FANFIC INDIANÁPOLIS, CAPITULO 34

Indianápolis - O Preço De Uma Paixão

INDIANÁPOLIS - O PREÇO DE UMA PAIXÃO

Diana Artemis

Classificação: +18
Categorias: Saga Crepúsculo 
Gêneros: Hentai, Romance






Transtornada
POV Isabella
Fazia calor... E ao mesmo tempo, frio.
As luzes da cidade já iam se apagando gradativamente, os sons diminuíam e a movimentação daquela área já mudava. O ritmo acelerado e estressado dos trabalhadores já cedia o lugar para a empolgação e divertimento dos baladeiros.
Senti um leve soprar da brisa da noite balançar meus cabelos e aproveitei para deixá-la secar minhas lágrimas.
Desencostei da grande sacada do San Martin Hospital e sentei-me novamente na confortável poltrona do cômodo luxuoso reservado para a família, que era anexo a UTI. Um luxo que poucos hospitais no país ofereciam e, obviamente, para poucas pessoas.
Há três dias... Há três malditos dias eu estava aqui, velando e rezando todas as preces conhecidas para que meu noivo ficasse bem.
Alice, Jasper, Emmett e Rosálie voltaram ontem para Indianápolis, por causa da faculdade e do trabalho. Carlisle e Esme permaneceram, e no momento, haviam ido até o hotel para tomarem banho e descansarem um pouco. Eu, obviamente, tinha que resolver alguns problemas da empresa à distância, entretanto, era apenas o necessário. Meu foco principal agora era a melhora de Edward.
Entrei novamente na sala de UTI e encostei ao lado de seu leito.
Não foi fácil conseguir permissão para entrar aqui no momento em que eu quisesse, ter livre acesso, mas com um pouco mais de dinheiro que a grande massa, se consegue tudo nesse país.
Toquei a mão gelada de Edward e senti meu coração se apertar. Ele não era gelado, ele era quente, sempre foi quente, cheio de vida, sorrindo para tudo e todos.
– Meu amor... Acorda... Por mim. – lentamente, eu me abaixei e beijei de leve sua testa, fazendo malabarismo para não esbarrar nos aparelhos respiratórios. – Por favor, Edward... Acorda pra mim, por favor. – solucei dando vazão às lágrimas que pareciam que nunca acabariam. – Amor... Por favor, lute pra viver. Lute por mim, eu não sei viver sem você. – depositei outro beijo em sua testa. – Amor, se você acordar, eu juro que caso com você na igreja, com festa e vestido de noiva, com tudo que você sonha, eu juro que te dou um monte de filhinhos loirinhos... Eu juro que eu vou dizer que te amo todos os dias... E-eu tiro férias de um ano, pra gente poder viajar e curtimos só nós dois... Mas por favor, acorda, meu amor. – implorei desesperada.
Tentando conter o choro, eu me afastei do leito e me encostei à parede.
Doía... Doía demais ver Edward, o melhor lado da minha vida, deitado imóvel naquela cama. E tudo por minha culpa. Eu o coloquei na NASCAR pra poder apresentá-lo como meu noivo, afinal, eu não poderia apresentar um motorista particular, um chofer, como futuro marido. Lógico que eu também visualizava uma melhora de vida pra ele, uma profissão que eu percebi que ele tinha talento e que poderia elevar sua autoestima. Contudo, isso não me isentava da culpa. Eu o coloquei lá... Naquele carro, naquelas corridas... Naquela vida. E a pessoa que sabotou seu carro fez isso pra me atingir, onde mais doeria... E o desgraçado conseguiu.
Senti a ira me dominar... Nessas horas, a fúria e a gana por vingança mascaravam tudo que há de bom em mim e me transformavam numa pessoa que eu não desejaria ter como inimiga.
– Todos vão pagar, amor... Quem te machucou vai pagar muito caro por isso. – eu jurei, olhando para o corpo imóvel do homem que eu amo. Sim, eu o amo... Muito. E lamento que tenha sido preciso eu ter medo de perdê-lo pra poder me libertar de vez das amarras que meu pai teceu em torno de mim sem que eu percebesse.
Saí da sala de UTI e encostei novamente na grande janela do cômodo anexo.
No momento que vi o carro de Edward bater naquela grade, capotar e ser atingido por dois carros, eu só conseguia gritar com o horror da cena. Minha mãe chorava desesperadamente e Carlisle tentava controlar os ânimos de todos, apesar da dor e desespero estarem estampados em seus olhos.
Não sei quem me levou para o meu quarto, eu não enxergava, não sentia... Apenas gritava desesperadamente. Era como se uma faca estivesse atravessando lentamente meu coração, da forma que mais doía.
Não sei precisar quanto tempo fiquei naquele estado catatônico, mas quando dei por mim, as lágrimas já deixavam de ser apenas de dor e se tornavam de fúria. Liguei para Rodrick e o mandei até o aeroporto, onde eu liguei segundos depois para solicitar um jatinho particular para Houston. Ele e sua equipe não poderiam ir junto com minha família, no jato da Swan Spa.
Ordenei que ele se antecipasse e averiguasse todo o antecedente do acidente. A perícia seria acompanhada por ele e foi com satisfação que recebi a notícia que o chefe da perícia era um velho amigo de Rodrick, isso facilitaria.
Mandei uma empregada fazer minhas malas e partimos diretamente para Houston, Texas.
O ódio borbulhou em minhas veias quando Rodrick levantou a informação por baixo dos panos de que as pastilhas de freio do carro foram trocadas por pastilhas gastas e danificadas e a homocinética foi trocada por uma que estava rachada, para poder quebrar facilmente.
Johnson Carter teria muito a me explicar.
Agora eu não ficaria aguardando os passos do meu inimigo, eu iria à caça, e não me importava se eu erraria o alvo, um por um que estivesse em meu caminho, cairia.
– Filha, nós chegamos. Vá para o hotel descansar um pouco. – fui surpreendida por minha mãe que chegou silenciosamente com Carlisle.
– Eu estava distraída, não escutei a porta abrindo. – dei de ombros. Andei até a porta de vidro e olhei o corpo de Edward sobre a cama. Imóvel, gelado e sem brilho... A única coisa que nos garantia que ele estava vivo, era o bip incessante dos aparelhos.
Eu não o merecia. Ele sempre fez tudo por mim, me amou quando eu era uma estúpida com ele e com todos. Ele me encheu de carinho quando a única coisa que eu dava pra ele era sexo e palavras rudes.
E em troca, o que ele recebeu? Um acidente gravíssimo provocado por uma pessoa que me odeia e que conseguiu atingi-lo antes que eu a pegasse.
Eu o amo! Amo demais, mas não posso trazer mais perigo pra vida dele. E a cada segundo que eu ficava aqui perto dele, sem fazer nada, eu atraía todas as miras pra cá.
– Eu vou voltar pra Indianápolis. – declarei friamente, entretanto, por dentro eu estava despedaçando só em imaginar ficar longe dele.
– Filha... – eu interrompi minha mãe.
– Eu não posso te explicar tudo agora, mamãe, mas esse acidente não foi por acaso. E eu vou pegar quem fez isso. – me virei e encarei ela e Carlisle. – Mexeram onde mais dói... Na minha família. Agora eu vou correr atrás do meu prejuízo. E a senhora pode não ter orgulho das minhas futuras ações, mas eu juro que ninguém os machucará.
Minha mãe e Carlisle me olhavam com um misto de dúvida e surpresa. Olhei novamente pela porta de vidro e não tive coragem de entrar pra me despedir.
– Eu te amo, Edward... Me perdoe por não ter te protegido... – respirei fundo. – Se eu estou te deixando agora é porque quero resolver todos os problemas pra poder voltar correndo pra você... Se você ainda me quiser depois de tudo. – sussurrei e saí de lá antes que eu desabasse na frente deles.
[...]
Eu estava operando no modo automático. Mais fria que a camada polar e borbulhando de fúria internamente como um vulcão prestes a entrar em erupção.
Retornei ao trabalho e às investigações com Rodrick.
– Como assim você achou os mecânicos que sabotaram o carro de Edward e eles não querem abrir a boca? – bati na mesa com fúria.
– Senhorita Swan, nós já os torturamos, ameaçamos matá-los, mas me parece que a grana que receberam foi alta, e provavelmente tenha algo mais que os esteja amarrando à pessoa que encomendou a sabotagem. – Rodrick explicou calmamente.
Ele estava em meu escritório. Eu não ligava mais para discrição, eu queria mesmo é que todos soubessem que eu estava à caça do meu inimigo oculto e Deus tenha pena da alma dele quando eu o encontrasse, porque eu não teria.
– Me leve até onde eles estão. – ordenei e percebi Rodrick arregalar os olhos.
Caminhei até o cofre que ficava atrás de um quadro renascentista em minha sala, o abri e retirei de lá minha Desert Eagle* e a enfiei na bolsa.
* Arma de calibre poderoso, não se encaixa na categoria pistola e sim na categoria revólver pelo seu peso (2 quilos) e por ter 100% de precisão até uma distância de 300 metros. Revólver caro. Conhecida no mercado ilegal como Magnum 44, pois esse é o nome da munição mais usada nessa arma.
– Não foi à toa que aprendi a atirar. – declarei com voz cortante. – Vamos Rodrick, me leve até esses mecânicos filhos da puta.
Saímos de minha sala e eu anunciei à Jéssica:
– Cancele todos os compromissos, estou saindo agora e não retornei mais hoje. – ela assentiu rapidamente.
– Senhorita Swan, e o seu noivo, já melhorou? – a ira explodiu em mim quando escutei seu falso tom delicado e sincero. Vagabunda, estava fazendo jogo duplo, eu tinha certeza, e estava provavelmente querendo levantar informações sobre o estado de Edward.
Me aproximei lentamente de sua mesa e pela sua cara de espanto, meu semblante não estava exatamente angelical.
– Agradeça a Deus por eu estar sem tempo para insetos como você. Apenas por isso eu ainda não te fiz saber do que Isabella Swan é capaz. Eu sei que você está fazendo jogo duplo, sua vadia, e não pense que tem conseguido informações valiosas sobre mim, eu já venho te observando e já te bloqueei de qualquer acesso a documentos que possam me prejudicar. – ela me olhava assustada, os olhos arregalados e rasos d’água. – Se eu fosse você, sumiria antes que eu ficasse livre pra lhe dar o que você merece.
Virei as costas e entrei no elevador que já me esperava aberto.
– Ela é um simples peão nesse jogo, nos liga a mais de um nome e esse é o da questão. – Rodrick declarou em seu modo contido quando estávamos chegando à garagem.
– Nomes. – pedi enquanto ele destravava o alarme do carro e abria a porta pra mim. Eu não poderia ir com o meu motorista, um senhor calmo e pacífico, para o local onde os mecânicos estavam mantidos presos.
– James Durak, Aro Volturi, Mike Newton e Victória Holand. – ele disse quando já dava a partida no carro.
– Ou isso é coincidência demais, ou todos eles estão ligados de alguma forma. – deduzi. – Quero que mande dois homens segui-la hoje, assim que ela sair do trabalho, e quando estiver num caminho mais calmo pra casa, a peguem. Vamos ver que informações ela pode nos dar.
POV Rosálie
Ainda estávamos muito abalados pelo acidente de Edward. Entretanto, tínhamos que continuar trabalhando. O único alívio que tínhamos era que o médico garantiu que ele estava relativamente bem, apesar de estar em coma induzido, ele quebrou apenas uma costela, fraturou o fêmur e teve um leve traumatismo. Ele iria sair dessa, o médico afirmou, só não podia nos dizer quando. Isso dependeria da luta dele por viver.
Em mais um início de tarde em que eu acabava de falar com Esme pelo telefone, eu continuava preocupada com Isabella.
Ela estava transtornada de raiva e tinha sede de vingança. Eu a entendia em partes, depois que ela desabafou comigo, chorando desesperadamente abraçada à mim, que ela vinha sofrendo ameaças há um tempo e que havia sido sua culpa o acidente de Edward, eu a compreendi melhor.
O certo, numa situação dessas, era contatar a polícia, mas eu conheço esse meio fácil de ser comprado, e eu sabia que as atitudes que ela estava tomando, eram as mais eficientes para a situação.
Liguei para sua secretária, pedindo pra falar com Isabella, no meio da chamada, Jéssica ficou muda e só o que eu pude escutar foi Isabella informando que sairia, Jéssica perguntou como estava Edward e minha amiga explodiu em palavras furiosas, ameaçando Jéssica.
Quando percebi que ela havia saído, desliguei o telefone e imediatamente, peguei as escadas de emergência e subi até o último andar.
Abri a porta corta-fogo e antes de dobrar a esquina do corredor que daria em frente à recepção, que era onde ficava a mesa de Jéssica, pude escutá-la desesperada ao telefone.
– Você tem que me ajudar. Ela vai me matar, eu sei que vai. Eu tenho que sumir e o dinheiro que você me deu acabou. – ela escutou o que a outra pessoa disse. – Meu Deus, eu não sabia que você iria tentar matá-lo. Eu pensei que era só uma vingança de negócios. Eu preciso sair daqui, mas eu gastei o dinheiro que você me deu antes. Eu comprei móveis novos, troquei de carro. Eu estou exigindo mais dinheiro! – ela gritou desesperada. – Você não a viu, ela vai me matar, eu sei disso. Ela sabe que eu fui informante. – abri rapidamente meu celular e iniciei a filmagem. Só rezava para que o áudio conseguisse capturar de forma clara. – Tá ta, às oito da noite, hoje, no café Smarckok, como sempre. Ok, leve o meu dinheiro, pretendo sair de Indianápolis ainda hoje.
Ela desligou o telefone celular e caminhou desesperada de um lado para o outro. Jogou o celular em cima da mesa e se encaminhou para o banheiro.
Desliguei a minha filmagem e corri até a mesa dela. Deus me ajudasse que eu não fosse pega, mas minha chance era essa.
Peguei o celular e o abri rapidamente verificando as últimas ligações e anotei os últimos cinco números chamados. Arranquei a bateria e peguei o cartão de memória, coloquei a bateria no lugar e o liguei. Escutei a porta do banheiro se abrindo e corri novamente para o corredor que dava nas escadas de incêndio.
Cheguei em minha sala e me permiti respirar novamente.
Olhei em meu celular os números que eu havia visto no telefone de Jéssica. Eu tinha certeza que isso seria de grande ajuda.
POV Isabella
– Afoga de novo. – ordenei que um dos meus seguranças afundasse a cabeça de um dos mecânicos na água. O outro havia desmaiado de dor pela tortura, e o desgraçado não falava nada. Ele se debateu por uns momentos e quando as bolhas de ar se espalhavam na superfície do barril de água, eu acenei para que o segurança levantasse a cabeça dele. – Me fala quem te contratou. – pedi calma.
– Ninguém, foi um erro da equipe, nós trabalhamos há mais de cinco anos lá. – era visível em sua cara que ele mentia.
– Eu sei que você trabalha lá há mais de cinco anos, e sei também que tanto você quanto amocinha que está desmaiada ao seu lado, têm o rabo preso. – joguei a isca, Rodrick ainda não havia conseguido encontrar muita coisa sobre eles. – E o que eu sei é que, se você não falar, vocês não vão morrer, talvez eu possa te dar alguns tiros na perna e te deixar paraplégico, mas definitivamente, não vou te matar. – vi a sombra de um sorriso em seu rosto. – Entretanto, minha equipe de seguranças localizará sua família e talvez eu os permita brincar de acerte o alvo com eles, o que me diz? – eu blefei, obviamente, não mataria as famílias dos desgraçados, apesar de terem machucado a minha. Porém, a ira em meu semblante era tão evidente que percebi os olhos do homem se arregalar.
– Não, meu irmão... – ele parou abruptamente, segurando a respiração. – Meu irmão é cego... Eu não tinha dinheiro para bancar a cirurgia que poderia lhe fazer enxergar... – o interrompi.
– Poupe-me da triste história do irmão coitadinho. Me diga apenas quem te contratou e eu irei te soltar. Prometo não caçar sua família. Se não me disser nada, o seu pobre irmão poderá até ver a luz do dia, mas será por pouco tempo. – ele engoliu em seco, o terror tomando seu semblante.
– James... James Durak. Ele veio até nós há mais de um mês e disse que precisaria de um favor... Ele disse que Edward fez uma coisa muito ruim pra ele e por isso ele queria vingança. Nós concordamos diante da grana que ele ofereceu. Edward também não é bem-vindo entre os membros da equipe. É apenas o queridinho dos diretores. – ele zombou e eu atirei ao lado de sua perna, para que passasse perto e o assustasse. – Não atira, porra! Eu to falando. – gritou desesperado.
– Continue e sem deboche. – mandei.
– Nós aceitamos e ele disse que na hora certa entraria em contato. Ele falou conosco no dia em que chegamos no Texas, e que era pra fazermos isso na madrugada de sexta pra sábado, quando geralmente testamos o carro na pista depois de encher o tanque, os pilotos não participam desse teste por já terem feito o treino oficial. – ele tomou fôlego. – Nós fizemos a troca das peças e o resto você já sabe.
– Sim, eu sei. – olhei para Rodrick que mantinha sua capa fria, mas eu via a fúria e indignação em seus olhos. – O que sugere? – perguntei para ele.
– São cobras traiçoeiras. – ele analisou. – Eu já providenciei a história que virá à tona. Bebedeira, drogas e acidente de carro. São insetos, e quando a polícia averiguar a droga no sangue deles, não mexerá mais no caso, dará por encerrado. Vamos matá-los. – ele disse firme e eu concordei.
– Faça da melhor maneira. – pedi e saí daquele galpão, para respirar um pouco de ar puro.
Rodrick demorou mais alguns minutos antes de me chamar para irmos embora. Ele já havia deixado tudo preparado e os outros seguranças da equipe montariam a cena do “acidente”.
Dentro do carro, guardei meu revólver e peguei meu celular, que estava desligado.
– Não me sinto bem sendo responsável pela morte de duas pessoas. São vermes, entretanto, ainda assim são pessoas. – confessei com a cabeça encostada ao vidro.
– Senhorita Swan... – Rodrick começou com sua voz grossa.
– Isabella... Você me conhece desde criança... Pode me chamar de Isabella. – concedi.
– Te vi crescer, menina Isabella, e vi a mulher de fibra que se tornou. Não se sinta mal com isso. É ruim, eu admito. Pra mim não é muita coisa, em visto de quando eu estava no combate no Oriente Médio. Mas pense que eles quase mataram seu noivo, de forma proposital, por dinheiro. Quase acabariam com a vida de um homem que nunca fez nada de mal a eles, destruiriam uma família inteira, apenas pelo dinheiro. – fiquei um tempo digerindo suas palavras.
– Obrigada, Rodrick. Obrigada por sempre estar aqui por mim. – agradeci humildemente. – Eu estou tão perdida com isso tudo que está acontecendo. Pensei que poderia ser os Pirelli, pela minha jogada tirando o contrato deles. Aliás, contrato que eles roubaram de mim, e eu apenas o retomei. Mas não, eles pegaram um bom contrato com a McLaren. Então eu não consigo imaginar qual seria o motivo pra essa pessoa estar fazendo isso comigo, e principalmente, com minha família, pessoas de bem, que nunca fariam mal a qualquer pessoa. – deixei escapar a lágrima que eu estava tentando conter. – Eu estou assustada, com raiva, triste e desesperada ao mesmo tempo. Meu noivo está em coma por minha culpa e eu nem posso ficar ao lado dele, pois tenho que resolver isso logo, antes que essa pessoa resolva atacar novamente e faça algo pior.
– Nós vamos resolver isso, menina. Eu juro, você não irá perder ninguém. – assenti, confiando no homem que me viu crescer, que está à minha disposição em todos os momentos. Se eu fosse mais sentimental, poderia dizer que ele era como um segundo pai.
Meu celular apitou com uma mensagem avisando todas as chamadas que foram feitas para o meu número no tempo em que esteve desligado.
Rosálie havia me ligado, minha mãe, Jasper e o número da recepção do meu escritório. Jéssica me ligaria para quê?
Nem deu tempo de pensar muito, meu celular tocou novamente.
– Sim, Rosálie. – atendi prontamente.
– Isabella, acho bom você retornar pro prédio. Estamos com problemas. – ela disse nervosa.
– O que houve? – meu coração já saltava tenso em meu peito.
– Jéssica foi encontrada morta. – Deixei meu celular cair de minha mão e agarrei meus cabelos.Mais essa agora!
Assim que cheguei ao último andar, já haviam policiais por toda parte, profissionais peritos que Rodrick logo foi tratar de conversar, acho que eram conhecidos dele, menos mal.
Passei pelo isolamento da fita zebrada e olhei o corpo de Jéssica que ainda não havia sido coberto pela lona preta.
Ela tinha duas manchas de sangue no corpo. Uma na barriga e outra na altura dos seios. Dois tiros certeiros. Ela estava com a bolsa enrolada no braço, e essa estava aberta ao seu lado no chão. Batons, molho de chaves, carteira, prendedores de cabelo, uma foto antiga de duas garotas com uniforme de escola pública. Uma mais baixa, gordinha e loira e a outra um pouquinho mais alta, magra e cabelo ruivo. Jéssica e alguma prima talvez? O que me surpreendeu foi o que estava perto de sua outra mão, provavelmente ela segurava na hora do crime. Uma revista com Edward na capa. As fotos que ele fez no parque do centro da cidade, a tal matéria de várias páginas que ele disse que teria que fazer.
Matéria essa que a repórter ruiva, Victória Holand, fez. Seria essa Victória a garota ruiva na foto? Mas o que isso significava? Ela era apenas uma repórter que eu nunca havia visto antes em minha vida.
– Senhorita Swan, solicitei que a central de segurança do prédio nos forneça uma cópia dos arquivos de vídeo do dia. – o capitão da polícia veio falar comigo.
– Sim... Sim, faça isso. – respondi ainda aérea, tentando juntar as peças.
– Ér... Porém, infelizmente, temos um problema. – ele ganhou minha atenção. – As filmagens vão até o momento em que a senhorita discute com a vítima e só voltam meia hora depois, quando ela já está agonizando no chão. Infelizmente, quando os seguranças captaram a imagem, já era tarde demais. Quando chegaram aqui, ela já estava em óbito.
– Se estou entendendo bem, eu sou uma suspeita? – perguntei já com os ombros caídos.
– Evidentemente, a senhorita tem um álibi. – sim, eu tinha. Eu diria que estava em um galpão abandonado torturando os dois mecânicos que quase mataram meu noivo, e que depois de conseguir a informação, eu havia encomendado a morte deles!
– Claro que sim, se for reparado nas filmagens, eu a aviso que estou saindo momentos antes de ter uma breve discussão com ela. – eu disse firme.
– Breve discussão e uma ameaça também, senhorita Swan. – ele insinuou.
– Está tentando me dizer algo, capitão? – o olhei desafiadoramente.
– Obviamente, não senhorita Swan. Apenas informando os fatos. – ele se esquivou.
– Muito bem, já informou. – o cortei e andei até Rodrick, que já havia saído de perto dos peritos e conversava com Rosálie.
– Existem pessoas que trabalham para o seu inimigo, infiltradas aqui. – Rodrick declarou. – Já providenciei apuração do caso, mas tenho quase certeza que o sistema de segurança foi invadido, por isso os seguranças não perceberam. Provavelmente jogaram uma imagem congelada da recepção vazia e depois voltaram com a imagem em tempo real. Isso é clichê, porém sempre funciona. O cara que fez isso é bom com computadores. – ele ponderou. – Mas eu conheço os melhores.
– Eu confio em você. – declarei.
– E como eu estava falando pra ele, eu consegui algumas informações. – Rosálie chamou minha atenção. – Depois eu te explico com calma, o resumo é que eu estava no telefone com Jéssica, iria pedir pra falar com você quando a discussão começou, eu escutei tudo e resolvi vir até aqui em cima. Quando cheguei, ela estava ao celular, desesperada dizendo que você ia matá-la e que ela queria dinheiro pra ir embora daqui. Ela disse que a pessoa não a havia informado que iria machucar ele, ou seja, Edward, e voltou a pedir dinheiro desesperadamente. Então, ela marcou com a pessoa, às 8, hoje, no café Smarckok, lugar de sempre, e desligou. Eu filmei pelo meu celular, mas você sabe que não poderemos anexar isso a um eventual processo que seja aberto nesse caso. – ela informou tudo de uma vez.
– Sim, mas a sua informação já é de grande ajuda. Obrigada, Rosálie. – agradeci sinceramente.
– E tem mais... – ela mexeu no celular e o passou para Rodrick, que sorriu. – Eu corri até a mesa dela e peguei os números das últimas cinco chamadas do celular dela, enquanto ela ia ao banheiro, e ainda peguei o cartão de memória. – ela mostrou a pequena pecinha em sua mão.
– Excelente precipitação, senhorita Hale. Isso será de muito ajuda. – Rodrick a parabenizou e guardou imediatamente o cartão de memória e salvou os números em seu celular. – Iremos rastrear todos, e assim que sairmos daqui, irei até meus contatos para verificarmos o que há nesse cartão de memória que possa nos ajudar.
Assim que todo o tumulto foi amenizado, o corpo de Jéssica foi retirado e Rosálie ficou à frente de toda a burocracia, por ser a responsável do setor jurídico da empresa.
No fim da noite, eu dispensei o motorista e pedi pra Rosálie me levar em casa. Emmett já havia ido pra lá ficar com Jasper e Alice, então ela dormiria lá também.
– Rosálie, peça pra Emmett parar de trabalhar. Não terei como manter a segurança dele também se continuar a ir até aquela oficina. E se mude pra mansão por uns tempos, por favor. – ela me olhou de forma carinhosa.
– Estamos com você nesse momento, minha amiga. E sim, vou conversar com Emmett, e se ele não aceitar, eu dou um jeito de enfiar isso goela abaixo nele. – ela piscou e eu sorri fraco ao entender que jeito seria esse. – E sim, vou me mudar pra mansão. Só não prometo que será por enquanto, sabe que sempre tive uma queda por aquela propriedade. Se eu me instalar lá, vai ser difícil me tirar. – ela brincou e conseguiu elevar um pouquinho meu humor. Ela era assim, sempre pronta pra me ajudar e querendo me ver bem.
– Obrigada por sempre estar comigo, Rosálie. Você é como uma irmã pra mim. – eu disse sincera e vi seus olhos brilharem.
Ao chegarmos em casa e explicar rapidamente a morte de Jéssica a Jasper, Alice e Emmett, obviamente escondendo os possíveis motivos, eu fui para o meu quarto e tomei um banho para tirar tudo de ruim que aconteceu hoje. Eu queria apagar esse dia, aliás, os últimos dias, da minha vida.
Me sequei e deitei na cama.
Liguei para minha mãe.
– Oi filha, Rose me ligou e explicou por alto sobre Jéssica. Que horror, você acha que pode ter sido alguma tentativa de estupro? – ela perguntou inocente.
– É mãe, talvez tenha sido. Vão averiguar ainda. – eu evadi. – Como ele está?
– Na mesma ainda. Nada mudou desde quando você saiu. – fiz careta tentando conter as lágrimas, mas foi em vão. – Não chore, minha filha. Não é culpa sua.
– É sim, mãe. Você não sabe, mas é. Eu fiz mal pra esse homem que só me amou. – ela respirou fundo e tentou mudar de assunto.
– Você viu a matéria dele que saiu na revista? Ele está tão lindo nas fotos, a entrevista é engraçada, ele falando da infância no campo. Ele fala sobre você também. Diz que é a mulher que ele sempre sonhou, a mulher da vida dele. – senti meu coração se apertar. Ele fazia questão de gritar para o mundo que amava, sempre fez. E eu? O que eu fiz por ele? Quase o matei! – Tá vendo como ele te ama? Não tem porque ficar achando que ele vai te culpar quando acordar.
– Ele pode não me culpar, mãe. Mas eu sei que a culpa é minha. Totalmente minha. – sequei as lágrimas com as costas da minha mão. – Mãe, eu vou aumentar a segurança aí no hospital, por motivo de paparazzi. – menti. – Então, por favor, me promete que você e Carlisle ficarão de olho em qualquer pessoa que entrar aí. Médicos, enfermeiras, quem quer que seja, se não for uma pessoa conhecida, não permita a entrada, e mesmo se for médicos conhecidos, fique acompanhando sempre. – pedi fervorosamente.
– Sim, minha filha. Pode deixar. Apesar de não acreditar que paparazzi possam chegar a esse extremo, eu prometo cuidar disso pra você. – respirei um pouco mais aliviada.
– Mãe?
– Sim, minha filha?
– Faça carinho na testa dele... Ele gosta. – pedi humildemente e tomei fôlego. – E... E... Hum... Diz... Diz que eu o amo... Por favor. – mordi meus dedos para evitar o soluço do choro.
– Pode deixar que eu faço carinho nele e vou dizer que você o ama. Eu acredito que ele pode escutar, já li sobre isso em alguns livros, e eu sei que a alma dele está aqui vendo todo o carinho que dedicamos a ele, o carinho que você dedicou quando estava aqui.
– Obrigada, mãe. Boa noite.
– Boa noite, querida. Tente descansar. – encerrei a ligação e deixei o choro me dominar.
Minha vida havia desabado e eu não sabia se conseguiria reergue-la.

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