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Thursday, April 26, 2012

FANFIC - BANDOLEIROS - CAPÍTULO 4


Oi gente! Será que vai rolar o primeiro beijo entre Edward e Bella? E esse encontro da Alice com Jasper, será que tem alguma história no passado deles?

Título: Bandoleiros
Autora(o): Juliana Dantas
Contatos: @JuRobsten;
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, drama, aventura, lemon, universo alternativo
Censura: NC-18
Categorias: Saga Crepúsculo
Avisos: 
Sexo

Bandoleiros
By Juliana Dantas

Atenção: Este conteúdo foi classificado 
como impróprio para menores de 18 anos.
"Estou ciente, quero continuar!"


Capítulo 4

Bella sentiu um frisson pelo corpo e soube que ele iria beijá-la. Não podia deixar isto acontecer. Mas porque não conseguia se mexer? 
A pressão do corpo masculino sobre o seu causava um reboliço dentro dela, a respiração em sua face esquentava sua pele. E quando os olhares se encontraram ela soube que estava perdida. 
Então fechou os olhos, numa doce rendição. 
Edward fitou aquele rosto adorável, a respiração ofegante fazia os seios subirem e descerem. Era mais do que um homem podia aguentar. Mas ele não podia sucumbir. Aquela moça era uma bandoleira que usava seus atributos femininos para seduzir e depois roubar os homens. Este pensamento o encheu de desprezo e ele finalmente conseguiu voltar à realidade. De um pulo saiu de cima dela.
 Bella levou um tempo para registrar a realidade. Abriu os olhos e viu o estranho duque parado ao seu lado. Ele a encarava com frio desprezo e Bella se perguntou se tinha imaginado o olhar de desejo que flagrara momentos antes. 
–Levante-se moça! 
Humilhada como nunca antes, Bella sentiu o rosto esquentar de vergonha e fúria. 
Com toda dignidade que conseguiu reunir, levantou-se ajeitando o vestido. E dando meia volta, ela correu. 
Mas infelizmente o duque era rápido e a alcançou e a segurou pelo braço.
–Me solta, seu cretino! – gritou.
–Não adianta, não vou soltá-la. Terá que me ajudar a achar minha irmã. E só então pensarei no que farei com você! 

***

Alice olhou para o rosto de Jasper sem poder acreditar. Quase um ano tinha se passado desde que pusera os olhos nele pela última vez. E quem poderia dizer que se encontrariam de novo? E o que ele estava fazendo naquele lugar? Da última vez que o vira no convento de Noterfield, ele era um frade que passava por lá com outros religiosos. 
–Irmão Jasper? O que faz aqui? - perguntou estupefata.
Ele a libertou e soltou uma imprecação.
–Acho que deveria perguntar a mesma coisa a você Lady Alice. 
–Eu estou indo para Londres com o meu irmão, o duque de Buchinghan e fomos assaltados e... - ela franziu o rosto e a realidade a atingiu como um raio - Você é um dos assaltantes! Por isto a máscara! 
–Touche! 
–Mas... como... você é um religioso! 
–Não mais. – ele falou amargamente.
Alice sacudiu a cabeça tentando ordenar os pensamentos e o encarou novamente.
–Quer dizer que largou a ordem? Não posso acreditar! Espero que... – ela se calou, os pensamentos invadidos por lembranças que pareciam esquecidas. 
Há alguns meses antes Alice chegara ao convento, totalmente desolada. Sua fuga com cocheiro da família fora frustrada. No meio do caminho para a Escócia, seu irmão a achara e a levara de volta para casa. Apenas para ser castigada pelo pai e para ser mandada para aquele convento no fim do mundo. Isto era muito injusto. 
Os dias naquele lugar eram horríveis. E ela percebeu em pouco tempo que não tinha vocação para a vida religiosa. Mas como convencer o pai que não podia ficar naquele lugar? Só de pensar em sua juventude perdida, se desolava. 
Nunca mais iria a bailes, nunca mais dançaria com rapazes. Nunca mais compraria vestidos novos. Sua vida estava acabada. 
Aguentara os dia naquele mausoléu na esperança que seu pai se arrependesse de mantê-la ali e mandasse buscá-la. Mas os dias se transformaram em semanas e nada. 
Até que uma ordem de religiosos franciscanos chegara ao convento. E dentre eles estava Jasper. Alice, que estava cansada de ver sempre os mesmos rostos se alegrara em ter a oportunidade de conversar com pessoas diferentes. 
Mas as irmãs a proibiram solenemente de chegar perto dos frades. O que elas não sabiam é que para Alice, tudo o que era proibido era muito mais interessante. Assim, ela esperava as irmãs se distraírem para se aproximar dos frades. Mas não foi tão fácil como ela esperava, pois eles a ignoravam. 
Mas numa noite, Alice se esgueirou pelos corredores frios do convento para fazer aquilo que fazia desde que chegara ali. Foi até a adega roubar vinho das irmãs. E ao abrir a porta, tomou um susto, havia um frade ali e ela arregalou os olhos ao ver que ele estava bebendo! 
Ele percebeu sua presença e a encarou surpreso.
–Oh... não sabia que tinha gente aqui. - Alice balbuciou - Você está bebendo?! 
–Sim, estou. E você, o que faz aqui? 
Alice enrubesceu, mas decidiu arriscar.
–Acho que o mesmo que o senhor! 
Ela entrou e sentou-se a mesa.
Ele levantou a sobrancelha, curioso. Mas Alice manteve a mesma postura, então ele encheu um copo e Alice tomou o vinho.
Foi assim que conhecera Jasper. Ele não falava muito, mas Alice falava pelos dois. E a partir daquele dia, eles sempre se encontravam na adega para tomar vinho. 
–E então, irmão Jasper, da onde você é mesmo? - Alice indagou curiosa um dia. 
–Escócia.
–Isto é muito evasivo... 
–A senhorita é muito curiosa para uma religiosa.
Alice fez uma careta.
–Não sou uma religiosa! Quer dizer, estou aqui por imposição da minha família! 
–E por que te mandaram pra cá? Deixa-me adivinhar... algum escândalo?
Alice ficou vermelha.
–Pode-se dizer que sim. Apesar de que fugir com o cocheiro não é um pecado tão horrível para eu merecer ficar trancafiada neste lugar horrível!
Ele gargalhou.
–Este lugar não é horrível, muito pelo contrário, aqui se busca a paz e a comunhão espiritual.
–Pra mim não passa de um mausoléu! Deus me livre ter que ficar aqui pra sempre! Nunca mais ir a um baile, nunca mais ser cortejada... 
–Se tivesse casado com o cocheiro acha que sua vida seria melhor que esta? 
–Claro que sim! 
–Pois eu acho que você só quis fugir para ter um pouco de aventura. 
–E se for? O problema é meu! Pelo menos eu quero viver, não me enterrei numa vida religiosa vazia! Olhe pra você: um padreco que precisa de uns cálices de vinho pra suportar esta vida! 
Alice percebeu tarde demais que tinha exagerado, quando ele, num movimento ágil, levantou-se a atravessou com poucos passos a distância entre os dois e a agarrou pelos ombros, obrigando-a encará-lo.
–Você não me conhece! 
–Não mesmo. Mas não finja que é melhor que eu, pois não é. Esta vida também não é para você, por mais que se engane. Sabe tão bem quanto eu, que não nasceu para isto, assim como eu não nasci. 
Ficaram se encarando com fúria por alguns momentos. E de repente Alice começou a sentir uma tensão diferente. Um calor estranho se apossou de seu corpo o ar tornou-se rarefeito. Mas então ele a largou e Alice pensou ter imaginado o momento. 
Ele saiu da adega intempestivamente e Alice sentou-se, sentindo as pernas bambas. Levou a mão ao peito como se assim pudesse conter as batidas do coração. 
O que fora aquilo?
Nos dias que se seguiram ela voltou a adega, mas não encontrou mais Jasper. Porém, sempre que o via pelos corredores sentia aquele mesmo tremor no corpo, uma excitação vibrante que nunca imaginara sentir. Ela sentia que tinha que fazer alguma coisa quanto aquela atração pelo Irmão Jasper. Oras, se iria passar o resto da vida trancafiada naquele convento escuro, que mal havia de experimentar um pouco de paixão? 
Assim, numa noite escura, Alice se esgueirou pelos corredores vazios até o quarto de Jasper. Com o coração aos pulos, ela abriu a porta. Ele despertou e a encarou estupefato.
–Alice? O que faz aqui? 
Alice adentrou no quarto e fechou a porta.
E sem uma palavra, ela levou a mão aos botões da camisola e a despiu. O tecido caiu a seus pés e Alice o fitou febril.
Ele arregalou os olhos, estupefato, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela aproximou-se e deitou ao seu lado e o beijou. Jasper não reagiu apenas por um momento, mas depois segurou seus braços e interrompeu o beijo.
–Você ficou maluca? 
–Talvez! - Alice respondeu ofegante – Eu só queria... saber como é, já que provavelmente vou morrer aqui! E eu decidi... que quero que você me mostre! 
–Isto é absurdo! Saia já daqui, milady! 
–Eu sei que você também quer... eu vejo em seu olhar, que esta vida de celibato não combina com você! 
–Pare com isto, Alice! 
–Por quê? Você não sente? – ela pegou sua mão e levou ao peito e viu os olhos castanhos escurecerem de desejo. - Por favor, Jasper, faça amor comigo... - ela sussurrou e ele a beijou com ímpeto. E foi tudo o que Alice conseguiu, pois no momento seguinte a porta se escancarou e Alice foi pega em flagrante, pelas irmãs da ordem. E claro, foi considera culpada por tentar seduzir o frade. Alice nunca mais vira Jasper, pois ele partira com sua ordem na manhã seguinte e ela teve que se contentar em ser expulsa do convento sem as madres contarem a sua família o verdadeiro motivo. Porque aí sim estava perdida! 
Assim, Alice fora enviada a residência da família em Kent, tendo Edward como seu guardião.
E ela achara realmente que nunca mais veria irmão Jasper. Mas ali estava ele, em carne e osso. E tinha virado um bandido. Sem querer, Alice começou a rir da situação inusitada. 
–Mas isto é mesmo muito engraçado! 
Jasper a encarava, sério.
–O que é engraçado, milady? 
–Você! Eu! Toda esta situação bizarra! Quer dizer que não é mais frade! Isto sim é uma novidade interessante. Por favor, não me diga que aquele incidente em Noterfield teve algo a ver com...
–Não. – ele respondeu e Alice sentiu uma pontada de desapontamento. Seria muito romântico ser ela o motivo dele ter largado a ordem.
–Oh... então porque? Acabaram-se os vinhos? Ou não me diga que foi pego em flagrante bebendo todo o vinho dos franciscanos? 
–Nem uma coisa nem outra. Decide que aquela vida não era pra mim.
Os olhos de Alice brilharam e ela sorriu.
–Está vendo como eu tinha razão? Sabia que estava certa! 
–E pelo o que vejo, também se livrou da vida religiosa... 
–Sim, devo agradecer a você! Depois que me flagraram em seu quarto fui considerada perdida para sempre! - Alice riu – Graças a Deus! Morreria se ficasse mais um dia naquele mausoléu! 
–Que bom que a sua quase sedução serviu para algo, então! 
Alice o encarou.
–Quase sedução porque você quis assim! – dardejou. O pior é que ainda tinha o orgulho ferido por ter sido rejeitada na sua primeira tentativa de sedução. O encarou de cima a baixo novamente. Mas agora ele não era mais padre... 
Ele riu e Alice sentiu um arrepio na espinha. Jasper ainda causava nela os mesmos efeitos de outrora. 
–Não mudou nada, não milady Alice? Sempre pronta a seduzir... 
Alice deu um sorriso malicioso.
–E o senhor, milorde, sempre pronto a declinar... 
–Milady tem a língua ferina e uma cabeça de vento. - ele desdenhou e Alice desfez o sorriso.
–Como ousa falar assim comigo, seu... Nem sei do que te chamar! Por Deus, como foi que de frade virou um ladrão? 
Ele sorriu irônico.
–A vida tem destas coisas milady. Mas não devo explicações a você. 
Alice deu de ombros.
–Também não me interessa! - levantou o queixo altivamente – Quero que soltem meu irmão. Agora! 
Desta vez Jasper gargalhou.
–Por que faria isto Lady Alice de Buckingham? A senhorita está em desvantagem. Eu sou o bandoleiro aqui. E a tenho em minhas mãos. Alice controlou-se para não sucumbir ao medo. O Jasper que conhecera outrora não lhe faria mal. Agora este... tinha sérias dúvidas. Melhor seria não arriscar.
–Tudo bem. Vai fazer o que comigo então? Me violar? – ela desdenhou – Isto sim seria irônico! 
–Não diga bobagens! Não a quis antes e não a quero agora. Se tem em alta conta não é milady? Por quem me toma? Por mais um dos seus admiradores imberbes? Como o tal cocheiro? 
Alice enrubesceu de raiva.
–Cale-se! 
–Ótima idéia! Na verdade, nós dois devemos nos calar! Será muito melhor! 
Ele caminhou até uma montaria que estava próxima.
–Ainda não me disse o que vai fazer comigo! 
–Vou levá-la de volta da onde saiu. Lá o chefe dirá o que fazer com você.
Alice se apavorou e aproximou-se dele segurando seu braço.
–Por favor, Jasper, não faça isto! Não pode me entregar ao seu bando! 
–Eu posso sim, milady.
–Meu irmão lhe dará uma boa recompensa se me proteger! Por favor! 
–Talvez eu não esteja interessado em recompensas! 
–Mas meu irmão é muito rico! Pode conseguir o que quiser! Não me leve de volta! 
–Não! 
Alice buscou na mente algo que o convencesse. Mas não lhe veio nada. Com certeza não poderia oferecer a si mesma, já que ele não tinha o menor interesse. 
–Meu irmão pode não só transformá-lo num homem rico como também respeitável! Talvez consiga um título para senhor... um barão talvez... – ela percebeu que as palavras não surtiam o menor efeito nele, que continuava a mexer na sela do cavalo – Minha família é uma das mais importantes da corte e... meu irmão está noivo de uma moça também de uma família importante... Lady Tania Denalli e... - Jasper virou-se de repente.
–O que disse? 
–Disse que o Edward vai ajudá-lo e... 
–Não, você disse um nome! O nome da noiva de seu irmão? 
–Tania Denalli. 
Jasper virou-se, pensativo. Então a noiva do Duque de Buckingham era da família Denalli?Jasper fechou os olhos para abstrair as lembranças dolorosas que este nome lhe causava. 
–Jasper? - Alice o chamou, ressabiada, sem saber o que o afetara – O que decidiu? 
Ele a encarou com o semblante esculpido em granito.
–Vou ajudá-la milady. 

***

Bella encarou aquele duque pomposo sem acreditar no que ele estava falando. Com um safanão, puxou o braço que ele prendia.
–Está maluco se pensa que irei acompanhá-lo a alguma lugar, senhor! 
–Mas você vai. Se tentar fugir, eu a pegarei. Não há escapatória! 
–Quero saber o que fez com meus amigos! 
Ele deu uma risada irônica.
–Se está preocupada, eu não os matei. Apesar de merecerem. 
–Então está perdido! Eles virão atrás de você e acabarão com sua vida! 
–Isto nós veremos. - ele pegou de novo seu braço a puxou floresta adentro. 
Bella revirou os olhos. O que este duque metido a herói estava pensando? Uma hora a mirava com tanto desejo que Bella podia sentir a tensão quase palpável no ar. Em outro a tratava com o mais puro desdém, como se ela fosse leprosa.
Isto a irritava e a confundia. 
Respirou fundo tentando manter a calma. Seja racional, Bella! 
–Hei, dá para parar de me puxar deste jeito? Está me machucando! 
Em resposta ele a puxou ainda com mais força.
–Meus amigos bandoleiros têm mais modos do que você! - Bella dardejou. Mas não surtiu nenhum efeito. – Você tem certeza que estamos indo para o lugar certo? Quem garante que sua irmã foi para este lado? 
–Ninguém garante. Mas ela fugiu em direção ao norte.
–Mas ela pode não estar mais nesta direção... Talvez um de meus amigos a tenha achado e... 
Ele parou abruptamente e a encarou com mal contida raiva.
–É bom minha irmã estar em segurança. Senão não descansarei até levá-los a forca. 
–Sua irmã não está em segurança porque você a mandou correr para a floresta. Sozinha. Então não venha nos culpar...
–Chega! - ele gritou e Bella se calou com a fúria que emanou dele. E ela percebeu que o duque estava falando sério. Era bom a irmã estar fora de perigo. Senão estavam perdidos. Deveria ser um homem muito poderoso. Ele emanava poder e dinheiro. Nobreza, Bella pensou. 
–Acho que em vez de estarmos perdendo tempo discutindo, deveríamos estar procurando sua irmã. Daqui a pouco já vai anoitecer e não poderemos prosseguir. 
–Sim. – ele respondeu sucinto, mas Bella o puxou.
–Eu sei reconhecer uma trilha, então se me deixar ir na frente... 
–Para você tentar fugir novamente? 
–Foi você mesmo quem disse que eu não conseguiria fugir de você então o que há a temer? 
Ele pareceu ponderar por alguns momentos então a soltou.
–Tudo bem. Pode ir na frente. Mas é bom que não tente nenhuma gracinha.
–Tem a minha palavra, duque! 
Bella virou-se e prosseguiu com ele em seu encalço. Porém, ela não obteve sucesso. Horas depois ainda estavam andando em círculos, sem o menor sinal da irmã do duque.
Bella estancou.
–Sua irmã não veio por aqui! 
–Mas... Isto é impossível! Você deve estar mentindo, me enganando. 
–Eu não fiz isto! Tentei achar algum rastro dela, mas não encontrei nada! Provavelmente, ela deve ter seguido por outro caminho! 
Edward suspirou frustrado. O que teria acontecido com Alice, sozinha, na floresta? 
Bella se comprazeu de sua preocupação.
–Olha, ela deve estar em segurança... 
Edward a encarou sarcástico.
–Como se você se preocupasse! 
Bella bufou, desviando o olhar. Que tonta ela era de esperar algum sentimento por parte do duque! 
–Já está anoitecendo. Acho melhor você me liberar e... 
–Não! 
–Mas... 
–Eu disse não. Ficara comigo até acharmos Alice.
–Mas nós não vamos encontrá-la. Não aqui e muito menos hoje! 
–Não me interessa. Sei que você deve conhecer esta floresta com a palma da mão. E irá me levar até minha irmã. 
–Mas vai anoitecer! 
–Então passaremos a noite aqui e prosseguiremos amanhã.
–Passar a noite aqui? Com você? – Bella gritou ultrajada.
–Porque o ultraje, moça? Já deve ter passado muitas noites ao relento com seu bando! 
–É diferente! - era muito, mas muito diferente, Bella pensou, desesperada. Ela não sentia aquele misto de atração e medo por seus comparsas. Tinha que arranjar um jeito de se livrar daquele Edward Cullen. Mas como? O homem parecia ter três olhos e uns cinco braços!
Então teve uma idéia. 
–Espera! - ela se agachou tocando a folhagem no chão.
–O que foi? 
–Pegadas... de sapatos femininos... 
–Onde? – ele se abaixou ao seu lado.
–Elas vão por aqui! 
Bella correu, fingindo estar acompanhando as pegadas e Edward a seguiu, compenetrado. Se estivesse em outra situação ela riria, mas estava por demais concentrada em conseguir fugir. 
Já havia estado ali antes. E sabia que mais a frente havia um pântano. Não era todo mundo que conseguia correr por ali. E este duque empoadinho com certeza não conseguiria. Aí ela finalmente se veria livre dele.
–Você tem certeza...? - ele perguntou atrás de si.
–Sim, estamos no caminho certo! – Bella falou animada.
Mas Edward não era tão tolo como Bella pensara e intuíra que tinha alguma coisa ali. Ela estava aprontando alguma. Ele não entendia muito de rastros, mas percebera que a bandoleira estava inventando. Então ele viu o pântano. Sorriu irônico. Agora entendia qual era o seu jogo. Mas ele não cairia em sua armadilha. Ela prosseguiu quase correndo a frente e Edward se permitiu ficar para trás. A direita ele viu uma bifurcação e seguiu por ali; Bella se acharia muito esperta por ter se livrado dele, mas teria uma surpresa mais a frente.
Bella avistou o pântano e correu.
–Por aqui! - gritou sem perceber que Edward não estava mais atrás dela. 
Sorrindo, ela entrou no pântano. A lama chegou até a sua cintura. Mas ela não se importava. Queria fugir do duque. 
Quando estava no meio da travessia, ela olhou pra trás e surpreendeu-se ao não ver o duque. Onde será que ele tinha se metido? Teria ficado pra trás? Bella quase gargalhou de alegria, estava sendo mais fácil do que previra. Ele não passava de um idiota, afinal. Mas quando estava quase acabando de atravessar a lama, ela empalideceu. Edward estava na sua frente. Todo limpo e sorriu com sarcasmo para ela. Mas como é que ele tinha chegado até ali? 
–Mas... O que... - Bella gaguejou, estarrecida.
–Acho que não conhece os caminhos desta floresta tão bem como pensa, milady. Há uma bifurcação à direita. Se tivesse um pouco mais de conhecimento teria se poupado de mergulhar na lama.
Bella se enfureceu com o olhar irônico dele e sem pensar em mais nada, ela avançou com o intuito de tirar aquele riso de mofa daqueles lábios cruéis! 
–Oras, seu...! - mas no ímpeto de sair da lama, Bella se enroscou nas próprias saias e caiu de cabeça no barro lamacento. Tentou levantar, mas conseguia apenas afundar mais. Iria morrer. Enlameada. Na frente do duquezinho arrogante. 
Mãos firmes a puxaram pelos cabelos e Bella se viu erguida do pântano. Se debateu para livrar-se daquelas mãos odiosas e se enfureceu ainda mais ao ouvir uma gargalhada.
–Você...Você... eu te odeio! - ela bateu o pé no chão esparramando lama pra todo lado. 
–Isto é para aprender a não brincar comigo, moça. 
Bella o encarou ofegante de raiva. Imaginava qual era seu estado. Coberta de lama dos pés até os cabelos. Deveria estar horrenda. E estava assim na frente de Edward Cullen. Ela quis que o chão se abrisse aos seus pés. 
Respirou fundo pra conter a vontade insana de pular no pescoço elegante do duque.
–Nem mais uma palavra! - ameaçou e saiu caminhando com toda dignidade que conseguiu juntar levando em conta as circunstâncias. Edward Cullen iria pagar por isto. Nem que fosse a última coisa que ela fizesse na vida. Iria apagar aquele riso torto de seu rosto. Ele não perdia por esperar.
Edward a seguiu, sentindo-se satisfeito por humilhá-la. Aquela bandoleira não sabia com quem estava se metendo. Ninguém ludibriava Edward Cullen, duque de Buchinghan.
Mas Edward não podia negar que ela tinha brio. A pequena ladra caminhava a sua frente de cabeça erguida e porte ereto, como uma rainha indo em direção a seus súditos. E não como uma bandoleira que acabara de cair num pântano lamacento. E sem querer, ele sentiu uma pontada de admiração pela bela bandoleira.
A tarde ia caindo quando avistaram uma clareira e um lago.
Bella deu graças aos céus. Finalmente se livraria de toda lama. Mas ao lembrar que não estava sozinha, sentiu o alivio sumir. 
–Vamos parar por aqui. Você pode se livrar de toda esta sujeira – ele disse lacônico.
Bella cruzou os braços em frente ao corpo. 
–Não vou entrar na água na sua frente! 
–Você pode escolher ficar assim também. Para mim tanto faz.
Bella bufou. Que homem odioso! Mas o que podia fazer? Tinha que livrar-se daquela lama. 
Resignada, entrou no lago de roupa e tudo. Assim poderia lavá-las. Já dentro da água, ela tirou a roupa e as lavou, pendurando num galho. E finalmente se livrou de toda a lama e sujeira que cobria seu corpo e os longos cabelos castanhos. Em momento algum ousou olhar na direção de seu algoz. Não se importava se ele estava olhando ou não. 
Depois de ter certeza que estava finalmente limpa. Bella preparou-se para sair da água. E só então se deu conta que não tinha roupa! E agora? 
Permaneceu na água mais alguns momentos e fitou Edward de soslaio.
Infelizmente ele ainda estava ali. No momento, se ocupava em fazer uma fogueira com galhos. Bella gemeu, desolada. Então ele olhou em sua direção e ela disfarçou seu infortúnio.
–Está olhando o que? 
–Estava pensando até que horas vai ficar aí na água. Será que tinha tanta sujeira assim? 
–Claro que não! Na verdade estou esperando você ser cavalheiro e virar-se!
–E perder o espetáculo? De jeito nenhum! - ele cruzou os braços em frente ao corpo e esperou.
Bella estremeceu de frio e de raiva. Ele realmente não iria facilitar. E ela não podia ficar ali a noite inteira. Morreria de hipotermia. Mas onde estavam sua coragem e ousadia que a fizera a mais sedutora bandoleira da Inglaterra? Porque sentia-se tímida e temerosa na frente deste homem? Com esta nova resolução, ela caminhou lentamente para fora da água e riu por dentro ao ver a cara de espanto do duque. Ora, ora, se não era bom provar um pouco do próprio veneno! Mandando para o fundo da mente os últimos resquícios de vergonha e reunindo toda a coragem que podia, ela finalmente caminhou para sair da água. 
Edward não conseguia se mexer. Bella saia do lago, caminhando lentamente em sua direção. Parecia uma ninfa profana, com os pingos de água descendo pelo corpo jovem e esguio, as curvas perfeitas se delineando a sua frente como uma visão. Ele sentiu o corpo se agitar e a respiração presa na garganta. Ela era linda. Os seios pequenos e firmes, que os cabelos castanhos mal cobriam a cintura fina, a vértice escuro entre as pernas longas e torneadas... Edward sentiu o corpo reagir a toda àquela perfeição e uma ereção pulsante mandou mensagens de puro desejo carnal a sua mente. Ele a mediu de cima a baixo, sem se conter e seus olhares se encontraram e se prenderam. Ela finalmente parou a poucos metros dele e por alguns instantes foi como se nada mais existisse no mundo a não ser aquela conexão muda que falava de desejos proibidos e inconfessáveis. Mas eles estavam ali, pulsavam dentro dele como uma força incontrolável. Queria romper a distância que os separavam e segurar aquele corpo molhado entre as mãos, queria beijar a boca que prometia prazeres inimagináveis. Queria possuí-la como nenhum outro homem o fez. Mas ela deve ter tido muitos homens, Edward! Sua consciência falou e isto o fez lembrar-se de quem ela era. Uma ladra. Com muito custo, ele desviou o olhar daquele corpo proibido. E quando sentiu-se controlado novamente, voltou a encará-la e só então percebeu que ela tremia e frio.
–Pelo amor de Deus, vista-se! 
–Eu gostaria muito, mas não tenho roupas! - ela apontou para as roupas molhadas.
Edward soltou uma imprecação nada educada e tirando o casaco, aproximou-se e a cobriu, afastando-se rapidamente, com medo que aquele desejo incontrolável voltasse a dominá-lo.
–Sente-se perto do fogo! – ele ordenou friamente e ela estranhamente obedeceu. 
Pouco a pouco ela parou de tremer e o fitou com aqueles olhos castanhos desafiantes. 
–Obrigada - surpreendeu-o - pela blusa. 
–Não queria que morresse de hipotermia. – ele resmungou friamente, para quebrar aquela suavidade do momento. 
Bella o encarou do outro lado da fogueira. As chamas brincavam no rosto viril e distante e ela desejou passar as mãos na barba que despontava. Deveria estar enlouquecendo, pensou confusa. Este homem era um duque riquíssimo e arrogante que a mantinha cativa apenas para humilhá-la. Como fizera instantes antes a obrigando a sair nua da água. Bella sentiu o rosto queimar. Ainda podia sentir sobre si o olhar quente e intenso do duque. Ele a desejara. Bella já vira o desejo nos olhos de muitos homens para saber reconhecê-lo. 
Mas o problema é que ela nunca retribuíra aquele desejo até então. Claro que ela não era inocente. Crescera num bar, rodeada de homens. E tivera uma época que ela se deixara levar pela curiosidade, assim perdera a virgindade muito cedo. Não que se orgulhasse disto, ou que tivesse sido uma experiência boa. Mas aprendera que a vida, para quem não tinha uma família rica e nem dinheiro, como ela, era assim. Ela tinha que aprender a sobreviver com o que Deus lhe dera. Não era promiscua conquanto. Na verdade só dormira com dois homens na vida. Um era o viajante que passara pelo bar de sua mãe quando ela tinha 15 anos. Esta mal fadada experiência a fizera prometer a si mesma que jamais voltaria a fazer aquilo de novo. Tinha sido traumatizante. E outro fora Jacob. 
Jacob era um rapaz bonito. Mas, quando o conhecera, Bella não caíra de amores por ele. Ele era arrogante e metido. Mas se revelara um bom amigo e um dia Bella cedera. Não fora lá estas coisas também, mas Jacob prometera que melhorava com o tempo. Ela acreditara. Por algum tempo. Mas facilmente se cansara de Jacob e de sua lábia rasteira. E assim, ela colocara um fim no caso. Agora eram só amigos. Não que ele não insistisse. Mas ela não tinha intenção de voltar a dormir com ele. Nem com ele e nem com ninguém. Amor não era para ela. E também não queria ficar igual a sua mãe, trabalhando numa taberna para sustentar o marido bebum. Não, Bella seria independente e nenhum homem a faria de idiota. Nem Jacob nem nenhum outro. 
Ela fitou de novo o misterioso duque. E muito menos um nobre arrogante, como este Edward Cullen. Ele podia desejar seu corpo, mas quando o tivesse, lhe viraria as costas como todo nobre faz com as plebéias. Não, ela não podia se deixar levar por aquele desejo absurdo que sentia pelo duque. Vivera sem cair nas armadilhas da paixão até hoje e continuaria assim. Começou a sentiu os olhos pesados de sono e encostando-se a uma arvore adormeceu. 
Edward observou Bella dormindo. Parecia tão tranquila no sono, tão inocente. Mas ela era uma víbora que daria o bote se ele deixasse. Por isto tinha que se manter alerta. Vislumbrou um pedaço de pele branca das pernas que sua blusa mal cobria. Suspirou, desalentado. Não fora uma boa idéia manter esta bandoleira que o enfeitiçava com ele. Deveria tê-la deixado ir quando tentara fugir. Mas achava que ela poderia ajudar a achar Alice. E era tudo que importava no momento. Edward encostou-se a uma árvore e tentou dormir. Mas a imagem da sereia de olhos castanhos saindo da água não deixava sua mente. Diabos! Ao amanhecer se livraria dela e procurara Alice sozinho. A irmã era meio avoada, mas também era muito esperta, deveria estar se virando bem. 
Edward deixou seus pensamentos voarem até Londres onde estava sua noiva. Tania. Finalmente eles se casariam. Tania era a mulher perfeita pra ele. Doce e amorosa, com sua beleza etérea que o encantava. Nada a ver com a sedução despudorada daquela bandoleira. Edward suspirou. Estava a tempo demais sem uma mulher, por isto desejava tão intensamente a primeira que cruzara se caminho. Era só isto. Bella não era especial Não mesmo. 

Continua...

Vai sonhando que ela não é especial. Mesmo bandoleira, ela é uma mulher e mexeu com os sentimentos dele. Agora já era. Fico só imaginando a cena dela saindo nua de dentro do lago e a cara de espanto e desejo dele. Uma cena impagável! Amanhã volto com mais. Beijos e até mais tarde.



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4 comments:

  1. Nossa este capitulo é de dar arrepios..... Muito quente!!rsrsrs
    Até amanha, beijocas!

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  2. Nossa daria tudo pra ver essa cena! ja era meu filho essa Tania pode ate esquecer e so a Bella q ele vai querer. amei amei amei!!!! ate a tarde beijusculo

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  3. hahaha, a quem esses dois tão querendo enganar?? ñ é especial... magiiiiina, SÓ É ATÉ DEMAIS NÉ! hun' kkkkkkkk eles ñ vão resistir um ao outro por muito mais tempo.. e aaaaah como eu quero q eles percam esse controle! :P kkkkkk
    E Edward, esquece a Tania vai ;D

    Beijoos! :*

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  4. Que quente em... Gostei do cap, muito legal, beijinhos! Até.

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Forever

É difícil às vezes olhar para trás e ver quanto tempo passou. As amizades conquistadas e algumas perdidas no caminho. A maturidade que inevitável atinge nossas vidas e altera nossos rumos. Aquilo que nos atingiu não podemos mudar, apenas aproveitar para encher nossa história de belos momentos vividos e aprendidos.
Twilight Moms Brasil é parte de mim e espero que seja de você também, Forever.

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