mas estava cada vez mais difícil conter as minhas emoções.
Senti alguém segurando minha mão e olhei para Beatrice assustada, me contendo para não me afastar do seu toque.
Era a primeira vez que ela me tocava desde o nosso reencontro e só nesse momento eu me dei conta do quanto a textura da sua pele me fizera falta.
Eu me enganava dizendo que não precisava mais dela, pois no fundo eu sempre sonhara em ter o seu amor e seus cuidados outra vez.
_ Bella... Filha, eu já lhe expliquei os meus motivos. Eu sei que estou em falta com você e que talvez eu jamais venha a ter todo o seu perdão, mas eu peço que me de a oportunidade de ser a mãe que você precisa... De ser a mãe que você sempre sonhou. Quero estar ao seu lado e ao lado dos meus netos que eu já aprendi a amar como parte de mim._ Ela pediu e as lágrimas que ela derramava ao me implorar que a deixasse ficar perto de mim e dos meus filhos foram capazes de me convencer.
Eu não suportava vê-la sofrer, mesmo depois de tudo o que eu passara na vida.
Ela era a minha mãe e mesmo estando contrária ao que eu realmente acreditava ser o certo, seu lugar era ao meu lado.
Mas, eu ainda precisava me proteger de um possível abandono.
Eu não me deixaria levar tão facilmente, pois caso Charlie e Beatrice se cansassem de estar por perto, eu não me permitiria sofrer outra vez.
Eu seria forte por mim, por Edward e pelos nossos filhos.
_ Eu só estou aqui porque Sophie me convenceu a ouvi-los. Mas, saibam que eu ainda não consigo esquecer todo o sofrimento pelo qual eu passei nas mãos de Renée e do qual nenhum de vocês, como meus pais, tomou partido. Hoje, eu sou uma mulher adulta, casada e mãe... Sou realizada e, na prática, não preciso mais de vocês. No entanto, minha filha me fez ver que, apesar de tudo, eu tenho sorte por tê-los aqui... Vivos e prontos para construir uma relação comigo... Pois bem... Assim será._ Eu declarei e eles se entreolharam, antes de me encararem mais uma vez.
_ Obrigada, Bella... Muito obrigada, minha filha..._ Beatrice falou chorando e mais uma vez eu tive que me segurar para não me debulhar em lágrimas na sua frente.
_ Bella, nós seremos os melhores pais do mundo de hoje em diante e jamais a deixaremos sozinha outra vez..._ Charlie falou, segurando minha outra mão e eu assenti, tossindo de leve e me levantando.
Eles se afastaram e eu me virei, seguindo em direção a escada.
No entanto, a voz de Beatrice me deteve.
_ Bella, meu amor, eu posso, por favor, lhe dar um abraço?_ Ela pediu esperançosa e eu senti uma forte emoção, me dando conta que era a primeira vez na vida que minha mãe me daria um abraço sem que fosse eu a implorar por ele.
Quando eu era criança, ela jamais me abraçara sem que eu pedisse.
Beatrice parecia ter medo de demonstrar os seus sentimentos por mim.
Receber um abraço dela sem que eu tivesse que tomar a iniciativa era tudo o que eu mais queria no mundo e, ignorando o meu orgulho e o meu medo, eu me permiti essa alegria.
Dei um passo em sua direção e em menos de um segundo estava aninhada em seus braços, sentindo a textura da sua pele, seu calor e seu cheiro que tanto me fizeram falta.
_ Ah, Bella... Eu sonhei por tanto tempo poder lhe abraçar assim... Sinto muito se eu nunca demonstrei o amor que eu sentia por você, mas a verdade é que tudo o que eu fiz foi para lhe proteger. Se Renée pensasse que eu não lhe amava, talvez ela não quisesse lhe fazer tanto mal... Além do mais, eu tinha medo de me apegar demais a você e não ser capaz de lhe deixar quando fosse a hora certa... Por que por mais que tenhamos sofrido, deixar-lhe foi a única solução que eu encontrei para manter-nos vivas..._ Ela falou chorando entre os meus cabelos e eu me permiti abraçá-la com força, tentando matar toda a saudade que eu sentira dela a vida toda.
Senti outro braço ao meu redor e tive a certeza de que Charlie também me abraçava, mas eu não me senti incomodada.
Era a primeira vez que eu era abraçada por ele também e queria aproveitar cada segundo desse carinho do qual eu nunca pudera desfrutar.
E eu tinha que confessar que era muito bom se sentir amada por meus pais, pois por mais que o amor de Edward me completasse, acho que eu sempre sentiria falta desse aspecto da minha vida.
Eu só esperava não me decepcionar mais uma vez com eles.
Respirei fundo, tentando controlar o choro e me afastei dos braços dos meus pais, encarando-os seriamente.
_ Vou pedir que Emma prepare um quarto para vocês, embora eu tenha a certeza de que isso já foi providenciado..._ Eu falei e os dois se entreolharam mais uma vez, ficando um pouco sem jeito.
_ Bem, filha... Edward precisava de ajuda com as crianças e eu me ofereci... Além do mais, como fui contratada como cozinheira, tenho direito a um quarto..._ Ela explicou e eu estreitei os olhos em sua direção.
Cozinheira?
Como assim Beatrice havia sido contratada como cozinheira?
Lembro-me que no dia em que Renée me ferira, eu esperava uma candidata ao cargo, que havia sido escolhida pelo Edward.
Eu só nunca imaginei que meu digníssimo esposo enviaria minha própria mãe para ocupar o posto de cozinheira da nossa família.
Agora eu entendia o porquê dele ter insistido para que encontrássemos alguém que ajudasse Emma.
Edward queria apenas um motivo para nos aproximar e, de repente, eu imaginei a quanto tempo ele estava armando isso e qual o seu verdadeiro interesse em nossa aproximação.
_ Bella?­_ Beatrice me chamou e eu a encarei, deixando de lado meus devaneios e a vontade cada vez maior de esganar o meu capitão.
_ Bem... Já que você está responsável pela comida, pode continuar ocupando o mesmo quarto... Eu... Bem, agora eu vou ver meus filhos, pois ainda não matei toda a saudade que eu sinto... Com licença._ Falei, me virando em direção a escada, mas Beatrice me impediu de sair mais uma vez, segurando meu braço de leve.
_ Obrigada pela oportunidade, querida...
_ Não me agradeça ainda... Primeiro preciso ter a certeza que não vou me arrepender dessa decisão._ Eu declarei e me senti um pouco culpada ao identificar um espasmo de dor atravessando o seu olhar.
_ Tenho certeza que você não irá se arrepender..._ Ela falou e eu sorri de leve, me virando mais uma vez e seguindo em direção ao andar de cima.
Tudo o que eu queria agora era ficar com meus filhos e esquecer, por um momento, a presença dos meus pais na minha casa e na minha vida.
Eu lidaria com esse fato aos poucos e só quando confiasse realmente neles, me entregaria a toda carência que eu sentira a vida toda.
Antes, eu não podia me deixar levar pelos meus sentimentos, pois corria o risco de mais uma vez ser abandonada e, se isso acontecesse, eu não sobreviveria a mais essa decepção.
*****
_ Eles estão tão grandes..._ Eu comentei, enquanto segurava Joshua no colo e Esme sorriu.
_ Verdade. Nem parece que já se passou quase um ano desde o nascimento tumultuado deles..._ Esme falou e eu suspirei, encarando meus filhos atentamente.
Kimberlly e Joshua já iriam completar um ano e eu queria parar o tempo, de alguma forma.
Bebês cresciam tão rápido que era quase impossível aproveitar todos os momentos especiais ao lado deles e isso nos fazia ter a necessidade de desejar que o tempo simplesmente não passasse.
Era por isso que eu queria ter mais filhos. Eu precisava ter a experiência de cuidar de outros bebês, assim como cuidei dos meus lindos gêmeos.
E nesse momento, eu deveria estar esperando mais um bebê para alegrar minha casa...
No entanto, Renée o matara.
Suspirei pesadamente, tentando afastar a tristeza que eu sentia sempre que pensava na perda do meu bebê e beijei o rostinho rosado do meu filho, que brincava com a minha aliança.
_ Não fique triste, querida... Tenho certeza que, com a vida íntima animada que você e Edward possuem, logo você estará grávida outra vez..._ Minha sogra falou, piscando maliciosamente em minha direção e eu corei, sorrindo sem graça e tentando imaginar como ela sabia no que eu estava pensando.
Não gostava de imaginar o que as pessoas pensavam a respeito da minha vida conjugal com Edward, que era realmente animada como Esme dissera.
Mas, como meu capitão sempre dizia, não tinha motivo de eu me sentir constrangida, pois nossa intimidade não dizia respeito a ninguém.
E, mesmo que eu pudesse ser mais recatada nesse aspecto, eu não o faria, pois gostava da minha vida íntima da forma que ela era.
Animada e depravada...
Corei com o pensamento e Esme me olhou culpada.
_ Desculpe se lhe deixei sem graça, querida..._ Esme se desculpou e eu sorri.
_ Tudo bem, Esme... Eu não ligo._ Menti e ela sorriu aliviada._ Mas, eu não sei como não ficar triste pelo meu bebê. Era um pedacinho meu e de Edward que tinha todo o direito de vir ao mundo...
_ Querida, aquele bebê cumpriu o seu papel... Você é jovem e completamente saudável... Outros filhos virão. Sabe... Antes de ficar grávida do Emmett, eu também perdi um bebê... Na época, fiquei tão triste que pensei até em me matar, ainda mais depois que um médico afirmou que eu jamais poderia gerar outra vez. No entanto, Carlisle estava ao meu lado, me apoiando e mesmo que eu não pudesse lhe dar filhos, ele jamais me abandonaria. E essa certeza me deu a força necessária para seguir em frente. E veja só... Depois disso, eu tive três filhos... Lindos, saudáveis e perfeitos... Fique tranqüila, meu bem... Logo você será abençoada com outra gravidez... Tenho certeza!_ Minha sogra falou e eu sorri mais animada, me permitindo ter a esperança de logo poder carregar outro filho em meu ventre.
Eu sempre pensaria no bebê que eu perdi com pesar, mas agora era seguir em frente e cuidar dos filhos com os quais Deus já me presenteara.
Coloquei meu bebê em pé no meu colo e encarei seu rostinho lindo, tão parecido com o do meu capitão.
Desde que eu entrara no quarto, Joshua viera para meu colo e se recusava a descer.
Kimberlly brincava pelo chão do quarto, andando para todos os lados e explorando sua habilidade recém aprendida.
Ela ainda não tinha tanto equilíbrio e, às vezes, caia. Mas, como o quarto era atapetado, tudo o que ela fazia era rir e se levantar, para começar sua exploração outra vez.
Eu estava orgulhosa de minha pequenina, mas preocupada com o fato de Joshua não seguir o seu exemplo.
Eles tinham a mesma idade e, dessa forma, não deviam andar ao mesmo tempo?
_ Por que será que Joshua ainda não andou?_ Eu perguntei a Esme e ela deu de ombros.
_ Não sei... Acho que ele só precisa de um tempo para matar as saudades que sente de você. Além do mais, mesmo sendo gêmeos, cada um tem o seu tempo. Tenho certeza que logo ele estará correndo por aí..._ Ela afirmou, me tranquilizando e eu sorri, me sentindo bem por tê-la por perto.
Graças a Deus, nós desenvolvemos uma relação muito boa e minha sogra não me lembrava em nada a mesma mulher que me recebera quando eu chegara da Europa como a nova esposa de Edward.
Agora, ela me aceitava verdadeiramente e parecia gostar de mim, o que me deixava muito feliz.
Sem contar que ela sempre me ajudava com meus filhos, o que era ótimo, dada a minha pouca experiência com crianças.
Esme, assim como Carlisle, me consideravam como uma filha, e, eu me sentia a vontade em me declarar parte da família.
Eles estavam sempre dispostos a nos ajudar ou a nos aconselhar quando era necessário e eu me sentia muito feliz por tê-los por perto.
A família Cullen era perfeita em muitos sentidos e eu estava satisfeita em fazer parte dela.
_ Fico feliz que você tenha se entendido com seus pais. Durante todo o tempo que você esteve no hospital, eles foram de grande ajuda com as crianças. Kimberlly é completamente apaixonada por Beatrice. Confesso que a relação das duas até me causou ciúmes._ Esme afirmou e eu suspirei, olhando mais uma vez para minha filha.
Saber que ela se apegara a minha mãe me dava a esperança de que Beatrice realmente fosse ficar ao meu lado, já que segundo muitos, as crianças eram seres cheios de pureza que sabiam do caráter das pessoas.
Esse carinho que minha filha sentia pela avó poderia indicar que minha mãe estava sendo verdadeira quando dizia que não iria mais embora e, mesmo tentando evitar, minha mente já fazia planos para o nosso futuro.
Eu só esperava não decepcionar mais uma vez.
_ Vou dar-lhes a chance que eles me pediram. Só espero não me arrepender.
_ Tenho certeza que isso não irá acontecer, Bella... Seus pais erraram, mas é fato que eles lhe amam. Eu pude confirmar isso ao presenciar o desespero deles enquanto você não acordava. Além do mais, sua mãe gosta tantos dos seus filhos, que é uma pena até pensar em separá-los... E Charlie também conquistou as crianças... Até Claire gosta dele..._ Esme falou e eu ri, imaginando Claire rodeando meu pai._ Eu sei que você ainda sofre pela forma como eles lhe trataram no passado, mas tente superar, querida... Tenho certeza que perdoá-los vai lhe fazer muito bem... Você se sentira mais feliz assim...
_ Obrigada por suas palavras, Esme...
_ Por nada, Bella... Sempre que precisar de apoio, é só pedir. Você é como uma filha pra mim e tudo o que eu quero é a sua felicidade. Eu jamais vou ser capaz de agradecer-lhe o suficiente por todo o bem que você fez ao meu filho. Edward é feliz ao seu lado como jamais foi durante toda a sua vida e não há nada que pague a felicidade e o bem estar de um filho..._ Minha sogra declarou e eu senti meus olhos marejados de emoção.
Mas, antes que eu pudesse agradecê-la mais uma vez, ouvi um barulho na porta e levantei o olhar, me deparando com Edward que me encarava com cautela.
_ O jantar está pronto... Emma pediu que eu viesse chamá-las. Traga as crianças. Vamos comemorar sua recuperação e acho justo que eles participem..._ Ele falou e eu assenti, me levantando com Joshua no colo e seguindo para a porta em silêncio.
Edward parecia triste com minha atitude, mas enquanto eu não conversasse calmamente com ele sobre sua conduta com relação aos meus pais, eu não conseguiria agir normalmente.
De certa forma, ele traíra a minha confiança e eu precisava de tempo para digerir esse fato.
Ele pegou Kimberlly nos braços e, acompanhados de sua mãe, descemos as escadas em direção a sala de jantar que já estava ocupada por toda a família.
Eu estava com muitas saudades de todos eles e por algumas horas eu me permiti desfrutar da companhia da minha família, esquecendo-me de tudo a minha volta.
Alice estava radiante e acho que sua felicidade não tinha haver apenas com minha volta para casa.
Levando-se em conta os muitos olhares amorosos que ela trocava com Jasper, sua alegria só podia advir de um casamento feliz.
E isso era muito bom, pois Alice merecia toda a felicidade do mundo.
Confesso que, muitas vezes, cheguei a duvidar que Jasper a faria realmente feliz, já que quando eu o conheci, ele me pareceu uma pessoa fria e implacável.
Mas, depois que ele me ajudara no resgate de Kimberlly, eu percebi que, ao lado da pessoa certa, Jasper se tornaria um homem melhor e, seria sim, capaz de cuidar de Alice e fazê-la muito feliz.
Já Emmett continuava o mesmo palhaço de sempre, alegrando a todos com suas palhaçadas, dramas e brincadeiras.
Ele e Rosalie formavam um bonito casal e minha cunhada estava sempre pronta para repreendê-lo quando ele falava alguma bobagem.
As cenas das brigas entre os dois sempre arrancava risos de todos e deixava o ambiente mais leve.
Até Claire repreendia o pai, imitando a mãe em gestos repletos de fofura e que deixavam os presentes encantados.
Notei uma barriga proeminente em Rosalie e imaginei se ela estaria grávida outra vez.
Lembro-me de que Emmett, certa vez, lhe pedira mais um filho e tinha a impressão de que ele teve o seu pedido atendido.
Uma pena que eu tivesse perdido o meu bebê, pois se ele ainda estivesse dentro da minha barriga, nasceria na mesma época do que o filho de Rosalie e teria com quem brincar, assim como Kimberlly e Joshua, já que eu não pretendia ter gêmeos outra vez.
Por que Renée havia atravessado meu caminho de novo?
_ Você está calada, querida. O que houve?_ Carlisle me perguntou de repente, chamando minha atenção e eu suspirei pesadamente, encarando meu sogro com um sorriso forçado.
Após o jantar, nos reunimos na sala para conversarmos, mas meus pensamentos me impediam de prestar atenção nas pessoas a minha volta e eu não tinha nem ideia sobre o que eles falavam.
_ Nada... Acho que estou apenas cansada._ Eu falei e ele sorriu.
_ Eu imagino. Você ficou bastante tempo desacordada e quando desperta, tem que lidar com muitas novidades... Eu também estaria cansado se fosse você...
_ Pois é..._ Eu falei, olhando para meus pais que conversavam com Edward no canto da sala.
Beatrice estava com Kimberlly nos braços e minha filha parecia bem a vontade em seu colo.
Os dois jantaram conosco e eu prestei bastante atenção na cumplicidade e no amor que os meus pais pareciam demonstrar um pelo outro.
Charlie e Beatrice já pareciam bem a vontade com os Cullen e a cada minuto que passava eu aceitava mais a ideia de tê-los em minha vida.
_ Tente perdoá-los, Bella... _ Carlisle falou, olhando na mesma direção que eu._ Pelo pouco que convivi com seus pais pude perceber que são pessoas boas. Eles apenas não fizeram as escolhas certas. E isso é compreensível quando se é jovem e imaturo. Mas, eles a amam, querida... Sua mãe estava muito desesperada, torcendo por sua recuperação e, seu pai ia ao hospital todos os dias para saber da sua saúde. Sem contar que seus filhos os adoram._ Carlisle falou, aumentando a minha convicção em aceitar os meus pais na minha vida. Acho que eu tomara a decisão certa, no final das contas, e tudo acabaria bem entre nós.
_ Eu vou permitir que eles se aproximem, Carlisle. Quero nos dar a oportunidade de sermos felizes juntos. Só espero não me arrepender.
_ Não vai. Tenho certeza... E saiba que a intuição de Carlisle Cullen jamais falha._ Ele falou sorrindo, piscando em minha direção e eu também sorri._ Ah... E não fique zangada com meu filho. Edward às vezes é cabeça dura, mas é porque ele lhe ama com loucura. Tudo o que ele faz é pensando em sua felicidade. Eu sei que ele errou ao trazer os seus pais para a casa de vocês sem o seu consentimento, mas ele desejava uni-los. Meu filho queria que a vida de vocês tivesse paz e que nenhum ressentimento ou mágoa ficassem entre a felicidade de vocês. Ele lhe conhece bem, querida e sabia que o amor dos seus pais era algo que você almejava._ Meu sogro falou e eu o encarei, desconfiada.
_ Foi o Edward que pediu para que o senhor me dissesse isso?_ Eu perguntei e ele riu.
_ Não, Bella... Acontece que desde que você chegou aqui e viu os seus pais não se aproximou mais do meu filho. Imaginei que depois de tanto tempo separados, vocês não se desgrudariam hoje. Aí, associei esse afastamento ao fato dos seus pais estarem aqui e você não ter aprovado a conduta do seu marido quanto a esse assunto. Estou errado?_ Ele perguntou e eu bufei, negando com um gesto de cabeça e fazendo meu sogro rir mais uma vez._ Vocês jovens tem muito o que aprender em relação ao casamento. Escolha melhor suas brigas, querida... A vida é tão curta para vivermos em meio a confusões e desentendimentos. Edward lhe ama e eu sei que meu filho é plenamente retribuído. Curtam esse amor e a família de vocês e deixem para descontar a tensão de outra forma..._ Ele falou, piscando mais uma vez e eu senti meu rosto esquentar ao me dar conta do que ele acabara de falar.
Descontar a tensão de outra forma?
Agora eu entendia de onde vinha a falta de pudor do meu marido.
Quando Carlisle notou o meu rubor, ele riu outra vez e se afastou e tudo o que eu fiz foi encarar o meu capitão, morrendo de vontade de me aninhar em seu abraço e ouvi-lo me chamar de menina.
_ Se eu fosse você já o teria agarrado..._ Alice falou, sentando-se do meu lado e eu fiz uma careta em sua direção.
_ O que deu em vocês, hoje?_ Perguntei e ela me olhou confusa, me fazendo rir.
_ Como assim “o que deu na gente”?
_ Todos resolveram adivinhar os meus pensamentos hoje..._ Respondi emburrada e foi a vez dela rir.
_ Não estamos adivinhando nada, Bella... Acontece que você é muito transparente. Ficou a noite inteira lançando olhares para o meu irmão, ao invés de mandar tudo para o inferno e agarrá-lo.
_ Mesmo mandando tudo para o inferno como você sugeriu, eu não poderia agarrá-lo na frente de todos, Alice.
_ E por que não? Você e Edward estão há tanto tempo sem desfrutar desse amor lindo, que não seria nada inadequado ficarem agarrados... Bella, perdoe a estupidez do meu irmão... Eu sei que ele é burro, às vezes, mas pelo amor de Deus, mulher... Esse homem chorou um mês por você... O mínimo que ele merece é a chance de se explicar...
_ Essa chance ele terá, Alice..._ Eu falei emburrada, me odiando por sentir um aperto no peito ao imaginar o sofrimento do capitão e Alice sorriu, satisfeita.
_ Ufa! Então, tudo ficará bem... No fim da noite, o mais tardar, vocês já estarão rolando nus pelos lençóis..._ Ela falou sorrindo largamente, piscando em minha direção e mais uma vez eu senti meu rosto esquentar de vergonha.
O que tinha de errado com essa família, hoje?
Alice já era a terceira pessoa a fazer menção sobre minha vida íntima e isso não era nem um pouco confortável.
_ Não adianta ficar vermelha, cunhadinha... Agora eu sei perfeitamente o que se passa entre um casal e entendo muito bem o fato de você e Edward gostarem tanto desse aspecto do casamento... Tenho que lhe confessar que eu também adoro!_ Alice afirmou e eu olhei ao redor amedrontada, com medo que alguém estivesse ouvindo o que aquela nanica maluca falara.
_ Quer parar com isso!_ Falei brava e ela riu.
_ Por quê? Não falei nenhuma mentira e você sabe disso... Ou vai me dizer que você odeia as noites que passa ao lado do meu irmão?
_ Eu não disse isso... Apenas acho que uma sala cheia de gente não é o lugar para falar sobre um assunto como esse.
_ Não sei por que tanto pudor, se no fim, todos acabam fazendo a mesma coisa e adorando cada segundo... Mas, tudo bem... Só espero que você converse sobre isso com o meu irmão e esqueça de vez essa briga boba... Não podemos desperdiçar momentos preciosos ao lado dos nossos homens, pois tem um monte de aproveitadoras por aí que adoraria roubá-los de nós._ Alice falou e eu fechei a cara, olhando atentamente para Edward.
Ninguém o tiraria de mim.
Ele era meu e permaneceria ao meu lado para sempre, nem que para isso eu tivesse que trancá-lo em casa, longe dos olhos de todas as mulheres que o cobiçavam.
Eu ainda estava chateada com o seu comportamento, mas nós conversaríamos e acabaríamos nos entendendo, afinal, nosso amor era maior do que qualquer problema que pudesse aparecer.
Aos poucos, todos foram se despedindo e logo estávamos apenas eu, Edward, nossos filhos e meus pais.
_ Bem... Eu vou me recolher, pois essas crianças acabaram comigo hoje..._ Charlie falou e eu fui obrigada a sorrir, ao me lembrar dele sentado no chão com Sophie, Claire, Joshua e Kimberlly sobre suas costas.
_ Você está acostumando essas crianças muito mal, Charlie..._ Beatrice resmungou e Charlie a encarou ofendido.
_ São crianças, Bea... Não devemos reprimir o encanto da infância...
_ Então não reclame..._ Minha mãe pontuou e Charlie bufou, arrancando sorrisos de mim e de Edward.
Quando nossos olhares se encontraram, ele ficou sério e eu senti um aperto no peito ao me dar conta que já fazia horas que eu não via o seu sorriso lindo e único sendo dirigido a mim.
Eu adorava o seu sorriso torto e a forma como os seus olhos se fechava quando ele ria, e o fato de precisar tanto do seu sorriso me fez perdoá-lo antes mesmo de nossa conversa.
Carlisle tinha razão...
Tudo o que ele fizera fora por amor a mim e esse fato o absolvia de qualquer culpa.
Despedimo-nos dos nossos pais e juntos fomos colocar nossos filhos na cama.
Kimberlly e Joshua já estavam adormecidos, mas tivemos que trocá-los, pois estavam sujos da bagunça que fizeram no jantar.
Sophie também já estava praticamente desmaiada e tudo o que tivemos que fazer foi cobri-la, pois nem o nosso beijo de boa noite seu sono a deixou apreciar.
Depois, fomos para o quarto em silêncio e Edward seguiu diretamente para o banheiro.
Eu me sentia nervosa como na primeira vez em que estivemos juntos como marido e mulher, e isso era simplesmente ridículo.
Aquele homem era o meu capitão e mesmo que nossa relação não estivesse em seu melhor momento, não havia motivos para eu me sentir nervosa em sua presença.
Vesti minha camisola e me sentei na beirada da cama, esperando a volta de Edward que ainda estava no banheiro.
Quando ele saiu do banheiro, eu fui até lá para fazer a minha higiene e voltei rapidamente, pois queria terminar com essa situação estranha.
Edward estava de pé em frente a janela e eu respirei fundo, indo até ele e tocando seu ombro de leve.
_ Edward... Eu...
_ Não fala nada, Bella... Eu sei que minha conduta não foi adequada, mas eu quero lhe dizer que tudo o que eu fiz foi por que eu amo você... Eu queria apenas que você tivesse o amor dos seus pais e fosse feliz ao lado deles, pois eu sabia que isso era importante pra você... Eu lamento por ter lhe deixado chateada, mas eu quase fiquei louco quando você foi ferida... Eu não estava pensando direito naquele momento e a ajuda deles com as crianças veio em boa hora. Além do mais, eles me apoiavam e estavam comigo quando eu não tinha mais esperanças de tê-la ao meu lado outra vez... Eu...
_ Shii..._ Eu sussurrei, pousando um dedo sobre seus lábios, calando-o. Edward falava de um jeito atormentado e eu precisava tirá-lo desse sofrimento._ Não precisa se desculpar... Eu fui uma boba por ficar brava com você... Eu sei que tudo o que fez foi por amor... Você me conhece como ninguém, Edward e sim... Sim, eu preciso dos meus pais, mesmo que ainda não consiga confiar plenamente neles e eu agradeço por você me conhecer tão bem e ter percebido isso. Eu te amo, Edward... Muito. E não quero brigar pelo simples fato de você querer a minha felicidade._ Eu declarei e ele sorriu largamente, me abraçando com força.
O corte na minha barriga doeu um pouco, mas eu ignorei, pois qualquer dor valia o preço do seu abraço.
_ Você é tão linda e tão especial que eu não acho justo que fique com um cara tão cheio de defeitos como eu, que toma decisões sem pedir sua opinião..._ Edward falou e eu ri, beijando seu rosto.
_ Eu é que não mereço você, meu amor... Eu fui infantil, Edward e peço que você me perdoe pelo meu comportamento vergonhoso.
_ Eu não tenho que perdoar você por nada, minha menina... Eu entendo sua conduta. Você se sente insegura com relação aos seus pais e isso é perfeitamente normal depois do que você viveu. Mas, eu lhe garanto que eles lhe amam e que estarão ao seu lado a partir de hoje... Eu convivi com eles e sei o quanto sofreram para se libertarem das maldades de Renée... Mas, agora está tudo bem e você vai poder desfrutar de todo amor e carinho que eles têm guardado pra você..._ Edward afirmou e eu sorri, me inclinando e beijando seus lábios.
_ Eles estão juntos?_ Eu perguntei e ele assentiu._ Juntos, juntos?
_ O que quer dizer juntos, juntos?_ Ele perguntou e eu corei, fazendo-o gargalhar ao entender minha pergunta.
Pensar nos meus pais dessa forma era muito estranho, mesmo que isso fosse normal, dadas as circunstâncias.
_ Juntos, juntos, amor... E eles se dão muito bem, embora sua mãe viva dando brocas em Charlie, que me parece ser bem rabugento._ Ele falou e eu sorri._ Fico satisfeito que Sophie tenha convencido-a a ouvi-los. Charlie e Beatrice merecem essa chance para provar que tudo o que aconteceu até hoje em suas vidas fora apenas obstáculos para que vocês chegassem à verdadeira felicidade. Juntos, como toda família deve ser._ Edward completou e eu sorri, imaginando se existia no mundo um marido mais perfeito e lindo como o meu.
Certamente não.
_ Vou deixá-los demonstrar esse amor e espero ser muito feliz ao lado deles como você e todos afirmam que eu serei. Mas, agora eu quero matar as saudades que eu sinto de você, pois mesmo desacordada, eu senti sua falta todos os dias._ Eu declarei e ele riu, me pegando no colo e me levando até a cama.
_ Sua ideia é maravilhosa, pois eu também estou morrendo de saudades de você..._ Ele falou me beijando e eu gemi, explorando cada canto da sua boca e deixando transparecer todo o amor, saudade e desejo que eu sentia por ele naquele momento._ Nunca mais ouse me deixar sozinho. Nunca mais me faça passar pelo tormento de quase lhe perder, pois eu não suportaria..._ Ele declarou e eu sorri entre lágrimas.
_ Eu não vou deixá-lo... Jamais. Tenho a impressão que nosso amor vai ser eterno...
_ Acho que ele irá além da eternidade..._ Ele falou sorrindo e me beijou com delicadeza, demonstrando com os lábios todo o amor que ele sentia.
Aos poucos, ele foi retirando minha roupa e as suas e logo rolávamos nus pela cama, como Alice previra.
Eu havia perdido um bebê há pouco tempo, mas imaginava que não deveria haver problema em fazer amor com Edward, já que eu me sentia perfeitamente bem para isso.
Mais do que bem, na verdade.
Suas mãos e seus lábios estavam deixando meu corpo em chamas e eu não via a hora de me unir a ele da forma mais perfeita que eu conhecia.
Quando ele me penetrou, eu vi estrelas e mesmo sentindo certo desconforto, não permiti que ele parasse.
O que acontecia ali era lindo, pois estava muito além da união de dois corpos.
Tratava-se da união de duas almas que sofreram muito, mais finalmente encontraram o seu lugar, uma ao lado da outra, se completando de uma forma única e perfeita.
Nossos corpos se moviam em sincronia e nossos gemidos e suspiros compunham uma sinfonia maravilhosa, que era, certamente, abençoada nos céus.
Quando finalmente chegamos ao clímax, eu me agarrei a ele, esperando que minha respiração voltasse ao normal e a batida dos nossos corações fosse controlada.
E ali, em seus braços, eu soube que não existia nada mais perfeito do que o nosso amor.
Não importavam os seus pequenos erros, pois os seus grandes acertos superavam qualquer eventual falha.
_ Eu te amo, minha menina... Eu te amo para sempre..._ Ele falou e eu sorri, encarando-o atentamente e tentando lhe transmitir com o olhar a imensidão do amor que eu também sentia por ele.
_ Eu também te amo, capitão... Eu te amo para sempre e muito além disso..._ Eu falei, repetindo sua declaração e ele sorriu, beijando meus lábios e nos acomodando para que pudéssemos dormir.
E era assim que eu gostava de terminar o meu dia: aconchegada em seus braços depois de uma noite de amor, tendo superado nossas diferenças e declarado os nossos sentimentos puros e sinceros.
E era assim que seria para sempre, se dependesse de mim e de todo o amor que eu sentia por ele.


Espero que tenham gostado do que escrevi, pois tenho que confessar que esse capítulo deu muito trabalho.
Eu queria que, de alguma forma, vocês entendessem a raiva da Bella e seus motivos e a forma como tudo se encaminhou para que ela realmente perdoasse seu capitão e aceitasse os pais em sua vida.

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