Boa tarde gente! No capítulo de hoje
Edward e Bella farão uma viagem em família e alguém sumido reaparecerá para
trazer aborrecimentos.
Título: O Contrato
Autora(o): Jack Sampaio
Autora(o): Jack Sampaio
Contatos: @jacksampaio;
http://escritosdejacksampaio.blogspot.com/
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, drama
Censura: NC-18
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, drama
Censura: NC-18
O Contrato
By Jack Sampaio
Atenção:
Este conteúdo foi classificado
como impróprio
para menores de 18 anos.
"Estou ciente, quero
continuar!"
CAPÍTULO 33
Bella pov’s
Seu sorriso.
–Acha que esta gravata está
boa? – perguntou para mim naquela manhã de sexta. Eu o olhei.
–Você não precisa pedir minha
opinião. Sabe que fica bem de qualquer jeito.
Edward sorriu ante minha
resposta.
–Mas eu quero ouvir sua opinião
mesmo assim.
Sua voz.
–Eu amo você. – disse enquanto
tomávamos café. Eu o olhei por reflexo. – Diz que me ama? – pediu.
–Eu am.. v... – murmurei com a
boca cheia de bolo, incompreensível. Edward não se segurou e soltou uma gostosa
gargalhada.
Seu abraço...
Puxou-me para o círculo dos
seus braços deixando com que os papéis que eu segurava caíssem no chão.
–Edward! Aqui não! Este é um
local de trabalho! – protestei incapaz de me abaixar para pegar os papéis que
deixei cair.
Ele não exercia muita força. Eu
poderia e livrar facilmente dele, mas... Simplesmente não conseguia.
...E seu beijo.
Ignorando meus protestos Edward
puxou-me e me beijou. Eu não gostava desse tipo de comportamento nas
dependências da empresa, mas não poderia negar o desejo que pulsava em mim toda
vez que ele me tocava. Por isso eu correspondi timidamente ao beijo, apreciando
seus lábios, sua língua e seu calor.
Minha mente continuou a vagar
relembrando aqueles poucos dias que passaram desde que confessei a Edward meu
amor. Desde então nossa vida tem sido meio cor de rosa. Se antes Edward já era
carinhoso, agora estava carinhoso ao extremo. Eu também estava diferente por
que eu não conseguia ser indiferente a ele, não depois de Edward saber o que
sinto. Eu agia um pouco como a antiga Bella, mas não era ela. Estava tudo bem,
porém. Eu gostava dessa Bella mais comedida, que não se derretia por qualquer
coisa, ou pelo menos não procurava demonstrar. Tudo estava perfeito. Estava
mesmo? Tinha algo que martelava em minha cabeça. Edward nunca me disse
exatamente por que me tratou tão mal no passado. Das vezes em que eu perguntei,
ele se esquivou.
Por quê?
–Bella? – Edward me chamou. – Você
está aqui no seu quarto? – perguntou batendo em minha porta.
–Sim, eu estou aqui. – murmurei
olhando para minha imagem no espelho do meu quarto.
–Posso entrar? – pediu já abrindo
a porta. Não reclamei. – O que está fazendo?
Pude ouvir seus passos até mim.
Eu estava sentada em uma poltrona em frente ao espelho de corpo inteiro do meu
quarto. Em momento algum desviei meus olhos de minha própria imagem, nem mesmo
quando Edward postou-se atrás de mim, inclinou seu corpo e me abraçou por trás.
–E então? O que estava fazendo? –
Voltou a perguntar e seus olhos me sondavam.
–Só estava... Pensando. – só não
diria em que. Nós estávamos em um clima bom e se eu revelasse o que estava me
deixando pensativa, Edward perderia a alegria.
–Posso saber em que? Espero que
em mim. – encostou seu queixo em meu ombro e me olhou com diversão, com amor.
Sorri. Ele sempre conseguia me
desarmar.
–Espertinho. – falei tentando
soar severa; tudo brincadeira. Levantei-me da poltrona e fui capturada pelos
braços de Edward. Relaxei com o seu abraço e o abracei de volta. Quantos dias
haviam passado desde que eu disseque o amava? Foram poucos, uns cinco, mas para
mim parecia ser uma eternidade.
–Alice e Jasper estão nos
esperando no carro que nos levará ao aeroporto. Não podemos nos atrasar. Vamos.
– pegou minha mão e nos guiou para a saída. Magdalena e Eli não estavam no
apartamento, Edward lhes deu folga durante o tempo em que nós viajaríamos.
–Onde estão as malas? – perguntei
olhando para a sala enquanto passávamos por ela.
–Estão todas guardadas no carro.
– dizia enquanto entravamos no elevador.
Eu sempre me sentia incrível
quando Edward segurava a minha mão, mesmo que de forma despreocupada. E mesmo
com o curto, porém significativo, tempo em que estávamos juntos isso não mudou.
Subitamente Edward me puxou para os seus braços abraçando-me apertado.
–Por que tudo isso? – perguntei
após um tempo. Logo as portas do elevador se abririam.
–Alice vai querer ocupá-la com
compras e bobagens de mulheres durante esses três dias em que ficaremos na
praia. Não teremos muito tempo para nós dois.
Suas palavras me deixaram um
pouco desapontada.
–Sei. – disse sem saber o que
dizer além dessas palavras. Senti o hálito de Edward em meu ouvido e um
sussurro quase inaudível.
–É por isso que só ficaremos com
eles durante três dias. Após isso vamos viajar só nós dois para outro lugar.
–Você ainda não me disse o lugar.
Estou curiosa.
–Eu disse ontem. – Edward
afastou-se para me olhar parecendo surpreso por eu não saber.
–Quando? Não me lembro. – perguntei
verdadeiramente curiosa. Edward deu um sorriso sacana.
–Disse ontem enquanto nós
estávamos juntinhos no seu quarto. E nós estávamos fazendo... – ele parou
sugestivamente. Corei com a lembrança. Claro que eu me lembrava do que havia
acontecido ontem. E é por me lembrar de tudo, do modo como Edward me beijou e
me tocou que eu não me lembrava de mais nada.
–Agora sei por que eu não me lembro.
– murmurei afastando-me de Edward no momento em que as portas do elevador
abriram. Não larguei sua mão. Alice e Jasper estavam próximos ao carro de
aluguel, nos viram chegando.
–Até que em fim! Por que a
demora? Desse jeito vamos perder o avião e eu não quero ter que recorrer a minha
beleza para conseguir outro voo. Vamos! – falou animadamente entrando no carro
juntamente com Jasper. O carro de aluguel, com motorista e tudo, era grande o
suficiente para nós quatro, quase parecendo uma limusine. Edward me puxou para
dentro do carro e nós seguimos para o aeroporto em direção a ensolarada Miami.
...
Eu nunca havia entrado em um
avião, e na primeira classe então eu nunca sonhei em pisar. Alice havia
reservado uma poltrona ao meu lado, mas Edward, com a ajuda de Jasper,
conseguiu conduzi-la para outra poltrona. Ele sentou-se ao meu lado todo feliz.
–Alice foi se sentar ao lado de
Jasper. Não sei como ela conseguiu reservar uma poltrona ao seu lado, meu amor.
– Edward disse passando os braços ao meu redor, puxando-me para ele. Eu estava
com sono, havia acordado muito cedo, e já me aninhava em seus braços para um
cochilo.
–Ela disse que queria ficar
papeando. Não precisava tirá-la daqui. – murmurei.
–Alice já vai querer manipular
todo o seu tempo quando chegarmos a Miami. Não quero perder um tempo sequer. –
beijou minha testa. – Você está cansada, não é? Pode dormir. Eu a acordo quando
chegarmos. Acho até que dormirei um pouco com você.
Não sei se Edward dormiu de fato.
Eu me deixei levar pelo cansaço e conforto que Edward me proporcionava. Quando
eu despertei ainda estávamos dentro do avião e Edward me sacudia com suavidade.
–Bella, nós chegamos. Venha. – Edward
ofereceu sua mão e praticamente me içou para ficar de pé. Segui trôpega pelo
aeroporto, com ele sustentando meu peso. Havia anoitecido. Alice estava toda
serelepe, não parecia que as horas no avião a afetaram; Jasper parecia um pouco
cansado.
–Vamos para algum restaurante
comer. Depois podemos ir ao shopping e...
–Nem pensar Alice! Vá com Jasper
se quiser, mas Bella irá para o hotel dormir. – disse Edward num tom
autoritário. Eu estava sonolenta demais para analisar a discussão que se
iniciou: Alice querendo sair com todos juntos, e Edward querendo uma boa noite
de sono para mim.
Rapidamente fomos a um resort no litoral.
O lugar era lindo, apesar de eu estar cansada demais para notar muito além, e
foi Jasper que conseguiu o lugar. O proprietário do local era cliente de
Jasper. Iríamos cada um ficar em uma suíte presidencial que ficavam em um único
andar. Nossas malas foram levadas por funcionários e assim cada um seguiu seu
rumo. Amanhã seria nosso primeiro dia em Miami, muito a fazer.
–Você está exausta. É melhor ir
direto para a cama, ou quer comer? Posso pedir algo para a recepção e...
–Eu quero apenas um bom banho.
Depois eu vou dormir. Se estiver com fome pode pedir algo para você. – sugeri
abrindo uma de minhas malas e pegando um pijama de algodão, assim como um
roupão e meu kit para higiene pessoal.
–Não estou com fome. Também estou
cansado, mas acho que vou tomar um banho. Posso tomar um banho com você?
Ok, nunca nós havíamos tomado
banho juntos. E eu nunca pensei seriamente no que faria quando o dia em que
Edward me pedisse chegasse. Eu o encarei com estranheza e Edward ergueu as
sobrancelhas como que dizendo “qual a sua resposta?”.
–Tá. – disse. A verdade é que eu
queria ter dito não, mas não consegui. Sem dizer mais nada eu fui para o
banheiro e acreditem, passei vários minutos olhando a suntuosidade do lugar
tentando compreender que aquilo, maior do que o meu quarto na cobertura de
Edward, era um banheiro.
Deixei meus pertences em cima da
bancada de mármore negro, prendi meus cabelos não querendo molhá-los e fui me
despindo deixando minhas roupas e acessórios em cima de uma cadeira. Nua, segui
para o chuveiro notando que no Box de vidro temperado havia dois chuveiros.
Liguei um chuveiro e entrei nele escolhendo uma água na temperatura ambiente ao
invés de morna.
Quando eu terminava de passar
sabonete liquido em meu corpo, Edward entrou. Meu corpo ficou tenso e tentei
fingir que estava despreocupada, relaxada. Fiquei de costas para a entrada do
Box imersa demais no mecanismo do banho. Edward ligou o chuveiro em frente ao
meu. E eu não pretendia puxar assunto, parecia algo estranho nós dois nus,
conversando no banheiro, mas Edward falou mesmo assim.
–Você deixou uma coisa no chão. –
disse em um tom de voz estranho. Continuei de costas para ele lavando meu corpo
e assim retirando os vestígios de sabão.
–E o que seria? – perguntei com
desinteresse.
–Pílulas anticoncepcionais e
diafragma. Estavam na mala onde você coloca seus produtos de higiene pessoal.
–Ah, eu devo ter me descuidado.
Estava com pressa para tomar banho. Guardo quando acabar daqui.
–Não precisa Bella. Eu já fiz
isso. – o tom de voz de Edward ainda era estranho. Não resisti e o olhei. Ele
parecia imerso em pensamentos.
–O que foi? – perguntei fechando
meu chuveiro e olhando-o se banhar nas águas.
–Há quanto tempo está tomando
anticoncepcional? – perguntou. Dei de ombros.
–Uns três dias. Fui a uma
ginecologista e pedi para que me receitasse. Ela também me passou o diafragma,
mas acho que esse eu não irei usar. Meio complicado de colocar. Por quê?
Edward ficou calado por alguns
instantes até falar.
–Por que não me contou? – e seus
olhos refletiam uma espécie de acusação. Não entendi.
–Não pensei que fosse algo
significativo para contar. Eu devo ter me esquecido. Por que está assim? – tentei
tirar uma conclusão de seu comportamento nada simpático através do que via, mas
Edward me olhava agora com uma expressão insondável.
–Tudo sobre você é significante
para mim. Além disso, quando se trata de proteção num relacionamento íntimo o
casal deve conversar sobre isso.
–Não há o que conversar Edward.
Eu só estou me prevenindo de uma gravidez indesejada. Só isso. Eu pensei nisso
por nós dois. Acredito que você não deva estar ansioso para ser pai. – brinquei,
mas meu sorriso morreu ao ver a expressão carrancuda que Edward tinha no rosto.
–Você tirou uma conclusão
precipitada. Deveria ter conversado comigo antes. Acho que só eu posso falar
por mim, assim você saberia se desejo ter um filho ou não.
Com essa eu tive que me calar.
Edward definitivamente não tinha cara de que desejava ser pai, mas o modo como
falava me levava a pensar o contrário.
–E você quer ser? Você é meio
jovem para isso, não é? Tem vinte e três.
–Eu não sou jovem Bella. Homens
se tornam pais aos dezesseis hoje em dia. Vinte três é uma idade perfeita. – eu
nem estava mais concentrada no banho de Edward. Eu não conseguia desviar os
olhos de seu rosto, pasma com as declarações feitas por ele naquele momento.
–Mas você já pensou no assunto
alguma vez? – perguntei e, só para acompanhá-lo, liguei novamente o chuveiro e
voltei a molhar o meu corpo. Meus olhos ainda o encaravam. Edward pareceu ficar
constrangido com a minha pergunta.
–Bom... Eu nunca havia pensado na
possibilidade até agora. Mas eu sempre pensei que você queria. Quero dizer você
tem aquele estereótipo de mulher que deseja casar e ter filhos então eu pensei
que você queria ser mãe.
–Isso não me passou pela cabeça.
Não me sinto preparada para ser mãe e você certamente não está preparado para
ser pai.
–Não existe isso de estar
preparado ou não! Ninguém nasce preparado para ser um pai ou uma mãe. Se
tivéssemos um filho eu faria de tudo para ser um excelente pai. Eu iria
administrar isso bem. – falou num tom raivoso. Sua raiva injustificada pelo
assunto discutido despertou algo em mim, algo que eu estava tentando suprimir.
–Você mal conseguiu administrar
um casamento, que dirá um filho. – soltei um pouco do ressentimento que ainda
havia em mim pelas coisas que passamos logo no início do nosso casamento. Não
olhei para Edward a fim de saber o que despertei com minhas palavras. Desliguei
meu chuveiro pegando o roupão pendurado a poucos metros.
–Vou dormir. – disse.
–Espera Bella! Olha, não queria
aborrecer você. Não queria discutir. Quando sugeri que tomássemos banho juntos
eu tinha outra coisa em mente.
Sorri, eu sabia onde ele queria
chegar.
–O que tinha em mente? – perguntei
fechando meu roupão; ainda estava de costas para ele.
–Seduzir você e convencê-la a
fazer amor comigo aqui antes de dormir. – falou amuado. Eu me virei e disse num
tom brincalhão.
–Um ótimo plano, mas hoje
dormirei cedo. – virei-me pronta para sair do banheiro, ignorando os protestos
de Edward, mas algo me impediu de sair de imediato. Os meus pés estavam
molhados e descalços e o piso não era antiderrapante. Conclusão: eu
escorreguei.
–AI!
...
Tentei não fazer cara de dor
enquanto Edward colocava um Band-Aid no local lesionado, mas foi impossível.
–Deveríamos ir ao médico. Você
bateu a cabeça no piso e teve uma concussão. E olha só o galo que ficou na sua
testa! – tocou levemente o galo coberto por um Band-Aid que ele havia acabado
de colocar.
–Edward, não foi algo grave.
Felizmente eu amorteci a queda com os braços. Isso não é nada. Um pouco de
pomada no local e Tylenol vai resolver.
–Mas Bela não devemos menosprezar
o ferimento por menor que seja. E se esse golpe se transformar em um aneurisma
ou algo assim? – olhando para minha expressão incrédula e levemente divertida,
Edward parou com o raciocínio sombrio.
–Quer os comprimidos agora? Pego
para você. – mudou de assunto. Mal perguntou e foi saindo de cima da cama. Foi
para uma de nossas malas, que ainda não haviam sido desfeitas, e pegou o
remédio. Eu esperei na cama vendo-o trazer o remédio e logo depois um copo de
água da cozinha de nosso quarto. Após ser medicada me aconcheguei na gigantesca
cama king-size de nosso quarto.
Só agora vislumbrei a opulência
do nosso quarto, grande demais para duas pessoas e luxuoso demais para uma
pessoa como eu. Edward deitou-se ao meu lado cobrindo-nos com o grosso edredom.
–Sabe, acho que você me jogou uma
praga por eu não ter cedido no banheiro. Por isso eu caí. – brinquei sendo
puxada por Edward para os seus braços, algo já corriqueiro para nós dois na
hora de dormir.
–Credo amor eu jamais faria isso!
Eu sei que a palavra tem poder, não falaria algo para prejudicá-la.
–Não acho que a palavra tenha
tanto poder assim. Se fosse por isso você não deveria nem estar entre os vivos.
– disse entre risos. Deitei minha cabeça em seu peito e o envolvi com um braço.
–Puxa, você queria tanto assim me
prejudicar no passado? – ele perguntou abraçando-me mais apertado. – Eu espero
que você não seja daquelas mulheres que, sem mais nem menos, descarregam a
raiva no marido com uma faca enquanto dormem.
–Não se preocupe... – murmurei
fechando os olhos. – Isso já passou.
–Mas você me perdoou Bella? Pelo
que você disse agora a pouco, sobre eu não conseguir administrar o meu
casamento... Você não me perdoou, não é?
Eu não sabia o que dizer. Talvez
fosse melhor fingir que havia dormido, mas duvidava que Edward engolisse essa.
Com um suspiro e sem abrir os olhos, eu optei pela verdade. Eu não conseguia
simplesmente mentir. A única vez que menti foi quando fingi não senti nada por
Edward.
–Eu não o perdoei. – o corpo de
Edward ficou tenso ante minhas palavras. Continuei a falar. – Mas eu escolhi
você. No final, é só isso o que importa. Agora vamos dormir.
Pensei que Edward não diria mais
nada naquele momento e a beira da inconsciência eu ouvi com clareza sua
resposta ao que eu havia dito.
–Eu vou recuperar a sua
confiança, ou morrerei tentando.
E eu sabia que Edward faria isso.
...
Batidas soavam longe. Eu não
conseguia abrir os olhos, tamanho o cansaço que sentia. Murmurei algo
incompreensível para Edward querendo que ele se levantasse e fosse averiguar o
barulho. Para a minha profunda alegria eu o senti se afastar de mim e seguir
para fora do quarto. Voltei a me aconchegar na cama desejando poder dormir
mais.
Vozes soavam na sala de nossa
suíte presidencial, uma era de Edward e a outra era uma voz feminina familiar,
provavelmente Alice. Os murmúrios duraram apenas alguns instantes e depois
cessaram.
Então alguém sentou na cama,
próximo a mim, e logo senti dedos acariciarem meu rosto, meus cabelos. Uma voz
sedosa, a voz de Edward, soou próxima ao meu ouvido.
–Amor, nós precisamos acordar. –
disse em seu tom amoroso, já familiar para mim. Eu me remexi deitando de bruços
na cama e enterrando meu rosto nos travesseiros.
–Me dá mais uns minutos. – pedi
num murmúrio débil, mas Edward entendeu.
–Não posso. Se não for acordada
por mim será acordada por Alice e acredite: não vai querer isso.
Levantei a contragosto e meu mau
humor só aumentou quando vi o horário. Seis e meia da manhã.
–Isso só pode ser brincadeira!
...
–Oi Bella e... Nossa! Que galo
enorme é esse na sua testa? O que aconteceu? – Alice perguntou enquanto Edward
e eu nos aproximávamos da mesa em que ela e Jasper estavam sentados.
–Nós tivemos uma noite e tanto! A
minha empolgação fez isso com ela. – Edward brincou e eu o acotovelei na
costela. Jasper reprimiu uma risada e Alice olhou com a cara fechada para
Edward.
–Vamos tomar café e então iremos
às compras. Hoje será o dia de compras. Amanhã e depois de amanhã faremos o que
turistas fazem quando viajam. Visitar pontos turísticos, curtir tudo. Você e
Jasper podem fazer o que quiser enquanto Bella e eu vamos às compras. – Alice
se sentou ao lado de Jasper. Edward me puxou pela mão conduzindo-nos a mesa.
Tomamos um delicioso café e
Edward me fez comer o dobro do que eu comeria por saber que passaríamos o dia
todo fora. Pelo que ouvi, Alice e eu faríamos compras o dia todo hoje, só
amanhã conheceríamos pontos turísticos e aproveitaríamos o resort. Fiquei temerosa
com aquilo, eu não queria passar o dia todo caminhando com sacolas nas mãos.
Pensei em dizer a Alice que não precisava de roupas, mas sabia muito bem o que
aconteceria caso eu dissesse isso: Alice me rebocaria mesmo assim.
Dito e feito. Mandou Jasper e
Edward passearem e me levou a todas as lojas de Miami. Não queria comprar nada
para mim, mas ela simplesmente escolheu minhas roupas e comprou quando achou
que eu não estava vendo dizendo algo como o quanto era importante renovar o
guarda-roupa e que isso ajudava a manter o casamento e blá, blá, blá.
Demorou a eu perceber para onde a
conversa estava indo.
–Você e o Edward estão bem. Fico
feliz com isso. – ela disse enquanto estávamos em um restaurante, ao nosso lado
um monte de sacolas. Jasper e Edward estavam zanzando pela cidade assim como
nós, mas não conosco.
–É. Estamos bem. Melhor do que eu
imaginava. – olhei meu prato sem saber para onde a conversa iria.
–O Edward mudou muito. Eu jamais
o vi desse jeito, todo amoroso com alguém. Ele só era assim quando nossa mãe
estava viva, mas depois que ela faleceu, ele se fechou para o mundo.
–Acho que ele me disse algo assim
certa vez. Mas...
–O Edward está se abrindo para o
mundo e acho que logo ele vai despejar em você tudo sobre ele. Aí você vai
entender por que ele é estranho. – algo no que Alice disse me pareceu suspeito,
mas deixei para lá.
–O Edward tem os seus defeitos,
mas eu reconheço que ele está mudando para melhor. Isso é bom, essa mudança
mudou tudo entre nós. – comentei sem saber se Alice entenderia, mas a julgar
pelo modo como ela me olhou ela entendia.
–Acho que vamos ter a
oportunidade de nos conhecermos melhor cunhada. – disse. Eu sorri.
–Também acho isso.
O restante da tarde foi de
compras e conversa. Alice me falou muito sobre ela deixando Edward de fora
inteligentemente. Acho que ela queria que o próprio Edward falasse sobre sua
vida.
Ela me falou da escola só para
meninas ricas que estudou. Falou das muitas amizades que até hoje cultivou
desde os tempos da escola. O amor pela moda que surgiu através de sua mãe,
Esme, e a tristeza que sentiu ao perdê-la. Apesar de falar na morte da mãe,
Alice não mostrava tristeza. E eu sabia por que havia superado a perda da mãe e
do pai.
–Jasper sempre esteve comigo
desde que nos conhecemos. Eu nunca me senti sozinha desde então.
–Como você e Jasper se
conheceram? – perguntei. Alice riu.
–Ele era filho da diretora da
escola para meninas que eu estudava. Ele sempre foi bonito (uma beleza meio
andrógina) por isso durante muito tempo pensei que ele fosse uma garota. Era estranho
um garoto estudando no meio de meninas.
–Nossa, que estranho. – disse
rindo.
–Ficamos amigos por um tempo. Eu
gostei dele em segredo. Jasper se confessou para mim e me pediu em namoro no
dia em que encontramos minha mãe desacordada no banheiro de casa. Ela só ficou
um tempo hospitalizada e então...
Alice pareceu imersa em
pensamentos, pensamentos nada felizes pela expressão sofrida que carregava.
Decidi tirá-la do transe.
–Alice, é melhor continuarmos com
as compras. – levantei. – Logo vai anoitecer. Além disso, os rapazes devem
estar preocupados.
–Ah, claro! Eu vou pagar pelo
almoço. Você fica aqui e repara as nossas coisas?
–Sim. – Alice foi ao balcão pagar
a conta. Olhei para as sacolas pretendendo recolhe-las, mas eram tantas que
desisti. Só peguei minha parte quando Alice voltou.
Caminhamos pelo calçadão,
despreocupadas, parando quando Alice via algo interessante em alguma butique. A
conversa entre nós foi mais descontraída. Conversa vai conversa vem, entre uma
butique e outra, algo que eu não esperava aconteceu: eu me perdi de Alice.
–Droga! – olhei em volta e não vi
nada, apenas rostos desconhecidos na multidão. Portanto várias sacolas, eu
tentei pegar o meu celular e quando consegui, o celular caiu no chão. Com muito
esforço procurei um jeito de pegar o celular para ligar para Alice sem deixar
as sacolas caírem. Foi naquele momento que uma mão se antecipou pegando o
celular.
Agradecida, peguei o celular
ofertado pela mão e olhei para a pessoa que me ajudou. Estaquei. Diante de mim
estava...
–Jacob? – falei num tom surpreso.
Ele sorriu.
–Olá Bella.
...
–Então veio representando sua
empresa em uma feira de tecnologia?
–Sim. Não sei por que me
escolheram. Há tantos funcionários lá. Eu não queria vir.
–Eles escolheram você, Jacob, por
que é um ótimo funcionário. – sorri.
Após o nosso inesperado encontro,
Jacob me convidou para tomarmos um café em uma confeitaria. Eu aceitei por que
achei que era o melhor. Eu pensei que o havia perdido após eu me entender com
Edward, afinal de contas Jacob se mantinha afastado de mim. E esta foi a minha
chance de melhorar um pouco o nosso relacionamento.
–Eu acho que me escolheram por
que sou o único que não se nega a esse tipo de coisa. Mas pela primeira vez eu
quis negar. Não estava com ânimo para viajar a trabalho. – notei que sua
expressão era preocupada. Algo devia estar acontecendo com ele.
–Você não querendo participar de
uma viagem em nome da empresa? Pensei que gostasse disso. – sorri, mas meu bom
humor não o tirou de sua melancolia.
–Meu pai não está muito bem de saúde.
Eu estava cuidando dele quando a empresa me impôs essa viagem. Tentei
dissuadi-los, mas não consegui. Minhas irmãs têm cada uma sua família, eu sou o
filho livre que poderia cuidar do pai, mas com a empresa me requisitando para
esses trabalhos fica difícil.
–Sinto muito Jacob. É algo grave?
– senti uma forte aflição com a idéia de Jacob estar perdendo o pai após perder
a mãe. Claro que ele tinha as irmãs, Rachel e Rebeca, mas não era a mesma
coisa. Jacob percebeu o meu pesar e adiantou-se em esclarecer a situação.
–Não é nada grave, apenas coisa
da idade. Não se preocupe, o velho é forte como um búfalo, vai se safar. Eu é
que estou muito preocupado com ele. Para dizer a verdade foi ele que me
convenceu a viajar. Se eu não quisesse, eu simplesmente não iria, mas ele me
chutou para fora. – um resquício do sorriso de Jacob, já tão familiar para mim,
apareceu em seus lábios cheios. Sorri automaticamente.
–Falando dessa forma fico com uma
vontade imensa de conhecê-lo, sabia?
–Você ainda pode conhecê-lo, basta
marcar o dia e vamos lá.
Eu estaquei. Não imaginei que
Jacob me propusesse isso. Para dizer a verdade eu esperava que quando me
encontrasse ele atravessasse a rua. Não, Jacob não é assim. Ele não me trataria
tão rudemente, mesmo se eu merecesse; o que é o caso. Então me lembrei de
Edward e já até poderia imaginar o que ele me diria se eu sugerisse algo como
visitar a família do meu ex.
–Bem, eu... Eu não sei se... – murmurei
embasbacada. O que eu poderia dizer? Não poderia aceitar e terminar por recusar
o convite, mas também não poderia dizer não e afastá-lo de mim.
–Ele não deixaria, não é? – Jacob
perguntou com brandura, mas ao olhar para seu rosto notei uma expressão dura.
–Ele não ficaria muito feliz, mas
eu decido no final, então...
–E como vocês estão? – Jacob
perguntou sem se importar com a rápida mudança de assunto. – Eu espero que
estejam bem, embora eu duvide muito a julgar pela personalidade daquele cara. –
falou áspero.
–Edward mudou e sim, nós estamos
bem. – disse num tom igualmente áspero.
Ficamos nos encarando com raiva e
por fim Jacob cedeu. Com um suspiro, encostou-se no assento da cadeira em que
estava sentado e voltou a bebericar o café que havia pedido.
–Desculpe. Eu não deveria ter
feito isso. – disse incapaz de me encarar.
–Eu também peço desculpas. Você
tem todo o direito de agir assim, ou pior. Eu mereço coisa pior. – com minhas
palavras Jacob me olhou.
–Você é mais uma vítima Bella. Se
há um culpado, é somente ele. O que ele fez a você... As coisas que você me
contou... Ele pelo menos disse o porquê disso?
Pronto, Jacob havia tocado no
ponto fraco de meu relacionamento com Edward. Eu sempre me perguntei o porquê e
das vezes em que fiz a pergunta para Edward, eu não obtive resposta.
–Eu sei o motivo. Ele não soube
lhe dar com a instituição do casamento, ficou confuso. Isso acontece. – falei
em favor de Edward, mas eu sabia que a minha justificativa era furada.
–Se essa for à justificativa para
o que ele fez a você, então ele é pior do que eu imaginava. Magoar tanto alguém
só por que não está preparado para compromisso? Teria sido melhor pedir o
divórcio então!
–Jacob, eu não quero falar sobre
isso! – pedi; a voz mais elevada que o normal. Jacob parecia tenso, mas tentou
se acalmar.
–Tem razão. Não é um bom assunto
após um reencontro. Deveríamos conversar sobre coisas alegres e não sobre... –
um barulho soou cortando o discurso de Jacob. Reconheci a música que era o
toque do meu celular. Eu o peguei em minha bolsa e me assustei com o número de
chamadas não atendidas nele. Chamadas de Alice e chamadas de Edward. E era o
próprio Edward quem me ligava agora.
–Alô? – atendi.
–Bella, finalmente! Onde você
está? Tem idéia do tempo em que estou ligando para você? – falou alto e quase
não entendi o que dizia. Jacob olhava a loja do outro lado da rua, dando-me espaço.
Ele devia saber com quem eu conversava ao celular.
–Eu estou indo para o hotel nesse
instante. Você encontrou Alice? Eu me perdi dela.
–Sim, Alice está aqui com Jasper.
Retornamos ao hotel por que pensamos que você tinha vindo para cá após se
perder de Alice. Eu estou com um carro de aluguel. Diga onde você está e eu
irei buscá-la agora.
–Precisa ir para casa? – Jacob
perguntou. Eu assenti para ele. – Eu levo você. Estou com um carro da empresa.
–Jacob, eu não acho uma boa
idéia. – disse tapando o celular. Edward não poderia ouvir esse nome. Voltei a
falar com Edward. – Eu não sei onde eu estou, fica bem afastado do hotel. Eu
acho que o nome da rua é...
O celular foi tirado de minhas
mãos e Jacob disse a Edward:
–Não se preocupe com Bella. Eu a
encontrei e a levarei em segurança para o lugar onde ela está hospedada. – desligou
a chamada e passou o celular para mim. – Vamos. Eu levo você. Agora que ele
sabe que você estava comigo, eu acho que você não tem escolha.
Eu estava petrificada com o
celular em mãos. Devia estar branca.
– Jacob, não deveria ter feito
isso. O Edward vai...
–Não se preocupe. – disse
casualmente levantando-se e deixando na mesa o dinheiro dos cafés. – Ele deve
muito a você Bella. Não vai encher. Meu carro está estacionado aqui perto.
Vamos.
Eu pensei em ir de táxi, mas ir
sem Jacob após o que ele fez só levantaria suspeitas. Mas também eu poderia
ligar e pedir para Edward me buscar. No entanto eu tinha certeza que Jacob
ficaria aqui e se os dois se vissem... Realmente eu não tinha opções.
...
–Pronto. Chegamos.
–NÃO JACOB! NÃO PRECISA
ESTACIONAR... Em frente ao resort. – disse num tom lamurioso. Ótimo! Edward
havia ligado várias vezes para mim enquanto Jacob me levava ao resort e eu não
atendi por que estava tentando evitar o que viria a seguir. Ele iria me matar!
–Preciso deixá-la aqui na porta.
O que o seu marido vai pensar se eu não deixar? – olhei para Jake e vi um
sorriso sapeca no rosto.
–Você está adorando isso, não
está? Tem idéia do problema em que me colocou?
–Eu precisava me desforrar pelo
que Edward fez no passado. Diga para ele que eu o mandei se ferrar.
Saí e bati a porta de Jacob com
força. Quando ele me chamou eu mandei o dedo do meio para ele. Jacob soltou uma
gargalhada gutural com o meu ato.
–Ligo para você para marcarmos a
viagem a terra do meu pai. Eles vão adorar conhecê-la! – falou alto e saiu
cantando pneus com o carro que a empresa lhe cedera. Tentando equilibrar as
sacolas em minhas mãos, eu dei alguns passos em direção a entrada do resort e
me deparei com três pessoas nas escadarias, olhando para mim: Jasper, Alice e
Edward.
“Que maravilha! Estraguei a
viagem para Edward com toda a certeza.”
Alice foi a primeira a vir em
minha direção acompanhada de seu marido Jasper.
–Bella, fiquei tão preocupada
com...
–Eu estou bem Alice.
–Não fiquei preocupada com você e
sim com as compras! Sabe quanto custa às peças exclusivas que estão nas sacolas
que você carrega? – tomou as sacolas de minhas mãos sendo ajudada por Jasper.
–Eu posso levá-las para o meu
quarto, afinal de contas elas são minhas. – esbravejei.
–Eu vou levá-las para o meu
quarto e depois você as pega. Vai precisar das mãos livres. – Alice me lançou
um olhar de alerta e entendi que a situação não estava nada boa. Jasper a
acompanhou e enquanto subia às escadas da entrada do resort, Edward descia. E
sua cara não estava nada boa.
Fiquei parada, olhando-o, como
uma presa incapaz de fugir do predador. Quando Edward estava a apenas alguns
passos para mim percebi que era bobagem temê-lo. Eu não tinha feito nada de
errado.
–Oi. – disse e tentei sorrir. Meu
sorriso não o alcançou.
–Vamos para o nosso quarto. – falou
num tom frio. Eu assenti. Edward colocou as mãos nos bolsos da calça jeans
preta e olhou o tempo todo para frente. Sua expressão era dura, como mármore, e
em nenhum momento me olhou. Aquilo me enervou. Eu não tinha feito nada de
errado! E mesmo se fizesse algo, ele nem poderia me criticar!
O silêncio entre nós durou até a
porta do quarto. Quando nós entramos, mal me virei para encará-lo e a torrente
de palavras veio.
–O QUE DEU EM VOCÊ? POR QUE
ESTAVA COM JACOB? – gritou olhando-me furiosamente e segurou meu pulso esquerdo
com uma mão.
–Primeiro: pare de gritar.
Segundo: me solta! – afastei-me e Edward me obedeceu, mas eu sabia que sua
concessão não duraria muito. – Encontrei com Jacob ao acaso. Nós fomos tomar um
café e...
–Passou esse tempo todo tomando
café com ele? Sabe que horas são Bella? Sabe há quanto tempo todos nós estamos
procurando por você? Por que você demorou a atender? – apesar da voz polida eu
podia ver, pela expressão facial de Edward, que ele não iria controlar a voz
por muito mais tempo.
–Eu não ouvi o toque do celular.
Quando ouvi eu atendi. – falei calmamente, mas minha calma parecia enervar
ainda mais Edward.
–O que estavam fazendo para você
ficar tão absorva a ponto de não ouvir um toque no máximo? – seu tom de voz era
malicioso e rude. Procurei me manter serena, mas sabia que minha calma também
iria se esvair.
–Nós estávamos apenas
conversando. Perdi a noção do tempo. Não fiz nada demais. Se estivesse fazendo
alguma coisa, você não descobriria que estive com ele. – olhei com fúria para
Edward. Eu não queria continuar essa conversa. Se continuasse...
–Ainda assim não deveria ter
parado para papear com ele. Ele é seu ex Bella! E ainda por cima ele a trouxe
para cá! Não pense que não vi vocês dois chegando! Como acha que eu fiquei
quando eu os vi juntos, quando soube que estavam juntos?
Minha calma acabou. Soltei um
riso sarcástico.
–Sei muito bem como sentiu. Deve
ter sido o mesmo sentimento que o meu. Sabe, eu também não ficava nada contente
quando via meu marido para lá e para cá com a secretariazinha que era sua
amante. É claro que nem poderia fazer tal comparação visto que eu não tenho
nada com o Jacob e você sabe disso, mas na época, comigo, eu sabia exatamente o
que você tinha com aquela vadia!
Silêncio.
Edward me olhava pasmo. Eu
tentava recuperar uma respiração estável. E aquele foi o momento em que tudo
veio à tona, de novo. Eu odiava reviver o meu sofrimento.
–Se Alice vier nos convidar para
jantar, você pode ir. Diga que eu estou com dor de cabeça e não irei. – rumei
para o banheiro, o único refugio que tinha, e me tranquei lá. Ele não demorou
nem cinco segundos para me seguir.
–Bella, abra a porta, por favor?
– pediu batendo suavemente na mesma. Eu me aproximei do balcão de mármore e
abri uma das torneiras. Lavei meu rosto. –Bella, me perdoa. Eu não deveria...
Olha, abra a porta. – bateu novamente.
–Vai à merda! – gritei e sentei
no chão com as costas encostadas na parede. Respirei fundo e contei até vinte
na tentativa de me acalmar. Eu sabia que Edward tinha o direito de ficar
zangado, mas também sabia que ele tinha o dever de me perdoar.
Seria sempre assim, constatei com
pesar. Nós sempre teríamos algo para nos afastar, por que o passado não poderia
ser apagado e eu não era tão nobre a ponto de perdoar. Edward sabia disso
também, mas estava disposto a lutar por nós dois. Eu sabia disso, mas não tinha
mais forças para lutar por nosso relacionamento; minha força se esvaiu quando,
após ser tão humilhada durante dois meses, descobri que ele tinha uma amante.
O silêncio perdurou. Talvez
Edward tivesse saído do quarto. Levantei do piso, arrumei os cabelos rebeldes
com os dedos, e saí.
É claro que ele não iria
simplesmente sair do quarto!
Sentado na cama, encarando o chão,
estava Edward. Olhou para mim quando saí do banheiro. Sustentou o olhar.
–Pensei que tivesse saído. – falei
num tom azedo.
–Por isso saiu do banheiro? Eu
estou mais calmo e não estou mais furioso. – fazia movimentos circulares com as
mãos aparentando nervosismo.
–Claro que não está. Por que
estaria? Não tem motivos para estar. – continuei de pé afastada vários metros
dele.
–Realmente não tenho. Você ainda
está com raiva de mim? Por que eu quero pedir desculpas, eu... – falava
rapidamente, atrapalhando-se com as palavras. A aflição grasnava nele. Suspirei
derrotada.
–Não. Eu é que peço desculpas
Edward. Você tem todo o direito de ficar chateado. Desculpe pelo que fiz. Não
foi legal ficar conversando com Jacob e aceitar ele vir me trazer. Eu não
pretendia aceitar a carona, mas achei que se recusasse você poderia pensar mais
mal de mim.
Caminhei até a cama e me sentei
ao seu lado. Edward me surpreendeu ficando de pé, logo mais ajoelhado diante de
mim. Colocou a cabeça encostada em meus joelhos e suas mãos em minhas pernas.
Achei estranha a posição, ele prostrado de joelhos diante de mim.
–Edward, levante-se! – pedi. Ele
não se levantou.
–Me perdoa Bella! Eu sou um
idiota que só mete os pés pelas mãos. Eu não mereço nada do que você me dá e
aqui estou eu tratando-a com rudeza quando na verdade eu deveria dar graças a
Deus por você estar comigo. A única coisa nobre que tenho em mim é o amor que
sinto por você! – seu discurso foi longo e apaixonado. Fiquei muda com suas
palavras. Edward estava exagerando, não estava?
–Edward... – murmurei seu nome
sem saber o que dizer. Edward beijou meus joelhos e suas mãos acariciaram minha
pele por cima do jeans das pernas até a cintura, mantendo suas mãos lá. Ergueu
seu rosto encarando-me por alguns instantes e então se levantou me beijando num
átimo. Deitei na cama e seu corpo másculo cobriu o meu. Suas mãos ficaram em
cada lado do meu rosto mantendo minha cabeça parada. Inútil fazer isso, eu não
iria resistir a ele, evitar seus beijos.
Sua boca devorou a minha e então
seus lábios quentes migraram para o meu pescoço, traçando beijos até a
clavícula exposta na blusa branca que usava. Suas mãos se infiltraram por baixo
de minha blusa e passearam pelas minhas costas enquanto sua boca beijava meu
ombro esquerdo. Logo ele retirou minha blusa deixando-me de sutiã. Fechei os
olhos e gemi quando seus lábios beijaram meu colo, por cima do sutiã. Suas mãos
foram para minhas costas e com isso teve acesso ao fecho do sutiã, abrindo-o.
Quando retirou a peça, eu me arrastei de costas indo para o meio da cama.
Voltou a me beijar, afoito, e não demorou a distribuir seus beijos em meus
seios. Minhas mãos foram para seu cabelo, forçando-o a permanecer ali um pouco
mais. Ele não permaneceu; havia muitas outras coisas a serem feitas.
Afastou-se e contemplou meu corpo
parcialmente despido. Sua mão foi para o botão de minha calça, ele a retirou
junto com a peça de baixo do lingerie; os sapatos foram juntos. Puxou-me pelos
joelhos, levando-me a beirada da cama. Fez menção para que eu sentasse e sua
cabeça ficou entre minhas pernas. Mesmo sabendo o que faria, ainda foi uma
deliciosa surpresa para mim. Não pude ser silenciosa, meus gemidos poderiam ter
sido ouvidos fora do quarto e agradeci por Alice e Jasper serem os únicos a
ocupar aquele andar.
Gozei para ele, não pude evitar.
Edward não parou. Retirou seus sapatos aos chutes e ajoelhou-se na cama
puxando-me para acompanhá-lo. Abraçou-me e segurando as minhas mãos passou por
seu peito, por baixo da camisa, enquanto sua boca beijava a minha. Entendi o
recado e o despi lentamente, apesar da evidente pressa de Edward. Não
desgrudamos nossos lábios nem por um instante.
Sua pele estava quente, sua
respiração ofegante, seus gemidos mais e mais ruidosos. Edward me queria muito
naquele momento, assim como eu o queria. Procurei não me assustar quando, após
despi-lo, Edward me jogou de costas na cama. Seu corpo cobriu o meu e logo seu
membro viril me invadiu. Protestei um pouco, puro reflexo, mas não tive forças
para empurrá-lo. Edward pegou minhas mãos e as prendeu entre as suas, acima da
minha cabeça.
Seus beijos agora eram calmos,
mas suas mãos exerciam força nas minhas. E então o aperto foi se afrouxando e
ele se afastou um pouco de mim, pegando minhas mãos e passando pelo seu corpo.
–Toque em mim Bella. – pediu. Eu
o atendi sentindo tanto prazer em tocá-lo quanto ele. Acariciei seu peito, seu
abdômen, em movimentos circulares. Edward gemeu abertamente, excitado só com
aquelas poucas carícias. Ousadamente eu continuei meu passeio ora com a palma
da mão, ora com a ponta dos dedos. Minhas mãos o envolveram e acabei por
arranhar suas costas. A urgência em tê-lo me deixou um pouco mais violenta.
Puxei seus cabelos, o arranhei, o apertei mais forte.
Eu o desejava tanto como não
desejei homem algum. E naquele momento eu não me importei com o pudor. Ele era
meu homem e eu tinha direitos sobre ele, direitos que só agora me eram dados.
Quando nos encaixamos e o prazer
foi nos tomando, eu senti vontade de chorar. Não sei por que. Talvez eu esteja
tão viciada em Edward e em todas as sensações que ele me proporciona que temo
perdê-lo. E hoje eu quase perdi. Eu não poderia permitir que o passado nos
separasse novamente. Edward estava tentando, eu também iria tentar. Ainda havia
força em mim para lutar por ele, constatei com alegria.
Gozamos juntos e eu o abracei
apertado quando isso aconteceu. Eu não permiti que Edward saísse de meus braços
e ele não se opôs. Ficou com o corpo sobre o meu durante um tempo enquanto nós
esperávamos nossas respirações e pulsações se acalmarem. Aconchegou-se em meus
braços depositando sua cabeça na curvatura do meu pescoço. Ele logo dormiria.
Acariciei as madeixas acobreadas e o seu rosto de querubim.
–Estou cansado. Não sei por que.
– murmurou.
–Você deve ter tido um dia tão
cheio quanto o meu. Estou exausta também. Amanhã vou acordar moída. – eu
continuei olhando-o. – O que foi? – perguntei ao notar o modo como me olhava.
–Estou feliz. Feliz por ter você.
Não mereço, mas tenho. – eu o beijei na testa.
–Não vamos falar mais sobre isso.
–Bella, se você tivesse a oportunidade
de voltar no tempo, o que você mudaria? – Edward perguntou. Eu o olhei sem
entender. Por que uma pergunta dessas agora? Mesmo sem entender seus motivos,
eu respondi com a maior franqueza que pude.
–Eu não mudaria nada. – disse com
os olhos fixos nele.
–Sério? – Edward fechou os olhos
e sorriu. – Eu mudaria tudo. Tudo o que fiz. Seria uma vida nova. Por que o
passado não pode ser mudado? – sua voz tinha um tom triste, amargurado.
–Durma. – pedi não gostando
daquela onda de tristeza que parecia invadi-lo naquele momento.
–Eu amo você. – falou num fio de
voz. Eu respondi a altura sentindo a garganta apertada pela emoção.
–Eu também amo você Edward.
Continua...
E olha o Jacob aí de novo... pra quem
perguntou sobre ele, está aí a reposta. E ainda aprontando pra aborrecer o Edward,
ainda bem que a Bella conseguiu contornar a situação e a briga ficou mais leve.
E valeu pela declaração do Edward e pelas pazes que foram bem calientes. Volto
amanhã com mais. Beijos.
Ola twimoms!! Adorei o cap mui calente louca pelo proximo esse Jacob e bem safadinho ne gente ate amanha Beijusculo
ReplyDeleteOlá Nessie!
DeleteFoi bom mesmo né? Dá até vontade de brigar só pra fazer as pazes depois...
Beijos.
Haaaaaaaaaaa, tenho vontade de gritar com o cap de hoje. AMEI!!!!
ReplyDeleteOlha sei que todo mundo torce pelo romance de Edward e Bella, e pode ter certeza que eu tb... Mas eu queria mt que a Bella tivesse uma noite com o Jacob.... Quem sabe para se vingar ou dar o troco em Edward quando ela descobrir do contrato. Seria TUuUuDO de bom.
To muito eufórica pelo Jacob.
To muito ansiosa pelo capitulo de amanha... Um frenesi louco.
Beijocas!!
Infelizmente Amanda, acredito que seu desejo não será realizado. Não consigo ver Bella traindo o Edward nem por vingança. Perderia toda sua essência se usasse o Jacob para uma vingança e estaria se igualando ao Edward. Então acho que não vai rolar.
DeleteBeijos.
NÃO.A bella tem q ser fiel ao ed.amei o cap,
ReplyDeletelouca pra ler do ponto de vista do ed e ansiosa pra quando a bella descobrir o contato vai ser tenso.bjs!!
Oi amiga,
DeleteEu também acho que apesar de tudo, Bella deve continuar sendo fiel ao Edward. Não seria Bella se não fosse assim.
Tenho medo da reação dela quando souber do contrato, principalmente se não for o Edward a contar.
Beijos.
Olá meninas! Sei não em, desculpem a linguagem mas, parece que a Bella gosta de arrumar confusão, poxa ela sabe como o edward é e vai tomar café com o Jacob, fala sério né? Bejinhos! Até a próxima :)
ReplyDelete